segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Luthieria

          Luthieria é a profissão dedicada a trabalhar com a construção e manutenção de instrumentos musicais. Normalmente os músicos costumam manter uma boa relação de confiança com um luthier. Claro que boa parte dos músicos sabe mexer com a parte de manutenção de seus instrumentos, entretanto, é mais prático levar para um profissional qualificado fazer os ajustes no instrumento quando necessário. Eu costumo realizar uma revisão dos meus instrumentos, ao menos uma vez por ano. Possuo quatro guitarras e dois contrabaixos atualmente. Entretanto, sempre substituo a blindagem do sistema elétrico dos instrumentos, troco tarraxas, pontes e captadores, e dentro dessas trocas já solicito uma revisão geral junto ao meu luthier e ele já verifica se os potenciômetros não estão desgastados ou com ruído, se as soldas não estão oxidando, se o jack não está com folgas ou mesmo oxidação, o que pode gerar mal funcionamento, da mesma forma as chaves seletoras.
          Focando nos meus instrumentos principais que são contrabaixo e guitarra, podemos nos atentar para alguns procedimentos e cuidados que devemos ter para que nossos instrumentos tenham um bom desempenho independente da marca ou tempo de uso. Também podemos tomar esses cuidados com outros instrumentos como violões, contudo o foco é guitarra e contrabaixo. Lembrando que uma guitarra ou um baixo deve soar bem mesmo desligado, só com o som da madeira. Captadores e amplificadores fazem muita diferença, assim como cordas e cabos, mas o timbre fundamental do instrumento está na madeira. Da mesma forma, um instrumento novo não tem o som da madeira e sim do verniz ou da tinta que foi aplicada, como alguns músicos costumam dizer. Os instrumentos, principalmente violões e outros instrumentos acústicos precisam ser tocados por um bom tempo para adquirir seu som som específico. Alguns músicos deixam seus instrumentos em frente ao amplificador pra eles vibrarem e amadurecerem o timbre mais rápido com as vibrações agindo na estrutura da madeira.
          Instrumentos novos não estão prontos para tocar assim que saem das lojas, ao contrário do que muita gente pensa. Um instrumento, após ser construído, não passa por ajustes definitivos do fabricante, pois o mesmo será armazenado, transportado e muitas vezes pode demorar meses para que seja vendido. Por isso, ao se comprar um instrumento, o luthier deve ser a primeira pessoa a pôr a mão nele depois de você. Esse mesmo luthier dará o parecer quanto a qualidade da madeira, dos captadores e da eficiência das peças do hardware como ponte, tarraxas e jacks. Esse parecer é muito importante caso o instrumento tenha tido algum problema no transporte, armazenamento ou mesmo na fabricação. Ele vai regular o instrumento novo de acordo com a característica sonora para a qual ele foi construído.
          Após adquirir um instrumento e levá-lo a um luthier para os devidos ajustes e verificações é muito importante que o mesmo já retorne com as cordas novas. Ai você poderá tirar suas conclusões sobre o calibre das cordas, o tamanho da escala e a sonoridade do instrumento. Muitas vezes só teremos certeza do sucesso da nossa compra um longo tempo depois. Isso acontece porque aquele instrumento pode não ser a ferramenta adequada para o estilo de música que se está tocando. Ou ainda podem ocorrer outras coisas como a demora a se adaptar ao instrumento, mesmo ele tendo uma sonoridade que se encaixe com o estilo, a mudança de estilo a ser tocado, necessitando assim de troca de afinação ou uma sonoridade diferente da anterior. Dificilmente você terá um instrumento que se encaixe perfeitamente em todos os trabalhos que terá pela frente se você é um músico de estúdio, por isso que muitos músicos têm mais de um instrumento.
          Outra possibilidade interessante que a luthieria nos proporciona, é poder fazer instrumentos sob medida com os componentes de nossa preferência. Paga-se bem por isso, pois alguns componentes são muito caros, por esse motivo a decisão de encomendar um instrumento deve ser muito bem pensada. É muito fácil se decepcionar e pôr a culpa no construtor do instrumento por uma frustração na hora de receber o instrumento. Mas na maioria das vezes o luthier entrega exatamente o que encomendamos, o erro está no projeto. Também ocorre de comprarmos um instrumento extremamente caro e de marca famosa e ele não dar a resposta que esperamos. Não é porque compramos uma Fender Telecaster que teremos um bom som pra New Metal, muito pelo contrário, a guitarra foi feita para outro estilo de guitarrista. O mesmo ocorre ao tentarmos tocar Metal com um jazz bass, não teremos aquele som gordo e aveludado de outros tipos contrabaixos. Aí temos duas alternativas, mexer nas características de um instrumento clássico ou comprar um mais adequado. A segunda opção é mais viável, pois se alterarmos as configurações de fábrica de um determinado instrumento, estaremos derrubando em muito seu valor de mercado.
          Pra encerrar esse texto, aconselho a todos que costumam tocar instrumentos, mesmo que de forma informal e por diversão, terem um luthier de confiança acessível. Isso ajudará na hora de fazer alguns ajustes indispensáveis para a tocabilidade e a longevidade do instrumento. Por mais importante que seja estudar a respeito de regulagens e componentes, ainda mais com a internet e diversas revistas dedicadas, não é muito indicado ter uma bancada equipada com ferramentas e tudo mais para eventualmente mexer na sua guitarra, sem contar as horas de pesquisa e a demora até adquirir a prática. Aproveite seu tempo que seria para regular seu instrumento fazendo musica, o que é bem mais produtivo. Deixe um bom profissional cuidar de seus instrumentos e preocupe-se em tirar um melhor som dele. Segue link para um vídeo de apoio no meu canal no youtube: Luthieria

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

El Diablo

          No início de dezembro de 2014 estive em Charqueadas para acompanhar os shows de três bandas: El Diablo, Sky in Flames e Teaser. Mas quero falar especificamente da primeira, pois acompanhei o início da banda através do baterista C. Quines, que foi meu colega na Xaparraw. Acredito que a banda ganhou força devido ao acidente que sofremos no início do ano de 2013 quando a Xaparraw se deslocava para Santa Catarina para tocar em festival anual e teve a van jogada para fora da estrada próximo a cidade de Lages. Este acidente feriu gravemente alguns dos integrantes da Leviathan e o guitarrista João Paulo Ourique, na época tocando conosco na Xaparraw, veio a fraturar a clavícula. Isso fez com que a banda repensasse muitas coisas naquele período e acarretando na dissolução ainda no primeiro semestre daquele ano.
          Após ver a El Diablo ao vivo e escutar algumas músicas de seu cd que ainda não foi lançado, já pude concluir que a banda é bem superior a Xaparraw. Mesmo tendo feito parte da formação desta ultima e tocado em alguns shows, vejo que a El Diablo é bem mais consistente e tem uma personalidade mais definida. A Xaparraw tocou durante 5 anos e em menos de 2 a El Diablo se mostrou mais produtiva e consistente. Por que comparar as bandas? Simples, vejo que ambas pertencem a um mesmo ambiente criativo, são contemporâneas e fazem parte de um cenário que pouco mudou nos últimos anos. Também é uma continuação de trabalho para o baterista C. Quines, que tem minha estima e minha torcida, vem batalhando no cenário underground há vários anos sem ter o devido reconhecimento nem lucro financeiro algum com isso, como muitos músicos na verdade.
          Assim que a banda El Diablo iniciou seus trabalhos, alguns conhecidos mencionaram a utilização das máscaras como sendo algo apelativo ou imitação de Slipknot. Quem sou eu pra criticar esse tipo de coisa? Afinal, já toquei de Corpse Paint e também tive visual Glam. Achei que as máscaras deram um diferencial e chamaram ainda mais a atenção para o som. Muita gente não entende isso, mas imagem é fundamental e a El Diablo, com as máscaras, passa o recado que eles são do mesmo bando, mesma turma, e isso é muito bacana, tendo em vista que hoje cada um quer fazer as coisas por si só e a coletividade de um trabalho parece meros músicos colaborando esporadicamente em algum projeto. Parece que ter uma banda a moda antiga é uma ideia ultrapassada. Talvez seja mesmo. Não tenho uma opinião formada sobre isso.
          Por último, vou falar do mais importante, a música. A música da El Diablo é condizente com o visual da banda e com as letras que pude acompanhar. Algumas coisas me remeteram ao Napalm Death com toques de New Metal, e acho que essa era a ideia já que os integrantes admitem a influência Hard Core e Death Metal. Ao vivo a banda soou muito parecido com a gravação, mesmo a apresentação tendo as limitações normais de shows desse tipo. Musicalmente a banda está pronta no que diz respeito a estilo, basta fixar uma formação e aperfeiçoá-la dentro da linha pretendida. Por experiência, posso dizer que dificilmente uma banda que consegue notoriedade num determinado momento mantem as mesmas características das primeiras gravações e apresentações, a tendência é lapidar o som. Mas nessa fase inicial a banda já se mostra bem pronta para dar os passos seguintes.
          Resumindo: Na minha opinião a banda me pareceu ser honesta e decidida a pagar pra ver no que vai dar. Também seus integrantes demonstram estar cientes de que tem que produzir bastante nessa fase, mesmo não tendo lançado o primeiro cd ainda, já pensam em futuras gravações e apresentam músicas mais recentes nos shows, isso é fundamental para manter as ideias arejadas, todo mundo empenhado na construção das músicas e evoluindo como grupo. Dentro de poucos dias postarei o primeiro episódio da Heavinna TV no meu canal do Youtube e um pouco do que escrevi vai poder ser visto na matéria que fiz com eles. Em breve divulgarei o Episódio 1 da Heavinna TV com a El Diablo. Até lá! Entrevista no canal do Youtube.