quarta-feira, 30 de novembro de 2016

#ForçaChape


          É muito difícil achar as palavras certas para consolar amigos e familiares do pessoal que estava na delegação da Chapecoense neste momento. O mundo tem mandado mensagens de apoio, mas sei que isso não apaga a dor que muitas pessoas estão sentindo. As palavras parecem não ter nenhum sentido relevante agora. Mas a vida é assim mesmo. Estamos entregues ao acaso e tentamos dar sentido aos fatos para justificar nossa persistência e nossa fé. Mesmo estando de certa forma anestesiados pela sucessão de crimes e tragédias diárias, foi difícil passar algo pela garganta depois de assistir os noticiários. Eram jogadores, membros da comissão técnica, jornalistas e tripulação. Todos se deslocando em cumprimento de suas atividades profissionais. Em especial, por ser um clube ainda em ascensão no futebol, a Chapecoense levava a fé de muitos torcedores na realização de um sonho, ganhar um título de relevância internacional.
          Dizem que um clube de futebol para ser grande precisa ter alma. A partir de 2016 os uniformes de cada jogador deste clube será preenchido pela alma destes campeões. A camisa da Chapecoense passará a ser mistica. Ali estavam jovens trabalhadores que buscavam um futuro melhor para suas famílias. Também estavam jogadores que retomavam o sucesso em suas carreiras. Da mesma forma o treinador, que chegou a estar em grandes clubes de massa como Flamengo e Grêmio, mas que andava meio esquecido nos últimos tempos. Mesmo sendo inicio ou reinicio de carreira, grande parte daqueles pais, amigos, ídolos, maridos, trabalhadores, entraram para história como heróis. Que sejam para sempre lembrados e homenageados por aqueles que os amavam. Guerreiros que foram castigados por buscar o impossível, desafiar a lógica dos mortais, que não cumpriram seu objetivo por forças maiores que a própria vida. Só isso para pará-los, pois quem tentou fazer isso em campo, fracassou miseravelmente frente a eles nessa competição.
          A todos que tiveram a grandeza de mandar mensagens de apoio e carinho á quem hoje sofre com a perda, apenas elogios e gratidão. A quem foi oportunista ou teve a coragem de fazer piada frente a tragédia, apenas posso sacudir a cabeça em contrariedade e lamentar. Mais que isso seria até desproporcional, afinal, olhemos ao redor e contemplemos o mundo em que vivemos. Somos vitimas diárias de assaltos, violência, descaso com a saúde e a educação. Somos coniventes com grupos se organizando para invadir prédios públicos e privados, sendo orquestrados por partidos políticos que só sabem roubar os recursos públicos e quebrar as estatais. Estamos a cada dia mais insensíveis e alienados como seres humanos e usamos as redes sociais para tudo, inclusive para esse tipo de fim mesquinho de diversão.
          Quero encerrar essa postagem desejando que cada pessoa que está sentido a dor de perder um ente querido, um amigo, ou simplesmente ficou tocado pelo que aconteceu, tenha sua dor, seu sentimento de angustia e até de revolta, transformado em alegria e realizações de agora em diante, que isso se multiplique mil vezes a cada gesto de compaixão e de bondade e que possamos fazer um mundo mais justo e mais humano. Um mondo onde pessoas honestas que saiam para o trabalho voltem com os frutos dos mesmo, mas sempre voltem. Que esse acontecimento sirva para que haja um momento de reflexão para todos nós e que possamos rever nossas opiniões e atitudes, pois nossas decisões ou nossa indiferença tem causado tragédias tão grandes como foi a queda deste avião em Medelim.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Black Sabbath - O Fim


          28 de novembro de 2016 foi a data que o Black Sabbath escolheu para tocar em Porto Alegre em sua turnê de despedida. Foram 46 anos de carreira, muitos problemas com drogas, mudanças de formações, brigas entre integrantes e o derradeiro álbum 13. Quase com 70 anos, Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward são lendas do Rock. Se fisicamente Bill Ward não pode estar presente neste momento, Tony Iommi também poderia não estar, já que luta contra um câncer a quatro anos, mas sem ele não haveria Black Sabbath. Ozzy está debilitado e pouco se move de seu posto em frente a bateria, pois depende dos monitores para ler as letras e de seu fôlego para cantar durante os 95 minutos de show. Geezer Butler parece estar sadio e ainda guarda a agressividade de outros tempos em seus dedos ao tocar seu baixo. Tommy Clufetos foi o baterista da noite e tem sido assim desde a turnê de 13, mas não merece ser incluso nessa análise, pois sua carreira ainda está em ascensão. O fato é que a banda que termina essa brilhante carreira é muito diferente da que gravou o álbum de estréia, afinal, o Heavy Metal pode resistir ao tempo, mas os homens sofrem a ação dele. 
          Parece que faço uma dissertação depreciativa, falando apenas das características físicas dos integrantes da banda, mas minha intenção passa muito longe disto. Não quero me prender a lenda Black Sabbath e seus clássicos e mitos, quero homenagear os homens por trás da marca com este texto. Homens que trazem as cicatrizes de uma longa vida de trabalho duro e que deu frutos de valores inestimáveis. Ozzy ainda é o sujeito dislexo e desengonçado do início de carreira, que mesmo com problemas com drogas, incertezas e polêmico, jamais esteve longe dos holofotes da fama. Ozzy permaneceu firme, mesmo sem o Black Sabbath. Sua carreira solo é muito bem sucedida e chegou a rivalizar com sua própria banda e até superá-la em alguns momentos. Este mesmo Ozzy é o responsável por encerrar a carreira da banda de forma digna. Ele que tantas vezes foi pivô de incertezas ao ponto de ser demitido e contar até com a resistência de Tony Iommi desde suas primeiras reuniões. Ozzy superou seus limites, e mesmo sendo o elo mais fraco dos garotos de Birmingham, deixou suas carreiras de ladrão, afinador de buzinas e abatedor de gado, para ser a maior estrela do Heavy Metal. Ele não precisa se mover, não precisa cantar e nem falar nada, para seus fãs basta ele estar ali para causar comoção.
          Tony Iommi é o líder do Black Sabbath e o principal compositor do grupo. Ele nunca deixou a banda. Ele é o criador do Heavy Metal. Declinou de tocar com o Jetro Tull, ícone do Rock dos anos 60 e 70, para extrapolar as fronteiras do Hard e dar ao mundo seu filho mais extremo até então. Nas guitarras de Tony Iommi saíram os primeiros riffs de Metal, mesmo que este seja canhoto e perdesse a ponta de dois dedos numa máquina industrial durante seu último dia de trabalho. Sem Tony, talvez os outros três jamais conseguiriam a notoriedade que tem hoje. Todos os fracassos da banda devem ser creditados na conta de Iommi assim como as virtudes, pois ele era o Black Sabbath. Sem Ozzy, Geezer e Bill, não haveria a química que marcou o grupo, mas possivelmente existiria um Black Sabbath de alguma forma, como nos anos 1980 e 1990. Se muitos guitarristas são heróis e inovaram com seus instrumentos, Tony Iommi criou um estilo, Tony Iommi é uma banda. Podem existir milhares de guitarristas de Rock e Metal melhores que ele tecnicamente, mas a musica deles não teria sentido algum sem os riffs inspirados por Black Sabbath.
          Geezer Butler era um guitarrista que se sujeitou a tocar baixo em prol de um objetivo do grupo. Nascia ali o baixo mais clássico e expressivo do Heavy Metal. Suas letras eram a ponte entre os vocais de Ozzy e as guitarras de Iommi, onde tudo ganhava sentido. Sua pegada e linguagem nos graves eram a conexão da bateria de Bill com os riffs de guitarra. Geezer nunca carregou o peso do Black Sabbath em suas costas e também nunca foi uma estrela como os dois colegas mais expressivos. Ele sempre foi o místico, o esquisito, o diferente e o mais estável de todos. Porém, nunca deixou de ser um deles. Também usou muitas drogas, também sofreu com os rumos de uma carreira de Rock Star, mas silenciosamente arrecadou para si uma legião silenciosa de fãs e admiradores. Talvez os tranquilo senhor Butler tenha vindo a mente, como inspiração e referencia, para cada baixista que se colocou ao lado de um guitarrista de Metal fazer bem seu trabalho.
          Bill Ward não estava lá. cada um tem sua versão, mas o fato é que desta vez ele não estava lá para a ultima jornada. Ele escapou da morte pelas mãos dos próprios colegas de banda, por ser um cara simples e se deixar levar pelas brincadeiras dos amigos. Possivelmente o tempo venceu o baterista de Metal, Bill Ward, mas não apagou o que ele fez em todos os clássicos da banda. Seu estilo jazzístico e livre deu flexibilidade ao duro monstro de Metal que o Black Sabbath se tornaria. Inventivo e surpreendente, teve que marcar seu lugar tendo como concorrentes John Bonham e Ian Paice, duas lendas das baquetas, e ele se saiu muito bem. A prova disso é que seus sucessores foram monstros como Cozy Powell e o próprio Clufetos, entre outros famosos bateristas de suas épocas.
          O que se viu no estacionamento da FIERGS foi um show denso e caprichado, calcado em cima dos primeiros álbuns da banda. Por segurança, a banda tem mantido o mesmo repertório em todos os shows e contando com efeitos visuais nos telões para realizar essa difícil tarefa de carregar o grandioso dinossauro de metal em sua ultima excursão pelo mundo. Claro que Sabbath Bloody Sabbath e Sympton of Universe fazem falta, assim como os clássicos com o Dio, mas mesmo assim o Black Sabbath continua pesado e majestoso. Um show correto e sem sobressaltos, mesmo com Ozzy entrando adiantado na música Children of the Grave e errando algumas letras. Se Iommi não é rápido e virtuoso como antes, seu timbre e seu senso de melodia ainda são os mesmos. 
O set list do show foi o seguinte:
Black Sabbath
Fairies Wear Boots
After Forever
Into the void
Snowblind
War Bigs
Behind the Wall of Sleep
N.I.B
Rat Salad/solo de bateria
Iron Man
Dirty Women
Children of the Grave
                                                                         Paranoid
          Este foi um evento histórico para os fãs de Metal do Rio Grande do Sul. Como acompanhamos um dos últimos shows de Lemmy com o Motorhead no Monsters of Rock de 2015, tivemos a última turnê dos pais do Heavy Metal passando por Porto Alegre. Fica a reflexão: Estes senhores estão chegando ao fim de suas vidas fazendo o que gostam e emocionando pessoas de todas as nacionalidades. E nós? O que estamos fazendo de nossas vidas? Estamos matando o tempo ou vivendo nossos sonhos? Imagino quantas vezes estes três senhores tenham olhado uns para os outros e comentado: "Olha! Ainda estamos aqui!". De jovens pobres de uma Birminghan pós segunda guerra para astros do Rock em sua turnê de despedida. Parabéns, senhores! Vocês foram os primeiros e sempre serão os únicos!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Estado de calamidade financeira no Rio Grande do Sul

          Um dia após anunciar um pacotão de medidas para tentar sanar os problemas financeiros do Rio Grande do Sul, o Governador José Ivo Sartori decretou estado de calamidade financeira do Estado. Esse governo, desde que assumiu em janeiro de 2015, já vem parcelando salários e tendo diversas dificuldades para manter as contas públicas em dia. Pelo jeito as coisas degringolaram de vez e medidas drásticas foram sugeridas como corte de secretarias, extinção de fundações e demissão de funcionários públicos. Já vimos o quanto o estado do Rio de Janeiro está sofrendo com isso e a tendência é que outros estados da federação também sigam o mesmo caminho, pois isso não é um fenômeno particular apenas destes estados, é uma crise financeira nacional, sua proporção demora a ser dimensionada devido ao tamanho do país e as peculiaridades de cada região. Se há a certeza de que o governo federal também está em crise e tenta desesperadamente aprovar leis que possam reverter a situação, é questão de tempo para que todos os estados sejam atingidos.
          Mas os problemas do Rio Grande do Sul não começaram nessa gestão, como certamente irão dizer alguns, oque não deixa de ser verdade. Temos que lembrar que no final da década de 1990 já houve um enxugamento da máquina pública com privatizações e outras medidas menos populares para quitar as dívidas junto a União. O fato é que os gaúchos estão acompanhando o definhamento da saúde, da segurança, da educação, da agricultura, do transporte público, da infraestrutura, ou seja, de todo o sistema público, há muitos anos. Basta voltar a assistir os noticiários televisivos disponíveis na internet ou reler jornais impressos, não importa de qual veículo, para vermos que gradualmente os serviços públicos foram se deteriorando. Quando houve um discurso eleitoreiro mais otimista, foi só para maquiar a situação. Não é uma particularidade deste governo, como muitos imbecis oportunistas virão a público declarar, faço questão de afirmar novamente isso aqui. Vejo sindicatos protestarem, mas nunca vi nenhum deles ser honesto com seus representados e apresentarem alternativas de aperfeiçoamento profissional ou coisas do tipo. Todos eles agem conforme os interesses de quem realmente representam, e não são os trabalhadores. Estes sindicatos nada produzem a não ser panelaços e palavras de ordem. Seu único resultado prático é atrapalhar o funcionamento natural das coisas por alegarem justa representatividade. O fato é que os sindicatos não quebram, o trabalhador e as empresas sim. Estes mesmo sindicatos e movimentos sociais são patrocinados por governos e partidos. Usam a angustia do trabalhador para promoverem o caos social e a doutrinação tão retrógrada e infecunda. Mas como poderiam deixar de ser isso, se representam políticos de mais de 60 anos, com discursos manjados, estratégias populescas e sem fim algum?
          O paternalismo estatal construiu uma imagem de supremacia econômica das estatais sobre as empresas privadas. Isso tirou a ambição das mesmas de investirem em gestão e modernidade. Com a representatividade das marcas de muitas empresas públicas ou de economia mista, a apatia dos funcionários públicos em termos gerais foi crescendo tanto, ao ponto destes profissionais pensarem que estariam salvos mesmo com uma crise generalizada. Não é raro ver uma pessoa que trabalha em uma empresa pública debochar de quem fica desempregado pelo fechamento de uma empresa da iniciativa privada. Também é natural ver funcionários públicos defenderem suas condições de trabalho e seus salários em comparação a iniciativa privada, dando assim, grande poder aos sindicatos, que por serem ligados a alguns partidos, servem como uma ferramenta poderosa de manipulação. Realmente, não vemos meros assistentes de qualquer coisa ganhando quinze ou vinte mil Reais por mês na iniciativa privada. Também os principais diretores dessas empresas não são colocados aleatoriamente em seus cargos, conforme a vontade politica. Ao abrir informações financeiras a população em geral, através de portais e aplicativos, as feridas foram expostas e hoje não dá mais para maquiar as finanças do estado com informações forjadas. Além de ser mal administrada, a máquina pública é corrupta e caduca. Vemos pessoas em filas enormes esperando atendimento médico de um lado, de outro, um posto de saúde super equipado apodrecendo sem ser inaugurado. Vemos mães sem ter onde deixar seus filhos pra trabalhar, escolas caindo aos pedaços, enquanto prédios novos de futuras instalações são depredados e o dinheiro público escoa pelo ralo. Tirando essa inabilidade de administrar o patrimônio público, a corrupção é a vontade politica mais genuína. Um político de carreira é quase obcecado por usar seu cargo em benefício próprio e de seu partido.
          O mal uso de dinheiro público, o descaso com a saúde, educação, segurança e principalmente, a economia, mostram como todos estes políticos são incompetentes ao escolher seus secretários e principais diretores, e corruptos ao lidar com o dinheiro público de forma irresponsável em prol dos interesses particulares ou partidários como falei acima. Se você ver reportagens ou documentários sobre a economia do país, vai se deparar com personagens como Delfim Neto e Luiz Carlos Bresser, estes nunca conseguiram apresentar nada que preste quando ministros da economia, passando informações e comentando a respeito do assunto através da mídia. Essas características se ampliam para outros setores além da economia. As faculdades estão cheias de futuros economistas, onde suas ideias e seus estudos são tão modernos que remetem a Karl Marx que era burguês, faliu e foi sustentado por Engels para não morrer de fome, engravidar uma empregada e escrever um monte de bobagens, isso no século XIX. Tirando os militantes políticos muito bem doutrinados, nada se aproveita de quem se forma anualmente nas instituições superiores de ensino. Ou pior, invadem escolas para protestar contra coisas que sequer sabem o que significa, enquanto coisas muito mais graves acontecem no mundo politico sem nada ser contestado. Essa é a solução para os problemas encontrada pelos nossos estudantes. Estamos sofrendo com as ideias de sessentões, coitadinhos da época da ditadura, que nunca se dedicaram a nada, a não ser traçar um plano maquiavélico de poder e transformar as universidades, e outros espaços públicos, em fábricas de retardados para o exército de zumbis militantes. Nunca se pensou em ajudar usando o conhecimento adquirido em defesa do desenvolvimento da economia e suporte ao estado. Há simplesmente a presença física na ação politica em forma de invasões e atitudes violentas.
          O que esperar de um Estado que recebe membros das Farc para uma visitinha, que produz políticos como Olívio Dutra, Tarso Genro, Raul Pont, Antonio Brito, Paulo Paim, Pedro Simon, entre outros? Todos auto intitulados defensores dos trabalhadores, mas que deixaram pra trás um Estado quebrado e sem perspectivas de nada. O máximo que conseguiram fazer foi maquiar algumas situações e empurrar tudo com a barriga. É muito fácil ir pra rua com bravatas pró educação, democracia e falar mal dos outros, mas nenhum deles, ocupando cargos políticos há muitos anos, conseguiu dar ao povo coisas básicas como emprego, segurança, educação, transporte e saúde com o mínimo de qualidade. Tudo é sazonal e em nada soma para uma construção de futuro consistente e progressiva. Engraçado que de tantos técnicos, engenheiros, economistas e outros trabalhadores formados pelos incentivos do governo, não apareceu nenhuma solução para um problema sequer. Aplausos para a educação do Brasil em especial para os gaúchos. Fico com a opinião de um amigo meu que, ao se formar na faculdade com incentivos do governo, foi morar fora do país, pois tinha a consciência de que seus conhecimentos seriam subutilizados e ele não teria como progredir trabalhando aqui. Será que todos pensam assim? Há um engajamento politico apenas para seguir tendência acadêmica, depois, ou se ajeita politicamente em um cargo público ou vai embora do país, no nosso caso específico, do Estado? Existem tantos caminhos que esse pensamento toma que fica difícil ser objetivo nessa analise. Na segurança, muitos bandidos que deveriam estar cumprindo pena, estão nas ruas cometendo diversos tipos de crimes. Mesmo assim, os presídios estão lotados e há uma nova leva de bandidos se formando a cada dia. Temos homicidas, latrocídas e outros criminosos nas ruas, temos fraudadores e quadrilhas aplicando golpes diversos espalhadas Brasil a fora e nos cargos públicos, uma dominação quase integral de políticos e servidores corruptos. Então, o Brasil, mais precisamente o Rio Grande do Sul, é dominado por uma grande parcela de criminosos? É muito triste, mas a resposta é sim. Se não houvesse boa vontade dos otimistas e a minima descrição dos canalhas, estaria sendo decretada situação de barbárie e não de calamidade econômica.
          Politicamente, o grande plano da esquerda, isso está claro em qualquer livro de qualquer escritor de qualquer época que desenvolva teses esquerdistas, é inchar o Estado até acabar com a iniciativa privada e ele ser o dono de tudo, como pudemos acompanhar in loco com o governo do PT e seus aliados, e deixar tudo ruir em meio a corrupção e a incompetência, onde só sobreviveria quem estivesse envolvido com esse plano nefasto. Essa sempre foi a estratégia de quem comanda o país nas últimas duas décadas, acabar com a iniciativa privada, não apenas grandes empresas, mas principalmente quem é dono de pequenos empreendimentos, formar um bando de incompetentes semianalfabetos com diplomas, dar esmolas ao povo e entregar todo o resto para seus aliados empreiteiros e banqueiros inescrupulosos. Por outro lado, qual é o grande nome da literatura, do jornalismo, da arquitetura, ou qualquer outra profissão de excelência, que tenha se destacado nos últimos vinte anos? Não foram poucos os jornalistas, escritores, entre outros, que avisaram sobre este futuro, que hoje é presente. Se o plano sempre foi imbecilizar a população, para manipula-la mais facilmente, usar empresas fortes e ricas no financiamento de campanhas políticas em troca de favores em licitações públicas, construindo uma relação de cumplicidade entre ambos os seguimentos para garantir o controle econômico sobre todos os seguimentos, comprar parte da imprensa para obter o controle da opinião pública, confesso que o plano foi muito bem executado. Grandes empresas de comunicação tem no seu DNA a militância das faculdades, enquanto seus mais altos gestores tem a proximidade a figuras politicas, pois mantem a necessidade de sobrevivência, já que o Estado tem o monopólio do poder e das ações. O pensamento de esquerda evoluiu para uma unanimidade politica consistente e soberana. Todos os recursos passam por bancos públicos ou parceiros do governo direta ou indiretamente. Não se faz absolutamente nada que não respingue algum dinheiro nos cofres públicos ou agentes ligados ao governo.
          Para encerrar, o Brasil caminha para uma quebra desastrosa como ocorreu na Argentina, Uruguay, Venezuela, Cuba, Bolívia, entre outros. Já ficou claro o que estes países tem em comum, não precisa ser muito inteligente para ver isso né? Agora os sindicatos, servidores públicos, universitários, o PT, PSOL, PSTU, PCO, o MTST, CPERS entre outros, podem pegar suas bandeiras, seus gritos de protestos, cartazes e todo o aparato necessário e ir para as ruas para comemorar a vitória. Vocês venceram. O Rio Grande do Sul, o Rio de Janeiro e em breve o país inteiro estará quebrado. Agora colham os frutos daquilo que plantaram. Em breve escreverei com mais detalhes sobre todo este contexto politico, ilustrando com nomes, imagens e documentos públicos que circulam pela internet, e todo o resto, para quem tiver realmente interessado em saber como as coisas funcionam no nosso país, poder refletir nesse sentido. O desenrolar dos fatos nos mostrará até que ponto a incompetência, a falta de moral e a corrupção podem ser bem sucedidos. Há uma bando de pulgas obcecadas pelo poder, sugando um enorme cachorro há muito tempo. Porém, as reservas de sangue e saúde do cachorro estão muito abaixo da ambição e do poder de um exército de pulgas que cresce constantemente. O único fim lógico é a morte do cachorro, como aconteceu com a Venezuela, Argentina e outros países, há de se eliminar as pulgas, pois só se morre uma vez.

sábado, 19 de novembro de 2016

Hardwired...To Self-Destruct


          18 de novembro de 2016 foi a data do lançamento oficial de Hardwired...To Self-Destruct novo álbum do Metallica. Para promovê-lo a banda lançou três vídeo clipes, á citar Hardwired, que foi o primeiro. Uma música curta, com pegada Thrash/Hard bem característica do Metallica da fase do disco preto, mas mais crua e visceral. Já o clipe lembra um pouco as tomadas da banda em Enter Sandman, sem as cenas adicionais. Depois foi lançada a música Moth Into Flame, candidata a ser a melhor faixa do novo álbum, mas superada pelo lançamento posterior de Atlas, Rise, também em vídeo. A expectativa já era grande por conta de um álbum novo da banda após oito anos e os vídeos apenas reforçaram isso. Escrevi a respeito do lançamento do vídeo de Hardwired aqui neste blog, pois sou fã da banda desde o início dos anos 1990, alias foi a banda que me fez gostar de Heavy Metal e querer tocar guitarra. Escrevo isso aqui, quando falei do início da banda após ler a biografia escrita por Mick Wall e escutar diversas vezes toda a discografia da banda neste ano. Tem dois vídeos no canal do Gastão Moreira, um é este e o outro é este na série Heavy Lero apresentado por ele e o Clemente, que contam em síntese a trajetória do Metallica, para aqueles que não conhecem ou queiram relembrar.
          Falando da semana de lançamento do álbum, o Metallica simplesmente fez clipes para todas as faixas e postou um deles a cada duas horas até o lançamento oficial do álbum neste sexta. E não foram clipes meia boca ou imagens de ensaios ou shows, como foi feito em St Anger e outros vídeos da banda, o Metallica fez vídeos com animações, efeitos digitais, tudo com o mesmo capricho costumeiro da banda ao longo de sua tragetória. Algumas fontes informam que desde o lançamento do DVD True the Never a banda já trabalha neste projeto. Uma coisa não pode ser negada por quem quer que seja, o Metallica é uma banda que trabalha demais e o faz isso com qualidade, mesmo que o resultado não caia no gosto da muita gente. A banda dificilmente para de fazer shows, tem gradativamente se aproximado dos fãs de forma até inédita para uma banda deste tamanho. Prova disso está nessa postagem, onde entrevistei Shana Campos, modelo e empresária, que é fã da banda e participou de um evento onde teve contato com Lars Ulrich e Robert Trujillo, podendo assistir, junto com outros sortudos, o show da banda no palco em São Paulo há alguns anos. O fato é que o Metallica trabalhou duro pra promover o lançamento de Hardwired...To Self-Destruct e entregou um excelente resultado dessa vez. Posso dizer que a qualidade do que foi apresentado é proporcional ao tamanho do projeto.
          Mas o álbum em si é bom? Sim, é muito bom! Assim como o Megadeth fez com Dystopia, onde a música que se ouve não supera os clássicos, mas supera facilmente a maioria do material que a banda lançou nos últimos vinte anos. As semelhanças não param por ai, em se tratando da música mostrada, ambos os álbuns foram produzidos quase que somente pelas bandas e suas equipes. Dave Mustaine é o grande mentor de Dystopia e Lars/James são os responsáveis por Hardwired..., o que prova o grau de maturidade dos caras atualmente. Que fique de exemplo para as bandas mais jovens e até para artistas consagrados que tem entregue umas coisinhas bem meia boca. Eis a resposta para uma banda se manter grande, alheia as mudanças de cenários e problemas ao longo do caminho, trabalhar e aprender com com as experiências. Claro que as pessoas que querem falar mal, com certeza irão fazê-lo, já li resenhas bem mixurucas a respeito do disco, mas quem é fã, ou quem está conhecendo a banda agora, tem um produto de alta qualidade a disposição para saborear. Mesmo que o texto possa parecer eufórico, considero tudo que estou escrevendo aqui como sendo condizente com tudo que sinto a respeito da banda e acompanhei desde o lançamento do disco preto.
          O som da bateria está muito bom e alto como em ...And Justice for All, os timbres de guitarra estão perfeitos em se tratando da sonoridade característica do Metallica. James está cantando como sempre e sua voz está madura e potente ainda. Ele parece ser quem mais evoluiu ao longo da carreira. O baixo ainda se esconde atras das guitarras na maioria do tempo, mas está mais presente do que no já citado ...And Justice for All e não compromete o registro da banda, muito pelo contrário, faz um papel importante no paredão sonoro. Verdade seja dita, Roberto Trujillo teve a grandeza de aceitar seu tamanho em comparação ao Metallica e não fugiu da proposta sonora da banda desde sua entrada, já que no Suicidal Tendencies e no Infectious Groove, principalmente, primava por slaps de funk. Com certeza as temporadas ao lado de Ozzy e Black Label Society fizeram dele um músico maduro e comprometido com a banda que integra em detrimento a um brilho individual. Só lamento que Kirk Hammet já tenha alcançado seu limite técnico há anos e não soube somar mais criatividade ao seu som nos solos do disco, mas isso não chega a ser negativo, apenas não brilha tanto quanto fez em Master of Puppets e Ride the Lightning, particularmente. O sempre criticado Lars Ulrich se mantem coeso no que já fez de melhor na banda, sem ser brilhante, continua irrepressivelmente sendo o baterista que ajudou a fazer do Metallica o que a banda é hoje. As letras seguem a linha caótica de Death Magnetic e são claustrofóbicas em sua maioria, mas o Metallica nunca foi a banda que fala de flores e vidinhas felizes. Sempre abordaram seus demônios e suas próprias desgraças e isso é muito bacana. Diga-se de passagem, foi muito bom a banda mostrar suas feridas e suas fraquezas ao longo dos anos, isso deu a eles o fator humano que as pessoas não consideravam nos grandes nomes do Rock. O filme Some Kind of Monster foi preciso e importantíssimo nesse sentido. Para um álbum descartável e de sonoridade precária, todo o contexto em torno dele fez com que a banda evoluísse para encarar estes últimos anos.
          Para finalizar, eu como fã de longa data da banda, ao ouvir algumas vezes o álbum, fui levado a alguns momentos do Master of Puppets, do ...And Justice for All, aos melhores momentos da fase Load e vejo grande evolução em comparação a Death Magnetic, seu antecessor. O Metallica fecha o ano de 2016 com chave de ouro para o Heavy Metal e espero que não demore tanto para lançar outro álbum de inéditas, já que há indícios de que lançarão outro CD de covers em breve. Convido a todos para visitarem o site oficial, assistirem os vídeos e escutarem com carinho o novo álbum dos caras, porque pra mim, ficou muito bom. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Invasões e protestos



          No Brasil invadir propriedade pública ou privada é crime, não importa qual alegação. Mesmo para a polícia, invadir um local para averiguação de crime ou para qualquer outra atividade, depende de autorização judicial. No dia 16 de novembro de 2016, houve uma invasão à Câmara dos Deputados por manifestantes de "direita" protestando contra corrupção, á favor das investigações da Polícia Federal, etc. Independentemente da causa defendida, invasão de espaço público ou privado é crime previsto em Lei. Sendo assim, os invasores, facilmente identificáveis, devem responder judicialmente. Claro que há sempre a possibilidade de alguns serem pagos para fazer isso pelo "outro lado", como foi feito nos Estados Unidos na eleição de Trump. Mas temos que parar de nos esconder atrás de movimentos. Temos a internet para registrar nossas opiniões, temos as ruas, não para atrapalhar o trânsito e depredar patrimônio público ou privado, mas para debater idéias, informar, passar o recado. Cobrar os políticos que elegemos enchendo as páginas das redes sociais, criando representações, entrando na justiça, entre milhares de opções que dão mais resultado do que simples manifestação física com cartazes e bravatas manjadas.
          Essa regra vale também para as invasões das escolas, independente do discurso politico ou social, é crime e os responsáveis devem ser processados judicialmente. Há pessoas que se impõem a intervenções judiciais dizendo que cortar luz, água e etc, são técnicas de tortura. São as mesmas que te ameaçam processar por um esbarrão. Fica bem claro o posicionamento de jornalistas e outras pessoas nestes casos. Talvez seja exatamente este o resultado esperado por "um lado", fazer com que o outro lado reaja de forma idêntica, porém, o discurso da mídia e das pessoas que fazem a mesma coisa, é de ataque e punição aos manifestantes. O resultado é previsível e qualquer idiota pode prever, baderna, simples assim, essa é a intenção.
          A mídia hoje em dia é bem clara e transparente a respeito de suas intenções. Basta ver o "copia e cola" dos textos e das abordagens. Não há uma mídia isenta, acredito que existam jornalistas "mais ou menos" isentos, que se emprenham em passar a notícia, mas nenhum é isento de opinião. Isso é normal e perfeitamente aceitável, o jornalista ou qualquer outro profissional, se posicionar a respeito doa fatos, mas direcionar ou manipular as notícias é outra coisa. A lei é a lei, independentemente se a consideramos justa ou injusta, mas deve ser respeitada por todos. Entrevistar teóricos e pessoas de outros órgãos para sustentar sua opinião não muda os fatos. Este costume de esticar, manipular, distorcer as "interpretações" é uma artimanha muito comum de quem é desonesto. Graças as brechas da lei, muitos criminosos estão soltos nas ruas cometendo os mesmos crimes, pois utilizam dessas mesmas técnicas.
          A intenção por trás de protestos e manifestações diversas é irrelevante na prática, o que fica são as depredações, o prejuízo de quem precisa cumprir suas obrigações, mas não pode aproveitar seus horários ou fazer seu trabalho, os bate bocas e a divisão da população como meros fantoches da mídia e dos políticos. Há uma sintonia bem afinada nos discursos, até nos adjetivos, usados por políticos, mídia e manifestantes, só não vê quem é idiota, e o Brasil está cheio de idiotas, idiotas úteis. Para essas pessoas o que vale é a bagunça, o quanto pior melhor. Já há um leque de exércitos treinados e facilmente identificáveis atuando efetivamente em todo esse contexto caótico. São células prontas para serem ativadas e externar suas habilidades.
          A impunidade que vemos nas invasões e depredações do patrimônio, público ou privado, os latrocínios, guerras de gangues, tráfico de drogas, corrupção, fraudes e todas as outras transgressões, que ferem a Constituição e os demais direitos dos cidadãos, é a força motriz de todos os males sociais. Todas as tentativas, articulações, politicas ou sociais, que ferem de alguma forma a Constituição que nos representa, devem ser punidas no rigor da lei, independente de quem seja ou a opinião que defenda. Já cansou ver a utilização da máquina do Estado, e seus subordinados, como ferramenta de protesto para atender interesses de grupos ou partidos específicos. Essa polarização só é interessante para estes interesses, como dizem: "Dividir para conquistar!" ou "Unir os diferentes para derrotar os antagônicos." frase de Paulo Freire. Ambas as frases, aparentemente distintas, tem por fim o mesmo objetivo, confundir as pessoas para se alcançar um objetivo específico. 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A Proclamação da República

         Fiquei muito decepcionado ao saber que meu enteado, hoje com nove anos e cursando o terceiro ano do ensino fundamental em uma escola pública, não tinha noção do porquê deste feriado de quinze de novembro. Se três anos não foram suficientes para que um cidadão brasileiro, na fase mais importante de sua formação, fosse instruído sobre um feriado nacional, o que está fazendo nas quatro horas diárias que fica na instituição durante nove meses anuais? Este não é o primeiro desacordo meu em relação ao ensino atual. Tenho, além deste que mencionei, outro enteado com treze anos e que está cursando o sétimo ano do ensino fundamental. Este estudou quatro anos no Espirito Santo, estudou dois anos em uma escola estadual e agora está a dois em uma instituição municipal. Ele simplesmente não sabe ler. É incapaz de dar ritmo á uma leitura, sequer faz ideia do conteúdo do texto que está lendo, não importa o quão simples ele seja. Quando as observações se dão no campo das exatas, o resultado é ainda pior. Total incapacidade de desenvolver uma linha de raciocínio, quanto mais formar uma noção teórica de alguma questão matemática, por mais rasa e simples que essa possa ser. Mesmo que, por algum momento ele apresente certa lucidez para fazer uma prova e ter boas notas, instantes depois ele sequer lembra que em algum momento teve contato com o que estava sendo apresentado ali.
          Engraçado que em tempos de internet e acesso amplo às informações, as pessoas mais jovens sequer saibam porque estão em casa em determinada data e não foram para escola ou trabalho. Isso não tem nada a ver com a abordagem politica ou social que é utilizada pelos professores, isso é negligência de informação, a mais básica possível. Isso pode ser comprovado ao assistir um telejornal, ao ter contato com outros profissionais com diploma de curso superior, não todos, mas a maioria deles, há apenas um conteúdo superficial e uma arrogância debochada generalizada nestes profissionais. A causa disso só pode ser a qualidade do ensino, onde escolas são invadidas por adolescentes sem cérebro, incapazes de debater sobre qualquer assunto, pois sequer tem informações básicas sobre história de ensino fundamental, pagam pequenas fortunas para fraudarem o ENEM, se formal em ensino a distância, formam um exército de zumbis a protestar nas ruas, mas sequer tem noção do quanto têm seus cérebro atrofiados. Esses jovens tomam partido em ideias prontas e cheias de cunho politico e ideológico e esquecem de estudar o básico, de organizar seu raciocínio. Eles não entendem que a maturidade só vem com o tempo e tentar forçar um engajamento político é muito perigoso, pois acabam caindo na lábia de quem conhece muito mais este campo e terminam formando uma legião de revolucionários com discurso pronto, idiotas úteis e barulhentos.
          Mas, voltando ao tema central, a Proclamação da República, caímos na vala comum que estamos acostumados a ver ao longo dos anos. Depois de alguns séculos de monarquia, com mudanças no mundo inteiro, como a independência dos Estados Unidos e sua subsequente guerra civil, onde houve a abolição da escravatura e um amplo debate social, revoluções na Europa e a disseminação de diversas teorias sociais e políticas, o Brasil vivia sua monarquia parlamentarista na segunda metade do século XIX. Várias tentativas de estabelecer resistência a Coroa foram contornadas pelos monarcas tanto portugueses como o brasileiro D. Pedro II, a citar a Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul, a Inconfidência Mineira, a Confederação do Equador e os movimentos republicanos no nordeste, manifestos, crises econômicas, religiosas e as diferenças pessoais e ideológicas entre membros da Coroa e das forças armadas. Todos aqueles membros do parlamento em desavença e o "calote" do governo em relação as indenizações aos grandes produtores por conta da abolição da mão de obra escrava, deram o estofo necessário para que Deodoro da Fonseca, apoiado pela maçonaria e demais movimentos contrários ao governo monarca, mesmo doente, proclamasse o novo regime de governo. Entretanto, este destacado militar, como consta em alguns documentos e narrações de contemporâneos, não visava destronar a monarquia, apenas derrubar um ministro.
          Não houve manifestações populares em defesa do governo deposto em um primeiro momento, mesmo assim Dom Pedro II pareceu, historicamente, gozar de grande simpatia popular. A República Velha estava nas mãos de militares e seus apoiadores, houve temor de uma resistência que não se deu de forma concreta. O Brasil assumia o formato mais popular na América em sua estrutura de governo. Muitos pensavam que seria mais fácil o entendimento com outros países, pois o Brasil, com suas revoltas pontuais ao longo de um século por conta da economia, religião e resistência as mudanças no mundo, estava ficando para trás como nação ampla e despovoada. Muitos temiam invasões estrangeiras para exploração de riquezas ou guerras de grandes proporções por território. O fato que o Brasil agora era uma República e assumia o formato politico que tem agora, mas ainda precisava de muitas mudanças até apresentar resultados que pudessem mudar as condições sociais dos brasileiros ao ponto de ser comparado a alguns de seus vizinhos. Ainda teria um longo caminho até o período democrático, mas foi um importante passo, mesmo que não se tenha garantia de que era o melhor, para a evolução de nosso país.
          Conhecer a história do nosso país, mesmo que de forma menos aprofundada, é fundamental para formar cidadãos engajados com nosso futuro. Por esse motivo me entristecesse tanto me deparar com coisas como as que mencionei no inicio do texto. Mesmo gostando ou não da nossa história, é o nosso país, caímos aqui por mero capricho do acaso, mas cabe a nós ter importância na mudança das condições que consideramos injustas e desonestas. Defende-se tanto alguns políticos e personagens do Brasil, mas o fato é que não nos tornamos a nação que gostaríamos. Tanto isso é verdade que aqueles que mais lucram com o Brasil residem fora do país. Ao invés de formarmos profissionais que possam criar um legado industrial, cultural, politico e social, ficamos nas mãos das multinacionais para explorar nossa matéria prima e nossa mão de obra enchendo os bolsos dos corruptos daqui e mandando dinheiro para fora. Promovemos a vinda de grandes artistas para se apresentarem por cachês milionários e desprezamos aqueles que tentam viver da arte. Nossa politica é uma vergonha, onde corruptos tomam as decisões mais importantes mentindo para o povo e pregando ideologias rasas e deturpadas. Nossa sociedade convive com a criminalidade, impunidade e exploração abusiva. Nosso futuro está entregue a analfabetos funcionais que protestam de forma física, mas são incapazes de estabelecer um debate sério sobre qualquer coisa.
          Não adianta fugir para outro país, não adianta se unir aos corruptos para ter uma vida mais luxuosa, enquanto não olharmos para trás e debatermos até a última instância os fatos que constituem nossa história, jamais evoluiremos como seres humanos. Apenas se valer de um vício eleitoral, de carreiras estatais, de programas de governo ou mesmo de suas esmolas, não nos trás dignidade. Onde está o mérito do cidadão na nossa sociedade republicana e democrática? Como podemos dizer que estamos progredindo se estamos plantando sementes estéreis? Se o terreno que preparamos é rochoso, seco e cheio de pragas? Somos brasileiros e donos de nossa pátria, portanto somos responsáveis por ela. Temos que curar suas feridas, arrancando os espinhos que a sangram desde o descobrimento. Temos que trabalhar com a realidade que está a nossa frente, não lamentar o passado ou sonhar com o futuro. Nossa história apontará nossos erros, nossas fraquezas, mas também mostrará virtudes, afinal, estamos vivos ainda, embora agonizantes. Se nossa terra fosse tão desprezível, não haveria tantos parasitas dedicados em sugá-la. Abracemos nossa história de forma honesta e amável, pois temos tudo para escrevê-la daqui pra frente de forma mais justa e honrosa.
          Para encerrar esse texto, convido a todos que o lerem a refletir sobre nossa tarefa diária na educação de nossos filhos, nos debates políticos, nas coisas que defendemos por herança ou indução, mas que nunca questionamos ou nos aprofundamos. Acho patético alguns jovens reclamarem da manipulação da mídia, sendo que possuem uma vasta diversidade de opiniões em diferentes fontes de informação a disposição. Saber ler, interpretar, ter boa vontade em ouvir e se aprofundar sobre um assunto, coisas básicas, são o suficiente para se manter informado. É uma escolha individual se tornar um idiota, afinal, quem tenta manipular as noticias que realmente te dizem respeito, são de uma capacidade de raciocínio superficial, fácil de ser derrotada por qualquer ser humano levemente lúcido. Por outro lado, devemos cobrar dos educadores o mínimo de compromisso com a profissão que escolheram. Para deixar clara minha opinião sobre a Proclamação da República que se celebra hoje, esta foi o primeiro golpe politico-militar da nossa história, numa primeira ação prática invejosa aos Estados Unidos. Somente foi disseminado o pensamento que a monarquia era algo ultrapassado porque na América do Norte havia um gigante que era republicano. A queda da monarquia abriu precedente para que se diluísse qualquer tradição e vivêssemos de golpe em golpe através dos anos. Pra ser honesto, a república, em termos de Brasil, é uma grande porcaria. Entretanto, por fazer parte de nossa história, conhecer o que celebramos no dia 15 de novembro é fundamental.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Do LP ao Streaming, as várias facetas do áudio


         Como já falei inúmeras vezes aqui, sou daqueles amantes de Heavy Metal quarentão, ou quase. Tenho minhas manias de velho para muitas coisas como reclamar do governo, achar que todas as coisas nos supermercados são uma porcaria e caras demais, ler revistas impressas, comprar CDs e LPs, querer gravar um álbum todo sozinho, essas coisas. Mas como os anos 1990 já passaram a 15 anos, tenho que me adaptar a certas coisas como Facebook, Youtube, WhatsApp, essas mídias mais modernas. Entretanto, ouvir música pelo Youtube ou arquivos MP3 em fones de ouvido nunca cairão no meu gosto. Claro que, na emoção de ouvir vários álbuns pelo computador, fez com que eu baixasse arquivos em MP3. Realmente acumulei muitos Gigabites de arquivos de música, mas isso não fez com que eu gostasse mais ainda das bandas que eu já gostava ao ter acesso a toda discografia. Muito pelo contrário, passei a ouvir música como a maioria das pessoas, usando-a como trilha sonora para outras atividades.
          Não sei se por ter consciência de que as bandas que gosto não ganham nada com downloads ilegais, mas acredito que o formato MP3, por mais que seja comprimido com alta qualidade, ele tira algo essencial que eu não sei exatamente o que é. Um kit multimídia ou um fone de celular também contribuem para deixar a coisa desinteressante, embora eu tenha um home estúdio com caixas de qualidade e uma interface de áudio interessante, fazendo uso destes recursos pra ouvir os álbuns que eu gosto. Mas é quando coloco um LP ou um CD no meu pequeno  Jensen JTA 475B que as coisas começam a fazer sentido. Realmente, mesmo um álbum tocado via Streaming, como o Google Play que é o que eu uso, conectado ao auxiliar do JTA já soa bem mais agradável. Muitas características técnicas mudaram nos últimos 30 anos, tanto para gravar as músicas como para reproduzi-las, isso fez com que tudo perdesse um pouco dos parâmetros considerados interessantes e caíssem numa realidade confusa.
          Comprar CDs e ir a shows fazem com que o artista ganhe dinheiro e as pessoas se interessem mais pelo trabalho apresentado. Tínhamos uma tática no período anterior aos MP3 da vida. Quando não conhecíamos um artista, gravávamos um álbum em uma fita cassete de um vinil e depois de um CD. Caso aquilo caísse no nosso gosto, comprávamos o álbum. Normalmente era assim. De uns anos pra cá cheguei a cogitar não comprar mais CDs e coisas do tipo, por conta da facilidade em baixar álbuns em forma de arquivos compactados. Porém, notei como as bandas que eu gosto passaram a desprezar, de certa forma, a gravação de músicas inéditas. O motivo era claro, aparentemente, a falta de interesse das pessoas em comprar os álbuns. Saí mais vantajoso tocar ao redor do mundo do que se trancar num estúdio por meses e colher criticas negativas e ter baixa vendagem como retorno. Hoje as bandas não precisam mostrar um álbum novo ás gravadoras para sair em turnê, se elas optam por isso é mais por uma questão de hábito.
          Como o país está em crise e possivelmente isso afetará a vinda de bandas grandes para cá num futuro próximo, uma alternativa interessante é os Streamings de música, como o Google Play, que mencionei antes, mas tem muitos mais. Só espero que para as bandas isso seja interessante, pois quando leio uma matéria sobre uma banda e não conheço o som, ao invés de me socorrer pelo youtube e ficar catando, apenas ouço o álbum on line, pois estou pagando por isso. É como usar as velhas fitas cassete, porém, com a qualidade bem superior. Sei que ainda é complicado comprar o álbum físico, pois muitos nem saem aqui ou são muito caros, mas antigamente também existia essa dificuldade. O legal também é a coisa da época, ir ao show da turnê, quando possível, comprar o álbum novo para recordar depois. É aí que as coisas começam a fazer sentido e saem do velho conceito de trilha sonora para qualquer coisa.
          Como tenho condições e curiosidade suficientes para perder tempo fazendo testes, fiz algumas experiências. Sem entrar em muitos detalhes, por um bom período intercalei álbuns físicos e arquivos MP3 enquanto bebia cerveja, lia, jogava videogame, escrevia, entre outras coisas, e cheguei a algumas conclusões. Enquanto rodavam os CDs e os LPs e eu escrevia, o fato de eu ter que virar o LP ou trocar de CD fazia com que eu tivesse um tempo X para escrever e este tempo ficava otimizado. Já com os arquivos MP3, eu perdia a linha de raciocínio rapidamente e mal prestava atenção quando acabava uma faixa e começava outra, sem contar que ficava entediado rapidamente. Para ler acontecia a mesma coisa, com os álbuns físicos rodando, a leitura não me cansava, com o MP3 começava a ficar massante em pouco tempo. Pode ser coincidência, mas para mim isso funcionou dessa forma. Com o Streaming a coisa fica no meio termo. Se o álbum é bom prende minha atenção por um bom tempo, mas quando é ruim ou estranho demais me cansa um pouco. Mas tem de se ter em mente que a música de hoje é assim, deste formato.
          O detalhe mais interessante que pude perceber foi que, mesmo sendo de qualidade o arquivo em MP3, tocado por caixas de qualidade, tem uma espécie de embolação nos médios. Isso eu percebi tanto em fones, como no meu Jensen, em diversos tipos de reprodução. Já o LP, mesmo que gasto e ruidoso, parece que é uma banda tocando, dá pra perceber as nuances de cada instrumento. A mesma coisa num CD, tudo parece mais claro e vivo. A interação entre um CD ou LP e o aparelho que o reproduz parece ser mais natural do que um computador tocando um arquivo. Fiz os testes com CDs lançados agora, versão em Streaming e arquivos MP3 tocando tanto no computador como no Jensen e concluí que o formato tradicional ainda é bem melhor, embora não seja tão prático. Portanto, mesmo que as pessoas se justifiquem que só tem tempo pra escutar musica no transito ou algo do tipo, eu aconselho a tirar um tempinho para curtir música em casa, no seu aparelho de som, mesmo que seja por pouco tempo, a experiência realmente valerá a pena.
          E pra falar em épocas, muita gente fala que hoje não tem mais nada que preste pra se ouvir. Eu discordo completamente. Se não temos o surgimento de novos clássicos, e mesmo as bandas antigas não conseguindo superar o que já fizeram, acredito que os anos 2000 foram piores, principalmente para o Heavy Metal. Já escrevi a respeito de bandas novas, de álbuns clássicos e alguns desprezados e cheguei a conclusão que temos tantas bandas e trabalhos bons como sempre, só não damos tanta atenção assim. Se existe a opção por ouvir sempre as mesmas coisa, tudo bem, mas que não se alegue falta de opção, pois existem várias bandas que surgiram depois dos anos 1990 muito boas. E bandas como Iron Maiden, Megadeth, Black Sabbath, entre outras, que conseguiram lançar ótimos trabalhos. Pode ser que não sejam tão bons quantos os clássicos, mas são melhores que muitos já lançados por eles mesmos. 
          Fica a dica então: Evitem os arquivos MP3 da vida, prefira os álbuns originais e dedique um tempo para ouvir música de forma mais atenta. Se um álbum foi lançado originalmente em LP, prefira o LP. Se foi lançado em CD, prefira ouvir o CD. Se só foi lançado em formato digital, paciência, use o Streaming. Grande abraço