quinta-feira, 30 de julho de 2015

5 álbuns injustiçados

          Algumas pessoas tem me questionado sobre a forma com que procedo para escolher e falar sobre as bandas quando faço as postagens destes álbuns que indico. Na verdade nem considero indicações, são apenas uma mistura de memórias afetivas e lembranças de discussões com amigos ou críticas de revista ou site sobre esses álbuns. Então fiz algumas recapitulações e ouvi atentamente cada um destes trabalhos para escrever a respeito. Não faço descrição faixa a faixa ou apenas faço observações pontuais, limito-me a contextualizar o momento da banda, a data de lançamento e dou alguma dica que me pareça interessante para estimular a curiosidade de quem for ouvir. A ideia é justificar uma possível audição do leitor para degustar uma receita musical que pode agradar o paladar auditivo ou não. O interessante é a pessoa parar e ouvir com atenção, caso não conheça o trabalho, deixando de lado qualquer tipo de preconceito ou ideia pré concebida. Outra questão muito frequente é sobre o meu gosto musical, já que indico álbuns de Black Metal norueguês, Punk Rock, Hard Rock, Thrash Metal, Death Metal e por aí vai. Na verdade tenho preferência por determinados estilos, mas isso não faz com que eu ignore bons trabalhos das mais diversificadas origens. Também não sou do tipo politicamente correto, uso apenas o meu gosto pessoal como guia. Vez por outra faço concessões para trabalhos não muito legais para meu gosto, mas que reconheço a grande importância.            Depois dessa explicação, vamos as indicações desta semana. Os cinco albuns injustiçados tiveram um reconhecimento posterior até certo ponto, ou simplesmente cairam no esquecimento. Em comum, algumas características podem ser observadas que levaram as bandas a mudarem seu som ou mesmo repensarem suas condições como artistas. As motivações mais relevantes foram troca de integrantes chave ou grande expectativa por parte dos fãs, gerando ansiedade e decepção. Parte destes sentimentos motivados também pela inclusão dos novos integrantes.
Eternal Idol é um álbum quase acidental do Black Sabbath. Começou a ser gravado logo após o término da turnê do Seventh Star, porém Glenn Hughes foi substituído por Ray Gillen, que chegou a gravar os vocais , mas deixou a banda logo após Dave Spitz (baixo) e Eric Singer(bateria) deixarem a banda. Entre indas e vindas, Tony Martin acabou gravando os vocais e seguiu com a banda em turnê. Em 1 de novembro de 1987 saiu Eternal Idol, mais um álbum de uma fase nebulosa na carreira da banda onde apenas Tony Iommi fazia parte do Line Up original, sem Ozzy nem Dio nos vocais. Embora todas essas controvérsias o disco conta com boas musicas como The Shining, Glory Ride e Born To Lose. Nem de longe lembra álbuns como Paranoid, Black Sabbath e Vol. 4, mas não é pior que Technical Estasy, Never Say Die, e até mesmo Seventh Star. Já ouvi pessoas dizerem que este é o pior do Black Sabbath, mas eu citaria no mínimo cinco bem piores que este, que no final das contas é um ótimo disco se analisado isoladamente. No Youtube há várias versões para este álbum, umas até com a versão original gravada por Ray Gillen. Não deixei nenhum link específico porque não encontrei a versão completa do lançamento original e nem um lista completa com todas canções na ordem que parecem no disco.
Native Tongue do Poison é um disco que mistura Gospel, Rithym & Blues e Rock de uma forma quase inimaginável para os fãs. Dizem que o álbum foi inteiramente escrito pelo seu novo guitarrista, Richie Kotzen, que era apenas um jovem na época, mas que contava com grande prestígio da mídia e já apresentava seu trabalho solo. Sendo verdade ou não, o fato é que a contribuição de Kotzen nas composições é imensa. Seus vocais estão presentes em muitas faixas, quase todas do disco, mas o que impressiona é a qualidade de sua guitarra. Diferente de C.C. Deville que investia em arranjos e solos mais diretos e timbres extravagantes, Richie Kotzen é mais minimalista e fez com que a banda apresentasse groove e swing bem diferente de seus álbuns anteriores. Mesmo com os fãs virando a cara, o registro é respeitado pela critica em geral e conta com a simpatia de algumas pessoas que jamais gostaram do Glam Rock do quarteto nos anos 1980. Lançado no dia 8 de fevereiro de 1993, Native Tongue é o ultimo álbum decente da banda que depois viveu de coletâneas caça-níquéis, álbuns solo de seus integrantes e o material inédito é ridículo. Por isso é interessante deixar de lado o visual afeminado dos integrantes e seu histórico por um breve instante e saborear este belo disco.


Motley Crue é outro álbum que é extremamente injustiçado. Foi lançado em 15 de março de 1994. É o sexto disco da banda e o único sem o vocalista Vince Neil, que se aventurou em carreira solo. O que está contido neste álbum é algo que vai muito além do que os fãs do Motley Crue poderiam esperar, e talvez seja esse o grande aspecto negativo de todo o processo. As guitarras são bem pesadas, com arranjos bem elaborados e timbres e efeitos muito bem escolhidos. O baixo está pesado e bem encaixado no contexto das composições. A bateria tem excelente timbre e conta com a pegada rotineira de Tommy Lee. Os vocais são mais intensos e versáteis, coisa que a banda não tinha com o vocalista anterior. Se formos bem criteriosos vamos notar que este Motley Crue se parece muito com o Load do Metallica. Por isso coloquei alguns pontos bem específicos na minha analise do disco do Metallica logo a seguir. Tudo isso mostra a mão do produtor Bob Rock e o direcionamento artístico que ele buscava para as bandas. Repare que 10 anos antes o Thrash Metal criado por bandas como o próprio Metallica foi uma resposta de revolta ao estilo Glam de Los Angeles. Por ironia, na metade dos anos 90 eles andaram tão próximos artisticamente e justamente devido a duas bandas que são expoentes indiscutíveis destes estilos tão antagônicos até então. Talvez esta seja a explicação mais lógica para o certo insucesso dos dois trabalhos. Este álbum foi caro para gravadora que adiantou uma bela grana pra a banda. Ele até chegou a 7° posição na Billboard, mas com certeza foi um fracasso de vendas, tanto é que logo Vince Neil voltou para a banda e eles lançaram o horroroso Generation Swine anos mais tarde.

Load do Metallica: Após o sucesso mundial do disco preto de 1991 e sua longa fase de divulgação, o Metallica teve que lidar com problemas com gravadoras, atritos internos e a grande expectativa de todos em relação ao trabalho seguinte. Seria impossível para banda lançar um disco como o Metallica ou mesmo voltar ao som mais cru e veloz dos primeiros álbuns. Isso porque a banda havia mudado e qualquer coisa que seguisse nesse sentido seria mera forçação de barra. Durante as apresentações entre 1991 e 1994 principalmente a banda mudou de patamar, alcançou novos fãs e explorou ao máximo seu repertório. Agora o Grunge tinha tomado conta de boa parte da mídia e começava a dar sinais de desgaste após a morte de Kurt Cobain. O Metal mais underground focava no Death Metal e no Black Metal. As bandas de Metal e Hard Rock mais tradicionais estavam passando por momentos de dificuldades iguais ou até piores que o Metallica. É justamente nesse ambiente onde Pantera e Sepultura centralizavam as atenções e o New Metal superava a fase embrionária e iniciava sua infância na mídia, que o Metallica lançava o sucessor de seu trabalho de maior sucesso. O que esperar? New Metal? Um álbum preto 2? Uma volta as origens? A resposta foi seca e contrária a todos os prognósticos. Load apresentou a banda com seus integrantes de cabelos curtos e uma capa que apresentava um híbrido de sêmen e sangue. O título poderia sugerir algo mais moderno e tecnológico, mas isso é o que menos se escuta em Load. Lançado em 4 de junho de 1996, o registro apresenta uma sonoridade mais amena, direta e alternativa. Analisando agora, seria um caminho natural abrandar o som e buscar falar de coisas mais intimistas e cerebrais, pois o disco preto apontava para isso. Em termos de produção, Bob Rock e a banda parecem retomar de onde tinham parado, trocando um desgaste nas sessões de gravação do disco anterior, por um clima mais cooperativo e relaxado de Load, embora toda a pressão. Durante o período de gravação, que demorou de maio de 1995 a fevereiro de 1996, a banda trabalhou em solos mais melódicos, trocando as frases velozes por slide guitar já na faixa de abertura Ain't My Bitch. 2x4 mostra um groove mais puxado para um Pantera, porém com uma polida extra na distorção das guitarras. A melodia e o peso arrastado é percebido de forma contundente em The House Jack Built e Until It Sleeps. King Nothing é um tema pesado que poderia estar facilmente entre as musicas do disco preto ou do ...And Justice for All. Hero of the Day é mais comercial, mas tem algumas qualidades nunca apresentadas pelo Metallica em termos de ritmo e contraste. A partir de Bleeding Me o álbum começa e se repetir e a se tornar tedioso pra mim, devido ao seu tamanho, quase 80 minutos divididos em 14 faixas, mas passa longe de ser o lixo que a maioria considerou na época de seu lançamento. Outra coisa que Load mostra claramente é a evolução dos vocais de James. Cantando de forma mais moderada, porém com afinação precisa e timbre polido e bem trabalhado. Todos estes fatores precisam ser avaliados na hora de escutar este trabalho, mas com certeza o resultado ficou muito bom. Talvez nem tanto para os fãs da banda.
Virtual XI do Iron Maiden. Lançado em 23 de março de 1998, este é um álbum peculiar por diversos aspectos. Nesse período Stevie Harris perdeu o pai e divorciou-se. A banda continuava com o vocalista Blaze Bayley, que havia decepcionado grande parte dos fãs no disco anterior. Bruce Dickinson e Adrian Smith tinha voltado a tocar juntos e gravaram boas musicas. O álbum anterior havia sido decepcionante. O Heavy Metal estava passando por seu período mais obscuro e incerto. Entretanto, os investimentos em tecnologia, design e as temáticas futuristas fizeram deste Virtual XI um trabalho muito interessante se analisado individualmente. Há de se esquecer que esta banda gravou The Number of the Beast e Piece of Mind. Aliás, não acredito que este álbum seja tão pior que No Prayer for The Dying, por exemplo. Com certeza é muito melhor do que The X Factor. É um álbum, que no seu formato, lembra um pouco The Number..., cor da capa, formato de 8 musicas, climas instrumentais, mas pára por ai, alguns teclados e sintetizadores lembram coisas do Seventh Son. Ainda é Iron Maiden, sem duvida alguma,porém a ausência de Bruce Dickinson e Adrian Smith nunca foram tão sentidas. A produção, como sempre, é irrepreensível. Eu, particularmente gosto do álbum e acho que é muito fácil dizer que é o pior álbum do Iron Maiden e um dos piores da história do Heavy Metal como já vi muita gente escrever e dizer a respeito. Com o tempo a gente passa a entender certas coisas e perdoar quando as bandas que amamos nos decepcionam. Contudo, se Virtual XI está ali naquele momento em que foi lançado e dentro das condições da época, não tira o valor dos outros álbuns e com certeza não teria como haver algo melhor que ele neste caso.
          Deixando claro que essa é a minha opinião a respeito destas obras. Eu particularmente acho Native Tongue o melhor álbum do Poison, que é uma banda que eu não sou fã, mas simpatizo. Da mesma forma acho que o Motley Crue poderia ter mudado de nome ou lançado o álbum com qualquer nome, mas não com o nome da banda e deveria permanecer mais alguns anos com Corabi nos vocais, musicalmente seria interessante. Quanto ao Iron Maiden, é difícil tecer qualquer crítica devido ao tamanho da banda e sua legião de fãs que se renova a cada dia. Entretanto, a banda sempre trabalhou pesado e apostou alto em seus discos, por isso deve-se ter cuidado ao falar que algum de seus álbuns é ruim sem analisar o contexto. Mas, comparando essas bandas com elas mesmas pode-se dizer que Virtual XI e Load são álbuns regulares e Eternal Idol é uma agradável surpresa devido as circunstâncias. Lembrando sempre que para escutar cada álbum basta clicar no título e será direcionado para um vídeo no Youtube correspondente. Porém, dessa vez não consegui achar publicações completas e decentes de três destes discos, por isso não disponibilizei links para acessar o Youtube e escutá-los na íntegra. Mas vale a pena dar uma bela escutada neles, pode ser uma surpresa agradável.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A Verdade do Blues

Decidi escrever está postagem como um mea culpa por ter tentado ignorar o Blues por 20 anos. Isso mesmo. Após todo este tempo tenho parado e escutado artistas como Robert Johnson, Charley Patton, Son House, T-Bone Walker e os antigos bluseiros do Delta do Mississipi dos anos 1920 e 30. Antes de justificar os motivos que fizeram com que eu me interessasse por tal estilo musical, vou explicar porque nunca me interessei por ele. É impressionante como só o tempo nos dá a maturidade para perceber certas coisas. Me sinto abençoado por poder rever certos conceitos. Nesse caso em especial fez com minha mente estreita pudesse abrir e enxergar o óbvio.
Preconceito. Essa palavra define de forma direta o porquê de eu não me interessar por Blues. Tinha na minha cabeça, perturbada por ideais comprados de terceiros de forme débil, que era impossível achar qualidade cultural originária dos escravos negros americanos. Pois é exatamente isso que o Blues representa. Negros pobres, descendentes de escravos das plantações de algodão, que viviam no Mississipi. Me perguntava: _O que teriam estes pobres coitados a me oferecer? Claro que não podia ignorar a influência que bandas de Hard Rock e Heavy Metal sofreram de tal estilo, mas sentar para ouvir e tentar entender o Blues era algo inimaginável para mim. Era muito mais digno pensar que a musica que gostava vinha dos compositores clássicos europeus. Ledo engano. Pobre do homem, que vivendo em condições nas quais o proletariado brasileiro vive, se julga culto e letrado ao ponto de ignorar uma cultura genuína e digna, que alimentou a imaginação dos principais ídolos.
A ficha caiu quando consegui terminar as composições de minha banda. Peguei as dez musicas com baixo, guitarras, vocais e baterias gravadas com todas as partes: introduções, riffs, solos e aquelas temáticas em inglês, coloquei-as numa ordem que considerava coerente e escutei algumas vezes. Depois de vinte anos estudando musica, escutando diversos artistas e tocando com diversas pessoas vários estilos de Rock e Metal, acho que nunca tive contato com uma obra tão ruim. Isso mesmo. Por mais que eu quisesse por a culpa na produção, nos equipamentos, ou no clima durante o processo de gravação, nada poderia justificar um conjunto tão descartável de coisas, pois não dá pra chamar de musica. Não havia alma, envolvimento, não havia verdade naquilo que saía pelos alto-falantes.
No momento que parei e pensei:_É isso que eu quero que me represente como artista? É isso que mostrarei as pessoas que acompanham meu trabalho desde a metade da década de 1990? É essa imundice que os músicos que tocaram comigo e me respeitam irão ouvir quando quiserem saber do meu trabalho? A resposta é clara: Não. Em nada este conjunto grotesco de composições medíocres me representa. Mas onde estava o erro? Independente de alguns riffs de guitarra serem bons, das linhas de baixo interessantes, dos solos de guitarra com técnica e alguma melodia, estas musicas não representavam a minha verdade. Muito pelo contrário. Mostravam um idiota arrogante que gravou musicas como se estivesse se livrando de algo que não serve mais.
Cresci tocando violão clássico com pitadas de musica popular brasileira. Tive contato com bandas como Garotos Podres e Ratos de Porão, que cantando em português diversas musicas, falavam da verdade que dizia respeito a realidade de muitas pessoas. Cresci nos anos 1990 onde havia grande crise financeira e o país ainda se recuperava de um grande período de ditadura militar. Esse garoto que aprendeu a tocar os primeiros acordes em um violão Gianinni com braço descolado emprestado por uma tia, que tocava com guitarra Jennifer e amplificador Staner emprestados também. Que aprendeu inglês traduzindo letras de bandas gringas e que mora em uma vila nos arredores de Porto Alegre. Este menino esperou vinte anos e gravou dez musicas com letras superficiais em inglês, montadas a partir de frases prontas e pensamentos medíocres, cantadas em cima de harmonias distorcidas com arranjos montados nos últimos quinze anos em parceria com dezenas de músicos diferentes. Tinha de tudo ali, menos verdade.
Foi ai que voltei as minhas origens e comecei a refazer as musicas em português acompanhado de um violão e contando a minha verdade. Talvez para quem ouvir essas novas versões, tudo pareça estranho, ruim e descartável, mas para mim, somente agora algumas delas voltam a ter um sentido que um dia tiveram, ou renasçam como um menino que herda uma roupa usada, mas que lhe serve perfeitamente. Lembro que muitas das canções que escrevi ao longo desses anos tinham sua verdade, mas para agradar aos outros ou mesmo se encaixar num determinado formato, foram borrifadas com o veneno da futilidade e passaram a soar como todas as merdas que a mídia quer nos vender, porém sem o marketing e a propaganda do mainstream.
E onde o velho Blues do Delta do Mississipi se encaixa? Exatamente na alma de toda a questão. O Blues daqueles negros sofridos era uma arte genuína, que escorreu de seus semelhantes em forma de suor ou sangue. Contava a verdade de um povo que as vezes só tinha a própria voz para cantar sua dor e desafogar seu peito de todo sofrimento a que era submetido. Quando ouço Robert Johnson cantando e tocando seu violão em uma gravação rudimentar, nada soa mais honesto e verdadeiro. Não interessa quais equipamentos tenho a disposição para gravar, que guitarras, baixos e amplificadores que eu use, se a musica não soar forte e verdadeira apenas no formato voz e violão, não adianta tentar arrancar o timbre perfeito, fazer o solo espetacular, o riff genial ou a mixagem profissional, tudo vai soar como uma grande mentira.
Para encerrar essa postagem, fico pensando como seria se nós, como brasileiros, nos agarrássemos as nossas verdadeiras raízes, que cultivássemos toda a mistura e herança cultural que temos, que déssemos a nossa interpretação para nossa história? Infelizmente não tem como voltar no tempo e restaurar o talento de nossos grandes compositores, assim como não podemos virar as costas para mídia e nos agarrarmos a nossa verdade, pois como brasileiros, ainda não conhecemos realmente qual é a nossa verdade.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

5 Álbuns óbvios de Hard Rock

          Essa semana quero dar uma dica óbvia. Vou indicar 5 álbuns de Hard Rock, mas não quer dizer que sejam os melhores, mas sim os mais óbvios, que quase todo mundo já ouviu milhares de vezes ou ao menos conhece muito bem algumas musicas. O detalhe é que, mesmo sendo clichê, eles são álbuns excelentes, ao menos na minha opinião. Porém muita gente virou o nariz por causa do sucesso comercial deles na época. Há de se ter em mente o tamanha das bandas, antes ou após o lançamento dos trabalhos e sua repercussão. Também outro fator a ser considerado é a produção, normalmente de alta qualidade. 
Appetite for Destruction do Guns N' Roses é excelente. Mesmo com toda a critica em cima da banda e de Axl Rose, este album consegue ser pesado, bem tocado, berm produzido e ser também o endereço onde moram Sweet Child O' Mine, Paradise City e Welcome to the Jungle, três musicas que simplesmente são das mais representativas da história da musica em geral. Lançado em 21 de julho de 1987, para uma cena que já estava super saturada de bandas de Hair Metal, onde Motley Crue e Poison já dominavam as paradas. O Guns, só não conseguiu se destacar em meio a essas bandas como cresceu numa época em que o Hard Rock estava em baixa e o Grunge e o Metal Extremo estavam se espalhando pelo mundo. Possivelmente nessa época o banda era uma unidade composta pelos seus 5 integrantes trabalhando e vivendo para sua musica. Axl Rose ainda não era o ditador paranoico ou ainda não teria o respaldo da mídia para tanto. Todos os instrumentos, assim como os vocais parecem estar na mesma sintonia. Timbres matadores e ótimas canções são o resumo desse clássico do Hard Rock.
Slave to the Grind do Skid Row é o segundo álbum da banda e foi lançado em 11 de junho de 1991. Após um ótimo disco de estréia, a banda de Sebastian Bach pegou carona no sucesso do Guns n' Roses e mostrou ao mundo um disco eclético. Temos desde o peso Hard de Monkey Business e Livin' On a Chain Gang, as baladas radiofônicas In a Darkned Room e Wasted Time, o Punk de Riot Act e a cadência de Mudkicker e Get the Fuck Out. A faixa titulo surpreende com sua pegada quase Thrash Metal. O Grande destaque fica pela voz e a interpretação do vocalista Sebastian Bach, a quem a banda deve muito de seu sucesso comercial na exploração de sua imagem. Pena que ao vivo a banda não tinha a mesma qualidade e isso pode ter prejudicado demais para a sequência de seu trabalho. Os mais radicais não dera\m muita bola para a banda e os fãs de ocasião logo abandonaram o grupo, que acabou tendo diversos problemas acarretando na saída de seu vocalista e hoje toca em bares pequenos e é pouco presente em qualquer mídia, mesmo com o advento da internet.
Whitesnake lançou o álbum com o nome da banda em 4 de abril de 1987 e é o registro onde podemos encontrar Is This Love, Here I Go Again e Still of the Night. O disco é muito bom. A banda já tinha mais de 10 anos de estrada e conta com músicos muito bons e experientes. Destaque para as guitarras de John Sykes e os vocais de David Coverdale. Foi a grande aposta de Coverdale para entrar de vez no mercado americano e obteve grande êxito, pois foi nos  EUA que a banda fez mais sucesso com suas baladas e seu Hard Rock requintado, porém acessível. Com uma produção invejável, grande ingessão de dinheiro por parte da gravadora na produção de clipes e shows, a banda mostrou ao mundo que poderia tocar para multidões e com isso abriu caminho para bandas como Guns N' Roses encherem estádios. Mesmo o Hard Rock sendo um estilo popular desde os tempos do Led Zeppelin, foi nessa fase que esteve em maior evidência para o público em geral.
Lean Into It do Mr. Big  é mais um lançamento que entra no pacote das bandas temporonas de Hard Rock. Em abril de 1991 eles lançam este álbum que traria hits que ficariam famosos no mundo todo. Falo de To Be With You e Just Take My Heart que tocaram incessantemente nas rádios e MTVs da vida no inicio dos anos 1990. Porém, é em Daddy, Brother, Lover, Little Boy e Green-Tinted Sixties Mind que a banda mostra sua maior virtude, o trabalho de Paul Gilberto nas guitarras e Billy Sheehan no baixo. Os caras simplesmente se tornaram referências quase que inquestináveis em seus respectivos instrumentos. Para os mais radicais uma banda como o Mr. Big é motivo de desprezo, mas os instrumentistas em geral admiram a banda pela versatilidade e qualidade nos arranjos, mesmo que Eric Martin tenha uma das vozes mais irritantes do Rock, no pacote acaba encaixando bem. Pat Torpey é um baterista eficiente e faz exatamente o que as musicas pedem, sem exageros.
1984 é o sexto álbum de estúdio do Van Halen e trás Jump e Panamá como carros chefe de um disco diferenciado até certo ponto do estilo da banda. Este também é o ultimo trabalho de David Lee Roth com a banda antes de sair em carreira solo. Aqui Eddie já divide seu incrível trabalho de guitarra com diversas intervenções de teclado como em Jump, mesmo assim o resultado é excelente. Talvez este álbum seja o registro do auge da banda antes dos sucessivos problemas de diversas origens aparecerem fazendo com que a mesma, mesmo sendo incrível, penasse por inconstâncias e equívocos sonoros. Até este disco o Van Halen era 100% confiável. Eddie Van Halen pode ser um pouco menosprezado por uma nova geração que acha que toca tudo porque tem acesso a diversos tipos de tutoriais e dicas da internet. Esse cara foi um dos mais inventivos guitarristas do mundo depois de Jimi Hendrix e sua contribuição para a evolução do instrumento é fundamental. Não é atoa que 9 entre 10 guitarristas de geração seguinte a ele o citam como sendo uma das principais influências. 
          Bom, espero que tenham gostado e mais uma vez peço que deixem de lado o preconceito ou as ideias prontas e simplesmente mergulhem nesses álbuns ouvindo-os com atenção, pois podem surpreender positivamente mesmo sendo tão conhecidos. Afinal, músicos de qualidade não faltam nesses cinco trabalhos. Mesmo tendo sido sucesso de mídia e contando com grandes estratégias de marketing de gravadoras para vender o trabalho dessas bandas, é preciso parar e prestar atenção em todos os detalhes destes albuns, pois são muito bons acima de tudo.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

A mídia atualmente



                    Hoje quero falar a respeito da mídia. Claro que não é texto técnico, é apenas a visão de quem está do outro lado da tela ou na audiência de algum veículo de comunicação. Vou falar a respeito da qualidade dos programas na TV aberta e em outras mídias tradicionais. Mas por quê falar de algo tão supérfluo, aparentemente? Simples. Para minha geração e as anteriores, tanto TV quanto rádio, eram referências quando o assunto era informação e enterimento. Junte-se a isso livros, jornais e revistas diversas. Tínhamos o pacote completo de informações disponíveis nas décadas pré-internet. Também era comum assistir filmes na televisão, para quem não tinha o hábito ou a opção de ir ao cinema. A cobertura de jogos de futebol pelas rádios, noticiários, programas musicais específicos. Eventualmente a TV aberta transmitia algum jogo dos times da cidade para a grande Porto Alegre, mas normalmente eram jogos dos times do eixo Rio-São Paulo. Com o tempo, alguns jornalistas e personagens passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas que tinham acesso a tais ferramentas ou mesmo o hábito de ler jornais, assistir telejornais e novelas. Para aqueles mais jovens, em idade escolar, os bastidores da escola era o grande catalisador dessas informações todas. Acho que o adjetivo supérfluo, usado anteriormente, já pode ser descartado aqui, pois espero ter passado a devida relevância ás formas de comunicação mais tradicionais com as linhas escritas acima, descrevendo a realidade de uns vinte anos atrás.
Pois bem, eis a minha argumentação para tentar trazer a tona algo que está me deixando um pouco desconfortável a esse respeito. Não sei se é pela idade me deixando ranheta, ou uma constatação real do momento. Não posso descartar a idiotice natural da juventude pela mudança da percepção com o avançar da idade. Ao longo dos anos 2000, fui deixando de lado a programação de TV, do rádio e parei de adquirir revistas. Não foi algo premeditado, mas aconteceu gradualmente, de forma bem natural. As rádios já não traziam grande atrativo que fosse me prender á um programa específico ou apresentador. Com exceção das transmissões de futebol, que sempre acompanhei pelo rádio, mas dependia muito das opções do momento. Já tinha meus CDs, minhas fitas cassete, meus LPs e diversos contatos para adquirir as musicas que queria ouvir, sem ter a necessidade de aturar um locutor chato, mais e mais propagandas tentando vender algo e a repetição irritante das mesmas músicas a cada quinze ou vinte minutos. Estava numa fase onde pouca novidade me interessava. Já as revistas que falavam de Rock estavam escassas, e as poucas que tinham, só se encontrava em Porto Alegre. Sem contar que estava de saco cheio de ler a respeito das bandas. Muita coisa que eu gostava de saber de bastidores e histórias dos músicos, soavam tão idiotas e insipientes que me fizeram deixar de ouvir determinadas bandas por um tempo. Entrava em uma banca de revistas apenas para comprar livros sazonalmente ou outra coisa qualquer como cigarros ou balas. Cheguei a consumir revistas específicas para instrumentistas como Cover Baixo e Guitar Class, mas esse hábito durou pouco tempo. Quando chegava da escola no inicio dos anos 2000, costumava assistir ao Programa do Jô. Gostava bastante do formato do programa e de suas entrevistas na época em que ele apresentava o mesmo no SBT. Não havia um critério para a escolha das atrações, normalmente haviam três, mais um musical, bloco de velharias, tudo apresentado com carisma e envolvimento do apresentador. De volta a Rede Globo a coisa ficou mais sem graça, mas ainda apareciam personalidades interessantes, embora a constante presença dos atores da casa, mesmo que as entrevistas fossem de qualidade discutível na maioria das vezes.
Tínhamos programas interessantes em outros canais como TVE e Band, muitos deles bem alternativos, diga-se de passagem, mas o jornalismo variava em tom e enfoque, o que dava uma arejada no contexto. O SBT foi o que manteve um formato mais conservador, com Silvio Santos bancando velhas formas de fazer televisão e atrações como a Praça é Nossa, Hebe, o próprio programa Silvio Santos, Chaves e os desenhos infantis. Porém, muitos humoristas, jornalistas e produtores foram morrendo, e a partir daí a qualidade das reposições ou eram insuficientes ou simplesmente inexistiam. Um claro direcionamento ideológico passou a padronizar o jornalismo e a forma de se conduzir as redações de telejornais e programas de auditório. Até os próprios apresentadores como Fausto Silva, que já era chato na época de Perdidos na Noite, mas eventualmente trazia música ao vivo e convidados interessantes uma ou duas vezes ao ano, passou a ser uma figura insuportável. Morando nos Estados Unidos, ganhando em torno de R$ 1.500.00,00 e fazendo suas piadas sem graça, promovendo artistas da própria Globo ou trazendo pessoas bizarras para fazerem coisas idiotas. O próprio Jô Soares, a pouco teve seu programa diminuído em tempo e recursos, mas a muito tempo contava apenas com atrações Globais como atores, produtores e artistas musicais contratados da Som Livre, que sempre aparecem em tudo quanto é programa da emissora. Por mais que o Jô Soares nunca tenha sido uma referência de intelectualidade, é inegável sua cultura e seu bom humor. Entretanto, parecia um mero fantoche sem criatividade e sem o menor bom senso na hora de entrevistar pessoas de outros nichos, que não eram da televisão ou do jornalismo. É incrível como Luciano Huck, Faustão, Serginho Groismann, Jô Soares, Regina Casé e Fátima Bernardes ficam girando em torno dos mesmos nomes o tempo inteiro. Cada um mais chato e sem o mínimo de auto julgamento. Não há um critério razoável na hora de estruturar um programa, a qualidade é pavorosa. É  tudo uma forçação de barra para se auto promover que chega a ser constrangedor para quem está assistindo eventualmente e que consegue ao menos falar duas frases com certa coerência entre elas. Passa a impressão que a única explicação para um destes programas estar no ar, é poder mostrar comerciais da Coca-cola, Hellmanns, Friboi, Sadia, Perdigão, entre outras. Posso até cogitar que a baixa qualidade intelectual é justamente para deixar o público comum cada vez mais idiota. Ainda se for isso, é justificável. Contudo, acho que pessoas como Fátima Bernardes, Ana Maria Braga, Patricia Poeta, Cissa Guimarães, Otaviano Costa, a lista é grande, são realmente uns retardados que se formaram de forma medíocre em jornalismo e/ou tiveram alguma sorte de serem vistos em alguma passarela e foram colocados nestes cenários. Símbolos perfeitos de um público, que para os donos dos veículos de comunicação, são uma bando de retardados que vão comprar os produtos que eles anunciam.
Pra piorar ainda mais, mesmo com todas as inovações tecnológicas, que permitem uma transmissão com alto padrão de imagem e som, os programas são conduzidos por apresentadores medíocres, como falei acima, e ainda sem vontade, onde fica claro o constrangimento de estar a frente de certas situações, de tão patético que o cenário se mostra. O processo todo parece ser tão mal feito até na condução de coisas mais simples, que não é raro ver falhas bisonhas de roteiros, equipamentos de cenário que falham, atrações sem conteúdo algum e que não acrescentam em absolutamente nada. Isso sem contar a linguagem vulgar, totalmente pobre e cansativa, passando um conteúdo tão raso e sem propósito, intercalando com apresentações musicais deslocadas e oportunistas. Normalmente os temas abordados são sempre os mesmos, discriminações diversas, debates de tabus dos anos cinquenta, educação dos filhos, profissões em evidência, a nova novela, a velha novela, o seriado, oh saco! A mídia como um todo está se tornando algo patético e sem sentido algum, onde impera um péssimo gosto artístico aliado a um senso politico tendencioso e marqueteiro, com uma linguagem pautada pelo politicamente correto, que é algo extremamente irritante. Antes víamos artistas e produtores a frente de programas como Os Trapalhões, depois Caceta & Planeta, que mesmo com algumas restrições de enredo, precaridade técnica se comparado a hoje, tinham ao menos criatividade, carisma e dedicação ao fazer aquilo que faziam. Hoje quem substitui essas pessoas? Em que lugar poderiam estar? O pior de todo esse enorme monte de estrume, é a perspectiva de que não aparecerão novos humoristas e mesmo que apareçam, só poderão fazer aquilo que é imposto para eles. Para isso se paga bons salários, dá-se a garantia de sucesso e estabilidade em troca da independência e poder criativo. Os jornalistas, mesmo que sejam bons, naufragarão no método jornalístico atual e nas mentiras que são obrigados a escrever em prol de patrocinadores e partidos políticos. Se não se dobrarem a isso, só poderão escrever e emitir opinião em pequenos blogs ou outros canais obscuros da internet e com pouca exposição.  
A música brasileira, tão rica em sua essência e ritmo é representada por funks cariocas e sertanejo universitários o tempo todo na mídia. Os MC's da vida e as duplas ou pseudo caubóis de asfalto fazem um arremedo de ritmo, com letras de uma pobreza que deixariam uma criança de 12 anos com vergonha de recitar a frente de sua classe na escola. Mesmo quando tentam trazer a luz fantasmas do passado, trazem o ranço e a caduquice de um Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros nomes mais do que manjados, que não apresentam nada de relevante a trinta anos. A música brasileira que era rica até os anos cinquenta, ficou som com a pecha de diversidade e qualidade atualmente. Não adianta surgirem vários nomes novos e de qualidade, que eles jamais sairão da obscuridade, por não terem espaço nas grandes mídias. Citei a Globo, mas as outras emissoras não ficam atrás com suas atrações bizarras, seguindo o mesmo formato patético e engessado em todos os sentidos. Isso que não mencionei o crescimento das emissoras religiosas, onde além de terem diversos canais dedicados, ainda compram horários em outras emissoras para mostrar exatamente o mesmo formato. Não falo dos evangélicos por intolerância religiosa, mas por tentar usar um padrão tão burocrático e comercial quanto os outros. O que poderia ser um imenso mercado em termos de diversidade, é apenas um único conceito ecoando em diferentes tons e cores, mas que tem a mesma essência, o nada. O quê está acontecendo com os grandes veículos de comunicação? Será que com o advento da internet os investimentos em propaganda diminuíram? Será que as pessoas não assistem mais TV por causa da internet ou optam pela internet por causa da mediocridade da TV? Claro que não. A coisa é muito mais séria. Trata-se de uma estrutura ampla que envolve escolas, faculdades, empresas, governos e interesses externos diversos. Quanto mais idiota o povo for, mais mal informado e iludido, mais fácil de ser manipulado. Ao invés de se buscar tirar as pessoas de áreas de risco em periferias pobres, favelas e lugares dominados pela criminalidade, é mais fácil insistir pra ele que é glamouroso morar na favela, fazer bailes funk com adolescentes rebolando de minissaias e jovens tatuados e cheios de malicia, fazendo suas rimas infantis cheias de palavões. Pessoas como a Regina Casé, que a décadas não sabe o que é pobreza, utilizando de inúmeros recursos lúdicos pra tentar doutrinar uma legião de pessoas que moram nas periferias. Enquanto houver pessoas felizes com a falta de atendimento médico, baixa escolaridade de seus filhos e que fazem vistas grossas para a criminalidade ao seu redor, não tem porque investir em condições melhores para a população mais carente. "Olha, a favela é chique! Favelado agora é importante, está na TV!" Puro engodo para enganar as pessoas e ganhar dinheiro com as dificuldades alheias do cotidiano. É muito fácil falar de divisão de renda e igualdade social quando se está rico e morando num palácio.
O resultado de tudo isso pode ser visto nas ruas, nas empresas, nas escolas, nas faculdades e em qualquer lugar. Sem a informação e a interação de uma mídia ao menos séria, não temos opções de entretenimento, cultura e lazer. Só a exploração idiota da realidade que é maquiada como rica e promissora. Não temos grandes formadores de opinião que instiguem os jovens a pensar e a contestar, apenas agitadores medíocres que atuam como disseminadores de ideias vazias e tendenciosas. Meros fantoches devidamente treinados para noticiar de forma desonesta aquilo que julgam relevante mostrar. Ninguém mais leva a politica a sério, a polícia, o Estado, a crise financeira, a saúde, o caos urbano e a cultura. Tudo parece fazer parte de uma realidade imutável e que na verdade não é tão ruim assim, temos Coca-cola, Walmart, McDonaldos, Casas Bahia, cartões de crédito. Reclama-se, lamenta-se, registra-se nas redes sociais e esquece-se. Por mais que apareçam nos meios de comunicação noticias de corrupção, violência e abandono pelos poderes públicos, a população está anestesiada com o jornalismo ilustrativo, com a cultura debiloide, com a naturalidade da tragédia, que mal comenta a respeito e depois deixa pra lá. Não há mais valores a serem defendidos, pois é mais interessante falar de aborto, homossexualidade, fazer fofoca e conformar-se com a situação. Os protestos são apenas teatrinhos orquestrados por CUT, UNE, MST e outros sindicatos, sem nenhum efeito prático, muito menos objetivos justos. Apenas barulho e depredação gratuita socialmente, mas que é patrocinada por determinados grupos. Assim foi sendo escrita a história do Brasil. Onde guerrilheiros viram celebridades sérias e ocupam altos cargos na sociedade por serem perseguidos e torturados quando tentavam tomar o poder sequestrando embaixadores e assaltando trens. Foi essa mídia que ajudou a escrever uma história onde o medíocre e o bandido são os heróis e quem gera emprego e preserva as instituições são os vilões a serem combatidos.
Você acha que não tem nada a ver com isso? Você paga indiretamente as empresas de rádio e televisão, os artistas, os jornalistas, os políticos e tudo o mais. Nos produtos que compra, uma porcentagem paga vai pra propaganda, ou como você imagina que as emissoras se sustentam? Você acha que os altos impostos que paga ao comprar cada item em qualquer lugar vai para a saúde, segurança, educação e infraestrutura? Você não desligou a TV para ler um livro, pra ficar com sua família ou sair para se divertir? Você se informa apenas pelo jornal Nacional, da Record, do SBT? Acha que eles estão lhe prestando um serviço muito útil? Você desliga a TV ou o rádio apenas para economizar energia elétrica ou ir para o computador assistir as mesmas coisas na internet. Vai fazer algo construtivo ou relevante em frente ao seu micro ou notebook, ou mesmo smart phone? Não. Você vai curtir fotinhos dos amigos, comentar bobagens, assistir videos idiotas ou ler o resumo de uma notícia meia boca que seria mostrada com mais detalhes no jornal da TV, mas mesmo assim não lhe serviria de nada no final das contas. De repente poderia acabar comprando algo anunciado em alguma aba de página com seu cartão de crédito. Saiba que, se a TV aberta e as rádios são pagas para enganar você, na internet isso pode ser ainda pior. Eles pegam seu e-mail, seus contatos e te direcionam apenas para aquilo que vai te agradar. Você estará sofrendo um enorme processo de idiotização e acha que está no controle. Os personagens mais patéticos e idiotas que já surgiram estão com seus canais bombando no Youtube. Suas páginas de facebook tem milhões de seguidores. A internet só é opção para quem tem uma base cultural e intelectual que possa ajudar a separar o que é fake do que é realmente interessante, mesmo assim não é algo fácil. No geral a maioria das pessoas fica assistindo besteiras e jogando do que se informando ou consumindo conteúdo de qualidade, estudar então, passa longe da internet.
Para encerrar. Temos todos os dias noticias de taxistas mortos, assaltos à restaurantes, em paradas de ônibus, roubo de carros, assaltos à residências, estupros, sequestros, mortes e mais mortes, bares fechando, shows ruins com ingressos caríssimos, ou seja, é mais seguro ficar em casa, com as luzes apagadas, entrincheirado atrás de um móvel e com uma espingarda engatilhada. Só assim terá 100% de controle da situação, mesmo assim não há nenhuma garantia. Assistindo a péssima programação da TV, ouvindo as mesmas merdas no rádio ou perdendo tempo no computador, o resultado é uma cambada de zumbis que mal sabe ler, que só se preocupa com bobagens, que vive pelas redes sociais, que se tornam profissionais medíocres e inseguros. O que temos é a perspectiva de uma piora gradual e ininterrupta deste processo de idiotização, pois quanto mais idiota se fica, menos tem a noção da própria idiotice. A mídia em geral, com raríssimas excessões, existe exatamente para garantir que este processo se perpetue.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Os 5 álbuns essenciais do Black Metal

          Decidi fazer esta postagem depois de ter conversado com alguns amigos sobre o Black Metal norueguês. Mais especificamente das bandas do tal Inner Circle. Tal fenômeno cultural, podemos dizer assim, ocorreu na primeira metade dos anos 1990. Há um documentário bem interessante a respeito de tal movimento onde as pessoas envolvidas diretamente com os acontecimentos dão suas versões sobre diversas coisas. Mas não vou me ater a detalhes históricos, vou falar da musica em si.
          Os cinco álbuns que vou citar aqui tem algumas coisas em comum. Todos eles apresentam seus integrantes com os rostos cobertos pelas Corpse Paints. O som é uma desgraceira só. Mas o que mais chama a atenção é a originalidade das bandas. Jovens influenciados pela cultura nórdica e unidos por algo em comum, a musica.
 A Blaze in the Northern Sky do Darkthrone foi o primeiro álbum de Black Metal a ser lançado com a sonoridade característica que o estilo precisava. Isso é comentado e afirmado por membros do Burzum e do Mayhem. Mesmo não sendo o primeiro álbum da banda, A Blaze in the Nortern Sky é a pedra fundamental deste estilo. Lançado em fevereiro de 1992 após ser gravado em agosto de 1991 no estúdio Creative onde o Mayhem já havia gravado o seu Deathcrush em 1987. Inclusive há uma dedicatória a Euronymous na capa do disco por sua importância no cenário musical na Noruega, mais precisamente no Metal Extremo. Foram gravadas seis faixas e a gravação das mesmas é referência até hoje para as bandas mais radicais de Black Metal. A sonoridade é propositalmente rudimentar, onde guitarras, bateria, baixo e vocais são gravados quase que de forma orgânica, sem nenhum tratamento de correção de equalização ou mixagem mais elaborada. É uma obra absolutamente crua. O Darkthrone era formado por Fenriz na bateria, Dag Nilsen no baixo, Zephyrous na guitarra e Nocturno Culto nos vocais e guitarra. E é o guitarrista Zephyrous quem ilustra a capa do álbum.

Burzum do Burzum foi gravado no inverno de 1992 no estúdio Grieghallen e lançado em março do mesmo ano. Foi produzido em parceria com Pytten, responsável por produzir, gravar e mixar todo o trabalho. Count Grishnach gravou todos os instrumentos e os vocais, exceto o solo de guitarra da musica War, gravado por Euronymous. Para muitos o líder do Burzum, Varg Vikernes , é um gênio e uma espécie de referência. Para outros ele é um louco que cometeu alguns crimes e apodrece na cadeia. Assim como o já citado álbum do Darkthrone, este disco tem todas as características sonoras do Black Metal tipicamente Norueguês que nascia um ano antes, porém Varg é mais melódico e melancólico, tanto nos seus arranjos como em seu vocal. Particularmente, embora total pobreza de produção, onde apenas um músico toca todos os instrumentos quase tudo em um take para cada um, usando instrumentos e equipamentos disponíveis e os piores possíveis, os álbuns do Burzum, principalmente este é de uma beleza sombria ímpar para mim. Para quem é metido a tocar todos os instrumentos num home estudio, como este que vos escreve, pode parecer fácil, mas Varg fez isso com a metade da minha idade e em 1992, sem correção de pitch e demais recursos dos Pro Tools da vida.
Diabolical Fullmoon Mysticism foi gravado em abril de 1992, no mesmo estúdio Grieghallen que o Burzum gravou seu álbum. Foi lançado pelo Immortal em 1 de julho do mesmo ano. A capa trás os três integrantes Demonaz na guitarra, Abbath  no baixo e nos vocais e Armagedda na bateria. Não é o meu disco favorito da banda, mas trás aquela sonoridade característica e quase que cuspida dos dois álbuns citados anteriormente. Embora fosse da mesma época e localidade das outras bandas, o Immortal ficou meio afastado das polêmicas e é mais lembrado pela musica e pela imagem quase cômica de seus clipes e arranjos de vocais que as vezes soam engraçados. 

De Mysteriis Dom Sathanas este album do Mayhem é o primeiro album realmente completo da banda que lançou muitos EPs e bootlegs desde 1986. Este álbum na verdade começou a ser criado em 1990 com o vocalista Dead escrevendo as letras. Para a empreitada o guitarrista chamou Snorre Ruch do Thorns e Varg Vikernes do Burzum para o baixo, além de Attila Csihar do Tormentor para os vocais. De Mysteriis Dom Sathanas conta com as ultimas letras escritas por Dead antes de estourar a cabeça com uma espingarda em 1991. Também registra as últimas gravações de Euronymous já que foi assassinado pouco tempo depois das gravações pelo baixista escalado pra gravar o álbum. Este disco trás todo este contexto trágico que resume muito bem o clima da época. Musicalmente ele é uma mescla do Mayhem de Deathcrush de 1987 com a sonoridade que o Darkthrone criara. O baterista é o Hellhammer que mais tarde tocaria em diversas bandas e tambem participaria de algumas mudanças que o Black Metal norueguês sofreria a partir do álbum que citarei a seguir.

 In the Nightside Eclipse é o trabalho mais complexo dessa leva de bandas de Black Metal que surgiam quase que ao mesmo tempo. O Emperor também teve suas polêmicas, tinha uma sonoridade mais densa e trabalhada. Soando como um caos sonoro cheio de teclados e arranjos de guitarra brigando por espaço dentro da música. As letras falavam de de magia e antigos contos nórdicos com sentidos mais profundos. Foi gravado em julho de 1993, mas lançado apenas em fevereiro de 1994. É outro que tem citação a Euronymous, porém motivada por sua morte no ano anterior. Samoth nas guitarras, Ihsahn também nas guitarras e nos vocais, Tchort no baixo e Faust na bateria registraram o que seria o segundo passo deste estilo que mais tarde abriria em outras vertentes.
Espero que tenha resumido de forma justa este curto, mas brutal período da história do Heavy Metal. Lembrando que estes registros são apenas ilustrativos e que considero mais os importantes dentro do contexto. Entretanto existem outras bandas da cena que contribuíram para que os jovens europeus dessem respaldo para este movimento que nasceu no início dos anos de 1990. Clicando nos títulos dos álbuns dá pra escutá-los na integra através do Youtube. Se agradou, a internet está cheia de matérias a respeito de tudo que aconteceu naquela época, tentei manter o foco no lado musical de cada obra nessa postagem. Talvez escreva com mais detalhes sobre alguns fatos em uma próxima postagem.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Nosso tempo...

Vivemos num mundo onde políticos corruptos conseguem quebrar um país gigante com suas inúmeras falcatruas. Onde grandes empresas se mostram ser grandes por causa de suas manobras de caráter duvidoso. Há um ano atrás sediamos uma Copa do Mundo que prometia trazer modernidade e infraestrutura para suas sedes, o tal legado da Copa. Essa era a promessa de nossos governantes para nos manter distraídos e não ver o grande golpe que estava por vir. Pois é, um ano depois sofremos com a crise financeira. O governo que prometeu levar o país a um nível mais alto provou ser mentiroso e incompetente. Nossa saúde pena sem médicos e com equipamentos precários nos postos de atendimento e hospitais. Nossa educação mostra como os recursos vindos dos altos impostos que pagamos todos os dias são usados para outros fins. Isso não aconteceu da noite para o dia. É um legado de anos.
Mas falar de política nunca foi meu forte, aliás nem me interessa muito atualmente. Vai ser sempre aquela análise passional de torcedores de futebol defendendo os discursos cheios de números e estatísticas cuidadosamente elaborados para não dizerem absolutamente nada. O que é pior. Políticos condenados e presos vivem muito melhor em suas prisões do que 99,9% dos trabalhadores honestos do país. Mesmo quando dificilmente são levados a julgamento e são condenados eles não devolvem o fruto de seu roubo a quem padece com a indiferença do estado. Estou mencionando esse cenário político porque quero dar ênfase ao que considero o grande mal da sociedade moderna: O desleixo.
Hoje não se pode falar nada pra ninguém sem sofrer uma ameaça de processo. Vivemos sob a exigência de uma conduta politicamente correta que chega a irritar o mais sensato monge budista. Mas isso só se observa quando se trata de algo relacionado a coisas menos importantes como uma piada infeliz de um humorista sem graça, uma proposta de lei que regulamenta as galinhas caipiras botarem um ovo por dia ou quando uma grande tragédia acontece. Quando se trata de um pseudo artista doente porque aplicou muito silicone ou foi supostamente vitima de bulling na escola a mais de trinta anos, as pessoas comentam de forma contundente, fazem protestos barulhentos, programas de TV fazem longas matérias a respeito do fato, entrevistam especialistas e fazem pesquisas de opinião pública. Há um super dimensionamento de fatos que significam muito pouco em termos de debate e importância social.
Porém, coisas como educação, saúde e segurança, mesmo tendo grande exposição na mídia, afetando diretamente o cotidiano da sociedade e fazendo com que o país afunde a cada dia mais no precipício da apatia, são tratados com um conformismo trágico pela sociedade, como se não se pudesse fazer nada a respeito. Adolescentes são atropelados porque não olham para os lados ao atravessar uma avenida movimentada e sequer ouvem as buzinas dos automóveis por que estão com fones nos ouvidos. As redes sociais são usadas para reunir pessoas que sequer se incomodam em puxar assunto com alguém sentado ao lado numa viagem de quatro horas. O que mais inunda a nuvem é gente mandando selfies só para gerar curtidas ou comentários em suas páginas. Ninguém se preocupa em saber de nada, simplesmente dizem: “Quando precisar eu consulto na internet, quando eu precisar.”
São essas pessoas, que tem tamanha coragem de entrar em debates vazios onde não correm risco algum apresentando argumentos vazios para defender teses ridículas sobre assuntos irrelevantes, que governarão o país, cuidarão de nossa saúde, pilotarão os aviões e educarão nossos filhos e netos. Se hoje já sofremos o que sofremos mesmo tendo um passado de repressão e tortura, onde nossos direitos eram negados e mesmo assim geramos um país tão debilóide, imagine o que os escravos da tecnologia de hoje, que vão a shows para filmar bobagens, tirando fotinhos pra ficar postando nas redes sociais, que baixam PDFs de grandes obras literárias que nunca vão ler ou baixam discografias completas de bandas que jamais irão escutar. O que esse perfil de pessoas poderá contribuir para as futuras gerações? Haverá um grande despertar?
Esse é o nosso presente, o perfil de mundo em vivemos. Onde tudo é exposto, compartilhado e ao mesmo instante descartado e ignorado. Um mundo onde não há respeito, nem amizades verdadeiras. Onde tudo se proíbe, mas nada se executa. Onde tudo é julgado, mas nada é condenado. Onde o que é condenado não passa de encenação e rapidamente é esquecido. Onde a criatividade é usada para requentar e banalizar o que já foi feito. Um tempo em que tudo aquilo que era fruto de virtude e caráter, não passa de fingimento e fraqueza. Onde um gesto de gentileza é tratado como algo patético e demonstrações de amor e carinho nada mais são do que impulsos de carência e luxuria. 
Vivemos num mundo em que todos os risos são cínicos e as promessas são sempre mentiras descaradas. Chegamos ao cumulo de demonstrar coragem ao exibir nossas fraquezas infantis para todo mundo em troca de demonstrações cínicas de piedade de quem sequer sabe o que essa palavra significa. Somos incentivados a agir com naturalidade frente ao homossexualismo, ao fanatismo religioso, as diferenças de classe e etnias, para que também sejamos passivos frente a roubalheira, corrupção e o desprezo social e cultural a que somos expostos todos os dias. 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Cinco álbuns referência para o Punk Rock

Antes de escrever qualquer coisa a respeito dos álbuns que vou citar, quero deixar claro que não sou um profundo conhecedor do estilo e nem defendo esta ou aquela tendência punk, se é que ainda existam punks engajados em alguma coisa. Também não defendo nem sou contra nenhum movimento que tenha ocorrido aqui no Brasil ou no exterior. O objetivo aqui é falar das músicas produzidas por algumas bandas. Como qualquer outra vertente musical que tenha marcado época, o movimento punk trouxe uma valiosa contribuição, tanto musical como estética, para as gerações posteriores aos anos 70. Atitude rebelde, letras que refletiam o que estava acontecendo no cenário político, drogas e conflitos de gangues sempre estiveram inseridos no contexto punk. Há uma literatura bem rica a respeito do movimento e alguns documentários interessantes que podem ilustrar bem melhor esse cenário do que qualquer texto que eu possa escrever. Não posso negar e nem quero minha preferência por Heavy Metal, isso pode até ressaltar ainda mais o trabalho dessas bandas, pois influenciaram muitas bandas de diversos estilos musicais ao longo dos anos. Vamos nos concentrar na musica em si. Então vamos aos álbuns:
Fresh Fruit for Rotting Vegetables dos Dead Kennedys foi lançado em setembro de 1980 e contava com Ted na bateria, Klaus Flouride no baixo e East Bay Ray nas guitarras. Este último também responsável pela produção durante as gravações no estúdio Mobius Music nos meses de maio e junho de 1980. A capa deste álbum mostra vários carros de policia sendo incendiados durante o "White Night Riots" que ocorreu em 27 de novembro de 1978, data em que o ex-supervisor de San Francisco Dan White, assassinou o prefeito George Moscone e o supervisor Harvey Milk.Talvez a banda não tivesse tanta relevância no cenário musical se a frente dos músicos citados acima não estivesse Eric Reed Boucher, ou simplesmente Jello Biafra. Não vou entrar em detalhes sobre a vida e a obra do polêmico vocalista, isso mereceria um capitulo a parte, para o momento basta citar que é a voz dele e suas ideias que estão presentes em Kill the Poor, California Uber Alles e o hino Holiday in Cambodia. Jello foi e ainda hoje é um personagem muito polêmico e de opiniões fortes a respeito da politica e da sociedade em geral, e a banda acabou sendo a plataforma perfeita para ele difundir suas ideias. O álbum conta com uma sonoridade homogênea e bem produzida para um grupo punk, o que torna Drug Me e Your Emotions, junto com as três faixas já citadas acima ainda mais interessantes. Tive alguns amigos adeptos do punk e Dead Kennedys sempre foi uma referência assim como este álbum é um dos mais importantes na história do Punk Rock e Hardcore mundial.
Never Mind On The Bollocks dos Sex Pistols lançado em 1977, mais precisamente em outubro no Reino Unido e Novembro nos Estados Unidos poderia ser facilmente um álbum dos Rolling Stones ou de qualquer outra banda clássica do Rock tal sua importância para diversas gerações não apenas do punk. Neste álbum Johnny Rotten nos vocais, Steve Jones nas Guitarras, Sid Vicious no baixo e Paul Cook, deram ao mundo Liar, Problems, Submission e os clássicos God Save the Queen e Anarchy in the U.K. tão regravadas e copiadas por diversos artistas dos mais variados estilos. O fato é que as polêmicas envolvendo a formação inicial da banda, o surgimento da figura mitológica de Sid Vicious e a total devoção dos punks a esta obra transformaram-na em um álbum musicalmente muito bom, uma obra de arte e um clássico do Rock de todos os tempos. Assim como os Dead Kennedys, há fontes melhores do que eu para falar a respeito da banda, quero apenas destacar este grande disco que consta na lista dos meus favoritos.
Rocket to Russia é um álbum dos Ramones que eu sinceramente não gosto. Parece estranho falar assim, sendo que essas listas são bem particulares e emitem apenas minha opinião. Mas explico:  Esse álbum é de uma banda Punk anterior ao movimento Punk, tem uma sonoridade mais suave e simplória em termos de produção, porém algumas músicas como Rockaway Beach, Cretin Hop, Sheena is a Punk Rocker, Teenage Lobotomy e Surfin’ Bird são tão importantes para tudo que aconteceu musicalmente nos anos seguintes que é impossível negar a relevância desse álbum. E mais do que isso. Esse disco foi importantíssimo para que a banda se tornasse tão popular até hoje e siga viva nos corações dos roqueiros em geral já que todos os envolvidos no processo de gravação deste album estão mortos. Por isso mesmo, fica aqui minha homenagem a Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy que decidiram romper com os excessos do rock dos anos setenta para fazer um som simples, intimista e inteligente que cativou e ainda cativa milhões de pessoas de diversas gerações.
Brasil do Ratos de Porão é genial e único. Lançado em 1989 esse álbum conta com João Gordo nos vocais, Jão na guitarra, Jabá no baixo e Spaghetti na bateria. Podem falar mal do seu vocalista por vários motivos, dizer que a banda não é punk, e o que mais ouvi nesses anos todos. Mas quando se escuta este álbum, que foi gravado na Alemanha e representa uma fase mais popular e madura da banda, percebesse uma temática extremamente fiel e representativa do cenário político e social do Brasil naquela época. Já a sonoridade é agressiva e bem produzida para os padrões do punk rock brasileiro. Este álbum é uma referência para mim até hoje em termos de sonoridade e continua cada vez mais atual em termos de letra. Quem se despir de preconceitos de qualquer tipo e apenas saborear o álbum saíra com a alma lavada e com a sensação de que os seus 30 minutos de duração passaram tão rápido que mal deu pra processar toda a informação apresentada. A sonoridade remete as bandas crossover, mais Thrash Metal que realmente punk, porém de forte conotação contestatória politicamente.
Canções para Ninar dos Garotos Podres. O que esperar de um álbum gravado e lançado em 1993, produzido por Roger Moreira do Ultraje a Rigor e com este título? Bomba! Mas neste caso estamos falando de bomba no bom sentido, pois Mao nos vocais, Mauro na guitarra, Sukata no baixo e Português na bateria formam uma banda do punk rock paulistano das mais importantes de todos os tempos. Com letras geniais e sonoridade polida na medida certa, este álbum não representa nenhum movimento específico. É apenas um álbum brasileiro que reflete de forma honesta todo o sentimento que estava habitando cada brasileiro no início dos anos 90. Juntamente com Brasil do Ratos já citado nessa postagem, este ótimo álbum também pode ser considerado um registro histórico de todo sofrimento e humilhação que o povo brasileiro sofre graças a seus governantes corruptos e trapalhões. Não tem como não entrar num túnel do tempo ao ouvir Fernandinho veadinho e parar no início dos anos 1990. Surfista de Pinico ilustra muito bem muitas pessoas daquela geração, sem contar a fantástica Oi, tudo Bem?
Não busquei aqui contar a história do punk ou ser justo ao avaliar cada obra. Apenas citei cinco álbuns que bateram forte pra mim musicalmente e para outras pessoas que nada tinham a ver com o movimento punk, mas que foram sugadas para dentro desta ideologia de certa forma e assimilando algumas de suas ideias. Bandas como Cólera, Inocentes, Olho Seco entre outras, podem representar melhor o cenário punk nacional para os entendidos ou envolvidos diretamente com os movimentos, mas para mim, os dois álbuns nacionais citados são obras excelentes e até certo ponto subestimadas pela maioria. Em relação ao cenário internacional, poderia ter citado o álbum The Massacre do The Exploited no lugar de Rocket to Russia, mas seria incoerente com meu critério, pois o citado álbum é mais Metal do que Punk e sequer representa muito bem a carreira da banda, prefiro apenas a sonoridade mesmo. Isso seria algo muito particular e não somaria aos leitores. Também devo uma menção honrosa a GBH, Rattus, The Clash, Misfits, Stooges e mais uma dezena de outras bandas que tiveram suas importâncias no cenário mundial influenciando diversas gerações, mas como a ideia é "as minhas cinco indicações", ai estão elas. Bom proveito.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

As picaretagens do show business

Essa postagem é dedicada a todas as pessoas que baseiam suas opiniões como:_ “Não se faz mais música como antigamente!” _Em coisas, sim coisas e não atrações, que são expostas nas rádios e principalmente na TV. Para ilustrar vou contar uma historinha das antigas:
“Era uma vez, no final da década de 1980 mais precisamente, uma dupla de rapazes bonitões, que aproveitando o cenário propício na música pop, resolveram ingressar no mundo do show business musical. Acharam alguém para bancar a farsa toda, montaram um visual, pagaram alguém para gravar suas supostas vozes e mergulharam no mercado de cabeça. Aconteceu que muita gente comprou essa farsa e a dupla fez sucesso, chegando até a ser premiada pela sua música. Porém, em uma apresentação frente a 80.000 pessoas a porcaria do playback estragou durante uma das músicas e a farsa foi revelada. A dupla foi ridicularizada, perderam seus prêmios e ainda foram processados. Resultado: Os envolvidos foram jogados na vala do ostracismo, sendo lembrados apenas como motivo de chacota, tiração de sarro.”
O pior de tudo isso é que este fenômeno da picaretagem existiu de verdade e chamou-se Milli Vanilli. Uma dupla formada por Fab Morvan e Rob Pilatus, este último suicidou-se em 1998 devido a vergonha pelo ocorrido. O incidente do playback foi verdade e pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=VXW9jVV58Og.
Mas qual a relevância que isso poderia ter hoje ao ponto de eu escrever essa fatídica história? Simples. Com o passar dos anos o playback foi um recurso que começou a ser inserido de forma gradual nos shows. Primeiro com bases pré-gravadas de instrumentos e vozes adicionais, depois com parte dos instrumentos reais e com a inserção de DJ’s em alguns estilos. Parecia ser um nível aceitável até então. Um recurso a mais para requintar a apresentação. Faço um comentário a parte citando artistas que apareciam nos programas de TV, normalmente cantores e usavam playbacks da parte instrumental para deixar mais cômodo e facilitar a organização, pois muitas vezes o cantor apresentaria apenas uma canção. Outros músicos levam suas bases pré-gravadas para workshops de guitarra, baixo, bateria para demonstrar suas habilidades sem ter que carregar consigo outros músicos que inviabilizariam tais eventos. Vá lá, tudo bem fazer isso. O legal seria se tudo fosse ao vivo, dando espaço para músicos profissionais trabalharem, mas ainda está razoável.
Então o premiado astro juvenil Justin Bieber acaba vomitando no palco durante um show e sua voz permanece igual, cantando a música como se nada tivesse acontecido. Tudo por causa do playback. https://www.youtube.com/watch?v=ALMNFBLYRHQ.
Aí vem Madonna, Britney Spears, entre outros, todos apadrinhados pela mídia e confessam o uso de playback para justificar a qualidade do show. Dizem que se o artista cantar e dançar realmente durante todo o show ele não aguentaria meia hora. O incrível é que, além de não conseguirem sequer produzir um trabalho descente, ainda vendem um show dublando a si próprios. Não sei se isso me incomoda porque venho de um tempo onde o legal era ver a coisa ao vivo, orgânica, aquele momento único congelado no espaço ou por que eu não evolui com o restante das coisas e estes conceitos estejam fora de moda.
Outra cafajestada é o tal programa Super Star da rede Globo, que mente ao dizer que busca novas bandas de sucesso, mas que não exibe nada a mais que um show de horrores em Playback, chegando ao ponto de começarem uma apresentação com música errada tendo que parar e começar de novo, cantores pararem de cantar pra chorar sem que a voz seja afetada e por aí vai. Jurados que fingem que aquilo tudo é ao vivo e que estão presenciando apresentações arrebatadoras.
E ai eu volto ao início da postagem. Essa é a sua referência na hora de avaliar a música atual? Essa mídia picareta controlada por administradores gananciosos e que não entendem nada de arte? Se sua resposta for sim, você está tendo exatamente o que seu comodismo merece, apreciando um show de aberrações que ganha milhões com a sua audiência. Se você realmente gosta de música não vai ficar preso ao que é entregue nesse pacote fedorento. Nada que preste pode vir dessas pessoas que só querem vender anúncios em seus canais. Se quer mesmo apreciar boa musica, com certeza precisa garimpar novos nomes, frequentar os raros bares que tocam música ao vivo, coisas que são normais para quem realmente quer encontrar algo de qualidade. Melhor ainda, deixe esses artistas em paz para não corrompe-los até eles morrerem de fome ou usarem a música apenas como hobbie e trabalharem paralelamente num emprego formal, é mais digno para eles. Mas faça um grande favor: Feche a boca e não comente a respeito de música. Assista seu Ídolos, Esquenta, Super Star, quietinho no seu canto ou com seus comparsas entocados em algum lugar. Por favor, não fale mais que a música de hoje não presta e que a de antigamente que era de qualidade, pois sua referência é imbecil e ofensiva a quem realmente leva a arte a sério.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Cinco álbuns importantíssimos de Death Metal

Para mais uma daquelas postagens falando de álbuns que considero interessantes e que eu recomendo, vou falar de cinco álbuns de Death Metal que eu escutei umas 1000 vezes cada um.
Em primeiro lugar gostaria de dizer que por uns cinco ou seis anos o Metal Extremo era quase uma obsessão para mim. Comprava toda e qualquer revista que tivesse uma matéria falando de bandas de Death Metal, Black Metal, Grind Core e Splatter. Cheguei a me tornar radical ao escutar música tal era minha fascinação. Dificilmente ouvia outra coisa a não ser bandas similares as que citarei abaixo. Uma das coisas que me levou a conhecer o estilo foi um vídeo da gravadora Earache que assisti em VHS quando tocava na banda Desaster no início dos anos 90. Nele apareciam várias bandas que pertenciam ao selo que dedicou uma atenção especial ao crescente cenário.
Altars of Madness do Morbid Angel: Foi gravado e mixado no Morrisound Recording em Tampa no estado da Florida. Ele foi lançado no dia 12 de maio de 1989 pela Earache Records. Este é o primeiro álbum oficial da banda, já que o primeiro gravado por eles foi engavetado pela gravadora. O que se ouve é um Death Metal rápido e com frases dobradas de guitarra muito marcantes como em Visions From the Dark Side. A velocidade da bateria é impressionante e fez com que Pete Sandoval fosse alçado a referência nas baquetas do Metal Extremo. A sonoridade verificada em musicas como Immortal Rites e Chapel of Ghouls era única até então. Trey Azagthoth e Richard Brunelle rechearam as composições com guitarras rápidas e cheias de solos velozes enquanto David Vincent urrava suas blasfêmias com um vocal rasgado e rouco. Este álbum foi e ainda é uma grande influência, embora o surgimento de muitas bandas do estilo e as próprias mudanças sonoras e de formação tenham tirado um pouco a banda do topo do estilo que alcançou nos anos 1990. 
Deicide do Deicide: É mais um álbum fantástico e foi gravado no mesmo estúdio Morrisound Recording que o Morbid angel gravou seu Altars of Madness. Lançado em 25 de junho de 1990, este álbum era comparado ao Reign in Blood do Slayer devido a sua importância no cenário metálico da época. Rápido e pesado, apoiado em um marketing pseudo satânico, que fez com que o vocalista e baixista Glen Benton anunciasse que cometeria suicídio aos 33 anos e queimasse uma cruz de ponta cabeça na testa, o Deicide lançou essa obra-prima do Metal. São 33 minutos de músicas intensas e de vocais dementes que podem ser conferidos em Dead by Dawn, Sacrificial Suicide e Carnage in the Temple of the Damned. O álbum abre com o som de portais se abrindo e encerra com eles se fechando. Eric e Brian Hoffman são guitarristas muito competentes e fazem um trabalho perfeito ao misturar peso e agressividade. Steve Asheim completa o time com baterias velozes e precisas que não perdem em nada para Pete Sandoval. 
Necroticism - Descanting the Insalubrious do Carcass: é um álbum que acrescentou melodias Heavy e levadas mais complexas ao Splatter em seu lançamento no dia 30 de outubro de 1991. Sendo o terceiro álbum oficial da banda, foi o responsável pela notoriedade que alcançaram dentro do cenário metálico da época. Eles promoveram sua melhor composição, Incarnated Solvent Abuse, com um clipe meio amador, mas o lançamento do mesmo na mídia fez com que alcançassem uma notoriedade, não tão precoce quanto Morbid Algel e Deicide, mas com a mesma proporção. Corporal Jigsore Quandary é excelente também em um álbum quase que totalmente homogêneo. A banda contava com Ken Owen na bateria, Jeffrey Walker no baixo e nos vocais, Bill Steer e Michael Amott nas guitarras. 
Tomb of the Mutilated do Cannibal Corpsefoi gravado no mesmo estúdio em Tampa na Flórida que os já citados no Morbid Angel e do Deicide, sendo que Scott Burns produziu o Cannibal e a banda de Glen Benton. É inegável a importância da região da Florida para o Death Metal mundial, sendo que sucessivamente as bandas da região gravavam álbuns a cada dia melhores. 22 de setembro de 1992 foi a data de lançamento de Tomb of the Mutilated. Assim como o Carcass, este é o terceiro álbum dos caras. Entretanto, os seus dois antecessores tinham a mesma ou até maior qualidade que este, porém foi aqui que a Metal Blade conseguiu fazer frente aos lançamentos da Eareche. A banda conta com Chris Barnes nos vocais, Jack Owen e Bob Rusay nas guitarras, Alex Webster no baixo e Paul Mazurkiewicz na bateria. As composições possuem o mesmo peso e velocidade comuns as bandas citadas anteriormente, porém o baixo é muito mais presente e trabalhado. A temática das letras vai de encontro ao estilo do Carcass, embora não sejam tão cheias de expressões médicas. O mais notório para a banda são suas capas de um censo estético doentio, mas perfeitamente apropriado para o estilo. 
Individual Thought Patterns do Death: é o álbum mais impressionante da década de 1990 e um dos melhores álbuns de Metal de todos os tempos. Coincidentemente a banda é da Flórida, gravou no Morrisound Studios e teve como produtor Scott Burns. Lançado em 22 de junho de 1993 este é o quinto trabalho da banda de Chuck Schuldiner. Death sempre foi uma banda com certa identidade, mas que foi amadurecendo musicalmente com a passar dos tempos e as mudanças de formação. Neste surpreendente Individual..., Schuldiner convocou Andy LaRocque para guitarra, Stevie DiGiorgio para o baixo e Gene Hoglan para bateria. Se Alex Webster colocou o baixo em evidência no Death Metal, Stevie DiGiorgio utilizou um baixo fretless e construiu linhas e solos que remetem a Jaco Pastorious nos melhores momentos, porém, numa banda de Death Metal. Se a velocidade não é tão intensa quanto nas bandas supracitadas, Gene Hoglan fez levadas tão intrincadas e técnicas que deram ao álbum uma estética jazzística. Letras que remetem ao lado mais obscuro da psicologia humana. Músicas como Overactive Imagination, Jealousy, Nothing is Everything e a fantástica The Philosopher levaram a banda a um outro nível de importância e respeitabilidade que só se comprovaram nos álbuns seguintes até a morte de Chuck no final dos anos 1990. 
A princípio eram estes álbuns que gostaria de apresentar aqui. Gosto muito deles e colocaria entre os 50 álbuns mais legais que já ouvi. É impressionante como a região da Florida pode presentear o mundo com bandas de um estilo tão particular e de uma qualidade acima da média. Death, Cannibal Corpse, Carcass, Morbid Angel e Deicide são bandas essenciais para a sobrevivência do Metal nos anos 1990, época em que o Grunge nascia e se popularizava e que o Thrash Metal ia mal e o Heavy Tradicional estava tão desfalcado ao ponto de Judas Priest e Iron Maiden trocarem de vocalistas. Repare também que os lançamentos dos álbuns foram em anos sequenciais e posso dizer que acompanhei isso quase que em tempo real. Afinal, tudo chegava ao Brasil com um ou dois anos de atraso. Vale uma menção honrosa ao Utopia Banished do Napalm Death, que também tinha muita força na época.
Claro que o Death Metal não nasceu com estes álbuns e também não se resume a estas bandas. Temos o Obituary com seu magnifico e original Slowly We Rot, o Paradise Lost com Gothic, o Pungent Stench, Entombed e as bandas de Black Metal da Noruega. Em determinado momento o Thrash e o Death se fundiram praticamente, apareceram outras derivações. Mas isso já vai muito além do proposto aqui. Ouçam os discos e tenham uma aula de Heavy Metal da maior categoria.