quarta-feira, 24 de junho de 2015

Regis Tadeu, um chato a ser reconhecido


Na vida encontramos chatos que por um determinado tempo chegam a tirar nosso sossego e nos proporcionar momentos de dissabor. Mas este conceito de “chato” pode ser muito amplo. Na infância nossos pais normalmente são os “chatos” que terminam com a brincadeira ao chamar para comer, tomar banho ou pôr um casaco. Na adolescência os chatos são aqueles professores que fazem com que nos esforcemos nos estudos. Na fase adulta encontramos os chatos que nos questionam no trabalho ou em outras atividades. Me atenho aqui aos chatos que somam em nossas vidas, que sentimos falta quando perdemos e que contribuem para nossa formação.
Um destes caras “chatos” eu encontrei por acaso quando assistia o tedioso e já descartável Programa do Jô na época em que ainda contava com atrações interessantes, como se mostrou o até então desconhecido Régis Tadeu. Já na época fiquei satisfeito com o conhecimento sobre música apresentado por ele. Atentei-me para seu trabalho nas Revistas Cover que são direcionadas aos músicos específicos de guitarra, bateria, baixo e teclado. Depois veio o contato no seu blog no portal do Yahoo. Não chego a acompanhar seu trabalho com o Raul Gil pois não sou fã do formato do programa e calouros normalmente me irritam, mas leio constantemente suas postagens no blog Na Mira. Garimpando no Youtube em busca de informações musicais, assisti suas entrevistas com alguns artistas, algumas de suas reportagens, suas críticas e recomendações de shows, assim como suas aparições em programas como Vitrola Verde, fazendo comentários sobre o Rock in Rio, sobre o cenário musical e na série os 100+ e – que infelizmente teve apenas uma temporada onde ele sugere audições de discos assim como detona outros álbuns de artistas consagrados.
Minha maior admiração pelo trabalho do cara veio quando assinei o programa Conaprom, que é um conjunto de palestras com diversas personalidades direcionadas para quem trabalha no meio musical. Nessa palestra Regis Tadeu fala algumas verdades óbvias a respeito do cotidiano de bandas em formação, assim como erros comuns e sugestões para quem tem uma carreira musical. Sinto falta de opiniões sinceras a respeito de música na mídia, assim como alguém trabalhando pela música nas rádios. Mais ainda agora que a rádio Ipanema saiu do ar aqui no Rio Grande do Sul. Para quem beira os quarenta anos e cresceu na época do vinil e das rádios ditando a maioria das tendências musicais, personagens como Régis Tadeu devem ser questionados a respeito de seus conhecimentos culturais. Precisamos conversar mais, sentar e ouvir atentamente os álbuns que não conhecemos ao invés de apenas pertencer às algumas comunidades nas redes sociais.
Mesmo sendo um chato para a maioria da audiência do Programa Raul Gil, mesmo exagerando nos seus comparativos em seus comentários e embora não concorde com grande parte de suas opiniões, sempre penso a respeito das coisas que ele escreve e corro atrás do material que ele indica, pois também sou da opinião que existe uma grande produção de qualidade na música atualmente, que só não é maior e mais notória por causa da acomodação e da falta de critério de um público sem cultura. Talvez eu seja idiota em ter como referência um cara como Régis Tadeu, mas prefiro me abraçar na idiotice a me entregar aos modismos comodistas e superficiais que bombardeiam 95% das pessoas. Fica a dica: https://br.noticias.yahoo.com/blogs/mira-regis.

sábado, 13 de junho de 2015

Os cinco álbuns indispensáveis do Thrash Metal

Seguindo com a série de cinco álbuns indispensáveis que iniciei na postagem anterior, indicarei 5 trabalhos que considero fundamentais para quem deseja conhecer o estilo e que fizeram parte da minha vida e formação musical.
O Thrash Metal tem duas vertentes distintas: Uma é mais acessível ao público que curte Heavy Metal, e porque não dizer, roqueiro em geral, que é aquele formado por bandas americanas de como Metallica, Megadeth, Anthrax, Slayer e Testament. Há também os gigantes do Thrash alemão do Kreator, Destruction e Sodom. Norte americano ou Europeu, o Thrash Metal revelou grandes de Metal de 1980 para cá. Este estilo também foi a raiz de outros estilos como o Death Metal e suas ramificações e o New Metal. Na América do Sul o grande nome do estilo é o Sepultura conhecido mundialmente. Pelos poucos motivos acima citados já fica injusto escolher cinco álbuns em detrimento de outros tantos, por este motivo vou elencar os que mais gosto e que de certa forma marcaram época e que estiveram bem presentes na minha história:
Ride the Lightning do Metallica: Este álbum foi gravado na Europa, no Sweet Silence Studios em Copenhague, Dinamarca entre setembro de 1983 e junho de 1984, sendo lançado em 27 de julho de 1984. Flemm1ing Rasmussen trabalhou na produção junto com a banda. Na época o Metallica havia ganhado grande notoriedade entre os Metalheads devido a aparições em coletâneas, demo tapes e seu excelente debut Kill Em’ All. Ride the Lightning é para mim o melhor disco do Metallica. Ele consegue em 4 músicas ir do Thrash agressivo e veloz de Fight Fire with Fire que facilmente poderia abrir o Kill Em’ All, passar pela intensa faixa título, mostrar a clássica For Whom the Bell Tolls e aterrissar na bela Fade to Black. Se pensarmos nos Lps ou nas fitas cassete, apenas no lado A temos a receita padrão dos limites do Thrash Metal dos anos 1980. Ali estão todos os elementos fundamentais a serem no estilo. O disco ainda reserva Creeping Death que está constantemente presente nos set lists da banda até hoje e é considerada por alguns como sendo um hino da banda e do estilo. Ride the Lightning é um dos álbuns mais importantes da história da música e é apenas o segundo do Metallica. 
Endless Pain do Kreator: O Kreator é daquelas bandas que desde o início, mesmo tendo outro nome, Tormentor, já mostrava em suas demos qual era o direcionamento musical que o trio liderado por Mille Petrozza tomaria em sua carreira. Se o Thrash Metal precisa ser pesado, rápido e agressivo, esses três adjetivos descrevem muito bem faixas como Total Death, Tormentor e Flag of Hate. Nesse álbum lançado em outubro de 1985 após ser gravado em Berlim na primavera daquele ano, o baterista e o guitarrista dividem os vocais nas dez faixas, sendo que as impares são cantadas pelo baterista Jurgen Reil e as pares por Mille Petrozza que assumiria definitivamente os vocais principais da banda a partir do segundo álbum. Talvez Endles Pain não tenha sido tão bem produzido quanto alguns álbuns do estilo da mesma época, mas sem dúvida é um dos alicerces do Thrash metal. 
Reign Blood do Slayer: Rápido, agressivo, intenso e satânico. Reign Blood do Slayer, lançado em 07 de outubro de 1986, é uma obra-prima do Thrash Metal. Poucas bandas conseguiram manter-se dentro de um estilo durante 30 anos, lançando bons álbuns e sem descaracterizar o som. Se o Slayer tem o reconhecimento e a popularidade dentro do Heavy metal muito se deve a músicas como Angel of Death, Necrophobic, Jesus Saves e Raining Blood. O disco é homogêneo em sua sonoridade e linha de composição, mas fazem os menos de 30 minutos de duração definir um estilo adorado por muitos ao longo dos anos. 
Vulgar Display of Power do Pantera: Este é o álbum mais importante da minha vida. Escrevi em uma postagem anterior que o Pantera foi a banda que salvou o Metal. Muita gente discordou por não gostar do estilo da banda, por afirmar que haviam outras bandas do mesmo estilo que foram negligenciadas e outros mimimis. O fato é que o Thrash Metal estava sendo superado devido ao surgimento do Grunge, de bandas como Metallica e Testament lançarem álbuns mais “comerciais” e o enfraquecimento do estilo grande rival do Thrash, o Glam Rock. No início dos anos 90 as bandas de Metal estavam num momento pouco criativo e revendo seus direcionamentos musicais. Isso gerou álbuns medonhos e o nascimento ou consolidação de bandas bizarras. O Pantera acabou por ser um hibrido entre o Thrash dos anos 80 com o grunge do início dos anos 90, já que a banda não apresentava o visual glam dos álbuns independentes e nem os pregos, tarraxas, cinturões de bala, letras satânicas e muitos dos adereços usados na época. Vulgar Display of Power foi fundamental porque mostrou ao mundo que uma cozinha sem graves, mas totalmente coesa e uma guitarra disparando riffs malucos de um guitarrista genial dariam ao Metal uma nova imagem e uma nova sonoridade. Ouça Mouth for War, A New level e This Love se ainda não conhece a banda, mas se quiser mergulhar no estilo inovador dos caras preste atenção em Regular People(Conceit) com sua levada original e marcante, No Good (Attach the Radical) e a desesperada Live in a Hole. 
Chaos A.D. do Sepultura: Se o Pantera revolucionou o Metal de alguma forma e salvou o estilo no início dos anos 90, o Sepultura definiu um estilo. Oriundos de um Thrash Metal agressivo e inspirado por bandas do início dos anos 1980, o Sepultura foi moldando seu som, que começou como um Death Metal direto em Bestial Devastation e Morbid Vision, foi se tornando Thrash Metal puro em Squizophrenia, foi sendo lapidado em Beneath the Remains e Arise e alcançou o seu estágio máximo de popularidade e reconhecimento em Chaos AD. Lembro de muitos torcerem o nariz porque a banda estava flertando demais com o som Industrial e o Punk Rock, mas foram esses elementos que agregaram a música da banda as características necessárias para mais uma revolução. Mesmo não gostando de New Metal, se hoje bandas como Slipknot alcançaram um grau muito alto de popularidade no Metal, isso ocorreu graças ao Sepultura. Se prestarmos atenção em bandas como Mudvayne, Coal Chamber e algumas mais antigas de Thrash como o Testament, veremos grande influência da sonoridade dos mineiros. Para os fãs Beneath the Remais seja o melhor álbum da banda, Roots o mais reconhecido, mas Chaos AD é um marco na história do Thrash Metal, e é brasileiro. 
Com certeza existem bandas que tem legiões de fãs pelo mundo e que ficaram de fora dessa lista, assim como grandes álbuns de bandas como Metal Church, Destruction, Sodom, Coroner, Overkill, Nuclear Assault, Exodus, Annihilator e Dark Angel, mas a ideia era elencar apenas cinco. Todas essas bandas terão um espaço justo ao longo das minhas postagens, mas por agora serão apenas citadas para que não haja a desconfiança de que elas são desconhecidas ou irrelevantes para este que vos escreve.