sábado, 29 de outubro de 2016

Devaneios de um cenário musical

Quando era mais jovem e estava apenas conhecendo muitas coisas, lá pelos meus 12 ou 13 anos, ficava muito empolgado quando via uma revista nas bancas falando a respeito das bandas que eu gostava. A prova disso é que minha memória afetiva me fez ir atrás de revistas como Top Rock, Cover Guitarra e Guitar Player da década de 1990. Por mais que possa parecer inocente e deslocado gostar de publicações tão simples e até medíocres como a Top Rock, há sempre aquele ar nostálgico que nos rejuvenesce nas coisas antigas. A mesma coisa aconteceu com o rádio e a MTV. Pareciam ser coisas tão bobas ficar escutando músicas aleatórias no rádio intercaladas com comunicadores nem tão bacanas fazendo seus comentários. A MTV com o Gás Total e o Fúria Metal, apresentados pelo Gastão, eram tão legais e o apresentador tão deslocado e até meio bobo.
Claro que o conteúdo realmente atraente eram as bandas e suas canções, fotos e clipes. Aqueles logotipos emblemáticos e toda a mística que girava em torno de tantas bandas. A escassez de informações a respeito das pessoas, que estavam ali nas fotos e tocando nos álbuns, fazia com que a imaginação trabalhasse muito em prol dos artistas, fazendo com que seus fãs ficassem em êxtase com seus ídolos. Uma coisa que contribuiu para que, principalmente o pessoal que curtia Rock desde aquela época, tenham saudades é que as bandas de Rock estavam no topo das paradas. Chegava a ser insuportável ver Nirvana, Guns n' Roses e Metallica na TV, no rádio, nos jornais e nas capas de revistas. Eram tantas bandas surgindo e moldando o Rock ,que chegou a um ponto que banalizou tudo aquilo. O Rock estava virando comum e próximo do cotidiano das pessoas. As letras falavam de coisas reais e o visual dos músicos estava longe do exagero das décadas de 1970 e 80.
Hoje eu sei que existem bandas tão boas e até melhores do que muitas daquelas que tinham espaço na mídia (MTV, revistas e rádios), Porém, a internet bagunçou muitas coisas com seus excessos e seus descontroles. Saíram as grandes gravadoras, que normalmente roubavam grande parte do dinheiro dos músicos, mas construíam uma estrutura mais profissional e organizada em volta das bandas, e entrou a internet com seus downloads gratuitos, sites de compartilhamento, toda uma reviravolta, não só tecnológica, mas de conceitos. Rádios, revistas e a própria MTV ficaram sem direção e as pessoas foram perdendo o interesse lentamente. Isso fez com que uma nova geração tivesse acesso a tudo de uma vez só, álbuns, bandas, clipes, shows, imagens e noticias, e como tudo que vem fácil não é valorizado, a música ficou em segundo plano. Normalmente ela serve de trilha sonora para alguma outras coisa que se esteja fazendo.
Quando, ha alguns anos, os músicos achavam que bastava tocar bem e fazer suas músicas para dar certo. Que uma hora ou outra alguém iria reconhecer seu trabalho. Essa geração, que é a minha, não tinha tanto acesso a informação, até de material didático para estudar música. Entretanto, a música e toda uma ideologia era levada muito a sério, tanto para o bem como para o mal. Hoje há toda uma tendência do faça você mesmo, afinal, há um mar de informações e cursos mirabolantes que vão fazer qualquer um tocar melhor, cuidar de maneira correta de sua carreira, gravar em casa e gerenciar sua música de forma garantida, rumo ao sucesso. Claro que isso satura o mercado e as pessoas acabam se desinteressando pelo trabalho das bandas. Quem tem perfil nas redes sociais, quantas pessoas não enviam convites para curtir páginas e apresentações de bandas? Normalmente se ignora esse tipo de coisa, pois há tanto material disponível que acaba se tornando impossível acompanhar tudo. É nesse cenário que as grandes bandas e artistas ficam no mesmo amontoado e acabam sendo menosprezados.
O grande fator preponderante para o desinteresse das pessoas por música, realmente é a mídia atual. Há toda uma estrutura para promover artistas vazios e sem identidade e fazer com que as pessoas consumam isso mesmo que a contra gosto. O Brasil é pródigo nisso. Acho que, mesmo tendo coisas como É o Tchan, Leandro & Leonardo, José Augusto, Amado Batista, Felipe Dillon, todo um movimento populista e descartável, nada é pior do que o Funk Carioca e o Sertanejo Universitário. Já falei de Anitta e Paula Fernandes cantando ao lado de Andréia Bocelli aqui neste espaço para ilustrar isso, quem quiser pode ler aqui e assistir o vídeo aqui. Hoje o Multishow nos presenteia com um programa chamado "Musica boa ao vivo" onde podemos ver dezenas de artistas bizarros, da atualidade e do passado, fazendo parcerias tão medonhas que fariam uma confraternização entre evangélicos e GLTSs parecer mais coerente e honesta. Essa industria que escanteia muitos artistas talentosos por questões ideológicas, e até comerciais, prefere oferecer ao povo seus artistas mercenários, chapa branca e manipuláveis, puxando cada vez mais para a baixo a qualidade musical.
Por eu gostar de Heavy Metal e derivados, sempre haverão comentários questionando a imparcialidade da minha opinião por o estilo musical que eu gosto não estar na mídia. Entretanto, independente do estilo musical que está em evidência, a musica perdeu o foco, apenas ficou banal. Tanto é verdade que os tais MCs do Funk cantam em parceria com os Sertanejos e não causa estranhamento. Se direcionou as coisas para que nada seja muito diferente, para que assim tudo possa ser vendido e divulgado sem muito critério. O Brasil já tem uma educação que se caracteriza por alunos saírem do ensino médio sem saber interpretar um texto. Os músicos mais conceituados, que ainda estão na mídia, fazem trabalho chapa branca como se fossem militantes de um movimento que visa nivelar por baixo a cultura e as aptidões intelectuais das pessoas. Quanto mais retardado e alienado for o povo, mais fácil de se manipular. Esse deve ser o grande interesse por trás do mercado artístico, principalmente no Brasil. Ou a coisa ainda é pior, pode ser que as pessoas que controlam tudo isso acreditem realmente que estão fazendo uma grande coisa. Quem gosta de musica, e ainda se presta em consumi-la e se informar a respeito, sofre com a realidade imposta.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Porque artistas não podem apoiar governos

         
          Pra mim este tema sempre pareceu óbvio, mas ultimamente a ligação política de alguns artistas não tem sido visto com imparcialidade pela população e nem eles tem agido dessa forma. Não falo diretamente para os músicos somente, e sim para toda a classe artística, haja visto que muitos atores insistem em tomar partido de candidatos e até do governo publicamente. As consequências disso são óbvias, existem as represálias. Cito o caso de Lobão, com maior publicidade, Roger Moreira, entre outros, que tem shows cancelados por posicionamentos políticos contra o governo petista, assim como em manifestações nas redes sociais, tanto do público em geral como de outros artistas. De outro lado, na votação do Senado para a cassação ou não do mandato da então presidente Dilma Roussef, o músico Chico Buarque de Holanda estava presente ao lado do ex presidente Lula, hoje investigado pelo Ministério Público. Nestes casos os músicos acabam sendo vitimas de ataques de idealistas e daqueles contrários a seu posicionamento, fazendo com que venham a público diversas rixas e trocas de ofensas entre pessoas que não deveriam estar na mídia por estes motivos, e sim pelo seu trabalho artístico.
          Falei em outro texto que a lei Rouanet levantava várias possibilidade de fraudes de empresas querendo maquiar suas prestações de contas, até músicos consagrados usando o dinheiro para realizações próprias, o texto pode ser lido aqui. Eu particularmente sou contra leis de incentivo a cultura, por considerar que pagamos nossos impostos para financiar itens básicos como Educação, Saúde e Segurança e a cultura se incluiu no item educação. Se uma empresa tem deduzido de seus impostos valores referentes ao financiamento de obras culturais, isso quer dizer que essa verba não vai para o montante dos itens básicos citados acima. Essa é a razão pela qual eu considero falha uma lei de incentivo a cultura, assim como a tal bolsa artista e demais intervenções do governo na arte. Esse tipo de coisa serve para criar artistas chapa-branca e formar novos fios de fantoches para manipular as pessoas. Se o governo quer realmente financiar a cultura, que se utilize do formato da grade curricular, com aulas de matemática, física, química e geografia em um período e educação física, idiomas, literatura, música e educação artística em outro. Destinar bolsas e incentivos deste tipo apenas facilita que recursos públicos se escoem para a vala da corrupção.
          Deve haver um limite bem claro entre governo e artista. O músico, ator, entre outros, só pode lidar com o governo de maneira comum, pagando impostos e utilizando os serviços oferecidos a qualquer cidadão. A arte não pode ser desculpa para não pagar impostos ou ficar afastado no mundo artístico as custas do governo. Devemos incentivar arte e a cultura abrindo portas para que o artista possa fazer seu trabalho e cobrar de forma justa por ele. Não adianta um músico se dedicar a sua arte de forma autônoma e ter que pagar para abrir um show de um artista internacional, que arrancará os olhos da cara de quem quiser ver sua apresentação por conta dos empresários e organizadores destes eventos. Se houver segurança e certa estabilidade no mercado, naturalmente as pessoas vão consumir arte e os artistas, assim como a cultura, serão valorizados. O governo não pode fazer parte disso. Onde há 1% de participação politica, certamente haverá 99% de corrupção. Cultura o cidadão adquire com formação e conhecimento, não com esmolas do governo.

          Pela nossa cultura, sabe-se que nenhuma ação da iniciativa privada é gratuita, ninguém vai investir em algo para não ganhar nada em troca. Portanto, leis de incentivo a cultura existem para mascarar algum fim mesquinho, não para dar ao cidadão comum momentos de lazer e crescimento cultural. É muito mais natural um artista se apresentar de graça do que uma empresa financiar um evento sem ganhar muito mais do que foi investido em troca. Se há uma parceria entre uma empresa ou marca para algum trabalho artístico, que seja diretamente feita com o artista e ele repasse ao governo o que lhe é legal. O Estado nunca pode interferir nesse tipo de ação, pois seu papel é outro, e a ele só cabe fiscalizar e arrecadar tributos conforme a lei. Essas relações entre empresas e artistas podem gerar contradições e coisas do tipo, mas ficam por conta dos artistas os resultados de suas escolhas. Nunca o dinheiro público pode ser usado para comprar a opinião e o silêncio das pessoas, principalmente dos artistas.
          Para encerrar essa postagem, deixo bem clara a minha opinião sobre o envolvimento do governo em atividades culturais. Sou contra. Como falei anteriormente, invista em aulas de música e demais manifestações artísticas nas escolas, não aliviando a carga tributária de grandes empresas. Faça de forma clara e transparente, com escolas em dois turnos garantindo segurança e boa formação aos alunos, tranquilidade para os pais e qualidade intelectual aos cidadãos. Empurrar esmolas e inventar leis mirabolantes só fomentam a corrupção, não a cultura. Educação e cultura devem ser  direcionados para a base, a escola. Garantindo isso, naturalmente as pessoas passarão para os outros níveis consumindo arte. Assim se forma cidadãos informados, cultos e com veia artística. Entretanto, nenhum governo quer isso, pois esse tipo de individuo normalmente questiona tudo e se torna mais difícil de se manipular. Antes de se apoiar políticos e governos, precisamos questionar as reais intenções deles. Por isso são duas vertentes que jamais podem se relacionar. A arte existe também para questionar e nunca servir a quem é contra o povo. E todos os tipos de governo são contra o povo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Adolescente morre em ocupação de escola



                     Essa semana nos deparamos com a morte de um adolescente de 16 anos no dia 24 de outubro, durante uma ocupação de uma escola no Paraná. O nome do rapaz é Lucas Eduardo Mota, que estudava na escola estadual Santa Felicidade, em Curitiba. A escola foi desocupada na manhã de terça-feira, 25, após onze dias de ocupação. Segundo a Polícia Civil, Lucas teria sido esfaqueado por um colega de escola de 17 anos, que está detido na segunda Delegacia do Adolescente. Segundo algumas fontes, a mãe havia comprado uma casa em outro local, mas resolveu voltar porque o filho não queria sair da escola. A família é bem humilde e o menino teria perdido o pai tendo o emprego modesto da mãe como unica fonte de renda. Os relatos das pessoas que acompanharam toda a situação de perto são fortes e ilustram bem ao o que estão expondo estes adolescentes.
Existem diversas escolas sendo ocupadas no Paraná, Minas Gerais, Espirito santo e São Paulo. Estes protesto em forma de ocupação são contra a PEC 241 e a reforma no ensino médio anunciada pelo governo no mês anterior. Com certeza, essas interrupções nas aulas afetarão os estudantes no período de ENEM e vestibulares logo a seguir. Entretanto, parece que quem organiza este tipo de protesto não se dá conta do risco de manter adolescentes enclausurados, onde os pais não podem entrar, ditando regras através de atas e sendo estimulados a agredir e lutar contra algo que certamente nem sabem do que se trata. Essas mesmas pessoas protestam contra a redução da maioridade penal, entretanto, usam os jovens como massa de manobra para brigas politicas. Não é preciso procurar muito para achar culpados, mas possivelmente punirão quem é mais humilde e fraco, enquanto os verdadeiros interessados nesse circo se livrarão ilesos.
Aconselho as pessoas que defendem estes movimentos e os órgão envolvidos, governo, polícia, conselhos tutelares, pais, alunos e instigadores em geral, a se informar sobre as leis do nosso país. É anti-democrático infringir as leis e usar locais públicos como base de resistência politica e ideológica. Muito provavelmente estes alunos que ocupam escolas são alertados de sua impunidade e veem este contexto como uma oportunidade de se rebelarem e se sentirem com algum poder. Desde cedo que os manipula já injeta esse vírus de satisfação em controlar e chamar a atenção. Mas possivelmente os pais e os próprios alunos não tem noção dos riscos que isso representa. Os pais são responsáveis por seus filhos e devem interceder por eles, pois acredito que a mãe do jovem assassinado e a família de quem cometeu o crime estão passando pelo pior momento da vida deles. E eu pergunto: "Para eles, valeu a pena?"
A polarização politica tão festejada por ambos os lados está dando seus frutos a cada dia. Escolas paradas e ocupadas, hospitais funcionando em condições precárias e super lotados, fraudes na saúde, a violência incontrolável e casos e mais casos de corrupção. Defender uma causa, mesmo que ela se mostre destrutiva e prejudicial, independente da corrente ideológica, é uma burrice imperdoável. Não há ideologia que justifique a degradação prática de uma nação. Muita gente se diz culta por ler muitos livros e dissertar sobre teorias mirabolantes, reunir pessoas que apoiam suas idéias, conseguir espaço para debater toda uma história que já teve milhares de interpretações, mas são incapazes de perceber o mal que estão causando as pessoas a seu lado. Imagine a carga em cima dos alunos desta escola quando voltarem as aulas depois da perda do colega.
Tenho a impressão que as pessoas envolvidas neste tipo de movimento, de modo geral, distorcerão os fatos e em breve tudo será ignorado, como sempre acontece. Por que estes ativistas não se reuniram e invadiram as propriedades da Samarco e fizessem com que as atividades da empresa fossem paralisadas por conta dos danos que causaram ao meio ambiente e as pessoas que tiravam água e o sustento do Rio Doce? Simplesmente acham que multas e compensações financeiras podem reparar os danos? É essa dicotomia que me incomoda nos discursos de ativistas, de políticos, de filósofos e quem mais opina a respeito. Quem estimulou, permitiu e participou da ocupação da escola no Paraná que responda criminalmente por homicídio, afinal, isso era previsível e se continuar, todos devem assumir o riscos.
Vou deixar bem claro que não defendo governo ou movimento algum, pois não me identifico com nenhum deles. Não vou posar de intelectual ou visionário, muito menos ativista do que quer que seja. Desde a adolescência busquei ficar a margem da politica, fruto da herança do período ditatorial. Também nunca me senti atraído pela ideologia de esquerda, pois ver líderes socialistas e comunistas em suas fardas militares e todo o discurso em torno, nunca me convenceram de seria garantia de um estado justo e honesto. Na verdade, sempre me preocupei com coisas mais simples  como a educação, cultura, segurança, infraestrutura e sustentabilidade, porém todos os partidos, organizações e movimentos que erguiam essas bandeiras, também pregavam o discurso de ódio, a polaridade politica, a busca por culpados e não soluções, a necessidade de vender o pacote completo ou estigmatizar quem não aceitar de fascista, golpista, vendido, coxinha, nazista, comunista, ou o que quer que fosse, exatamente como é hoje. Talvez pareça diferente porque temos muito mais acesso as informações hoje em dia, mas as pessoas por trás de tudo isso são praticamente as mesmas, apenas tem a disposição uma massa de manobra renovada e uma mídia diferente.
Pra finalizar, não podemos pensar que em todos os atos deste tipo haverão mortos, nem achar que foi algo isolado. Basta ver os noticiários ou ler jornais para saber que muitas e muitas pessoas morrem por vitima de violência no Brasil diariamente nas mais diferentes situações. Contudo, não se pode tirar a responsabilidade de cada um dos envolvidos, tanto direta como indiretamente, pois tudo que está acontecendo é parte de um todo. A queda da Dilma não melhorou a situação, as medidas do novo governo também não, as eleições municipais possivelmente também serão inócuas e estes movimentos não alcançarão objetivo algum, pois quem está nas ruas ou nas ocupações não conhece a lei e nem sabem exatamente porque estão lutando, são fantoches, tanto de um lado como do outro. A questão é: "Por que você quer fazer parte disso?" Se busca um país melhor,  não está ajudando. Se quer apenas aparecer e fazer bagunça, assuma isso e enfrente as consequências.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Anitta e Paula Fernandes, orgulho nacional

         
          Ontem postei um vídeo falando sobre o que a apresentação de Anitta e Paula Fernandes ao lado de Andrea Bocelli e todas as polêmicas que aconteceram, clique aqui para assistir. Este texto eu já havia escrito na semana passada, mas acabei deixando em segundo plano, dando espaço a outras atividades e por isso acabei não postando, o que foi bom até, pois outros fatos apareceram e o texto ficou mais realista. Entretanto, como postei o vídeo no Youtube ontem, vou deixar o texto aqui para ficar registrada minha opinião a respeito disso também no blog. Para dar mais um pouco de munição contra as cantoras, o sertanejo Daniel também se apresentou com Andrea Bocelli e fez bonito, afinal, ele sabe cantar. Os vídeos estão todos ai na internet para serem conferidos para que cada um possa tirar suas próprias conclusões. Vou fazer melhor ainda, vou clocar aqui os vídeos do Marcio Guerra falando a respeito com mais propriedade que eu, por ter um canal dedicado a técnica vocal e canto.
          A onda na internet é falar mal da Anitta e da Paula Fernandes por conta da recente apresentação com o tenor italiano Andrea Bocelli. Uma pessoa como Bocelli fica exposta a esse tipo de situação, quando promotores de shows, com o olhar unica e exclusivamente voltado para números, visualizações na internet e seguidores nas redes sociais, acham que a popularidade comprada de artistas como as duas citadas acima, podem ser convertida em talento. Mas isso é muito comum de acontecer atualmente por conta dessa visão de mercado extremamente distorcida. Você tem que dar um desconto para as pessoas menos informadas, e que são fãs deste tipo de artistas, que acham relevante um tenor italiano de renome internacional fazer dueto com artistas populares, li comentários de que quem estaria abrilhantando o show de Bocelli seriam as duas e não o contrário. Entretanto, seria de bom senso, já que organizariam um evento deste tipo, que fizessem algo menos estapafúrdio, isso evitaria alguns constrangimentos, principalmente dos envolvidos.
          O resultado disso tudo é que Paula Fernandes vai a mídia para detonar uma cantora lirica que, segundo ela, deveria cantar um trecho em um tom mais alto e que estaria doente no dia e não havia sido substituída a tempo. Por esse motivo houve um grande e constrangedor vazio no trecho da música onde a cantora simplesmente fica estática sem saber o que fazer.  Maria Aleida foi acusada até de sabotagem pelo fãs de Paula Fernandes. Entretanto, na participação de Anitta no dueto a três com Bocelli, onde ela cantou a parte mais alta da música, sequer havia um microfone posicionado para a soprano cantar. Isso proporcionou uma cena bizarra em que a Anitta canta e dá uns passinhos pra trás logo a seguir e a soprano entra bruscamente em frente a ela para cantar no mesmo microfone. 
          Em entrevista sobre o assunto, Paula Fernandes fala de seu "profissionalismo" e se diz preparada para aquela performance. Por consequência, alega que a soprano estava doente e não pode ser substituída a tempo. Já de sua parte, Maria Alieda alegou que as duas cantoras sequer sabiam a letra da música e só foi avisada da participação com a Anitta duas horas antes do evento (isso justificaria a ausência de um microfone para ela) e ainda postou uma foto do roteiro das duas apresentações para provar sua versão em que seu nome não constava ao lado da canção. Mas, o que importa a opinião de uma soprano cubana desconhecida para os fãs de Paula Fernandes, não é mesmo? Absolutamente nada. Para os fãs de Anitta, dane-se que ela não sabe cantar de forma erudita. Para cantar o "Show das Poderosas" e remexer seu corpo cheio de plásticas no palco ela serve muito bem, não é essa a questão. Que ela se limite a fazer o que ela faz e não tentar forçar uma situação para parecer eclética ou agradar o interesse de terceiros.
          Só pra demonstrar como todo esse circo é vexatório e desnecessário. Basta ver a postura do tenor, extremamente relaxado no palco, afinado e demonstrando um controle total da respiração. Por outro lado, vemos que a Anitta pressiona uma mão contra a outra na hora de cantar. Isso é uma técnica que amadores dizem servir para alcançar notas mais altas, um professor de canto nunca indicará uma postura dessas. A cantora, extremamente desajustada ao articular as notas, com uma respiração dura e incorreta, interpretou a música de forma medíocre e amadora. A Paula Fernandes não demonstrou a mesma desafinação que Anitta, mas sua postura ao cantar e a interpretação acho que foram ainda piores.
          O que quero dizer com tudo isso? Quero só chamar a atenção porque este não é um fato isolado. Já vi Ivete Sangalo, Claudia Leite, dentre outros, fazer a mesma coisa nesses tipos de apresentação. Basta ver os especiais de fim de ano do Roberto Carlos, a enxurrada de bizarrices que aparecem para conspirar com ela, já que isso é um atentado ao bom gosto. Esses artistas escolhidos a dedo tem um grande investimento por trás, não podem simplesmente serem ignorados, eles giram um montante de dinheiro muito representativo, muitos deles até de forma ilícita. Quem pensa que esses The Voice Brasil, X-Factory, Superstar, dentre outros, objetivam revelar artistas, está muito equivocado. O papel destes programas é atender aos interesses dos patrocinadores, manter um cast de artistas na mídia como jurados e convidados especiais, ditar as regras de mercado e facilitar a vida de investidores e quem quer lavar dinheiro. Paula Fernandes, Anitta, esses MCs da vida, Wesley Safadão, duplas sertanejas e cantores de momento, são apenas fantoches atendendo as demandas das emissoras de TV, patrocinadores e empresários pilantras. O resultado desta mistura é o que testemunhamos no show do Andrea Bocelli, total falta de bom senso, pra dizer o mínimo.
          A TV é um espaço muito valioso e tem que atender a diversos interesses comerciais, políticos e sociais para se sustentar e promover essas pessoas. Se vimos um Faustão no passado levando artistas bregas, mas com carreiras relevantes e certo talento, para seu programa Perdidos na Noite, hoje o mesmo demite uma dúzia de músicos competentes para ficar com playbacks de péssima categoria em seu ridículo programa semanal. E quanto o Faustão ganha para fazer isso? Algo em torno de R$ 1.500.000,00 Reais, segundo muitas fontes. Ele é só um exemplo, temos o famigerado Esquenta, o Caldeirão do Huck, na mesma emissora e mais outros tantos espalhados pelas emissoras deste país.
Em suma, o que toda essa gente quer é continuar pondo fantoches na mídia, se aproveitar de grandes eventos para lavar dinheiro e sonegar impostos, vide a Lei Rouanet, e investir numa cultura rasteira e descartável.
          Para quem acha que é o que temos para o momento, saibam que aqueles grupos de pagode xexelentos da década de 1990 estão na ativa ainda, os sertanejos bregas também, os mesmos diga-se de passagem, os grupinhos pop volta e meia reaparecem, ou seja, aqueles que durante um tempo ficaram irritantemente na mídia continuam por ai, só que ninguém mais dá bola pra eles. Isso acontecerá com essas duplas sertanejas de agora, com os MCs, com o funk bagaceiro, Wesley Safadão, recentemente tivemos a queda do Calypso, e a vida segue. O que incomoda é a quantidade de dinheiro e atenção que essas pessoas geram em cima de muitas famílias pobres, trabalhadores que sentam em frente a TV nas suas horas de descanso e são bombardeados por essa mídia podre. Ao invés de se contentar com essa realidade que sempre se renova e cai vertiginosamente de qualidade, escrevo este texto para, ao menos, levar algumas pessoas a reflexão, como fiz com a politica e outros assuntos. Fora esses exemplos bizarros que estão na mídia e que sumirão em breve, temos um Caetano Veloso e um Gilberto Gil, que podemos dizer que são velhos militantes políticos que hoje eventualmente relembram seu passado artístico com interesses vagos e inúteis. Um Roberto Carlos aposentado fazendo shows eventuais para atender a mídia e sendo constrangido com todas as grandes ideias de parcerias. 
          Como tem muita gente que faz aquele tipo de comentário: "Mas é o que tem por aqui, tirando isso não existe mais nada!". Para essas pessoas eu falo, sem citar artistas da minha preferência, temos Zeca Baleiro, Lenine, Tom Zé, Almir Satter, Zé Ramalho, Ney Matogrosso, Filipe Catto, Lobão, entre muitos outros, que seguem com suas carreiras passando ao lado de toda essa mediocridade imposta pela mídia. Tentei exemplificar com músicos de diversas faixa etárias para ser o mais abrangente possível, todos fazendo músicas que atenderiam o gosto popular se tivessem algum espaço. Acredito que esses artistas não precisariam colocar seus trabalhos em xeque e se sujeitarem aos caprichos de quem tem o poder de fazer as coisas acontecerem. Para requentar a obra de compositores do passado é que estes programas de música já citados, as trilhas de novelas e vinhetas de programas resgatam material do tempo que as gravadoras mandavam em tudo, e que foram absorvidas pelas emissoras de TV e empresas maiores do ramo do entretenimento, misturados com essas aberrações artísticas do nosso mainstream. Soube de depoimentos de muitos músicos consagrados que foram chamados para fazer trilhas para Globo, Record, ou mesmo para os comerciais dos patrocinadores delas, e usaram pseudônimos temendo que suas obras e reputação fossem manchadas ao assinar coisas de péssimo gosto. Já falei em alguns momentos de grandes músicos se submeterem a se perder num ostracismo artístico em troca de um emprego temporário que é bem pago e certa estabilidade.
          Hoje se admite Anitta e Paula Fernandes fazendo fiasco ao lado de Andrea Bocelli e se apaga a imagem de Tom Jobim tocando ao lado de Frank Sinatra. Que grande evolução artística! Tivemos Toquinho e Peninha escrevendo trilhas de novelas e se afundando no ostracismo, enquanto Chico Buarque de Holanda bebe vinho importado em Paris as custas do governo, Gilberto Gil vira ministro, e coisas do tipo. Quem investe numa carreira séria é ignorado, quem é profissional sério da música sai do país pra estudar e fazer carreira no exterior, outros viram empresários ou políticos para não precisar viver exclusivamente da música. Então, tínhamos Felipe Dylon, depois Michel Teló, logo após Luan Santana, agora Gustavo Lima e assim em outros estilos também. Tivemos Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Claudia Leite, agora Anitta e Paula Fernandes, mas tantas cantoras de real talento ficaram pra trás e estão tentando sobreviver? Imagine Elis Regina, Rite Lee nos tempos de Tutti Frutti e Mutantes, Alcione, até Fafá de Belém, isso sem contar as clássicas da década de 50 e 60, hoje serem representadas em sua posição na mídia por Walesca Popozuda, Tati Quebra-Barraco e tantas outras atrocidades? Sim, isso está acontecendo hoje e todo mundo aplaude.
          Mas há quem diga que isso sempre existiu. Concordo, mas agora parece que é só o que existe. Essas duplas que se dizem Sertanejo, mas que são a síntese da dor de corno e a imagem de playboy brega e o funk pop bagaceiro, que é o polimento daqueles improvisos tribais de gueto com linguagem canalha. Não existe moda de viola com sanfona e canções rurais, muito menos o swing dançante e malicioso do negro americano. Acho muito insano Gustava Lima e Mc Guimê soando iguais. É o mesmo que tentar imaginar uma relação entre a sonoridade de Tonico & Tinoco e James Brown.
Ao escrever este texto pensei em tantas outras coisas bizarras que precisariam de um livro pra explicar e citar bastante sobre elas, mas por hora vamos ficar nessa presepada ridícula envolvendo Andrea Bocelli e as duas cantoras Top Brasil e esperar a próxima bobagem. O que mais entristece é saber que há muita gente talentosa hoje em dia sem espaço ou incentivo e que um país que já foi lembrado por Tom Jobim e Villalobos, hoje mostram ao mundo Wesley Safadão, Anitta, Walesca Popozuda, Tiago Iorch e afiliados. E mesmo assim, se gasta com a promoção desses artistas uma quantia muitas e muitas vezes mais elevada do que se gastou com os grandes nomes da nossa música nos áureos tempos. Como brasileiro costuma fazer alusão ao futebol, artisticamente estamos vivendo a mesma realidade que a Seleção Brasileira mostrou na Copa de 2014. Temos tudo em nossas mãos para mostrarmos nossa qualidade e tomamos uma goleada vexatória e histórica. Como se nada pudesse ser pior, a cultura ainda pode ser motivo de piada, mas na educação, saúde, segurança e honestidade, que são coisas que realmente importam, estamos fazendo o mesmo papel. Essa é a triste verdade do Brasil no século 21, uma vergonha no esporte, na música, na politica e na sociedade. E não venham me dizer que essas coisas são desconexas, pois refletem claramente o rumo que o país está traçando para o futuro.
          Abaixo alguns links de vídeos sobre o assunto:
          https://www.youtube.com/watch?v=-MhvedF_svU
          https://www.youtube.com/watch?v=IxTGFptcT3E
          https://www.youtube.com/watch?v=g3gDG7rPYsc

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Padrões

         
          A capacidade do ser humano de raciocinar e desenvolver teses sobre todos os tipos de assuntos talvez seja potencialmente sua maior virtude. Claro que muitas dessas atividades intelectuais se tornam fantasiosas ou simplesmente inservíveis, mas isso não tira a importância e o valor de se refletir e conjecturar sobre as coisas que nos interessam e nos intrigam. Como tenho a música como uma das maiores minhas paixões e ela me acompanhou durante estes quase quarenta anos de vida, refleti, pesquisei e debati muito sobre diversas coisas relacionadas a ela. Muitos destes pensamentos e dessas teorias estão registradas nesse blog para serem compartilhadas com quem se interessar. Tenho a sorte da música ser uma atividade que estimule os intelecto, alimente a criatividade e desenvolva o lado emocional de forma proporcionalmente igual. Mais do que um complexo conjunto de sons e ritmos, a música é uma linguagem e atua de forma profunda, tanto no intelecto quanto no emocional do ser humano. Por ter este amplo espectro de atuação, pode induzir o ouvinte ao repouso tranquilo ou mesmo jogá-lo num elétrico estado de histeria, alegrá-lo ou entristecê-lo, pode resgatar lembranças belíssimas ou levá-lo ao desespero. Por se tratar de algo tão complexo e tão particular, a música é a manifestação artística que mais meche com as emoções humanas.
          Por tudo que mencionei acima, cheguei próximo de uma constatação quem vai de encontro com uma realidade muito peculiar em se tratando de música. Muitas pessoas já devem ter se deparado com a expressão: "Não se faz mais músicas como antigamente." ou então: "A música de hoje em dia não se compara à aquela feita anos atrás." Se considerarmos que isso é verdade, teremos um campo amplo para soltarmos nossa imaginação e divagarmos a respeito. Como muitos tem um carinho especial pela música feita em determinada época, a nossa memória emotiva faz com que nossa percepção seja mais emocional do que racional, pelos motivos que citei no parágrafo acima. Este é um ponto bem forte no desenvolvimento de nossas preferencias e é muito particular de cada individuo. A arte também é volúvel conforme o tempo e o ambiente que a cerca e a música reflete muito seu contexto temporal, seja por ideologia, tecnologia, contextos específicos e tudo o mais. É uma tarefa muito indecente comparar o novo ao velho, pois o velho já foi novo e o novo envelhecerá. É preciso ter a mente bem aberta para admitir que a música que se faz hoje é tão boa quanto a de qualquer época. Tirando os aspectos históricos e toda a magia, que é fundamental para qualquer tipo de arte, a música segue evoluindo, mesmo que não haja uma exposição tão clara como antigamente. É fundamental analisarmos todo o contexto em que cada obra significante foi criada para chegarmos a uma análise mais justa e criteriosa de épocas e estilos musicais, para se perceber onde as coisas evoluíram e onde regrediram.
          Há o conceito de que tudo já foi feito e não existe espaço para a evolução. Entretanto, pense que um dia tivemos Vivaldi, Mozart, Bethoveen e que em determinado tempo seria impossível alguém superá-los. Mas a música mudou e as grandes orquestras deram lugar a músicos solitários, com seus violões tocando blues. Imagine que a música agora poderia ser gravada e levada para casa em um disco. Imagine que surgiria um grupo como os Beatles e sua simplicidade e inventividade. E de repente, temos o Rock se ampliando em diversas direções, temos o Heavy Metal, o Jazz, o Funk, coisas tão diferentes das orquestras e sonatas ao piano, entretanto, muitas vezes essas coisas tão distantes se juntam e formal algo novo. A matéria prima muda, os artistas mudam, as épocas mudam, os lugares, a linguagem, uma confusão de estilos e tudo o mais. O LP dá lugar ao CD, depois surgem os serviços virtuais de música. A forma com que se escreve, se toca e se grava música se transforma de forma rápida e inimaginável e diante de todas essas variáveis, temos a petulância de compararmos a música de hoje e a de antigamente?
          Mas, mesmo tendo feito toda essa explanação sobre o grande universo da música e a força de todas essas mudanças, tenho que admitir que há sim uma deficiência que acaba por tornar a música contemporânea menos atraente do que a música feita em épocas anteriores. Um dos motivos é bem óbvio, a forma de se consumir música. Antigamente costumávamos sentar em frente ao aparelho de som e ouvir diversas vezes o mesmo LP, observando o encarte e lendo as letras. Se tinha poucas opções, então o que estava disponível se tornava batido rapidamente. Claro, isso para quem gostava bastante de música, o que é meu caso. Durante uns três ou quatro anos eu ouvi basicamente uns trinta álbuns e muitos deles centenas de vezes, pois era mais difícil comprar vários LPs, pois eram muito caros para um moleque pagar por muitos títulos em um curto prazo. Cada vez que conhecíamos algo novo, ouvíamos até enjoar ou aparecer outra coisa nova que chamasse a atenção. Imagino que para as gerações anteriores a minha essas características eram ainda mais fortes. Hoje se tem tanta oferta, facilidade de ouvir e ter informações sobre tudo o que já tinha e o que surgiu ultimamente, então a oferta é tão vasta que fica quase impossível se ouvir com o mesmo interesse todas essas bandas.
          Hoje os músicos são tão bons ou até melhores que os das gerações anteriores. Os instrumentos estão cada vez mais modernos e atraentes. O acesso a diferentes formatos de aulas de qualquer instrumento ou estilo é quase que imensurável. Então podemos chegar a conclusão de que a música de hoje tem tudo para ser melhor do que a feita antigamente. Mas, se o Black Sabbath e o Led Zeppelin lançaram quatro álbuns em três anos cada no início dos anos setenta, mesmo nas condições adversas que a época apresentava, hoje os artistas pensam duas ou mais vezes antes de lançar um álbum de músicas inéditas, isso que hoje praticamente se pode gravar tudo em casa e com custo mínimo. Hoje o acesso ao que há de melhor em termos de instrumentos e equipamentos é centenas de vezes mais fácil, e mesmo assim se trabalha menos em composições e gravações inéditas. Será apenas a influência da queda das gravadoras que exigiam álbuns e organizavam as turnês dos grupos que só se preocupavam com a música? Pode ser um fator importante, mas por si só não se justifica. O fato de vermos crianças tocando partes quase impossíveis de músicas complexas em seus instrumentos, também não é o suficiente para garantirmos uma geração de virtuosos fazendo ótimos trabalhos.
          Diante de tudo isso que foi exposto, só tenho uma explicação para que não se produza tanta música de qualidade em comparação ao passado, tendo todas as facilidades que o presente nos oferece. Essa explicação se resume a uma palavra apenas: padrões. Com o grande acesso a informação que temos hoje, há um punhado de imitadores e músicos inexpressivos, mas altamente capacitados. Músicos que possuem capacidade técnica para tocar obras extremamente complexas com uma naturalidade incrível, porém são incapazes de escrever algo novo com a qualidade proporcional a suas capacidades técnicas. A padronização está presente e domina todas as fases que um músico passa geralmente, desde o aprendizado, seus equipamentos, a gestão de suas carreiras e até a forma de se vestirem. Antigamente tínhamos numa mesma época e país um Deep Purple, um Black Sabbath, um Led Zeppelin, todos diferentes e com a mesma relevância. Hoje temos um exército de clones em que poucos se destacam, mas normalmente nunca estão sozinhos num estilo ou tendência. Isso causa um total desinteresse de quem escuta essas bandas e faz com que muitas das antigas ainda estejam na ativa, pois até então ninguém consegue superá-las em termos de relevância o inventividade.
          O que mais preocupa, é essa realidade ser aceita de forma natural e muitos preferirem apenas sobreviver neste cenário padronizado, em que a maioria ainda usa os mesmos modelos de instrumentos e equipamentos de cinquenta anos atrás, achando que assim poderão se adonar também da criatividade e da importância de quem usou todas essas coisas no passado. Vejo as pessoas mais focadas no passado ao trabalharem com arte do que olhando para o futuro. Vejo a minha geração de músicos como sendo uma exército de derrotados, e as novas gerações como clones modernos desses derrotados. Parece que a coisa da guitarra, por exemplo, começou com Hendrix no final dos anos sessenta e terminou com Stevie Vai e seus pares no início dos noventa e que ninguém mais surgiu nesse meio tempo. Acredito que os grandes inovadores, tanto músicos como grupos, foram artistas que superaram padrões, mas não por terem extrapolado os limites impostos, e sim por terem ignorado os padrões. Hoje há um milhão de cursos e dicas para que todos se encaixem no padrão e sobrevivam, isso é muito ruim. Enquanto tínhamos o Van Halen trilhando seu caminho e construindo seu estilo, hoje vemos o exército de fritadores discípulos de Malmsteen, outro um pouco diferente seguindo o Stevie Vai, mais ao lado os seguidores de Satriani, os bluseiros, os retrô, os post-rock, os progressivos da geração Dream Theater, todos seguindo padrões.
          O que este universo de informação nos proporcionou de maneira geral? Um monte de padrões. 
          

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O que é Heavinna?

       
          Heavinna foi o nome que escolhi para minha banda no final de 2003 ou inicio 2004. Ela foi chamada de Waiftown por um ano e meio antes disso. Hoje, se alguém digitar Heavinna em qualquer site de busca chegará até meu trabalho. O próprio blog tem Heavinna no nome, tenho a Heavinna TV que é uma sequência de vídeos no Youtube, poucos é verdade, até então mas que seguirei gravando. Heavinna também é o nome do meu home estúdio onde gravo minhas demos, estudo e gravo meus vídeos. Resumindo, Heavinna é meu trabalho como músico atualmente e qualquer outra atividade que eu precise executar com um nome fantasia. Posso dizer que hoje a Heavinna é minha vida fora das atividades triviais da maioria das pessoas, emprego, família, estudos e etc. Mas o que quer dizer Heavinna? Simples. Estava procurando um novo nome para a banda, pois Waiftown era muito ruim e como sou fã de Metallica, simplesmente usei a outra palavra da expressão Heavy Metal, ou seja Heavinna. Pode ser bem simplório, mas me pareceu ser uma boa sacada na época e ninguém contestou até hoje.
          A banda Waiftown foi a primeira banda que montei com uma ideia já definida do que eu queria fazer em termos musicais. A Striknina, com 14 anos de idade, era coisa de moleque fazendo Punk Rock com os amigos. A Desaster foi uma das bandas que me convidaram pra entrar um ou dois anos depois. Tive outra banda nessa época também, mas acho que nem nome tinha. Depois a Evocation também fui convidado a participar. A Dallas onde toquei por pouco tempo, também entrei como convidado (falo dela aqui). A In Pace, embora escrevesse todo material da banda com algumas parcerias, também era uma banda que já existia. A Shekinna da mesma forma. A Waiftown eu formei em 2002 e já tinha uma base de som, tinha algumas músicas e ideias de algumas das bandas anteriores. Recrutei o baixista Yuri Pospichill, que tinha 15 anos na época e um baterista que conheci na escola onde estudava a noite. Esse núcleo aparece nos ensaios de 2004 que postei os vídeos no youtube (assista aqui, aqui, aqui e aqui). Na verdade aquele ensaio foi um retorno da banda para uma única apresentação, mas que até criou sobrevida por um tempo em um momento posterior.
          Depois de terminar algumas músicas, eu chamei um vocalista pra cantar no cd demo que gravaríamos no início de 2003 (ouça as músicas aqui). A pessoa escolhida era o Fábio Kampf que tinha me chamado pra tocar na banda Dallas. Como tivemos problemas com o Timóteo, baterista da época, eu chamei o Alex Kampf, irmão do Fábio, para as baquetas. Com essa formação compomos mais algumas músicas nos nossos ensaios. Pra ser honesto, nós quatro formamos a melhor banda que já tive em diversos sentidos como amizade, musicalidade e criatividade. Tocávamos horas a fio e nos divertíamos muito fazendo isso. Quase não tínhamos equipamentos, mas nos virávamos bem com oque havia a disposição. Num cômodo da minha casa de madeira com uma bateria velha das mais bagaceiras, um amplificador de guitarra WarmMusic para estudos de 30 Watts, um pedal Zoom 505, uma guitarra Washburn N1 verde abacate, um baixo velho que nem me lembro a marca, um amplizinho de rádio para amplificá-lo, uma caixa Watsom e um microfone Leson eram nossos equipamentos. Lembro de usar o microfone para gravar os ensaios em fita no meu Gradiente 4 em 1. Assim que comecei a gravar nossos ensaios dessa forma que pudemos evoluir nossas composições, pena que não tenho mais aqueles registros e não chegamos a gravar em um estúdio.
          Comecei a marcar shows para mostrar a nova banda para meus amigos. Porém, infelizmente tive cinco apresentações canceladas por motivos bizarros e nem eram grandes shows e sim aparições pequenas, tocando quatro ou cinco músicas. Isso fez com que o baterista desanimasse antes mesmo de começarmos a mostrar nosso som de verdade. Então começou um entra e sai de bateristas, baixistas, guitarristas e vocalistas e a coisa fugiu do meu controle no final de 2003. Em 2004 consegui reunir a formação original como falei anteriormente e está registrado em vídeo nos links acima. Depois acrescentei mais um guitarrista que já havia tocado por um tempo em uma das formações provisórias. Entretanto, sempre que a coisa começava a tomar forma algo dava errado. Voltaram as trocas de formação e a se arrastou assim por 2004, 2005 e 2006. Em 2007 decidi parar de tocar por uma tempo. Aconteceram muitas coisas na minha vida pessoal que colaboraram para que eu desistisse de fazer música.
          Só voltei a tocar em 2008 quando comprei um amplificador Meteoro para brincar e um pedal Zoom Signature do Kiko Loureiro. Nesse momento já tinha computador e em pouco tempo estava trabalhando com editores MIDI e coisas do tipo (um registro dessa época pode ser conferido aqui). Comecei a estudar produção só para gravar minha idéias por diversão, mas acabei tomando gosto pela coisa e me aprofundei. Acabei vendendo o multi efeitos da Zoom e comprei outro que era uma interface USB também, o Zoom G2.1u que vinha com uma versão do Cubase LE para gravar. Pelo ano e meio seguinte eu fui compondo e testando idéias com meus novos brinquedos. Fiz questão de ilustrar isso no meu canal do Youtube. Em 2009 chamei o Yuri novamente pra retomarmos a parceria. Chamei um baterista chamado Renato Larsen para remontar a banda. Por pouco tempo funcionou legal, mas o Renato resolveu sair para cuidar dos projetos que ele já tinha (um dos nossos ensaios pode ser visto aqui). No mesmo período meu avô adoeceu seriamente e acabou falecendo em 2010 e isso me abateu demais, não pude continuar a busca por baterista e acabei desistindo de tentar montar a banda.
          Preferi investir em produção mesmo, me aprofundar, estudar, gravar minhas ideias e me manter ocupado para não ser consumido pela depressão. Compus algumas músicas, mas normalmente estou preso a riffs e ideias de umas 14 músicas que cheguei a deixar bem redondas com algumas formações da banda. Essas músicas tem me limitado de certa forma, pois não me sinto a vontade escrevendo material novo e deixá-las incompletas e perdidas no tempo. Elas merecem versões definitivas e produzidas da melhor forma possível e nesse período todo não pude fazer isso com elas sozinho e nem pagar alguém pra me ajudar. Já não tenho mais a fantasia de reunir amigos pra começar uma banda de forma democrática e também não conseguirei encaixar minha agenda para trabalhar em uma banda de outra pessoa no momento. Estou gravando demos e testando demos de diversas versões. Reescrevi muitas das letras em português, mas ainda há muito trabalho a fazer nesse sentido.
          E essa é a história da Heavinna, a minha história nos últimos 15 anos. Em tempos que vários músicos super talentosos gravam seus vídeos para o Youtube de forma muito bem produzida, eu posto vídeos antigos de ensaios gravados de forma rudimentar, tocando na cozinha ou no quarto de casa. Não é bonito nem me garantirá nada em termos de carreira, mas é minha história. Pra mim há sentimentos, contextos e muita magia nesse material que só eu vivi e que talvez não façam sentido as outras pessoas. Hoje sei que é impossível eu me livrar da Heavinna e seguir meu caminho longe da música ou mesmo tocando em outros projetos, depois de tanto tempo carregando essa marca que pouco produziu de forma palpável, resolvi encorporá-la e mostrar á todos o que ela representa, mesmo que só represente algo para mim mesmo. Continuarei produzindo minhas coisas sob a pecha da Heavinna e tenho muito ainda pra mostrar. Quem quiser acompanhar essa jornada ou se juntar a mim, seja bem-vindo, pois a Heavinna passará a ser a história de todos nós.

sábado, 1 de outubro de 2016

Eleições

          Numa eleição o que se decide é uma guerra de egos entre os escolhidos de determinados grupos que se alternam no poder. Normalmente são as mesmas pessoas que vemos a cada dois anos, com pouca variação. Quem se elegeu na eleição anterior, ou cumpre o mandato apoiando alguém ou se candidata a um cargo melhor. Aqueles que não se elegeram, concorrem novamente a qualquer cargo que o grupo ao qual ele representa escolher. Durante a campanha eleitoral o que temos é um festival de sujeira nas ruas, tanto física, como panfletos e cartazes, como sonora, discursos e carros de som. A ideia é sempre a mesma, tentar convencer os eleitores a se decidirem por eles. Nessa fase, todos os candidatos são honestos, atenciosos, humildes e bem intencionados. Todos eles tem a exata noção do que a população precisa e sabem perfeitamente como fazer as coisas acontecerem para suprir essas necessidades. Os discursos e as bravatas são as mesmas de sempre. Tudo decorado e de acordo com a imagem que a sigla que ele representa prega. 
          A mídia tem papel fundamental no processo eleitoral, pois ao divulgar pesquisas de intenções de voto, elas direcionam os resultados e manipulam a disputa para aqueles que elas tem preferência. Por exemplo: Um candidato X concorre a reeleição e um candidato Y é o representante mais significativo da oposição. Ao divulgar pesquisas de intenção, quem é contra o candidato de situação, no caso X, vai votar em Y, e vice versa, quem é contra as ideias do candidato Y, vai votar e reeleger X. Enquanto isso, os outros candidatos de partidos menores ou de menor prestígio na região no momento, ou por qualquer outra razão, ficam em segundo plano na cabeça dos eleitores, pois muitos pensam que se votarem em algum candidato que não seja X ou Y, estará desperdiçando seu voto escolhendo um candidato mal colocado nas pesquisas. Normalmente a mídia prefere que a disputa vá para segundo turno, pois terá mais noticias e a audiência subirá devido aos programas especiais, a cobertura da eleição e os debates. A não ser que, por algum motivo qualquer, seja mais interessante para ela, um candidato ganhar em primeiro turno. Não é raro vermos candidatos que estão atrás nas pesquisas irem para o segundo turno e ganharem eleições para o executivo. Nesses momentos as estratégias e a vontade da mídia dão errado.
          Mas tudo isso não importa muito. Num país que nada funciona, acreditar que este sistema de urnas eletrônicas é confiável, pra mim soa inocente demais. E outra. Independentemente dos candidatos eleitos, nada mudará. São todos formados na mesma escola do populismo e corrupção. Eles representam os velhos grupos de sempre. Acreditar na politica é mais infantil, bizarro, inocente e idiota do que acreditar em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa. Onde envolve dinheiro e poder, as criptonitas do ser humano, todos querem a mesma coisa. Esqueça os projetos, as histórias de vida sofrida, as acusações, e tudo o mais que vem a tona nessa época. É tudo falso e faz parte da encenação para enganar você. Se formos pensar um pouco, veremos que há uma alternância no poder dos mesmos grupos, e aqueles que não são eleitos, normalmente conseguem cargos interessantes nos bastidores.
          Se o candidato que você votar vencer a eleição, caso você seja uma pessoa de bem, cada morte que acontecer por falta de segurança, cada pessoa que morrer num hospital por falta de atendimento, ou morrer no transito por algum erro na fiscalização ou por obras inacabadas, coisas do tipo. Quando houver crianças sem creches ou fora da escola, pessoas desempregadas, corrupção, tudo isso, tenha a nobreza de se apresentar como cúmplice e pedir desculpas as pessoas. As coisas que falei são responsabilidade dessas pessoas que você elegeu. Se é adepto do "vou votar no menos pior", saiba que você é um irresponsável, pois mesmo sabendo que são ruins, você ainda apoia um deles. Você até pode achar que é radicalismo, mas basta olhar ao redor. Se você não é beneficiado pelo esquema, terá a isenção necessária para avaliar todo o caos que está a nossa volta. Sem entrar no mérito da questão, pois isso seria assunto para um outro texto. mas a verdade é que os políticos só fazem alguma coisa boa para a sociedade e as pessoas mais simples quando precisam do apoio do povo para seus interesses e essa é a contra partida dada meio a contra gosto.
          Daí a pergunta: "O que fazer então?" A resposta é simples: Vire as costas para os políticos. Não vote em ninguém. Fique isento. Se todos fizerem isso o sistema começará a ruir. Já não haverá o apoio das grandes empresas que só lucram com tudo isso. Esses mesmos indivíduos que hoje desfrutam das regalias que proporcionamos a eles os elegendo, terão que mudar de tática. É algo simples de se fazer, mas o resultado não é imediato. Porém, não custa chegar para um candidato ou um cabo eleitoral e dizer: _Me desculpe, mas não confio em você. Não concordo com o que você representa, portanto, não venha pedir meu apoio." Dessa maneira você poderá ficar em paz com a sua consciência, afinal, você não será cúmplice de todo o lixo que se esconde por trás da politica do nosso país e de todo esse processo mentiroso e manipulador.
          Pra finalizar, fica aqui minha dica. Preste atenção que quando for votar, você já vai perceber infrações como boca de urna e tentativas de compra de voto. Você precisa ir até sua seção mesmo para não ter problemas futuros por não ter comparecido. Nosso processo eleitoral é tão democrático que obriga todos os cidadãos aptos a votar a participar do processo. Mas não se engane, quando dizem que você é parte da mudança, que os próximos quatro anos dependem de você, que é a festa da democracia, que você é muito importante para as decisões do país, isso é mentira, eles não pensam assim. Você é importante na sua casa ajudando com seu trabalho a sustentar a família, educando os filhos, proporcionando aos seus uma vida digna. Você é importante no seu trabalho, agindo de maneira correta e executando bem as tarefas que lhe são designadas. Você é importante para seus amigos, sendo confiável e respeitado por eles. Numa eleição você é só mais uma peça no processo e estará apenas escolhendo o fantoche que vai roupar parte do dinheiro dos seus impostos e facilitar para que os verdadeiros interessados possam seguir roubando e usando como bem entendem o poder que você dá a eles. Pense nisso. Clique aqui para assistir meu vídeo no Youtube onde falo a respeito disso também.