quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Adolescente morre em ocupação de escola



                     Essa semana nos deparamos com a morte de um adolescente de 16 anos no dia 24 de outubro, durante uma ocupação de uma escola no Paraná. O nome do rapaz é Lucas Eduardo Mota, que estudava na escola estadual Santa Felicidade, em Curitiba. A escola foi desocupada na manhã de terça-feira, 25, após onze dias de ocupação. Segundo a Polícia Civil, Lucas teria sido esfaqueado por um colega de escola de 17 anos, que está detido na segunda Delegacia do Adolescente. Segundo algumas fontes, a mãe havia comprado uma casa em outro local, mas resolveu voltar porque o filho não queria sair da escola. A família é bem humilde e o menino teria perdido o pai tendo o emprego modesto da mãe como unica fonte de renda. Os relatos das pessoas que acompanharam toda a situação de perto são fortes e ilustram bem ao o que estão expondo estes adolescentes.
Existem diversas escolas sendo ocupadas no Paraná, Minas Gerais, Espirito santo e São Paulo. Estes protesto em forma de ocupação são contra a PEC 241 e a reforma no ensino médio anunciada pelo governo no mês anterior. Com certeza, essas interrupções nas aulas afetarão os estudantes no período de ENEM e vestibulares logo a seguir. Entretanto, parece que quem organiza este tipo de protesto não se dá conta do risco de manter adolescentes enclausurados, onde os pais não podem entrar, ditando regras através de atas e sendo estimulados a agredir e lutar contra algo que certamente nem sabem do que se trata. Essas mesmas pessoas protestam contra a redução da maioridade penal, entretanto, usam os jovens como massa de manobra para brigas politicas. Não é preciso procurar muito para achar culpados, mas possivelmente punirão quem é mais humilde e fraco, enquanto os verdadeiros interessados nesse circo se livrarão ilesos.
Aconselho as pessoas que defendem estes movimentos e os órgão envolvidos, governo, polícia, conselhos tutelares, pais, alunos e instigadores em geral, a se informar sobre as leis do nosso país. É anti-democrático infringir as leis e usar locais públicos como base de resistência politica e ideológica. Muito provavelmente estes alunos que ocupam escolas são alertados de sua impunidade e veem este contexto como uma oportunidade de se rebelarem e se sentirem com algum poder. Desde cedo que os manipula já injeta esse vírus de satisfação em controlar e chamar a atenção. Mas possivelmente os pais e os próprios alunos não tem noção dos riscos que isso representa. Os pais são responsáveis por seus filhos e devem interceder por eles, pois acredito que a mãe do jovem assassinado e a família de quem cometeu o crime estão passando pelo pior momento da vida deles. E eu pergunto: "Para eles, valeu a pena?"
A polarização politica tão festejada por ambos os lados está dando seus frutos a cada dia. Escolas paradas e ocupadas, hospitais funcionando em condições precárias e super lotados, fraudes na saúde, a violência incontrolável e casos e mais casos de corrupção. Defender uma causa, mesmo que ela se mostre destrutiva e prejudicial, independente da corrente ideológica, é uma burrice imperdoável. Não há ideologia que justifique a degradação prática de uma nação. Muita gente se diz culta por ler muitos livros e dissertar sobre teorias mirabolantes, reunir pessoas que apoiam suas idéias, conseguir espaço para debater toda uma história que já teve milhares de interpretações, mas são incapazes de perceber o mal que estão causando as pessoas a seu lado. Imagine a carga em cima dos alunos desta escola quando voltarem as aulas depois da perda do colega.
Tenho a impressão que as pessoas envolvidas neste tipo de movimento, de modo geral, distorcerão os fatos e em breve tudo será ignorado, como sempre acontece. Por que estes ativistas não se reuniram e invadiram as propriedades da Samarco e fizessem com que as atividades da empresa fossem paralisadas por conta dos danos que causaram ao meio ambiente e as pessoas que tiravam água e o sustento do Rio Doce? Simplesmente acham que multas e compensações financeiras podem reparar os danos? É essa dicotomia que me incomoda nos discursos de ativistas, de políticos, de filósofos e quem mais opina a respeito. Quem estimulou, permitiu e participou da ocupação da escola no Paraná que responda criminalmente por homicídio, afinal, isso era previsível e se continuar, todos devem assumir o riscos.
Vou deixar bem claro que não defendo governo ou movimento algum, pois não me identifico com nenhum deles. Não vou posar de intelectual ou visionário, muito menos ativista do que quer que seja. Desde a adolescência busquei ficar a margem da politica, fruto da herança do período ditatorial. Também nunca me senti atraído pela ideologia de esquerda, pois ver líderes socialistas e comunistas em suas fardas militares e todo o discurso em torno, nunca me convenceram de seria garantia de um estado justo e honesto. Na verdade, sempre me preocupei com coisas mais simples  como a educação, cultura, segurança, infraestrutura e sustentabilidade, porém todos os partidos, organizações e movimentos que erguiam essas bandeiras, também pregavam o discurso de ódio, a polaridade politica, a busca por culpados e não soluções, a necessidade de vender o pacote completo ou estigmatizar quem não aceitar de fascista, golpista, vendido, coxinha, nazista, comunista, ou o que quer que fosse, exatamente como é hoje. Talvez pareça diferente porque temos muito mais acesso as informações hoje em dia, mas as pessoas por trás de tudo isso são praticamente as mesmas, apenas tem a disposição uma massa de manobra renovada e uma mídia diferente.
Pra finalizar, não podemos pensar que em todos os atos deste tipo haverão mortos, nem achar que foi algo isolado. Basta ver os noticiários ou ler jornais para saber que muitas e muitas pessoas morrem por vitima de violência no Brasil diariamente nas mais diferentes situações. Contudo, não se pode tirar a responsabilidade de cada um dos envolvidos, tanto direta como indiretamente, pois tudo que está acontecendo é parte de um todo. A queda da Dilma não melhorou a situação, as medidas do novo governo também não, as eleições municipais possivelmente também serão inócuas e estes movimentos não alcançarão objetivo algum, pois quem está nas ruas ou nas ocupações não conhece a lei e nem sabem exatamente porque estão lutando, são fantoches, tanto de um lado como do outro. A questão é: "Por que você quer fazer parte disso?" Se busca um país melhor,  não está ajudando. Se quer apenas aparecer e fazer bagunça, assuma isso e enfrente as consequências.
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