quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Queermuseu do Santander em Porto Alegre

          Santander Cultural - Pedofilia, zoofilia e ofensas contra cristãos com dinheiro público? 
          Foi cancelada a exposição Queermuseu  no Santander Cultural em Porto Alegre. A exposição que contava com mais de 270 obras entre pinturas, fotografias e esculturas, oriundas de coleções privadas e públicas, iniciou-se em 15 de agosto e estava prevista para encerrar em 08 de outubro. O intuito da iniciativa, segundo relata o curador Gaudêncio Fidelis, era promover a diversidade de gêneros. Após protestos nas redes sociais, o banco resolveu encerrar a polêmica exposição. No Facebook, foi organizado um evento contra o fim da exposição e a LGBTfobia para a terça, 12/09. Alguns políticos como a deputada do PSOL, Luciana Genro, chegou a se manifestar nas redes sociais, mas por conta da repercussão de seus próprios seguidores, acabou retirando a postagem. Ela acusou que o ato seria censura de parte da sociedade que é conservadora nos costumes e liberais na economia. 
          E a deputada tem razão ao afirmar isso, pois o evento contava com incentivos da lei Rouanet, ou seja, era patrocinado com o dinheiro público, isso incomoda liberais. O que motivou os protestos foram algumas obras como "Cenas do interior II" de Adriana Varejão, que mostra um negro praticando felação em um homem branco enquanto outro faz sexo anal com ele, conta com duas mulheres nuas se tocando, um negro e uma mulher com feições nipônicas transando e aparentemente um casal fazendo sexo com um quadrupede. Isso incomoda também os conservadores, já que eles não se sentem muito a vontade em saber que parte do dinheiro de seus impostos está financiando uma exposição com tal conteúdo, já que crianças foram em excursões escolares pra ver isso. Impossível um país de maioria católica ou evangélica não se perturbar com "Cruzando Jesus Cristo com Deusa Schiva", de Fernando Baril. Assim como pais mais ortodoxos ao ver uma imagem como a obra de Bia Leite, chamada de "Travesti da lambada e deusa das águas", onde duas crianças são retratadas como "criança viada". Ainda tem a pintura com nus masculinos de Hudnilson Junior e outra com várias hóstias com palavras escritas que remetem ao ato sexual.
          Vi algumas entrevistas em emissoras de TV aberta a respeito do episódio e pude notar certo cuidado ao expor os argumentos, mas o notório é que só foram ouvidas pessoas a favor da exposição e em nenhum momento certas obras foram qualificadas como criminosas, mesmo que o real motivo das ferozes críticas, que levaram o Santader a dar fim a amostra, tenham sido as ofensas ao cristianismo, o incentivo a pedofilia e zoofilia, além da exposição pública de nudez. Acredito que as das crianças viadas e do Jesus Schiva tenham sido as mais de mau gosto pois ofendem duas religiões, o que é crime, e expõe a imagem de crianças como objetos sexuais, o que também é crime. Por mais que a zoofilia seja de péssimo gosto, por exemplo, ainda assim pode levar a interpretações mais dúbias, já que faz parte do folclore anedotas referentes a animais, tendo em vista que o quadro em questão expõe a diversidade sexual, embora seja algo ofensivo e impróprio para crianças verem. Quanto as outras mais de 260 obras, me limito a não tecer comentários, pois muitas delas são conhecidas e não representam tanto o cenário exposto. Nesse ano mesmo, no festival de cinema CinePE, dois filmes, "Real" e "Jardim das Aflições", sofreram represálias de pessoas com a mesma ideologia dos que criticam o cancelamento da exposição, por apresentar conteúdos ideológicos antagônicos ao senso comum do meio em que estava. Vejo que não há comparação plausível, afinal, os filmes citados não contém conteúdo ofensivo ou criminoso, mas é a única forma de demonstrar o porque da reação de certos seguimentos.
          Independente da intenção dos artistas citados, assumisse um risco ao expor publicamente certas coisas e espera-se que alguém tenha esse discernimento. Se os artistas são incapazes de se auto corrigir, alguém deveria fazer isso, mas o que se viu foi uma tentativa de se empurrar os limites mais um pouquinho e causar polêmica. Esse objetivo foi alcançado, embora muitos clientes tenham divulgado que não trabalhariam mais com o banco por conta do ocorrido. Trago o caso de um casal homossexual que decidiu casar em um CTG (Centro de Tradições Gaúchas), que naturalmente causou muita confusão desnecessária, já que nestes locais isso soa claramente como provocação. O mesmo ocorre em igrejas evangélicas e as pessoas sabem disso. Contudo, querem acabar até com a separação de banheiros na escola, não é de se surpreender que casos assim aconteçam, a intenção é expor a comunidade LGBT ás reações hostis de parte das pessoas. Fazem isso com negros, índios, pobres, mulheres, deficientes físicos ou qualquer outro grupo que queiram classificar como minoria e exercer algum poder por conta disso. Parece que a população em geral está respondendo a isso, porém, não da forma como estas pessoas esperavam. Posso citar homossexuais que são ou foram admirados por seus talentos como Freddie Mercury, Rob Halford, Elton John, entre muitos outros, não por serem expostos ao ridículo por uma agenda ideológica. Corre-se o risco de se ter um retrocesso em várias coisas por conta disso.
          Já deixei clara minha opinião sobre LGBT, negros, imigrantes, entre muitos assuntos polêmicos, e cada vez mais eu considero isso tão desnecessário da forma que exposto. Querem promover a diversidade acirrando os ânimos com provocações e lutas por privilégios, com o único objetivo de se sobressair expondo a todos ao ridículo. Criaram tantas lutas, que mesmo que trouxessem um fundo legítimo, acabaram por se transformar em ferramentas para manipulação, fazendo que grupos sejam jogados um contra os outros, para que certos fins mesquinhos sejam alcançados sem que as pessoas em geral se deem conta. Enquanto essa exposição causa polêmica e leva por volta de R$ 800.000,00 Reais, professores fazem greve e protestam perto dali por não receberem seus salários integralmente. Por trás destes dois casos, os mesmos interesses estão em jogo. Como todo excesso gera efeitos colaterais, a sociedade começa a dar mostras de que não está mais tão conivente com tudo que lhe é imposto.

sábado, 9 de setembro de 2017

Joesley, Geddel e Palocci na semana da independência

          Se formos pesquisar nos livros de história, os sérios é claro, veremos que uma das preocupações dos nossos dois monarcas era em preservar a saúde financeira do país. Para cuidar das finanças eram escolhidas pessoas teoricamente capazes e tinham o acompanhamento de perto, tanto de D.Pedro I quanto de D.Pedro II. Por que cito nossos monarcas neste texto? Por conta da semana em que celebramos a independência do Brasil em relação ao reino português, pois o Brasil foi uma monarquia em seus primórdio como nação independente. Porém, faço um link com o noticiário político dessa semana para trazer ao leitor o nível de podridão e degradação moral em que estamos metidos. Atentemos para o fato de nossa história ser esquartejada e totalmente deturpada, onde homens honestos e notáveis de nosso passado caíram no esquecimento para dar lugar a "salvadores da pátria". Homens como nossos dois monarcas, falhos e limitados como qualquer ser humano, são alvo de deboche de professores incompetentes e mal intencionados, que defendem ditadores e "verdades" alternativas, multiplicando os ensinamentos de Paulo Freire, um dos pilares dessa narrativa deturpada e imbecilizante que temos hoje. Não é difícil encontrar nomes notáveis na nossa história, basta uma pesquisa séria para desvendar um Brasil cheio de virtudes e esquecido criminosamente para promover esse Brasil do futuro que nunca chega. Na postagem anterior, clique aqui pra ler, eu falava um pouco de alguns homens que trabalharam para que o Brasil se tornasse uma nação independente. Essa semana resume um pouco o que os "messias" e seus discípulos fizeram com o Brasil nos últimos anos.
           Vamos começar pelo fato mais comentado da semana, os 51 milhões encontrados em um apartamento de um suposto amigo de Geddel Vieira Lima. Este ser desprezível estava sob prisão domiciliar sem tornozeleira eletrônica após ser preso em junho pela Polícia Federal. Quando obteve o tal benefício após alguns dias preso, chorou e disse pensar em seu pai. Curiosamente, teria falado ao seu amigo, suposto dono do apartamento, que precisaria de um lugar para guardar pertences de seu falecido pai. Seu choro possivelmente era de alegria, afinal, estava fora da cadeia e tinha 51 milhões esperando por ele. Ao apurar a denúncia, a polícia verificou as impressões digitais de Geddel e de seu assistente e amigo Gustavo Ferraz. Ambos terão que explicar todo o contexto, enquanto a polícia faz o caminho inverso para saber a origem do dinheiro. Como todo criminosos, estes não costumam guardar dinheiro em bancos para não levantar suspeitas, muito menos comprar imóveis em seus nomes.
          Geddel Vieira Lima é um daqueles tradicionais políticos do PMDB, corruptos e sempre orbitando em volta do poder. Desde o escândalo do "Anões do orçamento", em 1993, o nome de Geddel aparece como envolvido. Também foi citado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) ao conseguir verbas para prevenção de catástrofes quando era Ministro da Integração Nacional no segundo mandato de Lula, cargo que ocupou de 2007 a 2010. Se afastou do governo em março de 2010 para disputar as eleições para governador da Bahia onde ficou em terceiro lugar. Não teve o apoio de Lula que tinha Jaques Wagner do PT como seu candidato. Mas com a eleição de Dilma Roussef em 2010, Geddel voltou ao governo como vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal. Este permaneceu no cargo de 2011 até 2013. Se candidatou ao Senado em 2014, mas perdeu para Otto Alencar. Para finalizar sua participação política, foi escolhido por Michel Temer para integrar o governo em 2016 como Ministro-Chefe da Secretaria de Governo. Em novembro de 2016 foi citado pelo então Ministro da Cultura Marcelo Calero, que alegou pressão de Geddel, Temer e outros membros do governo sobre uma questão imobiliária envolvendo uma decisão do IPHAN. Resumindo, Geddel Vieira Lima é um político corrupto, simbolo do Estamento Burocrático, estando envolvido em todos os governos para poder articular em favor da corrupção que sustenta este sistema.
          Antonio Palocci é um homem que teve grande ascensão política principalmente na região do ABC Paulista. Foi vereador, deputado, prefeito, mas nunca concluía um mandato, sempre se candidatou a outros cargos em meio a mandatos. Foi acusado de enriquecimento ilícito e sempre levou uma vida que não condizia com a situação financeira do país. Mesmo com parte da oposição vendo Palocci como uma figura suspeita por conta de suas posições como deputado, recebeu inúmeros prêmios por seu desempenho nos cargos públicos. Assumiu a frente da campanha de Lula a presidência em 2002 em substituição a Celso Daniel, assassinado meses antes. Fez parte do grupo de transição e se tornou Ministro da Fazenda. Há de se levar em consideração que o esquema de poder do PT e aliados foi posto em prática no ABC paulista, em um primeiro momento. A morte de Celso Daniel, prefeito de Santo André, pode ter sido o grande indício de que um esquema de poder muito poderoso estava em prática, porém, o caso foi distorcido e abafado rapidamente. Naquele momento poderia se ter evitado muitos problemas, contudo, não se deu a devida atenção para o caso. Há livros, matérias e documentação que buscam ilustrar o ocorrido e tentar apresentar um desfecho definitivo para o ocorrido, entretanto, com a morte de todos os envolvidos, aumentou-se o mistério sobre os reais motivos do assassinato e a certeza de alguns que envolveria o plano de poder do partido e suas operações.
          Palocci foi acusado ao Supremo Tribunal Federal pela PGR por quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, mas foi absolvido na ocasião. Mesmo com as denúncias, Palocci chegou a ser ventilado como candidato a presidência em lugar de Dilma Roussef. Estava sob os holofotes da oposição como do governo, sendo homem poderoso e influente na política nacional. Foi líder na transição do governo Lula para Dilma em 2011 e assumiu como Ministro Chefe da Casa Civil. Porém, em 2015 a Polícia Civil abriu inquérito para investiga-lo sobre o possível recebimento de 2 milhões para a campanha de Dilma. A delação de Delcídio do Amaral, o depoimento de Mônica Moura e outras pessoas investigadas e presas, colocaram o ex-ministro em situação delicada, vindo a ser preso em setembro de 2016.
          Pois Antônio Palocci decide entregar o jogo e seu depoimento foi de encontro ao que Emílio Odebrecht e outros interrogados já haviam falado. Clique aqui e veja o texto que escrevi na semana da Páscoa a respeito. Palocci não pode ser acusado e desacreditado pelos investigados como os ex-presidentes Lula e Dilma, pois foi um nome atuante e importantíssimo para seus governos. Por esse motivo, ambos alegam que o mesmo, estando preso e pressionado, trabalha para livrar a própria cara e estaria disposto a falar o que for imposto a ele em troca de benefícios. Acima se pode conferir o depoimento ao juiz Sérgio Moro na íntegra. Mesmo com inúmeras negativas de envolvidos, Palocci pode apresentar documentos e indicar caminhos muito férteis na direção de se descobrir mais e mais informações sobre as operações criminosas envolvendo os governos de que fez parte. Isso tudo é uma questão de tempo, infelizmente não se tem tanto tempo disponível para que o cidadão comum analise todos os depoimentos, compare, raciocine e chegue a uma conclusão, tendo que confiar em resumos de fontes alternativas, essas por sua vez tendem a ser manipuladas, mas já ficou claro de que todo o esquema revelado é imenso e verdadeiro.
          Para dar seguimento a este texto, temos o empresário Joesley batista mais uma vez nos noticiários, criminais, é claro. Dessa vez pondo sob suspeita o procurador Rodrigo Janot. Em final de mandato o mesmo tem que se desvencilhar de um rolo em que o próprio se meteu. Seu assessor e amigo, o ex-procurador Marcelo Miller, seria o nome por trás de facilidades em negociações da JBS, que envolveria ministros do Supremo e o ex-Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Muitos analistas sugerem que, a pedido de Janot, Joesley teria saído desesperado por provas que pudessem favorecê-lo. Assim, o mesmo entregou uma gravação entre ele e o presidente Temer, tendo se beneficiado do ato para cometer crime fiscal. Rodrigo Janot, ligado ao PT, teria motivado o empresário a comprometer peixes grandes e atualmente inimigos do PT como o próprio Temer e o Senador tucano Aécio Neves. Como toda a repercussão trouxe apenas favorecimento momentâneo, mas foram contornadas politicamente, Joesley teria investido em outros alvos. O fato é que, mesmo que haja muita manobra política, as provas existem e todos devem ser investigados, pois os envolvidos estão seriamente comprometidos com diversos esquemas fraudulentos. Janot pediu ao STF a prisão de Joesley, Saud e Miller e os próximos desdobramentos podem trazer mais surpresas.
          A semana foi recheada de informações e revelações, que pra muitos não são novidade, mas que puseram ainda mais gasolina na fogueira política do país. Que queimem todos estes corruptos independente de pertencerem aos partidos A ou B, empresários milionários ou idiotas úteis, que paguem por seus crimes, doa a quem doer. O caso é que tudo isso está muito longe de acabar e a operação Lava jato corre constantes e sérios riscos, porém, segue firme e elucidativa. A reação de certas pessoas pode ser vista e ilustrada pelas palavras do líder do MST, João Pedro Stédile, atacando Moro e chamando-o de merdinha e bundão. Isso se dá por conta da certeza de impunidade e do nível de poder que essa bandidagem chegou neste país. Esse vagabundo, assim como Marianna Dias da UNE, Guilherme Boulos do MTST e Vagner Freitas da CUT, escrevi sobre eles neste espaço muitas vezes e a cada dia me dão mais razão para considerar tudo uma coisa só, criminosos, psicopatas obcecados por dinheiro e poder, sem nenhum escrúpulo em enganar as pessoas para atingirem seus objetivos nefastos.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

07 de setembro - Há o que comemorar?

          Embora muita gente tente desdenhar tudo que o Brasil significa como nação, sendo a nona economia mundial e uma das mais populosas nações do planeta, há de se comemorar o 07 de setembro. O Brasil é um gigante continental e fez parte de um projeto audacioso chamado de Reino de Portugal, Brasil e Algarves, alcançando três continentes: Europa, América do Sul e África. Se dependesse de revolucionários, a unidade teria se diluído com tantas revoluções, que acabaram por gerar o Uruguay, antiga província Cisplatina. Mas o sonho de um Brasil unido e forte foi trabalho de gente valorosa com José Bonifácio, Diogo Antônio Feijó, Bernardo Pereira de Vasconcelos, Evaristo Ferreira da Veiga, assim como D. Pedro I. Foram muitos confrontos, desafios, batalhas e muitos debates para que o Brasil se desvinculasse de Portugal e se tornasse um império. Escrevi a respeito no ano passado, mas tinha uma visão um pouco confusa e carente de mais informações, acabei dando uma opinião mais com o fígado do que com a razão. Você pode ler o texto aqui e ver como muita coisa mudou se comparado a este. Aquele era um texto dolorido e carregado de ressentimentos  de alguém desiludido com os últimos acontecimentos.
          Infelizmente não foi só a independência de Portugal que ocorreu, os laços culturais rompidos gradualmente durante o período imperial e definitivamente com a República, só trouxeram prejuízos para o Brasil, que ficou sujeito a outras influências nem sempre bem vindas. O século XX trouxe mais coisas a se lamentar do que comemorar, mas o orgulho de ser brasileiro permanece nos corações daqueles que sabem separar o respeito á pátria do desprezo para com os homens que a governam. Estes fracassaram deveras quando assumiram o poder frente a nação, conspirando em favor de interesses obscuros. Foram conspiradores, foram tiranos, foram ditadores, foram irresponsáveis, foram inescrupulosos, foram traidores, foram corruptos, corruptores e mentirosos. Entretanto, ainda bate um coração verde amarelo nos corações de quem trás no peito o amor por sua cultura local, que respeita as diferenças religiosas, étnicas e financeiras. Infelizes daqueles que querem tratar os diferentes povos brasileiros de forma igual, afinal, somos tão diferentes espalhados nessa imensidão de território. Nem nossos dialetos e sotaques podem ser equiparados. Nossas estações do ano são tão tipicas de cada local, que nossa pecuária, agricultura, nossas roupas e nossa cor variam quase que de forma antagônica. Eis que o Brasil se caracteriza pela diversidade quase que em todas áreas, por este motivo deve constituir-se como uma federação real e não ter um poder centralizador disfarçado de federalismo.
          Escapamos das revoluções armadas, mas cedemos ao populismo. Tempestades tropicais dificilmente nos alcançam, mas a intolerância as vezes dita as regras. Não há vulcões para queimar nosso chão, mas existe a corrupção para molestar nosso povo. Crescemos de certa forma com as especulações estrangeiras, mas não desenvolvemos o know how para despontar na industria e no desenvolvimento comercial. Ficamos na dependência das decisões de governos passageiros sem nunca desenvolver um projeto de nação. Lentamente nossos símbolos vão desbotando rumo ao esquecimento, assim como nossos heróis, as culturas locais, nossa intelectualidade e tudo que nos caracteriza como nação. Tentaram nos entregar aos comunistas, as multinacionais, nos transformar em uma enorme pátria grande socialista, até ousaram iluminar nossa sede de governo com luzes vermelhas para apagar o verde e amarelo. Somos uma pátria moribunda por conta de tantas chagas abertas pela irresponsabilidade, não só dos políticos, mas de grande parte da população que contribui para pequenas infrações e é conivente com a criminalidade em diversos setores. Aceita injustiças e se entrega a narrativas fantasiosas.
          Que façamos uma pausa para refletir sobre quem nós somos como cidadãos brasileiros e revisitemos nossas origens para tentar nos desvencilhar de toda narrativa degradante que tentam nos empurrar o tempo todo. Em momentos anteriores, escolas organizavam desfiles e direcionavam suas atividades para reproduzir parte da história com o intuito de fazer as novas gerações se sentirem integradas a ela. Infelizmente, de alguns anos pra cá não se comemora mais essa data de nenhuma forma relevante. Querem que esqueçamos nosso passado para colocar qualquer porcaria no lugar dessas lembranças. Dessa forma, seremos mais passivos as distorções e a absorvição de conteúdo artificial e enganoso. Nossa identidade está sendo diluída a cada revolução, a cada narrativa contada, fazendo com que nos sintamos órfãos de nacionalidade. É preciso parar de apontar erros e fazer nossa parte nos comprometendo em conhecer nossa verdadeira história e conhecer aqueles que lutaram para que esse sonho chamado Brasil fosse possível. 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Correios

          Quem mora no Brasil sabe que as opções que se tem para movimentar mercadorias são restritas, ou se utiliza o serviço de transportadoras, ou se opta pelos Correios. Em se tratando de documentação, o segundo é a única opção possível. Essa estatal teve seus serviços fatiados em pequenas franquias e passou a servir como uma extensão da Caixa Econômica Federal, assim como as casas lotéricas, onde é possível pagar contas e boletos, assim como fazer alguns saques pontuais. Isso aumentou a capacidade de ação da empresa e diversificou suas atividades. A importância desta empresa aumentou com o grande volume de compras feitas pela internet da última década para cá. Isso fez com que a empresa oferecesse novos serviços e modernizassem sua forma de atuar. Mas isso ocorreu de forma positiva até estourar a CPI dos Correios na metade da década passada, que foi abafada logo a seguir, contudo deixou algumas marcas muito profundas.
          Em se tratando do meu caso especificamente, tive ótimas relações com os Correios, em determinado momento, tanto que seus funcionários faziam a gentileza de utilizar horários onde houvesse alguém para receber as mercadorias ou correspondências, poupando o trabalho de voltar para uma nova tentativa e ainda facilitar para o cliente. Essa relação era de respeito recíproco e não parecia que pudesse mudar de forma tão radical como acabou ocorrendo. Quando era assíduo negociante de Action Heroes dos anos 1980, nunca tive nada além de elogios ao trabalho apresentado por eles. Foram centenas de encomendas vindo e voltado sem problemas. Tudo dentro do prazo, sem extravios ou maiores contratempos.
          Porém, quando comecei a assinar revistas impressas isso mudou. Minhas edições passaram a vir danificados, pois o carteiro simplesmente jogava as revistas no pátio, muitas vezes ignorando o endereço correto. Muitas vezes os envelopes vinham violados. Chamei a atenção de um destes profissionais quanto as condições e fui ignorado. Isso se repetiu, peguei o nome do funcionário e fiz uma reclamação no centro de distribuição. Lá fui recebido com um discurso muito pitoresco e provocativo. Um homem mal-educado e com sotaque carioca falou para eu procurar a concorrência, depois de soltar um sorriso debochado, observou que não havia tal opção. Mesmo assim, me deixou falando sozinho e uma funcionária registrou minha reclamação por conta do desdém do responsável pelo centro. Mais uma vez reclamei com o carteiro. Ele respondeu que eu deveria comprar uma caixa de correio padrão que coubesse a revista ou poderia solicitar que não entregassem mais minhas edições. Voltou a debochar com a história da concorrência, que deve ser um mantra interno. Mesmo com mais uma reclamação junto ao centro de distribuição, mais fotos enviadas para a editora contendo edições danificadas, a situação não parece ser possível de resolução. Afinal, com a atual situação da empresa é provável que os péssimos funcionários, agora mais insatisfeitos devido a diminuição de pessoal e piora nas condições de trabalho, só piorem seu serviço. É uma pena, pois tinha uma ótima relação com alguns deles e ainda tenho o serviço de malote na empresa em que trabalho onde lido diretamente com os Correios.
          Também informei a editora do que estava acontecendo e enviei fotos para comprovar o ocorrido, pedindo providências sob pena de cancelar a assinatura. A empresa se prontificou a reenviar a edição que havia recebido danificada e o problema se repetiu constantemente. Acredito que tenham entrado em contato com os Correios conforme me informaram, mas nada mudou. Não sei se há uma forma de garantir que a encomenda chegue ao destino sem danos, já que se trata de algo barato e quase fora de moda. Para renovar a assinatura da revista, ofereceram substituir as edições danificadas e mais três edições extras, pois estavam com problemas na logística de distribuição. Contudo, voltei a receber edições rasgadas pelo desrespeito do funcionários do correio. Simplesmente dobram o envelopes e amassam para enfiar na caixa de correios, sendo que é só deslisa-los para dentro da mesma, que é bem grande. Entretanto, o intuito é destruir o conteúdo mesmo. Pode ser que não deem atenção por ser um serviço barato e o pessoal que trabalha com sedex e PAC é mais cuidadoso porque são serviços mais lucrativos que a empresa presta. Mesmo assim há vídeos na internet e relatos de pessoas que já trabalharam na empresa que mostram um descaso enorme com a propriedade alheia.
          O desrespeito é pessoal de quem presta o serviço em relação a quem o utiliza, pois o funcionário é a empresa que o contrata. Sempre tive em mente essa ideia de que a imagem que passamos quando trabalhamos é parte da imagem que as pessoas terão da empresa. Portanto, quando as pessoas pedem a privatização de empresas como Correios e a Petrobras, muitos funcionários se zangam, mas nada é mais irritante que receber todo o mês as edições da revista que assino destruídas exatamente da mesma forma e pela mesma pessoa. Se tentar resolver com bom senso ao chamar educadamente a atenção do profissional, reclamar de forma incisiva, fazer uma reclamação formal e nada adiantar, a única alternativa é torcer para que haja uma concorrência que possa tirar este monopólio da mão da estatal. O fato é que em três anos o serviço só tem piorado. Escrevo esse texto para aqueles que tem empresas e contam com o serviço dos Correios para efetuar as entregas de seus produtos aos clientes, prestem atenção nas condições do serviço, pois o que está ocorrendo é preocupante. Sorte que ainda temos a opção de receber contas de forma digital, pois se esperarmos os Correios entregarem, o funcionário que vai cortar algum serviço por falta de pagamento chegará antes da conta a ser paga, isso se ela chegar algum dia.

domingo, 3 de setembro de 2017

Democratas

          Eis que surge um partido que se mostra como alternativa a ideologia esquerdista no Brasil. Uma representação que busca no combate a corrupção e na integridade moral de seus políticos, a defesa de um Estado mais enxuto e transparente, com o bem estar do indivíduo como prioridade. Seus representantes bradam furiosos seu desprezo aos planos do PT e aliados de transformar a América Latina em uma nova pátria socialista. O senador Ronaldo Caiado, com voz grave e ideias liberais, se apresenta como possível postulante ao Planalto. Onix Lorenzoni, deputado gaúcho, foi até o povo oferecer "dez medidas contra a corrupção" e obteve o apoio de mais de 2,4 milhões de assinaturas. José Agripino, presidente nacional do partido, mostra a limpeza na legenda feita internamente com a expulsão de corruptos. Fico imaginando quantos não pensaram que poderia estar nascendo uma proposta alternativa de peso. Como seria bom para o Brasil a diversidade de ideias ao invés da pluralidade partidária atual. Como falei do PSOL anteriormente, leia aqui, achei apropriado falar do Democratas, já que se trata do oposto do primeiro e teoricamente tem o mesmo peso em posições antagônicas. 
          Mas nada que um pouco de tempo não esclareça. Bastou um pouco de exposição para que a verdade sobre o partido aparecesse. O presidente do DEM, José Agripino, é citado na Lava jato, tendo como apelido "gripado" nas planilhas da Odebrecht. Estoura o escândalo envolvendo a JBS e lá está o nome de Onix Lorenzoni recebendo 100 mil reais para sua campanha. O mesmo vai á mídia e faz mea culpa, se comprometendo a devolver o dinheiro. Claro, fica fácil ter 100 mil em caixa quando se tem um mandato parlamentar. É interessante como os que mais bradam contra certas práticas, estão apenas tentando desviar o foco de si mesmos. Ainda não se tem grandes acusações contra Ronaldo Caiado, mas seu nome minguou, sobrando uma possível candidatura para o governo de Goiás. E as "dez medidas contra a corrupção"? Essa foi esquartejada e toda alterada até ser esquecida numa gaveta para apodrecer junto com a vontade de 2,4 milhões de brasileiros que a apoiaram. Como se fosse possível criar um conjunto de leis que atrapalhasse a prática mais rentável para o corpo político, receber suporte financeiro de empresas e depois recompensá-las com facilidades em licitações e lobby. 
          Ficou claro que o Democratas não passa do mesmo PFL com outro nome, cuja figura mais representativa atualmente é o presidente da câmara dos deputados, Rodrigo Maia, o "botafogo" da planilha da Odebrecht, grande apoiador do governo Temer e genro de Moreira Franco, o " angorá" como era também chamado pela empreiteira. Rodrigo Maia já se mostrou canalha ao se candidatar e se reeleger á presidência da casa, contando com apoio, mesmo que velado, de alguns partidos de esquerda, sendo que o regimento interno da casa proíbe reeleição. Para isso, chegou a citar que essa regra era uma imposição getulista para barrar a candidatura de opositores e enfraquecê-los politicamente. Maia só não almejou derrubar Temer para se tornar presidente por um curto período, porque sabe que não se reelegeria a nada se o fizer, como o atual presidente da República, e ele é um dos que precisam de foro privilegiado enquanto existir a operação Lava jato. Maia é um dos representantes do Rio de Janeiro, o Estado mais maltratado pela corrupção.
          Então, o que poderia representar uma alternativa, nada mais é do que um partido do centrão, um pouco mais robusto, mas com ideologia zero e tão sujo quanto o PFL de Celso Pitta e Paulo Maluf, que apenas mudou de nome, como falei anteriormente. Quando a esquerda brasileira, através de PT e PSDB, se aliaram definitivamente com o maior representante do estamento burocrático, o PMDB, morreu a democracia e se criou apenas um modelo de Estado mais flexível a mudanças ideológicas e estratégias de governo, mas se manteve como o mais lucrativo e poderoso meio de se controlar a vida da sociedade. Antes se temia a aristocracia que controlava a riqueza e explorava o povo, hoje se tem algo muito pior. A união profana entre o estamento burocrático e os representantes de movimentos populares criou um Leviathan mais poderoso e cheio de tentáculos. Este monstro controla as ideologias que movem intelectuais, artistas e educadores, assim como CUT, MTST, UNE, MST, entre outros, controla os presídios através de alianças de políticos com PCC, CV e as próprias FARC, manipula grandes empresas através de financiamentos públicos e lobby político. Como dizia Raymundo Faoro, a luta de classes se dará entre o povo e o estamento burocrático, e não mais entre proletários e burgueses. Se a aristocracia controlava o mercado e financiava políticos, hoje temos um sistema que controla e promove as oligarquias que crescerão e darão o devido retorno a seus facilitadores. Como é idiota quando um representante da esquerda fala que o impeachment da Dilma foi um golpe de empresários aliados com a oposição, sendo que a própria esquerda se serve destes recursos para tudo.
          O povo atordoado, segue com o desejo de encontrar um salvador da pátria, mas procura, procura e só lhe é apresentada uma das faces do mesmo monstro. Mantenho uma relação muito próxima á politica e a cada dia tenho mais certeza de que para participar dela é preciso se corromper também. Assinamos este compromisso ao nos filiarmos a um partido, depois não adianta reclamar e tentar jogar a culpa na oposição, pois todos representam o mesmo Estado corrupto e incompetente. Suas instituições brigam entre si para tentar sobreviver e algumas delas ainda tentam dar um retorno a população que representam de alguma forma minguada e estéril. Por incrível que pareça, para a grande maioria é mais fácil mudar o discurso que a convicção danosa. Nesse percurso macabro da história heróis se levantam como salvadores e logo caem com sua podridão exposta aos quatro ventos. Contudo, permanecem com todas as vantagens e prestígio dentro da máquina que sempre se serviram. 

sábado, 2 de setembro de 2017

Articulações

          Tinha decidido não falar mais de política neste espaço, mas como não pude escapar da fria realidade dos fatos e ficar calado, exponho este texto para reflexão das pessoas interessadas e para registro histórico, quem sabe. Estamos as vésperas de um ano de eleições, por este motivo, há de se ficar atento as nuances que acontecem, não nos bastidores do cenário político, mas na nossa cara mesmo, de forma descarada. Os políticos já tratam a população brasileira como completos idiotas, por isso vemos o "presidente" distribuir milhões em emendas parlamentares para se safar de um processo político/criminal, por conta de suas atividades escusas por trás de seu relacionamento com a JBS e seus encontros fora da agenda. 
          Em 2016 a então "presidenta" Dilma Roussef sofreu Impeachment. Escrevi a respeito aqui. Segundo a versão petista e de seus aliados, foi um "golpe" tramado pelo PMDB de Eduardo Cunha, Renan Calheiros e Michel Temer. Tanto o primeiro, então presidente da câmara, como o segundo, então presidente do senado, foram classificados como "golpistas". Michel Temer assumiu a presidência, como reza a constituição, por ser vice de Dilma. Este também sendo acusado de "golpista" por petistas e aliados. Temer trouxe o PSDB para linha de frente do governo, sempre teve rejeição plena da população, mas se manteve firme no poder, mesmo com escândalos envolvendo a JBS e o encontro gravado por Joesley Batista, já citados acima. De quebra, com a morte em um "acidente" aéreo de Teori Zavascki, então relator da Lava-jato, colocou seu ministro da justiça, Alexandre de Moraes, como Juiz do Supremo. Resultado, Aécio Neves do PSDB, flagrado em conversa criminosa e usando linguagem de marginal, sequer foi acusado, mesmo tendo integrantes de sua família envolvidos em esquemas de corrupção, sua irmã chegou a ser presa. Da mesma forma, as acusações envolvendo a chapa Dilma/Temer feitas pelo PSDB em 2014, foram engavetadas. Houve um racha no PSDB, mas apenas teatral, possivelmente. O partido continua no poder, segundo os seus representantes, para dar continuidade as reformas propostas pelo governo, e segundo eles, fundamentais para o futuro do Brasil.
          João Dória, que havia derrotado o candidato a reeleição pelo PT, Fernando Haddad, em primeiro turno nas eleições municipais de São Paulo, surge como possível candidato a presidência em 2018. Em um primeiro momento apoiando seu padrinho politico, Geraldo Alckimin, o "santo" segundo a planilha da Odebrecht. Entretanto, com as primeiras pesquisas apontando o fraco apoio ao nome de Alckimin e a ascensão de Dória, o prefeito de São Paulo já intensificou seus ataques a Lula e passou a viajar pelo Brasil. Em seus canal do Youtube, passou a entrevistar celebridades, chegando a bater papo amistosamente com o vereador Eduardo Suplicy do PT, aquele mesmo que estava na comitiva para receber o terrorista italiano Cesare Batisti, entre outras pessoas entre jornalistas e personalidades das mais variadas. O prefeito de São Paulo demonstrou seu apoio a Temer por conta das reformas, segundo ele, e tenta se manter como uma figura neutra de seu partido, entretanto, assumiu o discurso do partido neste ponto específico. Contudo, é impossível se descolar da realidade imposta pelos fatos. Mesmo apresentando um perfil liberal, se mostra cada vez mais volátil em se tornar o elo de ligação entre PMDB, PSDB e seguimentos da esquerda brasileira mais branda.
          Por outro lado, Lula, agora já um condenado na operação Lava jato, percorre o nordeste recebendo diplomas com erros de português e gritando aos seus correligionários que é vitima de uma perseguição politica de um grupo de procuradores e da imprensa. Ao passar por Alagoas, teve a companhia do "golpista" Renan Calheiros e de seu filho. Como se não bastasse os elogios ao ex-presidente do senado, tendo quase uma duzia de processos contra ele, também citou José Sarney como sendo uma das figuras mais importantes da política. Se até nos jornais pagos pela CUT e derivados, Lula declara certa parceria com Renan Calheiros, então temos o mesmo cenário politico que tínhamos durante os dois mandatos de Lula e Dilma, o PT sendo a cabeça de um corpo formado pelos partidos de esquerda como PCdo B, mais os mercenários do PMDB, PSB, PTB, PTdoB, PR, PRB e afins.
          De um lado Dória com o PSDB e apoiando o PMDB de Temer, do outro Lula tendo o apoio do PMDB de Renan Calheiros. Neste meio tempo a Lava jato vai se esvaindo por conta dos cortes de recursos físicos e financeiros e tendo o STF trabalhando para salvar quem é indiciado. Se por um lado Janot ataca o PSDB e parte do PMDB para livrar o PT, já há uma substituta aguardando para tomar posse e esfriar de vez as coisas. Em suma, com as estratégias que estão montando na reforma politica, mais as articulações na câmara, no senado, no STF e na Procuradoria Geral da República, fica claro que há um movimento forte da classe politica para se salvar, pois muitos políticos como Lula, Michel Temer, Aécio Neves, Renan Calheiros, Rodrigo Maia, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Romero Jucá, Gleise Hofmann, entre muitos outros, precisam se reeleger para garantir foro privilegiado e escapar da justiça comum para responder por inúmeros atos criminosos.
          Peço que não se esqueçam do que veio a público com a operação Lava jato, pois não se trata de apenas delações furadas jogadas pela imprensa. Há uma série de irregularidades envolvendo as empresas e os políticos citados. Coisas que se comprovaram na prática e ficaram claras, levando empresários e políticos para a cadeia. Infelizmente, o STF solta alguns deles ou manda para regimes mais brandos, afinal, Dias Tóffoli, Ricardo Lewandovski, Alexandre de Moraes, Fachin, Gilmar Mendes, etc, são filiados à partidos e indicados pelos então presidentes. Não há como esperar grandes condenações já que os guardiões da constituição são células partidárias adormecidas esperando para serem chamadas a ação. Como descreveu Raymundo Faoro, a luta de classes não se dará mais entre proletários e a burguesia, e sim entre o povo e o estamento burocrático. 
          Para encerrar, acredito que vale a pena uma reflexão a respeito deste cenário. Ao invés de tentar defender A atacando B, não seria mais produtivo se colocar a margem de tudo e analisar friamente os fatos e suas consequências, sem paixões ou apegos ideológicos, afinal, estamos sendo vítimas do resultado prático de tudo isso, mais de 60 mil assassinatos por ano, escassez de recursos para a saúde, educação e infraestrutura. Por outro lado temos diariamente noticias de corrupção, de fraudes e de escândalos envolvendo políticos. Já não está na hora de dar um basta nisso? Como? Rompendo os laços que prendem o cidadão comum ao corpo político, pois nem o discurso de ser a favor dos pobres e coisas do tipo está sendo usado, estão falando abertamente como fazem as coisas, para que aquele que defende determinado partido ou político, o faça com a certeza de que está apoiando um bandido sem vergonha, portanto, é um dos protagonistas de tudo que está acontecendo no Brasil.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Aulas de guitarra no Youtube

          Quero falar aqui das aulas de guitarra que postarei no Youtube em setembro. Quem quiser acessar meu canal pode clicar aqui, se inscrever e já ir se familiarizando com o que já tem lá. Não serão aulas tradicionais como as apresentadas por guitarristas conhecidos, e de eficiência comprovada, e nem visa concorrer com estes, muito pelo contrário, minha ideia não é discorrer detalhadamente sobre tópicos e demonstrar habilidade com o instrumento. O objetivo é apenas conversar de forma bem descontraída e com uma linguagem  bem simples, buscando simular a forma como eu e meus amigos compartilhávamos o conhecimento que íamos adquirindo em um passado pré-internet. Sem videoaulas ou métodos dedicados á guitarra, apenas as conversas e demonstrações, grosseiras até, foram o lastro técnico e teórico que tínhamos.
          Esses vídeos são mais indicativos do que didáticos, objetivando mostrar como buscar esse conhecimento de forma organizada e gradual. Noto que há muita teoria em debates sobre música, mas falta o conteúdo orgânico. Aborda-se temas complexos e linguagens avançadas sem passar pela base, pelo conteúdo mais orgânico.  Isso assusta um pouco quem está mais interessado em se divertir aprendendo o instrumento e acaba por se deparar com um conjunto de regras e demonstrações virtuosas que o desanimam. Sequer me preocupei em edições mais rebuscadas e cuidadosas dos vídeos, só liguei a câmera e falei sobre os assuntos que pretendia abordar. Isso pode parecer algo desleixado, mas o foco deve ficar na simplicidade da mensagem e na forma desinteressada de passar as informações.
          No meu site vou disponibilizar um fórum para debater sobre as aulas e outros assuntos relacionados a guitarra. Clique aqui e se inscreva também no site. Ao se inscrever o interessado vai receber informações por e-mail sobre a banda e todas as atividades que exerço. A partir do lançamento do meu CD, que ocorrerá em janeiro de 2018, aqueles que acompanham as aulas vão poder constatar o resultado do que apresentei nos vídeos. Serão vídeos curtos e diretos para não se tornarem tediosos. Conterão dicas de materiais adicionais para o aprofundamento dos estudos. 
          O primeiro vídeo irá ao ar no dia 1° de setembro as 18:00, horário de Brasilia. A partir do primeiro haverá uma playlist só para as aulas de guitarra. Pretendo resumir o conteúdo em 10 vídeos e me aprofundar nos assuntos com aqueles que se interessarem através do fórum ou algum formato adicional a ser combinado. Espero vocês lá!

domingo, 13 de agosto de 2017

Dia dos pais

          Nesse dia dos pais usarei este espaço para fazer uma reflexão sobre o assunto. Afinal, ser pai vai muito além da construção social que temos em mente nos dias de hoje. Quantos tipos diferentes de pais você, que está lendo este texto, conhece? Não estou reduzindo a análise a adjetivos como "bom" ou "mau", falo de características na execução da função paterna, por assim dizer. É com base na minha própria experiência de vida, tendo sido filho e depois pai, que escrevo minhas impressões a respeito. Portanto, não espero concordância com o que vou escrever nos próximos parágrafos. Considero dispensáveis palpites e opiniões a respeito de meus sentimentos ou conclusões que cheguei baseadas em situações que eu vivi. Não sou do tipo que busca resposta para meus dilemas particulares em livros ou filosofias. Assim como não me julgo capacitado para construir julgamento sobre assuntos que não conheço, me reservando o direito de apenas fomentar debates, portanto, não darei importância a teorias relativistas sobre o "meu" conceito de pai. Por sorte, as ideias e filosofias em voga hoje em dia são tão frágeis que até um leigo as refuta, basta uma simples observação do que é exposto em todos os assuntos. Aqui vou expor minha visão sobre certas situações, que a grosso modo, formam de forma sintetizada minha visão de paternidade. Vou citar alguns exemplos e discorrer brevemente sobre eles, considerando que a data é propícia para uma revisão de valores e conceitos.
          Pai de ocasião: Este é o típico caso do sujeito que transa com uma garota sem qualquer responsabilidade e se expõe ao "risco", não só de se tornar pai, mas de pegar alguma doença venérea. Mesmo que haja uma infantil intenção de construir algo mais sólido, o que não faltarão são desculpas para justificar o afastamento do convívio com o filho e os mil e um defeitos da mãe, percebidos apenas depois da consumação do ato. Mesmo que a justiça faça com que haja uma compensação financeira e permita visitas de tempos em tempos, não pode este indivíduo ser considerado um "pai", mesmo que realmente ame seu filho e lute por sua guarda, pois a análise deve ser feita sobre fatos concretos e não intenções. Algumas coisas podem acontecer nesse caso, ou o filho se apega a figura paterna de outra pessoa, como foi o meu caso, ou o respeito e a simpatia tornam-se apenas formalidades. Neste exemplo, ambos perdem, o filho por não ter a convivência paterna e o "pai" por ser privado de se beneficiar da experiência integral da paternidade. Claro que são níveis graduais de perda para ambos de acordo com o tempo que forma essa ocasionalidade. Há diversas maneiras de tentar reparar a não integralidade dessa relação, mas não nos aprofundaremos nisso aqui. Embora considere a mais fútil e artificial forma de paternidade, não se pode simplesmente desistir, isso é ainda mais nefasto. A vida se encarrega de gentilmente proporcionar oportunidades de reparo, mesmo que sejam paliativos.
          Pai presente, mas distante: Mais um exemplo clássico. Homens infelizes com suas condições paternas e conjugais, direcionam seu prazer a momentos extra familiares, como a bebida com amigos, atividades de lazer, entre outras coisas que o tirem do cotidiano. Tem o lar e a vida em família como amarras que o impedem de fazer o que realmente deseja. É incapaz de ver na relação com a esposa e os filhos um lastro para firmar as bases de suas realizações. Mesmo assim, se prende a essa situação ad eternum, pois é incapaz de tomar decisões que o livre das amarras por incontáveis motivos, desde medo que tomem o seu lugar, ou mesmo admitindo intimamente que tal vida é a melhor que pode ter. Acredito que tal situação seja comum, pois há sempre a tentativa dos medíocres em se afirmar socialmente usando família e emprego para esconder sua incapacidade. Contudo, ainda considero o marido e pai frustrado, mas presente, melhor do que o pai de ocasião, pois ainda há certo senso de responsabilidade no primeiro que o segundo muitas vezes despreza. Lembrando que não estou falando de aberrações que tornam a vida com os filhos um inferno com abusos e outras afrontas, falo do pai disperso e frio. Todo tipo de violência e abuso retiram do ser o rótulo de pai para colocar outro mais adequado. 
          Pai: Este não precisa de adjetivos para ser qualificado. Ser pai, no meu modesto conceito é estar presente em todas as suas funções, sendo estas a segurança, a convivência e a responsabilidade. Não havendo amor, é impossível manter constantemente essas três funções. O pai é a referência, portanto deve ser minimamente a figura que transmitirá todas as bases para que os filhos possam se tornar adultos que tenham moral, ética, racionalidade e bons sentimentos. Há uma troca nesse processo, onde o pai recebe do filho os questionamentos naturais da função paterna e responde ao filho com suas atitudes oriundas das respostas que obteve em sua busca. Nem sempre o filho corresponde plenamente ao que o pai transmite, mas isso não faz do pai um fracassado ou torna sua experiência menos importante. Pai é mais que um posto, é uma expressão que engloba diversas características. Quando falo pai e cito três tipos aqui, falo de sujeitos que se engajaram nessa função, o primeiro quase sem êxito, o segundo meramente aceitável, e este pleno e digno do título. 
          Algumas características podem trazer consolo aos pais inseguros. A insegurança é positiva, pois demonstra preocupação e responsabilidade, mas ela não pode ser justificativa para a covardia. Todos os filhos são incógnitas pelo simples fato de serem seres humanos. Cada um terá suas virtudes e defeitos, a função do pai é dar o minimo necessário para que não falte atenção, alimentação, amor e dedicação, mas isso é a fundo perdido, filhos não são investimento. Não espere reciprocidade para seus atos paternos, pois eles já são recompensados por si. A experiência de ser pai é a oportunidade perfeita para por em prática todas as virtudes acumuladas até então e a chance de compensar eventuais erros do passado. Muitos consideram que é uma função permanente, mas eu discordo. Considero virtude um pai saber a hora de se recolher ao posto de eventual conselheiro dos filhos e mero observador. O paternalismo exagerado de adultos impedem que os mesmos evoluam e colham os resultados de seus próprios atos.
          Por mais que se leia, observe e analise minuciosamente a função paterna, só com a experiência é que se tem a oportunidade de conhecer plenamente o que significa. Quando se recebe um abraço de um filho é potencializar a sensação de se abraçar um pai ou uma mãe. Como se fosse um ciclo genético, ao lidar com os filhos, se revive as situações e sentimentos de ser filho. Eu busquei na convivência com meu avó, que foi a figura paterna que tive, toda a bagagem necessária para lidar com a paternidade quando essa chegou tardiamente, mas como sempre, no momento certo. Coleciono êxitos e fracassos, mas evoluo como ser humano a cada nova situação que necessite de resolução. Conclui, ao receber os abraços de meus filhos, que faltaram muitos abraços meus como filho. Hoje não posso mais abraçar o pai que me quis e o que tenho está longe e não mereça de mim outro abraço que não seja o da morte. Ser um homem diferente daquele que se considera meu pai é tão fácil, que só sendo um criminoso para não ser melhor que ele.  
          Para finalizar, quero deixar registrado meu orgulho de ser pai. Só após passar por essa experiência muitas coisas ficaram claras na minha mente. Evolui profissionalmente, afetivamente, intelectualmente e musicalmente, tornando-me um adulto completo. Tenho no meu lar as bases que preciso pra almejar o que quiser e ter a certeza que o sucesso, nestes casos mais que os outros, é relativo e não é medido por metas e valores ortodoxos. Para aqueles que tem a oportunidade de estar com seus filhos neste dia, peço que olhem no rosto de cada filho e se questionem se todos os mal-entendidos foram resolvidos, se há alegria em seus semblantes ao lhes felicitarem pelo seu dia. Se não houver nenhum sentimento de remorso ou angustia, pode se regozijar com um almoço e/ou demais momentos que terão juntos, pois essa sensação de realização é única e a mais relevante para um homem de verdade.
          

sábado, 5 de agosto de 2017

Espantalho

          Acho que todo mundo sabe o que é um espantalho e para que serve. Para quem não sabe, um espantalho é um boneco que se coloca no meio da lavoura para espantar os pássaros. Isso é mais lúdico do que prático na verdade. Não acredito na eficiência deste estratagema, embora possa admitir que uma forma humana em meio a escuridão pode assustar uma pessoa. Porém, uma simples simulação não engana nem os animais nos dias de hoje. A figura do espantalho habita o imaginário infantil e até serve como personagem para filmes de terror e de ação. É compreensível que tal conceito possa ser muito bem vindo nas fantasias de quem lida com arte ou contos infantis, o problema é que adultos, com capacidade intelectual assemelhada ou menor que de uma criança do ensino fundamental, popularizaram a figura do espantalho, não como mera ilustração, mas como técnica de debate intelectual e filosófico.
          Mas não é exatamente no espantalho tradicional que quero falar aqui. Vou falar especificamente do curioso fenômeno citado no final do parágrafo anterior. Essa técnica usada por aqueles que tem uma capacidade limitada de compreender e qualificar algo ou alguém, que se assemelha a isso, criação mental de um espantalho ou avatar a ser confrontado. Completamente alheios a observação, por indiferença ou falta de inteligência mesmo, pessoas tem o hábito de criar estes espantalhos. Tais espantalhos assumem o lugar da pessoa, ou conjunto de pessoas, e fantasiosamente são qualificados conforme a imaginação doente do indivíduo. A eficiência pueril e infantil dessa artimanha se justifica. Não podendo debater ideias com um oponente levemente informado e sóbrio, ataca-se o espantalho, pois o mesmo é incapaz de responder, afinal, sequer está ali. O contraditório é ignorado e silenciados por gritos, tiradas irônicas ou acusações estéricas e deslocadas, fruto dos clichês previamente construídos.
          Oriundas da educação deficiente e tendenciosa do nosso país, pessoas com baixíssima inteligência e algum espírito de liderança, acabam por criar espantalhos com as características que elas mesmas possuem. Por ter um cérebro subdesenvolvido, esse tipo de pessoa não consegue ver muita coisa além de seu próprio umbigo. Então, para alcançar seus objetivos, criam estes símbolos a partir de si mesmas, constroem uma narrativa para se dissociar de sua criatura imaginária e estimulam um exército para combater o tal espantalho. Isso funciona, afinal, uma massa acéfala cuidadosamente amestrada e instigada pelo seu ponto mais fraco, acaba por se deixar levar por técnicas de contos infantis. 
          Há uma máxima soviética que diz, "acuse-os do que você faz e insulte-os do que você é". Não recordo se a frase é exatamente essa, mas a ideia está correta. Quando você acusa alguém de fazer algo que você faz, automaticamente o olhar de terceiros é desviado de você. Se você ofende uma pessoa com adjetivos que caracterizam você, normalmente você estará isento de tal pecha. Isso é muito comum em discussões politicas. Na verdade, são nesses embates políticos que o espantalho aparece mais forte e majestoso.  Basta que uma pessoa faça uma ressalva qualquer sobre determinado assunto para ser substituída por um espantalho. Ai começam os xingamentos, gritos, cusparadas e todo o teatrinho revoltado. Normalmente, quem age dessa forma, demonstra sua incapacidade de debater, pois só consegue ver o espantalho a sua frente, afinal, foi instruído para isso. Não pode deixar o espantalho falar, por isso berra e ataca incessantemente. O antagonista, quando racional e meramente instruído, acaba vendo na discussão uma simples perda de tempo. Nesse ínterim, o oponente do espantalho se sente vitorioso, inteligente, superior e poderoso. Isso faz com que sua autoestima suba e infle seu ego. Ele é um vencedor de um debate que nunca ocorreu. 
          A forma mais eficaz de se desmascarar quem utiliza deste tipo de subterfúgio é pegar seu discurso, trocar os pronomes e comparar com seus atos práticos. Nesse campo da politica já temos frases, textos completos e expressões de gatilho tão comuns que são utilizadas a exaustão por quem mergulha nesse mundo sujo da politica partidária. Só tendo um discurso muito bem preparado e um público amestrado para engolir tais asneiras, que essas práticas podem ser exitosas, e aqui no Brasil elas são. No nosso país a frouxidão das raízes nacionais, a constante repetição de narrativas artificiais e a falta de escrúpulos em destruir a imaginação das crianças usando as entidades de ensino, fazem com que seja o palco perfeito para tudo que vemos hoje na sociedade.
          Para finalizar, sugiro a você que analise se suas opiniões sobre livros, filmes, pessoas, etc, são opiniões embasadas em teses verdadeiras e aprofundadas ou são mera criação fantasiosa herdada de terceiros. Isso pode ser ainda pior. Você pode estar propagando opiniões que não são suas e quando se deparar com um oponente, acabará por atacar um espantalho como todos costumam fazer. Não digo que seja errado fazer isso no contexto em que vivemos, afinal, como as coisas estão "errado é estar certo", "a mentira é mais real do que a verdade" e assim por diante. Contudo, é por isso que estamos nas últimas colocações em qualquer comparação com outros países, levando-se em consideração aspectos realmente significativos em termos sociais. Depois não adianta falar mal do país e fugir para o exterior, a merda que ajudou a criar sempre estará fendendo em você. 
          

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

IK Multimedia - Amplitube

          Hoje quero falar de um assunto bem peculiar, mas interessante para os músicos e entusiastas do mundo digital. Em 2013, ao fazer um curso presencial de home estúdio, fui apresentado ao Amplitube e outras ferramentas de produção musical. Na época já conhecia os simuladores do Cubase e de outras DAWs, pois já fazia meus experimentos malucos no computador. Confesso que não cheguei a me empolgar com aquilo que me foi apresentado. Sou mais purista e sempre preferi os amplificadores reais, com um microfone colocado a frente do alto-falante e a gravação sendo feita em fitas analógicas. Mas passei a usar compressores e equalizadores dentro do computador, depois foi os reverbs e delays, quando percebi estava usando tudo digital. Os motivos para isso eram óbvios, não possuía equipamentos físicos que pudessem dar algum retorno melhor. Já estava familiarizado com os simuladores de teclado e não via essa qualidade toda, entretanto, não fui intransigente ao ponto de não avaliar com calma todo o contexto. Se pensar bem, muitos álbuns clássicos foram gravados com timbres horríveis e que se tornaram fundamentais para a qualidade do trabalho.
          No vídeo ao lado, Dave Kerzner, da IK Multimedia, é entrevistado no programa Pensado's Place, onde vão diversos profissionais de renome da produção musical. No vídeo Dave responde perguntas referentes aos produtos de sua empresa e explica qual é a função da mesma no mercado. A entrevista é bem interessante para quem se interessa pelo assunto e compreende inglês. Quando era assinante da revista Sound On Sound, que ainda sou, mas não recebo mais as revistas impressas, pois a mesma só existe em formato digital atualmente, então perdi o interesse, li várias entrevistas de pessoas ligadas ao desenvolvimento de plugins e usuários profissionais dos mesmos em que falavam da praticidade, da evolução dos instrumentos virtuais e como eles estavam se aproximando do resultado apresentado pelos equipamentos reais. Isso me soou desafiador, ao mesmo tempo que resolvia alguns problemas relacionados aos equipamentos que tinha e a acústica da sala. A Ik Multimedia apresenta um conjunto de soluções completas como interfaces, monitores de estúdio, caixas amplificadas, fones, teclados e instrumentos, além de uma vasta linha de plugins e aplicativos. A ideia apresentada de que tudo estava sendo feito para que o músico pudesse simplesmente desenvolver sua criatividade com praticidade e qualidade, foi muito convincente da forma em que foi apresentada por Kerzner e agradou os entrevistadores do programa, dois profissionais de reconhecida qualidade e longa experiência.  
          O que me fez parar para analisar toda a argumentação foi a série de profissionais pondo seu nome em plugins da Waves e empresas do tipo. Tudo bem, por dinheiro se faz tudo, até se prestar a promover uma porcaria. Entretanto, não eram apenas comerciais da Coca Cola, totalmente fantasiosos e falando de outras coisas e não do produto, mostravam em suas produções e ambientes de trabalho como tudo aquilo funciona. A concorrência entre empresas como Native Instruments, Waves, entre outras, fez com que se buscasse o aprimoramento de todas aquelas máquinas virtuais. Empresas como as de amplificadores digitais ganharam espaço no mercado, como é o caso dos populares Kemper. Se as marcas de renome como Marshall e Fender se entregaram a modelagem digital, embora não estejamos falando exatamente de plugins agora, é porque a realidade de mercado aponta para isso. Temos as baterias acústicas sendo remodeladas artificialmente e muitas vezes substituindo os instrumentos de verdade. Temos Groove Agent, EzDrummer, Superior Drummer e que tais, ganhando cada vez mais notoriedade. Essa é a evolução tecnológica ganhando espaço num mundo cheio de clichês e tabus. Como não se convencer ao ouvir um sample de uma das marcas que falei e comparar com o que se consegue gravado numa garagem? É dessas situações que falo aqui. Soluções práticas para problemas reais.
          Mas a evolução sempre buscou superar dificuldades, isso não chega a ser uma novidade. No caso da música, depois que o Pro Tools passou a dominar estúdios do mundo inteiro, por conta da facilidade de edição e manipulação do áudio, da economia com fitas analógicas e toda a grande estrutura necessária para gravar qualquer coisa, o jogo mudou definitivamente e quem não se convenceu dessa mudança teve inúmeras dificuldades de se manter com notoriedade. Hoje, os grandes estúdios existem e são caros como sempre foram, pois ainda há quem trabalhe unica e exclusivamente com eles, mas há uma nova geração que está acostumada com as facilidades do mundo moderno, onde tudo é feito rapidamente dentro do computador. A própria forma de ouvir música mudou radicalmente. Hoje só puristas escutam música em LPs e fitas Cassete, até o cd se tornou algo superado de certa forma. A música está digitalizada em seu formato final, por que não fazer música totalmente digital? Há resistência? Claro, sempre haverá. Mas para quem não tem um grande estúdio a disposição e mora em um apartamento, privar-se de fazer música não é uma opção aceitável. Para estes basta um notebook, uma pequena interface de áudio, um par de fones de ouvido e um instrumento para que tudo aconteça. Aí está o grande fascínio que a modernidade pode ter. Não é glamouroso, mas é prático e está ao alcance da maioria das pessoas.
          No meu caso, hoje não me importo mais em defender um ou outro ponto de vista. Claro que me mantenho informado sobre o que tem a disposição hoje e como os álbuns que eu amo foram feitos no passado. Contudo, acho que lutar contra a realidade é uma prática irracional na maioria das situações práticas do dia-a-dia. Por que se importar se um amplificador é um Mesa /Boogie verdadeiro ou um plugin se o som de guitarra for bom? Após cair na besteira de usar o Amplitube crackeado, comprei um pacote no site da Ik Multimedia do mesmo e um T-Racks, em uma promoção oferecida no mês de aniversário de Tom Jobim em 2015, se não me engano. A praticidade é incomparável e posso tocar sem incomodar ninguém. Entrando no site da empresa, você pode se cadastrar e baixar gratuitamente pacotes básicos, que já dão uma noção da praticidade dos produtos. Não sou patrocinado por marca alguma e não tenho porquê não ser honesto em meus comentários. Acho os produtos interessantes e recomendo que experimentem, afinal, muitos tem computador em casa, compram instrumentos e não tem onde liga-los para fazer um som. Então, a opção de ter um pacote com amplificadores, pedais, afinador, racks e tudo mais, compactado num software que pode gravar trilhas e acompanhamento não é interessante? Eu acredito que os tabus cairão por terra no dia que um profissional ganhe prêmios com um trabalho fantástico totalmente feito com essas ferramentas. Quando isso ocorrer, haverá uma quebra de paradigmas e os grandes estúdios e equipamentos reais passaram a ser considerados exóticos. As empresas mais famosas estão se preparando para isso, basta ver o que existe no mercado virtual com as marcas clássicas estampadas em suas interfaces.
           Para encerrar, acho que fica a dica bem clara aqui. Experimentar o que se tem a disposição, ou o que o orçamento alcança, é uma decisão sábia. Um dia, sintetizadores e baterias eletrônicas dominavam o mundo da música, fazendo com que os grandes nomes da época quebrassem a cabeça para interpretar o que estava acontecendo e conseguissem sobreviver as mudanças. Hoje isso não é diferente. Quem quer sobreviver, aparecer ou revolucionar o mercado de alguma forma, não pode ficar preso a clichês, deve experimentar tudo que tem a disposição com paixão e muita confiança. Se as coisas não mudarem completamente, mesmo assim haverá grande contribuição artística e tecnológica para a música. Ainda sou apaixonado por válvulas e fitas, mas tenho que reconhecer que os transistores e as DAWs mudaram o jogo de certa forma pra melhorar e o mesmo está acontecendo com o mundo digital. Já escrevi sobre isso em outras oportunidades aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Clicando dos links é possível ter uma noção muito abrangente do que estou falando e os textos podem ser usados como base para argumentações contrárias ou a favor. Confiram.

sábado, 29 de julho de 2017

Cinco guitarristas que me influenciaram

          Olá, pessoal! Todos aqueles que enveredam para o lado musical, e se dedicam a aprender algum instrumento, principalmente guitarra, o fazem por influência de outros músicos, ao menos com a maioria dos músicos que conheço sucedeu-se dessa forma. Na postagem anterior eu falei de influências de modo geral, leiam aqui, mas hoje quero falar das minhas influências particulares diretas na guitarra. Escolhi cinco guitarristas, mas poderia ser vinte ou trinta, que de alguma forma fizeram com que eu buscasse um timbre novo, aprender uma nova técnica ou mesmo tentar uma abordagem diferente no instrumento. É muito difícil não buscar em outros trabalhos as diretrizes que guiam os nossos próprios, se somos fãs e não estudiosos de música. No texto que citei a pouco, escrevi sobre aspectos mais gerais, pois fazem parte do contexto, mas ter um ídolo, mesmo que por algum tempo, é quase que inevitável, ainda mais para quem curte Heavy Metal e derivados. Então, vou citar meus cinco guitarristas mais importantes e explicar o porquê. Claro que muitos que lerão isso não concordaram integralmente, mas escrevam sobre suas influências que escrevo sobre as minhas, ok? Mas estou aberto a comentários e críticas, afinal, escrevo pra vocês, se fosse diferente não teria porque ter este espaço aqui.
          Slash é um guitarrista polêmico por vários motivos. Muitos "entendidos" consideram seus dedos lentos e seus arranjos previsíveis. Na época em que o Guns n" Roses ganhou fama mundial, no início dos anos 1990, muitos atribuíam a qualidade dos trabalhos de guitarra da banda a Izzy Stradlin, dando a Slash um papel secundário, como um boneco de cartola e óculos escuros que levaria o crédito de Rock Star ao lado de Axl Rose. Essa teoria veio por terra definitivamente quando o guitarrista lançou seus três álbuns solo. Carismático, genuíno e extremamente talentoso como Rock Star, Slash sobrevive como um dos últimos Guitar Heroes. Sua imagem já extrapolou o Guns n' Roses a muito tempo. Inquieto, o guitarrista nunca se acomodou com a fama e demonstrou amar fazer o que faz. Tanto que montou o Snake Pit, O Velvet Revolver e por último, sua própria banda. A importância dele para o Rock é tão grande que Axl Rose obrigou-se a chamá-lo de volta para sua banda, pois comparar World On Fire com Chinese Democracy é uma covardia. Ainda jovem vi várias pessoas criticando Guns n' Roses, afinal era impossível fugir da banda, pois estavam em todos os lugares, mas Slash era sempre citado como grande ícone do Rock, e hoje se faz a devida justiça a esse cara. Escrevi sobre o show dele em Porto Alegre pouco antes de voltar para sua antiga banda, o texto está aqui. Sweet Child O' Mine e Paradise City são exemplos pobres e quase distorcidos do que Slash realmente pode fazer e o fez. Conhecer seu trabalho ao lado da banda que o acompanhou antes da volta ao Guns n' Roses foi uma grata surpresa.
          Dimebag Darrell foi meu maior ídolo nos tempos em que estava desenvolvendo meu estilo de tocar guitarra e curtia coisas mais pesadas que Hard Rock de arena. O eterno guitarrista do Pantera foi definitivo para a sonoridade do Metal nos anos 2000. Com Vulgar Display of Power sua banda inventaria um novo estilo de fazer Heavy Metal. Por mais que muita gente alegue que não foi o Pantera quem criou o tal "Groove Metal", sem a banda possivelmente ele passaria batido. Com Far Beyond Driven, Dimebag e sua banda ultrapassariam os limites do Metal e se tornariam artistas tão populares quanto Madonna e Michael Jackson para o Show Business da época. Um álbum extremamente agressivo e pesado superaria em vendas os icônicos artistas Pop. O traço mais marcante da banda seria as guitarras de Darrell. A banda toda trabalhava para que ele brilhasse. Fã de Kiss e extremamente dedicado ao instrumento, quem o conheceu pessoalmente salienta que ele nunca foi um Rock Star, era amigo de todos, só queria fumar seus baseados, encher a cara e tocar sua guitarra. Infelizmente fui surpreendido em dezembro de 2004, quando na escola, vi a chamada de um tele jornal falando de um guitarrista que havia sido assassinado no palco por um fã. Ao chegar em casa confirmei que era Dimebag. Isso até hoje meche comigo. Quando assisto o episódio da série "Behind Music" sobre o Pantera, ainda passo mal quando falam de sua morte neste documentário. Não sei dizer se observo diversos traços de guitarristas incríveis em sua música ou se é ao contrário, mas esse cara mudou a guitarra do Rock, assim com Eddie Van Halen e Jimi Hendrix antes dele. 
          Yngwie Malmsteen veio até mim de forma definitiva em 1998. Já conhecia um pouco de seu trabalho, mas a gravação de um DVD no Brasil me fez correr atrás de mais informações sobre seu trabalho. Um amigo havia me emprestado uma fita cassete com o álbum The Seventh Sign, no qual constatei diversos elementos interessantíssimos. Como o "Power Metal" estava em alta naquela época, seu estilo ganhou mais notoriedade entre os fãs de Metal não só entre os amantes de guitarra, embora viesse a saturar o mercado também. Lembro de ter comprado uns oito cds dele e curtido cada um diversas vezes. Tenho um songbook de seu primeiro álbum e mais algumas partituras avulsas de músicas suas. Cheguei a me dedicar a estudar sua técnica, mesmo focando mais nos desenvolvimentos de acordes do que na velocidade, sua marca registrada. A forma como deslocava as tríades pelo braço da guitarra era bem similar a maneira que aprendi a fazer inversos de acordes em melodias clássicas. Ainda gosto de seus álbuns mais criativos, embora ele se esforce em se autossabotar com atitudes megalomaníacas e injustificáveis. Suas composições ficaram cansativas e monótonas por não evoluírem para outros ambientes e nem resgatar sua antiga diretriz musical. O fato de muitos guitarristas tentarem imitá-lo fez com que se tornasse impossível apreciar seu trabalho atualmente, pois não há qualidade alguma nele que o valha, só lampejos de um passado brilhante. Recomendo a audição de seus primeiros discos e algumas coisas da década de 1990, depois disso, o sueco não passa de um guitarrista chato e um Rock Star moribundo .
          Nuno Bettencourt é o nome mais polêmico nessa lista. Sua banda não passava de mais uma de Hard Rock tentando embarcar na mesma onda do Guns n' Roses no início dos anos 1990. Ganhou notoriedade com uma baladinha acústica radiofônica, More Than Words, extremamente executada nas MTVs da vida e programinhas "mela cueca". O problema é que eu curto essa merda e cansei de encher a cara ouvindo. Tirando os vocais de Gary Cherone, o Extreme é uma banda extremamente ousada, com o perdão da expressão. Mistura Funk, Jazz, Metal e Hard Rock com toda ousadia de Nuno nos arranjos de guitarras e orquestrações. Ouvir as guitarras do Extreme é ter uma aula de diversidade estilística. Muitos afirmam que o português não é tão bom assim, mas não é isso que se ouve nos discos e nem ao vivo, sua técnica é suja, mas muito apurada. O fato de tocar com Rihanna e suas bandas pós Extreme são coisas patéticas, ao menos na minha opinião, pois não ressaltam a qualidade de Nuno como guitarrista. Mas justiça seja feita, ele canta muito também e não se prende apenas a guitarra, seu estilo não me agrada nem um pouco em Population 1, Mourning Windows e Drama Gods. Contudo, pessoas mais ecléticas poderão gostar de ouvir, eu não recomendo nada dele fora do Extreme. A influência de Nuno nessa banda é tanta que comprei uma guitarra Washburn N1 no início dos anos 2000, ela pode ser vista no meu site www.heavinna.com, em alguns vídeos e na demo da Waiftown que foi gravada com ela. Fiquei na dúvida entre Vito Bratta do White Lion, Richie Kotzen e Nuno Bettencourt para escrever aqui, escolhi o último por ainda servir de inspiração, mas recomendo a audição de Pride do White Lion e os trabalhos de Richie Kotzen para quem é mais eclético, além de Winery Dogs. 
          Eddie Van Halen é o guitarrista que tem a sonoridade mais agradável e marcante do Rock, ao menos para mim. Tecnicamente Eddie ia muito além dos guitarristas de sua época e não tinha nenhum receio de experimentar coisas novas. Seu "Brown Sound" é um dos timbres mais lindos do Rock, seu tapping foi revolucionário e inspirador, as performances ao vivo eram surpreendentes. Imagine ouvir "Eruption" em 1978, ano em que eu nasci, devia ser de torcer o cérebro tentando imitá-lo ou se morder de inveja. Mesmo com suas habilidades na guitarra sendo o diferencial de sua banda, Eddie ousou investir em teclados, o resultado foi algo como "Jump", sucesso absoluto em um álbum praticamente feito por ele sozinho em seu estúdio 5150. A carreira da banda sempre foi de sucesso, embora tenha diversos momentos de incertezas e fracassos, pois Van Halen III é uma merda e a fase com Sammy Hagar é muito questionável, mas a genialidade de Eddie é incontestável. Com certeza há milhares de guitarristas melhores tecnicamente que Van Halen, mas o que vale para Slash, vale aqui também, qual deles é uma marca, um símbolo do Rock? Vemos meninos e meninas asiáticas fazerem miséria com seus instrumentos no Youtube, mas qual deles será o novo Van Halen, Slash, Tony Iommi, Blackmore, e afins? A resposta é simples e certeira, nenhum. O que faz do Rock e do Metal algo mágico, não é a qualidade técnica e nem o conhecimento musical dos músicos, é o lado lúdico que seus autores demonstram em seus trabalhos. Imitar as músicas de Van Halen não é uma tarefa tão complexa para quem já toca guitarra, mas se tornar um ícone e virar marca de guitarras e amplificadores é outra coisa, tente pra ver se você consegue.
          Quero fazer menções honrosas a Jimi Hendrix, Tony Iommi, Richie Blackmore, Steve Vai e a Kiko Loureiro, pois estes me influenciaram e ainda influenciam muito, fechando um pacote de referências que sempre tive. Esses caras fazem com que eu ame tocar e acreditar que é possível se apropriar dessa magia e fazer grandes músicas. Não é um processo matemático ou extremamente técnico, pois se fosse assim, seria impossível gravar meu álbum sozinho, entretanto, ele será lançado em dezembro se as coisas caminharam como estão indo. Imagino que muitos leitores contestaram a maioria dos nomes, ou mesmo todos, como falei no início, mas este é o meu universo, não posso mudar isso. Seria cômodo colocar nomes do Jazz e guitarristas obscuros para parecer culto, mas cresci ouvindo Guns n' Roses, Pantera, Van Halen, entre outros, como posso falar de coisas que não são verdadeiras? Falar de Alan Holdsworth, que faleceu a pouco, Jeff Back, Eric Johnson, entre outros, conhecendo muito pouco da obra deles por puro desinteresse, seria falso e idiota. Não escrevo para revistas pagas sobre guitarra, meu blog é particular e não tem patrocínio algum, portanto falo o que realmente penso e sinto. Sendo assim, agradeço a atenção de todos, peço que se inscrevam no meu canal no Youtube, no meu site www.heavinna.com para receber novidades exclusivas e acompanhem minhas redes sociais. Grande abraço!