quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Custo benefício

             

                   
            O produtor Lisciel Franco, famoso por seus videos no Youtube, fez uma postagem interessante falando de três tipos de reações de pessoas em relação a equipamentos de marca. No video ele conta uma historinha rápida para ilustrar sua ideia e propõe que existe três tipos de pensamento a respeito de equipamentos de marca. Cheguei a fazer alguns comentários no video que pode ser conferido no canal do Lisciel no Youtube. Como o espaço é pequeno para expor uma ideia mais completa e notando que o video teve certa repercussão, achei interessante postar a respeito do assunto e expor minha opinião baseado na minha experiência no mundo musical.
              Todas as pessoas que tem interesse em participar do universo musical, seja como musico ou produtor entre outras coisas, vai dar de cara com diversas histórias sobre marcas de equipamentos, instrumentos, musicos e produtores. As grandes marcas contam com histórias de sucesso atrás delas e isso faz toda a diferença no mercado. Se você pegar os amplificadores Marshall como exemplo, notará que em muitos dos videos de guitarristas e bandas famosas há uma parede de amplificadores dessa marca ao fundo. Muitos musicos tem obcessão por essa marca e modelos como o JCM 800 fizeram e ainda fazem parte da história do Rock principalmente. Da mesma forma, quando temos contato com o trabalho de guitarristas como Hendrix, Blackmore, Malmssteen, entre tantos outros, vemos em suas mãos guitarras Fender. Este tipo de marketing torna essas marcas imbatíveis, assim como Gibson, Mesa Boogie, etc. As marcas de empresas clássicas dificilmente saem da cabeça de musicos e apaixonados por musica. Os produtos dessas marcas normalmente são o sonho de consumo da maioria deles. Embora existam diversas linhas de produtos desses fabricantes, dificilmente deixam de ter qualidade na sua construção e desempenho pois tem o peso da marca definido o controle de qualidade. Ao pagar por uma guitarra Fender ou Gibson há a certeza de que se adquire um instrumento de qualidade embasada pela história da empresa que a fabrica. Entretanto, você pode pagar R$ 2.000,00 Reais por uma guitarra Fender ou R$ 15.000,00, vai depender do modelo. Com certeza a primeira não terá a mesma qualidade de construção e o mesmo desempenho da segunda, mesmo assim possui o logotipo da empresa. O mesmo ocorre com a marca Gibson, onde o leque de opções de preços e modelos é igual ou superior a Fender.
           Mas o que o Lisciel expos no video é direcionado para quem produz musica e acopanham o trabalho dele nessa área. Ai as coisas precisam ser analisadas com maior profundidade. Para gravar uma guitarra você vai precisar de uma guitarra, um cabo, um amplificador, um microfone, um cabo de microfone, um pedestal para o microfone, uma interface de audio e um computador. Vamos quantificar financeiramente esse exemplo utilizando as marcas já citadas e algumas comuns no mercado. Você paga R$ 12.000,00 Reais numa Fender Stratocaster, R$ 120,00 em um cabo Tecniforte, R$ 8.000,00 Reias num amplificador Marshall combo mais simples porém valvulado, R$ 750,00 Reais num microfone Shure SM 57 que é clássico para se gravar guitarras, mais um cabo Mogami para o microfone em torno de R$ 200,00 Reais, um pedestal Santo Angelo mesmo de uns R$ 350,00 Reais, uma inteface de audio Avid ou Digidesign de uns R$ 2.000,00 Reais e um Mac Pro usado de uns R$ 5.000,00 Reais rodando um Pro Tools de R$ 1.800,00 Reais ou mesmo o que vem com sua interface. Só ai você já gastou mais de R$ 30.000,00 Reais pra gravar sua guitarra, sem contar regulagem, correia e cordas para a guitarra, um ou dois pedais eventuais, um pré amplificador para dar um ganho no timbre, palhetas, o investimento no espaço, os acessórios do computador e da rede elétrica, monitores de audio, fones de ouvido e assim por diante. Torna-se inviável gravar sua guitarra em casa se pensarmos por esse lado, mesmo sendo equipamentos de marca mas de séries mais simples ou alternativas. Mas com certeza você é um teimoso e investe no sonho e é ai que outras marcas e modelos vão fazer a diferença. Você se obriga a pensar no conjunto que possibilitará a gravação da sua guitarra e não mais em adquirir todas aquelas marcas famosas.
              Ai o primeiro investimento que você deve fazer é em conhecimento. Antes de comprar qualquer coisa o mais sensato é buscar informação. Então você saberá que existem diversos tipos de equipamentos, instrumentos e de gravações. Hoje existem plug ins que simulam todo o tipo de hardware, temos aplicativos para smarphones, diversos computadores, diversas interfaces de audio, amplificadores, microfones. Possivelmente você ainda vai continuar desejando aquelas marcas mais famosas, porém conseguirá fazer um trabalho bem legal utilizando alternativas mais em conta e dentro de um orçamento a curto prazo. O Lisciel deixou bem claro no video que há pessoas que desqualificam as marcas mais usadas com desculpas, outros são radicais e saem bradando suas preferências contra tudo e contra todos e têm aqueles que ao invés de perderem tempo com esse tipo de discussão apenas fazem seu trabalho com as ferramentas que tem em mãos independentemente de serem da marca mais famosa.
             Eu cheguei a comprar um Mac Pro G5 usado, uma interface M-Audio Profire 2626 rodando o Pro Tools M-Powered 7.5. Claro que não era nada absurdo, pois o Pro Tools M-Powered foi uma série lançada pela Avid na época em que havia adquirido a M-Audio, ele tinha suas limitações. Quando adquiri essa série a Avid já estava lançando o PT9. O Mac estava no limite de sua arquitetura com 4 Gb de Ram e rodando o OSX 10.5.8 e a Apple já estava trabalhando com os processadores Intel e havia lançado o OSX 10.7. Mesmo assim era uma espécie de fetiche ter aqueles equipamentos. Menos de um ano depois já tinha vendido ou negociado a interface porque ela funcionava via Firewire e o Mac Pro já não suportava alguns plug ins e instrumentos virtuais com os quais eu estava trabalhando, sem eles o Pro Tools, que mostrou-se limitado, perdeu a razão de estar ali pois só roda com equipamentos da Avid. Acabei adquirindo uma interface Tascam US1800 que tinha 16 canais de entrada e 4 de saída, com USB e um Cubase LE 5 extremamente simples, mais um microfone Shure SM 57 e uma guitarra Washburn, troquei isso tudo por uma Fender Telecaster modelo Highway 1. Paguei R$ 3.000,00 Reais aproximadamente pela guitarra e quando fui tocar minhas musicas notei que minha Ibanez de R$ 700,00 Reais com captadores e a ponte substituidos por modelos melhores já dava conta do recado com sobras. Possivelmente para a pessoa que deu a Interface novinha, a Guitarra Washburn com captadores e ponte modificados e mais o Shure 57, tenha sido um excelente negócio e a realização de um sonho.
              Tive outros negócios de ocasião que fizeram eu abrir mão de um Mac Book, um Mac Mini e trabalhar com um PC que eu mesmo montei, mas que está funcionando perfeitamente bem (até o momento). Por afinidade acabei comprando o Cubase e mais alguns softwares e controladores da Steinberg. Sabendo que a Yamaha e a Steinberg fazem parte do mesmo grupo, investi em uma interface UR 44 para minhas gravações e nas caixas Yamaha HS 8 para monitoração e estou extremamente satisfeito com o resultado independentemente da Yamaha ser uma marca top ou não, e das pessoas, inclusive o Lisciel, falarem mal do Cubase. O importante pra mim é que estou podendo trabalhar sem problemas e acho que outras marcas não melhorariam consideravelmente minhas gravações. Adoraria ter uma Gibson Les Paul ao invés da minha Epiphone, ter um sistema Pro Tools HD completo com monitores Genelec, microfones Neumann para gravar voz, uma mesa SSL e um JCM 800 ao invés do meu Valvstate. Mas não ter estes equipamentos citados acima não atrapalha na produção das minhas musicas e nem me tira a empolgação na busca por conhecimento para tentar executar e capturar o melhor som.
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