domingo, 4 de setembro de 2016

DAWs, plugins, periféricos e bobagens afins

          
          Depois que os computadores ficaram mais populares e entraram nos estúdios de gravação, não demorou para que as DAWs se popularizassem. Lembro que quando comecei a ter contato com computadores ainda na escola, no final da década de 1980, tínhamos aquela tela preta ou verde do DOS onde usávamos comandos para abrir diretórios e escrever textos. Não era nada atraente e parecia coisa de nerd. Durante a década de 1990 os computadores e softwares começaram a se popularizar dentro das indústrias e laboratórios para comandar máquinas de produção e análise. Se não me engano, em 1997 um álbum do Rick Martin foi o primeiro a ser produzido totalmente com o Pro Tools. Entretanto, desde 1993 já havia uma pequena parcela dos trabalhos de estúdio feita com o auxílio de computadores. Quando ouço os álbuns do início da década de 1990, tenho como padrão a sonoridade daqueles registros. Sons de guitarra, bateria e vocais foram muito bem desenvolvidos e registrados nessa época. Os gigantes de arenas estavam muito próximos de sua queda, mas ainda estavam em alta, vide Metallica e Guns n' Roses. Acho que isso ajudou para que se chegasse uma maturidade de produção, que possibilitou uma gravação ao vivo bem próxima da qualidade de estúdios, muitas delas feitas de forma híbrida e com a chegada dos CDs. Recursos como reverb, delays, compressores, equalizadores e demais equipamentos de estúdio chegaram a um nível de desenvolvimento e de utilização que firmaram alguns padrões adotados como ideais até hoje .
          Imagino que no final da década de 1990 começou-se a buscar alternativas para os grandes estúdios, já que as grandes gravadoras começaram a disputar espaço com o compartilhamento digital das músicas. Isso foi imposto pela popularização dos computadores e a difusão da internet como alternativa de comunicação e lazer. Isso tudo foi muito rápido e nem todo mundo estava pronto para essa mudança tão radical. Gravadoras falindo ou encolhendo seus tamanhos, incertezas no mercado, pirataria e uma radical mudança na produção musical. Equipamentos caros e clássicos foram deixados apenas nos estúdios de grande porte que ainda se mantiveram de pé. Os simuladores arcaicos que eram utilizados em música eletrônica e produções alternativas, ganharam versões digitais para computadores e passaram a ser vendidos por quantias muito mais acessíveis que os hardwares populares. Isso se estendeu para os amplificadores, orquestras, microfones e e tudo o mais. Os recursos MIDI ganharam terreno muito rapidamente e se tornaram padrão em pré produções e na área de jingles comerciais. As orquestras virtuais ganharam espaço em produções de cinema, onde até as imagens foram ficando cada vez mais manipuladas digitalmente.
          Entram em cena as DAWs com toda força e com um desenvolvimento muito rápido devido a necessidade de se ganhar espaço nesse novo mercado. No inicio eram seguimentadas e ocupavam certos mercados específicos. No topo dessa lista estava o sistema Pro Tools com suas interfaces e placas aceleradoras proporcionando um processamento interessante de seus plugins DSP. A Steinberg com seu driver ASIO proporcionou uma queda significativa na latência ocorrida durante a integração de placas de som e os programas de computadores. Assim surgiram outras opções de softwares de empresas comuns no mercado musical como a Roland e sua DAW exclusiva para Windows, Cakewalk/Sonar. A Apple com seu Garage Band e o Logic investiu também nesse mercado. Temos Cubase/Nuendo, Studio One, Reaper, e por aí vai. São muitas opções para se produzir música no computador. Parece que todas essas Digital Audio Workstations convergiram para um mesmo fim. Depois de um tempo em que uma investia mais em sons sintetizados, outras com foco mais direcionado para gravações, agora elas fazem de tudo, desde simulações de hardware e instrumentos virtuais, edições MIDI, edições de áudio avançadas, mixagem e masterização, ou seja, tudo mesmo, cada uma com seu fluxo de trabalho específico, mas com as mesmas ferramentas e opções. A interação com plugins de vários fabricantes diferentes como Waves, IK Multimedia, Universal Audio, entre outras, também se aprimorou.
          O Pro Tools continua no topo por ser mais utilizado em grandes estúdios e por apresentar uma solução completa desde o início, sendo que a DAW dentro do computador é apenas parte do sistema. Para sistemas profissionais o Pro Tools continua sendo uma opção recorrente, mas ele não tem tanta vantagem quando falamos de home estúdios. A Yamaha/Steinberg começou a ganhar popularidade quando as versões do Cubase LE e AI passaram a acompanhar interfaces de baixo custo como as versões da Tascam, M Audio, entre outras. A Avid, dona do Pro Tools, chegou a integrar versões do software com interfaces da M Audio, as versões M-Powered, mas isso durou pouco tempo. O Ableton Live e o Studio One passaram a ocupar esse mercado também. Essa oferta desesperada, não só de versões para diferentes tamanhos de clientes, mas atualizações anuais dos principais softwares, causou uma confusão e um monte de discussões infinitas e que não chegam a lugar algum. O certo é que a qualidade dos produtos físicos caiu bastante, mesmo assim são defendidos com unhas e dentes por alguns entusiastas do meio em fóruns de internet e páginas pessoais.
          Eu tive o primeiro contato com uma DAW ainda em 2007 quando montei um computador pessoal e queria gravar algumas coisas. Acho que foi por essa época que conheci o Cakewalk, mas não cheguei a usa-lo. O Audacity foi realmente minha primeira DAW, mas era extremamente limitada. Ainda nessa linha de software livre, tentei usar o Ardour no Linux, mas não consegui absolutamente nenhum resultado. Mais adiante comprei uma câmera fotográfica digital e baixei alguns pacotes de edição de imagem, áudio e vídeo da Sony. Isso já foi mais interessante em termos de gravação, embora os problemas de latência, impedância e a minha total incapacidade de lidar com essas ferramentas que eram novidade pra mim. O driver ASIO resolveu o problema da impedância, o Guitar Pro foi um recurso bem interessante na edição de trilhas MIDI para acompanhamento. Mas a coisa só fluiu mesmo quando adquiri um multiefeitos para guitarra, o Zoom G2.1u que também era uma interface de áudio USB. Junto com o pedal vinha uma versão do Cubase LE 4. Tomei contato com VSTs e outras ferramentas mais avançadas do que as anteriores. Infelizmente não tive tempo nem conhecimento para tirar o máximo daquilo que possuía, devido a minha empolgação em conhecer equipamentos e técnicas de produção mais avançadas.
          Em um segundo momento eu me interessei pela formação Pro Tools e Mac. Adquiri uma mesa da Yamaha antes disso e um par de monitores ativos da Behringer, o Truth B2031. Com a mesa veio mais uma versão do Cubase, o AI 5, com mais recursos. A mesa também era uma interface de áudio USB muito interessante. Consegui utilizar esses itens de forma coerente conforme fui estudando e acumulando informações mais consistentes. Usava PCs com Windows XP. Também baixei muitos plugins piratas e versões gratuitas. O resultado foi uma grande instabilidade no sistema como um todo. Esse pacote fez com que eu desejasse ainda mais ter um Mac. Faltava o Pro Tools ainda. Em 2013 fiz um curso de home estúdio. Conheci o Reaper, uma DAW alternativa que se popularizou rapidamente por ser mais leve e não ser necessário pagar para ter a versão integral do software. Conheci modelos interessantes de interfaces, microfones e periféricos e isso me possibilitou uma quebra de paradigmas. Estava instruído de forma mais objetiva e tive acesso a outras fontes de informação como a revista Sound On Sound e alguns cursos on line. Comprei uma interface de áudio Profire 2626, fiz um release dela e dos itens que falo a seguir aqui. Tive problemas com ela e mandei para manutenção. Adquiri um Mac Pro G5, o melhor computador que já tive, entretanto ele estava praticamente obsoleto. Consegui uma versão de Pro Tools, a M-Powered 7.5, que normalmente acompanhava as interfaces da M-Audio. Quando consegui juntar tudo, foi meio decepcionante.
          Cheguei a conclusão de que o Cubase seria a DAW que me adaptei melhor. Comprei uma versão completa do Cubase 7.5. Instalei num PC com Windows 7, já não poderia utilizá-lo no meu Mac e troquei-o por um contrabaixo. Num negócio de oportunidade acabei conseguindo um microfone Shure SM57 e uma interface Tascam US1800. Quando parecia que tudo ia se estabilizar, as caixas Behringer deram pau. Uma delas ficou com um chiado irritante, a outra queimou do nada. Vendi minha Profire, a Tascam, o Zoom, troquei o Pro Tools por um compressor DBX 266 e passei a anunciar minhas coisas como a mesa Yamaha no Mercadolivre. Tinha uns microfones e uns pedais da Behringer que acabei vendendo. Comprei bateria acústica também e alguns softwares para seguir estudando e tentar evoluir nas minhas produções. Fiz mais alguns cursos de produção on line interessantes, passei a seguir alguns produtores nas redes sociais e assim fui chegando as minhas próprias conclusões sobre muitas coisas.
          Em 2014 eu ousei, e com alguns patrocínios interessantes, comprei um par de monitores da Yamaha HS 8, controladores da série CMC da Steinberg e a interface UR44, escrevi sobre ela aqui. Também atualizei a versão 7.5 para a versão 8 do Cubase. Havia conseguido um compressor DBX 160A e outras coisas na troca por um Mac Mini. Comprei um MacBook Pro também, mas tive que me desfazer deles por necessidades financeiras. Decidi experimentar um set mais simples, como uma interface Avid Fast Track Duo com Pro Tools Express e ficar só com os monitores da Yamaha, falei a respeito disso aqui. Porém a qualidade da interface era muito inferior a da Steinberg que eu tive. Aí entram aquelas comparações que só quem tem acesso aos produtos e pode testá-los, acaba formando uma opinião mais consistente. A interface se mostrou muito frágil e rapidamente apresentou problemas. O Pro Tools tem ferramentas interessantes, porém os instrumentos virtuais são inferiores aos da Steinberg. Como estava acostumado com o Cubase, senti um retrocesso na fluides na execução dos meus projetos.
          Obriguei-me a vender um Mac Mini que tinha adquirido e comprar um PC novo e com mais recursos. Comprei uma interface UR28M da Steinberg e um Cubase Artist 7.5 com a possibilidade de atualização para versão 8.5, o que acabei fazendo recentemente. Tenho uma boa relação com um dos representantes da Yamaha/Steinberg no Brasil e isso contribuiu de forma decisiva para eu optar por essa marca. Vejo que o a Avid ainda está em evidencia, como sempre esteve por conta do Pro Tools, e seus produtos topo de linha são excelentes, mas estão fora da realidade de quem tem home estúdio. Constatei isso num workshow que compareci e fiz um texto que pode ser visto aqui. Conheci certos artistas alternativos de lugares bem exóticos da Europa e eles tem grandes resultados com os produtos da Steinberg. Tirando o charme da tela do Pro Tools estar presente nos maiores estúdios do mundo e ser a ferramenta dos grandes engenheiros de áudio, pra mim o Cubase, tão mal falado nos fóruns de áudio, é a ferramenta perfeita para mim atualmente. Não tenho a pretensão de trabalhar em grandes estúdios, apenas fazer meus tracks de estudo e gravar minhas músicas, para isso o que possuo atualmente está mais do que suficiente. Também não aconselho usar softwares piratas nem para experimentar, pois isso pode danificar o sistema e ainda não é uma prática digna de quem é um profissional ou amador sério, que realmente se importa com qualidade musical.
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