quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Lemmy se foi e não teremos mais o Motorhead

         
          Estava em uma vila interminável no dia 30/04 deste ano que acaba hoje. Como já acompanho os shows em Porto Alegre a alguns anos, mais de 20 para ser mais direto, encontrei muitos amigos e conhecidos naquela noite que tinham o mesmo objetivo, assistir ao evento em que três dinossauros do Rock proporcionariam os últimos momentos de suas longas e dignas carreiras. O Monsters of Rock que passou por Porto Alegre trouxe alegria e decepção. Estávamos todos felizes porque as bandas daquela noite eram geniais. Entretanto a desorganização de quem gerenciava o evento trouxe muita preocupação. Já escrevi a respeito aqui. Entre o pessoal que aguardava o show, vários comentários sobre o cancelamento da apresentação do Motorhead em São Paulo devido a problemas de saúde de seu líder. Conforme o tempo passava e a imensa fila que dava acesso ao estádio não andava, o temor ia tomando conta dos fãs. Seria muito difícil assistir ao show completo de Lemmy e sua banda.
         
Ainda longe da entrada para o evento, podemos ouvir a voz rouca de Lemmy saudar o pessoal que já estava lá dentro. Um misto de vários sentimentos tomou conta das pessoas ao meu redor. Elas sentiam ódio, tristeza, culpa, incredulidade e ansiedade. Eu ouvi o que estava rolando lá dentro de longe e muito entristecido, pois sabia que seria a única oportunidade de ver o Motorhead ao vivo. Cheguei no gramado do Zequinha para assistir Overkill, a última música do show. Muitos que estavam horas na fila sequer viram isto. Mas foi o único contato que tive com o Motorhead e a figura de Lemmy Kilmister. O fato de Lemmy ter morrido essa semana me fez pensar em diversas coisas sobre a vida e a música. Talvez o Motorhead ganhe ainda mais popularidade a partir de agora, afinal as coisas são assim mesmo, é preciso morrer para fazer sucesso junto a molecada de hoje.
          Tive meu primeiro contato com o Motorhead quando ainda era um moleque magrelo e espinhento que andava com os roqueiros mais velhos. Um amigo me mostrou o vinil On Parole de 1976. Sinceramente, não gostei de quase nada no album. Soava sujo, mal gravado e simplório, não entendia como tanta gente bacana que eu conhecia podia gostar da banda. Ai o Sepultura grava o vídeo de Orgasmatron. Por sorte consegui a versão original gravada diretamente do rádio. Era o mesmo Motorhead, mas soava pesado e agressivo. Então a MTV passou alguns clipes da banda como Going to Brazil e Overkill. Aí pude perceber que aquela banda era maior do que eu supunha.
          Em 1993 eles lançam Bastards. Um amigo comprou o disco e eu gravei em uma fita. Até hoje fico surpreso a ouvir o album. Soa pesado e moderno, mesmo sendo uma banda clássica. Ace of Spades foi a cereja do bolo para que eu apreciasse com a devida atenção o trabalho da banda. Não que agora eu ache todos os álbuns muito bons, ou que a banda não tenha musicas fracas. Motorhead não está entre as 20 bandas que eu mais gosto. Porém Lemmy Kilmister sempre vai ser o cara feio, bêbado e carismático que andou sobre a terra durante 70 anos e fez muita gente gostar de Heavy Metal por causa dele. Talvez Ozzy e Lemmy sejam as figuras mais carismáticas do Metal e o estilo deve muito a eles.
         
          Você pode conhecer um pouco da história da banda e de Lemmy clicando aqui, onde Gastão Moreira e Clemente Nascimento fazem um programa dedicado a eles no Heavy Lero. Vou escutar a discografia da banda completa em janeiro em homenagem ao grande Lemmy. Acho que a melhor maneira de homenageá-lo e para um momento para pensar em sua carreira e depois ouvir toda a sua obra. Afinal, Lemmy era apenas um homem, o que o transformou em uma lenda foi sua música. Acho que jamais fez concessões radiofônicas que manchassem a carreira da banda e isso é um mérito que pouca gente merece. Descanse em paz Lemmy e longa vida ao Motorhead.

domingo, 13 de dezembro de 2015

5 excelentes bandas novas

          É muito bom ser apaixonado por Heavy Metal a mais de 20 anos. Sabe por quê? Porque você sabe exatamente o que te agrada ou não. As modinhas, propagandinhas de mídia e o diabo a quatro não te iludem. Quando se chega neste estágio você simplesmente põe o som pra rodar e curte ou não. Não tem aquele lance de ouvir escondido determinada banda porque sua galera acha poser ou qualquer outra coisa. Dai tem aquela galera que curte Led Zeppelin, Black Sabbath, entre outras, que diz que o som massa mesmo era o dos anos 70, como se você não fosse um músico tentando fazer música hoje. Tudo bem, amo essas bandas, mas acho que esse tipo de comentário é idiota. Simplesmente assim, idiota. Tudo bem se você não quiser conhecer bandas novas, faz parte. Eu tive uma fase onde só escutava Death Metal, depois só Thrash Metal e assim por diante. É legal porque você se aprofunda em determinado estilo, porém o prazer de ouvir musica transcende estilos, épocas e modas. Por isso escrevo esse texto e quero compartilhar com vocês que lêem o blog cinco bandas novas que você para, ouve e pensa: _Poxa, que baita som!

          A primeira é a Eclipse (Site oficial da banda). É uma banda sueca formada em 1999 por Erik Martersson e por Magnus Henriksson, vocalista e guitarrista respectivamente. Talvez a maior notoriedade da banda venha dos projetos em que seus integrantes, principalmente Erik, estão envolvidos nos últimos anos desde que assinaram com a Frontiers Records. Em resumo, a banda faz aquele Hard rock com pitadas Heavy, com vocais agudos e potentes e guitarras muito evidentes com arranjos de muito bom gosto. Pra quem gosta de bandas de Hard dos anos 90, o Eclipse é uma ótima pedida. Chega a lembrar um pouco do estilo Dio de fazer música, mas com aquela pegada européia de bandas como Europe e Stratovarious. O último álbum da banda Armageddonize (ouça aqui), foi produzido em três semanas e é muito interessante para quem curte Heavy/Hard, com vocais harmoniosos e guitarras pesadas e pode servir de referência para aqueles que ainda não conhecem o trabalho da banda. É claro que o pessoal mais radical não vai curtir, mas para aqueles que buscam bandas novas de Hard Rock está aqui a banda.
          Rival Sons (Site oficial) é uma banda que começou suas atividades em 2009. Original da Califórnia, esse quarteto conseguiu êxito numa tarefa que, ao longo dos anos, tem sido perseguida por diversas pessoas que buscam reproduzir o som dos anos 70. Desde seu primeiro álbum a banda demonstra um grande apresso por sonoridades vintage. Isso faz com que a música se mostre cada vez mais atemporal. Eu era um incrédulo, mas depois que ouvi os álbuns da banda eu simplesmente dei o braço a torcer. Ouça isso aqui e tire suas próprias conclusões. O clima em torno da banda é muito orgânico e visceral. Os timbres dos instrumentos e dos vocais são perfeitos para que aqueles saudosistas dos anos 70 possam se deliciar. Uma pena que o pessoal das antigas seja tão bitolado e costume ignorar esse tipo de banda. 

          Black Country Communion (Site oficial) é uma banda formada por Glen Hughes no baixo e vocais, Joe Bonamassa na guitarra e nos vocais, Jason Bonhan na bateria e Derek Sherinian nos teclados. Se você tem o filho de John Bonham na bateria, tem o vocalista e baixista do Trapeze, que tocou com Tony Iommi em um dos álbuns do Sabbath, gravou Burn do Deep Purple e é uma figura extremamente respeitada no cenário da musica pesada. Você acrescenta o guitarrista de blues mais virtuoso da atualidade e tem o ex-tecladista do Dream Theater para fechar o grupo, o que esperar? Simplesmente uma banda muito eficiente e que tem ótimas composições. Black Country Communion já nem existe mais, mas deixou três cds e um DVD de altíssima qualidade. A banda faz um Classic Rock com pitadas de Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple que pode cair no gosto dos aficcionados por essas bandas. Confira a banda aqui e se esbalde em uma viagem pelo mundo do Rock classudo e atemporal. O maior destaque é o guitarrista Joe Bonamassa que conquistou o respeito de ninguém menos que B. B. King quando era apenas um moleque. Se procurar no Youtube pode encontrar momentos em que o jovem simplesmente destrói tudo com sua Les Paul em mãos. Por sua vez Glen Hughes está cantando como sempre, sua voz ainda é a mesma, se gosta do estilo do cara aqui está mais um trabalho brilhante. Jason Bonhan cresceu com o estigma do pai, mas é um baterista muito preciso e com uma pegada muito semelhante ao falecido batera do Led, isso é excelente.
          Blackberry Smoke (Site oficial) é uma banda de Southern Rock com uma qualidade impressionante. Quando ouvi Holding All the Roses eu simplesmente me vi apaixonado pelo som de Bob Dilan e Lynyrd Skynyrd tal a influência desses caras no som do Bleckberry Smoke. Após ouvir os outros álbuns e assistir algumas apresentações da banda em festivais mundo a fora eu tive certeza que a banda veio para ficar. O Rock sulista dos Estados Unidos tem um representante muito interessante que não deve nada para nenhum outro nome do Rock mundial atualmente. Uma pena que hoje em dia as pessoas estejam tão alienadas, pois sentar para ouvir um álbum do Blackbertry Smoke tomando um Whisky e fumando um palheiro pode ser uma experiência interessantíssima para os rockeiros Old schoola apaixonados pelo lance mais acústico misturado com overdrives das antigas como dos bons tempos do Creedence. Falo tudo isso da manda e nem mesmo curto muito o estilo que eles tocam.
        Outra banda que faz um puta som, que eu pude comprovar ao vivo em 2015 é a banda do Slash. Por mais que pareça um projeto solo para quem não teve grande contato com o projeto, o que eu vi no palco e ouço nos álbuns é uma banda coesa e com muita qualidade. Slash é o guitarrista competente e carismático que sempre foi no Velvet Revolver, Snake Pit e Guns n' Roses, e isso é o mais legal de tudo. Porém sua banda é acima da média em termos de qualidade e estética Hard Rock. O vocalista Miles Kennedy é ótimo, embora sua voz seja meio enjoada quando está cantando os tons mais altos. Os álbunsApocalyptic Love e o mais recente World On Fire são trabalhos inspiradíssimos. Pena que o boato de uma possível reunião do Guns esteja tomando proporções tão grandes, não tem como Duff, Slash e Axl fazer um trabalho melhor do que o guitarrista faz atualmente. Mas para a nossa sorte os álbuns estão ai para serem apreciados. Ouça Anastasia e me diz o que achou.
          Por hoje essas são as dicas que tenho para dar. Talvez muita gente não se interesse por nenhuma dessas bandas, afinal, gosto é uma coisa muito particular, mas tenho ouvido outros estilos e esses nomes soaram realmente novos para mim. Claro que pode soar estranho falar de Slash e Glenn Hughes como novos nomes, mas o conceito estético, mesmo que seja retrô, dá um ar de rejuvenescimento na sonoridade do Rock atual. Espero que isso inspire os jovens a montarem bandas novas e com a qualidade que as bandas da velha guarda apresentavam. É exatamente isso que os nomes citados aqui estão fazendo, lançando novos trabalhos, com toda a modernidade de recursos a sua disposição, mas seguindo a tradição das bandas clássicas de Rock n' Roll.


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O fim da musica ao vivo

         
          É com grande tristeza que chego a conclusão de que muito em breve as pessoas se darão conta de que assistir a um show de uma banda tornou-se uma opção de entretenimento dispensável. Parece meio absurda essa idéia, principalmente para pessoas iguais a mim que esperavam anos até uma banda grande aparecer pra tocar por estes lados. Mesmo as bandas nacionais vinham pouco para o sul. Estamos falando da década de 90, até para o centro do país era complicado ver grandes bandas ao vivo. Entretanto, no inicio dos anos 2000 passou a ser comum ter bandas gringas passando por aqui em meio a suas turnês. Se era um evento quase anual uma banda de Rock ou Metal tocar por aqui antigamente, nesse período as bandas começaram a fazer seus shows quase que mensalmente. Ainda faltavam condições mais apropriadas, pois os eventos eram realizados em locais pequenos e com pouca estrutura na maioria das vezes. Sem contar os ingressos caros, é claro. Lembro de shows como do Helloween, Judas Priest e Malmsteen que não dava para se mexer dentro do bar Opinião. A maioria dos artistas tocavam ali, mas a casa comporta 2000 pessoas no máximo, mesmo assim, muitas vezes essa capacidade era ultrapassada em centenas de pessoas. Por sorte não aconteceu nenhuma tragédia neste período. Entretanto, em 2013 Santa Maria não teve a mesma sorte. Mesmo não sendo num show de Rock, várias pessoas morreram em uma festa, atraindo os olhos do Brasil todo para o fato. Novas leis foram criadas e ficou ainda mais difícil reunir condições adequadas para realizar um show. Várias casas de espetáculos foram interditadas e bares foram fechados. Gradualmente as coisas começaram a mudar novamente.
          Cheguei a assistir bons shows e com condições decentes para que os mesmos fossem interessantes e seguros para o público neste ano em Porto Alegre, mas foi no Pepsi On Stage, pois quando se meteram a realizar o mini Monsters of Rock no estádio do Zéquinha a coisa virou bagunça. Entretanto, reparei que a maioria das pessoas que vai aos shows não demonstra grande interesse pelo que está acontecendo no palco. Tirando alguns fãs alucinados, a maioria parece ir apenas para marcar presença e mostrar as fotos para os amigos nas redes sociais. São tantas pessoas interessadas em assistir aos shows através das telas de seus celulares que fica a sensação de que eles são idiotas em pagar por um ingresso caro para ver o show da mesma forma que veriam em suas casas. Claro que não são todos, mas uma grande parte faz isso e a demanda cresce cada vez mais. Se essas pessoas se tocarem que para elas não é tão interessante ir ao show, talvez se contentem em ficar em casa assistindo pelo Youtube. Existem muitas bandas que fazem performances on line já prevendo isso. Para eles é melhor, haja visto que não precisarão gastar com longas viagens e despesas de uma turnê, o público ficará em casa assistindo pelo computador sem gastar com deslocamento, ingresso e outras coisas mais.
          Tirando a falta de empolgação em ver um artista ao vivo por parte da audiência, temos o motivo mais forte e que por esse não dá pra criticar as pessoas que preferem ficar em casa, falo da violência. As grandes cidades estão vivendo o período mais violento da história. Fica muito complicado passar algumas horas na rua a noite e se deslocar para assistir a um show. Com os ingressos caros, a bebida mais ainda, não se pode dirigir após consumir álcool, mesmo assim é muito difícil encontrar lugar para estacionar com segurança, há o risco ainda de ter o carro roubado, mesmo com o transporte público estando disponível é uma aventura meio estúpida andar de ônibus a noite onde acontecem os shows. Claro que ainda não se notou uma grande desistência por parte do público e nem dos produtores, mas isso tende a acontecer muito em breve.
                    Volto ao inicio do texto e relembro quando fui ver o Sepultura com os Ramones em 1994 em porto Alegre. Parece que uma nuvem mágica me conduziu por todo o trajeto até chegar ao local do show. Lá dentro parecia que todos estavam hipnotizados com o som e o ambiente. Foi uma experiência memorável. Era como se fosse uma grande celebração da música e que jamais aconteceria algo igual novamente. Hoje, tirando os moleques imbecis que fazem idiotices pelos seus ídolos de plástico, os verdadeiros amantes de música sentem-se mais incomodados do que felizes em um show de uma banda que gostam. Tirando o clima meio forçado dos ambientes, paira no ar uma insegurança perturbadora. Mesmo indo ao show, sempre existem grandes reflexões na hora de comprar o ingresso, na hora de sair de casa e mesmo chegando ao local do evento, parece desconfortável ficar na fila pra entrar, sair para comprar uma bebida e voltar para casa assim que a banda pare de tocar.
                    Muitos foram os culpados para que as coisas chegassem a esse ponto. Cada parte envolvida contribuiu para que isso acontecesse, os organizadores, o público, os artistas e a sociedade em si. Por isso retomo a afirmação lá do inicio do texto, em breve não teremos mais musica ao vivo. O público prefere assistir a apresentações repletas de playbacks e os organizadores também preferem vender esse tipo de mercadoria, os investidores também optam por apoiar essa imundice toda. As bandas de moleques não ensaiam mais nas garagens ou nos quartos improvisados, eles trocam arquivos de computadores que produziram nas suas próprias casas. Eles não tem mais espaço para tocar ao vivo nas escolas, nas feiras e nos bares. Ninguém paga para ter um cd de uma banda famosa, imagine se vão pagar para ver uma banda iniciante. Felizmente tive a oportunidade de assistir a bons shows e tocar em uma dúzia de cidades com as bandas com as quais colaborei. Agora posso ficar em casa e assistir meus DVDs e escutar meus cds bebendo uma cerveja sem me preocupar com as coisas que acabei de enumerar. 
                   Para encerrar, cabe aqui uma reflexão. Será que todo o caos que estamos vivendo nos últimos meses vai continuar se consolidando ao ponto de não podermos mais sair de nossas casas? Ou cairemos num campo magnético que nos puxará de volta para os anos 80 onde o Brasil era visto como um enorme floresta com um povo primitivo que ficava vivendo o carnaval o ano todo? Ou pior ainda, poderemos cair no abismo da guerra civil e ficarmos nos matando uns aos outros e destruindo cada cidade por motivos banais? Se pararmos para pensar nisso é difícil ter pensamentos otimistas. Torço para estar errado.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

França, Mariana e Jardel

         
          Hoje é o dia em que um grande amigo meu comemora seu nascimento. O nome desse meu amigo é Jardel e eu o parabenizo. Mas não é desse Jardel que se trata este texto. Como é final de ano e a maioria das pessoas se vê na obrigação de planejar algo para as festas, prefiro refletir sobre o ano que está terminando. Não preciso ir muito longe em minha retrospectiva para ilustrar o que tem sido o ano de 2015 até agora. Milhares de pessoas morreram no transito, outros milhares morreram vitimadas pela violência ou por negligência do estado. O grupo terrorista da moda está tirando o sono dos principais lideres mundiais com suas investidas suicidas contra o ocidente. O governo federal reconhece a crise que a maioria já esperava depois de roubarem o que puderam com a desculpa da Copa do Mundo. O o valor do Dólar está subindo, o desemprego também, assim como a inflação, nada de novo para o povo brasileiro. Na verdade tudo isso que citei acima não é novidade para ninguém. Só sendo muito fanático para não ver que tudo não passou de uma mentira para distrair a população enquanto eles roubavam tudo aquilo que o país ainda podia oferecer em termos de esperança. O pior é que tudo isso não é novidade. Tirando as pessoas que são diretamente atingidas por toda essa enxurrada de violência e corrupção, todos os outros preferem reclamar em silêncio mergulhados em sua letargia.
             Voltando no tempo uns 20 dias, tivemos os atentados na França e mais de uma centena de mortos. Muitas pessoas colocaram a bandeira da França em seus perfis nas redes sociais em reconhecimento a dor dos franceses. Isso na minha opinião foi uma demonstração explicita de reação sem resultado. No que ajudou as famílias das vitimas? A maioria simplesmente estava na frente do computador ou com o celular na mão e resolveu demonstrar sua solideriedade. Um tanto sem graça não? Porque que eu falo isso? Porque as pessoas que fizeram esse tipo de manifestação não tem a mesma reação contra as mortes a seu redor. Explico. Quantas pessoas morrem na fila de um hospital esperando atendimento? No transito então? Em assaltos? É fácil mostrar solidariedade para quem está longe. Mas, e o que acontece no seu bairro, na sua rua? Você faz alguma coisa para mudar essa situação? Possivelmente não. Só reclama e xinga na internet. O nosso governo é muito mais letal que o estado islâmico com seu descaso e sua corrupção. E o mais triste é que somos nós que financiamos tudo isso. Somos culpados por cada morte que acontece a nossa volta, mas só iremos sentir algo quando acontecer com um filho nosso, amigo, parente ou conhecido. 
          Outro fato que chamou a atenção do mundo foi o que aconteceu com a barragem em Mariana. Simplesmente o descaso vitimou um rio. Não sou ambientalista e nem pertenço a nenhum grupo ativista, muito menos sou parente de quem dependia do Rio Doce para tirar seu sustento. Também não tive minha casa soterrada pela lama. Mas o fato fala por sí só. Não basta matarmos uns aos outros por racismo, religião, negligencia, violência ou imprudência no transito, estamos matando o mundo em que vivemos. Atentamos contra o ar, contra os animais e contra a água, fundamental para nossa existência. Agora é fácil falar em multas, inventar novas leis, fazer marketing. Porém, como falei no inicio do texto, isso não é nenhuma novidade. Reclamamos da poluição, mas não abrimos mão dos nossos carros. Simples assim.
          E agora vou falar de algo mais recente e que aconteceu bem mais perto de mim do que as outras situações acima. Falo do Jardel. Não do meu amigo que está de aniversário hoje, mas sim de Mário Jardel. Este indivíduo foi mais um nordestino de família humilde que tentou o sucesso no centro do país. Por força do destino ou do acaso veio parar no Grêmio na metade da década de noventa. Aqui ele fez sucesso e foi alvo de uma campanha onde os gremistas contribuíam para que ele atuasse mais um tempo no clube do coração, presenteando os gremistas com títulos. O centroavante Jardel teve mais dois ou três anos de sucesso na Europa até que sua carreira degrigolasse de vez. O caso é que ele voltou ao estado e candidatou-se a deputado. Como é querido e admirado por muita gente que torcia por ele na época em que era jogador, facilmente se elegeu. Menos de um ano após sua posse, o agora deputado Mario Jardel foi flagrado estorquindo seus assessores. Mais um politico corrupto entre outros tantos. Só que esse não foi pego com mais de oitenta anos de idade e cinquenta de roubalheira. Independente do que levou o deputado a ser descoberto tão cedo, a verdade é que todo seu prestígio do passado foi parar na lama e quem votou nele deve estar envergonhado agora. Os outros detalhes já são de conhecimento publico e não estou aqui pra falar deles.
         
          Pode ser um alento saber que a policia federal está agindo. Antes tarde do que nunca e possivelmente vai parar em breve. Entretanto não dá pra segurar um leve sorriso amarelo e de canto de boca quando um corrupto vai para a cadeia. Mesmo sabendo que não é como se um ladrão de galinha fosse para a prisão, ver um politico arrogante algemado entrando numa viatura não deixa de ser uma vitória, mesmo que pequena e irrelevante em termos gerais. Temos violência, morte e destruição a nossa volta e quem escolhemos para nos representar e resolver isso, além de não fazer seu trabalho, ainda nos rouba descaradamente. Sabe quanto ganha por mês nosso deputado Mario Jardel? R$ 25.000,00, só de salário, fora diárias e outros benefícios, mesmo assim rouba. Com certeza nem sabe o que um politico deveria fazer, simplesmente recebe um salário muito maior do que eu ganho num ano inteiro para sustentar quatro filhos e manter a mim e minha esposa, ainda assim rouba. 
          Para encerrar deixo uma pergunta no ar. Se você tivesse a oportunidade de ganhar muito dinheiro e deixar que crianças doentes morressem, o que você faria? Possivelmente garantiria que seu filho não passasse fome. Não posso critica-lo por pensar assim, mesmo não admitindo. Porém, é esse tipo de desculpa que está destruindo a todos. Reflita sobre isso.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Iron Maiden - O inicio

         
          Aos fãs de Iron Maiden, não trago nenhuma novidade ou revelação aqui. Porém é justo falar nesse espaço a respeito dessa que é a banda mais popular do Heavy Metal, que eu adoro, diga-se de passagem. Pois o Iron Maiden é daquelas bandas que não dão a mínima se o mercado da música está em crise, pois seus fãs sempre comprarão seus álbuns, suas camisetas e irão a seus shows. E esses fãs se renovam permanentemente, não é difícil ver um jovem de 14 ou 15 anos com uma camiseta da banda. A pergunta que se pode fazer é a seguinte: "Como é possível a banda sobreviver tanto tempo e nunca perder a relevância?" A resposta mais provável é a seguinte, na minha modesta opinião: Steve Harris. Quem teve contato com a banda e até quem acompanha de longe o trabalho de Steve sabe de sua obstinação e persistência. Após tocar em bandas como Gypsy's Kiss e Smiler até a metade dos anos 70, Steve Harris talvez tenha conseguido, por sorte ou competência, descobrir o que exatamente ele queria. A primeira gravação do grupo já sob o nome de Iron Maiden, The Soundhouse Tapes de 1979, gravada no finalzinho de 1978, é uma das demos mais famosas de todos os tempos e as cinco mil cópias lançadas venderam rapidamente durante os giros da banda pelo circuito de bares ingleses. Essa demo e as performances ao vivo da banda renderam um contrato com a gravadora EMI.
Essa demo conta com três musicas: Iron Maiden, Invasion e Prowler e nunca mais foi relançada tornando-se material raro e valiosíssimo para os colecionadores. Dessas gravações participaram: Steve Harris no baixo, Paul Di'Anno nos vocais, Dave Murray na guitarra e Doug Samsom na bateria, para a segunda guitarra em alguns lugares é citado Paul Cairns, mas este não é creditado. Independentemente de quem já tenha passado pela banda até o lançamento do primeiro àlbum de 1980, como Dennis Stratton guitarrista no primeiro disco, a vontade de Steve Harris sempre foi a força motriz da banda.
         
O primeiro disco da banda, intitulado apenas de Iron Maiden é lançado em 1980 no auge do movimento punk. Porém, trás uma banda mais inspirada no rock progressivo dos anos 60 e 70 do que na nova estética de bandas como Ramones, Sex Pistols e The Clash. Solos bem trabalhados, variações de ritmo e temas mais elaborados nas letras fizeram com que o Heavy Metal tomasse um nova injeção de animo e assim nascia a New Wave of British Heavy Metal. Para quem parar para escutar pela primeira vez musicas como Transilvania, Remember Tomorrow e Phantom of the Opera nos dias de hoje, talvez não veja tanto peso ou complexidade no som do Iron Maiden. talvez essa pessoa se questione de onde vem tanta admiração. Entretanto há uma química entre os integrantes do Iron Maiden que gera uma forma de compor simples, mas cuidadosamente polida e lapidada com muito bom gosto. A música do Iron Maiden dos primeiros anos é fruto de suas experiências ao vivo e da convicção de seu líder. Ouvir esse disco do Iron Maiden e o primeiro do Black Sabbath tenho a impressão que já está tudo ali, basta desenvolver e aprimorar. No caso do Iron Maiden houve um desenvolvimento bem maior do que o Black Sabbath, mas não nesse primeiro momento.
          Gosto do Killers tanto quanto de seu antecessor, muito por causa da entrada de Adrian Smith, pois as composições não soam superiores ou mais bem produzidas. Gosto de Wrathchild, Genghis Khan e Murders in the Rue Morgue, mas prefiro Iron Maiden, Prowler, Charlot the Harlot por exemplo em termos de composição. E embora soasse legal, o vocal de Paul Di'Anno trancava a banda de certa forma. Talvez o Maiden jamais pudesse gravar algo como o The Number of the Beast com seu antigo vocalista, tanto por sua voz como por seu estilo mais puxado para o Punk Rock. a produção de Martin Birch fez de Killer um àlbum bom de se ouvir apesar de tudo, tanto é que ele acompanhou a banda em estúdio até 1992. Uma das características de Steve Harris a frente do Iron Maiden é de certa forma manter as pessoas e a metodologia de trabalho do Iron Maiden.
          Da turnê de Killers é gravado o EP ao vivo Maiden Japan e logo depois Paul Di'Anno cede seu posto a Bruce Dickinson, mas isso fica para uma próxima vez. O importante aqui é uma breve reflexão sobre essa fase do Iron Maiden. Para quem acredita que por estar muito mais fácil hoje em dia ter acesso a informação, gravar suas musicas em casa e tal, poderá gravar suas musicas e lamentar porque elas não fazem sucesso mesmo sendo muito mais elaboradas do que as dos álbuns citados, saiba que cada fã do Maiden foi conquistado um de cada vez por algo que somente a banda pode proporcionar. Isso não está em nenhum site ou software, está nas mãos, na mente e nas atitudes daqueles que participaram de cada processo desde o inicio.
          Para encerrar, Iron Maiden é a banda mais correta e linear entre tantas outras. Seus álbuns são diferentes em si, mas é muito difícil que lancem alguma coisa que não tenha a assinatura da banda. Uma banda que sobrevive mais de 35 anos, enfrentando altos e baixos sempre com a mesma elegância merece todo o reconhecimento que tem hoje em dia. Não importa quantas bandas apareçam no mundo, nunca haverá outra banda tão relevante e importante para o Heavy Metal quanto o Iron Maiden tem sido desde que lançou The Soundhouse Tapes.

sábado, 21 de novembro de 2015

Demonstrações públicas e explicitas de idiotice

          Bem, o motivo que me levou a fazer essa postagem é o seguinte. As vezes sou questionado a respeito do meu blog. Coisas do tipo: "Cara, por quê tu tem um blog? Você fala do quê?" Essas perguntas já fizeram com que eu questionasse a utilidade de um blog para alguém como eu que divide as atenções entre uma profissão de assistente administrativo em uma estatal, pai de quatro filhos e amante incondicional de música. Muitas vezes fiquei meses sem postar qualquer coisa por falta de tempo ou mesmo de um direcionamento claro a ser seguido. Outras vezes acabei excluindo postagens por achá-las desinteressantes ou fora de contexto. Porém nunca deletei minha página porque muitas vezes este espaço se mostrou útil para alguém. Quando fiz minha primeira postagem em 2011, eu pensava em escrever um texto por semana, algo mais poético sobre assuntos que vivia no dia a dia ou já tinha vivido ao longo dos meus mais de trinta anos de vida. Nunca pensei em escrever para muitas pessoas, mas sim para aquelas que estavam próximas, que faziam parte do meu ciclo de amizades. Entretanto, não imaginava que as pessoas pudessem se afastar tanto ao ponto de ficar mais de um ano sem encontrar um amigo para umas cervejas. Vivemos um período onde as pessoas ficam mais conectadas via internet com whatsapp, facebook, entre outras formas e quase nunca conversam pessoalmente. Com isso ficou muito difícil sair para beber com os amigos e promover momentos para o debate e a livre argumentação sobre os assuntos comuns a todos. A violência, a iminente crise financeira, e por quê não dizer, a preguiça fazem com que as pessoas fiquem trancadas em suas casas, saindo apenas para cumprir com suas obrigações como trabalhar e estudar. Com essa realidade, me peguei fazendo a mesma coisa, tenho mais contato com as pessoas via internet do que pessoalmente mesmo. Até aqui nada demais, sou mais um a tentar me adaptar a realidade.
          A internet me proporcionou acesso a coisas como documentários que não encontrávamos por aqui antes dela aparecer. Albuns inteiros são colocados no Youtube para que possamos conhecer ou mesmo ouvir determinados artistas. Hoje temos um mar de informações que não tínhamos antes, isso é muito bom teoricamente. Falo isso porque a internet também deu voz a quem não tem nada a dizer. E por não terem nada a dizer poluem a rede com bobagens. Já vimos diversas situações onde pessoas fazem comentários racistas nas redes sociais gerando milhares de comentários de todos os tipos. Muitas vezes não são realmente contra a presença dos negros no convívio social, até possuem amigos negros, mas por pura idiotice se posicionam a respeito de alguns assuntos de forma realmente infeliz apenas para polemizar ou para parecer polêmico. Pego o racismo como exemplo porque estamos na semana da consciência negra, mas existem muitos outros assuntos em que muita gente se coloca em situações desconfortáveis, muitas vezes até perigosas por não avaliarem bem as possíveis consequências de seus atos. O pior é que existem pessoas que realmente são racistas, ou outra coisa qualquer, e que se infiltram em meio a esses grupos de idiotas para dar voz as suas ideais e crenças instigando um monte de situações reais. 
          A internet criou outro fenômeno que é bastante curioso e patético, que é dar notoriedade a pessoas, na maioria das vezes jovens, adolescentes mesmo, que ficam o dia todo postando fotinhos na internet e compartilhando, dando detalhes de tudo que estão fazendo como se isso fosse algo interessante para qualquer outra pessoa a não ser eles mesmos e os retardados que fazem o mesmo. Acredito que toda a forma de admiração ou devoção exagerada direcionada a alguém ou alguma coisa é pura idiotice. Pensando dessa forma, não consigo entender realmente quem tenta ser o "famosinho" da semana, muito menos o publico dessas pessoas. O que essa gente tem na cabeça? Nada realmente. A sorte que no meu caso, apenas as pessoas que conheço pessoalmente costumam ler minhas postagens e deixar comentários, salvo raras exceções. Claro que excluo todos os comentários, mas sempre leio todos e muitos eu respondo via e-mail ou de outra forma diretamente a pessoa. Faço isso porque gosto de saber o que as pessoas pensam a respeito de algo que escrevo, entretanto, não quero transformar esse espaço, que é meu, em um canal de debates, quero apenas deixar o meu recado.
          Fazendo uma auto critica, talvez não devesse fazer questão de postar certas opiniões nesse espaço, afinal, não sou jornalista ou escritor, tenho apenas o ensino médio, portanto não escrevo bem, muito menos tenho a habilidade de me expressar de forma mais clara e inteligente. Contudo os meus textos mais acessados e comentados são os que falo dos álbuns ou de equipamentos de audio. Dos álbuns me sinto a vontade para escrever porque sou músico a mais de vinte anos e escutei muitas e muitas vezes cada àlbum que comentei. Já os equipamentos que menciono e comento são coisas que utilizei aqui no meu home studio, então consigo descrever suas características já que os uso realmente e estudo bastante desde 2012 sobre esse assunto. Bom, o que espero das pessoas que lêem o que escrevo aqui é que simplesmente pensem a respeito do assunto em questão por um momento, caso seja do seu interesse. Não tenho a ambição de ter milhares de visualizações ou meus textos aparecerem em outras plataformas. Quero que meus amigos saibam o que penso e o que venho fazendo como músico. Gostaria muito que esse espaço se tornasse apenas um complemento para o meu trabalho artístico. Venho gravando muito material durante os últimos dois anos e em breve vou finalizar algumas músicas e divulgar por aqui. 
          Por incrível que possa parecer o que mais me incomoda na internet são aquelas pessoas que deliberadamente falam mal de algum artista ou personalidade apenas para conseguir likes e compartilhamentos. Eu particularmente adoro quando um crítico musical desse o pau num artista, um humorista faz uma piada engraçada, esse tipo de coisa é divertida pra mim desde que haja uma argumentação coerente, um critério claro e que seja bem humorado. Eu mesmo já me peguei falando mal de Justin Bieber, Rihanna, entre outras presepadas, por não gostar do gênero e muito menos aceitar que um artista famoso use playbacks de sua própria voz num show. Mas ao mesmo tempo tenho o espaço onde proponho a audição de alguns trabalhos bem bacanas de acordo com meu gosto pessoal, é claro. O que eu realmente desprezo é quem coloca um título apelativo em uma postagem, pegando uma banda grande e a diminuindo usando termos pejorativos e pesados. Se for assistir aos vídeos ou ler os textos de pessoas que fazem esse tipo de coisa, se constata que a linguagem é agressiva, há uma distorção de contexto nos exemplos, um esforço enorme para parecer polêmico e tentar se tornar viral que chega a ser patético. A coisa piora quando esse idiota, por reunir um monte de idiotas ao seu redor para inflar seu ego, começa a difamar e agredir até as pessoas que apenas estão em busca de informação ou uma opinião  diferente sobre musica ou qualquer outro assunto. Infelizmente existe uma tênue linha que divide o bom senso e o que é desprezível, mas as pessoas adoram cruzar essa linha na busca de parecer serem o que não são. Acredite se quiser, tem gente no Brasil, que nunca viveu no Oriente Médio, teorizando sobre Estado Islâmico, Cruzadas, entre outras coisas, ilustrando suas teses com links do Youtube e coisas assim, tudo isso para tentar responder uma crítica de outra pessoa a um vídeo patético seu. Há muito ódio nas palavras para parecer legal. Existe muita provocação, ofensas, entre outras coisas. Ai eu pergunto: Pra quê? Por curtidas? Popularidade? O prazer de falar mal? Sabe-se lá qual a bandeira que esse pessoal defende. O que quero deixar claro aqui é que acho esse tipo de coisa na internet inútil e enche o saco porque volta e meia caímos na cilada desses caras e acabamos perdendo tempo com eles. 
         Para encerrar, gostaria de agradecer a todos realmente fazem bom uso da internet para falar de coisas bacanas e acima de tudo, promover a cultura e a informação. Popularidade hoje em dia é tão dispensável em termos práticos que só seduz adolescentes idiotas e adultos retardados. Para nossa vergonha, a internet deu voz a um bando de idiotas que em nada contribuem positivamente. Não adianta participar de protestos, compartilhar vídeos e matérias nas redes sociais se não tiver um resultado prático. Quanto mais se reclama do governo, mais os políticos roubam e prestam um serviço de merda pra população. O que mais temos visto é campanhas contra a violência e mesmo assim vivemos a pior crise de segurança da nossa história. Volto a dizer que o que realmente importa para a coletividade é a segurança, a saúde, a educação, o emprego e uma economia estável, isso realmente é motivo de preocupação e indignação. Fico muito decepcionado quando um músico, jornalista, ou o quê for, cujo trabalho a que se propõem a fazer é irrelevante, ocupa-se em fazer tipo para atrair atenção para si atacando os outros ou ofendendo deliberadamente só para ter atenção. Simplesmente patético.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Entrevista com Régis tadeu

Em junho deste ano escrevi um texto sobre o Régis Tadeu ( leia aqui ). Nesse mês aproveitei para bater um papo via Skype. Entrei em contato e ele aceitou gentilmente abrir um espaço para bater um papo sobre seu inicio de carreira, mercado da musica, entre outras coisas. Confiram.
RT: _Bom dia, seu Paulo!
PR: _E ai, seu Régis?
RT: _Tudo bem ai?
PR: _Tudo tranquilo. E por ai?
RT: _Tudo joia, também.
PR: _Então, vamos direto ao assunto, cara? Quero saber de ti o seguinte: Como um cara que estudou com o Edgar Scandurra e com o Nasi( sim, guitarrista e vocalista sucessivamente do Ira) e que teve um show cancelado pelo pai, virou dentista e depois voltou a trabalhar com musica, tornando-se critico musical?
RT: _É. Na verdade a gente (Edgar Scandurra, Nasi e Régis Tadeu) tinha uma banda chamada Subúrbio e tocava em alguns bares na noite e não sei o que. E meu pai era militar né? Era extremamente de direita. E um dia meu ele foi assistir a um show da gente e ficou absolutamente espantado com a quantidade de maconheiros que tinha na platéia. E ai eu tinha, o quê, acho que eu tinha dezesseis ou dezessete anos. Meu pai falou: Meu, nem a pau que você vai continuar tocando no meio desses maconheiros. Imagina, para um militar, era o fim da picada naqueles tempos, né cara? Nós estamos falando de 1977/78.  Mas enfim. Bom, e ai, o engraçado é que eu acabei deixando os caras, parando de tocar com a banda por um tempo e depois eu voltei pra tocar com uma outra banda, só que ai era uma banda de Heavy Metal, né?
PR: _Ahãm!
RT: _Quer dizer. Então, na verdade eu nunca parei de tocar. E eu sempre gostei muito de odontologia. Entrei na faculdade e tal. Mas mesmo durante a faculdade eu não parei de tocar. Eu tocava em bandas, Anarca, um monte de bandas. E ai, eu me formei, comecei a trabalhar em consultório e tal, aquela coisa toda. E ai, num belo dia um amigo de uma namorada minha me convidou para escrever para uma revista de cifras e tablaturas chamada Cover Guitarra. Ele queria colocar algumas matérias, algumas criticas de discos. E como ele sabia que eu tinha muitos discos, isso já em 1994, eu acabei escrevendo, e ai foi uma bola de neve né cara? Ai eu virei repórter, isso paralelamente ao exercício da profissão de dentista.
PR: _Sim.
RT: _Ai eu virei repórter. De repórter eu virei editor. De editor eu virei diretor de redação. Ai como diretor de redação, nós lançamos algumas revistas que acabaram me levando para dar entrevista no Jô Soares na TV. E ai o pessoal de uma outra emissora gostou. Tudo uma bola de neve, bixo. Na minha vida tudo aconteceu assim,  em termos de bola de neve.
PR: _É! Essa é a minha grande curiosidade, na verdade. Eu acompanho teu trabalho desde a Cover Guitarra. Eu tenho a primeira que saiu que era a revista dos Ramones. Depois veio U2.
RT: _Isso!
PR: _Eu tenho uma coleção aqui. Que eu estou agora, com advento de Mercadolivre e coisas assim, comprando de novo essas revistas velhas, porque a gente acaba se desfazendo desse tipo de coisa com o tempo, tem mudanças, casa, separa e dai perde muito, né?  
RT: _Casar é sempre um problema para quem coleciona qualquer coisa.
PR: _Pois é! Aqui, ainda bem que eu tenho espaço, eu coleciono guitarras por exemplo, né, mas... Daí, eu me lembro dessa sua entrevista. Eu cheguei da escola a noite, naquele da teve a entrevista com o Jô. Na época, acho que você estava trabalhando na revista Mosh, né?
RT: _Isso. A gente estava lançando a revista Mosh.
PR: _Isso. Daí foi um papo bem interessante. Falaram sobre seus discos, sobre um monte de coisas. Que tu tomava banho lavando os discos e tal...

RT: _Isso. Exatamente. Na verdade essa entrevista foi o ponto de partida para meu trabalho na televisão. Porque ai o pessoal do Super Pop acabou gostando muito. Na verdade, foi uma das entrevistas mais longas. A produção do programa me falou isso, foi uma das entrevistas mais longas da história do programa, né? Foram vários, dois ou três blocos. E ai o pessoal do Super Pop me chamou para fazer uma participação num debate. E ai eu fiz a participação nesse debate, os caras gostaram pra caramba. Me chamaram para fazer um outro debate no mesmo dia, porque na época o programa era gravado direto, eles gravavam dois programas num dia só. Ai me chamaram para botar naquele quadro onde eu falava mal dos discos, quebrava os CDs e tal. Super divertido. E depois de lá eu fui para o Raul Gil onde eu estou até hoje.
PR: _O Raul Gil eu acompanhei mais na década de 90. E era bem bacana o programa dele. Hoje eu não sei a quantas anda. Eu assisti pouco nos últimos anos. Eu não sei como ele está, porque ele está velho pra caramba, né cara?
RT: _É. Todos nós envelhecemos.
PR: _É. Ele e o Silvio Santos, por favor né, já estão nessa desde o inicio de tudo, praticamente, relacionado a TV. Mas ele era super engajado em revelar bandas, novos artistas, nomes e descobrir talentos.
RT: _Ahãm.
PR: _E hoje é uma coisa muito difícil para o pessoal que trabalha com musica ter espaço na TV. Porque até o Faustão, o Jô Soares, estão demitindo os músicos, né cara?  Isso é muito ruim para a categoria. Não sei qual é a tua opinião sobre isso.
RT: _É. Eu acho que o espaço para musica vem se reduzindo na televisão, muito porque o publico tem um grau de cultura muito baixo, cara? Quanto mais baixo for o perfil da audiência em termos culturais, mais baixo vai ser o nível da programação.
PR: _É. O fim da MTV foi uma prova disso ai, né? Estávamos falando de 1994 anteriormente e a MTV entrou no ar no inicio da década de 90. Então, eu conheci 98% das bandas de Heavy Metal através de programas da MTV como Fúria Metal. Ela foi um veiculo muito forte, trazendo os clipes e as informações do que estava rolando lá fora. Para quem gostava de musica, foi uma febre na década de 1990.
RT: _Ahãm.
PR: _E hoje a gente não tem isso. Até a Cultura não está oferecendo uma alternativa cultural com essa representatividade. Eu li um texto seu falando que a Cultura poderia ser a nova MTV se as pessoas trabalhassem de verdade.
RT: _É. Eu achava isso né. Eu até acho isso ainda, mas precisa ter patrocinadores engajados, né cara, senão isso não vai rolar, definitivamente.
PR: _Concordo. Eu estava conversando com o pessoal na Ordem dos Músicos  aqui do Rio Grande do Sul, que pelo que estou vendo no mercado atual, a musica ao vivo tende a acabar em um curto espaço de tempo. Qual sua opinião sobre isso?
RT: _Na verdade, assim, eu não sei como é ai no sul, mas aqui em São Paulo, por incrível que pareça, você tem espaço para as bandas cover. E ainda assim, são poucos espaços. Na verdade você tem três ou quatro bares só que trabalham com bandas cover. Pra musica autoral é muito raro. Acho que a cada dia que passa as pessoas vão ficar consumindo musicas dentro da suas próprias casas, tá entendendo?
PR: _Sim. Claro.
RT: _Ou você sai para assistir shows de figurões com ingressos cada vez mais caros, ou você vai ficar curtindo musica dentro da sua casa. Infelizmente é o que está se prenunciando ai no horizonte.
PR: _E não é só isso. É um conjunto de coisas: Segurança, por exemplo. Aqui em Porto Alegre está horrível. Imagino que em São Paulo esteja pior ainda. Nos grandes centros, você vai sair a noite e deixar o carro onde? As opções são mínimas. Com o que ocorreu em Santa Maria em 2013 ficou pior ainda para abrir um bar. Tem que molhar a mão de muita gente, pagar um monte de impostos, alvarás, pagar as bandas para manter um espaço que abriga 50 pessoas. É impossível se manter nessas condições. Antes até tinha um pessoal que mantinha bares onde tocavam bandas cover, algumas autorais, mas hoje ficaram só os tradicionais mesmo, e que se mantêm com um orçamento que ninguém sabe exatamente de onde sai.
RT: _É. Eu imagino.
PR: _Fica complicado. Outra coisa que eu gostaria de saber de ti,  embasado na sua experiência na profissão. O Iron Maiden está com álbum novo e tem a perspectiva do Metallica lançar um disco de inéditas, talvez para o ano que vem. Tu achas que essas bandas tem a necessidade de lançar trabalhos novos, já que o pessoal quer mesmo é ouvir os clássicos nos shows, que são o que realmente dá dinheiro? Afinal, os CDs físicos não vendem mais como antes. O que acha sobre isso?
RT: _No caso especifico do Iron Maiden, cara, depende do tipo de contrato que eles tem com a gravadora. Eu não sei quantos discos eles estão devendo, porque quando uma banda grande assim assina um contrato, ele estipula previamente quantos discos a banda vai lançar. No caso especifico do Iron Maiden, assim como no caso especifico do Metallica, eu acho que são bandas que os fãs vão comprar qualquer tipo de coisa que eles lancem, você está entendendo? Eu não vejo muito esse tipo de banda preocupada com quedas nas vendas de discos no mercado. São bandas gigantes. São bandas que possuem mais do que fãs, elas possuem torcedores. Então assim, qualquer coisa que eles lancem, no caso ainda do Iron Maiden é mais emblemático ainda, o que a banda lançar em termos de CDs, camisetas, pôster, chaveiros ou o que quer que seja, vai vender muito. Então essas bandas passam muito ao largo dessa dificuldade de vender discos de hoje em dia.
PR: _Eu acho que no caso do Metallica, que tem menos de 10 álbuns de inéditas em mais de 30 anos de bandas, lançar mais discos com musicas novas parece sem propósito comercial, já que normalmente, eles tem recebido mais criticas do que qualquer outra coisa desde que lançaram o álbum preto. Pra encerrar, o Kiko Loureiro no Megadeth, como você viu isso?
RT: _Eu vi isso como uma aquisição normal de uma banda. Eu não sei porque as pessoas ficaram tão “Oh”, sabe? O Kiko é um excelente guitarrista e tem uma carreira internacional consolidada. Não vi isso como sendo uma aberração. Não, muito pelo contrário. Ele é um cara que tem uma banda com uma carreira consolidada lá fora, que é o Angra. O cara é talentoso e seu passe foi adquirido por uma banda muito conhecida. Já o resultado disso, eu vou esperar sair o disco, vou esperar pra ver os shows, está entendendo? Não vou ficar aqui fazendo qualquer tipo de previsão, tá entendendo? Mas assim, eu vi isso como uma aquisição normal. É que o brasileiro é meio bocó, meio caipira nesse ponto.
PR: _Sim. Exatamente por isso que te queria saber sua opinião. O brasileiro em geral não valoriza. É incrível né? Porque o Sepultura fez uma carreira muito interessante, que chegou a ser comparado ao Metallica nos anos 1990. Mesmo que eles mesmos tenham se boicotado na minha opinião, não tiveram do publico brasileiro o mesmo reconhecimento. Anos depois o Kiko está no Megadeth que é uma banda muito representativa no Heavy Metal.
RT: _É, e você também não sabe exatamente quanto tempo ele vai ficar lá, você tá entendendo? Ele pode ficar lá meses, como pode durar anos. Wherever.
PR: _Régis, agradeço a disponibilidade de seu tempo. Sucesso no seu trabalho ai. Te acompanho direto pelo blog do Yahoo e pelos programas de rádio. Acho seus comentários hilários muitas vezes e suas intervenções tem sido referência. Muito obrigado e sucesso!
RT: _Muito obrigado! Eu que agradeço o contato. Obrigado pela audiência. Um abraço ai. Até mais.
PR: _Grande abraço. 
Infelizmente não pudemos trocar uma idéia sobre muitos outros assuntos, pois precisaria de mais tempo de entrevista, mas o Régis Tadeu escreve semanalmente no seu blog no Yahoo (clique aqui), tem os programas Agente 93 e Rock Brazuca na rádio USP FM, então estão ai os canais para saber mais sobre o trabalho do cara. Eu curto muito a forma como ele escreve seus textos e faz suas criticas, mesmo não concordando com tudo que ele escreve e diz. Também saúdo a iniciativa dele de indicar álbuns de diversos estilos e curiosidades sobre o universo musical. 

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Por uma vida mais simples

Para quem desenvolve centenas de teses sobre diversos assuntos políticos e sociais, tento aqui dar minha humilde contribuição para essa discussão. Enquanto há uma falsa preocupação com a saúde, infra estrutura, segurança e economia, o poder quer apenas desviar nossa atenção para o que realmente ocorre. A corrupção. Existe uma aliança entre o poder consolidado e as empresas que o patrocina. Esse estrutura garante que 90% dos recursos econômicos fiquem a disposição deles para serem usados como bem entenderem. Governo, grandes empresas e uma massa de manobra desmiolada e volátil formam um ciclo ininterrupto de corrupção, exploração e desigualdade social. Há quem se iluda e acredite que as melhorias necessárias se darão pelas mãos dos políticos. Que temos poder para decidir nosso futuro, porque temos um documento que nos possibilita votar. Sim, somos obrigados a votar para exercer a nossa cidadania. Para legitimar o poder constitucional aqueles que merecem governar. Ledo engano. Políticos são pessoas que se concentraram apenas em conseguir popularidade e apoio para galgar degraus dentro de um partido político e assim concorrer a cargos públicos. Ou seja, o foco de um político é fazer alianças e conseguir apoio de quem já faz parte de todo o processo e é influente dentro do contexto. Por esse motivo um político jamais conseguirá apoio para resolver os problemas sociais realmente. Ele só chegará ao poder se conseguir apoio das pessoas certas, e essas pessoas só apóiam quem pode dar um retorno financeiro. Resumindo: A política tem por principal objetivo chegar ou se manter no poder. Isso è o que realmente está em jogo, alcançar o poder e se manter nele, custe o que custar. Mesmo se quisessem, esses políticos não teriam a menor condição de administrar uma empresa simples, quem dirá um município, um estado ou um país.
Como se não bastasse esse cenário decepcionante para quem depende da boa vontade dessas pessoas e não se beneficia de nenhum esquema proposto por eles, ainda há uma completa e violenta opressão cultural por parte dos meios de comunicação e os artistas contratados por eles. Esses, além de estar com a insuportável necessidade de se autopromover, servem de ferramenta para as empresas que as patrocinam bombardearem nossa atenção oferecendo seus produtos. E como se dá essa oferta? Da seguinte forma, tentam nos obrigar a adquirir produtos que, além de não terem a qualidade oferecida, são descartáveis a curto prazo como: smartfones, computadores, veículos, softwares, eletrodomésticos, entre outros. Assim sendo, investem na mão de obra chinesa, que hoje é a mais barata e deixam de lado a durabilidade e a eficiência esperada. Claro que é uma estratégia para seguir vendendo e se manter no mercado, porém, é danoso para a natureza devido ao alto consumo de matéria prima, grande produtividade de lixo e alta inflação no mercado. Quando a idéia de livre concorrência se torna uma saturação de produtos iguais de marcas diferentes, quem padece é o consumidor final, normalmente o menos privilegiado, pois para este resta os modelos de baixo custo e qualidade infinitamente inferior. Há uma superficialidade nunca antes vista na maneira das pessoas consumirem. Hoje compra-se um eletrodoméstico, se apresentar problemas após o período de garantia, compra-se um modelo mais atual e se joga o anterior no lixo. Tudo virou descartável e parece que todos estão contentes com isso. Relacionamentos são descartáveis, amizades, planos, sonhos, tudo. Vivemos num mundo de descartabilidade. 
E qual é a conseqüência disso tudo? Essa é visível, só não consegue ver quem não quer. Temos um bombardeio de ofertas de produtos 100% do tempo. Temos uma juventude sendo instruída para se adequar a essa nova realidade. A achar que todo conhecimento está disponível na internet para ser consultado quando necessário. porém ignoram completamente o valor que o conhecimento adquirido trás. Tornou-se obrigação para um adolescente de 12 anos ter um smartfone com conexão a internet onde pode usar Whatsapp, Youtube, Facebook, entre outras coisas. Esse mesmo adolescente precisa ter roupas e acessórios que garantam sua inclusão em determinado grupo. A ele é garantido poder de agredir e ofender seus professores e seus pais, pois existe uma lei que os protege caso alguém seja mais duro em sua educação. Esse é um dos aspectos mais sérios e mais problemáticos da sociedade atual. Nossas crianças estão crescendo sem valores morais ou éticos. Vemos professores sendo agredidos em sala de aula por adolescentes mal criados. Vemos pais vitimas de filhos birrentos e sem a menor noção do que é cultura, disciplina e respeito. Aí entra em cena um governo que alega defender o bem estar dessas crianças, porém ele não tem estrutura, pessoal e nem vontade de defender esses adolescentes. Quando um assistente social interfere em uma situação familiar problemática, ele sabe que não existe condições para que o governo acolha esse menor em uma instituição que possa atende-lo. Uma pessoa que agride um filho, expondo-o a violência física e psicológica, com certeza vai fazê-lo independentemente da lei. Leis não impedem que crimes sejam cometidos. O próprio sistema carcerário impõe limites que impossibilitam a punição prevista em lei para os agressores. Essas crianças, além de tudo, são vitimas de ladrões que visam roubar seus telefones e acessórios. Esses ladrões vendem o fruto de seus delitos a preços muito abaixo do mercado para os próprios pais que não tem condições de comprar aparelhos novos para os filhos, mas mesmo assim se esforçam para satisfazê-los.
Se formos lentamente puxando assuntos triviais da nossa realidade, veremos que em todos os aspectos de nossa vida há um dedo do governo e outro da mídia. Ambos trabalham para as grandes empresas e visam apenas o próprio bem, aquele lucro diário em cima dos menos favorecidos. Esse conglomerado promove artistas de qualidade inquestionavelmente baixa e deixa de lado a cultura verdadeira, feita por quem realmente vive a arte que produz. É quase impossível para alguém que nasceu depois dos anos 80 pensar de forma isenta sobre tudo isso. O mundo como o conhecemos se rendeu ao consumismo barato e a futilidade de pensamento. A população é incapaz de se unir e lutar pelo bem comum, sequer consegue visualizar o que seria o bem comum. Para ajudar, depois que decidiram realizar uma copa do mundo no Brasil, venderam a idéia de que o país era um emergente economicamente, que o emprego estava garantido, que havia um progresso econômico e social. Toda essa propaganda serviu para atrair investimentos que foram diretos para os bolsos dos corruptos, sejam eles políticos ou empresários de grande poder econômico. Sendo assim, garantiram mais quatro anos de governo para quem já estava lá. Menos de um ano depois o pais mergulha numa crise que só tende a piorar com o passar dos anos.
Até nossa alimentação sofre com todas essas ações politico-empresáriais. Temos uma enorme concentração de pessoas nos grandes centros que são envenenadas diariamente. A produção de alimentos é adulterada já na produção primária. Os animais  são entupidos de vitaminas e outras bizarrices para crescer e produzir o mais rápido possível. As frutas, verduras e demais produtos derivados da terra são borrifados com veneno e depois mergulhados em conservantes e antioxidantes alterando toda e qualquer propriedade benéfica ao consumo. Isso sem contar a forma que são armazenados, transportados e ofertados nos grandes mercados. O produtor ganha uma mixaria para fornecer algo com baixa qualidade e o consumidor paga muito por um produto modificado e semi deteriorado. Quem mais lucra é o governo que recebe 3 vezes em impostos sobre esse produto, no final das contas quem paga é o consumidor final.
Como visto acima, nesses simples e triviais relatos, temos que pagar alto por porcarias, recebemos uma informação descartável e cultura inútil o tempo todo e ainda financiamos tudo isso com nosso trabalho e dedicação. Servimos de gado para quem realmente controla o dinheiro e por conseqüência, controla tudo. Financiamos toda roubalheira do governo e apoiamos toda e qualquer decisão que estas pessoas tomem. Nossa contra partida que recebemos é a violência, a saúde precária, escolas que estruturalmente e pedagogicamente estão em um estado medíocre e milhões de promessas e mentiras para que tudo continue assim e nada seja feito. Nossa cultura se resume a boa vontade do mercado, nada tem a ver com música, literatura ou folclore. Nossas escolas não ensinam a pensar. Nossos hospitais e postos de saúde não  tratam nossas moléstias e nem previnem contra epidemias, apenas querem vender remédios e receitar exames caros. Nosso transporte público é uma piada sem graça onde o objetivo e enfiar o maior numero de pessoas em veículos cada vez menores e precários. Não estamos seguros em casa, nas ruas, ou em qualquer outro lugar, mesmo assim enchemos nossas janelas portes com grades, nossas casas com câmeras e mesmo assim somos assaltados e humilhados. 
Só existe uma forma realmente poderosa e eficaz contra tudo isso. Viver de forma simples, gastando pouco e se desprendendo da futilidade. Talvez fugir dos grandes centros, plantar temperos e frutas no quintal, se deslocar a pé ou de bicicleta, visitar os parentes e amigos ao invés de ficar trocando mensagens no celular, desligar a TV e ler um bom livro, assistir filmes antigos e brincar com as crianças. acampar no quintal de casa no verão e contar histórias aos mais jovens. Isso vai fazer com que os conceitos mudem, os valores também. Enquanto ficarmos espremidos em apartamentos, ônibus ou nas calçadas, seremos vitimas da violência, da exploração e da corrupção imposta pelos políticos e pelas empresas que detém o poder. Tudo passa por uma reeducação. Não é uma revolta total e radical contra a modernidade. Temos que reaprender a viver em sociedade e utilizar nossos recursos de forma sustentável. Computadores, smartfones e todo o resto são ferramentas, nada a mais do que isso. Eles não definem um estilo de vida e não garantem nenhum status. Vamos nos preparar para viver com o básico e deixar que todo esse império caia lenta e dolorosamente. Ao longo da história tantos reinos e impérios já ruíram por não saberem dividir seus recursos para garantir a própria subsistência, mas o povo sofrido continuou a existir com sua história e sua cultura. O grande medo é que dessa geração não sobre nada, apenas lixo tecnológico.
Por uma vida mais simples, onde crianças brinquem, aprendam a ler e a escrever de forma correta, que discutam suas filosofias e vivam a sua cultura, sem violência e sem corrupção. Onde velhos multipliquem histórias e conhecimento e não apenas compartilhem memórias senis. Onde adolescentes pratiquem esportes, namorem e adquiram senso cívico e coletivo ao invés de mostrarem seus corpos nus na internet e encherem a cabeça com futilidade. Estamos muito defasados, pois não formamos bons médicos, bons professores e bons profissionais, portanto temos que correr atrás de tudo isso hoje, para poder colher algum benefício amanhã. Só uma volta ao convívio familiar, uma disciplina reformulada e uma vida simplificada poderão nos reconduzir ao caminho da virtude e a queda do império da futilidade e do consumo descartável.

domingo, 13 de setembro de 2015

Cultura

         
          A cultura sempre foi a vitima favorita dos conquistadores de todas as épocas. A primeira ação de um exército que invadia outra pátria sempre era destruir a cultura do povo conquistado. Faziam isso porque essa ação era a mais violenta que poderiam cometer contra quem estavam lutando. Destruir os deuses e os objetos sagrados tinham um impacto, não só físico, mas também emocional e religioso. Tentar apagar coisas que lembrassem o povo de sua origem, a longo prazo, era a ação mais eficaz contra qualquer tipo de revolta. Imagine para um povo mais primitivo ter a ideia de que seus deuses os abandonaram. Como passar para as gerações seguintes os costumes e as tradições sem ter seus totens, livros e toda a simbologia que representa a cultura de um povo? È impossível. Foi isso que os europeus fizeram quando chegaram a América. Destruíram vilarejos inteiros, mataram crianças, catequizaram os nativos para facilitar sua escravização. Ou seja, destruíram suas culturas o máximo que puderam para se apropriar das riquezas da terra. Na Europa sempre foi comum esse tipo de aniquilação cultural a cada guerra, a cada invasão praticada por um povo a uma pátria de cultura diferente.
                    A mais notória característica dos cristãos era exatamente transformar o deuses de outra cultura em demônios ou coisas do tipo. Como se não bastasse ainda construíam igrejas em locais estratégicos, de valor histórico ou grande simbologia para cultura religiosa de um povo. Essa pratica, não só destruía culturalmente um povo, abalava sua fé e auto estima, como servia de provocação e demonstrava realmente uma caricia ao ego inflado dos conquistadores. Isso transformou a igreja no maior moedor de cultura de todos os tempos. Não bastava usar o nome de Deus para justificar morte e destruição, usavam o cristianismo para fazer lavagem cerebral nos povos de cultura mais rudimentar. Com essa pratica podiam roubar livremente o que encontravam e dizimar cidades inteiras, afinal as leis e Deus estava do lado deles. Tudo isso fez da igreja católica a entidade mais rica e poderosa até o século IXX.
                    Escrevo tudo isso porque estamos celebrando a cultura regional aqui no Rio Grande do Sul por esses dias e cabe um reflexão sobre o que tudo isso significa em termos práticos principalmente. E difícil alguém fazer a relação entre os problemas sociais e a cultura. Talvez até o termo cultura seja um pouco um pouco obscuro para as mentes subdesenvolvidas de hoje. Todos estão mais preocupados em operar seus smart phones, compartilhar bobagens que encontram na internet pelas diversas redes sociais, estudar de forma penosa em uma das deficientes entidades de ensino e trabalhar de forma displicente em seus empregos. Diante dessa realidade fica difícil dedicar um tempo a descobrir o que é cultura realmente, quanto mais dedicar-se a alguma específica. Hoje toda a demonstração cultural parece forçada e até mesmo patética. O governo vê o nível cultural do povo como sendo o maior incentivador de suas praticas corruptas. Se assim não o fosse haveria maior respeito e dignidade na vida pública e os problemas sociais seriam encarados de forma séria e refletiriam na cultura popular. Como se percebe, é um ciclo que se influencia mutuamente, hoje para o mal. 
         
          São cinco pilares que fundamentam uma formação cultural. A educação, a religião, a economia, a politica e a ciência. Esses cinco pilares se inter-relacionam para se reforçarem e estruturarem um cultura. E dever de cada indivíduo preservar sua cultura, mas sem interferir na cultura de outras pessoas, regra essa que tem sido ignorada de geração em geração.  educação é o primeiro item a ser tratado, pois é através dela que as regras de convívio, a ciência, a linguagem e os valores são compartilhados. A educação é fundamentalmente a prática do respeito e começa em casa. Um bom pai e uma boa são aqueles que educam seus filhos para respeitarem as leis de convívio doméstico e social. O governo trata a educação como sendo apenas números que mostram apenas a quantidade de escolas, a quantidade de alunos e o dinheiro gasto para que existam. Todas essas informações exemplificadas em gráficos sofisticados e complexos, descritos com toda uma simbologia e linguagem particular para confundir os leigos. Como tudo no ambiente politico, há um empenho enorme em mascarar dados para encobrir a roubalheira, que se fosse direcionado para resolver um dos problemas sociais que assolam a população, a vida seria muito mais digna. Claro que se os governantes investissem realmente em educação e cultura, não teriam essa enorme massa de manobra para explorar de todas as formas possíveis.
                     A educação é a base de tudo como expliquei no paragrafo acima. Através dela os costumes religiosos são preservados, a politica é usada com objetivos dignos e não corruptos como hoje. A ciência é desenvolvida para tratar das descobertas e projetos que façam com que a comunidade evolua. A economia é o resultado do trabalho e do nível estrutural da comunidade. Toda a característica econômica de uma comunidade deve ser projetada e desenvolvida para atender as necessidades e explorar o real potencial do local. Se prestarmos atenção essas características citadas acima encaixam muito bem as tribos nativas da America pré-colombiana. Claro que haviam seus problemas, mas como seria a vida hoje se cada um ficasse no seu quadrado e não houvesse essa profanação cultural? Percebe-se que cada movimento provoca o atrito reativo de um seguimento contra o outro. Essa é a real cultura de hoje. Tudo está sendo direcionado para o caos absoluto. Políticos roubam até que a população seja jogada a um nível onde a criminalidade é o único fruto realmente fértil. O exemplo vem de cima e cada um rouba do jeito que pode, seja desviando verbas publicas, seja assaltando nas ruas com facas de cozinha ou armas de baixo calibre. 
                    O resultado é claro. Temos uma geração de retardados que não se incomodam em ficar em casa vivendo através de seus computadores e smart phones. Esses mesmos, quando saem de casa são vitimas da violência social, que mesmo não incentivando diretamente, colaboram com seus movimentos egoístas atras de curtidas e popularidade internética. Como cultivaremos algo estando longe um dos outros? A cultura vive da interação das pessoas em torno de algo que querem perpetuar e servir como base e legado da sua existência e que caracterize sua rouba, sua ideologia, suas crenças e suas conquistas. Portanto, fica esse desabafo para reflexão. Cultura não é livro, não é entidade e não é politica, muito menos cor de péle. Cultura é a vida de cada dentro de uma coletividade. Isso gera música para serem gravadas e cantadas, histórias e pensamentos para serem escritos nos livros. Ciência e engenharia que constrói nossos prédios, casas e ruas, tratam nossas doenças e facilitam nossas vidas. Então já passa da hora de fingir que nossa geração é abençoada por viver em uma época em que a globalização e a tecnologia permite um grande mergulho num mar de informações. Isso de nada serve se não aprendemos nada com isso.