sábado, 16 de julho de 2016

Recordando os tempos do vinil

       
          Recordar é reviver algumas situações e voltar a sentir as mesmas sensações já esquecidas. Normalmente o que mais nos marca são as coisas que vivemos e os sentimentos da juventude. Quando jovem, eu era daqueles caras que trabalhavam num emprego qualquer e juntava dinheiro para comprar discos, camisas de bandas, pedais para guitarra, fitas cassete e coisas do gênero. Era nas lojas que normalmente nos informávamos das novidades relacionadas as bandas que gostávamos. Inúmeras vezes sai de casa com ressaca no sábado pela manhã para ir ao centro de Porto Alegre comprar alguma coisa. Isso era parte da rotina, tinha que sempre reservar um tempo pra isso. Tal atividade me dava muito prazer. Quando comprava algum disco ficava revirando a capa, o encarte e imaginando quando chegaria em casa e ia pôr pra rodar a aquela bolacha. Ficava lendo as letras no encarte e fazendo traduções mentais de acordo com o que conhecia de inglês na época.


          Há uns dois anos, tive a oportunidade de fazer o que sempre adorei fazer, mas que há muito tempo não fazia, por diversos motivos. Fui até uma loja de cds para compra discos de vinil. Seguindo a leitura explicarei o porquê de eu ainda gostar tanto disso. Fui á essa loja no centro de Porto Alegre e comprei alguns discos como fazia a vinte anos atrás. Sim! Isso mesmo. Sempre gostei de entrar nas lojas e ficar “sujando os dedos” como os mais antigos falam, atrás daquele disco fantástico que estaria escondido lá entre muitos outros esperando para ser comprado. Ali, em meio aqueles diversos exemplares, o tempo parece recuar e dar várias voltas no tempo, passando por diversas épocas. Faz a gente recordar de muitas coisas e situações. Lembrei de quando comprei meus primeiros discos. Acho que foi em 92 ou 93 em uma loja de Cachoeirinha, onde o dono vendia discos usados. Fui lá, sujei os dedos e sai com quatro discos. O Paranoid do Black Sabbath, British Steel do Judas Priest, Don´t Break the Oath do Mercyful Fate e o Abigail do King Diamond. Cheguei em casa e escutei-os numa vitrola da minha irmã, que tinha um som muito baixo devido a seus pequenos alto falantes. O próprio aparelho era bizarro, era menor que o disco e o mesmo ficava rodando com parte para fora. Quando não estava em uso virava uma maletinha tipo lancheira. O mais peculiar é que com ele veio um single do Roberto Carlos de demonstração. O disco tinha os sulcos impressos em papelão coberto por uma fina camada de vinil. Um tempo depois comprei meu 4 em 1 da Gradiente com cd, duplo deck, radio e vinil. Ai comecei a comprar CDs e vinis rotineiramente.
          Na verdade já tinha discos do Pantera, que ganhei de presente desde quando morava com minha avó um ou dois anos antes e também possuía um punhado de fitas cassete com gravações feitas diretamente do rádio e de discos e fitas de amigos. Foi na casa de minha vó que decorei todas as letras do Cowboys From Hell e o do Vulgar Display of Power do Pantera. Ficava horas ouvindo os discos e lendo o encarte com as letras. Hoje em dia a maioria nem quer saber quem são os componentes das bandas, onde o disco foi gravado, quem produziu. É muito mais fácil baixar as músicas da internet e ler alguma resenha do que ficar por dentro de tudo que aquela obra significa.
          Mas o que me fez lembrar da época em que comprei meus primeiros vinis, foi o cheiro particular que todos eles tem. Suas capas plásticas quase deterioradas, suas superfícies marcadas pelo uso e pelo tempo remetem aos anos em que eram muito populares e depois muito raros. Na metade da década passada lembro que qualquer vinil custava R$ 100,00 reais, hoje já variam de preço ficando na casa de R$ 30,00 reais. Os cds estão até mais baratos e podem ser encontrados aos montes nas prateleiras dessas lojas mais vintage. Separei uns vinte LPs naquele dia após verificar todas as prateleiras e comprei nove. Infelizmente não havia tantos que me chamassem a atenção ao ponto de me empolgar pelas descobertas e como sempre, não tinha como comprar todos aqueles que eu encontrei e me agradaram, mas possivelmente arrematarei os que ficaram pra trás em breve (isso foi o que pensei no dia). Com o advento do MercadoLivre e lojas na internet agora é possível encontrar diversos títulos de bandas famosas, acessórios para aparelhos antigos e muitas outras coisas. Tudo isso faz com que as idas as lojas especializadas fiquem cada dia mais improváveis. Também vemos diversos relançamentos de discos clássicos em vinil duplo, com uma qualidade superior aos antigos e capas mais elaboradas. Também há novos aparelhos, que além de ter todas as funções dos antigos ainda convertem o material e gravam em mp3. 
          Comprei estes discos por três motivos distintos. O primeiro foi porque no final do ano anterior (2013) adquiri um 3 em 1 velho da Gradiente. Peguei gosto por comprar coisas dos anos oitenta depois de começar a colecionar Action Heroes da minha infância. O segundo motivo é porque gosto das bandas que gravaram esses discos e eles foram feitos para este tipo de mídia desde a gravação, prensagem e configuração dos aparelhos. Como sou um entusiasta e estudioso de produção musical, nada melhor do que ouvir gravações originais das épocas que mais gosto, da forma que faziam a vinte anos atrás. O terceiro motivo foi porque comprar vinis e escutar todos ao chegar em casa é uma prática que me remete a juventude, onde este tipo de coisa me dava muito prazer e preenchia meu tempo. Fazendo isso desenvolvi meu gosto musical, aprendi inglês e comecei a formar meus conceitos, passei a ter ideias próprias e moldar minha identidade. Não só isso fez com que gostasse ainda mais de música, como me deu um repertório musical muito rico.
          Para encerrar vou citar os discos que comprei: Pride do White Lion, Slide It In do Whitesnake, Operation Mindcrime do Queensriche, Hey Stoopid do Alice Cooper, 90125 do Yes, Apetite for Destruction do Guns n’ Roses, Live do Mr. Big, Lovedrive do Scorpions e WASP do WASP. Ótimos discos, todos na veia Hard Rock anos 80. Pude ouvir petardos como I Wanna Be Somebody, Feed My Frankenstein, Love Ain’t No Stranger, Welcome to the Jungle e assim por diante, tudo na sua forma original. Pena que minha agulha estivesse tão ruim. Em 2014 comprei um simples 4 em 1 da Jensen. Este aparelho é atual, mas conta apenas com 2 Watts de potência, porém é o que se pode ter por R$ 1.000,00. Fica a dica, ouvir um belo vinil num aparelho descente é uma coisa que o mp3 não substituiu, seja pelo charme de virar o disco quando um lado acaba ou seja pela sonoridade em si. Muita gente pode dizer que hoje é possível fazer produções com mais qualidade dentro de um estúdio caseiro e que todo conhecimento está ai pra ser usado, assim como há equipamentos muito melhores e mais acessíveis que a duas ou três décadas atrás. Entretanto, acredito que o talento, o envolvimento com o trabalho, o conhecimento e nível de profissionalismo das pessoas que participavam dessas obras tenha se perdido com o passar do tempo e agora será quase impossível encontrar obras tão grandiosas. Acho digno de nota mencionar que tenho comprado CDs também, pois muitas bandas novas tem lançado álbuns interessantes e o formato atual para gravações, em sua maioria, são os digitais, e mesmo que até o CD possa estar ficando em desuso, ainda acho relevante ter a mídia física.



quarta-feira, 13 de julho de 2016

Entrevista com Paulo Anhaia

         
          Nos últimos dias tive a oportunidade de entrevistar, via e-mail, o produtor e engenheiro de áudio Paulo Anhaia. Para quem não conhece, é a pessoa por trás dos sucessos de Charlie Brown Jr., CPM 22, Velhas Virgens, Resgate, Rouge, Oficina G3, entre muitas outros grupos. Se analisarmos a carreira de Paulo Anhaia, veremos que ele trabalhou como produtor, engenheiro de áudio, arranjador, etc., em quase 10 álbuns por ano, em média. Estamos falando de muita experiência em estúdios, parceria com Rick Bonadio e outros grandes nomes do cenário musical, prêmios e reconhecimento. Desde seu início de carreira, ainda tocando com bandas na metade da década de 1980, até aqui, muitas coisas rolaram na carreira de Paulo, inclusive a mudança do formato de mídia, na forma de se trabalhar com música com a queda das grandes gravadoras e o surgimento das novas tecnologias. Sempre presente no mercado e em plena atividade, sua contribuição para o cenário musical brasileiro é imensa. Mesmo premiado e reconhecido por seu trabalho, Paulo Anhaia faz questão de divulgar uma grande quantidade informações e dar a oportunidade para que outras pessoas possam se servir deste conhecimento e utilizá-lo em seus trabalhos.
          Conheci o Paulo Anhaia de fora do estúdio em uma entrevista que fazia parte de um curso de produção musical que participei em 2012. Já havia visto e lido muito a respeito dele por causa dos trabalhos premiados que havia realizado. Porém, foi nessa entrevista que tomei contato com a pessoa e a forma desse importante profissional pensar a música em geral. Depois disso, passei a acompanhar seu canal no Youtube e assistir a série "Anhaia TV", onde Paulo fala sobre seu trabalho e suas idéias a respeito de música e mercado musical. Investir tempo em compartilhar informações e debater suas técnicas, também tem sido uma constante em sua rotina atualmente, pois tem ministrados cursos, tanto on line como presenciais, onde expõe sua metodologia de trabalho e instrui os interessados sobre todas as etapas da produção em estúdio. Paulo Anhaia também participa de cursos e workshops de outros profissionais da área, quando possível. Isso demonstra, não só o interesse em se manter atualizado, como também a humildade e o espirito colaborativo em prol do crescimento profissional de todos.            
          Atualmente Paulo Anhaia mantém a série "Pergunte ao Anhaia" em seu canal no Youtube e já passa de 35 episódios. Nesse espaço ele dedica de 20 a 30 minutos semanais para responder questões enviadas por aqueles que o acompanham. Há de se ressaltar que Paulo responde a todas elas com carinho e riqueza de detalhes, sem nunca menosprezar aqueles que o questionam. Não há como não reconhecer a grandeza de caráter de quem já alcançou um status muito alto dentro do cenário musical e continua tratando as pessoas de forma atenciosa e respeitosa. Todos deveriam demonstrar a mesma grandeza ao invés de se tornarem esnobes, donos da razão e inacessíveis aos outros, escondendo-se atrás de uma fachada midiática para camuflar sua real mediocridade artística ou pessoal. Felizmente existem pessoas que rompem com esses velhos conceitos de guardar pra si a informação, de inflar seus egos gigantes e se deixam levar pelo sentimento coletivo de melhorar a música. Esse também é o objetivo desse blog e os demais detalhes sobre o cara estão na entrevista abaixo:
          Paulo Ramos: _Quatro bandas marcam pontualmente sua carreira como músico: Shock, Complexo B, Pozzeidon e MonsteR, correto? O que cada uma dessas bandas representou pra você e no que elas somaram para a construção do Paulo Anhaia que se estabilizou no mercado musical? Havia mais alguma banda que seria interessante citar além das já mencionadas? 
          Paulo Anhaia: _Têm mais bandas. Toquei com muita gente em muitas situações, mas vou falar sobre as 4 que citou. O Shock foi a minha primeira banda com 13 anos de idade. Foi a minha descoberta sobre o que é ter uma banda, como lidar com outros músicos, saber o que é um ensaio, o que é um show e etc. Tínhamos uma paixão que nunca mais foi igualada. Aquela coisa de garoto inocente. Ensaiávamos 10, 12 horas por dia, no sábado e domingo, hehehe. Depois, veio O Pozzeidon, a minha primeira banda séria. Durou 7 anos e compusemos muitas músicas, fizemos duas demos e muitos, muitos shows. Nessa banda aprendi a gravar, a lidar com o público num show, a divulgar shows, a compor e tocar vários estilos de música, foi importantíssima pra mim. O Complexo B foi a minha primeira banda de covers pra tocar na noite. Aprendi demais nessa banda, os outros músicos eram bem mais experientes que eu, e me desafiavam a ser melhor a cada dia. Me tornei principalmente um vocalista melhor, porque muita coisa que eu considerava impossível de cantar, eu consegui. Ótima fase! O MonsteR foi a minha banda que durou mais tempo, dez anos, e que realizou mais coisas. Foram três CDs, dois DVDs, muitos shows... Foi a banda de que fiz parte que tinha uma postura realmente profissional. Fazíamos músicas que a galera cantava junto e sempre nos destacávamos nos lugares onde tocávamos, nosso show era animal!
          PR: _Quais estúdios você trabalhou como empregado, se é que se pode dizer assim, e o que cada um deles lhe proporcionou alguma evolução na sua carreira?
          PA: _O primeiro foi o Studio 43, no Jaçanã em SP, foram 3 anos. Lá eu aprendi o que era ser um engenheiro de som, o que era mixar e o que era trabalhar com muitos estilos diferentes. Era um estúdio muito bem montado, com um equipamento de ótima qualidade. O segundo foi o Bonadio Studio. O Rick Bonadio um dia ligou pra minha casa me chamando pra trabalhar num estúdio que ele estava montando, o Midas. Ele ouviu uns trabalhos que eu tinha feito e pegou meu contato com o Toninho, dono do Studio 43. Como ainda iria demorar um tempo até o estúdio ficar pronto, trabalhei pra ele no Bonadio Studio por um ano antes de irmos pro Midas. O Bonadio era um estúdio criado por um cara que é músico e produtor musical, o 43 foi criado por um cara que é engenheiro de som. Isso significa que o foco de cada estúdio era bem diferente, e o clima também. O 43 era um estúdio mais técnico e o Bonadio mais musical. Me adaptei a essa nova realidade e fiz uns trabalhos memoráveis nesse estúdio. Depois fomos para o Midas, que era absurdamente superior ao que eu conhecia de antes. Um estúdio de primeiro mundo mesmo, com os melhores equipamentos e melhores salas. Fiquei lá de 1998 até 2009 e fiz muito, muitos trabalhos de sucesso. Todas as premiações que tenho são dos trabalhos que executei lá, nessa época.
          PR: _Você teve algum mestre, uma pessoa que você decidiu se espelhar quando começou a produzir?
          PA: _Michael Wagener foi meu mestre sem saber, hehehe. A revista Kerrang fazia um anuário onde sempre rolavam várias entrevistas interessantes. Num desses anuários teve um método de produção do Michael Wagener, falando sobre quantas horas se usaria por minuto de produção e que tipo de produção poderia ser feita dependendo da quantidade de horas por minuto. Por exemplo, 1 hora por minuto daria para levar a banda no estúdio, gravar a base ao vivo, somar a voz e mixar rapidamente. Quase um ensaio ao vivo. 6 horas por minuto daria para produzir com calma e critério. Essa matéria foi o referencial para a primeiro produção que fiz, e até hoje mantenho isso como referência.
          PR: _Acompanhei seus vídeos da "Anhaia TV" no Youtube e são muito interessantes, principalmente quando você fala da qualidade do trabalho musical propriamente dito: composição, letras, arranjos, etc. Não te parece que o pessoal que está iniciando os trabalhos com música está mais apegado a equipamentos e teses mais técnicas do que a música propriamente dita? Gostaria que compartilhasse sua impressão com os leitores do blog.
          PA: _É exatamente isso. As pessoas estão esperando que a qualidade musical venha do equipamento de áudio, mas na verdade a qualidade do áudio depende muito da qualidade musical. Um bom cantor, cantando uma boa música, num tom coerente, soa bem mesmo se usar um equipamento simples. Um mal cantor, cantando uma música ruim, no tom errado, soa ruim mesmo se usar o melhor equipamento do mercado.
          PR: _Dando uma olhada na sua discografia como produtor musical/engenheiro de áudio constato duas coisas que julgo interessantes: 
          1° Você tem trabalhado com bandas de Rock que estiveram na grande mídia como CPM 22 e Charlie Brown Jr, bandas de Rock Cristão cito: Oficina G3, Resgate e Katsbarnea, e pop como: Rouge e Bro'z, entre outros nomes, todos mais ou menos na mesma linha em termos de sucesso;
          2° Você não tem trabalhado com bandas grandes de Metal;
          Você acha que isso se deu por conta de você ter trabalhando bastante com o Rick Bonadio e por isso seu trabalho foi mais direcionado para esses grupos que são mais o perfil dele? Falo isso porque sei que gosta de várias bandas de Heavy Metal, Rock Progressivo e Hard Rock. 
          PA: _Você está equivocado. O problema é que as bandas de Metal não fazem sucesso como as bandas de pop rock, então você ficou sabendo das bandas de pop rock que eu fiz, mas não ficou sabendo do Fates Prophecy, Wizards, Madame Saatan, Tuatha de Danann, Ancesttral, Heavens Guardian, isso pra citar só algumas. Fiz muitos trabalhos bons de metal, mas você não os conhece porque está focado no Bonadio, hehehe. Outra coisa que é comum é isso que você disse de “bandas na mesma linha”. Rapaz... Oficina G3, Velhas Virgens, Rouge, CPM22... mesma linha onde??? Hahaha, esses artistas não poderiam ser mais diferentes entre si.
          PR: _Quando falei do estilo das bandas, ou "mesma linha" me referia exatamente a popularidade e o tamanho dos artistas para cada nicho. Me expressei mal ao elaborar a pergunta. Quis dizer que faltou a sua assinatura em trabalhos de bandas como Sepultura, Angra, Dr. Sin, Krisiun,... Que são bandas tão representativas dentro de seus estilos quanto as bandas que citei, Oficina G3, CPM 22, Charlie Brown Jr. Mas foi bacana sua porque com a sua resposta as pessoas vão ampliar mais o campo de visão a respeito de seu trabalho. Eu acho que o resultado que teve com as bandas citadas, demonstra que se pegasse uma banda de Metal nacional consolidada lá fora, você conseguiria levar a outro nível. Penso que você seria o cara ideal pra gravar Roots do Sepultura e Holly Land do Angra.
          PA: _Porra, muito obrigado pelo carinho! Infelizmente é comum as pessoas verem somente os trabalhos de sucesso comercial e esquecerem dos trabalhos "menores". Não é culpa minha isso. O empenho e o carinho é o mesmo, mas alguns viram sucesso comercial e outros não...
          PR: _Quando você recebe uma banda desconhecida para gravar um álbum, qual a sua primeira preocupação: Entender o que a banda quer fazer e tentar ajudá-la a chegar ao seu objetivo, ou você prefere direcionar a banda para aquilo que você imagina que eles deveriam fazer? Falo de bandas novas, pois é o tipo de trabalho que tenho contato nesse momento. 
          PA: _Eu sempre trabalho com o que a banda me traz. Se caso eu não goste de nada do que eu ouço, eu prefiro não fazer. Sou só um meio para chegar a um fim, não gosto de criar artistas do zero porque não acredito nisso.
          PR: _Como você viu a queda das grandes gravadoras e o acesso facilitado ás produções caseiras de qualidade razoável? Você acha que a mudança causada pela internet proporcionou mais liberdade artística para as pessoas, mas a falta do filtro das gravadoras e os investimentos delas contribuíram para uma queda na qualidade da música em geral? Falo isso porque muitos dos artistas independentes podem até ser, e alguns são muito bons, mas falta uma estrutura que maximize seu potencial e eles acabam competindo com os aqueles virais de internet e a coisa toda fica confusa. Como você analisa essa mudança de mercado, já que esteve trabalhando nele diretamente desde o inicio desse fenômeno?
          PA: _A indústria da música como conhecíamos morreu, eu já canto essa bola há mais de quinze anos. Se a sua ideia é fazer música, acho que estamos na melhor época, já que os equipamentos e o conhecimento para fazer música estão mais democratizados do que nunca. Se você quer ser uma estrela da música, talvez estejamos na pior época que já existiu desde o surgimento das gravadoras. As gravadoras eram guiadas por gente que queria ganhar dinheiro. Elas faziam um estudo sério do público, dos artistas e investiam com sabedoria para que desse certo. Sem essas pessoas o trabalho é bem mais complicado, porque o artista tem que saber sobre marketing também, e aí acaba dividindo isso com a parte musical, que acaba sendo prejudicada.
          PR: _No seu workshop "Mix in the Box" achei o conteúdo muito direcionado a galera que via as condições dos músicos e produtores brasileiros até os anos 80 que diziam: “Não dá pra fazer algo de qualidade, não temos recursos!” Fale-me deste workshop. O foco é esse mesmo: “Simplesmente não invente desculpas, faça que dá certo”? 
          PA: _Posso estar enganado, mas tudo na vida é exatamente assim. Como se cria um filho? Como se monta uma empresa? Como se aprende a andar de bicicleta? Dando desculpas ou fazendo o melhor possível com o que se tem? O "Mix in the Box" é um “despertador” hehehe, do tipo: "Se liga, nada na música é feito em condições ideais, o que você está esperando pra fazer música se tudo o que você precisa pra fazer você já tem?
          PR: _O “Dia a dia no estúdio” é um workshop mais direcionado a quem quer realmente trabalhar no estúdio, como engenheiro de som. Você quer mostrar o trabalho para o pessoal ver se é isso mesmo o que querem, ou matar a curiosidade da galera já está valendo? Fale-me deste Workshop e o que tem lhe proporcionado?
          PA: _A ideia é levar a galera para um grande estúdio e mostrar como eu fiz os meus trabalhos de sucesso. O workshop desmistifica muita coisa, mostra que a parte humana é mais importante e que muito do que se faz é uma questão simplesmente de gosto e de diversão enquanto se trabalha.
          PR: _O Curso “Editando até quebrar o Mouse” é bem o tipo de foco que eu vejo nos fóruns e debates. Explique o conteúdo do curso e qual o objetivo final deste assunto?
          PA: _O "Editando..." é muito simples: Eu queria editar uma música antiga que gravei em quatro canais e percebi que isso poderia ser interessante para outras pessoas acompanharem. Filmei tudo e fiz um curso a partir disso, hehehe. É só isso, nada mais que isso.
          PR: _O curso “Vamos fazer a boa?” é direcionado a galera que quer realmente ser um produtor, entender as nuances e se familiarizar com a profissão. Aparentemente esse curso específico é o que mais reflete sua carreira. Como tem sido esse trabalho? Quais frutos tem colhido?
          PA: _O "Vamos Fazer a Boa" é o trabalho mais audacioso que fiz em toda a minha vida. Um ano de curso, vários entrevistados, mais de 40 horas de material em vídeo e áudio de alta qualidade. Hoje é muito comum as pessoas montarem seus estúdios e serem os únicos engenheiros/produtores dentro deles. A ideia é poder mostrar além de um curso, a metodologia de trabalho de vários profissionais, para que isso dê uma base mais sólida pra quem trabalha sozinho. Estou muito feliz com esse curso, já tive mais de 250 alunos e ano que vem tem mais novidades...
          PR: _Warren Huart (produtor de Alice in Chains, Aerosmith, etc) tem a opinião de que tudo deve ser maximizado antes do conversor ADDA. Ou seja, boa composição, boa execução, bons instrumentos, bons hardwares e bons microfones, antes da música ou o áudio entrarem no computador. Dai pra frente tanto faz a DAW, se é PC ou Mac, desde que funcione bem. Já vi opiniões suas nesse sentido também. Mas quando entramos em fóruns de internet, conversas sobre áudio, cursos, etc, a grande preocupação da galera é comparar plugins, discutir técnicas de Pro Tools, tipos de conversores, parece que a tendência é centralizar no computador. Você percebe isso nos seus cursos e programas? Você acha que o pessoal iniciante está errando o foco?
          PA: _Sem dúvida. É muito simples, os teóricos “acham” isso ou aquilo. Quem realmente trabalha com música “sabe” isso ou aquilo. Quando eu falo sobre uma determinada técnica ou sobre música, estou falando porque tenho experiência com isso. São mais de 30 anos nos palcos, mais de 20 anos em estúdio, 4 Grammys Latinos, montes de discos de Ouro, Platina, Diamante... Eu não falo sobre algo que eu acho que funciona assim ou assado, eu falo sobre algo que já fiz e que deu certo, ou que já fiz e que deu errado. Por isso eu costumo dizer que fóruns de internet são os melhores lugares do mundo para você conseguir dúvidas novas, hehehe.
         PR: _Qual o real objetivo do “Pergunte ao Anhaia”? Eu assisto todos e notei que as respostas acabam sendo bem direcionadas a cada caso. Inicialmente você pensou que seria assim, ou esperava que fosse como o Anhaia TV, mas com base nas dúvidas recorrentes da galera?
          PA: _O objetivo dos dois é o mesmo: Ajudar as pessoas a terem melhores resultados em produções musicais. A diferença é que a Anhaia TV me tomava muito tempo. Eu pensava num tópico, fazia o roteiro e tentava não deixar nenhuma brecha, para elucidar as coisas ao invés de criar novas dúvidas. Esse formato se mostrou complicado demais e tive que parar com ele. Chegava a levar 3 dias pra poder colocar no ar. O "Pergunte ao Anhaia" é bem mais simples, você pergunta, eu respondo. Sempre tento explicar muito bem as coisas, mesmo quando as perguntas não parecem interessantes, eu tento achar uma forma de tornar ao menos a resposta interessante. Os programa me toma em torno de 3 horas pra fazer, por isso consigo fazê-los semanalmente.
          PR: _Você passou a ser pra mim, mais do que um nome nos créditos dos álbuns e se tornou um profissional compartilhando ideias, quando vi um bate-papo seu com o Dennis Szasnicoff no curso “Academia do Produtor Musical”. A partir daí comecei a prestar mais atenção no seu canal do Youtube e só não fiz nenhum de seus cursos ainda por falta de dinheiro e estrutura para tirar o máximo deles. Também vi uma aparição sua num workshop do Rodrigo Itaboray (que entrevistei pra esse blog também, confira aqui).  Como você vê esses cursos e workshops? São realmente ferramentas valiosas de informação e interação ao ponto de você querer produzir os seus? Ou depende de quem está apresentando o trabalho? Você costuma participar deste tipo de workshop como aluno?
          PA: _Os woskshops são ótimos e fui um dos primeiros profissionais reconhecidos da área a fazer. Hoje alguns outros também fazem, mas quando comecei não era comum. Sim, participo de workshops sempre que posso. Fui num do Enrico de Paoli que foi muito enriquecedor, "o cabra é bão!" Hehehe. Acho que ter contato direto com um profissional pode mudar muito a sua forma de trabalho, pra melhor. Vários alunos dos meus workshops me falam isso, que meus workshops mudaram a vida deles. Sou muito feliz em poder fazer isso.
          PR: _Vejo que você é bem aberto a compartilhar suas técnicas e abordagens profissionais. Me parece que no mercado americano as pessoas tendem a se reunir e debater seu conceitos, suas técnicas e trocar ideias. No Brasil, sinto que há uma necessidade por parte de alguns de reter a informação, não divulgar seus conhecimentos, já que em qualquer atividade profissional há uma grande fomentação a concorrência, por isso vale de tudo para ganhar espaço no mercado. Como você vê toda essa situação? Concorda? Qual seu argumento para defender o amplo debate de ideias e a troca de informações?
          PA: _O Brasil é todo errado de nascença, hehehe. Aqui tem a lei de Gerson, todo mundo quer levar vantagem em cima dos outros, ninguém quer ajudar ninguém em nada... Isso tem que mudar, e eu acredito naquela coisa de “pense globalmente e aja localmente”, tento fazer a minha parte e sei que já “contaminei” algumas pessoas com isso. Quem sabe no futuro isso melhora.
          PR: _Como os leitores do blog podem conhecer seu trabalho e ter acesso ao conteúdo informativo que tem compartilhado? Quais são seus canais oficiais? 
          PA: _Minha página e minha página do Facebook.
          PR: _Pra finalizar Paulo, deixo esse espaço aberto para acrescentar alguma coisa, dar dicas ou mesmo passar alguma informação que as perguntas acima não tenham abordado:
          PA: _Entrem na minha página e cadastrem-se para receber a minha newsletter. Através dela passo dicas de produção. Já tenho um workshop gratuito muito legal chamado “Mixando” e em breve terei mais cursos gratuitos, além dos cursos pagos. Um abração a todos e bora fazer música! :-)
          Depois dessa interessante entrevista, só posso agradecer ao Paulo Anhaia, assim como os demais colaboradores, por proporcionar esse tipo de contato. Quero salientar algo que concordo com ele. Vamos todos tentar somar para que a música melhore ao nosso redor? Cada um de nós tem uma forma de trabalhar, um gosto pessoal, condições diferentes para fazer as coisas, portanto, ao invés de perder tempo com discussões de quem ou o que é melhor, vamos fazer a nossa música. Não interessa se parece certo ou errado para alguém ou todo mundo, que a arte seja genuína e não pré-fabricada. Quando se trabalha com música há tanta coisa pra ouvir e aprender que não sobra tempo para preconceito, bate-bocas e senhores da razão. Vamos fazer arte? Simples assim. Cada um colaborando com alguma coisa, mas que seja de coração, como imagino que cada pessoa que colaborou comigo nesse espaço o fez. Grande abraço e sucesso a todos!

domingo, 10 de julho de 2016

Entrevista Shana Campos

         
          Para algumas pessoas pode parecer estranho uma entrevista com uma modelo neste espaço. Costumeiramente posto textos e entrevistas relacionadas a música e produção musical, eventualmente falo de política e aspectos sociais, mas essa é a primeira vez que entrevisto uma ex-miss. Porém, Shana Campos é uma gaúcha apaixonada por Rock, trabalhou como DJ, cursou biologia e jornalismo na UCPel e participou de um evento chamado Meet & Greet com Robert Trujillo e Lars Ulrich do Metallica, podendo conversar, bater fotos com os caras e ainda assistir ao show da banda de cima do palco. Essa foi a principal motivação para essa entrevista, além é claro de outros aspectos interessantes sobre a modelo. No texto abaixo, Shana Campos fala de sua formação, sua participação no Miss RS, carreira de modelo, sua loja e sua paixão por Metallica e bandas de Rock em geral. 
          Paulo Ramos: _Observei em seu perfil no facebook que estudou em Pelotas. Você é natural de lá ou nasceu de outra cidade? Fale-me de sua infância e seu ambiente familiar para que os leitores possam saber mais a seu respeito.
          Shana Campos: _Nasci em Pelotas/RS e morei lá até meus 24 anos. Atualmente moro em Capão da Canoa, litoral norte gaúcho. Em Pelotas fiz faculdade de Biologia na UCPel e depois faculdade de Jornalismo também na UCPel, onde ainda no primeiro semestre de jornalismo conheci meu noivo e então acabei vindo morar em Capão da Canoa com ele. Minha família ainda mora em Pelotas. Sempre que posso vou visitá-los e também aproveito para matar a saudade da terrinha.
         PR : _Você nunca quis aprender a tocar um instrumento ou cantar para formar uma banda de Rock? Quais eram seus sonhos de criança?
          SC: _Eu costumo brincar sempre que este é um sonho frustrado. Hehe! Pois amo música e sempre quis saber cantar ou tocar algum instrumento. Mas acredito que nunca é tarde para aprender. Pretendo comprar uma guitarra e aprender a tocar. Claro que não para formar uma banda, mas pra "brincar em casa" e  me divertir com os amigos. 
          PR: _Além de modelo e DJ você tem alguma outra atividade? Você estuda ou planeja fazer outras coisas?
          SC: _Atualmente trabalho como modelo, trabalho em uma rádio na área comercial e também estou montando uma loja com uma amiga, a Coconut! @coconutfashiongirls. A minha carreira como Deejane está nesse momento em stand by.
          PR: _Sendo modelo e tendo a boa forma física e estética como ferramentas essenciais nessa profissão, quanto de tempo você dedica a manutenção da beleza? Quais os cuidados que você tem em relação a dietas e exercícios físicos?
          SC: _Não faço dietas e também não faço exercícios físicos. Embora eu tenha conciência de que não é certo! Preciso me exercitar! Pelo lado estético, mas mais pela saúde mesmo. Tomo bastante água e como de 3 em 3 horas. Tenho bastante cuidados com a péle, cabelos, unhas, maquiagens. Hehe! Gasto uma boa parte do tempo com isso e de dinheiro também. Haha! Sou muito vaidosa e feminina, gosto de estar sempre arrumada e de me sentir bem comigo mesma.
          PR: _Como você recebeu a notícia da morte de Fabiane Niclotti, que foi Miss Brasil a alguns anos? Você que é familiarizada com esse ambiente de glamour poderia conjecturar uma possibilidade de suícidio ou coisas do tipo?
          SC: _Fiquei chocada e bastante triste! Tive o prazer de conhecê-la em 2007, durante o Miss RS 2008, o qual participei representando Rosário do Sul e que ela foi jurada. Ela era uma inspiração para nós candidatas. Sempre simpática, com sorrisão no rosto. Um semblante leve, sabe? Jamais poderia imaginar que aconteceria isso com ela.  A depressão é uma doença que atinge e mata milhares de pessoas de diversas áreas, podendo também fazer parte da vida de pessoas que vivem ou viveram o glamour. Ahh, e diferente do que muitos pensam, a vida de modelo não é só glamour. É muito trabalho, cansaço, horas sem comer, horas em pé, salto alto..., não é nada fácil.
         PR: _Você deixa bem claro que é apaixonada por Metallica. Lembra em que momento a banda entrou na sua vida?
          SC: _Sou fã deles desde os 11 anos por influência do meu irmão mais velho que já curtia a banda. Lembro que gravei uma fita com 3 músicas e que eu ouvia toda hora. As músicas eram Nothing Else Matters, Fuel e Enter Sandman. Então fui conhecendo mais e a paixão pela banda só foi crescendo...
          PR: _Estar no palco com o Metallica depois de ser sorteada para o Meet & Greet foi uma recompensa do tamanho de sua paixão como fã? Descreva o que sentiu ao participar do evento e como foi o processo?
          SC: _É inexplicável a emoção de estar alí no palco, ao lado dos caras. Um sonho realizado. Embora soubesse que era muito difícil de acontecer, sempre acreditei que esse dia fosse chegar. E eu consegui! Foi emocionante! 
          PR: _Como você descreveria Robert Trujillo e principalmente Lars Ulrich como pessoas no tratamento com os fãs? Era aquilo que você imaginava?
          SC: _Foram super queridos e atenciosos. Mas, o Trujillo me surpreendeu positivamente. Muito gente boa! Nos deu mais atenção. No palco, vinha até nós nos cumprimentar. Uma pena o Kirk não ter participado do Meet & Greet. O James não participa há algum tempo, já sabíamos que era provável que ele não fosse. Mas ele veio nos cumprimentar no final do show. Quase morri! hahaha!
          PR: _Você é o tipo de roqueira que frequenta shows de bandas pequenas, bares e coisas do tipo, ou opta apenas pela segurança de shows de bandas consagradas? Tem algum contato ou interesse pelo lado mais underground do Rock?
          SC: _Adoro ir a shows e sempre que posso eu vou. Como moro em Capão, aqui não tem muita opção na cena underground. E também como meu noivo é DJ, sempre temos alguma festa ou evento à trabalho. Mas algumas bandas das quais sou muito fã eu costumo acompanhar. Viajo para vê-las.
          PR: _Além de Metallica, quais outras bandas você gosta e destacaria?
          SC: _Sempre fui muito fã de Metallica, Rammstein, Raimundos. Curto Arch Enemy, Sepultura... Clássicos do rock como, Pink Floyd, AC/DC, Led. Curto bastante as bandas de rock gaúcho.
          PR: _Conheço algumas DJs que trabalham em bares e eventos de Rock, principalmente. Você sente que é uma profissão que está tendo o reconhecimento merecido ou é algo ainda complementar para radialistas ou profissionais de outras áreas?
           SC: _Não falei muito sobre a carreira de dj, pois não estou tocando. É bem complicado, pois não tem muito mercado para galera do rock. E também porque meu noivo é dj, e eu acompanho ele. Então é muita correria. hehehe! Alguns eventos tocamos juntos.
          PR: _Sempre adorei rádio e pensei muito em tentar uma carreira nesse segmento. Já pensou em seguir carreira na comunicação, tipo rádio ou televisão? Já recebeu convites nesse sentido?
          SC: _Sim! Inclusive comecei a fazer jornalismo em Pelotas, pois queria muito fazer rádio. Foi aí que conheci meu noivo, radialista. Já, mas nada muito concreto.
          PR: _Quais foram os momentos que você considera mais importantes pra você profissionalmente e por que?
          SC: _O Miss foi o grande momento tanto pessoal quanto profissional. Pois foi a realização de um sonho, uma grande experiência profissional e um ótimo abridor de portas.
          PR: _Para quem quiser contratá-la como modelo, como entrar em contato com você e onde existe um material que possa ser consultado e ser usado como portifólio?
          SC: _Utilizo bastante minhas redes sociais, onde posto meu dia à dia e os trabalhos que costumo realizar. Podem me seguir no instagram @shanacampos ou então no facebook https://www.facebook.com/shana.campos.3.
          PR: _Alguma coisa a mais que gostaria de acrescentar que não foi abordado nas perguntas acima? Use esse espaço pra falar de projetos futuros, sugerir alguma página, o espaço é seu.
          SC: _Agora estou bastante focada na questão da loja. Sempre quis ter algo meu. Poder trabalhar com o que gosto, e ainda poder fotografar pra loja, está sendo demais. Estou bem empolgada com a Coconut.
          Desde o primeiro contato Shana Campos foi gentil, simpática e atenciosa. Tive a sorte de entrevistar pessoas muito diferentes como a vocalista de uma banda de Metal Extremo do Líbano, um produtor gringo conceituado, produtores brasileiros, músicos com carreiras internacionais, críticos musicais e agora uma modelo. Em comum essas pessoas tem sua paixão por música e Rock n' Roll, toparam compartilhar um pouco de suas idéias e seus trabalhos com os leitores do blog sem cobrar nada. Mesmo assim, todos demonstraram muita simpatia e respeito até o momento. Isso para mim não tem preço. A grande recompensa em fazer esse trabalho é poder ter contato com essas pessoas e tentar trazer coisas positivas para minha vida e a das pessoas que lêem cada matéria postada aqui. Cada pessoa que leu uma matéria e achou interessante, ouviu e gostou de uma banda que indiquei, leu uma entrevista com uma personalidade que admira, é tão importante quanto o conteúdo apresentado aqui, os entrevistados e eu mesmo, inclusive, pois não haveria razão de manter esse espaço se ninguém ler.
           Para finalizar esse texto, faço aqui uma mea culpa, pois mesmo sendo apaixonado por música, adorar compartilhar idéias, mesmo tendo experiência com bandas, produções, assinando revistas, conversando com pessoas do meio, não sou jornalista, sequer me preocupei em me preparar para escrever, entrevistar e até mesmo produzir o conteúdo. Desde que comecei a escrever nesse espaço, lá na metade de 2011, nunca me preocupei em alcançar um número grande de visualisações, apenas escrevia para meus amigos nas redes sociais, que frequentavam os mesmos lugares e gostavam das mesmas coisas que eu. Talvez seja petulância de minha parte querer entrevistar pessoas como Andrew Scheps, que trabalhou no último álbum do Black Sabbath, Kiko Loureiro que está em turnê com o Megadeth, Andréas Kisser do Sepultura, entre outros tantos que eu entro em contato, mas que ainda não deram retorno. Também tenho que pedir desculpas ás pessoas que entrevistei e que possam ter achado que eu representava um veículo de informação de renome. Como a internet está recheada de informações, opiniões e de besteiras, estou tentando fazer a minha parte da melhor forma possível para contribuir com a música, com os artistas, jornalistas, produtores e as demais pessoas que compartilham dessa paixão. Tenho ciência de que teria que me preparar melhor para qualificar esse trabalho, mas também não poderia cruzar os braços e ficar reclamando com os amigos e nas redes sociais simplesmente e não fazer nada. Meu objetivo é claro, levar informações e conteúdos que eu humildemente julgo relevantes e que possam contribuir para a vida de cada pessoa que dedica alguns minutos de sua vida corrida para parar e ler um de meus textos. Se você leu, pensou a respeito, mesmo que não concorde ou que não goste do conteúdo, meu trabalho está feito e pago. Muito obrigado a todos os leitores e colaboradores, de coração.

domingo, 3 de julho de 2016

Entrevista com Daniel Piquê






          Como de costume, escrevo mais uma postagem para esse blog. Dessa vez trago mais uma entrevista com um personagem que julgo ser interessante e que esteja disposto a colaborar. Dessa vez apresento aos leitores um jovem guitarrista mineiro que já correu o mundo tocando guitarra e mostrando sua arte para diferentes tipos de plateia. Daniel Piquê saiu da cidade mineira de São Sebastião do Paraíso para ganhar respeito e reconhecimento de artistas e diferentes públicos de fora do Brasil. Seu CD solo Boo mostra um guitarrista eclético e talentoso, acompanhado de feras como o baixista Billy Sheehan (Mr. Big, Winery Dogs, entre outros) e o baterista Mike Mangini (hoje substituindo Mike Portinoy no Dream Theater), já demonstra maturidade e bom gosto nesse primeiro trabalho solo. Esse álbum foi registrado logo após ele perder o pai, mesmo assim o que se ouve nas nove faixas que integram o CD é um músico muito seguro e ousado. A importância dessa entrevista se dá pelo contraponto á outras entrevistas presentes neste blog, pois Piquê é fruto de uma geração com acesso a muita informação por causa da internet e a globalização que ela proporciona. Mas o talento de Daniel não para apenas na sua exuberância técnica na guitarra e seu bom gosto como compositor. O jovem mineiro é produtor, um premiado diretor de vídeo, apresentador de programa no Youtube, diretor de arte, entre outras coisas. O papo que segue diz mais a respeito da personalidade e das conquistas de Daniel Piquê nessa curta, mas muito promissora carreira que tem alcançado resultados de se tirar o chapéu.
       
          Paulo Ramos: _Você é natural de São Sebastião do Paraíso, correto? Como era sua vida antes de entrar no mercado musical? Foi sempre uma ambição ser músico ou cogitou fazer outras coisas? Como sua família reagiu frente as suas escolhas?

          Daniel Piquê: _Sim, mineirinho. Posso dizer que só não era uma vida clichê de quem viveu os anos 90s no interior de Minas Gerais por conta dos meus pais. Minha mãe, sendo filha de um ex-diretor da VARIG/Transbrasil, acabou tendo uma formação pessoal diferenciada, por mudar regularmente de cidades na infância (até morou no Chile por algum tempo). Já o meu pai, antes de me ter, já tinha experiências profissionais bem relevantes em grandes centros como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, enfim.. Minha educação foi baseada nesta mistura louca. Sempre fui um guri curioso, e sempre tive o apoio deles para colocar em prática as minhas ideias mirabolantes. Eu sempre quis fazer varias coisas.. Alias, até hoje eu busco isso! Dentro de casa, o critério de excelência era muito forte, então, os meus pais apoiaram a minha decisão de entrar no mercado musical porque realmente viram algo acima da média em mim. Foi tudo bem orgânico. Minha mãe sempre me dizia: "você pode fazer qualquer coisa, porque eu sei que você vai fazer bem feito". Tive que ralar bastante, mas as coisas foram acontecendo naturalmente mesmo. Na época, eu não tinha uma consciência estratégica, mesmo porque, a internet estava engatinhando e o interior de Minas sempre teve deficiências no acesso à informações.

          PR: _Quem é Daniel Piquê num contexto geral? Como você justificaria sua existência para seus semelhantes? Por que você acha que merece a atenção que tem recebido? Pare por um momento e questione sua importância no contexto, é interessante. Gostaria de conhecer sua autocritica.
          DP: _Eu sou apenas um homem. Sendo cristão, eu acredito que vim aqui por um propósito maior, e, que tudo que acabei conquistando nestes poucos anos de carreira, foi porque Deus quis que acontecesse. Eu só tento fazer o meu melhor. Tenho consciência de que inspiro muita gente, e isso me alimenta. Entendo que a música é como um organismo vivo, alguém tem que alimentar, e tentar evoluir. Penso, planejo e executo.. Dai, quando algo da certo, acaba chamando a atenção das pessoas por "N" motivos.

          PR: _Descreva suas atividades profissionais e cite alguns trabalhos pontuais que justificam e ilustram sua carreira.
          DP: _Eu trabalho com muitas coisas ao mesmo tempo, então vou escolher algumas das minhas atividades mais usuais: Guitarrista (shows em mais de 30 países), Diretor de Vídeo (prêmio de melhor DVD instrucional do mundo - pela revista Mordern Drummer, USA), Compositor (primeiro brasileiro a ser finalista do International Songwriting Competition, na categoria instrumental), Produtor Musical (fundação do Piquê Studios), Apresentador (programa LiFeStream), e Diretor de Arte (4.3 milhões de visualizações espalhados pelo YouTube).

          PR: _O que os nomes consagrados com quem trabalhou e trabalha colaboraram para seu crescimento pessoal e profissional, ou isso não ocorreu?
          DP: _Meu primeiro contato com o Billy Sheehan e o Mike Mangini, por exemplo, foi com 19 anos. Já sem o meu pai vivo, os dias de convívio com eles foram uma escola de vida sem preço. Eu sou daqueles que fica sempre de olhos abertos, aprendendo com tudo. Busco sempre trabalhar com pessoas que admiro, então, geralmente, o crescimento profissional vem sempre alinhado com o crescimento pessoal.

          PR: _Suas conquistas artísticas são impressionantes. Cito o International Songwriting Competition como a façanha mais relevante para o meio artístico. Explique do que se trata e como ocorreu o processo para chegar a final e o que representou pra você profissionalmente alcançar esse feito?
          DP: _O ISC é um dos concursos de composição mais importantes do mundo. O corpo de jurado é sempre formado pelos profissionais mais prestigiados do mercado internacional e acaba dando muita exposição para os finalistas, fazendo as musicas chegarem no radar da maioria dos profissionais influentes do mercado. Eu me lembro de ter recebido um convite para participar; Achei bacana e me inscrevi. O tempo foi passando, e cheguei até a esquecer que tinha feito a inscrição (porque o processo demora meses), até receber um e-mail do idealizador do evento, me parabenizando por passar de fase. E assim foi, até a final. Muita gente acabou conhecendo o meu trabalho por lá, o que me deixou extremamente feliz. Agora, o mais bacana foi saber que minha música ‘CHU’ agradou o gosto dos jurados, que são profissionais que admiro muito. O fato de julgar músicas não me agrada muito, mas, foi bacana levar o nome do Brasil para o exterior de uma forma inédita, e começar várias amizades por conta do evento.

          PR: _Qual a sua formação e quais as dicas que você daria para quem quer se tornar um profissional da música?
          DP: _Sou graduado em Produção Fonográfica, com algumas pós em Direção de Arte, porém, acredito que a minha formação veio mais dos trabalhos pelos quais eu realizei, na prática mesmo. Então, acredito que minha melhor dica para alguém que quer se tornar uma profissional da música é estudar o legado dos artistas que ele admira. Aprender com quem já fez, no meu entendimento, é o caminho mais eficaz. Complementaria dizendo para estudar um pouco sobre futurismo, e criatividade.

          PR: _Ser guitarrista é apenas uma de suas atividades e seu trabalho como instrumentista pode ser verificado no seu álbum ‘BOO!!’. Como foi o processo pra compor, arranjar e gravar esse CD e quem participou do trabalho?

          DP: _Meu processo de composição e arranjo são bem peculiares, se comparado aos inúmeros métodos disponíveis por ai. Pretendo compartilhar tudo isso através de um curso online, pela complexidade dos detalhes e tal.. Quanto à gravação, posso dizer que foi bem intensa! Como muitos já sabem, meu pai faleceu um pouco antes deu entrar em estúdio, o que deixou tudo muito sensível e verdadeiro. Os músicos foram: Billy Sheehan (contrabaixo), Fábio Laguna (teclados), Mike Mangini (bateria) e Yaniel Matos (piano elétrico). Também contei com os trabalhos do Brendan Duffey, Ana Duffey e Adriano Daga (banda Malta). Apesar de todos serem grandes nomes em suas áreas, estavam todos animados e dedicados nos trabalhos, porque acreditavam que algo especial estava para sair dali. Já éramos todos amigos, então, foi mais uma reunião familiar do que uma fábrica enlatando ideias, haha.

          PR: _Sendo um profissional multimídia você já se acha tão seguro e preparado quanto suas referências em cada área, tendo que lidar com todo o processo produtivo e sendo tão jovem?
          DP: _Estudando os grandes feitos da humanidade, percebi que foram feitos por pessoas que falharam muito antes de conseguir algo relevante. Acredito que o quanto antes falharmos, mais rápido podemos chegar à soluções bacanas. Então, independente da idade, o caminho é sair fazendo. Apesar do mundo mudar muito rápido, podemos aprender com milhões de pessoas que estão tentando "coisas", através da internet. Se eu não sei algo sobre algum determinado assunto, eu vou pesquisar e já tentar aplicar. Como minha motivação nunca foi reproduzir o que já foi feito, valorizo mais o processo, pois só assim consigo inovar. Estou sempre preparado para aprender.

          PR: _Não sei se concorda comigo, mas o brasileiro, ou mesmo o latino em geral, quando se trata de música, por mais que ele queira interagir e compartilhar, acaba não conseguindo fazer as coisas fluírem com naturalidade ao ponto de darem frutos relevantes. Estudando produção musical, notei que a interação e o compartilhamento de ideias entre os profissionais gringos é muito grande e todos eles pregam essa ideia abertamente. Na sua opinião, o que é mais importante: o triunfo individual e a superação pelas próprias virtudes ou a colaboração de diversas pessoas construindo e promovendo o todo, abrindo mão do brilho individual?
          DP: _Se a questão é gerar frutos relevantes, eu preciso refletir sobre o significado da palavra "relevância", que entendo ser a qualidade que o público, ou públicos, atribuem a determinada coisa. E isso é bastante variável, pois pode ser que o que é relevante para você não seja para mim, e vice-versa. Outras variáveis que também afetam a relevância são: o tempo (nem tudo que é relevante hoje o será amanhã), o espaço (algo pode ser relevante em um lugar e em outro não) e a individualidade (existem coisas que são relevantes para determinado público, faixa etária, etc.). A relevância, então, é de domínio do público, podemos assim dizer. Existe um proverbio africano (se não me engano), mais ou menos assim: "Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo". Algumas horas eu dou mais importância para as ações individuais, outras para a colaboração coletiva, depende do que quero fazer, e de onde pretendo chegar.
          PR: _Eu tenho 38 anos, sou assinante e colecionador de revistas de guitarra e baixo, cresci ouvindo discos de vinil e fitas cassete. Minhas bandas sempre tiveram estruturas precárias e tocar era cada vez um desafio grande e diferente. Hoje tenho um modesto home estúdio que me possibilita escrever minhas musicas, estudar e gravar com qualidade. Você, sendo fruto de um ambiente já com internet, tecnologias mais evoluídas e uma globalização de informações facilitada, tem um foco, uma paixão específica em trabalhar com musica? Como você acha que o cenário atual favoreceu o desenrolar de sua carreira até aqui?
          DP: _Não conheço uma pessoa sequer que gosta de apenas uma coisa na vida. Esta ideia oriunda da revolução industrial, onde pessoas são preparadas para um roteiro específico, já não faz mais sentido para mim. Eu gosto de muitas coisas, dentre elas a comunicação. E é engraçado quando eu falo isso, porque, a Arte é uma das últimas associações feitas ao descontruir o significado da comunicação. A música é um tipo de linguagem inserida nisso tudo. Sim, eu amo e me dedico à música, mas não vivo exclusivamente focado nela. Somente este cenário multimodal, pós digital, me permite fazer o que eu venho fazendo. As dez mil horas sugeridas pelo Malcolm Gladwell, no livro "Fora de Série (Outliers)", hoje em dia, já está muito mais ligada a algo subjetivo, do que uma lei exata. Eu foco no que eu sou apaixonado e no que preciso saber para tornar as ideias em realidade. Acabo usando a tecnologia para otimizar o meu tempo, e divulgar minhas paixões.

          PR: _Estamos passando por alguns fenômenos interessantes. Kiko Loureiro tocando no Megadeth, Aquiles Priester tocando com bandas estrangeiras, o seu sucesso fora do Brasil e mais uma quantidade significativa de artistas brasileiros mantendo carreiras exitosas fora das fronteiras tupiniquins. Você acredita que isso ainda vai influenciar o brasileiro culturalmente, ou não é o suficiente para promover música de qualidade aceitável, ao invés de artistas descartáveis? Você acha que o que está na mídia é o reflexo da queda intelectual e cultural do brasileiro em geral, que a cada dia se torna mais consumista de futilidades? Gostaria muito de sua opinião honesta a respeito, pois o esforço em mudar isso é a base de todo o meu trabalho, o resultado cultural e social da música.
          DP: _Os termos "artistas descartáveis" e "qualidade aceitável", dariam belos (e longos) estudos de etnomusicologia. Não vejo os "artistas descartáveis" como link direto à "qualidade inaceitável", então, o que eu poderia aqui comentar é: na medida que os anos vão passando, os interesses e algumas necessidades humanas vão mudando. Eu acredito que o fato de termos mais artistas brasileiros (independente do gênero musical) tocando no exterior fomenta o interesse dos próprios brasileiros em conhecer a arte (e qualidades) deles sim, agora, uma cultura de empatia nacional depende de muitos fatores para ser transformada. Gostar de futilidades, ou do que muitos chamam de "musica ruim", não importa muito, se o objetivo final das pessoas é ser feliz. Eu entendo a necessidade de rotular as coisas, justamente por conta da herança da era industrial, agora, para mim, não faz sentido julgar o intelecto de alguém porque consome músicas com melodias repetitivas, arranjos simples ou outro parâmetro qualquer. Eu sou amigo dos artistas que você citou, e posso te garantir que eles escutam musicas que muitos seguidores deles desaprovariam, ou ficariam indignados, etc. Hoje, as pessoas ainda tem a necessidade de fazer parte de um grupo, para não se sentirem sozinhos. Agora, quanto mais conhecimento uma pessoa tem, mais ela sente a necessidade de evoluir, e procurar uma nova turma. Eu acredito que conviver com diferentes grupos (grandes ou pequenos), faz com que aprendamos muitas coisas. Na comunicação, entende-se que: para persuadir muitas pessoas, é preciso criar empatia; E um dos caminhos mais produtivos é falar a mesma língua delas. O ato de aprender não deveria ser algo chato, então, se o conhecimento é a base da evolução, quem ensina tem que abrir um dialogo estimulante. Eu, particularmente, gostaria de ver mais pessoas com esta pegada. Ia ser legal ouvir Jeff Beck em um churrasco de faculdade, bem como ouvir Justin Bieber em um congresso de semiótica.

          PR: _Você tem colaborado bastante com suas opiniões e dicas baseadas na sua experiência em vários espaços. Que canais são esses? Onde o pessoal pode ter acesso a isso? Você pretende desenvolver um material didático próprio para compartilhar suas ideias e técnicas?
          DP: _Realmente. Puxa, são muitos canais! Estou me divertindo bastante, e aprendendo muito com isso. Aliás, por serem muitos canais, eu decidi criar uma newsletter, onde mando os principais conteúdos gratuitamente por lá. Para se cadastrar, basta clicar no link: http://eepurl.com/0G6_T.
Alguns assuntos como Criatividade e minha forma de compor/arranjar são pedidos muito frequentes nas minhas redes sociais, então, decidi juntar tudo em um curso online. Estou na fase de estruturação, porém, muito em breve vou anunciar a data do lançamento. Já adianto que serão vagas limitadas, então, darei prioridade para quem estiver na minha newsletter (e-mail VIP).


          PR: _Qual seu setup de guitarra atualmente? É aquilo que você sempre desejou ou tem alguma coisa que te faça desejar algo diferente? Fale das marcas que é endorse e como elas tem ajudado na sua profissão?

          DP: _Meu set é praticamente baseado nos produtos das marcas que me patrocinam: Gibson guitars, Orange Amps, Ernie Ball, Monster Cable, Zoom, Capcases hardcases e Music Maker (luthier). Falando especificamente de alguns dos modelos: Minha guitarra principal é uma Gibson Custom Alex Lifeson Les Paul Axcess e Amplificador Orange Rockerverb 100 com gabinete PPC 412, Ernie Ball 0.11 (modelos Coated e Slinky). As vezes eu uso uma G-System da TC Electronic, um Tube Screamer e um DS1, mas, prefiro não usar muitos efeitos ao vivo. Agora, no estúdio, já abuso dos plug-ins.. E a lista é enorme, haha! Todos os equipamentos que tenho, uso e/ou assino, são os que eu realmente usaria fora de acordos de endorsement. Mesmo porque eu ajudo a desenvolver alguns deles, melhorando detalhes e evoluindo sempre. Meu relacionamento com as marcas é mais voltado ao branding. Basicamente, eu tenho ideias loucas, e eles me ajudam (de formas diferentes entre eles) a torna-las realidade. Assim compartilho o que pode ser feito com os produtos deles, mostro o potencial máximo, etc. Como são ferramentas de alta qualidade, eu não acabo ficando mais livre para focar na criatividade.

          PR: _Pra encerrar, gostaria que deixasse um recado final, alguma sugestão, divulgar alguma coisa que não tenha sido abordada nas perguntas anteriores, qualquer coisa. O espaço é seu.
          DP: _Estou feliz em participar do seu blog, obrigado! Gostaria de compartilhar o link do meu novo single, SLINKY, que tive o prazer de trabalhar novamente com o Billy Sheehan e o queridíssimo Kiko Freitas: https://www.youtube.com/watch?v=ZLm80KQl8WI.
Também gostaria de reforçar o convite para fazer parte da minha newsletter (e-mail VIP). Clique no link http://eepurl.com/0G6_T para se cadastrar. Um grande abraço. #dominarmundo