sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Final de ano

          Então, mais um ano está chegando ao fim. Engraçado que, depois de entrar na fase adulta, começamos a achar que o tempo passa rápido demais. Entretanto, não sei se porque foi bem difícil, este ano está se arrastando de forma tediosa e mais lenta do que os anteriores. Particularmente, neste ano eu mudei de endereço, casei-me formalmente, tive diversos problemas e mudanças significativas na minha vida, isso gerou um desgaste maior que o esperado e confesso que estou cansado. Contudo, houveram muitas coisas boas e o saldo foi positivo no final das contas. Agora é esperar para ver o que acontecerá no ano que vem, afinal, estamos em meio a uma crise política e econômica, isso afeta á todos de diversas formas. Como indivíduo, cada um tem que fazer sua parte, em primeiro lugar, independente de quem esteja no governo ou das condições para isso. No meu caso, cuidar da minha família e garantir, ao menos, que as contas sejam pagas em dia, que não falte comida na mesa, que as crianças possam estudar e tenham atendimento médico quando necessário. Tirando isso, tudo é secundário e de menor importância. Considero até meu emprego algo secundário, assim como meus projetos pessoais envolvendo a música e outras coisas, pois de uma hora para outra eu posso ser demitido ou a empresa falir. Aspectos profissionais podem facilmente fugir do nosso controle. Quando isso acontece, temos que estar preparados para buscar alternativas.
          Na área politica o Brasil viveu seu segundo processo de impedimento, ou intervenção em um mandato, de um presidente. Justo ou injusto? Isso não importa na prática, saiu apenas uma unica pessoa do processo doente e viciado que temos. Tínhamos uma pessoa incompetente e irrelevante a frente da nação, parte de um plano que trouxe muito dinheiro para uns, mas que não beneficiou de forma significativa quem acreditou nele. Estávamos vivendo algo ilusório, mais lúdico e utópico do que real. Para quem é empresário em setores ligados ao governo, tudo parecia ótimo, como vimos no dia-a-dia, gozavam do apoio dos políticos por conta de seus acordos mirabolantes. Tinham dinheiro para pagar segurança particular, plano de saúde, escolas e ensino superior para eles e para seus familiares. Para estes o país estava uma maravilha, para os políticos então, nem se fala, foram os maiores beneficiados com tudo que aconteceu no Brasil nos últimos vinte anos. Tudo eram flores, a oposição formada por políticos bunda-moles, sem a mínima habilidade política, facilmente corruptíveis, sequer dava trabalho. A imprensa composta por jornalistas coniventes, formados em instituições de ensino que possuem a ideologia totalmente favorável ao governo. Outros veículos pautados e financiados pelo governo, perdiam tempo mostrando como foi a semana da ex-presidente deposta, por onde Lula andava lavando dinheiro com seu discurso sempre igual, entrevistas com líderes do MTST, UNE, CUT, invasores de escolas, profissionais contratados para defender as teses que eles propõem, basta olhar as matérias da Carta Capital e o Brasil 247, para se ter uma noção de como a imprensa funciona. Se não fosse só isso, a TV Brasil passou a ser um veículo unica e exclusivamente do governo, ao invés de ser uma televisão pública, como se supunha. O jornalista Luis Nassif, velho conhecido de outros veículos, recebendo milhões de reais para ter um programinha meia boca, o mesmo acontecendo com Paulo Henrique Amorim. Sem contar que o primeiro estava extremamente endividado por conta de sua empresa"Dinheiro Vivo" e havia pego recursos junto ao BNDES. Para aqueles que acreditam que o Rede Globo persegue os petistas, veja seus atores em campanhas pra arrecadar dinheiro para Lula tentar fugir da polícia federal e do Ministério Público.
          Os movimentos citados antes, MTST, UNE, CUT, entre outros, receberam muito mais dinheiro do governo do que programas fraudulentos que garantiram a continuidade deste plano de poder como "Bolsa Família" e "Minha casa minha vida", para entrar em ação para defender interesses partidários. Houve jornalista assassinado por Black Blocks, houve adolescente assassinado durante ocupação de escolas. Jornalistas foram perseguidos nas redes sociais por empresas como MPI Digital que trabalhava para o governo petista. Tudo isso acontecendo enquanto políticos recebiam propinas milionárias para beneficiar empresas como Andrade Gutierres, OAS, Odebrecht, entre outras, em empreendimentos mundo a fora. Tudo isso denunciado e debatido durante anos, mas sempre desconversado e o governo sempre enganando a população para garantir a continuidade disso tudo. Eduardo Cunha foi preso, Sérgio Cabral também e outros tantos estão sendo investigados por corrupção, por terem em suas contas mais do que muitos estados tem para investir mensalmente em saúde e educação. Renan Calheiros ainda se mantém fora da cadeia por manobras políticas e desmandos descarados. A crise pluripartidária mostram como o povo brasileiro é burro por ir até as urnas para votar, pois uma eleição legitimiza todo o processo.
          Em meio a tudo isso, esse mar de lama, que se tornou literal quando houve o rompimento da barragem da SAMARCO ainda em 2015, aparece como salvação uma operação chamada de Lava Jato, lá em 2014, e que mexe com todo o estado das coisas. Algumas pessoas acordam para a verdade enquanto outras escolhem acreditar no conto petista de que Sérgio Moro é um perseguidor dos bonzinhos, como se ele trabalhasse sozinho ou decidisse algo por sua conta e risco. Claro que em pouco tempo a Lava Jato será calada e esquecida, pois o povo tem memória curta e a militância partidária é muito fiel e jamais abandonará as investidas, afinal ganham muito dinheiro com isso e sempre haverão jovens cheios de testosterona e sem cérebro nas instituições de ensino, que estarão prontos para sair as ruas com seus fogos de artifício, coquetéis molotófes, máscaras pretas e bandeiras vermelhas. Sempre haverão pessoas que apenas querem ver as coisas pegarem fogo. Estes agentes do caos tem bandeira, dinheiro, discurso e acreditam que, por serem "revolucionários", podem julgar, condenar e executar quem se opõe á eles sem nenhuma culpa. Assim como invasores de escolas acreditam que suas assembleias são mais importantes que a lei, os guerrilheiros do Araguaia também achavam que tinham autoridade para julgar e matar quem eles queriam, mesmo assim há quem diga que são heróis do povo, como José Dirceu e Genuíno, que foram presos por corrupção. 
          Mas em meio a isso, vi um Kiko Loureiro, brasileiro, gravar e sair em turnê com uma grande banda, pude ver um show da última turnê do Black Sabbath e o Metallica lançar mais um álbum de inéditas. Isso pra mim foi mais importante, pois políticos e governos passam, crises vem e vão, mas nós temos que manter nossos mundos particulares em ordem apesar de tudo. Somos pais, mães, filhos, sobrinhos, tios, avós, netos, maridos e esposas, temos vínculos mais importantes com pessoas e com nossa história, do que com política e governo. Se as pessoas acreditam na inocência de políticos corruptos, se saem as ruas para roubar e matar, isso sempre irá acontecer, em maior ou em menor número, quanto a isso nada se pode fazer. Não temos que ter esperança na política, na justiça, na economia e naquilo que não controlamos, temos apenas que fazer o nosso melhor, de acordo com nossas condições e, principalmente, com nossas consciências limpas. Que possamos construir um mundo melhor dentro de nós, antes de esperar que o mundo a nossa volta mude. Temos a obrigação de buscar a verdade e a justiça, mesmo que pareça errado aos olhos dos outros e inútil na maioria das vezes, mas não podemos nos abater e nem nos entregar se não obtivermos exito,  pois faz parte da vida.
          Para encerrar, gostaria de agradecer a todos que tem me acompanhado neste blog desde o início. Não tenho nenhum compromisso com partidos, políticos ou empresas para fazer o que faço. Sou livre, posso errar, posso reconsiderar minhas opiniões, mas jamais trarei um texto aqui que não reflita exatamente minha mais honesta opinião. Se ataco a postura de algumas pessoas e ocasionalmente defendo outras, não é por interesse, é por julgar algo certo ou errado, de acordo com minha experiência de vida e das buscas por informações que fiz ao longo de minha vida. Não costumo citar trechos de livros ou pensadores, embora muito do que sei, tenha originado do saber ou vivência de outras pessoas. Ainda não encontrei uma pessoa sequer com a qual eu concorde totalmente, entretanto, busco me informar sobre a maioria dos assuntos, tendo ciência da opinião de vários lados. O que trago aqui são pequenas reflexões sobre determinados assuntos ou fatos, nada mais, não quero que me sigam ou que defendam minhas teses, apenas garanto que sempre estarei de acordo em debater ideias contrária e aprofundar o debate de pensamentos com quem concordar com minhas teses. Mais do que divergir ou concordar, o importante é refletir. Um grande ano para todos nós, mesmo que existam muitas dificuldades e elas com certeza aparecerão ao longo de 2017.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Reflexões sobre o Natal

          Aproveitando este 24 de dezembro de 2016, véspera de Natal, relembro um texto que escrevi a cinco anos atrás. Na época vivia só em uma pequena casa a beira de um valão fedorento. Já trabalhava na CEEE e era o segundo Natal que passava sem meu avô, falecido em 2010. Já sentia todos os efeitos da depressão, mesmo saindo à noite para beber com alguns amigos nos finais de semana, estava pessimista e soterrado por muitas coisas. Tinha começado meus estudos de home estúdio naquele ano, mas ainda não conseguia produzir nada interessante. Foi o ano em que comecei a escrever neste blog, mas de forma bem aleatória. Não tinha muitas coisas a dizer e por isso fiquei até seis meses sem postar nada. Me sentia dono da palavra, meus amigos elogiavam meus textos, mas eu não me sentia motivado a fazer muitas coisas. Era solteiro, ainda não tinha filhos e tudo que lembrava família e confraternização me deprimia profundamente. Neste período escrevi o texto abaixo:

          Natal é irritante porque é inevitável e todos os anos ele está presente sendo impossível ignorá-lo. Aprendi certas coisas sobre a vida por conta própria. Não foi em livros, sites ou na escola, que tive acesso a determinadas informações. Tenho dado espiadelas por detrás das cortinas que cobrem as portas e janelas dos bastidores de nossa existência para tentar descobrir o que realmente move o ser humano. Como muitas pessoas na verdade. Muitas delas transitam livremente entre a loucura e a genialidade formando assim seus conceitos e suas filosofias. O Natal foi perdendo seu significado com o passar dos anos. Com as experiências vividas, passei a notar que meus momentos a serem lembrados e comemorados estavam espalhados ao longo do ano e não concentrados em datas específicas. Foram em dias comuns que conheci as pessoas mais interessantes da minha vida. Afinal são todos dias comuns até que algo especial aconteça. É da natureza dos dias começarem de forma enfadonha e agregarem algum valor durante a passagem das vinte e quatro horas. Mas nessa época de final de ano, quando olhamos para trás e avaliamos o que ganhamos e perdemos para ter o resultado medíocre de sempre, tudo vira uma bosta. Então essa rotina cansa e começo a gostar cada vez mais dos dias comuns.
          Talvez por não ter filhos, por estar com mais de trinta anos, por estar especialmente solitário, ou simplesmente porque esse Natal caiu num dia muito chato, eu estou muito enojado dessa data. Nada de bom aconteceu hoje que não poderia acontecer em qualquer outro dia chato. Tédio, descrença e tristeza se alternam no comando das sensações que estão em mim. Um péssimo Natal para coroar um dos piores anos da minha vida. Ao menos não me lembro de ter vivido um natal tão ruim como este. Não que as coisas boas não tenham acontecido, entretanto, as melhores foram as que mais causaram sofrimento no final. Mais sete dias até que um ano novo comece e as coisas mudem. Não que eu tenha muitas esperanças que o próximo ano seja bom, mas não sou tão pessimista ao ponto de achar que pode ser pior que este. Vou fazer as coisas que pretendo para melhorar em vários aspectos e colher algum fruto em curto prazo, tentar finalizar algumas coisas que vem se arrastando há tempos, afinal terminar uma tarefa já é um bom motivo pra se sentir bem, ao menos aliviado. 
Pois então, que as coisas que causaram um final de ano ruim possam morrer juntamente com ele, já que pretendo ver mais um ano passar. Que as sementes do fracasso sequem junto a seus frutos amargos e jamais voltem a brotar, mesmo que suas raízes ainda estejam enterradas profundamente neste solo fértil em que resolveu nascer. Vou continuar odiando o Natal, mas pretendo que seja mais por costume do que por motivação. Quero que meus dias sejam felizes e produtivos, mesmo que sejam dias comuns.
          Concordo que ter esperança e ilusões seja positivo para tentar viver uma vida melhor. Mas, se optamos por viver uma vida real, naturalmente vamos sofrer por esta escolha. A vida em geral é tediosa, pois somos pessoas passivas ao tédio. Deixamos nossas emoções esfriarem. Muitas vezes é bom, nos ajuda a superar as decepções a que estamos expostos. Incapazes de nos satisfazer por nós mesmos, marcamos uma data no calendário para ficarmos felizes. Contudo, quem não está feliz vê como isso é patético, e como está por toda a parte, se torna insuportável conviver com tal hipocrisia. 
Temos que viver cada momento e segurar a onda todos os dias, assim é a vida. Trágica, cômica, falsa, verdadeira, tudo se alternando, provocando sorrisos ou lágrimas, mas na maioria do tempo, sem nada de especial.
         
          Agora, cinco anos depois, já casado em com filhos, volto a escrever sobre o Natal. Ainda trabalho na CEEE e a empresa passa por momentos de apreensão. Como em qualquer empresa Estatal, chegou o momento de sentir as consequências por estar nas mãos de um Governo. Mas o pior é ter que conviver no último mês do ano com um acidente de trabalho envolvendo um dos colegas mais queridos. Foram momentos de inquietude e expectativa, pois um choque elétrico ao trabalhar com 230 Kv, normalmente é fatal. Felizmente ele está bem, apesar de algumas queimaduras, já esteve conosco no dia 23 para compartilhar de um churrasco. Disse a ele que sua presença entre nós era o meu presente de Natal, por tudo que poderia ter acontecido. Ainda prefiro os dias comuns como a cinco anos atrás, porém, agora, estar com minha família (esposa e filhos), podendo constatar que todos estão muito bem, mesmo que dependendo exclusivamente de mim para se alimentar, ter moradia e saúde, somos uma família que não carecemos de absolutamente nada. Mesmo não sabendo o que acontecerá no próximo ano, posso dizer que este ano foi dificílimo por diversos motivos e o próximo possivelmente será mais duro, mas não tenho um único motivo sequer para encarar com o pessimismo que via o mundo quando escrevi o texto acima.
          Para encerrar, quero agradecer a todas pessoas que tem acompanho este blog, minha página no facebook, meu canal no Youtube e aqueles que tem um convívio cotiano, tanto em casa como no trabalho. Embora as dificuldades, este ano não representou nenhuma perda representativa, mesmo as coisas ruins que aconteceram, foram superadas sem deixar sequelas. Para aqueles que não podem falar o mesmo, quero garantir-lhes que até as piores coisas passam, tudo depende de como encaramos a vida e o que agregamos a nossa volta. Em 2011 tinha muitas coisas ao meu redor, mas nada significativo ao ponto de me resgatar da depressão e me deixar otimista. Cinco anos depois, com o final de um ano atípico, só tenho a agradecer por tudo que tenho acumulado durante os últimos anos. Com uma família maravilhosa, com a possibilidade de fazer música e mostrá-la ao mundo, podendo alcançar pessoas em lugares muito distante através de meu blog e meus canais, só posso agradecer por ter muito mais do que eu mereci ao longo da minha vida. Feliz Natal à todos!

domingo, 11 de dezembro de 2016

Internacional rebaixado

          No dia 11 de dezembro de 2016 o Sport Club Internacional foi rebaixado para segunda divisão do futebol brasileiro pela primeira vez. Falo pela primeira vez porque dificilmente, após cair uma vez, um clube não acabe caindo novamente. O culpado disso, inegavelmente, foi o senhor Vitorio Píffero, com certeza foi ele, e somente ele. Quando assumiu o time em 2007 como presidente pela primeira vez, conseguiu fazer um time campeão do mundo ficar fora da decisão do Campeonato Gaúcho. Demorou quase dois anos para se recuperar futebolisticamente ganhando a Copa Sul-americana. Mesmo a Recopa Sul-americana, conquistada naquele ano, foi mais no brilho individual do que outra coisa, já que seu treinador era o Galo. Em 2014, novamente foi eleito presidente do internacional, para a gestão 2015/2016. Com a morte de seu vice de futebol Luiz Fernando Costa, ele sequer escolheu um novo vice-presidente, assumindo para si a responsabilidade de controlar o futebol do clube sozinho. O resultado foi a demissão do técnico Diego Aguirre as vésperas de um gre-nal. Como prêmio, derrota por 5X0 para seu principal rival, após décadas, a mais vexatória goleada em clássicos. Veio 2016 e o clube perdeu D'Alessandro, Aranguiz, Juan, Nilmar, Lisandro Lopez e Nilton, jogadores que já não haviam rendido o esperado. Para o lugar deles trouxe Ariel, Seijas, Nico Lopez, entre outros. A cada partida do time, mesmo quando chegou a liderar o campeonato nas primeiras rodadas, já se via que as coisas não andavam bem. Claro que os jogadores citados acima só vieram no meio do ano, mas mesmo assim, potencialmente, já eram inferiores aos que haviam deixado o Beira-Rio. A espinha dorsal do time tinha ido embora sem deixar muita saudade pelos resultados apresentados no ano anterior. Mas será que um terceiro lugar na Libertadores é tão ruim assim? Será que a demissão de um treinador em meio a uma semana de clássico é algo prudente? O discurso arrogante ao anunciar que Odair Hellmann comandaria o time já indicava a falta de compromisso do presidente. Se não faltou com o respeito, faltou com a sanidade. 2016 já estava na metade e ainda sentia os fracassos de 2015, pois o técnico chamado para tentar ajeitar as coisas após a desgostosa campanha de 2015, ainda estava no cargo, mas de forma insegura e provisória aos olhos dos torcedores.  
          Ao longo de 2016, o Internacional ficou 14 jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro. Demitiu Argel Fucks e chamou de volta Paulo Roberto Falcão, ídolo do clube pelo que representou na década de 1970, mas se mostrou ao longo dos anos ser um técnico sazonal. Mesmo conhecendo muito de futebol, já havia fracassado duas vezes como técnico do clube e tinha mais umas poucas passagens por outros times que não o  recomendavam. Após cinco partidas sem vitória, ele foi demitido. Para salvar de alguma forma a derrocada da administração degradante de Píffero, ele recorre aos amigos. Chamou Ibsen Pinheiro, um político demagógico que usou o clube para se manter na mídia por diversas vezes. Colorado, é claro, mas que ainda tem na cabeça o futebol de 1970 e parece não ter assistido sequer uma partida de futebol nos últimos trinta anos, tal o clima retrógrado em seus comentários. Chamou Fernando Carvalho, que muitas glórias deu ao clube, mas se mostrou também retrógrado e desatualizado ao trazer o pior técnico de futebol de todos os tempos. Um lixo que não serve pra nada e que deu a maior alegria ao arquirrival nos últimos anos, perder a semi-final do mundial interclubes de 2010 para o Mazembe do Congo. Isso é ridículo para qualquer ser humano que tenha um raciocínio levemente sóbrio. Escolher uma pessoa que é motivo de chacota comandar uma equipe que está mal é pedir para ser destroçado em campo. Mas Fernando Carvalho encerrou essa sua fase, espero que a última, da forma como iniciou em 2002, confuso, imprudente e sem criatividade. Mas ele tinha uma arma que ainda poderia disfarçar sua senilidade, seu histórico vencedor. Claro que ele teve méritos nos áureos anos, mas não trabalhava sozinho. Assim como Hélio Dourado fez no último rebaixamento do Grêmio, Fernando Carvalho, talvez pela empáfia do discurso "Clube grande não cai", demonstrou que acreditava que sua simples presença pudesse mudar as coisas. Entretanto, o time grande caiu. Caiu e deixou de ser grande. Uma prova do apequenamento foi a tentativa de tentar se salvar no tapetão. Teve oportunidades em casa, frente a sua torcida, que apoiou incondicionalmente, de vencer O Santa Cruz, fracassou, contra a Ponte Preta a mesma coisa. Quatro pontos que teriam salvo o ano desgraçado do clube. Fora outros resultados inaceitáveis como a derrota para o Vitória em casa.
          Resumindo, Vitório Píffero não pode voltar a pisar em Porto Alegre, muito menos falar do Internacional. Ele é uma vergonha. O símbolo de um fracassado. Este homem não deve ser pisoteado futebolisticamente por fracassar, todos erramos, mas a forma arrogante como lidou com todas as situações durante dois anos. Será que ele acreditou que era um ser iluminado, superior aos demais, que tudo seria certo só porque foi feito pela sua vontade? Claro que não. Aprender a tempo de reparar as coisas era para os humildes, não para Vitório. Hoje Fernando Carvalho entrega todo um histórico de sucesso na direção de um clube, como sendo um dos cúmplices do pior momento do Inter. A torcida sofre e muito com isso, mas com certeza no final de 2017, se houver dignidade em quem represente o S.C. Internacional, sua nova diretoria, o clube terá 200.000 sócios e voltará muito forte, mas jamais será tão grande como foi em 2006.
          O Internacional foi rebaixado de forma justa, pois teve inúmeras chances de chegar mais longe no brasileirão, mas fracassou miseravelmente. Estas pessoas que representam o clube até o final de dezembro de 2016, são a verdeira imagem do fracasso, da arrogância e da caduquice. Não podem mais sequer usar a imagem do Inter para nada, pois carimbaram o clube com essa pecha. Mancharam a trajetória mais que centenária do clube com um rebaixamento justo e humilhante, tendo todas as chances de, ao menos, não cair para a série B, foi afirmando sua incapacidade a cada rodada. Assim como o Grêmio mereceu ser campeão da Copa do Brasil depois de 15 anos, o Internacional está no lugar que escolheu estar, não por sua torcida, mas por seus dirigentes, e porque não dizer, seu grupo de jogadores. Mesmo que a torcida proteste, foi ela que legitimou o presidente que afundou o clube, acreditou em um discurso vazio e arrogante. O futebol, para os colorados hoje, simboliza nosso fracasso diário ao lidar com nossos filhos, com nossa profissão, a politica, a nossa saúde, ou seja, nossa visão de mundo. Este texto é sobre esporte, mas também pode ser sobre arrogância, soberba e mentiras. A politica de futebol do S.C. Internacional de hoje, representa muito a realidade do país como um todo. Gente que apoia e se envolve emocionalmente com discursos mentirosos controlando sua vontade.

sábado, 10 de dezembro de 2016

O que é Delação Premiada?


          Tendo em vista o atual momento do país, politica e economicamente falando, não tenho como ficar a margem do que está acontecendo, pois, além dos reflexos que isso tem diretamente na minha vida, tenho que pensar na minha esposa e nos meus filhos, no futuro deles. Como eleitor, apesar de não votar em nenhum candidato há muito tempo, procuro me manter informado sobre o que acontece nos bastidores do mundo politico, como todo o cidadão deveria fazer. Parece estranho falar isso, pois há algum tempo atrás a discussão politica ficava relegada a debates ideológicos, assim como a religião e preferência clubística, não por ser igual, mas por falta de informação mesmo. Com a internet isso mudou, pra melhor, pra pior, só mudou. Hoje só não se informa quem não quer. A atuação de políticos e servidores públicos está sendo monitorada o tempo todo e por todo mundo via web. Claro, que para se manter informado o máximo possível, uma pessoa não pode depender da mídia unica e exclusivamente. Essa, por sua vez, atende interesses específicos e servirá a quem lhe garantir a receita necessária para manter o veículo no ar. Isso será assunto para outra postagem, onde abordarei as diversas faces da imprensa. O importante é como se informar nesse mundo tão versátil, e porque não dizer, volátil. No meu caso, eu utilizo a Constituição e as Leis citadas em uma determinada notícia para checar a legitimidade, observo se o jornalista que está escrevendo não foca em levar a notícia para uma determinada tendência política, tento tirar da noticia o fato em si e separar a analise pessoal do repórter, e por ai vai. Parece complicado, mas se mostra útil e nem toma tanto tempo assim. A pior coisa que se pode fazer é tirar conclusões com a opinião dos outros. Isso é exatamente o que a mídia tenta fazer, manipular o seu público para que compre os produtos dos patrocinadores, a opinião dos comentaristas e as verdadeiras intenções do veículo.
          Dito isso, vamos ao assunto em questão, a delação premiada. Li várias explicações de diversos juízes e advogados falando a respeito de forma bem didática, salvo algumas interpretações, irrelevantes para o texto, o conceito é mais ou menos o que explicarei aqui. Acho muito importante, mesmo sendo leigo e desinteressado por essa área jurídica, se familiarizar com estes termos tão comentados, até para não cair no erro de comprar uma ideia de outra pessoa, como falei no parágrafo anterior e que é bastante comum, sem saber nada do que se está falando. Só lembrando que, essa prática de delação, já é realidade em outros países como na Itália, onde o magistrado Giovanni Falconi fez uso dela para desmantelar a quadrilha chamada Cosa Nostra. Aqui, aos poucos foi sendo utilizada em casos específicos como em crimes hediondos, depois nos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, mas se popularizou mesmo com a Lava Jato. Por esse motivo a classe politica está em panico, tentando elaborar leis e emendas que os protejam, pois a maioria tem o rabo preso com alguém. Aquela história de "comprar o silêncio" ou o "cá entre nós" pode estar com os dias contados, já que com a colaboração de apenados, a Policia pode direcionar a investigação, adquirir documentos e evidencias que possam solucionar casos de corrupção, entre outras coisas. Há uma tentativa de, favoráveis a prisão de determinados políticos e os que defendem estes mesmos, em focar todo o processo no juiz de Curitiba Sérgio Moro. Porém, cada decisão de um juiz passa, no mínimo, por três instâncias judiciais para ser aprovada e posta em prática. Portanto, não é uma pessoa que decide, e sim um sistema bem mais complexo. Isso dá margem e respaldo para determinadas decisões, mas também deixa o processo mais lento e complicado.
          Quando alguém é denunciado, abre-se uma investigação, e dependendo das provas, ele é preso, interrogado, julgado e se for o caso, condenado a cumprir determinada pena. Isso ocorre com o réu tendo ampla possibilidade de defesa, pois o ônus da prova é de quem acusa, até ser comprovada a culpa, o réu ainda é considerado inocente. Entretanto, este sujeito é apenas um dos contraventores em casos em que a delação premiada é alternativa. A justiça pode aceitar que ele informe quem eram seus cúmplices, ou mandantes, e ainda forneça provas que incriminem os citados. A partir daí as pessoas citadas são investigadas e havendo comprovação de que essas informações contribuíram satisfatoriamente para a resolução do caso, o colaborador poderá ter de um a dois terços de sua pena reduzidos, readquirir direitos perdidos pelo crime ao qual foi condenado, entre outros benefícios, desde que isso não contrarie outras leis. No caso de um sequestro, digamos que um de cinco criminosos é pego, ele pode falar o nome dos outros quatro, a forma como trabalhavam e onde está o cativeiro onde a vítima está presa. Se as informações forem verídicas, todos os cinco são presos e responderão pelo crime de sequestro. Se a vitima for resgatada com vida e sem vestígios de outros crimes, isso pode diminuir a pena do colaborador conforme acordo assinado, mas se ele mentir ou a vitima ser encontrada morta, ele responderá por outros crimes também. Nesse último caso a delação pode servir para agravar ainda mais sua situação.
          Parece ser um beneficio adicional para um criminoso, mas o beneficio maior é para a sociedade, com a elucidação dos crimes e a maior quantidade de meliantes presos. No caso da Lava Jato, os delatores tem citado nomes de políticos, empresários e outros colaboradores em troca de redução de suas penas, de acordos de leniência e de recuperação de direitos civis e políticos, como cumprir a pena em regime aberto e diminuição de restrições institucionais. Como cada um que é preso pode também assinar acordos de delação, a lista de investigados cresce a cada dia e cabe a Policia Federal e o Ministério Público ir atrás das informações e das provas que possam punir quem cometeu os crimes, recuperar parte do que foi desviado e limpar um pouco desse lamaçal que comanda e integra as Câmaras de Deputados, o Senado, os Palácios, os Ministérios, e por ai vai. É importante observar que atualmente, com a pluralidade partidária envolvida nas ações que a Policia Federal e o Ministério Público está investigando, há uma grande movimentação para se criar leis novas e derrubar outras. Isso não passa de articulações politicas para abafar os casos, como fizeram com o Mensalão, onde, mesmo com políticos importantes do PT como José Genuíno, José Dirceu e Antônio Palocci sendo presos, as investigações pararam quando possivelmente se ampliariam e atingiriam outros partidos. O resultado disso foi a parceria PT/PMDB que elegeu Dilma Roussef, mesmo depois que toda a sujeira veio a tona. Agora, com a Lava Jato criando vida própria com o apoio popular, vários jornais como o Brasil 247, blogs de esquerda e outros veículos patrocinados pelo governo, tentam convencer a opinião popular de que, Sérgio Moro e a força tarefa responsável pelas investigações, estão fazendo perseguição politica. Tentam pregar que há uma divisão dos poderes, mas na verdade é que, com a delação dos executivos da Odebrecht envolvendo políticos do PSDB, a teoria de perseguição cai por terra. Vejo que aqueles que apoiam Lula e o PT estão ficado sem argumentos e está mais do que na hora das pessoas de bem se envolverem definitivamente para não deixarem que essa operação seja sufocada como o Mensalão. Mesmo que não tenhamos candidatos expressivos para as eleições de 2018, uma limpeza geral se faz mais do que oportuna. 
          Com base no que foi dito acima, creio que já se tem ideia do que é a delação premiada e os efeitos dela. Quem tem interesse em mais informações, basta fazer uma busca pela internet e encontrará diversas fontes. Sempre lembrando que é fundamental checar as origens das informações e sua constitucionalidade, pois, como falei anteriormente, muita gente é paga por partidos, movimentos políticos e afins para confundir as pessoas menos informadas e até mentir descaradamente em favor de livrar a cara de algum investigado. A Lei é uma questão de interpretação que cabe a quem está preparado para fazer isso, não é apenas opinião de políticos ou desinformados em geral. Se um cidadão comum comete um delito, ele reponde por isso. Está na hora dos políticos pagarem da mesma forma por toda a corrupção que está por ai, pois apenas alguns fatos isolados não intimidam criminosos. Que se prenda todos para garantir a integridade de nossos poderes e o bem estar da população. De milhão em milhão, de escândalo em escândalo revelado, o Brasil está empobrecendo e a crise econômica já se enraizou no nosso país. Quem mais é prejudicado por isso é o cidadão comum, que ganha até dois salários mínimos por mês e que depende dos serviços públicos para ter saúde, educação e segurança.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

#ForçaChape


          É muito difícil achar as palavras certas para consolar amigos e familiares do pessoal que estava na delegação da Chapecoense neste momento. O mundo tem mandado mensagens de apoio, mas sei que isso não apaga a dor que muitas pessoas estão sentindo. As palavras parecem não ter nenhum sentido relevante agora. Mas a vida é assim mesmo. Estamos entregues ao acaso e tentamos dar sentido aos fatos para justificar nossa persistência e nossa fé. Mesmo estando de certa forma anestesiados pela sucessão de crimes e tragédias diárias, foi difícil passar algo pela garganta depois de assistir os noticiários. Eram jogadores, membros da comissão técnica, jornalistas e tripulação. Todos se deslocando em cumprimento de suas atividades profissionais. Em especial, por ser um clube ainda em ascensão no futebol, a Chapecoense levava a fé de muitos torcedores na realização de um sonho, ganhar um título de relevância internacional.
          Dizem que um clube de futebol para ser grande precisa ter alma. A partir de 2016 os uniformes de cada jogador deste clube será preenchido pela alma destes campeões. A camisa da Chapecoense passará a ser mistica. Ali estavam jovens trabalhadores que buscavam um futuro melhor para suas famílias. Também estavam jogadores que retomavam o sucesso em suas carreiras. Da mesma forma o treinador, que chegou a estar em grandes clubes de massa como Flamengo e Grêmio, mas que andava meio esquecido nos últimos tempos. Mesmo sendo inicio ou reinicio de carreira, grande parte daqueles pais, amigos, ídolos, maridos, trabalhadores, entraram para história como heróis. Que sejam para sempre lembrados e homenageados por aqueles que os amavam. Guerreiros que foram castigados por buscar o impossível, desafiar a lógica dos mortais, que não cumpriram seu objetivo por forças maiores que a própria vida. Só isso para pará-los, pois quem tentou fazer isso em campo, fracassou miseravelmente frente a eles nessa competição.
          A todos que tiveram a grandeza de mandar mensagens de apoio e carinho á quem hoje sofre com a perda, apenas elogios e gratidão. A quem foi oportunista ou teve a coragem de fazer piada frente a tragédia, apenas posso sacudir a cabeça em contrariedade e lamentar. Mais que isso seria até desproporcional, afinal, olhemos ao redor e contemplemos o mundo em que vivemos. Somos vitimas diárias de assaltos, violência, descaso com a saúde e a educação. Somos coniventes com grupos se organizando para invadir prédios públicos e privados, sendo orquestrados por partidos políticos que só sabem roubar os recursos públicos e quebrar as estatais. Estamos a cada dia mais insensíveis e alienados como seres humanos e usamos as redes sociais para tudo, inclusive para esse tipo de fim mesquinho de diversão.
          Quero encerrar essa postagem desejando que cada pessoa que está sentido a dor de perder um ente querido, um amigo, ou simplesmente ficou tocado pelo que aconteceu, tenha sua dor, seu sentimento de angustia e até de revolta, transformado em alegria e realizações de agora em diante, que isso se multiplique mil vezes a cada gesto de compaixão e de bondade e que possamos fazer um mundo mais justo e mais humano. Um mondo onde pessoas honestas que saiam para o trabalho voltem com os frutos dos mesmo, mas sempre voltem. Que esse acontecimento sirva para que haja um momento de reflexão para todos nós e que possamos rever nossas opiniões e atitudes, pois nossas decisões ou nossa indiferença tem causado tragédias tão grandes como foi a queda deste avião em Medelim.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Black Sabbath - O Fim


          28 de novembro de 2016 foi a data que o Black Sabbath escolheu para tocar em Porto Alegre em sua turnê de despedida. Foram 46 anos de carreira, muitos problemas com drogas, mudanças de formações, brigas entre integrantes e o derradeiro álbum 13. Quase com 70 anos, Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward são lendas do Rock. Se fisicamente Bill Ward não pode estar presente neste momento, Tony Iommi também poderia não estar, já que luta contra um câncer a quatro anos, mas sem ele não haveria Black Sabbath. Ozzy está debilitado e pouco se move de seu posto em frente a bateria, pois depende dos monitores para ler as letras e de seu fôlego para cantar durante os 95 minutos de show. Geezer Butler parece estar sadio e ainda guarda a agressividade de outros tempos em seus dedos ao tocar seu baixo. Tommy Clufetos foi o baterista da noite e tem sido assim desde a turnê de 13, mas não merece ser incluso nessa análise, pois sua carreira ainda está em ascensão. O fato é que a banda que termina essa brilhante carreira é muito diferente da que gravou o álbum de estréia, afinal, o Heavy Metal pode resistir ao tempo, mas os homens sofrem a ação dele. 
          Parece que faço uma dissertação depreciativa, falando apenas das características físicas dos integrantes da banda, mas minha intenção passa muito longe disto. Não quero me prender a lenda Black Sabbath e seus clássicos e mitos, quero homenagear os homens por trás da marca com este texto. Homens que trazem as cicatrizes de uma longa vida de trabalho duro e que deu frutos de valores inestimáveis. Ozzy ainda é o sujeito dislexo e desengonçado do início de carreira, que mesmo com problemas com drogas, incertezas e polêmico, jamais esteve longe dos holofotes da fama. Ozzy permaneceu firme, mesmo sem o Black Sabbath. Sua carreira solo é muito bem sucedida e chegou a rivalizar com sua própria banda e até superá-la em alguns momentos. Este mesmo Ozzy é o responsável por encerrar a carreira da banda de forma digna. Ele que tantas vezes foi pivô de incertezas ao ponto de ser demitido e contar até com a resistência de Tony Iommi desde suas primeiras reuniões. Ozzy superou seus limites, e mesmo sendo o elo mais fraco dos garotos de Birmingham, deixou suas carreiras de ladrão, afinador de buzinas e abatedor de gado, para ser a maior estrela do Heavy Metal. Ele não precisa se mover, não precisa cantar e nem falar nada, para seus fãs basta ele estar ali para causar comoção.
          Tony Iommi é o líder do Black Sabbath e o principal compositor do grupo. Ele nunca deixou a banda. Ele é o criador do Heavy Metal. Declinou de tocar com o Jetro Tull, ícone do Rock dos anos 60 e 70, para extrapolar as fronteiras do Hard e dar ao mundo seu filho mais extremo até então. Nas guitarras de Tony Iommi saíram os primeiros riffs de Metal, mesmo que este seja canhoto e perdesse a ponta de dois dedos numa máquina industrial durante seu último dia de trabalho. Sem Tony, talvez os outros três jamais conseguiriam a notoriedade que tem hoje. Todos os fracassos da banda devem ser creditados na conta de Iommi assim como as virtudes, pois ele era o Black Sabbath. Sem Ozzy, Geezer e Bill, não haveria a química que marcou o grupo, mas possivelmente existiria um Black Sabbath de alguma forma, como nos anos 1980 e 1990. Se muitos guitarristas são heróis e inovaram com seus instrumentos, Tony Iommi criou um estilo, Tony Iommi é uma banda. Podem existir milhares de guitarristas de Rock e Metal melhores que ele tecnicamente, mas a musica deles não teria sentido algum sem os riffs inspirados por Black Sabbath.
          Geezer Butler era um guitarrista que se sujeitou a tocar baixo em prol de um objetivo do grupo. Nascia ali o baixo mais clássico e expressivo do Heavy Metal. Suas letras eram a ponte entre os vocais de Ozzy e as guitarras de Iommi, onde tudo ganhava sentido. Sua pegada e linguagem nos graves eram a conexão da bateria de Bill com os riffs de guitarra. Geezer nunca carregou o peso do Black Sabbath em suas costas e também nunca foi uma estrela como os dois colegas mais expressivos. Ele sempre foi o místico, o esquisito, o diferente e o mais estável de todos. Porém, nunca deixou de ser um deles. Também usou muitas drogas, também sofreu com os rumos de uma carreira de Rock Star, mas silenciosamente arrecadou para si uma legião silenciosa de fãs e admiradores. Talvez os tranquilo senhor Butler tenha vindo a mente, como inspiração e referencia, para cada baixista que se colocou ao lado de um guitarrista de Metal fazer bem seu trabalho.
          Bill Ward não estava lá. cada um tem sua versão, mas o fato é que desta vez ele não estava lá para a ultima jornada. Ele escapou da morte pelas mãos dos próprios colegas de banda, por ser um cara simples e se deixar levar pelas brincadeiras dos amigos. Possivelmente o tempo venceu o baterista de Metal, Bill Ward, mas não apagou o que ele fez em todos os clássicos da banda. Seu estilo jazzístico e livre deu flexibilidade ao duro monstro de Metal que o Black Sabbath se tornaria. Inventivo e surpreendente, teve que marcar seu lugar tendo como concorrentes John Bonham e Ian Paice, duas lendas das baquetas, e ele se saiu muito bem. A prova disso é que seus sucessores foram monstros como Cozy Powell e o próprio Clufetos, entre outros famosos bateristas de suas épocas.
          O que se viu no estacionamento da FIERGS foi um show denso e caprichado, calcado em cima dos primeiros álbuns da banda. Por segurança, a banda tem mantido o mesmo repertório em todos os shows e contando com efeitos visuais nos telões para realizar essa difícil tarefa de carregar o grandioso dinossauro de metal em sua ultima excursão pelo mundo. Claro que Sabbath Bloody Sabbath e Sympton of Universe fazem falta, assim como os clássicos com o Dio, mas mesmo assim o Black Sabbath continua pesado e majestoso. Um show correto e sem sobressaltos, mesmo com Ozzy entrando adiantado na música Children of the Grave e errando algumas letras. Se Iommi não é rápido e virtuoso como antes, seu timbre e seu senso de melodia ainda são os mesmos. 
O set list do show foi o seguinte:
Black Sabbath
Fairies Wear Boots
After Forever
Into the void
Snowblind
War Bigs
Behind the Wall of Sleep
N.I.B
Rat Salad/solo de bateria
Iron Man
Dirty Women
Children of the Grave
                                                                         Paranoid
          Este foi um evento histórico para os fãs de Metal do Rio Grande do Sul. Como acompanhamos um dos últimos shows de Lemmy com o Motorhead no Monsters of Rock de 2015, tivemos a última turnê dos pais do Heavy Metal passando por Porto Alegre. Fica a reflexão: Estes senhores estão chegando ao fim de suas vidas fazendo o que gostam e emocionando pessoas de todas as nacionalidades. E nós? O que estamos fazendo de nossas vidas? Estamos matando o tempo ou vivendo nossos sonhos? Imagino quantas vezes estes três senhores tenham olhado uns para os outros e comentado: "Olha! Ainda estamos aqui!". De jovens pobres de uma Birminghan pós segunda guerra para astros do Rock em sua turnê de despedida. Parabéns, senhores! Vocês foram os primeiros e sempre serão os únicos!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Estado de calamidade financeira no Rio Grande do Sul

          Um dia após anunciar um pacotão de medidas para tentar sanar os problemas financeiros do Rio Grande do Sul, o Governador José Ivo Sartori decretou estado de calamidade financeira do Estado. Esse governo, desde que assumiu em janeiro de 2015, já vem parcelando salários e tendo diversas dificuldades para manter as contas públicas em dia. Pelo jeito as coisas degringolaram de vez e medidas drásticas foram sugeridas como corte de secretarias, extinção de fundações e demissão de funcionários públicos. Já vimos o quanto o estado do Rio de Janeiro está sofrendo com isso e a tendência é que outros estados da federação também sigam o mesmo caminho, pois isso não é um fenômeno particular apenas destes estados, é uma crise financeira nacional, sua proporção demora a ser dimensionada devido ao tamanho do país e as peculiaridades de cada região. Se há a certeza de que o governo federal também está em crise e tenta desesperadamente aprovar leis que possam reverter a situação, é questão de tempo para que todos os estados sejam atingidos.
          Mas os problemas do Rio Grande do Sul não começaram nessa gestão, como certamente irão dizer alguns, oque não deixa de ser verdade. Temos que lembrar que no final da década de 1990 já houve um enxugamento da máquina pública com privatizações e outras medidas menos populares para quitar as dívidas junto a União. O fato é que os gaúchos estão acompanhando o definhamento da saúde, da segurança, da educação, da agricultura, do transporte público, da infraestrutura, ou seja, de todo o sistema público, há muitos anos. Basta voltar a assistir os noticiários televisivos disponíveis na internet ou reler jornais impressos, não importa de qual veículo, para vermos que gradualmente os serviços públicos foram se deteriorando. Quando houve um discurso eleitoreiro mais otimista, foi só para maquiar a situação. Não é uma particularidade deste governo, como muitos imbecis oportunistas virão a público declarar, faço questão de afirmar novamente isso aqui. Vejo sindicatos protestarem, mas nunca vi nenhum deles ser honesto com seus representados e apresentarem alternativas de aperfeiçoamento profissional ou coisas do tipo. Todos eles agem conforme os interesses de quem realmente representam, e não são os trabalhadores. Estes sindicatos nada produzem a não ser panelaços e palavras de ordem. Seu único resultado prático é atrapalhar o funcionamento natural das coisas por alegarem justa representatividade. O fato é que os sindicatos não quebram, o trabalhador e as empresas sim. Estes mesmo sindicatos e movimentos sociais são patrocinados por governos e partidos. Usam a angustia do trabalhador para promoverem o caos social e a doutrinação tão retrógrada e infecunda. Mas como poderiam deixar de ser isso, se representam políticos de mais de 60 anos, com discursos manjados, estratégias populescas e sem fim algum?
          O paternalismo estatal construiu uma imagem de supremacia econômica das estatais sobre as empresas privadas. Isso tirou a ambição das mesmas de investirem em gestão e modernidade. Com a representatividade das marcas de muitas empresas públicas ou de economia mista, a apatia dos funcionários públicos em termos gerais foi crescendo tanto, ao ponto destes profissionais pensarem que estariam salvos mesmo com uma crise generalizada. Não é raro ver uma pessoa que trabalha em uma empresa pública debochar de quem fica desempregado pelo fechamento de uma empresa da iniciativa privada. Também é natural ver funcionários públicos defenderem suas condições de trabalho e seus salários em comparação a iniciativa privada, dando assim, grande poder aos sindicatos, que por serem ligados a alguns partidos, servem como uma ferramenta poderosa de manipulação. Realmente, não vemos meros assistentes de qualquer coisa ganhando quinze ou vinte mil Reais por mês na iniciativa privada. Também os principais diretores dessas empresas não são colocados aleatoriamente em seus cargos, conforme a vontade politica. Ao abrir informações financeiras a população em geral, através de portais e aplicativos, as feridas foram expostas e hoje não dá mais para maquiar as finanças do estado com informações forjadas. Além de ser mal administrada, a máquina pública é corrupta e caduca. Vemos pessoas em filas enormes esperando atendimento médico de um lado, de outro, um posto de saúde super equipado apodrecendo sem ser inaugurado. Vemos mães sem ter onde deixar seus filhos pra trabalhar, escolas caindo aos pedaços, enquanto prédios novos de futuras instalações são depredados e o dinheiro público escoa pelo ralo. Tirando essa inabilidade de administrar o patrimônio público, a corrupção é a vontade politica mais genuína. Um político de carreira é quase obcecado por usar seu cargo em benefício próprio e de seu partido.
          O mal uso de dinheiro público, o descaso com a saúde, educação, segurança e principalmente, a economia, mostram como todos estes políticos são incompetentes ao escolher seus secretários e principais diretores, e corruptos ao lidar com o dinheiro público de forma irresponsável em prol dos interesses particulares ou partidários como falei acima. Se você ver reportagens ou documentários sobre a economia do país, vai se deparar com personagens como Delfim Neto e Luiz Carlos Bresser, estes nunca conseguiram apresentar nada que preste quando ministros da economia, passando informações e comentando a respeito do assunto através da mídia. Essas características se ampliam para outros setores além da economia. As faculdades estão cheias de futuros economistas, onde suas ideias e seus estudos são tão modernos que remetem a Karl Marx que era burguês, faliu e foi sustentado por Engels para não morrer de fome, engravidar uma empregada e escrever um monte de bobagens, isso no século XIX. Tirando os militantes políticos muito bem doutrinados, nada se aproveita de quem se forma anualmente nas instituições superiores de ensino. Ou pior, invadem escolas para protestar contra coisas que sequer sabem o que significa, enquanto coisas muito mais graves acontecem no mundo politico sem nada ser contestado. Essa é a solução para os problemas encontrada pelos nossos estudantes. Estamos sofrendo com as ideias de sessentões, coitadinhos da época da ditadura, que nunca se dedicaram a nada, a não ser traçar um plano maquiavélico de poder e transformar as universidades, e outros espaços públicos, em fábricas de retardados para o exército de zumbis militantes. Nunca se pensou em ajudar usando o conhecimento adquirido em defesa do desenvolvimento da economia e suporte ao estado. Há simplesmente a presença física na ação politica em forma de invasões e atitudes violentas.
          O que esperar de um Estado que recebe membros das Farc para uma visitinha, que produz políticos como Olívio Dutra, Tarso Genro, Raul Pont, Antonio Brito, Paulo Paim, Pedro Simon, entre outros? Todos auto intitulados defensores dos trabalhadores, mas que deixaram pra trás um Estado quebrado e sem perspectivas de nada. O máximo que conseguiram fazer foi maquiar algumas situações e empurrar tudo com a barriga. É muito fácil ir pra rua com bravatas pró educação, democracia e falar mal dos outros, mas nenhum deles, ocupando cargos políticos há muitos anos, conseguiu dar ao povo coisas básicas como emprego, segurança, educação, transporte e saúde com o mínimo de qualidade. Tudo é sazonal e em nada soma para uma construção de futuro consistente e progressiva. Engraçado que de tantos técnicos, engenheiros, economistas e outros trabalhadores formados pelos incentivos do governo, não apareceu nenhuma solução para um problema sequer. Aplausos para a educação do Brasil em especial para os gaúchos. Fico com a opinião de um amigo meu que, ao se formar na faculdade com incentivos do governo, foi morar fora do país, pois tinha a consciência de que seus conhecimentos seriam subutilizados e ele não teria como progredir trabalhando aqui. Será que todos pensam assim? Há um engajamento politico apenas para seguir tendência acadêmica, depois, ou se ajeita politicamente em um cargo público ou vai embora do país, no nosso caso específico, do Estado? Existem tantos caminhos que esse pensamento toma que fica difícil ser objetivo nessa analise. Na segurança, muitos bandidos que deveriam estar cumprindo pena, estão nas ruas cometendo diversos tipos de crimes. Mesmo assim, os presídios estão lotados e há uma nova leva de bandidos se formando a cada dia. Temos homicidas, latrocídas e outros criminosos nas ruas, temos fraudadores e quadrilhas aplicando golpes diversos espalhadas Brasil a fora e nos cargos públicos, uma dominação quase integral de políticos e servidores corruptos. Então, o Brasil, mais precisamente o Rio Grande do Sul, é dominado por uma grande parcela de criminosos? É muito triste, mas a resposta é sim. Se não houvesse boa vontade dos otimistas e a minima descrição dos canalhas, estaria sendo decretada situação de barbárie e não de calamidade econômica.
          Politicamente, o grande plano da esquerda, isso está claro em qualquer livro de qualquer escritor de qualquer época que desenvolva teses esquerdistas, é inchar o Estado até acabar com a iniciativa privada e ele ser o dono de tudo, como pudemos acompanhar in loco com o governo do PT e seus aliados, e deixar tudo ruir em meio a corrupção e a incompetência, onde só sobreviveria quem estivesse envolvido com esse plano nefasto. Essa sempre foi a estratégia de quem comanda o país nas últimas duas décadas, acabar com a iniciativa privada, não apenas grandes empresas, mas principalmente quem é dono de pequenos empreendimentos, formar um bando de incompetentes semianalfabetos com diplomas, dar esmolas ao povo e entregar todo o resto para seus aliados empreiteiros e banqueiros inescrupulosos. Por outro lado, qual é o grande nome da literatura, do jornalismo, da arquitetura, ou qualquer outra profissão de excelência, que tenha se destacado nos últimos vinte anos? Não foram poucos os jornalistas, escritores, entre outros, que avisaram sobre este futuro, que hoje é presente. Se o plano sempre foi imbecilizar a população, para manipula-la mais facilmente, usar empresas fortes e ricas no financiamento de campanhas políticas em troca de favores em licitações públicas, construindo uma relação de cumplicidade entre ambos os seguimentos para garantir o controle econômico sobre todos os seguimentos, comprar parte da imprensa para obter o controle da opinião pública, confesso que o plano foi muito bem executado. Grandes empresas de comunicação tem no seu DNA a militância das faculdades, enquanto seus mais altos gestores tem a proximidade a figuras politicas, pois mantem a necessidade de sobrevivência, já que o Estado tem o monopólio do poder e das ações. O pensamento de esquerda evoluiu para uma unanimidade politica consistente e soberana. Todos os recursos passam por bancos públicos ou parceiros do governo direta ou indiretamente. Não se faz absolutamente nada que não respingue algum dinheiro nos cofres públicos ou agentes ligados ao governo.
          Para encerrar, o Brasil caminha para uma quebra desastrosa como ocorreu na Argentina, Uruguay, Venezuela, Cuba, Bolívia, entre outros. Já ficou claro o que estes países tem em comum, não precisa ser muito inteligente para ver isso né? Agora os sindicatos, servidores públicos, universitários, o PT, PSOL, PSTU, PCO, o MTST, CPERS entre outros, podem pegar suas bandeiras, seus gritos de protestos, cartazes e todo o aparato necessário e ir para as ruas para comemorar a vitória. Vocês venceram. O Rio Grande do Sul, o Rio de Janeiro e em breve o país inteiro estará quebrado. Agora colham os frutos daquilo que plantaram. Em breve escreverei com mais detalhes sobre todo este contexto politico, ilustrando com nomes, imagens e documentos públicos que circulam pela internet, e todo o resto, para quem tiver realmente interessado em saber como as coisas funcionam no nosso país, poder refletir nesse sentido. O desenrolar dos fatos nos mostrará até que ponto a incompetência, a falta de moral e a corrupção podem ser bem sucedidos. Há uma bando de pulgas obcecadas pelo poder, sugando um enorme cachorro há muito tempo. Porém, as reservas de sangue e saúde do cachorro estão muito abaixo da ambição e do poder de um exército de pulgas que cresce constantemente. O único fim lógico é a morte do cachorro, como aconteceu com a Venezuela, Argentina e outros países, há de se eliminar as pulgas, pois só se morre uma vez.

sábado, 19 de novembro de 2016

Hardwired...To Self-Destruct


          18 de novembro de 2016 foi a data do lançamento oficial de Hardwired...To Self-Destruct novo álbum do Metallica. Para promovê-lo a banda lançou três vídeo clipes, á citar Hardwired, que foi o primeiro. Uma música curta, com pegada Thrash/Hard bem característica do Metallica da fase do disco preto, mas mais crua e visceral. Já o clipe lembra um pouco as tomadas da banda em Enter Sandman, sem as cenas adicionais. Depois foi lançada a música Moth Into Flame, candidata a ser a melhor faixa do novo álbum, mas superada pelo lançamento posterior de Atlas, Rise, também em vídeo. A expectativa já era grande por conta de um álbum novo da banda após oito anos e os vídeos apenas reforçaram isso. Escrevi a respeito do lançamento do vídeo de Hardwired aqui neste blog, pois sou fã da banda desde o início dos anos 1990, alias foi a banda que me fez gostar de Heavy Metal e querer tocar guitarra. Escrevo isso aqui, quando falei do início da banda após ler a biografia escrita por Mick Wall e escutar diversas vezes toda a discografia da banda neste ano. Tem dois vídeos no canal do Gastão Moreira, um é este e o outro é este na série Heavy Lero apresentado por ele e o Clemente, que contam em síntese a trajetória do Metallica, para aqueles que não conhecem ou queiram relembrar.
          Falando da semana de lançamento do álbum, o Metallica simplesmente fez clipes para todas as faixas e postou um deles a cada duas horas até o lançamento oficial do álbum neste sexta. E não foram clipes meia boca ou imagens de ensaios ou shows, como foi feito em St Anger e outros vídeos da banda, o Metallica fez vídeos com animações, efeitos digitais, tudo com o mesmo capricho costumeiro da banda ao longo de sua tragetória. Algumas fontes informam que desde o lançamento do DVD True the Never a banda já trabalha neste projeto. Uma coisa não pode ser negada por quem quer que seja, o Metallica é uma banda que trabalha demais e o faz isso com qualidade, mesmo que o resultado não caia no gosto da muita gente. A banda dificilmente para de fazer shows, tem gradativamente se aproximado dos fãs de forma até inédita para uma banda deste tamanho. Prova disso está nessa postagem, onde entrevistei Shana Campos, modelo e empresária, que é fã da banda e participou de um evento onde teve contato com Lars Ulrich e Robert Trujillo, podendo assistir, junto com outros sortudos, o show da banda no palco em São Paulo há alguns anos. O fato é que o Metallica trabalhou duro pra promover o lançamento de Hardwired...To Self-Destruct e entregou um excelente resultado dessa vez. Posso dizer que a qualidade do que foi apresentado é proporcional ao tamanho do projeto.
          Mas o álbum em si é bom? Sim, é muito bom! Assim como o Megadeth fez com Dystopia, onde a música que se ouve não supera os clássicos, mas supera facilmente a maioria do material que a banda lançou nos últimos vinte anos. As semelhanças não param por ai, em se tratando da música mostrada, ambos os álbuns foram produzidos quase que somente pelas bandas e suas equipes. Dave Mustaine é o grande mentor de Dystopia e Lars/James são os responsáveis por Hardwired..., o que prova o grau de maturidade dos caras atualmente. Que fique de exemplo para as bandas mais jovens e até para artistas consagrados que tem entregue umas coisinhas bem meia boca. Eis a resposta para uma banda se manter grande, alheia as mudanças de cenários e problemas ao longo do caminho, trabalhar e aprender com com as experiências. Claro que as pessoas que querem falar mal, com certeza irão fazê-lo, já li resenhas bem mixurucas a respeito do disco, mas quem é fã, ou quem está conhecendo a banda agora, tem um produto de alta qualidade a disposição para saborear. Mesmo que o texto possa parecer eufórico, considero tudo que estou escrevendo aqui como sendo condizente com tudo que sinto a respeito da banda e acompanhei desde o lançamento do disco preto.
          O som da bateria está muito bom e alto como em ...And Justice for All, os timbres de guitarra estão perfeitos em se tratando da sonoridade característica do Metallica. James está cantando como sempre e sua voz está madura e potente ainda. Ele parece ser quem mais evoluiu ao longo da carreira. O baixo ainda se esconde atras das guitarras na maioria do tempo, mas está mais presente do que no já citado ...And Justice for All e não compromete o registro da banda, muito pelo contrário, faz um papel importante no paredão sonoro. Verdade seja dita, Roberto Trujillo teve a grandeza de aceitar seu tamanho em comparação ao Metallica e não fugiu da proposta sonora da banda desde sua entrada, já que no Suicidal Tendencies e no Infectious Groove, principalmente, primava por slaps de funk. Com certeza as temporadas ao lado de Ozzy e Black Label Society fizeram dele um músico maduro e comprometido com a banda que integra em detrimento a um brilho individual. Só lamento que Kirk Hammet já tenha alcançado seu limite técnico há anos e não soube somar mais criatividade ao seu som nos solos do disco, mas isso não chega a ser negativo, apenas não brilha tanto quanto fez em Master of Puppets e Ride the Lightning, particularmente. O sempre criticado Lars Ulrich se mantem coeso no que já fez de melhor na banda, sem ser brilhante, continua irrepressivelmente sendo o baterista que ajudou a fazer do Metallica o que a banda é hoje. As letras seguem a linha caótica de Death Magnetic e são claustrofóbicas em sua maioria, mas o Metallica nunca foi a banda que fala de flores e vidinhas felizes. Sempre abordaram seus demônios e suas próprias desgraças e isso é muito bacana. Diga-se de passagem, foi muito bom a banda mostrar suas feridas e suas fraquezas ao longo dos anos, isso deu a eles o fator humano que as pessoas não consideravam nos grandes nomes do Rock. O filme Some Kind of Monster foi preciso e importantíssimo nesse sentido. Para um álbum descartável e de sonoridade precária, todo o contexto em torno dele fez com que a banda evoluísse para encarar estes últimos anos.
          Para finalizar, eu como fã de longa data da banda, ao ouvir algumas vezes o álbum, fui levado a alguns momentos do Master of Puppets, do ...And Justice for All, aos melhores momentos da fase Load e vejo grande evolução em comparação a Death Magnetic, seu antecessor. O Metallica fecha o ano de 2016 com chave de ouro para o Heavy Metal e espero que não demore tanto para lançar outro álbum de inéditas, já que há indícios de que lançarão outro CD de covers em breve. Convido a todos para visitarem o site oficial, assistirem os vídeos e escutarem com carinho o novo álbum dos caras, porque pra mim, ficou muito bom. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Invasões e protestos



          No Brasil invadir propriedade pública ou privada é crime, não importa qual alegação. Mesmo para a polícia, invadir um local para averiguação de crime ou para qualquer outra atividade, depende de autorização judicial. No dia 16 de novembro de 2016, houve uma invasão à Câmara dos Deputados por manifestantes de "direita" protestando contra corrupção, á favor das investigações da Polícia Federal, etc. Independentemente da causa defendida, invasão de espaço público ou privado é crime previsto em Lei. Sendo assim, os invasores, facilmente identificáveis, devem responder judicialmente. Claro que há sempre a possibilidade de alguns serem pagos para fazer isso pelo "outro lado", como foi feito nos Estados Unidos na eleição de Trump. Mas temos que parar de nos esconder atrás de movimentos. Temos a internet para registrar nossas opiniões, temos as ruas, não para atrapalhar o trânsito e depredar patrimônio público ou privado, mas para debater idéias, informar, passar o recado. Cobrar os políticos que elegemos enchendo as páginas das redes sociais, criando representações, entrando na justiça, entre milhares de opções que dão mais resultado do que simples manifestação física com cartazes e bravatas manjadas.
          Essa regra vale também para as invasões das escolas, independente do discurso politico ou social, é crime e os responsáveis devem ser processados judicialmente. Há pessoas que se impõem a intervenções judiciais dizendo que cortar luz, água e etc, são técnicas de tortura. São as mesmas que te ameaçam processar por um esbarrão. Fica bem claro o posicionamento de jornalistas e outras pessoas nestes casos. Talvez seja exatamente este o resultado esperado por "um lado", fazer com que o outro lado reaja de forma idêntica, porém, o discurso da mídia e das pessoas que fazem a mesma coisa, é de ataque e punição aos manifestantes. O resultado é previsível e qualquer idiota pode prever, baderna, simples assim, essa é a intenção.
          A mídia hoje em dia é bem clara e transparente a respeito de suas intenções. Basta ver o "copia e cola" dos textos e das abordagens. Não há uma mídia isenta, acredito que existam jornalistas "mais ou menos" isentos, que se emprenham em passar a notícia, mas nenhum é isento de opinião. Isso é normal e perfeitamente aceitável, o jornalista ou qualquer outro profissional, se posicionar a respeito doa fatos, mas direcionar ou manipular as notícias é outra coisa. A lei é a lei, independentemente se a consideramos justa ou injusta, mas deve ser respeitada por todos. Entrevistar teóricos e pessoas de outros órgãos para sustentar sua opinião não muda os fatos. Este costume de esticar, manipular, distorcer as "interpretações" é uma artimanha muito comum de quem é desonesto. Graças as brechas da lei, muitos criminosos estão soltos nas ruas cometendo os mesmos crimes, pois utilizam dessas mesmas técnicas.
          A intenção por trás de protestos e manifestações diversas é irrelevante na prática, o que fica são as depredações, o prejuízo de quem precisa cumprir suas obrigações, mas não pode aproveitar seus horários ou fazer seu trabalho, os bate bocas e a divisão da população como meros fantoches da mídia e dos políticos. Há uma sintonia bem afinada nos discursos, até nos adjetivos, usados por políticos, mídia e manifestantes, só não vê quem é idiota, e o Brasil está cheio de idiotas, idiotas úteis. Para essas pessoas o que vale é a bagunça, o quanto pior melhor. Já há um leque de exércitos treinados e facilmente identificáveis atuando efetivamente em todo esse contexto caótico. São células prontas para serem ativadas e externar suas habilidades.
          A impunidade que vemos nas invasões e depredações do patrimônio, público ou privado, os latrocínios, guerras de gangues, tráfico de drogas, corrupção, fraudes e todas as outras transgressões, que ferem a Constituição e os demais direitos dos cidadãos, é a força motriz de todos os males sociais. Todas as tentativas, articulações, politicas ou sociais, que ferem de alguma forma a Constituição que nos representa, devem ser punidas no rigor da lei, independente de quem seja ou a opinião que defenda. Já cansou ver a utilização da máquina do Estado, e seus subordinados, como ferramenta de protesto para atender interesses de grupos ou partidos específicos. Essa polarização só é interessante para estes interesses, como dizem: "Dividir para conquistar!" ou "Unir os diferentes para derrotar os antagônicos." frase de Paulo Freire. Ambas as frases, aparentemente distintas, tem por fim o mesmo objetivo, confundir as pessoas para se alcançar um objetivo específico. 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A Proclamação da República

         Fiquei muito decepcionado ao saber que meu enteado, hoje com nove anos e cursando o terceiro ano do ensino fundamental em uma escola pública, não tinha noção do porquê deste feriado de quinze de novembro. Se três anos não foram suficientes para que um cidadão brasileiro, na fase mais importante de sua formação, fosse instruído sobre um feriado nacional, o que está fazendo nas quatro horas diárias que fica na instituição durante nove meses anuais? Este não é o primeiro desacordo meu em relação ao ensino atual. Tenho, além deste que mencionei, outro enteado com treze anos e que está cursando o sétimo ano do ensino fundamental. Este estudou quatro anos no Espirito Santo, estudou dois anos em uma escola estadual e agora está a dois em uma instituição municipal. Ele simplesmente não sabe ler. É incapaz de dar ritmo á uma leitura, sequer faz ideia do conteúdo do texto que está lendo, não importa o quão simples ele seja. Quando as observações se dão no campo das exatas, o resultado é ainda pior. Total incapacidade de desenvolver uma linha de raciocínio, quanto mais formar uma noção teórica de alguma questão matemática, por mais rasa e simples que essa possa ser. Mesmo que, por algum momento ele apresente certa lucidez para fazer uma prova e ter boas notas, instantes depois ele sequer lembra que em algum momento teve contato com o que estava sendo apresentado ali.
          Engraçado que em tempos de internet e acesso amplo às informações, as pessoas mais jovens sequer saibam porque estão em casa em determinada data e não foram para escola ou trabalho. Isso não tem nada a ver com a abordagem politica ou social que é utilizada pelos professores, isso é negligência de informação, a mais básica possível. Isso pode ser comprovado ao assistir um telejornal, ao ter contato com outros profissionais com diploma de curso superior, não todos, mas a maioria deles, há apenas um conteúdo superficial e uma arrogância debochada generalizada nestes profissionais. A causa disso só pode ser a qualidade do ensino, onde escolas são invadidas por adolescentes sem cérebro, incapazes de debater sobre qualquer assunto, pois sequer tem informações básicas sobre história de ensino fundamental, pagam pequenas fortunas para fraudarem o ENEM, se formal em ensino a distância, formam um exército de zumbis a protestar nas ruas, mas sequer tem noção do quanto têm seus cérebro atrofiados. Esses jovens tomam partido em ideias prontas e cheias de cunho politico e ideológico e esquecem de estudar o básico, de organizar seu raciocínio. Eles não entendem que a maturidade só vem com o tempo e tentar forçar um engajamento político é muito perigoso, pois acabam caindo na lábia de quem conhece muito mais este campo e terminam formando uma legião de revolucionários com discurso pronto, idiotas úteis e barulhentos.
          Mas, voltando ao tema central, a Proclamação da República, caímos na vala comum que estamos acostumados a ver ao longo dos anos. Depois de alguns séculos de monarquia, com mudanças no mundo inteiro, como a independência dos Estados Unidos e sua subsequente guerra civil, onde houve a abolição da escravatura e um amplo debate social, revoluções na Europa e a disseminação de diversas teorias sociais e políticas, o Brasil vivia sua monarquia parlamentarista na segunda metade do século XIX. Várias tentativas de estabelecer resistência a Coroa foram contornadas pelos monarcas tanto portugueses como o brasileiro D. Pedro II, a citar a Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul, a Inconfidência Mineira, a Confederação do Equador e os movimentos republicanos no nordeste, manifestos, crises econômicas, religiosas e as diferenças pessoais e ideológicas entre membros da Coroa e das forças armadas. Todos aqueles membros do parlamento em desavença e o "calote" do governo em relação as indenizações aos grandes produtores por conta da abolição da mão de obra escrava, deram o estofo necessário para que Deodoro da Fonseca, apoiado pela maçonaria e demais movimentos contrários ao governo monarca, mesmo doente, proclamasse o novo regime de governo. Entretanto, este destacado militar, como consta em alguns documentos e narrações de contemporâneos, não visava destronar a monarquia, apenas derrubar um ministro.
          Não houve manifestações populares em defesa do governo deposto em um primeiro momento, mesmo assim Dom Pedro II pareceu, historicamente, gozar de grande simpatia popular. A República Velha estava nas mãos de militares e seus apoiadores, houve temor de uma resistência que não se deu de forma concreta. O Brasil assumia o formato mais popular na América em sua estrutura de governo. Muitos pensavam que seria mais fácil o entendimento com outros países, pois o Brasil, com suas revoltas pontuais ao longo de um século por conta da economia, religião e resistência as mudanças no mundo, estava ficando para trás como nação ampla e despovoada. Muitos temiam invasões estrangeiras para exploração de riquezas ou guerras de grandes proporções por território. O fato que o Brasil agora era uma República e assumia o formato politico que tem agora, mas ainda precisava de muitas mudanças até apresentar resultados que pudessem mudar as condições sociais dos brasileiros ao ponto de ser comparado a alguns de seus vizinhos. Ainda teria um longo caminho até o período democrático, mas foi um importante passo, mesmo que não se tenha garantia de que era o melhor, para a evolução de nosso país.
          Conhecer a história do nosso país, mesmo que de forma menos aprofundada, é fundamental para formar cidadãos engajados com nosso futuro. Por esse motivo me entristecesse tanto me deparar com coisas como as que mencionei no inicio do texto. Mesmo gostando ou não da nossa história, é o nosso país, caímos aqui por mero capricho do acaso, mas cabe a nós ter importância na mudança das condições que consideramos injustas e desonestas. Defende-se tanto alguns políticos e personagens do Brasil, mas o fato é que não nos tornamos a nação que gostaríamos. Tanto isso é verdade que aqueles que mais lucram com o Brasil residem fora do país. Ao invés de formarmos profissionais que possam criar um legado industrial, cultural, politico e social, ficamos nas mãos das multinacionais para explorar nossa matéria prima e nossa mão de obra enchendo os bolsos dos corruptos daqui e mandando dinheiro para fora. Promovemos a vinda de grandes artistas para se apresentarem por cachês milionários e desprezamos aqueles que tentam viver da arte. Nossa politica é uma vergonha, onde corruptos tomam as decisões mais importantes mentindo para o povo e pregando ideologias rasas e deturpadas. Nossa sociedade convive com a criminalidade, impunidade e exploração abusiva. Nosso futuro está entregue a analfabetos funcionais que protestam de forma física, mas são incapazes de estabelecer um debate sério sobre qualquer coisa.
          Não adianta fugir para outro país, não adianta se unir aos corruptos para ter uma vida mais luxuosa, enquanto não olharmos para trás e debatermos até a última instância os fatos que constituem nossa história, jamais evoluiremos como seres humanos. Apenas se valer de um vício eleitoral, de carreiras estatais, de programas de governo ou mesmo de suas esmolas, não nos trás dignidade. Onde está o mérito do cidadão na nossa sociedade republicana e democrática? Como podemos dizer que estamos progredindo se estamos plantando sementes estéreis? Se o terreno que preparamos é rochoso, seco e cheio de pragas? Somos brasileiros e donos de nossa pátria, portanto somos responsáveis por ela. Temos que curar suas feridas, arrancando os espinhos que a sangram desde o descobrimento. Temos que trabalhar com a realidade que está a nossa frente, não lamentar o passado ou sonhar com o futuro. Nossa história apontará nossos erros, nossas fraquezas, mas também mostrará virtudes, afinal, estamos vivos ainda, embora agonizantes. Se nossa terra fosse tão desprezível, não haveria tantos parasitas dedicados em sugá-la. Abracemos nossa história de forma honesta e amável, pois temos tudo para escrevê-la daqui pra frente de forma mais justa e honrosa.
          Para encerrar esse texto, convido a todos que o lerem a refletir sobre nossa tarefa diária na educação de nossos filhos, nos debates políticos, nas coisas que defendemos por herança ou indução, mas que nunca questionamos ou nos aprofundamos. Acho patético alguns jovens reclamarem da manipulação da mídia, sendo que possuem uma vasta diversidade de opiniões em diferentes fontes de informação a disposição. Saber ler, interpretar, ter boa vontade em ouvir e se aprofundar sobre um assunto, coisas básicas, são o suficiente para se manter informado. É uma escolha individual se tornar um idiota, afinal, quem tenta manipular as noticias que realmente te dizem respeito, são de uma capacidade de raciocínio superficial, fácil de ser derrotada por qualquer ser humano levemente lúcido. Por outro lado, devemos cobrar dos educadores o mínimo de compromisso com a profissão que escolheram. Para deixar clara minha opinião sobre a Proclamação da República que se celebra hoje, esta foi o primeiro golpe politico-militar da nossa história, numa primeira ação prática invejosa aos Estados Unidos. Somente foi disseminado o pensamento que a monarquia era algo ultrapassado porque na América do Norte havia um gigante que era republicano. A queda da monarquia abriu precedente para que se diluísse qualquer tradição e vivêssemos de golpe em golpe através dos anos. Pra ser honesto, a república, em termos de Brasil, é uma grande porcaria. Entretanto, por fazer parte de nossa história, conhecer o que celebramos no dia 15 de novembro é fundamental.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Do LP ao Streaming, as várias facetas do áudio


         Como já falei inúmeras vezes aqui, sou daqueles amantes de Heavy Metal quarentão, ou quase. Tenho minhas manias de velho para muitas coisas como reclamar do governo, achar que todas as coisas nos supermercados são uma porcaria e caras demais, ler revistas impressas, comprar CDs e LPs, querer gravar um álbum todo sozinho, essas coisas. Mas como os anos 1990 já passaram a 15 anos, tenho que me adaptar a certas coisas como Facebook, Youtube, WhatsApp, essas mídias mais modernas. Entretanto, ouvir música pelo Youtube ou arquivos MP3 em fones de ouvido nunca cairão no meu gosto. Claro que, na emoção de ouvir vários álbuns pelo computador, fez com que eu baixasse arquivos em MP3. Realmente acumulei muitos Gigabites de arquivos de música, mas isso não fez com que eu gostasse mais ainda das bandas que eu já gostava ao ter acesso a toda discografia. Muito pelo contrário, passei a ouvir música como a maioria das pessoas, usando-a como trilha sonora para outras atividades.
          Não sei se por ter consciência de que as bandas que gosto não ganham nada com downloads ilegais, mas acredito que o formato MP3, por mais que seja comprimido com alta qualidade, ele tira algo essencial que eu não sei exatamente o que é. Um kit multimídia ou um fone de celular também contribuem para deixar a coisa desinteressante, embora eu tenha um home estúdio com caixas de qualidade e uma interface de áudio interessante, fazendo uso destes recursos pra ouvir os álbuns que eu gosto. Mas é quando coloco um LP ou um CD no meu pequeno  Jensen JTA 475B que as coisas começam a fazer sentido. Realmente, mesmo um álbum tocado via Streaming, como o Google Play que é o que eu uso, conectado ao auxiliar do JTA já soa bem mais agradável. Muitas características técnicas mudaram nos últimos 30 anos, tanto para gravar as músicas como para reproduzi-las, isso fez com que tudo perdesse um pouco dos parâmetros considerados interessantes e caíssem numa realidade confusa.
          Comprar CDs e ir a shows fazem com que o artista ganhe dinheiro e as pessoas se interessem mais pelo trabalho apresentado. Tínhamos uma tática no período anterior aos MP3 da vida. Quando não conhecíamos um artista, gravávamos um álbum em uma fita cassete de um vinil e depois de um CD. Caso aquilo caísse no nosso gosto, comprávamos o álbum. Normalmente era assim. De uns anos pra cá cheguei a cogitar não comprar mais CDs e coisas do tipo, por conta da facilidade em baixar álbuns em forma de arquivos compactados. Porém, notei como as bandas que eu gosto passaram a desprezar, de certa forma, a gravação de músicas inéditas. O motivo era claro, aparentemente, a falta de interesse das pessoas em comprar os álbuns. Saí mais vantajoso tocar ao redor do mundo do que se trancar num estúdio por meses e colher criticas negativas e ter baixa vendagem como retorno. Hoje as bandas não precisam mostrar um álbum novo ás gravadoras para sair em turnê, se elas optam por isso é mais por uma questão de hábito.
          Como o país está em crise e possivelmente isso afetará a vinda de bandas grandes para cá num futuro próximo, uma alternativa interessante é os Streamings de música, como o Google Play, que mencionei antes, mas tem muitos mais. Só espero que para as bandas isso seja interessante, pois quando leio uma matéria sobre uma banda e não conheço o som, ao invés de me socorrer pelo youtube e ficar catando, apenas ouço o álbum on line, pois estou pagando por isso. É como usar as velhas fitas cassete, porém, com a qualidade bem superior. Sei que ainda é complicado comprar o álbum físico, pois muitos nem saem aqui ou são muito caros, mas antigamente também existia essa dificuldade. O legal também é a coisa da época, ir ao show da turnê, quando possível, comprar o álbum novo para recordar depois. É aí que as coisas começam a fazer sentido e saem do velho conceito de trilha sonora para qualquer coisa.
          Como tenho condições e curiosidade suficientes para perder tempo fazendo testes, fiz algumas experiências. Sem entrar em muitos detalhes, por um bom período intercalei álbuns físicos e arquivos MP3 enquanto bebia cerveja, lia, jogava videogame, escrevia, entre outras coisas, e cheguei a algumas conclusões. Enquanto rodavam os CDs e os LPs e eu escrevia, o fato de eu ter que virar o LP ou trocar de CD fazia com que eu tivesse um tempo X para escrever e este tempo ficava otimizado. Já com os arquivos MP3, eu perdia a linha de raciocínio rapidamente e mal prestava atenção quando acabava uma faixa e começava outra, sem contar que ficava entediado rapidamente. Para ler acontecia a mesma coisa, com os álbuns físicos rodando, a leitura não me cansava, com o MP3 começava a ficar massante em pouco tempo. Pode ser coincidência, mas para mim isso funcionou dessa forma. Com o Streaming a coisa fica no meio termo. Se o álbum é bom prende minha atenção por um bom tempo, mas quando é ruim ou estranho demais me cansa um pouco. Mas tem de se ter em mente que a música de hoje é assim, deste formato.
          O detalhe mais interessante que pude perceber foi que, mesmo sendo de qualidade o arquivo em MP3, tocado por caixas de qualidade, tem uma espécie de embolação nos médios. Isso eu percebi tanto em fones, como no meu Jensen, em diversos tipos de reprodução. Já o LP, mesmo que gasto e ruidoso, parece que é uma banda tocando, dá pra perceber as nuances de cada instrumento. A mesma coisa num CD, tudo parece mais claro e vivo. A interação entre um CD ou LP e o aparelho que o reproduz parece ser mais natural do que um computador tocando um arquivo. Fiz os testes com CDs lançados agora, versão em Streaming e arquivos MP3 tocando tanto no computador como no Jensen e concluí que o formato tradicional ainda é bem melhor, embora não seja tão prático. Portanto, mesmo que as pessoas se justifiquem que só tem tempo pra escutar musica no transito ou algo do tipo, eu aconselho a tirar um tempinho para curtir música em casa, no seu aparelho de som, mesmo que seja por pouco tempo, a experiência realmente valerá a pena.
          E pra falar em épocas, muita gente fala que hoje não tem mais nada que preste pra se ouvir. Eu discordo completamente. Se não temos o surgimento de novos clássicos, e mesmo as bandas antigas não conseguindo superar o que já fizeram, acredito que os anos 2000 foram piores, principalmente para o Heavy Metal. Já escrevi a respeito de bandas novas, de álbuns clássicos e alguns desprezados e cheguei a conclusão que temos tantas bandas e trabalhos bons como sempre, só não damos tanta atenção assim. Se existe a opção por ouvir sempre as mesmas coisa, tudo bem, mas que não se alegue falta de opção, pois existem várias bandas que surgiram depois dos anos 1990 muito boas. E bandas como Iron Maiden, Megadeth, Black Sabbath, entre outras, que conseguiram lançar ótimos trabalhos. Pode ser que não sejam tão bons quantos os clássicos, mas são melhores que muitos já lançados por eles mesmos. 
          Fica a dica então: Evitem os arquivos MP3 da vida, prefira os álbuns originais e dedique um tempo para ouvir música de forma mais atenta. Se um álbum foi lançado originalmente em LP, prefira o LP. Se foi lançado em CD, prefira ouvir o CD. Se só foi lançado em formato digital, paciência, use o Streaming. Grande abraço