sábado, 22 de julho de 2017

Influências

          Hoje quero escrever sobre influências, as minhas influências em termos musicais, principalmente. Desde a mais tenra idade já sofremos diversas influências em nossas vidas, sendo possível apenas absorve-las. O lar em que crescemos, as idiossincrasias de nossos país e de nossa família, a sequência dos fatos em nossa história e outras diversas fontes de influência acabam por ser grande parte do que nos tornamos ao longo de nossas vidas. Não quero me aprofundar nos aspectos sociais e psicológicos desse assunto, pois não sou especialista em nenhum deles, e nem quero ser. Falo aqui das influências musicais e temporais que moldaram quem eu sou hoje. Embora soe um tanto biográfico, revisitar minhas lembranças e compartilha-las faz coim que eu possa analisar tudo de outro ponto de vista e seguir em frente, da forma mais honesta possível.
          Nasci no final dos anos 1970 e o mundo era bem diferente do que é hoje. As transmissões televisivas em cores não tinham alcançado uma década de existência ainda e o que era mais popular era o rádio. Estávamos no declínio da ditadura militar, onde se encerrava mais um ciclo politico. Quando comecei a frequentar a escola e me interessar por arte, as coisas já haviam mudado bastante, mas a realidade do Brasil era de pobreza e incertezas. Era difícil para a maioria da população comprar carros, apartamentos, eletrodomésticos e outros bens de consumo, pois não tínhamos os modelos de financiamentos que temos hoje e as pessoas eram bem mais realistas e responsáveis com seus orçamentos. As distrações para um jovem adolescente se resumiam a jogar futebol com o pessoal da escola ou os vizinhos, jogar taco, caçar de estilingue, entre outras traquinagens. Entretanto, não tínhamos esses altos índices de violência, corrupção e descaso com terceiros. Brigávamos por território e até entre nós mesmos, vizinhos de bairro, mas nunca o intuito era ceifar a vida de alguém. Éramos todos moleques de bem. Éramos irresponsáveis e baderneiros, mas debito isso a imaturidade típica da juventude, não a desvios de caráter ou maldade. Queríamos aparecer, na verdade. Jovens pobres querendo notoriedade e afirmação.
          A música entrou na minha vida definitivamente, quando as diferenças sociais, raciais e estéticas apareceram, com a entrada no mercado de trabalho, a expansão do meu mundo além dos limites de nosso município e a vida noturna regada a bebida e drogas. Encontrei no Heavy Metal, que já escutava e amava a alguns anos, um norte a ser seguido. Afastei-me de meus amigos de infância para conhecer e andar com pessoas que gostavam das mesmas coisas que eu, era difícil ouvir música e interagir com pessoas tão alheias as coisas que me agradavam, queria ouvir novas bandas e conhecer mais histórias. O ano de 1994 foi o divisor de águas para isso, quando fui ao show do Sepultura com Ramones no Gigantinho em Porto Alegre. Haviam tantas pessoas reunidas que gostavam das mesmas coisas que eu, que mal podia acreditar. Não tínhamos internet, por isso conhecíamos pessoas de outros estados e até países através de anúncios em revistas e nos comunicávamos através de cartas. Imagine, num mundo onde as mensagens são instantâneas por conta de Whatsapp e Messengers da vida, uma pessoa demorar até um mês para receber uma resposta sobre alguma coisa. Sim, o tempo passava bem mais lento do que hoje em dia. Cada evento era marcante, pois estes eram raros e havia um esforço generalizado para que tudo desse certo e pudéssemos nos divertir. Fazíamos amizades e no máximo que conseguíamos era um número de telefone ou um endereço. Não era raro um amigo aparecer no portão de casa nos horários mais variados. Andávamos de casa em casa para formar nosso bando ou nos encontrávamos no local de algum evento.
          A música nessa época era muito diversificada. Tínhamos a decadência do grunge e do Rock em geral. Contudo, tínhamos diversos estilos se consolidando nos esgotos do Underground. Bandas que passaram despercebidas para mim como Faith No More, Alice in Chains, entre outras, hoje são grandes referências. Na época tocava Black Metal e Death Metal, estava inserido ativamente nesse contexto, tanto é que até início dos anos 2000 ainda tocava Black Metal. Aquele cenário rústico e obscuro contrastava com as super produções de Guns n' Roses e Metallica. Parecia que o Metal tinha perdido todas as suas superficialidades e se resumia ao que se ouvia nas garagens, mas trazendo toda a temática obscura levada ao extremo. O mundo estava pintado de preto e branco, era sombrio e gelado. Assim foi meu período na Desaster, na Evocation, Spellbound e In Pace. Depois disso ampliei meus horizontes musicais por conta do esfacelamento do cenário supra citado. Entretanto, o Black Metal representou para nossa época o que o Punk foi no final dos anos 1970, uma quebra no que era pomposo e complexo, possibilitando que moleques que mal sabiam tocar um instrumento montassem bandas e falassem daquilo que era a verdade deles. Por mais contraditório que possa parecer, havia beleza nas obras de Burzum, Mayhem, Emperor, Samael, Rotting Christ, Dark Throne e Immortal. As capas dos álbuns e os logotipos das bandas demonstravam uma conceito artístico completamente alternativo e característico. Essa estética representava bem o que a música de fato era. Por mais rustico que pudesse ser, nada era mais coerente que aquele cenário.
          Voltei a ouvir Metallica, Pantera, Testament, Iron Maiden, entre outros, poucos anos depois. Já estava preso as amarras da vida adulta, onde os ideais se enfraquecem ou caem de vez, para dar lugar ao senso comum de sobrevivência e adaptação a uma vida "normal". Muito daquilo que nos definia até então passa a ser apenas hobbie ou é abandonado de vez. Mas não parei de tocar, montei a Waiftown, que depois passou a ser a Heavinna, e segui compondo minhas músicas. Um pouco dessa discografia pode ser conferida em meu site, lá estão gravações antigas e vídeos que contam resumidamente toda essa história. Mas, o que ficou de mais relevante foram as lembranças. Essas me fizeram buscar estratégias diferentes e me adaptar ao mundo contemporâneo. Não só passei a usar as ferramentas de comunicação atuais, como montei meu próprio home estúdio para fazer minhas músicas. Atualmente me isolo em um pequeno comodo adaptado as minhas necessidades. Ali estão minhas revistas, meus livros, meus instrumentos e é onde dou forma as minhas criações e me comunico com o mundo.
          Hoje sofro a influência de tudo isso que descrevi acima. Quando pego minha guitarra, busco revisitar certas sonoridades do passado. Como as influências são diversas, existem riffs que lembram Pantera, Metallica, passagens que remetem a Megadeth e Iron Maiden, trechos de Hard Rock e uma textura rústica e obscura em certas abordagens que vem do Black Metal. Isso pode gerar um caldeirão de raízes diversas e resultar em um cozido indigesto para todos. Mas uma certeza eu tenho e trabalho em cima dela, independente do resultado, meu CD será lançado em janeiro. Para isso tenho trabalhado diariamente nas composições, nas redes sociais e no meu site. Tenho contado com o apoio de muitas pessoas, da minha família principalmente, isso tem me motivado a trabalhar com mais empenho e foco. As oito músicas estão no estágio final de gestação e já contam com todos os elementos. Preciso acertar as letras, alguns solos e gravar tudo. É uma compilação dos anos 2000, sendo que quem tocou na Waiftown e na Heavinna já as conhece. Todas essas músicas já foram tocas ao vivo e gravadas em demos com diversas formações. Infelizmente não possuo todo esse material a disposição ou com qualidade mínima para ser compartilhado e ilustrar melhor o que este álbum será. Entretanto, sinto que todas as pessoas que se envolveram no processo em algum momento se sentirão representadas. Foram inúmeras formações em ensaios e shows, a história de todos se mistura a minha de alguma forma, é inegável a influência de todos.
          Pra finalizar, quero deixar registrado aqui que, na minha humilde opinião, é impossível fugir totalmente das influências sem se tornar uma pessoa medíocre. É o mesmo que tentar se reinventar na fase adulta e renegar tudo que viveu até os vinte e poucos anos. Um amadurecimento é primordial e natural, mas não temos como apagar nossa história pregressa e escrever uma nova sem nos tornarmos seres artificiais. Me prendi ao lado musical, mas isso se estende para a vida em geral. O mundo está em constante mudança e temos que nos adaptar a ele, vivendo um dia de cada vez e tentando extrair o máximo de cada um deles, aprendendo com os erros e evoluindo constantemente até onde é possível, mas sempre lembrando quem somos e de onde viemos. Por sorte, hoje encontro muitos dos meus ex colegas de escola e vizinhos que conheci na infância e podemos conversar descontraidamente, embora, pela correria do dia a dia isso seja raro de acontecer.

sábado, 15 de julho de 2017

Lula condenado, afronta de senadoras e articulações de Temer

          Na semana em que tivemos o "Dia Mundial do Rock", noticias importantes, e ao mesmo repugnantes, pulularam nos veículos de comunicação. A corja que nos governa permanece se articulando para demonstrar o quão nefastos podem ser. Como se não bastasse a absolvição da chapa Dilma/Temer a algumas semanas, demonstrando o quanto somos frágeis em nossa democracia, tivemos o presidente do partido que denunciou a fraude eleitoral, Aécio Neves do PSDB, sendo blindado e conduzido ao seu posto de senador da república, após ter sido flagrado pedindo propina para um empresário e com uma linguagem própria de bandidinhos de quinta. Sua irmã sendo presa e depois liberada, familiares denunciados e esquecidos logo após. Tudo em nome de um possível acordo em curso para salvar um sistema falido, onde o atual presidente é um criminoso a moda antiga, eleito por quem tanto o ataca agora diga-se de passagem, que está cercado de figuras não menos criminosas. Uns já caíram, mas sequer aquecem um lugar na prisão e já dão um jeito de saírem para prisão domiciliar, como foi o caso de Geddel Vieira Lima, viajando para seus depoimentos em voos de classe executiva pagos com o dinheiro público. Poucos são aqueles que ficam presos para dar algum exemplo à nação que possa existir alguma seriedade jurídica nas estâncias mais altas. Assim sendo, a população não vê motivos para cumprir a lei, já que assiste estes desmando todos os dias nos noticiários. Temos um ex-presidente condenado a nove anos e meio de prisão por corrupção, solto por ai, para com seus pares, articular mais mentiras para seguir enganando os incautos que os seguem. Para encerrar esse parágrafo, tivemos a cena patética das senadoras almoçando as escuras na mesa da presidência do senado em protesto contra as reformas.
          Começando pelo fim, tivemos a cena bizarra de senadoras bem conhecidas, Fátima Bezerra (PT-RN), Gleisi Hoffmann(PT-PR), Vanessa Grazziotin(PCdo B-AM), Lídice da Mata(PSB-BA) e Regina Sousa(PT-PI), almoçando na mesa do senado em protesto contra as reformas trabalhistas. Orquestradas pelo abjeto Lindbergh Farias, transformaram a mesa da presidência do senado em um balcão de restaurante de beira de estrada, mostrando para o mundo o quão patético é nosso corpo político. Mais cedo em vídeo, a atual presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann convocava seus "companheiros" a ir para a luta corporal para interromper a seção. Ainda deixou claro que era mais interessante que as mulheres fizessem frente, pois os homens da oposição ficariam constrangidos de agredi-las. Até que ponto pode chegar a desfaçatez dessa corja? Seus partidos são o esgoto da moralidade, transformando o Brasil em uma referência mundial em corrupção. Pois tais senadores envolvidos nessa palhaçada, utilizaram seus espaços para mentir, como sempre, contra a reforma alegando que os trabalhadores seriam obrigados a trabalhar doze horas por dia, ter apenas meia hora de almoço, perderiam férias, décimo terceiro e fundo de garantia, entre outras coisas. Claro que esse governo não tem representatividade moral pra efetuar reformas de tamanha importância como a trabalhista e a da previdência, mas opor-se à elas mentindo e lançando mão de estratégias como as verificadas essa semana, apenas mostram o tipo de gente que governou o país durante treze anos. É notória a repercussão que essa gente alcança, pois a maioria do povo brasileiro não lê para se informar, quando lê não consegue interpretar um texto, por isso constrói seus conceitos a partir da batuta dessa corja.
          Parte das pessoas citadas acima estavam no discurso de Lula, onde ele fala de sua condenação pela primeira vez. Nesse cenário dá pra ver claramente aqueles que ainda defendem a narrativa criada para absolver, perante a população em geral, um dos principais líderes dessa máfia responsável por articular os planos por trás de toda a corrupção que assola este país. Luiz Inácio lula da Silva foi amado pela maioria dos brasileiros por representar grande parte da população. Retirante da seca nordestina, pobre, semianalfabeto, com discurso pró moralidade e honestidade, em favor dos menos favorecidos, construiu sua imagem fraudulenta com precisão impressionante. Lula usou sua popularidade para agir seguindo a cartilha tradicional do socialismo mundial. Atacar publicamente aquilo que pratica, ou seja, criticar empresários exploradores e esquemas oligárquicos, mas se servir deles para financiar seus planos, roubar para o partido e usar a ideologia de jornalistas, artistas e figuras influentes para propagarem sua mensagem e ter respaldo junto ao povo, dando a estes privilégios financeiros e mais visibilidade. Lula e sua defesa alegam que não há provas para condená-lo, entretanto, para meia duzia de pessoas que se interessaram em ler as mais de duzentas páginas da sentença de Sérgio Moro, ficaram bem claras as menções às rasuras em documentos, a quantidade de notas fiscais de serviços, as contradições nos discursos e a estratégia de sempre desviar o foco dos autos do processo. Na imprensa vermelha como Brasil 247 e GGN, noticias de o MPF contestaria a condenação por ser um golpe político, quando na verdade, o MPF queria uma pena maior para Lula, sendo que nove anos e meio seria muito branda. Lula foi condenado em apenas uma das ações contra ele. Não vamos esquecer dos áudios vazados, que se não servem como prova, ilustram bem as estratégias de obstrução a justiça e tentativas de blindagem em torno dele.
          Como auditório para as mentiras de Lula em seu pronunciamento cheio de coitadismos e teorias da conspiração, estavam duas figuras emblemáticas, a presidente da UNE, Marianna Dias, que, pasmem, está cursando o décimo sexto semestre em pedagogia pela UNEB, o que mostra o tipo de fraude que são essas lideranças que apoiam o PT e seus aliados. Imagine uma pessoa se manter matriculada em um curso superior apenas para ocupar uma posição politica em uma entidade representativa. Além da eterna estudante temos o presidente da CUT, Vagner Freitas, que em seu primeiro emprego já entrou em greve, abandonando mais tarde os estudos para focar nas funções sindicais, em síntese, trabalhou um mês na vida e é presidente da maior entidade sindical do país. Trabalhadores honestos são representados por pessoas que jamais souberam o que é trabalhar de verdade, como o ex-presidente Lula, serpenteando entre trabalhadores humildes e empresários, preparando o terreno para o que viria a seguir. Basta ver vídeos dos discursos dessas duas figuras, presidentes da UNE e da CUT, para comprovar o quanto são importantes para o processo de renovar a legião de militantes e continuar propagando o discurso revolucionário, que é o centro da estratégica para se manter popular aos olhos do povo. Bandeiras da UNE e da CUT estão sempre bem visíveis quando há manifestações e greves em prol dos interesses da esquerda brasileira. Mais abaixo falarei daqueles que queimam pneus nas avenidas Brasil a fora e intimidam quem quer sair para trabalhar quando há greves convocadas por essas lideranças. São essas mesmas pessoas que depredam patrimônio público e privado, matam jornalistas, crianças em ocupações de escolas e ainda reclamam da brutalidade da poilícia.
          Mesmo tendo que conviver com todo o teatro petista, o cinismo de líderes de entidades como a UNE e a CUT e tudo de podre que estes representam, o brasileiro tem em seu líder atual um dos maiores corruptos da história da república. Michel Temer foi a face da velha política, revelada com a queda de Dilma e a dissolução do poder petista em 2016. Se Dilma é uma ex-guerrilheira, incapaz de gerir uma lojinha de 1,99, sobrando ares de grandeza e falta de habilidade em contornar crises politicas devido a sua empáfia, Michel Temer é articulado, experiente e sabe usar muito bem o cargo que exerce. Aos poucos está minando a operação lava jato, tirando investimentos da polícia federal e desmantelando as forças-tarefa. Seus principais aliados estão envolvidos até o pescoço em corrupção, mesmo assim o pmdbista consegue vencer na CCJ e evitar a instauração de inquérito contra ele. O PMDB sempre foi a base politica governista após a redemocratização, independente do partido que estivesse no poder. Geddel Vieira Lima, Romero Jucá, entre outros, fizeram parte dos governos FHC, Lula, Dilma e agora estão com Temer. Nas prefeituras e governos estaduais, assim como nas câmaras e no senado, o PMDB é sempre representativo e é o ponto de desiquilíbrio do jogo democrático. O partido governa o país e eventualmente tem o PSDB ou o PT para ser usado como fachada, mas por trás sempre haverá um núcleo muito representativo do "movimento democrático brasileiro". A grande obra que possibilitou que tudo isso fosse possível, é a Constituição de 1988, saudada por muitos e desrespeitada por quase todos. Um conjunto de leis, que se bem interpretada, pode transformar um cidadão comum em um grande ditador totalitário sem ferir os preceitos "democráticos" que o texto representa. A história posterior a ditadura militar comprova isso. 
          Para dar um destino comum à essa postagem, quero alertar aqueles que ainda pensam que existe uma guerra limpa entre "coxinhas" e "petralhas" pelo controle político do país, isso só ocorre nas ruas e nas discussões de mesa de bar. O que existe é a clara divisão entre o povo trabalhador, empreendedor, responsável pela sua família, cumpridor das leis e de suas obrigações de um lado e o poder político de outro, controlando, esmagando, destruindo todas as bases que este país já teve. Entre os dois há diversas camadas que se intercalam em subidas e decidas, mas que são os executores das ações mais radicais e questionáveis. Por exemplo, as forças sindicais, movimentos sociais como MTST, MST e afins, tem em sua base uma classe trabalhadora e iludida, cercada por criminosos dispostos a tudo e as representações políticas como Marianna Dias, Vagner Freitas, Guilherme Boulos, Stédile e assemelhados. Estes últimos são os ditos "representantes das classes oprimidas", mas não passam de exploradores cínicos e mal intencionados, buscando um lugar ao sol na política para renovar a velha criminalidade. Temos o tráfico de drogas e o crime organizado flertando com o governo, seja através de movimentos populares supracitados ou por vias institucionais como as penitenciarias e secretarias municipais. Para beneficiar esses grupos e garantir certa liberdade de ação, temos as secretárias de direitos humanos, a desmoralização da polícia, o sucateamento das estruturas de segurança pública e a impunidade verticalizada gerida pelo poder judiciário. Temos também o empresariado que se sujeita a financiar campanhas politicas em troca de vitórias em licitações e emendas parlamentares para favorecer determinados grupos específicos. Odebrecht, Camargo Correia, Andrade Guitierres, OAS, entre outras, foram beneficiadas com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, já a JBS, entre outras tiveram suas ascensões no mercado mundial graças aos financiamentos do BNDES e o lobby de políticos representativos. Isso sem falar na cultura, na arte, no jornalismo, entre outras ferramentas usadas para confundir a população e maquiar as estratégias dos verdadeiros poderosos. Nesse contexto tão cruelmente real, como não se sujeitar a essa realidade?
          Então, de forma repetitiva e de acordo com as sequências dos acontecimentos, novamente uso esse espaço para falar de coisas que me envergonham e que destroem a imagem do Brasil, não só para o mundo, mas para cada brasileiro. Cada vez mais há a banalização da violência e da criminalidade em todas as suas instancias. Bandidos tratados como heróis ou vitimizados, enquanto policiais e pessoas honestas são acusadas de diversas falsidades ideológicas e opressoras por discordarem publicamente de quem são os verdadeiros autores de todo este cenário. O trabalho de muitos autores de obras literárias, pensadores formadores de opinião, artistas influentes, jornalistas e outras pessoas engajadas e defender determinados grupos, se mostram incapazes de admitir suas contribuições para o caos, se apegando a discursos fantasiosos e uma desfaçatez de causar vergonha alheia a quem tem o minimo de caráter. Todas essas pessoas são muitas, é verdade, mas tem nome, passado, provas que as condenam e merecem, não só responder severamente por seus crimes, como devolver cada centavo do que foi fruto de corrupção. Se a lava jato mostrou que é possível se investigar e condenar poderosos, por que não criar uma entidade isenta e totalmente transparente, que investigue, julgue e puna bandidos de todos os tipos? Que haja um nivelamento para criminosos e eles percam todos os títulos e direitos civis como fazem com a população em geral, que é considerada uma massa sem rosto que serve para gerar estatísticas e votos. Que condenados não tenham redução de pena e nem progressões, que suas famílias e cúmplices paguem o prejuízo de seus crimes, evitando que filhos, netos, irmão de corruptos, condenados já na velhice, possam usufruir dos benefícios oriundos de atividades ilícitas de seus entes criminosos. Que se crie assim uma cultura de quem se deixa levar pela criminalidade prejudique principalmente seus familiares e não apenas a sociedade em geral. Sei que é utopia pensar em algo desse tipo, mas alguma coisa precisa ser feita e rápido, pois a criminalidade em todos os níveis só aumenta.
   
          
  
           

sábado, 8 de julho de 2017

Minha Workstation


          Olá, pessoal! Hoje eu quero falar da minha estação de trabalho (Workstation), onde faço diversas coisas como escutar meus LPs, CDs, rádio e, acredite se quiser, minhas fitas cassete. Também toco guitarra e baixo na pré-produção de minhas músicas, escrevo para o blog, interajo com as redes sociais e tudo mais. É um estúdio caseiro (Home estúdio), um cômodo da casa onde concentro meus instrumentos, revistas, livros, amplificadores e etc. Como não tenho uma garagem cheia de ferramentas e coisas do tipo, meu negócio é música, tenho este pequeno espaço onde me tranco e me deixo levar por tudo isso que me cerca. É um espaço lúdico que me permite abrir uma brecha na rotina e ingressar em um universo paralelo. Vou falar dos instrumentos que estou usando atualmente para compor e gravar as demos do meu CD, detalhar situações e especificações e falar algumas curiosidades. São todos itens acessíveis, que havendo uma pesquisa básica, é possível adquirir sem sangrar muito o orçamento doméstico, entretanto, possibilitam horas e horas de diversão para aqueles, que como eu, são apaixonados por música e não se contentam em apenas escutar.
          Desde 2012 que tenho me dedicado ao estudo de acústica, produção musical, gravação, mixagem e masterização. A produção nesses cinco anos foi bem reduzida, mas conforme descubro novas técnicas, vou aperfeiçoando meu jeito de trabalhar e desenvolvendo metodologias próprias de acordo com os recursos que tenho a disposição. Isso tem sido gratificante por si só, já que é muito difícil viver de música no Brasil, necessitando certa dose de coragem, total dedicação a isso, sem contar que, muitas vezes, é necessário se sujeitar a certos trabalhos que não são exatamente o que se quer fazer para garantir renda. No meu caso sempre toquei mais por diversão do que por profissão, sempre preferi compor do que aprender cover e por aí vai. Portanto, fica complicado montar uma banda autoral e se manter no mercado. Discorri dobre minhas opiniões sobre o mercado musical brasileiro aqui. Claro que me diverti muito com as bandas que toquei, porém, nunca conseguimos um cachê descente. Se as circunstancias desfavoráveis e as empreitadas mal sucedidas não possibilitaram uma carreira consolidada, permitiram que eu desenvolvesse um gosto todo especial por todo o contexto musical, desde o surgimento de uma ideia de música, até a renderização de uma música ou um álbum completo. Todo o processo criativo, técnico e produtivo me são atraentes de forma quase que homogenia. Até escrevi sobre as armadilhas do consumismo aqui.
          Já tive vários equipamentos, pois como guitarrista, tenho sérios problemas com a síndrome compulsória por adquirir equipamentos, o que os americanos chamam de GAS (Gear Acquisition Syndrome), portanto, facilmente sou seduzido por guitarras, pedais, interfaces de áudio e amplificadores. Contudo, nos últimos tempos tenho melhorado nessa parte, não porque tenha me tratado ou tenha sido tomado por um sentimento qualquer de desapego, apenas tentei simplificar as coisas ao máximo para me tornar mais produtivo, focando nas coisas intangíveis como o som, e não nas ferramentas utilizadas.. Então me desfiz de muitas coisas como interfaces, mesas de som, instrumentos, processadores, periféricos e pedaleiras. É muito difícil aquirir equipamentos que realmente satisfaçam o real fetiche que essa síndrome proporciona. Normalmente os objetos de desejo são itens muito caros e sequer compensam, expliquei com mais detalhes esse assunto aqui. Assim sendo, o que deve ser o objetivo da aquisição das ferramentas é a música que será produzida, a forma e as ferramentas são secundárias e até desprezíveis. Atualmente tenho os seguintes itens montados na minha Workstation:
          _Interface Steinberg UR 28M: É uma interface de áudio com duas entradas e seis saídas de áudio. Ela conta com conexões combo, que permitem conectar tanto cabos P10 como XLR no mesmo jack. Ainda há opção de ativar Hi-Z para instrumentos como guitarras e baixos passivos com saídas de alta impedância, assim como utilizar como entrada de linha normal. Ela conta com pré-amplificadores transparentes e de boa qualidade, resolução de 24 bits por 96 KHz e ainda possui efeitos DSP. Eu tive uma UR 44 da Steinberg, falo dela aqui, mas por algum motivo bobo, acabei vendendo e adquirindo uma interface da Avid por conta de uma versão de Pro Tools, os detalhes dessa história estão aqui. Essa interface se mostrou muito abaixo do aceitável e decidi voltar para a Steinberg e para o Cubase. Como há certo padrão no mercado, que direciona para o uso de Pro Tools, achei que poderia me adaptar a ele com um kit básico da Avid. Ledo engano, não só não me adaptei ao software, como a interface apresentou problemas rapidamente. Já tinha tentado isso e fracassado anteriormente com um kit muito mais complexo e interessante, mas como estava apenas no inicio de meus estudos, resolvi tentar novamente. Conto essa experiência em detalhes aqui. Isso serviu para eu crescer de certa forma, pois o que pode ser padrão para a maioria das pessoas, para mim as vezes não é a melhor opção;   
          _Yamaha HS8: Estes são meus monitores de referência desde 2014. Seduzido pelas clássicas caixas NS 10 que se vê em todos os estúdios em vídeos de gravações das maiores bandas do mundo, tinha que ter essas caixas pretas com o alto-falante branco. Entretanto, após pesquisar bastante, cheguei a conclusão que as NS 10 seriam inviáveis por não serem mais fabricadas a anos, a maioria a venda já terem sido reformadas e ainda existe a necessidade de adquirir um amplificador de qualidade, pois elas são passivas. Portanto, valia mais a pena comprar modelos ativos e mais atuais. Como tenho certa parceria com um revendedor Steinberg/Yamaha no Brasil, acabei adquirindo os últimos lançamentos em interface e monitores da época. O som é bem interessante, sendo mais plano que as NS 10 e respondendo bem a todas os trabalhos que tenho feito. Minha primeira experiência com monitores de áudio foi com uma imitação das clássicas Genelecs fabricada pela Behringer e com um décimo do preço. Essas caixas modelo Truth B2030A possuem um som lindo, mas duraram menos de seis meses. Começaram a apresentar ruídos até que estragaram de vez;
          _Guitarra Ibanez Gio: Essa guitarra eu adquiri em 2008, quando voltei a tocar após roubarem minha casa. É uma guitarra barata, mas com algumas mudanças ela respondeu bem. Eu troquei a ponte, colocando uma Floyd Rose, mas destes modelos mais baratos, o que não ficou muito bom. Substituí os captadores originais por uns mais interessantes, porém nada demais. Escalopei a partir do 12° traste para aumentar a pegada nos solos, entre outros ajustes. É uma guitarra para um estilo mais na linha Steve Vai, embora eu não seja tão ambicioso assim, sinto falta de um Floyd nos solos as vezes e uma pegada mais moderna no braço;
          _Guitarra Epiphone Les Paul Standard: É uma guitarra Les Paul muito mais acessível que as Gibson. Comprei de segunda mão de um amigo que precisava de dinheiro devido a um contratempo. Ela tem uma pegada macia, boa afinação devido a sua ponte fixa, um designe interessante e um timbre convincente. Não modifiquei nada nela, somente fiz ajustes básicos para garantir o melhor desempenho e adaptá-la a minha forma de tocar. Gosto dela para timbres mais gordos em riffs e bases. Entretanto, a uso para solos mais melódicos e que não necessitem alavanca ou outras pirotecnias. Gosto de gravar as guitarras em estéreo e simular que são guitarristas diferentes tocando, antão escolho a guitarra conforme o conceito do tema ou do trecho que será gravado;
          _Baixo Cort B4: Adquiri este baixo ao trocar um MacPro G5 que tinha. Eu já usava um baixo Tagima Millenium, mas não gostava do som de seu pré amplificador e não havia como usar de outra forma, pois os mesmos não tinham a opção para uso passivo. O baixo Évorah, que utilizei por anos, desenhado por mim e construído pelo luthier Evandro Rosa, havia sido danificado num acidente quando eu tocava com a Xaparraw, após consertado não voltou a ser o que era. Então optei por ficar com o Cort. Ele é fretless, o que é uma preferência minha particular, tem opção de escolha entre captação passiva e ativa, é muito macio de tocar e tem um som interessante. Isso faz dele uma ferramenta compatível com as demais no trabalho de composição e gravação de minhas músicas. Por mais absurdo que possa parecer, gosto do som anasalado dos baixos fretless e acrescento um drive para dar mais ganho ainda. O som não fica bonito, porém acho que funciona bem;          
          _Marshall Valvestate VS100: Este amplificador eu comprei usado e com a necessidades de alguns reparos. Para minha surpresa o conserto foi muito barato e o amplificador apresentou ótima sonoridade. Ele possui um canal limpo, um de Overdrive e um Distortion. Vem com um Reverb bem sutil e bonito. O som de entrada é aquecido por uma válvula e depois é amplificado por transistores, o que o deixa com uma sonoridade quente, mas sem perder as características mais modernas e de amplificadores de menor custo. Contudo a sonoridade é muito interessante, pois remete aos timbres clássicos de Overdrive de Hard Rock e Heavy Metal mais antigos. Sua distorção lembra um pouco o som de bandas dos anos 1990, época em que foi construído, como Alice in Chains, Metallica e Faith No More. Gosto de testar regulagens sugeridas por antigas revistas de guitarras e tocar clássicos, ele responde muito bem. Sua potência de 100 Watts faz com que seu poder de fogo seja de respeito. Talvez este amplificador e as caixas Yamaha sejam os itens mais extravagantes se comparados com os demais;
          _Demais acessórios: Eu já usei Mac, mas atualmente utilizo PC para trabalhar com música. O motivo principal é a facilidade em fazer manutenção e instalar softwares e atualizações. Os computadores da Apple á não apresentam a mesma superioridade que anteriormente e ainda os softwares tem suporte para duas ou três versões do OS, depois apresentam falhas, sem contar o preço. É uma situação em que o investimento é muito maior do que os benefícios apresentados. Meu PC é Intel I5 com 2,3 GHz, 8 GB de RAM, dois HDs com velocidade de 7200 RPM. Minha DAW é o Cubase Artist 8,5. Já utilizei o Pro Tools M-Powered 7 num MacPro G5, mas nem de longe os recursos chegaram perto, afinal, era uma configuração bem antiga, como falei anteriormente. Tentei o Pro Tools Express com uma interface Fast Track Duo, mas não funcionou bem. Depois que ouvi da boca de muitos profissionais consagrados que a DAW não importa, o que vale é a prática em lidar com elas, fiquei com o Cubase mesmo, afinal, já tinha as caixas Yamaha, interfaces da Steinberg e tudo mais. O resultado é o mesmo que teria com outros softwares, mas o Cubase é mais familiar para mim, então é mais prático utilizá-lo. Como não pretendo fazer nenhum trabalho fora do meu Home Estúdio, não há a necessidade de utilizar Pro Tools. Falei sobre DAWs, Plugins e etc anteriormente aqui;
          Basicamente são essas as ferramentas que uso para fazer música no meu home estúdio. São muitas etapas no processo de produção musical e aprender o funcionamento de cada ferramenta, cada técnica, é uma tarefa demorada, requer muita atenção e dedicação. Por sorte, quando passei a me interessar por produção musical, já sabia tocar os instrumentos, timbrar amplificadores e a compor, tanto é que boa parte das musicas que estou trabalhando agora, eu já havia tocado com bandas. As facilidades derivadas da inserção dos computadores e o desenvolvimento de softwares e hardwares, possibilitaram a popularização das ferramentas para trabalhar com musica. Hoje, com esse cenário posto, com um orçamento humilde, muito estudo e um pouco de criatividade, é possível gravar um álbum com boa qualidade em casa mesmo. Ter uma carreira depende de vários aspectos, muitos deles podem ser feitos por uma só pessoa, as vezes todos. É preciso muito estudo, dedicação e um pouco de sorte, mas não é impossível, de forma solitária, ter uma carreira relevante na música.

sábado, 1 de julho de 2017

Fazendo música no computador


          Olá a todos! Nesta postagem quero compartilhar com vocês minhas primeiras experiências usando o computador para trabalhar com música. 
          É cada vez mais comum, com a popularidade crescente do uso de computadores e depois dos smart fones, que as pessoas se dediquem a fazer atividades que antes eram feitas pro profissionais. O exemplo mais óbvio é a edição de fotos para as redes sociais. Com o próprio celular é possível tirar fotos, editá-las e compartilhá-las com certa facilidade. Com os vídeos não é diferente, muita gente mantém canais no youtube, e este é o meu, para compartilhar com amigos coisas de interesses comuns. Isso é muito bom, o conceito não o resultado, pois permite maior interação entre as pessoas. Os blogs, as páginas no Facebook, também tenho a minha é essa, ajudam a propagar uma quantidade imensurável de fotos e vídeos amadores, muitos com grande qualidade. Se compararmos com o que havia a dez anos, já sentimos uma diferença brutal em termos de popularidade, qualidade das ferramentas e do resultado final, velocidade de divulgação e agilidade em feedback. Muitas empresas surgiram e mantém seus negócios unicamente pela internet, com o uso de sites, este é o meu, páginas no Facebook e grupos de Whatsapp, tendo lucro e prosperidade em seus empreendimentos. Em suma, é fundamental se integrar com as ferramentas de produção de conteúdo para a internet e as redes sociais para divulgar algo.
          Sendo assim, lá por 2008 eu montei um computador. Já havia estudada informática e já tinha uma noção de hardware para essa empreitada. Por curiosidade, meu primeiro contato com um computador foi no ensino fundamental, lá no inicio de 1990 com o uso do MS-DOS. Naquela época se trabalhava com diretórios, comandos e apenas se produzia texto. Já em 1997, se não me engano, Rick Martin produziu o primeiro álbum utilizando apenas o Pro Tools, ou seja, totalmente dentro do computador. De lá pra cá os computadores foram evoluindo e ficando mais acessíveis. Hoje se faz música utilizando apenas um smart fone, o que é uma opção muito popular. Mas, voltando ao ano de 2008, eu havia comprado uma guitarra, minha Ibanez Gio, um pedal da Zoom do Kiko Loureiro e um amplificador Meteoro para estudos. Tinha ficado um tempo sem tocar porque minha casa foi assaltada e meus instrumentos e equipamentos levados pelos bandidos. Já tinha trabalhado em estúdios com gravações em DAWs, até alguns amigos tinham computadores e tentavam produzir algo neles. O primeiro software que utilizei foi o Guitar Pro, mesmo antes de obter meu PC, já usava esse software pra estudar e escrever música via MIDI. Nesse ponto um conhecimento prévio de leitura e escrita musical foram fundamentais.
          Então me aventurei neste fantástico mundo da gravação digital. Isso foi frustrante no início, tenho que admitir. O primeiro problema era conectar o sinal que saia da guitarra para o computador e fazer soar bem. Minha placa de som tinha três conexões, entrada de linha, entrada de microfone e saída. Tive que mergulhar na internet e conhecer o que era impedância, para então saber como usar as opções da placa de som. Já havia composto e escrito linhas de bateria e baixo no Guitar Pro para usar como base e queria tocar em cima delas. Com adaptadores e muita leitura de tutoriais, consegui fazer alguma coisa, mas nada demais. Só consegui algum resultado usando uma câmera digital para gravar áudio e vídeo de eu tocando a guitarra em cima das trilhas MIDI. Assim gravei os dois vídeos desta postagem. A ideia nunca foi produzir algo profissional, apenas registrar as ideias e mostrar para os amigos. Pura diversão. Claro que recebi críticas por isso, pois a falta de qualidade era apontada como prejudicial caso eu quisesse mesmo seguir nessa atividade. Como de costume, não só mantive esses registros on line como produzi outros até piores. Há de se deixar claro que a opinião de terceiros nessa faze é totalmente irrelevante, pois a auto crítica é uma ferramenta fundamental para qualquer atividade.
          Como falei no parágrafo acima, não consegui fazer com que tudo funcionasse bem num primeiro momento. Mas depois consegui instalar um software da Sony que vinha num pacote de produção de áudio e vídeo, o Sony Vegas. Entretanto, se eu gravava uma linha de baixo e depois ia gravar a guitarra, existia uma diferença de tempo entre a reprodução e o que eu estava tocando, um atraso irritante. Estudando mais um pouco, acabei conhecendo a tal da latência. Um fenômeno que acontece devido a lentidão de processamento provocada pela gravação e reprodução simultâneos. Foi aí que conheci o driver ASIO, desenhado pela Steinberg visando amenizar este problema. Temos que considerar que eu utilizava um PC montado com peças baratas, Windows XP pirata, processador Celeron, 4 GB de Ram e em um HD de 60 GB. Foi divertido, mas extremamente limitador. Entretanto, serviu para que eu me apaixonasse pela atividade e buscasse mais e mais informações a respeito. Li muitas bobagens na internet, mas algumas coisas foram úteis. Estou ciente de que poderia fazer muito mais naquela época e acabei ficando com pouco material para mostrar. Foi um período curto, mas que poderia ser melhor aproveitado caso eu não me mantivesse com uma constante vontade de chegar num bom resultado em pouco tempo. 
          Bem, espero que tenham gostado desta postagem, na sequência seguirei contando como fui adquirindo conhecimento e melhorando minhas ferramentas. A ideia aqui é dar dicas para aqueles que estão começando do zero e querem compartilhar experiências, não é pra profissionais e gente que já está em outro estágio. Como senti dificuldades no início e não há uma direção clara a se tomar quando se está começando, é meio complicado assistir videos e ler tutoriais do pessoal que já está no mercado, pois eles trabalham com equipamentos mais sofisticados e ferramentas melhores. Esse contexto só faz a gente querer adquirir equipamentos e softwares mais avançados, o que aconteceu comigo e não é uma boa iniciativa. O ideal é apenas adquirir conhecimento para ir resolvendo as dificuldades que vão aparecendo, assim se cria uma experiência legal e há o estímulo de se buscar ter o melhor resultado possível com o que se tem. Isso vale para tudo, não só para a música. As vezes o que temos é mais do que suficiente para alcançar o resultado desejado, mas ficamos com a ilusão de que compraremos algo que resolverá todos os nossos problemas, mas a realidade não é assim. Um fotógrafo experiente e dedicado pode fazer uma ótima foto com uma máquina simples e cenários adaptados. Já um iniciante, mesmo que tenha todo o equipamento mais avançado a disposição, possivelmente entregará algo muito abaixo da expectativa, um resultado mediocre.
  

sábado, 24 de junho de 2017

O "Fora Temer", "Mídia Golpista" e Diretas Já"

          Os corajosos defensores da democracia em nosso país mostram que estão em plena atividade para defender nossos interesses. Mais recentemente um destemido militante cercou o jornalista Alexandre Garcia em um aeroporto. Armado com uma câmera de celular, perseguiu o jornalista pelo saguão do aeroporto chamando-o de "golpista" e fazendo provocações como o vídeo mostra aqui ao lado. Como se pode ver nas imagens e diariamente em seus espaços na televisão, este jornalista é um homem muito perigoso, tanto fisicamente como anda sempre acompanhado de seguranças armados. Se confrontado sem a proteção de uma câmera registrando tudo, poderia agir de forma hostil e causar sérios danos a integridade deste corajoso democrata, que estava ali para bradar em nome da população. Assim como acontecera com sua colega de Rede Globo, Miriam Leitão, onde cerca de uma duzia de petistas, retornando da convenção do partido, ofenderam e provocaram-na em protesto contra a emissora que esta trabalha. Caco Barcelos foi outro jornalista a ser agredido e ofendido por estes nobres defensores da paz e da ordem quando o mesmo fazia uma matéria sobre a ocupação de escolas a algum tempo. Falei a respeito no vídeo ao abaixo.
          Essas atitudes são demonstrações de bravura em defesa da democracia. Essas pessoas defendem ideais igualitários com base no bem estar de todos e justiça social. Assim como atacar Michel Temer, "o golpista", que ninguém sabe como chegou ao poder, simplesmente estava lá para ocupar o lugar de uma presidente eleita pelo povo, é um dever moral de qualquer cidadão de bem. É justo que a população exija eleições diretas já, pois o Brasil precisa de um presidente eleito pelo povo, mesmo que a Constituição já disponibilize mecanismos para proceder em momentos de crise política, quando há a necessidade de depor um presidente. Afinal, como manter um líder do executivo, envolvido em tanta corrupção, que usou dinheiro de propina para se eleger. Um sujeito que ninguém votou, pois seu nome e partido ficaram escondidos o tempo todo. Ninguém que votou em Dilma imaginava que seu vice era do PMDB. Coitados dos eleitores do PT, tão inocentes e de boa vontade. Pessoas abertas ao debate e prontas a ouvir as opiniões contrárias. Porém, são agredidas ao expressar suas ideias por um coro uníssono de uma mídia e uma militância de direita.
          Os movimentos populares como MST, MTST, a UNE e a força sindical devem ir para as ruas em protesto para defender os interesses das classes que representam. Estes são compostos por pessoas corajosas e que não temem se expor pela democracia. Abrem mão de suas vidas para dedicar a integridade de seu tempo pela causa, sem ganhar nada em troca. Mesmo assim são injustiçados por quem só quer explorar os trabalhadores da cidade e do campo, quem não tem uma casa pra morar e pobres estudantes que só querem estudar e usar suas capacidades intelectuais em prol do Brasil. Eles enfrentam a polícia, a opinião da "mídia golpista", que vive para espalhar mentiras para enganar o povo e enriquecerem com dinheiro público. Todos devem ir para as ruas com suas bandeiras vermelhas nas mãos, gritar "fora Temer", hostilizar estes perigosos fascistas golpistas, para possibilitar que Lula possa concorrer a eleição, antes que essa conspiração chamada Lava Jato, na figura do golpista Sérgio Moro, prenda um homem de bem, a alma mais honesta deste Brasil, que é comparável a Jesus Cristo pelo sofrimento e injustiças contra ele.
          Claro que fui irônico até aqui. Pois só uma pessoa sem cérebro pode acreditar em todas as bobagens escritas acima. O pior é que muitos, acredito que por interesse, pregam exatamente este tipo de discurso. No vídeo ao lado falo novamente sobre a campanha de Lula para arrecadar dinheiro para sua defesa, ou seja, bancar a mídia paga pra criar uma narrativa a favor de seu discurso. Ali podemos ver atores da Rede Globo "golpista" convocando as pessoas para contribuírem com essa farsa. O mesmo pôde ser visto no show em favor das "Diretas Já", na praia de Copacabana, onde diversos artistas que são ligados diretamente a Rede Globo, e que usavam dinheiro público em muitos trabalhos, defendem o discurso de "Diretas já". Qualquer show com Caetano Veloso e Milton Nascimento, entre outros artistas de renome, de graça em um final de semana, teria levado um milhão de pessoas. Porém, não foi o que se viu. Talvez a população esteja mais indignada com a corrupção do governo Temer que o pessoal do PT, PSOL, e afins, mas sair ao lado deste pessoal pra protestar é vergonhoso para o cidadão de bem. Há uma forte campanha para inocentar Lula, Dilma, Aécio, Temer e muitos outros. Os ataques a operação Lava Jato são constantes, tanto na mídia como dentro dos três poderes. Há cortes de verba, transferência de peças importantes, vetos do STF, tanto que o ministro Fachin era uma militante do PT que havia agido intensamente em campanhas petistas. O próprio Gilmar Mendes, agora que tem que decidir em favor de políticos e empresários envolvidos nestes casos de corrupção, sempre vota em favor dos bandidos.
          Escrevi aqui sobre a queda de Dilma em 2016 e deixei claro que nada mudaria, pois foi o pessoal ligado a Temer e Renan Calheiros, que deu sustentação para o governo Dilma. Todos estão exatamente envolvidos nas mesmas tramoias. A primeira pessoa que Lula procurou quando assumiu a presidência em 2003 foi José Sarney, exatamente para ter apoio político. O Mensalão ajudou a comprar o apoio de partidos menores e a parceria com José Alencar possibilitou uma aproximação com grandes empresas. A Petrobras foi usada como laranja para lavar dinheiro de propina, e o BNDES foi o fiador para o grande fluxo de dinheiro sujo. A própria eleição do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 já deflagrou o maior esquema de corrupção da FIFA. Empresas como JBS, Camargo Correa, Odebrecht, OAS, entre outras, tiveram seu patrimônio expandido exponencialmente. Quem discursa em favor do PT, pois o partido era tido como um simbolo da moralidade, deve ter algum problema mental muito sério, ou é um cínico filho da puta. Como um partido  composto por guerrilheiros comunistas, religiosos farsantes, vagabundos que nunca trabalharam, estudantes que não passam de analfabetos funcionais, pode ser considerado honesto. Como um pessoal que vende emendas parlamentares para beneficiar empresas multimilionárias, pode ser ventilado como salvação do Brasil? Como podem acusar jornalistas e emissoras da televisão que enaltece um bando de revolucionários mercenários em séries e documentários, pode ser golpista? A Rede Globo, os artistas populares como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Chico César, Criolo, entre tantos outros, presenças garantidas nos programas da Globo e festivais patrocinados pelas empresas que os financiam, foram os responsáveis por criar a narrativa mentirosa que vivemos a mais de quarenta anos.
          Sobre a mídia, Lula, além de pautar sites e jornais como Carta Capital, GGN, Brasil 247, fora blogs menores financiados com dinheiro público, ainda tentou passar algumas leis que visavam controlar a imprensa e a internet, como o "marco civil da internet", proposto pelo governo petista. Além, é claro de todos saberem que os canais de televisão são concessões do governo e podem ser cassadas a qualquer momento. Então, quando vimos atores da Rede Globo chamando a empresa de "golpista" é de se desconfiar da lisura destes protestos, Assim como saber que o jornalista Franklin Martins esteve por trás do marketing de campanhas de Dilma e de outros petistas e esquerdistas. A própria Miriam Leitão sempre foi identificada com a esquerda, assim como 90% dos jornalistas. Então fica claro que, ou o pessoal que ataca individualmente jornalistas por eles pertencerem a determinado veículo, ou são mal informados, o que duvido, ou simplesmente querem aparecer, o que é fato. Provocar tumultos em aeroportos é tradição para esse pessoal, basta catar na internet uma infinidade de registros. Na época do Mensalão, uma empresa chamada MPI Digital, especialista e propaganda politica na internet, foi contratada para perseguir jornalistas e fomentar campanhas difamatórias para que não noticiassem sobre o Mensalão, recebendo dinheiro diretamente do gabinete do deputado João Paulo Cunha. No vídeo abaixo comento a respeito tendo como ilustração um vídeo da Jovem Pan.
          Ainda sobre o jornalismo, relembro o relato de Boris Casoy em entrevista, onde diz que, na época da censura imposta pela ditadura militar, havia uma pessoa que revisava as matérias e que eventualmente vetava uma noticia ou parte da mesma. Durante o governo petista, José Dirceu, Palocci e até o próprio Lula ligavam para as redações de jornais pedindo o afastamento de repórteres ou ameaçando diretamente os veículos devido a alguma notícia contrária publicada. Hugo Chaves, ídolo deste pessoal, fez isso na Venezuela e seu sucessor, Maduro, continua esse legado, claro, sem falar na Cuba de Fidel. Portanto, este pessoal já tem a mídia e os jornalistas engajados ideologicamente e ainda pressionam os veículos de comunicação para que atuem em favor deles. Que Lula é um vagabundo, semi analfabeto e mau caráter, não há dúvidas mais sobre isso, o difícil é entender como essas pessoas ainda tem coragem de defender tal discurso. Entendo que existe a opção por se aliar a essas quadrilhas tendo como motivação a sobrevivência. Conheço muitas pessoas que particularmente sabem que estão defendendo criminosos, mas temem por perderem seus empregos por não se acharem capazes de disputar uma vaga num mercado formal. Também não arriscam sair de seus planos de saúde e financiamentos de cursos superiores e ter que depender dos serviços públicos oferecidos por aqueles que eles apoiam. Da mesma forma os artistas, preferem ser meros fantoches, empregados do governo e se manterem na mídia, mesmo com trabalhos abaixo da crítica. Escrevi sobre isso aqui.
          Para finalizar, não apoio o Temer em hipótese alguma, pois ele foi o grande aliado do PT em todas as falcatruas que fizeram para roubar o Brasil e destruir tudo aquilo que o país poderia ter de bom. Promoveram um complexo plano de dominação que se alternava entre três partidos, PT, PMDB e PSDB, mas que contava com o financiamento de grandes empresas, movidas pelo lobby governista e por financiamentos do BNDES. Essa estratégia fez com que empresas crescessem e esmagassem as menores, tendo o monopólio velado em diversos setores. Porém, em momento algum estes grupos ligados ao PT combatem a corrupção, pois a primeira obrigação destes políticos é roubar para o partido, isso eles fazem muito bem. Tem o apoio da classe artística, controlam a mídia, os movimentos sociais, as escolas e universidades. Eles só pecam por não terem criatividade, pois repetem as narrativas de "golpe" e "diretas já", coisas usadas a muito tempo. A intelectualidade que apoia isso, não passa de um conjunto de escritores histéricos, que se encontram alguém disposto a debater, negam que exista aparelhamento do estado, depois debocham tentando menosprezar o oponente e depois bradam aos gritos adjetivos como "fascista, golpista, etc". Suas teses são tão vazias, que um adolescente minimamente alfabetizado, que tenha lido e interpretado dois ou três livros, refuta as mesmas sem dificuldade. Ou seja, todos estes elementos que elenquei aqui só demonstram a degradação do Brasil, querendo estes grupos aceitar ou não.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Nossos heróis


          Olho com desconfiança para uma pessoa como João Dória, atual prefeito de São Paulo, por considerá-lo marqueteiro e pertencer ao PSDB, um partido com origem e princípios parecidos com o PT e que reveza com o mesmo no poder, sempre contando com o apoio do PMDB . Entretanto, por mais que muitos especialistas e jornalistas critiquem a forma com que ele tem tratado a cracolândia, é de vital importância que se acabe com esse tipo de local degradante. O ex-prefeito Fernando Haddad do PT, lançou um programa de combate ao crack chamado "de braços abertos", que ao invés de acabar com a cracolândia que já existia, deu origem a mais cinco em outros locais da cidade. Mesmo vendido como um programa modelo, o resultado fala por si, aumento do uso e do tráfico. Estou longe de São Paulo para saber detalhes de tudo isso, mas conheço dependentes de crack e imagino como seria ter um ponto onde se consumisse e traficasse livremente. Quem fala contra a iniciativa de Dória, com certeza lucra com a situação, ou é financiado para defender a existência de tais locais. Desde a década de 1970 a politica e o tráfico de drogas tem estreita parceria. Imagine um negócio que movimenta milhões de Reais anualmente se não teria apoio de certos partidos e de sua militância? Pois não apareceu um movimento de apoio a cracolândia para hostilizar Dória e Alckimin? Quando costumamos ver movimentos deste tipo, mesmo? Se você pensou em "Fora Temer" e "Diretas Já" está coberto de razão. É fácil notar a semelhança nas palavras de ordem e na forma como agem.
          Mas o que me motivou a escrever este texto hoje, primeiramente, foi uma reportagem do Fantástico que foi ao ar no dia 11, que acabei assistindo de passagem. Eles relataram a morte de um ex-dependente de crack e heroína, que havia sido retirado das ruas de São Paulo. Carlos Eduardo Maranhão, era de uma família de classe média alta do Rio de Janeiro e havia estudado em uma escola carioca de referência. Os amigos o chamavam de Sarda e há muito tinham perdido contato com ele. Foi um vídeo na internet que possibilitou encontrá-lo e resgatá-lo das ruas. Levaram-no para uma clinica de reabilitação, onde ele estava se recuperando bem, até sofrer uma parada cardiorrespiratória no dia 7. Triste para a família e amigos, mas é apenas mais um caso entre milhares que passam anônimos sem serem divulgados. O que me causou repulsa, foi atores da rede Globo aparecerem declamando versos em homenagem ao falecido, como se o mesmo fosse um herói ou um exemplo. Ora, por mais que o lado humano fale mais alto nessas horas, uma pessoa de boa família, que estudou em uma boa escola e resolveu ficar morando nas ruas para entregar-se ao vício, não é exemplo, nem herói. Quantos Sardas frequentam essas cracolândias e quantos mais ainda irão frequentar se a sociedade não acabar com elas? Demonizar quem combate a criminalidade e santificar quem se entrega ao vício e a vida marginal é uma prática corriqueira de uns anos pra cá.
          Aproveitando essa postagem, vou comentar sobre o "coitadinho" do ladrão adolescente que foi pego ao tentar roubar a bicicleta de um deficiente físico. Dois homens o capturaram, torturaram e tatuaram "sou ladrão e vacilão" em sua testa. Isso causou comoção entre certos meios, os mesmos que apoiam a cracolândia, pois não passa de um adolescente de 17 anos. Saiu nas redes sociais, não sei se é verdade, mas teoricamente haviam levantado 15 mil reais para financiar a remoção da tatuagem. É impressionante como certos seguimentos da sociedade, normalmente os de maior relevância, adoram abraçar causas que envolvem bandidos. Na verdade são sempre os mesmos. Como o caso do tal Ximbinha, lembram, o estuprador? Pois bem, essas pessoas que mandam na sociedade e formam a opinião das massas. Ser ladrão pode, mas ter isso escrito na testa não? A vergonha não é roubar e sim ser taxado de ladrão? Sei como é difícil para uma família lidar com uma pessoa que envereda pelo mundo do crime. Começa assim, consumo de drogas, pequenas tarefas para o tráfico, pequenos furtos, e como há uma comoção em defesa do infrator, isso é um incentivo para que o mesmo se torne um bandido altamente perigoso. Infelizmente, vivemos em um país onde o crime compensa sim. Se você é um trabalhador, que pega ônibus ou trem lotado para ir e voltar para o trabalho, paga seus impostos, no máximo pode ser noticia engordando estatísticas de roubos, furtos e morte, como vítima.
          Usei estes dois exemplos recentes, mas poderia usar muitos outros, para alertar as pessoas de que é impossível grupos que defendem ladrões e traficantes, cuidarem da sociedade. Qualquer atividade que gere muito dinheiro, seja lícita ou não, vai ter o apoio de partidos políticos e gente ligada ao jornalismo ou sindicatos fortes. A matéria do Fantástico foi uma forma amena de atacar o prefeito de São Paulo, deixando subentendido que se tirar os viciados em crack das ruas e acabar com as cracolândias, acabarão torturando e matando estes dependentes, como se estes já não estivessem em estado de mortos-vivos. Quanto ao ladrão adolescente, quem toma uma atitude contra um bandido é que é punido, não o contrário. O exemplo vem de cima, quem é ladrão, assassino ou corrupto, sempre terá o respaldo de determinados grupos, e estes grupos, controlam a mídia, as escolas, universidades, sindicatos, o meio artístico e os jornalistas. Assim fica difícil vislumbrar um futuro com otimismo.   

sábado, 10 de junho de 2017

A evolução do Heavy Metal

          Lendo biografias, acompanhando matérias de revistas, e ultimamente acompanhando as bandas através da internet, pude montar certos conceitos, que se não são definitivos, ao menos me dão uma visão panorâmica do cenário metálico nos mais de 45 anos do estilo e sua construção evolutiva. Como sou apaixonado pela sonoridade que saltava dos velhos discos de vinil das décadas de 1970 e 80, acompanhei a transição para os cds na década de 1990, também fiquei receoso com o início dos anos 2000, com a popularidade dos arquivos MP3 e o compartilhamento irrestrito dos mesmos pela internet, por último encarando a segunda década do século XXI e suas idiossincrasias. Quando digo Heavy Metal neste texto, também quero citar bandas de outros gêneros como Hard Rock, Metal Melódico, Thrash Metal, Death Metal, Black Metal, e todos os sub estilos derivados destes que foram surgindo ao longo dos anos. Por isso, nesta postagem em especial, vou dar minha opinião a respeito do cenário específico que mais amo, falando das bandas que poderão ilustrar o que digo e dos fãs que mantiveram a chama acesa e jamais largaram as bandas, tendo em vista as mudanças constantes ao longo dos anos. Não quero aqui menosprezar ou comparar importâncias, vou citar os nomes  mais conhecidos e os fatos que ocorreram.
          Em 13 de fevereiro de 1970, uma sexta-feira, foi lançado o primeiro álbum de Heavy Metal, Black Sabbath do Black Sabbath. Se voltarmos aos bastidores da época, o Rock n' Roll e o Blues já estavam em alta. Rolling Stones, Jethro Tull, Beatles, entre outras bandas, já chamavam as luzes dos holofotes para a Inglaterra, assim, Led Zeppelin, Deep Purple e o próprio Black Sabbath se tornaram o alicerce para bandas como Judas Priest, Accept, Rainbow e que tais. Por outro lado, o Yes dava um impulso ao Rock Progressivo, no Canadá surgia o Rush, e por ai vai. Não vou aqui citar todas as bandas e sub estilos, cito estas para ilustrar o pensamento que tenho á respeito da época. O Rock/Metal estava ficando cada vez mais complexo e flertava com jazz e principalmente, com a música clássica. Isso não durou toda a década, pois já havia os primórdios como Hendrix, The Doors, Cream, entre tantos outros, que antes dos anos 1970 já consolidavam o cenário. O festival Woodstock apresentou grandes nomes do Rock do final de 1960. O Rock já era um estilo reconhecido e respeitado em boa parte do mundo. Entretanto, as coisas eram feitas mais na raça do que estruturada. Bandas ganhavam dinheiro com seus shows e lançamentos frequentes de seus discos.
          Em 1977 surgiu o Punk Rock, jogando um balde de água fria sobre os grandes nomes do Rock, que ousavam com seus álbuns conceituais e cada vez mais complexos. O novo estilo oferecia músicas mais simples e com letras mais condizentes com a realidade do mundo. Bandas como Black Sabbath e Yes mostraram em suas discografias os efeitos colaterais do surgimento do novo estilo. Porém, nesse cenário surgiu o antidoto contra o ostracismo e o grande salto de qualidade do Heavy Metal, a New Wave of the British Heavy Metal, com bandas como Sansom, Angel Witch, Tygers of Pan Tang, Def Leppard e principalmente, Iron Maiden. O Metal se mostrou mais focado em mostrar atitude, certo virtuosismo técnico e um grande leque de opções de sonoridades. As experiências das bandas precursoras e a cena montada por elas, ajudaram o novo estilo a dar bons frutos. O Metal se tornava uma epidemia que se renovava, cada vez mais selvagem e atraente.
          Fãs de NWOBHM acabaram por criar o Thrash Metal, seu principal nome, Metallica. Ao mesmo tempo surgiram Slayer, Anthrax, Megadeth, Testament, Armored Saint, Kreator, e por aí vai. Músicas rápidas e com riffs elaborados, bumbos dobrados e coletes jeans sobre jaquetas de couro, o Heavy Metal alcansava sua maturidade, cheio de testosterona e radical em alguns sentidos. Os anos 1980 foram bem interessantes, pois os grupos formados na década anterior, mesmo perdendo um pouco de sua superioridade, davam ao mundo álbuns muito bons. É o caso do Black Sabbath com seu Heaven and Hell, com Dio nos vocais, e ao mesmo tempo, Ozzy Osbourne lançava Blizzard of Ozz, um disco ótimo. No final da década de 80, crescia novamente o Rock de arenas com o Whitesnake se consolidando, o surgimento de bandas como Poison, Cinderella e principalmente, Guns N' Roses. Nos EUA, havia a rivalidade entre as bandas de Hair Metal, com laquê no cabelo, batom e maquiagem, contra os jovens magricelos, de cabelos longos, mais agressivos e desleixados. Thrash versus Hard Rock, um antagonismo que se desmanchou quando ambos os estilos se encontraram em baixa. Em determinado momento, bandas como Motley Crue e Metallica apresentavam a mesma sonoridade.
          O Thrash esfriava com o excesso de bandas e a saturação do estilo, mas o Death Metal mostrava sua cara com bandas como Morbid Angel, Deicide, Death, Cannibal Corpse, Carcass e Napalm Death, jogando o Metal para um outro nível de peso e velocidade. Se as bandas de Thrash amenizavam seu som e buscavam o mainstream, o Death Metal conquistava o coração daqueles órfãos de música extrema. Talvez o final dos anos 1980 e início dos anos 90 tenham sido o período mais emblemático do Heavy Metal, praticamente todas as principais bandas já tinham dado o seu melhor, sendo que Guns N' Roses e Metallica eram as maiores bandas do mundo, enchendo estádios e vendendo milhões de álbuns. Mas os anos 1990 mostravam certa crise de criatividade por algumas bandas e sub estilos. O Thrash e o Death Metal flertavam com o Punk, enquanto o Heavy Metal tradicional tentava se aproximar da sonoridade mais pesada e densa. Iron Maiden era um nome soberano e representava a sobrevivência do NWOBHM. Muitas bandas mais tradicionais pararam ou mudaram sua sonoridade tentando sobreviver no cenário.
          O fator Seattle foi definitivo para a terceira década de Heavy Metal. Se o aparecimento do Punk no final dos anos 1970, brecou de certa forma as bandas tradicionais do Rock e lançaram dúvidas sobre o futuro do estilo, Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chais e Soundgarden faziam um revival daquele sentimento. Ao invés de grandes espetáculos em estádios de futebol, virtuosismo técnico e tudo levado ao extremo, o Rock Alternativo esquentava bares intimistas e cheios de frustrações juvenis. Letras obscuras, ambientes desoladores, que remontavam o ambiente onde nascera o Black Sabbath. Para muitos, o cenário grunge poderia ser um hibrido entre os pais do Heavy Metal e o punk do final da década de 1970. Vários músicos daquele estilo confessaram sua aberta influência de Tony Iommi e o Blues, com pitadas de Punk Rock. Se na cabeça de muitas pessoas, o Rock voltava a ser cru, abandonando suas características mais óbvias como solos virtuosos de guitarra e baterias rápidas e pesadas, tudo voltaria rapidamente com a afirmação do Pantera e os embriões do Nu Metal. Mesmo num cenário desolador, ainda dava pra notar que em alguns lugares pequenas cenas borbulhavam. O Death Metal começou a ficar mais polido e evoluiu sua sonoridade ficando mais parecido com o Thrash Metal. Bandas como Death e Carcass chegaram a lembrar em muito o Heavy Tradicional. Entombed e Testament chegaram a apresentar a mesma sonoridade, houve uma fusão de estilos.
          O Metal se reciclou, se fundiu a outros estilos e entre si, Pantera, Sepultura e Faith No More apresentavam uma opção de sobrevivência para o estilo, assim como Living Colour e Red Hot Chilli Peppers, trouxeram muito do Funk e música negra para o Rock. Body Count e Suicidal Tendencies mostravam uma faceta mais ligada a periferia urbana, com skate e Rap se integrando a mistura. As gravadoras já não investiam tanto em bandas de Rock e Metal, o que fez muito gigante do cenário parar por um tempo, ou mesmo buscar novas formas de arte, pois as misturas eram as apostas de mercado. Enquanto bandas como Black Sabbath, Judas Priest, Deep Purple, entre outras, rechearam suas discografias com muitos álbuns, as novas bandas não conseguiam passar de quatro ou cinco lançamentos, isso prejudicava suas ascensões e decepcionava seus fãs. Muitos projetos paralelos e um cenário de confusão marcaram o final da década de 1990 e início dos anos 2000. A MTV que ajudara a trazer muitas bandas para a mídia e mostrar seus trabalhos, contribuiu para que as bandas de Heavy Metal fossem jogadas para um plano intermediário. As também também deixaram de lado estes estilos, dando maior exposição para a musica fácil e popularesca.
          Se o século XXI iniciou com bandas como Slipknot, Korn e Linkin Park ditando as tendências, com afinações baixas e flertando com música eletrônica, isso mostrava que as bandas de Metal Clássico eram coisa do passado. Pessoas cobertas de tatuagens e piercings apareciam nos festivais tradicionais em meio a jaquetas de couro e camisas de flanela. O que parecia ser uma mistura soturna e decadente, foi o surgimento da reciclagem e a idade da razão do Heavy Metal. Ver lado a lado Judas Priest, Motorhead, Ozzy, Rival Sons, Helloween, Ghost, Faith No More, Testament, Metallica, Iron Maiden, entre tantas outras, mostram que o Metal é atemporal e pode ir desde o Rock acústico com características locais até o mais moderno, agressivo e insano, agradando de forma até meio exótica, todo o público que frequenta os shows e acompanha as bandas.
          Os anos 2010 já voltavam a mostrar bandas de Metal lotando casas de shows, dinossauros do Rock voltando a ativa e lançando bons álbuns, a internet foi compreendida e usada a favor das bandas e agrega milhões de jovens para os shows. Mesmo com Black Sabbath, Deep Purple, entre outras, anunciando aposentadoria, muitas bandas surgiram e começam a se consolidar ou serem reconhecidas pelo público. Embora não seja algo muito comum, muitas bandas novas tem alcançado o reconhecimento de fãs mais ortodoxos de cada estilo. Vejo que as coisas se modificaram, se misturaram, houve revivals, idas e voltas de certas bandas, turnês comemorativas, parcerias inusitadas e muito mais. O Metal está onde sempre esteve, na obscuridade, mas chamando muito atenção. Quando o Heavy Metal chegou ao mainstream, foi a época mais pobre, entretanto, está no caminho que sempre trilhou. Ainda ouço os álbuns clássicos com a mesma paixão, mas prefiro sempre ficar atento as bandas novas que aparecem em revistas e sites. Há muita qualidade e criatividade no cenário metálico atual, basta um pouco de atenção e menos preconceito para perceber isso. Recentemente bandas como Metallica, Megadeth, Iron Maiden, Deep Purple, lançaram álbuns de inéditas, assim como Muse, Ghost, entre outros, se consolidam e ficam definitivamente suas presenças na história, gostando os ortodoxos ou não.

sábado, 27 de maio de 2017

Não faz sentido ser metaleiro e conservador?

          Em uma postagem no Facebook havia uma foto de uma jornalista da rede Globo e atrás uma menina segurando um cartaz. Esta imagem é um meme da internet e neste cartaz as pessoas colocam frases contestando algo. Nesta postagem em especial havia a frase "ser metaleiro e conservador não faz sentido". Pois bem, cheguei a comentar algo na postagem e recebi alguns comentários bem agressivos, mas faz parte do jogo democrático. Também faz parte admitir que as pessoas são extremamente alienadas e facilmente enganadas por qualquer ideal fictício. Num país onde nem quem está cursando algum curso superior se presta a ler um livro, os estudantes preferem adquirir conhecimento através de documentários, filmes, resumos e polígrafos, é perfeitamente aceitável admitir o baixo nível intelectual e a incapacidade de se analisar algo com profundidade. O que esperar do cidadão comum, de um mero fã de Heavy Metal ou outro estilo musical qualquer? Sem entrar no mérito de cada pessoa que comentou na postagem que mencionei, isso é irrelevante neste momento, pois só usei este exemplo para ilustrar um pensamento que tenho algum tempo, e que normalmente encontra resistência e opiniões contrárias. Então resolvi escrever sobre isso aqui neste espaço para oferecer minha argumentação ao debate. Imagino que a maioria discordará do meu ponto de vista, mas o objetivo é deixar claro porque eu penso o que penso e como cheguei a tais conclusões. É óbvio que as discussões de Facebook ou qualquer outra rede social são irrelevantes, afinal, temos muitos valentes atrás de teclados, mas que na vida real vivem num apartamento com o papai e a mamãe, sem uma profissão definida, tomando Nescal, vestindo calça de abrigo e camisa de banda, escrevendo bravatas em seus espaços e sendo educados pelo Wikipédia e os vídeos do Youtube. Esses são realmente irrelevantes em suas opiniões. Mas para aqueles que tem bandas, estúdios, são responsáveis por uma família, que tem a música como paixão e querem um mundo melhor, tento aqui contribuir com minha visão de sociedade. Longe de mim querer ser o dono da verdade, pois não tenho essa ambição, porém me sinto responsável por alguns aspectos da sociedade e busco contribuir com algo.
          Pois bem, vamos as explicações. Já tem algum tempo que existe na mídia e em algumas pautas de movimentos intelectuais o discurso de que o conservadorismo está em ascensão no Brasil. Isso pode se observar nas eleições municipais em alguns locais, embora possa ser uma constatação equivocada. Inclusive ocorreu um seminário com "filósofos" da USP onde o debate foi pautado em cima deste assunto. Como em sua maioria, "pensadores" ligados a universidades e que tais são tão desconectados da realidade quanto possível, muitas teorias fantasiosas surgiram. Contudo deixaremos essas teorias para mais além, pois o conservadorismo é algo que acabou se tornando um espantalho para certos movimentos e citar as argumentações destes senhores é irrelevante. O espantalho que falo é um ser idealizado para ilustrar determinado conjunto de adjetivos, sendo uma representação de uma pessoa ou grupo de pessoas. É o boneco vudu dos dos ditos intelectuais. Postarei algo a respeito desse conceito num futuro próximo. No caso específico, o conservador seria alguém que apoia a intervenção militar, é ligado ao cristianismo, racista, homofóbico e coisas do tipo. Exatamente aquelas características usadas para xingar qualquer um que discorde de ideias pré-concebidas pelos grupos que mantem a hegemonia cultural no Brasil. Acredito que estes "intelectuais brilhantes" possam até ter lido algum livro ou artigo conservador como quem limpa vomito ou um punhado de bosta, com cara de nojo, tampando o nariz e tentando se livrar daquilo o mais rápido possível. Mas tenho certeza de que não sabem do que se trata e nem querem saber. Eles preferem ficar fantasiando as coisas com suas teorias mirabolantes, pois estes não tem nenhum compromisso com a realidade. Vivem com salários acima da média, sem ter que comprovar desempenho ou resultado algum, repetindo teorias desgastadas e esperando a aposentadoria chegar. Nesse meio tempo fazem jovens, que poderiam se tornar pessoas brilhantes e ótimos profissionais em diversas áreas, em meros zumbis cheios de ideias artificiais e manipuladas.
          Escrevi sobre o conservadorismo aqui a pouco tempo, mas não dá pra resumir os fundamentos deste pensamento em um pequeno texto. Roger Scruton é um inglês que escreve com propriedade a respeito, falei de um livro dele aqui, embora sua visão seja muito diferente da de um brasileiro por meras divergências culturais, porém dá pra se ter ideia do que o assunto se trata lendo sua obra. Um conservador não está ligado a rótulos específicos, ou uma receita estática como partidos e movimentos gostam e costumam propagar. Pessoas são diferentes umas das outras, portanto, tentar tratar a todos exatamente da mesma forma é um erro terrível e um desrespeito. O conservadorismo é da mesma forma, varia de local para local, família para família e entre culturas diferentes. Achar que um conservador defende um ato político como o regime militar é, no mínimo, ser retardado ou irresponsável. Até falar da religião cristã como base conservadora eu considero um erro grave. Essa tática é mais uma propaganda para agregar católicos e evangélicos para algum movimento político, afinal, o Brasil foi construído tendo como base escravos africanos, indígenas de várias tribos, portugueses ligados a maçonaria e os próprios europeus católicos. Para cada exemplo citado, ser conservador é manter um estreito vínculo com suas respectivas culturas. Mesmo vivendo em uma mesma sociedade, como falei, conservadorismo é algo particular e normalmente se limita a pequenos grupos comuns, não é um movimento de massa. Preservar estas bases é muito importante para o desenvolvimento de cada indivíduo. Por isso é tão importante a comunidade negra lutar para defender seus costumes, mas claro, respeitando os costumes de outras etnias e credos, da mesma forma católicos, evangélicos, espíritas, indígenas e o que for, devem respeito uns para com os outros. Escrevi sobre racismo e xenofobia aqui. A separação entre manutenção de uma cultura e a tentativa de impo-la a terceiros é muito perigoso, o exemplo claro é a segunda guerra mundial.
          O conservadorismo visto pelo prisma da política social tende a ser favorável a alguns aspectos discordantes de pensamentos mais identificados com a esquerda. Por isso alguns grupos criaram o espantalho, pois defendem o direito de um cidadão portar uma arma para defender a si, sua família e a sociedade, escrevi a respeito aqui, assim como indígenas usavam arco e flechas para caçar, se defender e simbolizar suas raízes. São contra o aborto por defender as bases familiares e o direito irrestrito à vida, também falei a respeito aqui. Economicamente os conservadores em geral são a favor de um livre mercado, mas que seja baseado nos aspectos regionais, não a abertura total para exploração européia, americana ou asiática. Nós gaúchos temos traços muito conservadores ao nos prender às tradições gaudérias. A semana farroupilha é um exemplo disso, escrevi a respeito aqui, o que prova que ser conservador é algo bem específico de cada povo ou região. Só o gaúcho mantem isso hoje em dia no Brasil, mesmo assim de forma mais branda, pois tem assumido muitos aspectos políticos controversos. Tradição é a base do conservadorismo e resume bem o conceito. O conservador é um defensor de uma determinada tradição. Todo aquele que defende alguma tradição legítima é um conservador. É irônico que o povo brasileiro mais ligado ao tradicionalismo, seja aquele mais sujeito a se entregar a ideologias revolucionárias. Mesmo se mantendo no Rio Grande do Sul para essa análise, temos muitos imigrantes que mantem suas tradições, como os alemães. E nada mais saudável que a interação entre as culturas nas festas tradicionais como October Fest e afins. Vamos condenar os descendentes de alemães e italianos por nos proporcionar suas receitas culinárias e a vinicultura? Claro que não. E por que então atacar o conservadorismo em nome de ideologias partidárias? Um exemplo clássico é um fã do Burzum criticar conceitos conservadores, sendo que Varg Vikernes em suas aparições na internet e entrevistas para a mídia sempre pregou o conservadorismo nórdico ligado a cultura viking, entre outros exemplos. Este é um verdeiro conservador, mesmo que não se concorde com ele. Usei exemplos distantes e distintos, mas que exemplificam o conservadorismo como algo forte, mas relativo.
          E onde entra o Heavy Metal nessa história? Escrevi aqui que artistas deveriam ficar à margem da politica partidária e ideológica sob pena de poluírem sua arte e gerarem aberrações ideológicas como exemplifiquei aqui. Entretanto no Brasil muitos artistas ligados a música, cinema, televisão e o teatro recebem dinheiro de grandes empresas através de leis de incentivo a cultura, também falei sobre a Lei Rouanet aqui, entre outras colaborações ligadas a festivais e propagandas. Com esse cenário montado é normal vermos muitos atores, músicos e que tais, participarem de campanhas politico/partidárias, pois estão defendendo suas pequenas fortunas e o nicho que os mantém expostos. Para se ter uma ideia, um grande exemplo que temos aqui, muitos artistas e jornalistas que defendiam o comunismo, e que tal movimento resultou no golpe militar de 1964, não fugiram para países socialistas como Cuba, URSS, ou mesmo os vizinhos da América do Sul, foram para França, Itália, Estados Unidos, entre outros, todos de primeiro mundo para se deliciarem com as delícias do capitalismo. Essas pessoas construíram fortunas e tem grande influência cultural, graças a sua identificação com as classes mais humildes. Porém não pertencem financeiramente a esses grupos e só os defendem para manter suas popularidades em alta. É irônico artistas criticarem o capitalismo, os liberais, os conservadores e discursarem sobre igualdade do alto de suas mansões, desfilando em carros de luxo com motoristas particulares, viajando o mundo e o Brasil em jatinhos particulares, ostentando luxo e riqueza. Escrevi sobre um livro de Rodrigo Constantino, cujo o nome é "Esquerda Caviar, que é o adjetivo dado a esses ricos que se promovem em cima dos mais pobres, o texto está aqui.
          Para finalizar, uso algumas expressões que usei em tal postagem mencionada no inicio do texto. Como achar que ser metaleiro e conservador não faz sentido se bandas como Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Judas Priest, entre tantas outras, nasceram no berço do conservadorismo, ou o Iron Maiden tem vergonha de tribular a bandeira da Inglaterra pelo mundo? Mesmo que critiquem o governo e a sociedade onde vivem, membros de bandas como o Metallica, Megadeth, entre outras, tem orgulho de serem americanas e de seus founding fathers. Aí eu questiono aos metaleiros revolucionários brasileiros, defensores do PT, PSOL e afins, quais as grandes bandas surgidas na Venezuela, Cuba, Guatemala, URSS, China, Coréia do Norte e outros países socialistas e comunistas? Será que eles tem a liberdade de lançar álbuns com letras falando dos males sociais, demônios, violência, magia, drogas, dragões, entre outros temas comuns ao Heavy Metal em geral? Vocês realmente defendem conceitos ideológicos que querem transformar o Brasil em uma enorme Pátria Grande como é o objetivo dos membros do fórum de São Paulo? Mesmo com certas restrições sobre temas polêmicos, todas as bandas de Metal conseguiram fazer seus trabalhos e entregar ao público. Aí eu pergunto; "Faz sentido ser metaleiro e comunista/socialista? Eu acho que não, e os exemplos no mundo ao longo dos anos apoiam minha tese. Não preciso ser um letrado formado em uma instituição federal para chegar a certas conclusões, sou apenas um trabalhador, pai de família, apaixonado por Heavy Metal e sempre criticarei governos e ideologias oportunistas, não preciso seguir uma cartilha para isso. Chega a ser constrangedor alguns músicos famosos, que representam e ajudam a vender equipamentos e instrumentos de empresas multinacionais, que recebem delas tudo de graça, levantarem bravatas contra o globalismo, capitalismo, defenderem e promoverem ONGs e movimentos financiados por meta capitalistas como George Soros, Fundação Ford, Rockfellers e afins, e ainda assim se dizerem defensores dos pobres e oprimidos. Ora, calem a boca, foquem em suas músicas, entreguem bons álbuns e shows, e vão tomar no cu seus hipócritas.