domingo, 13 de setembro de 2015

Cultura

         
          A cultura sempre foi a vitima favorita dos conquistadores de todas as épocas. A primeira ação de um exército que invadia outra pátria sempre era destruir a cultura do povo conquistado. Faziam isso porque essa ação era a mais violenta que poderiam cometer contra quem estavam lutando. Destruir os deuses e os objetos sagrados tinham um impacto, não só físico, mas também emocional e religioso. Tentar apagar coisas que lembrassem o povo de sua origem, a longo prazo, era a ação mais eficaz contra qualquer tipo de revolta. Imagine para um povo mais primitivo ter a ideia de que seus deuses os abandonaram. Como passar para as gerações seguintes os costumes e as tradições sem ter seus totens, livros e toda a simbologia que representa a cultura de um povo? È impossível. Foi isso que os europeus fizeram quando chegaram a América. Destruíram vilarejos inteiros, mataram crianças, catequizaram os nativos para facilitar sua escravização. Ou seja, destruíram suas culturas o máximo que puderam para se apropriar das riquezas da terra. Na Europa sempre foi comum esse tipo de aniquilação cultural a cada guerra, a cada invasão praticada por um povo a uma pátria de cultura diferente.
                    A mais notória característica dos cristãos era exatamente transformar o deuses de outra cultura em demônios ou coisas do tipo. Como se não bastasse ainda construíam igrejas em locais estratégicos, de valor histórico ou grande simbologia para cultura religiosa de um povo. Essa pratica, não só destruía culturalmente um povo, abalava sua fé e auto estima, como servia de provocação e demonstrava realmente uma caricia ao ego inflado dos conquistadores. Isso transformou a igreja no maior moedor de cultura de todos os tempos. Não bastava usar o nome de Deus para justificar morte e destruição, usavam o cristianismo para fazer lavagem cerebral nos povos de cultura mais rudimentar. Com essa pratica podiam roubar livremente o que encontravam e dizimar cidades inteiras, afinal as leis e Deus estava do lado deles. Tudo isso fez da igreja católica a entidade mais rica e poderosa até o século IXX.
                    Escrevo tudo isso porque estamos celebrando a cultura regional aqui no Rio Grande do Sul por esses dias e cabe um reflexão sobre o que tudo isso significa em termos práticos principalmente. E difícil alguém fazer a relação entre os problemas sociais e a cultura. Talvez até o termo cultura seja um pouco um pouco obscuro para as mentes subdesenvolvidas de hoje. Todos estão mais preocupados em operar seus smart phones, compartilhar bobagens que encontram na internet pelas diversas redes sociais, estudar de forma penosa em uma das deficientes entidades de ensino e trabalhar de forma displicente em seus empregos. Diante dessa realidade fica difícil dedicar um tempo a descobrir o que é cultura realmente, quanto mais dedicar-se a alguma específica. Hoje toda a demonstração cultural parece forçada e até mesmo patética. O governo vê o nível cultural do povo como sendo o maior incentivador de suas praticas corruptas. Se assim não o fosse haveria maior respeito e dignidade na vida pública e os problemas sociais seriam encarados de forma séria e refletiriam na cultura popular. Como se percebe, é um ciclo que se influencia mutuamente, hoje para o mal. 
         
          São cinco pilares que fundamentam uma formação cultural. A educação, a religião, a economia, a politica e a ciência. Esses cinco pilares se inter-relacionam para se reforçarem e estruturarem um cultura. E dever de cada indivíduo preservar sua cultura, mas sem interferir na cultura de outras pessoas, regra essa que tem sido ignorada de geração em geração.  educação é o primeiro item a ser tratado, pois é através dela que as regras de convívio, a ciência, a linguagem e os valores são compartilhados. A educação é fundamentalmente a prática do respeito e começa em casa. Um bom pai e uma boa são aqueles que educam seus filhos para respeitarem as leis de convívio doméstico e social. O governo trata a educação como sendo apenas números que mostram apenas a quantidade de escolas, a quantidade de alunos e o dinheiro gasto para que existam. Todas essas informações exemplificadas em gráficos sofisticados e complexos, descritos com toda uma simbologia e linguagem particular para confundir os leigos. Como tudo no ambiente politico, há um empenho enorme em mascarar dados para encobrir a roubalheira, que se fosse direcionado para resolver um dos problemas sociais que assolam a população, a vida seria muito mais digna. Claro que se os governantes investissem realmente em educação e cultura, não teriam essa enorme massa de manobra para explorar de todas as formas possíveis.
                     A educação é a base de tudo como expliquei no paragrafo acima. Através dela os costumes religiosos são preservados, a politica é usada com objetivos dignos e não corruptos como hoje. A ciência é desenvolvida para tratar das descobertas e projetos que façam com que a comunidade evolua. A economia é o resultado do trabalho e do nível estrutural da comunidade. Toda a característica econômica de uma comunidade deve ser projetada e desenvolvida para atender as necessidades e explorar o real potencial do local. Se prestarmos atenção essas características citadas acima encaixam muito bem as tribos nativas da America pré-colombiana. Claro que haviam seus problemas, mas como seria a vida hoje se cada um ficasse no seu quadrado e não houvesse essa profanação cultural? Percebe-se que cada movimento provoca o atrito reativo de um seguimento contra o outro. Essa é a real cultura de hoje. Tudo está sendo direcionado para o caos absoluto. Políticos roubam até que a população seja jogada a um nível onde a criminalidade é o único fruto realmente fértil. O exemplo vem de cima e cada um rouba do jeito que pode, seja desviando verbas publicas, seja assaltando nas ruas com facas de cozinha ou armas de baixo calibre. 
                    O resultado é claro. Temos uma geração de retardados que não se incomodam em ficar em casa vivendo através de seus computadores e smart phones. Esses mesmos, quando saem de casa são vitimas da violência social, que mesmo não incentivando diretamente, colaboram com seus movimentos egoístas atras de curtidas e popularidade internética. Como cultivaremos algo estando longe um dos outros? A cultura vive da interação das pessoas em torno de algo que querem perpetuar e servir como base e legado da sua existência e que caracterize sua rouba, sua ideologia, suas crenças e suas conquistas. Portanto, fica esse desabafo para reflexão. Cultura não é livro, não é entidade e não é politica, muito menos cor de péle. Cultura é a vida de cada dentro de uma coletividade. Isso gera música para serem gravadas e cantadas, histórias e pensamentos para serem escritos nos livros. Ciência e engenharia que constrói nossos prédios, casas e ruas, tratam nossas doenças e facilitam nossas vidas. Então já passa da hora de fingir que nossa geração é abençoada por viver em uma época em que a globalização e a tecnologia permite um grande mergulho num mar de informações. Isso de nada serve se não aprendemos nada com isso.
   

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Simplificando as coisas

         
          Estou escrevendo essa postagem para falar de um assunto que sei que o pessoal que trabalha com áudio curte bastante, pois é a respeito de equipamentos de áudio e DAWs. Quem acompanha este blog e meu trabalho sabe da minha satisfação em relação aos produtos da Steinberg/Yamaha e isso não mudou. Continuo recomendando essas marcas pelo conjunto da obra. O Cubase, por exemplo, vem totalmente em português. Fora a fama dos teclados, periféricos, mixers e monitores da Yamaha. Entretanto, me desfiz de alguns produtos como meu Cubase 8 Pro, um compressor e um patchbay. Claro que apenas o software é da Steinberg, o compressor é DBX e o patchbay da Behringer. Mas, também anunciei pra venda minha interface Steinberg UR 44, meu mixer Yamaha MG166c e meus controladores Steinberg da linha CMC, entre outras coisas. Faço isso pela necessidade de dinheiro (sempre presente, como todo brasileiro honesto) e porque são equipamentos bem atuais e de grande qualidade para ficarem num canto e serem utilizados eventualmente até se danificarem ou tornarem-se obsoletos. A seguir tentarei explicar o contexto que me levou a tomar essa decisão e que pode servir de informação útil para quem é músico, compositor ou tem um home estúdio, mas principalmente para quem está começando a adquirir equipamentos e está meio perdido a respeito do que comprar ou deslumbrado com algumas idéias que podem se mostrar frustrantes no futuro.
         
          Estou vendendo os equipamentos que citei acima e mais alguns por diversos motivos, alguns deles já citados. Mas os mais importantes e pessoais são os seguintes. Foco e mercado. Acho que é normal, para quem inicia seus trabalhos com audio, pensar além das reais necessidades de momento ao se programar e projetar seu home estudio. Mesmo tendo a limitação financeira, há sempre a possibilidade de se comprar muito menos do que se gostaria, mas mais do que realmente se precisa, em resumo. Fora a ignorância comum dos iniciantes, há também certa arrogância ao achar que já pode sair agregando os clientes de estúdios próximos que tem equipamentos melhores. Relembro aqui que estamos falando de home estúdio, aquele cantinho ajeitado para registrar ideias e fazer experiências, e não um estúdio para gravar diversas bandas e ganhar muito dinheiro. O erro mais importante eu acabei cometendo exatamente nesses moldes. Não que achava que iria gravar alguém além de mim, mas negócios de ocasião e curiosidade fizeram com que perdesse tempo de aprendizado e dinheiro. Lá atrás, quando comprei minha zoom G2.1u que veio com o Cubase LE 4, poderia ter direcionado meus esforços em otimizar as possibilidades ali á mão por R$ 300,00 aproximadamente. Porém pensava em outros recursos, outras ideias de produção, outros equipamentos e aquilo parecia muito pouco pr scir meu ego. Mas tinha um pedal de guitarra com um bom chip de processamento, que poderia funcionar como uma interface de áudio USB, que vinha com loops de bateria e diversas possibilidades sonoras. O Cubase incluso trazia alguns plugins básicos e algumas possibilidades interessantes de produção. Mas pegava mal gravar no meu pedalzinho Zoom e meu computador meia boca.
          Ai adquiri informações, tentei migrar para soluções livres como Ardour e Audacity, mas encontrei ainda mais dificuldades. Comprei um mixer para montar um estúdio para ensaios e fiquei seduzido pela possibilidade de gravar com ele. Entretanto, a reunião da minha banda não aconteceu e a mesa ficou um pouco sem utilidade. Tinha o Mixer de R$ 1500,00 reais e um pedal de R$ 300,00 para fazer a mesma coisa. Tinha também um par de caixas Behringer Truth 2030. Monitor ativo com ótima sonoridade, mas que queimou em seis meses de uso. Paguei uns R$ 700,00 reais em cada caixa e agora não tem valor algum, embora as tenha transformado em passivas devido ao custo de manutenção. Mesmo assim não me aprofundei nas minha possibilidades focando no que outros profissionais usavam. Fui na onda de possibilidades grandiosas e acabei focando em ter um Mac rodando Pro Tools e uma interface com muitos canais. Rapidamente tinha em mão um Powermac G5 usado. Ótima máquina, mas estava se tornando obsoleta devido ao avanço tecnológico. Também consegui uma Profire 2626 da M-Audio com oito entradas e oito saídas. Para completar adquiri uma versão M-Powered do Pro Tools 7. O ruim é que estes equipamentos foram se sobrepondo, mas não conseguia tirar o melhor deles devido a minha ânsia de adquirir outros equipamentos e a imaturidade. 
          Pode-se somar a esse pacote um contrabaixo, que seria útil, mas acabei usando pouco. Estudei, estudei e produzi pouco. Vários equipamentos subutilizados. Claro que gravar minha própria banda ainda era o objetivo. Tenho ainda minha bateria acustica desmontada num canto, quase gastei com um kit de microfones, mas o certo é que não me somou em nada tudo isso artisticamente. Muito pelo contrário. Enquanto pesquisava plug ins, equipamentos e novas técnicas de gravação, não práticava minhas escalas, não resolvia encadeamentos de acordes, não escrevia boas letras, não desenvolvia os vocais e não registrava mihas composições. Pelo menos não na quantidade e qualidade que eu gostaria. Cheguei a comprar uma Fender Telecaster pra tocar, mas nem ela foi o suficiente para manter o foco. Acabei trocando-a por uma interface de 16 canais Tascam US1800, um Shure SM 57 e uma guitarra Washburn X Series. Um Fender não pode ficar encostada num canto. 
          Aos poucos vendi o Zoom G2.1u, a Tascam US1800, a Profire 2626 e alguns microfones e pedais. O resto ficava usando eventualmente aqui e ali. Então comprei o Cubase 7.5 assim de seu lançamento. Independente da interface de audio, queria a versão full do software que me era familiar. Troquei o Pro Tools M-Powered por um compressor, já que o software não atendia minha demanda. O PowerPC eu troquei por outro contrabaixo. Comprei um macbook para usar com o Cubase, mas tive que vende-lo para saldar minhas dividas de final de ano. Ainda lamento o ocorrido, gostaria de ficar com o Macbook, e até com o PowerPC, mas o primeiro deixou mais saudade. Achei que um Mac mini poderia ser interessante, mas, por incrvel que pareça, mesmo tendo a mesma configuração do meu PC, o Mac mini mostrou-se bem mais limitado e saiu em um negócio de ocasião também.
          Meu último exagero foi cometido quando comprei a interface UR44 da Steinberg, quatro controladores CMC da mesma marca e um par de monitores HS8 da Yamaha. Todos estes itens de altissima qualidade, mas ainda ficando dificil de conciliar algumas coisas. Consegui uma sonoridade muito boa usando o mixer, a interface e os monitores. O conjunto foi completado pelo Cubase Pro 8 e os controladores, mas deixou tudo muito bagunçado e complexo, limitando assim minha atual atividade. Decidi me desfazer de tudo e consegui uma interface Avid Fast Track Duo como Pro Tools Express novos por um preço bem abaixo do mercado. Parece estranho, mas tenho o meu PC num rack comum, a interface fica ali paradinha sem ocupar muito espaço. Os monitores Yamaha ficam sobre os racks onde guardo cabos, pedais e microfones e tudo parece bem organizado o funcional.
          Tudo isso parece loucura, mas é muito comum de acontecer. Essa perda de foco acaba nos tornando improdutivos e agindo como meninos numa loja de brinquedos. Fico feliz de poder fazer testes e gravar com diversos equipamentos diferentes. Conhecer inumeras configurações e descobrir técnicas. Isso me deu uma bagagem legal em diversos sentidos. Nada que nos soma em termos de conhecimento é disperdíco, mas tirando a empolgação causada por cada novidade, sinto que negligenciei minha técnica como musico para ficar horas lendo manuais e testando esquemas de conexões entre equipamentos. Talvez tenha ido longe demais ao tentar construir e reformar instrumentos e amplificadores. Sempre tive o básico na mão para fazer o que mais queria, que era registrar minhas musicas e trabalhar minhas ideias. Fiz de tudo, mas esqueci do objetivo principal, a música.