sexta-feira, 27 de março de 2015

Tascam US 1800

          Achei interessante falar dessa interface de áudio, até porque algumas pessoas me perguntam a respeito dela. Adquiri a minha em 2013 num negócio de ocasião. Ela veio nova, na caixa tudo direitinho. Minha primeira impressão foi que ela me pareceu frágil. Embora a caixa seja de metal, a parte frontal exibe certa fragilidade no acabamento. Inclusive há uma espécie de placa plástica que cobre toda a parte frontal que é perfurada para o encaixe dos controles e das entradas que descolou tão logo eu coloquei no rack.
 No painel frontal temos o botão de Stanby para ligar e desligar o aparelho. Abaixo existem dois botões que servem para ativar a alimentação phantom power dos canais 1 a 4 e dos canais 5 a 8. Fora isso há o botão verde que indica que o aparelho está ligado e o de cor ambar indica que o cabo USB está conectada ao computador, caso não estiver ela pisca intermitentemente. A seguir temos 8 canais XLR independentes. Cada um dele possui controle individual de ganho de pré amplificador. Ao lado das oito conexões XLR temos duas entradas de alta impedância para instrumentos chama de Guitar, mas que podem ser usadas como entradas de linha normal, isso devido a existência de um botão individual para ativar essas entradas (9 e 10).
          Ao lado temos os 10 botões de ganho individuais de cada canal, os 8 XLR e os dois Line/Ins. Ai que mora um dos defeitos dessa interface. Os botões são frágeis e muito leves. Isso ocasiona problemas na hora de ajustar os volumes dos canais, pois são pequenos e muito próximos. Eu mesmo tive problemas para mixar uma tomada ao vivo de um ensaio porque até sem querer mexia em alguns parametros. Seguindo ao lado há o controle de monitor para ajustar o volume de saída. Abaixo dele há o volume de entrada do equipamento. Achei o recurso interessante, pois possibilita um ajuste geral de entrada para evitar clipes. Ao lado desses controles existe a saida de fone com um botão de volume individual para ela. Como pode ser notado nas imagens, não há leds de clip. Isso é muito ruim quando se está usando-a para gravar ao vivo, pois tem que haver constante atenção para que o som não chegue a distorcer demais na entrada.
O painel traseiro apresenta os seguintes itens: Conexão padrão de USB 2.0. Entrada e saída S/PDif (Digital), entrada e saída MIDI padrão. Ai têm um conjunto de 4 entradas de linha com um dois botões para cada par de seleção para -10 ou +4 que possibilita inserir tanto aparelhos domésticos como profissionais sem risco de incompatibilidade de tensão. Estas entradas seguem a numeração de 11 a 14 porém não tem ajuste de ganho nem opção de alta impedância, ou seja, são simples entradas de linha para pré amplificadores ou outros periféricos externos. Abaixo há um conjuto de 4 saídas de linha balanceadas. Mais ao lado duas saídas balanceadas para monitores que são controladas pelo botão monitor do painel frontal mencionado antes. Depois temos apenas a conexão de alimentação de 12 v onde conecta-se uma fonte 110 até 250 v fornecida pelo próprio fabricante junto com o produto. A Tascam US 1800 é muito interessante, tem pré amplificadores de boa qualidade, suas multiplas conexões possibilitam a gravação de um grande set de ensaios, afinal são 16 entradas independentes. As quatro saídas individuais permitem a alimentação de um amplificador de fones para compensar a existência de apenas uma saída de dedicada no painel frontal.
         
Junto com a Tascam veio um cd do Cubase LE 5. Esse software mostra exatamente a ideia por trás dessa interface, que é gravar ao vivo. Quando se instala o driver e o programa, logo no primeiro uso e se apresenta como um software dedicado a interface disponibilizando um preset de entradas e saídas espelhadas com a configuração do hardware. Pra quem conhece a versão full do Cubase 5 pode se decepcionar, pois esta versão é até mais limitada do que as versões AI. Entretanto ele roda leve e com latência mínima, mesmo gravando diversos canais ao mesmo tempo. A qualidade de gravação da interface é muito boa devido aos prés e seus conversores. Com um painel de controle fácil de usar e uma integração total com o Cubase LE e o baixo custo, talvez devido as frágilidades de construção já citadas, a Tascam US 1800 é um ótimo investimento para quem quer gravar ensaios e apresentações ao vivo de forma prática e segura. Mesmo para quem deseja apenas uma interface para home estudio acaba valendo a pena, pois mesmo que não use todos os recursos que ela oferece, ainda assim investe-se muito pouco para se ter uma boa ferramenta.
        Para finalizar, posso dizer que este modelo oferece uma boa qualidade de gravação e reprodução. Para fazer summings analógicos ela já não é indicada pois oferece apenas 4 saídas independentes. Tambem não posso atestar a durabilidade desta interface porque fiquei poucos meses com ela e logo vendi, pois tenho outras e não acho legal ficar com o equipamento parado. Para quem gosta de trabalhar com áudio, tem banda e quer registrar suas performances nos ensaios ou ao vivo terá uma grande ferramenta para isso pagando um preço muito em conta. Ela é um pouco mais cara que uma fast track comum, ou outra dessas interfaces de dois canais que tem no mercado. Pela ilustração ao lado dá pra se ter uma ideia das possibilidades de conexão. Abaixo segue os dados técnicos e especificações do fabricante.
Supported sampling frequency44.1/48/88.2/96kHz
Supported bit rate16/24bit
Analog audio Inputs 
MIC IN(1-8)XLR-3-31(1:GND, 2:HOT, 3:COLD), BALANCED
Input impedance2.2k ohms
Nominal input level-2dBu
Minimum input level-58dBu
Maximum input level+14dBu
GUITAR / LINE IN(9-10) 
GUITAR IN6.3mm(1/4") TS-jack(T:HOT, S:GND), UNBALANCED
Input impedance700k ohms
Nominal input level-6dBV
Minimum input level-52dBV
Maximum input level+10dBV
LINE IN6.3mm(1/4") TRS-jack(T:HOT, R:COLD, S:GND), BALANCED
Input impedance10k ohms
Nominal input level+4dBu
Minimum input level-42dBu
Maximum input level+20dBu
LINE IN(11-14)6.3mm(1/4") TRS-jack(T:HOT, R:COLD, S:GND), BALANCED
Input impedance10k ohms
Nominal input level-10dBV/+4dBu
Maximum input level+6dBV/+20dBu
Analog audio Outputs 
LINE OUT(1-4)6.3mm(1/4") TRS-jack(T:HOT, R:COLD, S:GND), BALANCED
Output impedance100ohms
Nominal output level+4dBu
Maximum output level+24dBu
MONITOR OUT(L/R)6.3mm(1/4") TRS-jack(T:HOT, R:COLD, S:GND), BALANCED
Output impedance100ohms
Nominal output level+4dBu
Maximum output level+24dBu
Digital audio Inputs 
COAXIALRCA pin-jack
FormatIEC60958-3(S/PDIF)
Input impedance75ohms
Level0.5Vp-p / 75ohms
Digital audio Outputs 
COAXIALRCA pin-jack
FormatIEC60958 Concumer(S/PDIF) and IEC958 Professional(AES/EBU)
*Selectable in the Control Panel betwiin
Output impedance75ohms
Level0.5Vp-p / 75ohms
PHONES 
Connector6.3mm(1/4") stereo phone jack
Maximum output level50mW + 50mW(1kHz, 1%, 32ohms load)
MIDI Input
ConnectorDIN 5 pin
FormatStandard MIDI format
MIDI Output
ConnectorDIN 5 pin
FormatStandard MIDI format
USB
ConnectorUSB B type 4pin
FormatUSB2.0HIGH SPEED(480 MHz)
PowerAC100 - 240V, 50/60Hz(TASCAM PS-1225L, included)
Power consumption7.2W
Dimensions482.6(W)×44(H)×300.4(D)mm
Weight3.1kg
Operating temperature5-35˚C
Bundle softwareCubase LE
AccessoriesAC adaptor(TASCAM PS-1225L), Power cord set for AC adaptor, CD-ROM (conataining driver), USB cable (1.5m), DVD-ROM (Cubase LE), Cubase LE quick start guide , Warranty card, Owner's manual, Rack-mounting screw kit

Audio performance
Frequency response20Hz to 20kHz, +/-1dB(44.1/48kHz, MIC IN - LINE OUT, GAIN knob set to minimum, JEITA)
20Hz to 40kHz, +1/-3dB(88.2/96kHz, MIC IN - LINE OUT, GAIN knob set to minimum, JEITA)
S/N ratio96dB or more(44.1kHz, MIC IN - LINE OUT, GAIN knob set to minimum, JEITA)
THD0.01% or less(MIC IN - LINE OUT, GAIN knob set to minimum, JEITA)

Operating system requirements
Windows
OSWindows XP:32bit SP3 or more, 64bit SP2 or more
Windows Vista:32bit SP2 or more, 64bit SP2 or more
Windows 7:32bit, 64bit
Windows 8:32bit, 64bit
CPUPentium 4 1.4GHz or more, ADM Athlon 1.4GHz or more
MEMORY1GB or more
USBUSB2.0
DRIVERASIO, WDM
Macintosh
OSMac OS X Leopard(10.5.6), Mac OS X Snow Leopard(10.6.8), OS X Lion(V10.7), OS X Mountain Lion(V10.8)
CPUIntel Processor 1GHz or more, Power PC G4 1GHz or more
MEMORY1GB or more
USBUSB2.0
DRIVERCore Audio

segunda-feira, 23 de março de 2015

Slash em Porto Alegre/RS

       
         
          Se alguém ligasse o rádio de 1992 até 1995 e colocasse o dial em uma radio jovem com certeza ouviria alguma musica do Guns n' Roses. Simplesmente era impossível ficar à parte, pois a banda de Axl Rose tomou conta da mídia, tanto nas rádios como na TV. Os clipes eram lançados frequentemente nesse período em que a MTV estava em alta. Desde que lançou seu primeiro álbum em 21 de julho de 1987, o Guns N' Roses estava pronto para se tornar um dos maiores nomes do Rock de todos os tempos. Era comum os Headbangers da época odiarem a banda, afinal a exposição era constante e nada tinha a ver com o amado underground. Foram cinco discos lançados entre 1987 e 1995. Após o debut, tivemos o lançamento do EP Live: Like a Suicide e do acustico Lies lançados como sendo um àlbum completo em 1989 fazendo com que Patience estourasse em todas as mídias. Após isso iniciasse a maratona Use Your Illusion 1 e 2 que são dois discos duplos lançados com muita pompa e circiunstância e que teve uma turnê gigantesca, com enormes shows para sua promoção. A avalanche de clipes também foi constante, assim como as concessões radiofônicas.
          Pois bem, estou falando a respeito da banda porque na ùltima sexta-feira (20/03/2015) no Pepsi On Stage em Porto Alegre/RS presenciei uma celebração desse período no show do Slash featuring Myles Kennedy and the Conspirators, ou simplesmente o show solo do Slash ex-guitarrista do Guns N' Roses. Como havia comprado meus ingressos anteriormente, tive tempo de conhecer o trabalho solo do cara, que é muito bom, diga-se de passagem. Apocalyptic Love e o mais recente World On Fire trazem uma banda excelente com um baterista preciso, Brent Fitz, um baixista Todd Kerns, que canta e que se encaixa no estilo do baixista anterior, Duff McKagan de tantas gigs. O vocalista é um caso a parte e a cereja do bolo do trabalho atual do guitarrista, falo de Myles Kennedy, guitarrista e vocalista do Alter Bridge. Extremamente afinado ao vivo, reproduzindo com precisão o trabalho de estúdio e tendo um desempenho soberbo nas canções do Guns que recheiam o set dos shows do Slash.
       
          Com a casa lotada e extremamente receptiva, a banda fez um show digno da fama de seu líder que em 95% do tempo é apenas o guitarrista da banda, assim como era no GNR e no Velvet Revolver. O timbre característico e o estilo marcante de tocar dão ao bom gosto do músico o prêmio de ser o que há de melhor no Hard Rock dos dias atuais. Foram duas horas onde o clássico e o novo se tornaram atemporais na minha opinião. Músicas como World On Fire, Anastasia e Bent to Fly podem figurar muito bem com Welcome to the Jungle, Paradise City e Sweet Child O' Mine na lista de grandes composições do Hard Rock. O trabalho do Slash traz uma banda muito competente que pode dar ao mundo grandes composições caso se mantenha coesa e lançando albuns como tem feito nos últimos 6 anos.
Segue setlist do show:
You're a Lie
Nightrain (Guns N’ Roses cover)
Standing in the Sun
Ghost
Back from Cali
Wicked Stone
Too Far Gone
Mr. Brownstone (Guns N’ Roses cover) (com Gilby Clarke)
You Could Be Mine (Guns N’ Roses cover)
Doctor Alibi (Todd Kerns nos vocais)
Welcome to the Jungle (Guns N’ Roses cover) (Todd Kerns nos vocais)
The Dissident
Beneath the Savage Sun
Rocket Queen (Guns N’ Roses cover)
Bent to Fly
World on Fire
Anastasia
Sweet Child O' Mine (Guns N’ Roses cover)
Slither
Paradise City (Guns N’ Roses cover
          Quem curte Hard Rock ou um bom show de Rock n' Roll saiu do local próximo das 00:00 com a alma renovada e com a sensação de que certas coisas ainda estão bem vivas e podem ser apreciadas. Se não temos os mega shows em estádios ou a ampla divulgação da mídia, mesmo que a banda de AXL Rose continue na ativa com a pretenção de ser o Guns de outrora, temos o Slash na melhor forma e fazendo músicas e shows de qualidade, basta aproveitar as oportunidades e se fazer presente.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Música e trabalho

       
       
           É normal a pessoa que gosta de música, e se dedica a tocar um instrumento, aventar a possibilidade de viver exclusivamente disso. Então, vamos nos aprofundar nessa ideia? Muitas vezes o candidato a músico profissional encontra grande resistência junto a família e a sociedade em geral. Ainda não foi possível afastar totalmente aquele pensamento retrógrado que música não é profissão, portanto não se pode viver dela. Pois bem, então é muito difícil para essas pessoas, que defendem tal ideia, explicar porque alguns dos maiores milionários do planeta são músicos. Não vou nem citar exemplos aqui, há muitos e bem conhecidos. Mas o fato é que a música gera muito dinheiro, glamour e sucesso. Sei que muitos vão pensar que isso é para poucos, muito poucos aliás, porém é tão possível quanto qualquer outra profissão. Mas eu pergunto: "Quanto um estudante de medicina investe dinheiro e tempo na sua preparação até se formar e exercer a profissão?" A resposta acho que é unanime: "Muito!" Em outras profissões também ocorre a mesma coisa, se investe muito até conseguir ter retorno. Por essa lógica, se investir tempo e dinheiro em conhecimento e produção, as coisas acontecerão de alguma forma. Nem todos os profissionais que se formam em qualquer coisa tem a garantia de sucesso, contudo, viverão bem se forem bons profissionais e levarem a sério suas carreiras. Outro contraponto que pode ser citado por detratores dos músicos, é que estes profissionais têm mercado. O mercado musical também é muito forte, talvez até mais amplo do que muitas profissões. Muitos empresários investem muito dinheiro em eventos musicais no mundo todo. Há música na TV, no rádio, no cinema, em tudo. É necessário um grande e diversificado leque de profissionais por trás de um grande evento para ele dar certo, ou seja, mercado existe.
          Há outro argumento que pode fazer com que os amantes da música não fiquem frustrados e continuem convictos que a ideia de viver da sua paixão seja algo viável e até lucrativo. Se pararmos pra pensar, quantos profissionais estão envolvidos na produção de um show, de um cd, de um dvd ou numa feira de instrumentos e equipamentos de áudio? São muitos profissionais e de diversas áreas. Então, se sua paixão é musica, siga em frente, se prepare como os outros calouros fazem, invista no seu projeto, seja ele uma banda, um show, um estúdio, uma rádio, uma loja de instrumentos, ou o que te der a oportunidade de ingressar neste ramo. Certamente você será recompensado com isso, tendo qualidade de vida por fazer o que gosta, sua motivação não será apenas o dinheiro, você estará em contato com profissionais de diversas áreas que podem possibilitar diversas oportunidades em diferentes tipos de negócio dentro do mercado musical. Afinal, como em toda carreira profissional uma grande e variada rede de contatos é fundamental. Não importa qual seu interesse dentro do mercado, você precisa estar dentro dele para ter mais chances.
          Agora vou dar o outro lado da questão. Os "hobbistas" e os "artistas alternativos". Os primeiros têm sua profissão que garante seu sustento, mas tem sua banda de final de semana, que toca em bares ou grava suas próprias musicas, mais como diversão do que como profissão. Muitos desses indivíduos seriam excelentes músicos ou profissionais da área se dedicassem mais tempo e dinheiro nisso. Entretanto, por algum motivo qualquer resolveram não seguir ou investir em uma profissão relacionada a música. Pode ser que ver a paixão como profissão pode tirar o encanto, sei lá, muitas vezes é covardia ou acomodação mesmo. Já os artistas alternativos são aqueles que apenas querem fazer sua arte sem ter que arcar com o lado burocrático e comercial de se ter uma profissão. Normalmente, tem ideia fixa sobre fazer concessões, pertencer a alguma entidade ou sindicato, entre outras coisas. Alguns desses artistas acabam se tornando profissionais, mas a maioria cai no esquecimento por pura convicção ou até teimosia.
          Minha mensagem final é: "Se você quer realmente ser músico, talvez tenha que investir muito tempo e dinheiro nesse sonho até ser bem sucedido. Porém, para ter êxito em outra profissão também terá que fazer isso. Mesmo que sua família ou alguns membros da sociedade façam piadas ou tentem diminuir o valor da profissão, pode valer a pena tentar. Lembre-se que pra ter uma carreira você precisa se preparar, tentar cuidar da melhor forma possível da parte burocrática, buscar ter o máximo de informações sobre o mercado e as possibilidades de atuar bem e ser remunerado de forma justa por isso. Seja você um músico contratado, um compositor, um engenheiro de áudio ou um promotor de eventos, saiba que existem entidades, sindicatos e empresas que podem assessorá-lo e fazer com que seus objetivos sejam alcançados de forma segura e sustentável. Invista em você e terá seu retorno, mesmo que não se torne um sucesso mundial. Boa sorte!"