sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Final de ano

          Então, mais um ano está chegando ao fim. Engraçado que, depois de entrar na fase adulta, começamos a achar que o tempo passa rápido demais. Entretanto, não sei se porque foi bem difícil, este ano está se arrastando de forma tediosa e mais lenta do que os anteriores. Particularmente, neste ano eu mudei de endereço, casei-me formalmente, tive diversos problemas e mudanças significativas na minha vida, isso gerou um desgaste maior que o esperado e confesso que estou cansado. Contudo, houveram muitas coisas boas e o saldo foi positivo no final das contas. Agora é esperar para ver o que acontecerá no ano que vem, afinal, estamos em meio a uma crise política e econômica, isso afeta á todos de diversas formas. Como indivíduo, cada um tem que fazer sua parte, em primeiro lugar, independente de quem esteja no governo ou das condições para isso. No meu caso, cuidar da minha família e garantir, ao menos, que as contas sejam pagas em dia, que não falte comida na mesa, que as crianças possam estudar e tenham atendimento médico quando necessário. Tirando isso, tudo é secundário e de menor importância. Considero até meu emprego algo secundário, assim como meus projetos pessoais envolvendo a música e outras coisas, pois de uma hora para outra eu posso ser demitido ou a empresa falir. Aspectos profissionais podem facilmente fugir do nosso controle. Quando isso acontece, temos que estar preparados para buscar alternativas.
          Na área politica o Brasil viveu seu segundo processo de impedimento, ou intervenção em um mandato, de um presidente. Justo ou injusto? Isso não importa na prática, saiu apenas uma unica pessoa do processo doente e viciado que temos. Tínhamos uma pessoa incompetente e irrelevante a frente da nação, parte de um plano que trouxe muito dinheiro para uns, mas que não beneficiou de forma significativa quem acreditou nele. Estávamos vivendo algo ilusório, mais lúdico e utópico do que real. Para quem é empresário em setores ligados ao governo, tudo parecia ótimo, como vimos no dia-a-dia, gozavam do apoio dos políticos por conta de seus acordos mirabolantes. Tinham dinheiro para pagar segurança particular, plano de saúde, escolas e ensino superior para eles e para seus familiares. Para estes o país estava uma maravilha, para os políticos então, nem se fala, foram os maiores beneficiados com tudo que aconteceu no Brasil nos últimos vinte anos. Tudo eram flores, a oposição formada por políticos bunda-moles, sem a mínima habilidade política, facilmente corruptíveis, sequer dava trabalho. A imprensa composta por jornalistas coniventes, formados em instituições de ensino que possuem a ideologia totalmente favorável ao governo. Outros veículos pautados e financiados pelo governo, perdiam tempo mostrando como foi a semana da ex-presidente deposta, por onde Lula andava lavando dinheiro com seu discurso sempre igual, entrevistas com líderes do MTST, UNE, CUT, invasores de escolas, profissionais contratados para defender as teses que eles propõem, basta olhar as matérias da Carta Capital e o Brasil 247, para se ter uma noção de como a imprensa funciona. Se não fosse só isso, a TV Brasil passou a ser um veículo unica e exclusivamente do governo, ao invés de ser uma televisão pública, como se supunha. O jornalista Luis Nassif, velho conhecido de outros veículos, recebendo milhões de reais para ter um programinha meia boca, o mesmo acontecendo com Paulo Henrique Amorim. Sem contar que o primeiro estava extremamente endividado por conta de sua empresa"Dinheiro Vivo" e havia pego recursos junto ao BNDES. Para aqueles que acreditam que o Rede Globo persegue os petistas, veja seus atores em campanhas pra arrecadar dinheiro para Lula tentar fugir da polícia federal e do Ministério Público.
          Os movimentos citados antes, MTST, UNE, CUT, entre outros, receberam muito mais dinheiro do governo do que programas fraudulentos que garantiram a continuidade deste plano de poder como "Bolsa Família" e "Minha casa minha vida", para entrar em ação para defender interesses partidários. Houve jornalista assassinado por Black Blocks, houve adolescente assassinado durante ocupação de escolas. Jornalistas foram perseguidos nas redes sociais por empresas como MPI Digital que trabalhava para o governo petista. Tudo isso acontecendo enquanto políticos recebiam propinas milionárias para beneficiar empresas como Andrade Gutierres, OAS, Odebrecht, entre outras, em empreendimentos mundo a fora. Tudo isso denunciado e debatido durante anos, mas sempre desconversado e o governo sempre enganando a população para garantir a continuidade disso tudo. Eduardo Cunha foi preso, Sérgio Cabral também e outros tantos estão sendo investigados por corrupção, por terem em suas contas mais do que muitos estados tem para investir mensalmente em saúde e educação. Renan Calheiros ainda se mantém fora da cadeia por manobras políticas e desmandos descarados. A crise pluripartidária mostram como o povo brasileiro é burro por ir até as urnas para votar, pois uma eleição legitimiza todo o processo.
          Em meio a tudo isso, esse mar de lama, que se tornou literal quando houve o rompimento da barragem da SAMARCO ainda em 2015, aparece como salvação uma operação chamada de Lava Jato, lá em 2014, e que mexe com todo o estado das coisas. Algumas pessoas acordam para a verdade enquanto outras escolhem acreditar no conto petista de que Sérgio Moro é um perseguidor dos bonzinhos, como se ele trabalhasse sozinho ou decidisse algo por sua conta e risco. Claro que em pouco tempo a Lava Jato será calada e esquecida, pois o povo tem memória curta e a militância partidária é muito fiel e jamais abandonará as investidas, afinal ganham muito dinheiro com isso e sempre haverão jovens cheios de testosterona e sem cérebro nas instituições de ensino, que estarão prontos para sair as ruas com seus fogos de artifício, coquetéis molotófes, máscaras pretas e bandeiras vermelhas. Sempre haverão pessoas que apenas querem ver as coisas pegarem fogo. Estes agentes do caos tem bandeira, dinheiro, discurso e acreditam que, por serem "revolucionários", podem julgar, condenar e executar quem se opõe á eles sem nenhuma culpa. Assim como invasores de escolas acreditam que suas assembleias são mais importantes que a lei, os guerrilheiros do Araguaia também achavam que tinham autoridade para julgar e matar quem eles queriam, mesmo assim há quem diga que são heróis do povo, como José Dirceu e Genuíno, que foram presos por corrupção. 
          Mas em meio a isso, vi um Kiko Loureiro, brasileiro, gravar e sair em turnê com uma grande banda, pude ver um show da última turnê do Black Sabbath e o Metallica lançar mais um álbum de inéditas. Isso pra mim foi mais importante, pois políticos e governos passam, crises vem e vão, mas nós temos que manter nossos mundos particulares em ordem apesar de tudo. Somos pais, mães, filhos, sobrinhos, tios, avós, netos, maridos e esposas, temos vínculos mais importantes com pessoas e com nossa história, do que com política e governo. Se as pessoas acreditam na inocência de políticos corruptos, se saem as ruas para roubar e matar, isso sempre irá acontecer, em maior ou em menor número, quanto a isso nada se pode fazer. Não temos que ter esperança na política, na justiça, na economia e naquilo que não controlamos, temos apenas que fazer o nosso melhor, de acordo com nossas condições e, principalmente, com nossas consciências limpas. Que possamos construir um mundo melhor dentro de nós, antes de esperar que o mundo a nossa volta mude. Temos a obrigação de buscar a verdade e a justiça, mesmo que pareça errado aos olhos dos outros e inútil na maioria das vezes, mas não podemos nos abater e nem nos entregar se não obtivermos exito,  pois faz parte da vida.
          Para encerrar, gostaria de agradecer a todos que tem me acompanhado neste blog desde o início. Não tenho nenhum compromisso com partidos, políticos ou empresas para fazer o que faço. Sou livre, posso errar, posso reconsiderar minhas opiniões, mas jamais trarei um texto aqui que não reflita exatamente minha mais honesta opinião. Se ataco a postura de algumas pessoas e ocasionalmente defendo outras, não é por interesse, é por julgar algo certo ou errado, de acordo com minha experiência de vida e das buscas por informações que fiz ao longo de minha vida. Não costumo citar trechos de livros ou pensadores, embora muito do que sei, tenha originado do saber ou vivência de outras pessoas. Ainda não encontrei uma pessoa sequer com a qual eu concorde totalmente, entretanto, busco me informar sobre a maioria dos assuntos, tendo ciência da opinião de vários lados. O que trago aqui são pequenas reflexões sobre determinados assuntos ou fatos, nada mais, não quero que me sigam ou que defendam minhas teses, apenas garanto que sempre estarei de acordo em debater ideias contrária e aprofundar o debate de pensamentos com quem concordar com minhas teses. Mais do que divergir ou concordar, o importante é refletir. Um grande ano para todos nós, mesmo que existam muitas dificuldades e elas com certeza aparecerão ao longo de 2017.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Reflexões sobre o Natal

          Aproveitando este 24 de dezembro de 2016, véspera de Natal, relembro um texto que escrevi a cinco anos atrás. Na época vivia só em uma pequena casa a beira de um valão fedorento. Já trabalhava na CEEE e era o segundo Natal que passava sem meu avô, falecido em 2010. Já sentia todos os efeitos da depressão, mesmo saindo à noite para beber com alguns amigos nos finais de semana, estava pessimista e soterrado por muitas coisas. Tinha começado meus estudos de home estúdio naquele ano, mas ainda não conseguia produzir nada interessante. Foi o ano em que comecei a escrever neste blog, mas de forma bem aleatória. Não tinha muitas coisas a dizer e por isso fiquei até seis meses sem postar nada. Me sentia dono da palavra, meus amigos elogiavam meus textos, mas eu não me sentia motivado a fazer muitas coisas. Era solteiro, ainda não tinha filhos e tudo que lembrava família e confraternização me deprimia profundamente. Neste período escrevi o texto abaixo:

          Natal é irritante porque é inevitável e todos os anos ele está presente sendo impossível ignorá-lo. Aprendi certas coisas sobre a vida por conta própria. Não foi em livros, sites ou na escola, que tive acesso a determinadas informações. Tenho dado espiadelas por detrás das cortinas que cobrem as portas e janelas dos bastidores de nossa existência para tentar descobrir o que realmente move o ser humano. Como muitas pessoas na verdade. Muitas delas transitam livremente entre a loucura e a genialidade formando assim seus conceitos e suas filosofias. O Natal foi perdendo seu significado com o passar dos anos. Com as experiências vividas, passei a notar que meus momentos a serem lembrados e comemorados estavam espalhados ao longo do ano e não concentrados em datas específicas. Foram em dias comuns que conheci as pessoas mais interessantes da minha vida. Afinal são todos dias comuns até que algo especial aconteça. É da natureza dos dias começarem de forma enfadonha e agregarem algum valor durante a passagem das vinte e quatro horas. Mas nessa época de final de ano, quando olhamos para trás e avaliamos o que ganhamos e perdemos para ter o resultado medíocre de sempre, tudo vira uma bosta. Então essa rotina cansa e começo a gostar cada vez mais dos dias comuns.
          Talvez por não ter filhos, por estar com mais de trinta anos, por estar especialmente solitário, ou simplesmente porque esse Natal caiu num dia muito chato, eu estou muito enojado dessa data. Nada de bom aconteceu hoje que não poderia acontecer em qualquer outro dia chato. Tédio, descrença e tristeza se alternam no comando das sensações que estão em mim. Um péssimo Natal para coroar um dos piores anos da minha vida. Ao menos não me lembro de ter vivido um natal tão ruim como este. Não que as coisas boas não tenham acontecido, entretanto, as melhores foram as que mais causaram sofrimento no final. Mais sete dias até que um ano novo comece e as coisas mudem. Não que eu tenha muitas esperanças que o próximo ano seja bom, mas não sou tão pessimista ao ponto de achar que pode ser pior que este. Vou fazer as coisas que pretendo para melhorar em vários aspectos e colher algum fruto em curto prazo, tentar finalizar algumas coisas que vem se arrastando há tempos, afinal terminar uma tarefa já é um bom motivo pra se sentir bem, ao menos aliviado. 
Pois então, que as coisas que causaram um final de ano ruim possam morrer juntamente com ele, já que pretendo ver mais um ano passar. Que as sementes do fracasso sequem junto a seus frutos amargos e jamais voltem a brotar, mesmo que suas raízes ainda estejam enterradas profundamente neste solo fértil em que resolveu nascer. Vou continuar odiando o Natal, mas pretendo que seja mais por costume do que por motivação. Quero que meus dias sejam felizes e produtivos, mesmo que sejam dias comuns.
          Concordo que ter esperança e ilusões seja positivo para tentar viver uma vida melhor. Mas, se optamos por viver uma vida real, naturalmente vamos sofrer por esta escolha. A vida em geral é tediosa, pois somos pessoas passivas ao tédio. Deixamos nossas emoções esfriarem. Muitas vezes é bom, nos ajuda a superar as decepções a que estamos expostos. Incapazes de nos satisfazer por nós mesmos, marcamos uma data no calendário para ficarmos felizes. Contudo, quem não está feliz vê como isso é patético, e como está por toda a parte, se torna insuportável conviver com tal hipocrisia. 
Temos que viver cada momento e segurar a onda todos os dias, assim é a vida. Trágica, cômica, falsa, verdadeira, tudo se alternando, provocando sorrisos ou lágrimas, mas na maioria do tempo, sem nada de especial.
         
          Agora, cinco anos depois, já casado em com filhos, volto a escrever sobre o Natal. Ainda trabalho na CEEE e a empresa passa por momentos de apreensão. Como em qualquer empresa Estatal, chegou o momento de sentir as consequências por estar nas mãos de um Governo. Mas o pior é ter que conviver no último mês do ano com um acidente de trabalho envolvendo um dos colegas mais queridos. Foram momentos de inquietude e expectativa, pois um choque elétrico ao trabalhar com 230 Kv, normalmente é fatal. Felizmente ele está bem, apesar de algumas queimaduras, já esteve conosco no dia 23 para compartilhar de um churrasco. Disse a ele que sua presença entre nós era o meu presente de Natal, por tudo que poderia ter acontecido. Ainda prefiro os dias comuns como a cinco anos atrás, porém, agora, estar com minha família (esposa e filhos), podendo constatar que todos estão muito bem, mesmo que dependendo exclusivamente de mim para se alimentar, ter moradia e saúde, somos uma família que não carecemos de absolutamente nada. Mesmo não sabendo o que acontecerá no próximo ano, posso dizer que este ano foi dificílimo por diversos motivos e o próximo possivelmente será mais duro, mas não tenho um único motivo sequer para encarar com o pessimismo que via o mundo quando escrevi o texto acima.
          Para encerrar, quero agradecer a todas pessoas que tem acompanho este blog, minha página no facebook, meu canal no Youtube e aqueles que tem um convívio cotiano, tanto em casa como no trabalho. Embora as dificuldades, este ano não representou nenhuma perda representativa, mesmo as coisas ruins que aconteceram, foram superadas sem deixar sequelas. Para aqueles que não podem falar o mesmo, quero garantir-lhes que até as piores coisas passam, tudo depende de como encaramos a vida e o que agregamos a nossa volta. Em 2011 tinha muitas coisas ao meu redor, mas nada significativo ao ponto de me resgatar da depressão e me deixar otimista. Cinco anos depois, com o final de um ano atípico, só tenho a agradecer por tudo que tenho acumulado durante os últimos anos. Com uma família maravilhosa, com a possibilidade de fazer música e mostrá-la ao mundo, podendo alcançar pessoas em lugares muito distante através de meu blog e meus canais, só posso agradecer por ter muito mais do que eu mereci ao longo da minha vida. Feliz Natal à todos!

domingo, 11 de dezembro de 2016

Internacional rebaixado

          No dia 11 de dezembro de 2016 o Sport Club Internacional foi rebaixado para segunda divisão do futebol brasileiro pela primeira vez. Falo pela primeira vez porque dificilmente, após cair uma vez, um clube não acabe caindo novamente. O culpado disso, inegavelmente, foi o senhor Vitorio Píffero, com certeza foi ele, e somente ele. Quando assumiu o time em 2007 como presidente pela primeira vez, conseguiu fazer um time campeão do mundo ficar fora da decisão do Campeonato Gaúcho. Demorou quase dois anos para se recuperar futebolisticamente ganhando a Copa Sul-americana. Mesmo a Recopa Sul-americana, conquistada naquele ano, foi mais no brilho individual do que outra coisa, já que seu treinador era o Galo. Em 2014, novamente foi eleito presidente do internacional, para a gestão 2015/2016. Com a morte de seu vice de futebol Luiz Fernando Costa, ele sequer escolheu um novo vice-presidente, assumindo para si a responsabilidade de controlar o futebol do clube sozinho. O resultado foi a demissão do técnico Diego Aguirre as vésperas de um gre-nal. Como prêmio, derrota por 5X0 para seu principal rival, após décadas, a mais vexatória goleada em clássicos. Veio 2016 e o clube perdeu D'Alessandro, Aranguiz, Juan, Nilmar, Lisandro Lopez e Nilton, jogadores que já não haviam rendido o esperado. Para o lugar deles trouxe Ariel, Seijas, Nico Lopez, entre outros. A cada partida do time, mesmo quando chegou a liderar o campeonato nas primeiras rodadas, já se via que as coisas não andavam bem. Claro que os jogadores citados acima só vieram no meio do ano, mas mesmo assim, potencialmente, já eram inferiores aos que haviam deixado o Beira-Rio. A espinha dorsal do time tinha ido embora sem deixar muita saudade pelos resultados apresentados no ano anterior. Mas será que um terceiro lugar na Libertadores é tão ruim assim? Será que a demissão de um treinador em meio a uma semana de clássico é algo prudente? O discurso arrogante ao anunciar que Odair Hellmann comandaria o time já indicava a falta de compromisso do presidente. Se não faltou com o respeito, faltou com a sanidade. 2016 já estava na metade e ainda sentia os fracassos de 2015, pois o técnico chamado para tentar ajeitar as coisas após a desgostosa campanha de 2015, ainda estava no cargo, mas de forma insegura e provisória aos olhos dos torcedores.  
          Ao longo de 2016, o Internacional ficou 14 jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro. Demitiu Argel Fucks e chamou de volta Paulo Roberto Falcão, ídolo do clube pelo que representou na década de 1970, mas se mostrou ao longo dos anos ser um técnico sazonal. Mesmo conhecendo muito de futebol, já havia fracassado duas vezes como técnico do clube e tinha mais umas poucas passagens por outros times que não o  recomendavam. Após cinco partidas sem vitória, ele foi demitido. Para salvar de alguma forma a derrocada da administração degradante de Píffero, ele recorre aos amigos. Chamou Ibsen Pinheiro, um político demagógico que usou o clube para se manter na mídia por diversas vezes. Colorado, é claro, mas que ainda tem na cabeça o futebol de 1970 e parece não ter assistido sequer uma partida de futebol nos últimos trinta anos, tal o clima retrógrado em seus comentários. Chamou Fernando Carvalho, que muitas glórias deu ao clube, mas se mostrou também retrógrado e desatualizado ao trazer o pior técnico de futebol de todos os tempos. Um lixo que não serve pra nada e que deu a maior alegria ao arquirrival nos últimos anos, perder a semi-final do mundial interclubes de 2010 para o Mazembe do Congo. Isso é ridículo para qualquer ser humano que tenha um raciocínio levemente sóbrio. Escolher uma pessoa que é motivo de chacota comandar uma equipe que está mal é pedir para ser destroçado em campo. Mas Fernando Carvalho encerrou essa sua fase, espero que a última, da forma como iniciou em 2002, confuso, imprudente e sem criatividade. Mas ele tinha uma arma que ainda poderia disfarçar sua senilidade, seu histórico vencedor. Claro que ele teve méritos nos áureos anos, mas não trabalhava sozinho. Assim como Hélio Dourado fez no último rebaixamento do Grêmio, Fernando Carvalho, talvez pela empáfia do discurso "Clube grande não cai", demonstrou que acreditava que sua simples presença pudesse mudar as coisas. Entretanto, o time grande caiu. Caiu e deixou de ser grande. Uma prova do apequenamento foi a tentativa de tentar se salvar no tapetão. Teve oportunidades em casa, frente a sua torcida, que apoiou incondicionalmente, de vencer O Santa Cruz, fracassou, contra a Ponte Preta a mesma coisa. Quatro pontos que teriam salvo o ano desgraçado do clube. Fora outros resultados inaceitáveis como a derrota para o Vitória em casa.
          Resumindo, Vitório Píffero não pode voltar a pisar em Porto Alegre, muito menos falar do Internacional. Ele é uma vergonha. O símbolo de um fracassado. Este homem não deve ser pisoteado futebolisticamente por fracassar, todos erramos, mas a forma arrogante como lidou com todas as situações durante dois anos. Será que ele acreditou que era um ser iluminado, superior aos demais, que tudo seria certo só porque foi feito pela sua vontade? Claro que não. Aprender a tempo de reparar as coisas era para os humildes, não para Vitório. Hoje Fernando Carvalho entrega todo um histórico de sucesso na direção de um clube, como sendo um dos cúmplices do pior momento do Inter. A torcida sofre e muito com isso, mas com certeza no final de 2017, se houver dignidade em quem represente o S.C. Internacional, sua nova diretoria, o clube terá 200.000 sócios e voltará muito forte, mas jamais será tão grande como foi em 2006.
          O Internacional foi rebaixado de forma justa, pois teve inúmeras chances de chegar mais longe no brasileirão, mas fracassou miseravelmente. Estas pessoas que representam o clube até o final de dezembro de 2016, são a verdeira imagem do fracasso, da arrogância e da caduquice. Não podem mais sequer usar a imagem do Inter para nada, pois carimbaram o clube com essa pecha. Mancharam a trajetória mais que centenária do clube com um rebaixamento justo e humilhante, tendo todas as chances de, ao menos, não cair para a série B, foi afirmando sua incapacidade a cada rodada. Assim como o Grêmio mereceu ser campeão da Copa do Brasil depois de 15 anos, o Internacional está no lugar que escolheu estar, não por sua torcida, mas por seus dirigentes, e porque não dizer, seu grupo de jogadores. Mesmo que a torcida proteste, foi ela que legitimou o presidente que afundou o clube, acreditou em um discurso vazio e arrogante. O futebol, para os colorados hoje, simboliza nosso fracasso diário ao lidar com nossos filhos, com nossa profissão, a politica, a nossa saúde, ou seja, nossa visão de mundo. Este texto é sobre esporte, mas também pode ser sobre arrogância, soberba e mentiras. A politica de futebol do S.C. Internacional de hoje, representa muito a realidade do país como um todo. Gente que apoia e se envolve emocionalmente com discursos mentirosos controlando sua vontade.

sábado, 10 de dezembro de 2016

O que é Delação Premiada?


          Tendo em vista o atual momento do país, politica e economicamente falando, não tenho como ficar a margem do que está acontecendo, pois, além dos reflexos que isso tem diretamente na minha vida, tenho que pensar na minha esposa e nos meus filhos, no futuro deles. Como eleitor, apesar de não votar em nenhum candidato há muito tempo, procuro me manter informado sobre o que acontece nos bastidores do mundo politico, como todo o cidadão deveria fazer. Parece estranho falar isso, pois há algum tempo atrás a discussão politica ficava relegada a debates ideológicos, assim como a religião e preferência clubística, não por ser igual, mas por falta de informação mesmo. Com a internet isso mudou, pra melhor, pra pior, só mudou. Hoje só não se informa quem não quer. A atuação de políticos e servidores públicos está sendo monitorada o tempo todo e por todo mundo via web. Claro, que para se manter informado o máximo possível, uma pessoa não pode depender da mídia unica e exclusivamente. Essa, por sua vez, atende interesses específicos e servirá a quem lhe garantir a receita necessária para manter o veículo no ar. Isso será assunto para outra postagem, onde abordarei as diversas faces da imprensa. O importante é como se informar nesse mundo tão versátil, e porque não dizer, volátil. No meu caso, eu utilizo a Constituição e as Leis citadas em uma determinada notícia para checar a legitimidade, observo se o jornalista que está escrevendo não foca em levar a notícia para uma determinada tendência política, tento tirar da noticia o fato em si e separar a analise pessoal do repórter, e por ai vai. Parece complicado, mas se mostra útil e nem toma tanto tempo assim. A pior coisa que se pode fazer é tirar conclusões com a opinião dos outros. Isso é exatamente o que a mídia tenta fazer, manipular o seu público para que compre os produtos dos patrocinadores, a opinião dos comentaristas e as verdadeiras intenções do veículo.
          Dito isso, vamos ao assunto em questão, a delação premiada. Li várias explicações de diversos juízes e advogados falando a respeito de forma bem didática, salvo algumas interpretações, irrelevantes para o texto, o conceito é mais ou menos o que explicarei aqui. Acho muito importante, mesmo sendo leigo e desinteressado por essa área jurídica, se familiarizar com estes termos tão comentados, até para não cair no erro de comprar uma ideia de outra pessoa, como falei no parágrafo anterior e que é bastante comum, sem saber nada do que se está falando. Só lembrando que, essa prática de delação, já é realidade em outros países como na Itália, onde o magistrado Giovanni Falconi fez uso dela para desmantelar a quadrilha chamada Cosa Nostra. Aqui, aos poucos foi sendo utilizada em casos específicos como em crimes hediondos, depois nos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, mas se popularizou mesmo com a Lava Jato. Por esse motivo a classe politica está em panico, tentando elaborar leis e emendas que os protejam, pois a maioria tem o rabo preso com alguém. Aquela história de "comprar o silêncio" ou o "cá entre nós" pode estar com os dias contados, já que com a colaboração de apenados, a Policia pode direcionar a investigação, adquirir documentos e evidencias que possam solucionar casos de corrupção, entre outras coisas. Há uma tentativa de, favoráveis a prisão de determinados políticos e os que defendem estes mesmos, em focar todo o processo no juiz de Curitiba Sérgio Moro. Porém, cada decisão de um juiz passa, no mínimo, por três instâncias judiciais para ser aprovada e posta em prática. Portanto, não é uma pessoa que decide, e sim um sistema bem mais complexo. Isso dá margem e respaldo para determinadas decisões, mas também deixa o processo mais lento e complicado.
          Quando alguém é denunciado, abre-se uma investigação, e dependendo das provas, ele é preso, interrogado, julgado e se for o caso, condenado a cumprir determinada pena. Isso ocorre com o réu tendo ampla possibilidade de defesa, pois o ônus da prova é de quem acusa, até ser comprovada a culpa, o réu ainda é considerado inocente. Entretanto, este sujeito é apenas um dos contraventores em casos em que a delação premiada é alternativa. A justiça pode aceitar que ele informe quem eram seus cúmplices, ou mandantes, e ainda forneça provas que incriminem os citados. A partir daí as pessoas citadas são investigadas e havendo comprovação de que essas informações contribuíram satisfatoriamente para a resolução do caso, o colaborador poderá ter de um a dois terços de sua pena reduzidos, readquirir direitos perdidos pelo crime ao qual foi condenado, entre outros benefícios, desde que isso não contrarie outras leis. No caso de um sequestro, digamos que um de cinco criminosos é pego, ele pode falar o nome dos outros quatro, a forma como trabalhavam e onde está o cativeiro onde a vítima está presa. Se as informações forem verídicas, todos os cinco são presos e responderão pelo crime de sequestro. Se a vitima for resgatada com vida e sem vestígios de outros crimes, isso pode diminuir a pena do colaborador conforme acordo assinado, mas se ele mentir ou a vitima ser encontrada morta, ele responderá por outros crimes também. Nesse último caso a delação pode servir para agravar ainda mais sua situação.
          Parece ser um beneficio adicional para um criminoso, mas o beneficio maior é para a sociedade, com a elucidação dos crimes e a maior quantidade de meliantes presos. No caso da Lava Jato, os delatores tem citado nomes de políticos, empresários e outros colaboradores em troca de redução de suas penas, de acordos de leniência e de recuperação de direitos civis e políticos, como cumprir a pena em regime aberto e diminuição de restrições institucionais. Como cada um que é preso pode também assinar acordos de delação, a lista de investigados cresce a cada dia e cabe a Policia Federal e o Ministério Público ir atrás das informações e das provas que possam punir quem cometeu os crimes, recuperar parte do que foi desviado e limpar um pouco desse lamaçal que comanda e integra as Câmaras de Deputados, o Senado, os Palácios, os Ministérios, e por ai vai. É importante observar que atualmente, com a pluralidade partidária envolvida nas ações que a Policia Federal e o Ministério Público está investigando, há uma grande movimentação para se criar leis novas e derrubar outras. Isso não passa de articulações politicas para abafar os casos, como fizeram com o Mensalão, onde, mesmo com políticos importantes do PT como José Genuíno, José Dirceu e Antônio Palocci sendo presos, as investigações pararam quando possivelmente se ampliariam e atingiriam outros partidos. O resultado disso foi a parceria PT/PMDB que elegeu Dilma Roussef, mesmo depois que toda a sujeira veio a tona. Agora, com a Lava Jato criando vida própria com o apoio popular, vários jornais como o Brasil 247, blogs de esquerda e outros veículos patrocinados pelo governo, tentam convencer a opinião popular de que, Sérgio Moro e a força tarefa responsável pelas investigações, estão fazendo perseguição politica. Tentam pregar que há uma divisão dos poderes, mas na verdade é que, com a delação dos executivos da Odebrecht envolvendo políticos do PSDB, a teoria de perseguição cai por terra. Vejo que aqueles que apoiam Lula e o PT estão ficado sem argumentos e está mais do que na hora das pessoas de bem se envolverem definitivamente para não deixarem que essa operação seja sufocada como o Mensalão. Mesmo que não tenhamos candidatos expressivos para as eleições de 2018, uma limpeza geral se faz mais do que oportuna. 
          Com base no que foi dito acima, creio que já se tem ideia do que é a delação premiada e os efeitos dela. Quem tem interesse em mais informações, basta fazer uma busca pela internet e encontrará diversas fontes. Sempre lembrando que é fundamental checar as origens das informações e sua constitucionalidade, pois, como falei anteriormente, muita gente é paga por partidos, movimentos políticos e afins para confundir as pessoas menos informadas e até mentir descaradamente em favor de livrar a cara de algum investigado. A Lei é uma questão de interpretação que cabe a quem está preparado para fazer isso, não é apenas opinião de políticos ou desinformados em geral. Se um cidadão comum comete um delito, ele reponde por isso. Está na hora dos políticos pagarem da mesma forma por toda a corrupção que está por ai, pois apenas alguns fatos isolados não intimidam criminosos. Que se prenda todos para garantir a integridade de nossos poderes e o bem estar da população. De milhão em milhão, de escândalo em escândalo revelado, o Brasil está empobrecendo e a crise econômica já se enraizou no nosso país. Quem mais é prejudicado por isso é o cidadão comum, que ganha até dois salários mínimos por mês e que depende dos serviços públicos para ter saúde, educação e segurança.