sábado, 24 de dezembro de 2016

Reflexões sobre o Natal

          Aproveitando este 24 de dezembro de 2016, véspera de Natal, relembro um texto que escrevi a cinco anos atrás. Na época vivia só em uma pequena casa a beira de um valão fedorento. Já trabalhava na CEEE e era o segundo Natal que passava sem meu avô, falecido em 2010. Já sentia todos os efeitos da depressão, mesmo saindo à noite para beber com alguns amigos nos finais de semana, estava pessimista e soterrado por muitas coisas. Tinha começado meus estudos de home estúdio naquele ano, mas ainda não conseguia produzir nada interessante. Foi o ano em que comecei a escrever neste blog, mas de forma bem aleatória. Não tinha muitas coisas a dizer e por isso fiquei até seis meses sem postar nada. Me sentia dono da palavra, meus amigos elogiavam meus textos, mas eu não me sentia motivado a fazer muitas coisas. Era solteiro, ainda não tinha filhos e tudo que lembrava família e confraternização me deprimia profundamente. Neste período escrevi o texto abaixo:

          Natal é irritante porque é inevitável e todos os anos ele está presente sendo impossível ignorá-lo. Aprendi certas coisas sobre a vida por conta própria. Não foi em livros, sites ou na escola, que tive acesso a determinadas informações. Tenho dado espiadelas por detrás das cortinas que cobrem as portas e janelas dos bastidores de nossa existência para tentar descobrir o que realmente move o ser humano. Como muitas pessoas na verdade. Muitas delas transitam livremente entre a loucura e a genialidade formando assim seus conceitos e suas filosofias. O Natal foi perdendo seu significado com o passar dos anos. Com as experiências vividas, passei a notar que meus momentos a serem lembrados e comemorados estavam espalhados ao longo do ano e não concentrados em datas específicas. Foram em dias comuns que conheci as pessoas mais interessantes da minha vida. Afinal são todos dias comuns até que algo especial aconteça. É da natureza dos dias começarem de forma enfadonha e agregarem algum valor durante a passagem das vinte e quatro horas. Mas nessa época de final de ano, quando olhamos para trás e avaliamos o que ganhamos e perdemos para ter o resultado medíocre de sempre, tudo vira uma bosta. Então essa rotina cansa e começo a gostar cada vez mais dos dias comuns.
          Talvez por não ter filhos, por estar com mais de trinta anos, por estar especialmente solitário, ou simplesmente porque esse Natal caiu num dia muito chato, eu estou muito enojado dessa data. Nada de bom aconteceu hoje que não poderia acontecer em qualquer outro dia chato. Tédio, descrença e tristeza se alternam no comando das sensações que estão em mim. Um péssimo Natal para coroar um dos piores anos da minha vida. Ao menos não me lembro de ter vivido um natal tão ruim como este. Não que as coisas boas não tenham acontecido, entretanto, as melhores foram as que mais causaram sofrimento no final. Mais sete dias até que um ano novo comece e as coisas mudem. Não que eu tenha muitas esperanças que o próximo ano seja bom, mas não sou tão pessimista ao ponto de achar que pode ser pior que este. Vou fazer as coisas que pretendo para melhorar em vários aspectos e colher algum fruto em curto prazo, tentar finalizar algumas coisas que vem se arrastando há tempos, afinal terminar uma tarefa já é um bom motivo pra se sentir bem, ao menos aliviado. 
Pois então, que as coisas que causaram um final de ano ruim possam morrer juntamente com ele, já que pretendo ver mais um ano passar. Que as sementes do fracasso sequem junto a seus frutos amargos e jamais voltem a brotar, mesmo que suas raízes ainda estejam enterradas profundamente neste solo fértil em que resolveu nascer. Vou continuar odiando o Natal, mas pretendo que seja mais por costume do que por motivação. Quero que meus dias sejam felizes e produtivos, mesmo que sejam dias comuns.
          Concordo que ter esperança e ilusões seja positivo para tentar viver uma vida melhor. Mas, se optamos por viver uma vida real, naturalmente vamos sofrer por esta escolha. A vida em geral é tediosa, pois somos pessoas passivas ao tédio. Deixamos nossas emoções esfriarem. Muitas vezes é bom, nos ajuda a superar as decepções a que estamos expostos. Incapazes de nos satisfazer por nós mesmos, marcamos uma data no calendário para ficarmos felizes. Contudo, quem não está feliz vê como isso é patético, e como está por toda a parte, se torna insuportável conviver com tal hipocrisia. 
Temos que viver cada momento e segurar a onda todos os dias, assim é a vida. Trágica, cômica, falsa, verdadeira, tudo se alternando, provocando sorrisos ou lágrimas, mas na maioria do tempo, sem nada de especial.
         
          Agora, cinco anos depois, já casado em com filhos, volto a escrever sobre o Natal. Ainda trabalho na CEEE e a empresa passa por momentos de apreensão. Como em qualquer empresa Estatal, chegou o momento de sentir as consequências por estar nas mãos de um Governo. Mas o pior é ter que conviver no último mês do ano com um acidente de trabalho envolvendo um dos colegas mais queridos. Foram momentos de inquietude e expectativa, pois um choque elétrico ao trabalhar com 230 Kv, normalmente é fatal. Felizmente ele está bem, apesar de algumas queimaduras, já esteve conosco no dia 23 para compartilhar de um churrasco. Disse a ele que sua presença entre nós era o meu presente de Natal, por tudo que poderia ter acontecido. Ainda prefiro os dias comuns como a cinco anos atrás, porém, agora, estar com minha família (esposa e filhos), podendo constatar que todos estão muito bem, mesmo que dependendo exclusivamente de mim para se alimentar, ter moradia e saúde, somos uma família que não carecemos de absolutamente nada. Mesmo não sabendo o que acontecerá no próximo ano, posso dizer que este ano foi dificílimo por diversos motivos e o próximo possivelmente será mais duro, mas não tenho um único motivo sequer para encarar com o pessimismo que via o mundo quando escrevi o texto acima.
          Para encerrar, quero agradecer a todas pessoas que tem acompanho este blog, minha página no facebook, meu canal no Youtube e aqueles que tem um convívio cotiano, tanto em casa como no trabalho. Embora as dificuldades, este ano não representou nenhuma perda representativa, mesmo as coisas ruins que aconteceram, foram superadas sem deixar sequelas. Para aqueles que não podem falar o mesmo, quero garantir-lhes que até as piores coisas passam, tudo depende de como encaramos a vida e o que agregamos a nossa volta. Em 2011 tinha muitas coisas ao meu redor, mas nada significativo ao ponto de me resgatar da depressão e me deixar otimista. Cinco anos depois, com o final de um ano atípico, só tenho a agradecer por tudo que tenho acumulado durante os últimos anos. Com uma família maravilhosa, com a possibilidade de fazer música e mostrá-la ao mundo, podendo alcançar pessoas em lugares muito distante através de meu blog e meus canais, só posso agradecer por ter muito mais do que eu mereci ao longo da minha vida. Feliz Natal à todos!
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