sábado, 11 de novembro de 2017

Os últimos 30 anos de Metal

          Tendo em vista o show da banda Green Day em Porto Alegre nessa semana, tomei a iniciativa de escrever esse texto para propor uma reflexão sobre o cenário do Heavy Metal e do Rock de um modo geral nos últimos 30 anos, período que acompanhei em sua totalidade com os limites que me são particulares. Porém deixo claro que não é uma profunda análise do cenário proposto, apenas as impressões iniciais de quem acompanhou parte dessa história com a passionalidade característica de um admirador. Claro que nessa época a grande maioria das coisas eram novidade para mim. Era um adolescente imaturo e com a revolta natural contra o status quo. Esse tipo de revolta juvenil nos torna muito vulneráveis a qualquer tipo de bobagem, pois temos o instinto natural de tentar nos afastar do que é rotina, herança e por outro lado, há a necessidade de ser aceito em um grupo para não se sentir rejeitado e até por proteção. Foi nesse momento que me afastei dos amigos da minha rua, fui morar com minha mãe, enchi as paredes de Posters de bandas como Pantera, Sepultura, Metallica, etc. Passei a comprar revistas que tinham na época como a Top Rock. Eventualmente ia para casa de um amigo para beber e assistir a programação da MTV que acabara de entrar no Brasil. Estamos falando de 1992/93, muito antes da internet. Para ouvirmos musica precisávamos ficar atentos a programação da rádios, gravar álbuns de amigos em fitas cassete ou ir a shows de bandas iniciantes. Nesse ambiente se consolidou um pouco do meu gosto musical e da minha perspectiva de mundo.
          Tivemos na primeira metade dos anos 1990 o canto dos cisnes do rock de arena quando Metallica e Guns n' Roses fizeram a fatídica turnê conjunta. Foi como se a bolha estourasse. Era o fim da polaridade que punha em lados opostos o Hard Rock com suas vertentes (Glam, Hair Metal, AOR, etc.) e o Thrash Metal e suas derivações (Death Metal, Black Metal, Doom Metal, etc.). De 1981, com o apogeu da New Wave of the British Heavy Metal e sua influência para o cenário, tivemos de um lado bandas como Motley Crue de um lado e Metallica do outro, para pegar apenas um exemplo de cada extremo. Quando há esse estouro mencionado acima, em paralelo surgia o Grunge impulsionado por Nirvana, Alice in Chains, Pearl Jam, Soundgarden, etc. Isso colocaria o Rock nas paradas de sucesso, mas saturou todos os cenários possíveis. Era normal ver bandas como as citadas acima nos noticiários do cotidiano, as rádios rodavam determinadas musicas de algumas bandas até encher o saco. Cada lançamento de Guns n' Roses, Metallica, Nirvana, ou qualquer novo nome que aparecia na cena, era uma excessiva exploração o que deixava o contexto decepcionante de certa forma. O lado bom disso tudo é que muita gente buscava os clássicos e grupos menos conhecidos para continuar ouvindo Rock, mas sem prestar muita atenção no mainstream. Para a segunda metade da década, nomes que pareciam acendentes acabaram por decair. Já tínhamos o suicídio de Kurt Cobain, certo desgaste das bandas citadas e o sepultamento do Hard Rock de arena. Isso em decorrência da saturação que acara de citar. As gravadoras investiam muito dinheiro em promoção, mas também abusavam do material que tinham nas mãos, sugando até não poder obter mais nada.
          Nesse período de final dos anos 1990, o mercado musical mudava com o gradual crescimento da música digital e o encolhimento do saturado mercado ditado por gravadoras e a MTV. Bandas como Iron Maiden e Judas Priest perdiam seus vocalistas e mudavam radicalmente de sonoridade, o Metallica tentava reproduzir a sonoridade em voga com álbuns como Load e Reload, o Sepultura soltara um embrião para o Nu Metal, Roots, mas se separara, o Pantera, grande força dos anos 1990, também se deteriorava após o sucesso de Far Beyound Driven, o Anthrax apresentava problemas com John Bush no lugar de Joe Belladonna, ou seja, tudo estava mudando, tudo mesmo. O pior é que, mesmo com tantos indícios, a maioria das pessoas não acreditava nisso. Muitos, por mero cinismo ou arrogância, pregavam que o Rock estava morrendo sem ter argumentos reais para isso. De qualquer forma, a saída de Bruce Dickinson do Iron Maiden, que já optara por simplificar seu som nos álbuns No Prayer for the Dying e Fear of the Dark, para gravar um disco mais alternativo, Skunkworks e o ingresso de Rob Halford no Fight, banda também alternativa, provaram o quanto o cenários estava confuso. Havia um interesse evidente em optar por se adequar ao som vindo de Seatle ou buscar um caminho mais sujo e underground. Muitas bandas grandes interromperam suas atividades neste período, por não conseguir optar por um cenário ou por outro.
          O mais triste neste cenário foi a ascensão de bandas de Nu Metal como Korn, Slipknot, Limp Biskit, Linkin Park, mas tendo como oposição mais comercial o Green Day e similares que pariram o estilo Emo. Mais do que depressa as MTVs da vida e rádios se agarram nessas novidades como sendo tábua de salvação do mainstream. Se por um lado bandas com afinações baixas, vocais guturais, flertando com Hip Hop, Industrial e Death Metal, não seria a alternativa viável para a sobrevivência do Heavy Metal, pois agradavam á alguns jovens mais radicais, mas não empolgavam os fãs mais ortodoxos, o que era o meu caso, por outro lado ver pseudo punks deprimidos falando de suas frustrações era um fim melancólico para tudo aquilo que o Rock e o Metal representavam. Então, surgia assim o período mais bizarro e improdutivo do Rock, os anos 2000. Que teve o reformulado Helloween ressurgindo, bandas como Hammerfall, Nightwish, Kamelot, entre outras tantas, fazendo um Metal Sinfônico colhendo elementos que surgiram na segunda metade dos anos 1990 e caindo no mesmo pecado do Rock Progressivo dos anos 1970, tentaram ser sofisticados demais e encheram o saco. O Rock fragmentou-se e St Anger do Metallica era o sintoma mais claro. As próprias bandas de Nu Metal, mesmo jovens, davam sinais de declínio por conta de abusos diversos.  
          Mas, por mais que o movimento Emo tenha ganhado corpo e sugado algumas coisas do Grunge, foi só uma fase, logo rarificou e foi esmagado pelo surgimento do Metal. Isso só foi possível porque, mesmo polêmico e sem o charme de outrora, bandas de Power Metal, Nu Metal, entre outros, que sobreviveram nos porões, seguraram o público para uma volta de Rob Halford e Bruce Dickinson as suas bandas, o Metallica e o Megadeth voltando as suas origens sonoras após experiências desafortunadas, grandes bandas voltando a ativa, mesmo que para turnês e álbuns específicos, dando ao público nova motivação, renovando cenários e possibilitando a ascensão de novas bandas. Adolescentes maquiados, talvez para esconder um pouco as suas inseguranças e demonstrar com o visual o que não tinham capacidade de manifestar com palavras, remetiam ao glam dos anos 1980, mas de um forma caricata. A mediocridade sonora das bandas que inspiravam os Emos fez com que essa fase fosse rapidamente colocada no submundo após breve notoriedade. O que fez ressurgir toda a força de bandas clássicas e fazendo aparecer muitas bandas novas que estavam na obscuridade.
           Posso dizer que, por conta de muitos fatores, o Rock e o Metal já se adequaram as mudanças do cenário musical e continuam vivos e mais fortes. A quantidade de shows pelo mundo é imensa, bandas clássicas, embora muitas encerrando as atividades, dão mostras de como são poderosas e relevantes mesmo sem a mídia tradicional ou grandes gravadoras á apoiá-las. Mais uma vez podemos pegar o Metallica como referência deste ressurgimento, pois a ideia de Big Four com Metallica, Megadeth, Anthrax e Slayer tocando juntos em um festival, remete aos tempo áureos do Rock de Arena. Parece que o pior já passou e as coisas estão de volta aos seus lugares. Feliz de quem pode ver Metallica lançando um álbum como Hardwire...To Self Destruct, Megadeth com Dystopia, Black Sabbath e seu 13, Iron Maiden em Book of Souls, entre outras tantas coisas interessantes que tivemos nos últimos anos. Posso citar bandas como Black Country Communion, Alter Bridge, Rival Sons, entre outras, que trazer frescor ao cenário, sem contar o grande esforço dos dinossauros em tentar prover uma despedida digna de seu passado.
          Pra finalizar, deixo aqui esse pequeno resumo sobre como eu vi o cenário musical nesses últimos 30 anos. Sem entrar em detalhes, usando de uns poucos exemplos ilustrativos e traçando um esboço do que seria uma linha de raciocínio. Busco apenas incentivar o pessoal que lê os textos deste espaço a buscar motivações extras para conhecer novas bandas, revisitar alguns trabalhos, talvez até tentar conhecer álbuns que foram ignorados quando lançados, prestar mais atenção no que está acontecendo atualmente e, principalmente, ajudar a manter o Rock e o Metal vivos para que possamos ter muitos momentos de prazer ouvindo música, descobrindo grupos, indo a shows e tocando em bandas. Uma coisa é certa, pois pude comprovar isso ao revisitar muitos trabalhos e ler material antigo de revistas como Top Rock, Guitar Player, Cover Guitarra e Baixo, que o Rock e o Metal são fontes de vanguarda, inspiração, de qualidade, de ousadia e de aprendizado. Tantas bandas, tantos nomes que surgem, somem, reaparecem, morrem, nascem e continuam a nos alegrar e entristecer de forma cíclica. Estudar a história das bandas, se transportar através do tempo ao ler biografias, rever clipes, tudo isso possibilitado pela internet e a multiplicação de informações em diversos formatos, é o que me fez trabalhar com música com a mesma empolgação que tinha no início dos anos 1990. Espero que possam sentir o mesmo. 

sábado, 4 de novembro de 2017

#juntospelalele - Fazer o bem é viável?

          Quando falamos de caridade logo nos vem a mente as ONGs e artistas famosos engajados em causas tão nobres como acabar com a fome no mundo, salvar o planeta do aquecimento global, salvar os oceanos, o ar, os animais, a amazônia e tantas iniciativas tão lucrativas e bem sucedidas, mas apenas para os que as divulgam e participam de suas ações. Aprendi da forma mais cruel a desconfiar dessa bondade toda, apenas conhecendo algumas delas de perto. A maioria das ONGs serve apenas para lavar dinheiro e patrocinar as mais nefastas práticas, infelizmente. Não é por acaso que quanto mais um artista rico se dedica a "caridade" mais ele enriquece, assim como as empresas ou agentes diversos que o apoia. Mas na realidade, se formos analisar com o ceticismo que a prudência exige, veremos que muitas dessas causas são inerentes a ação humana como o aquecimento global, a preservação dos oceanos e a pureza do ar. Mesmo que muitos ecologistas arrogantes venham com seus gráficos e propagandas caóticas, a ação humana é irrelevante frente a elementos tão poderosos da natureza. Quanto a acabar com a fome no mundo, o Brasil produz alimentos para alimentar 1 Bilhão de pessoas, mesmo assim, existem muitos brasileiros que não tem o suficiente para se alimentar, isso que a população brasileira tem por volta de 207 Milhões de pessoas, menos de 1/4 da sua capacidade produtiva de alimentos. É hipócrita quem arrecada dinheiro para combater a fome e entrega aos cuidados de uma ONG famosa. Essa prática só tem como resultado o aumento de famintos nos locais que alegam ajudar, pois a maioria nem fica sabendo deste dinheiro.
          Mas, Paulo, você é contra a caridade? Você que está lendo este texto pode estar se perguntando e a resposta é: Absolutamente não. Por isso eu estou escrevendo esse texto. Por mais que o enunciado feito pelo primeiro parágrafo possa dar uma visão contrária, eu vejo a ação individual em prol do coletivo como uma das maiores virtudes do ser humano. Posso até contestar expressões como: "Fazer o bem sem olhar a quem." Pois me aparece muito relativo esse proceder aleatório e genérico, porque vejo que uma ação deve ter certa responsabilidade quanto ao resultado dela. Por mais que eu desconfie das ações do "famosos caridosos" como falei no primeiro parágrafo, muitos deles podem ser bem intencionados, mas pecam por simplesmente despejar dinheiro em prol de uma causa sem dar atenção aos resultados dessa ação. Arrecadar milhões de dólares e entregar na mão de um tirano na África não resolve os problemas dos mais carentes. Não é lógico se preocupar com o mundo sendo que ao seu lado uma pessoa precisa de muito menos, mas com muito mais urgência. Na verdade a caridade nasce quando resolvemos assuntos relativos a segurança, alimentação, educação e saúde de nossa própria família, e tendo condições ampliamos essa ação de alguma forma, sendo em pequenas ações coletivas na nossa comunidade como manter espaços públicos limpos, cobrar as autoridades em relação aos serviços prestados, entre muitas outras coisas. A única forma disso realmente prosperar é transformando a ação individual em benefício do coletivo de forma espiral, aumentando de tamanho com a mesma consistência que partiu do indivíduo. Portanto, se engajar em causas humanas específicas pode ter um resultado muito mais eficiente do que tentar salvar o mundo. Como diz o ditado, as pessoas amam a humanidade mas detestam seu vizinho.
          Me dispus a escrever este texto por conta de um evento específico. Estava vendo um vídeo de forma descompromissada de um youtuber conhecido, o guitarrista Nando Moura, em que ele falava de outro guitarrista, o Kiko Loureiro hoje no Megadeth. Entre elogios merecidos a seu antigo professor, como pode ser visto ao lado, Nando apelou para o lado humano do guitarrista, que é um brasileiro muito bem sucedido no que faz, e linkou com uma campanha para arrecadar dinheiro para a família de uma menina chamada Letícia, que está com leucemia. Ele deixou o link da página da menina no facebook assim como as opções de conta corrente para doações. Essa é uma atitude muito nobre, afinal, ele tem mais de 1 Milhão de seguidores e seus videos tem centenas de milhares de visualizações normalmente. Tomei a iniciativa de doar algum dinheiro para aliviar um pouco as condições financeiras da família da menina, mas também decidi postar na minha página uma chamada para as pessoas contribuírem também. Comecei a fazer o anúncio e iria pagar um dinheiro para impulsioná-lo para que mais pessoas pudessem ver. Nesse meio tempo o telefone toca. Era da empresa Oi comunicando que minha fatura teria um desconto de mais de R$ 20,00 Reais por conta de problemas da internet. Os problemas aconteceram mesmo, pois diversas vezes fiquei sem o serviço e inúmeras vezes recebi técnicos para tentar solucionar o problema. Isso atrapalhou minhas postagens das aulas de guitarra no Youtube que estou disponibilizando, principalmente. Mas voltando ao caso, desliguei o telefone e terminei de impulsionar a postagem que fiz para tentar ajudar a menina de acordo com minhas condições.
          Os mais frios podem alegar que a Oi iria ligar de qualquer forma, mesmo que não tivesse a iniciativa de usar dos meus recursos para ajudar a menina, porém, prefiro acreditar que cada vez que tomamos uma iniciativa efetiva de ajudar alguém, de alguma forma seremos recompensados. Nessa caridade eu acredito, fazendo algo específico, direcionado para ajudar em algo real e tangível. Não quero aqui fazer uso disso para uma promoção pessoal, poderia fazer como faço sempre, discretamente contribuir para uma causa, entretanto, quero incentivar outras pessoas a fazer o mesmo. Seja nas pequenas ações anônimas do dia a dia, ou mesmo em casos específicos, sejam caridosos, principalmente com quem está bem próximo de você. As vezes seus filhos, irmãos, companheiros, pais ou amigos, precisam apenas de um pouco de atenção, de um abraço, de uma palavra amiga, o que for. Somente saberemos disso se dedicarmos um pouco de nosso tempo para simplesmente sermos humanos. A caridade é uma prática que precisa se tornar um hábito. Somente se tornando um hábito poderá realmente fazer a diferença e atrair coisas boas. De forma mais fria e prática, quando resolvemos ou contribuímos para a solução de um problema ao nosso redor, naturalmente nossa vida se torna mais agradável. Aqui no sul, muitas famílias perderam suas casas ou grande parte de seus bens por conta das enchentes e vendavais. Não se pode controlar a natureza, mas se pode ajudar cada uma dessas pessoas de forma especifica. Isso fará com que todas sejam beneficiadas, desde quem perdeu tudo, as pessoas que ajudam, seus familiares e até as empresas que se prontificarem em contribuir com algum recurso.
          Deixo aqui os dados para quem quiser contribuir para ajudar a menina que motivou essa postagem e desde já agradeço a atenção de todos. Espero que este texto sirva para causar uma reflexão sobre o assunto e motivar as pessoas a ficarem atentas com as causas com as quais se engajam e a prestar mais atenção ao que acontece a sua volta. Para finalizar, acredito fortemente que fazer o bem é viável sim, gerando mais coisas boas, tanto para quem precisa de ajuda, mas principalmente para quem ajuda.
          Link para a página da Letícia onde há maiores informações:
 https://www.facebook.com/lelezinhavitoria09/
          Conta: Banco Itaú 341
          Agência: 3176
          Conta corrente: 49065-8
          Luiz Claudio Gonçalves (Pai de Letícia)                   CPF: 820.868.696-49

         

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

D. Pedro I

          Devo a educação pública o conceito que sempre tive sobre D. Pedro I. Um professor de história, que depois viria a ser vereador em minha cidade, indicou a compra de um livro para o estudo da história do país. Segundo ele, aquele livro era uma fonte muito confiável sobre nossa história. Não recordo o titulo do livro nem o nome do autor, mas lembro bem das convicções que formei por conta dessa obra. O fato é que era um livro mentiroso da primeira á última página, como a maioria dos livros de história da segunda metade do século XX em diante. Pintam o Brasil como sendo um paraíso violado pelos portugueses e demonizam diversas figuras importantes da nossa história com a intenção de  destruir a autoestima do brasileiro e criar um novo salvador da pátria de tempos em tempos. Mesmo que nossas ruas levem o nome de diversos homens e mulheres do nosso passado, colocaram uma venda em nossos olhos para que não pudéssemos sequer argumentar sobre o que vemos a nossa volta. Tentam nos convencer que um país deste tamanho foi criado por um bando de idiotas. Uma destas figuras importantíssimas para a construção do Brasil nasceu em 1798, no Palácio Real de Queluz em Portugal e chamava-se Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim, ou simplesmente D. Pedro I. Filho do português D. João VI e da espanhola Carlota Joaquina. 
          Em 1807, Pedro com nove anos de idade, atravessou o oceano para chegar no Brasil. Isso foi motivado pela invasão das tropas napoleônicas em boa parte da Europa. O então regente D. João VI, que assumira o poder após sua mãe, Dona Maria, ser abatida por sérios problemas mentais e se tornar incapaz de gerir o reino português, viu como alternativa mais segura para a coroa portuguesa levar a sede do governo para além-mar, longe do alcance de Napoleão, contando com a expertise ibérica em navegações e a ajuda da marinha inglesa. A família real ficou por 14 anos no Brasil, o que fez com que se unificasse o país de certa forma e se desse um aspecto politico e econômico mais definido para essa terra. Enquanto isso, mesmo tendo professores para servi-lo, D. Pedro teve uma educação deficiente e crescera com valores questionáveis, pois seus país viviam em lugares diferentes e não suportavam um ao outro. Pedro tornou-se adolescente em meio aos escravos e pessoas mais humildes, sendo livre para entregar-se as tarefas mais manuais e relações mais carnais com mulheres negras, índias e jovens portuguesas. Essas características faziam de Pedro uma figura muito distante de um monarca tradicional. O próprio pai era desleixado, não vivia rodeado de luxo e tinha como grande característica pessoal procrastinar em tudo, principalmente em seus atos como regente. Não tendo muito tato para lidar com todas as formalidades de uma família real tradicional, D. João VI viu no Brasil um ambiente de tranquilidade e sossego, mesmo que a nova terra ainda estivesse sob um complexo sistema de construção. Foi o regente português quem criou a estrutura inicial sobre a qual D. Pedro I constituiria seu império.
          Em 1817, D. Pedro causou-se com uma princesa austríaca, Maria Leopoldina. Os relatos de seus procuradores narravam inteligência, preparo, cultura e belos olhos, mas ao receber a princesa, D. Pedro deparou-se com uma mulher de poucos atrativos físicos. Isso pode ter mexido um pouco com as fantasias do jovem príncipe, pois era rodeado de diversas mulheres, possivelmente mais belas que aquela que escolheram para ser sua esposa. Mesmo assim, aos poucos a austríaca foi se tornando íntima do príncipe e compartilhando com ele momentos importantes de nossa história. Ela gostava de música e teatro, assim como o príncipe, sendo uma incentivadora de seus poemas e composições musicais. Tiveram sete filhos, pois mesmo que D. Pedro se envolvesse em romances proibidos, principalmente com a paulista Domitila de Castro, sempre foi bom pai e marido dedicado. Alguns relatos de agressões por parte do português para com sua esposa nunca foram comprovados, já que era comum levantarem diversas histórias a seu respeito, muitas delas caluniosas. Mesmo sem ter muita instrução formal, Pedro teve na sua esposa uma mulher preparada para ser rainha, sendo conhecedora de regras de etiqueta e como lidar com a criadagem. Com certeza isso colaborou para a formação do regente do Brasil e depois imperador.
          Com a Revolução do Porto em 1821, D. João VI foi coagido a voltar a Portugal, tendo que deixar na regência do Brasil seu filho Pedro. O rei deixou um esboço de uma estrutura criando o Banco do Brasil, organizando o comércio do Rio de Janeiro e formulando leis que norteariam os processos jurídicos e sociais. Não demorou para que o príncipe fosse instigado a tomar partido na causa da independência que já pululava os debates e as mentes dos portugueses nascidos no Brasil. Apoiado por sua esposa e pelos políticos cariocas, D. Pedro decidiu ficar no Brasil quando de sua intimação para retornar ao seu pais de origem. Então 09 de janeiro de 1822 ficou conhecido como "o dia do fico". Como regente e defensor perpétuo do Brasil, teve diversos problemas para manter a estabilidade politica e social. Ingressou na maçonaria e teve como grande amigo e companheiro o paulista José Bonifácio. Juntos tentaram manter o governo unido, dar um rumo para as questões separatistas e organizar a sociedade. Então, após alguns despachos de sua esposa oriundos do Rio de Janeiro, D. Pedro, que se encontrava em viagem, declarou a independência do Brasil e assinou a oficialização. O Brasil passava a ser um império e o jovem português seu monarca em 07 de setembro de 1822.
          Ao contrário do pai, o jovem imperador não tinha muita paciência para lidar com as questões do império. Por volta de 1823, não tolerando a demora dos deputados em dar ao Brasil uma constituição aos moldes que o imperador desejava, dissolveu a assembléia constituinte e outorgou ele próprio uma constituição. Essa atitude autoritária, entre outras, fizeram com que muitos políticos o detestassem, principalmente os portugueses. Talvez por influência de alguns membros da maçonaria e também da Marquesa de Santos, D. Pedro entrou em atrito com José Bonifácio e não tardou para que o Andrada fosse exilado após ter renunciado o ministério que ocupava e voltar ao cargo. A relação de D. Pedro com José Bonifácio era muito estreita, sendo que o Andrada construíra, de certa forma, a imagem do imperador a ser levada aqueles que ainda não o conheciam fora do Rio de Janeiro. Uma das sugestões fora que o imperador viajasse aos principais cidades para ser conhecido pelo povo. Nesse ínterim, José Bonifácio e D. Leopoldina tomavam conta das ações imperiais. 
          D. Pedro tentou montar ministérios para proceder com seus ímpetos liberais, mas sempre acabava por sofrer com sua impaciência e pessoalmente lidava com os mais diversos assuntos, passando por cima de pessoas que escolhera para ocupar os cargos do governo. Era homem ativo, dormia pouco, muito dado ao concubinato, causou escândalos, cultivou inimigos, sofreu com a morte do pai, o desaparecimento da mãe, a morte de sua esposa, mesmo assim, regeu Portugal dando-lhe uma constituição em épocas de crise política e abdicou do trono português em nome de sua filha Maria da Glória em 1826, para ficar no Brasil. Mesmo assim, em 1831 abdicou por pressões políticas para seguir a risca a constituição. Havia Casado com D. Amélia, após dois anos de viuvez. Seu casamento fez com que abandonasse de vez a Marquesa de santos, assim como seus eventuais casos extra conjugais. Isso não foi o suficiente para que seus detratores o poupassem, já que D. Pedro, além de ser regente, depois imperador, escrevia em jornais com pseudônimos para responder que o criticava e atacar seus desafetos. Fora, inclusive, em dado momento, acusado de tentativa de assassinato de um de seus antagonistas, sendo o próprio alvo de atentados de homicídio mal-sucedidos, tal a tensão politica que estava no país. 
          Abdicando em nome de seu filho D. Pedro II, D. Pedro, agora Duque de Bragança, tratara de resolver suas finanças vendendo propriedades e estruturando as condições de seus filhos que ficariam no Brasil. Antes disso, reaproximou-se de José Bonifácio deixando-o como tutor de seus filhos por um tempo. Abandonou o longo relacionamento com Domitila, com quem teve dois filhos,  por conta de seu casamento com D. Amélia, como havia mencionado anteriormente, tratando de garantir que não ficassem de fora de seus cuidados, proporcionando-lhes educação e títulos. Sua saúde era instável, mesmo sendo um homem muito ativo e sempre a frente de todas as iniciativas. Mal chegara na Europa e já se pôs a frente de um plano para montar uma diligência que visava restituir a coroa lusa para sua filha, então usurpada por seu irmão Miguel. Passou um período entre França e Inglaterra até o nascimento de sua filha caçula e levantar o montante necessário para custear a investida contra o usurpador. Por volta de dois anos lutou contra o exército de seu irmão, muitas vezes se expondo na frente de batalha. Seu esforço valeu a pena. Conseguiu reconduzir sua filha ao trono e tomar o controle político de Portugal. Entretanto, em 1834 faleceu por diversas complicações de saúde em Queluz onde tinha nascido. Seu coração foi enviado ao Porto em reconhecimento aos tempos que foi general do exército constitucional.
          D. Pedro I foi um personagem controverso e a fama de mulherengo e instável se justificava. Contudo, muito longe de ser um tirano ou um ignorante, tinha virtudes que possibilitaram separar Brasil de Portugal para sempre. De forma deficiente e peculiar escrevia seus poemas, compunha suas musicas, escreveu duas constituições liberais e aceitáveis para época, apreciava muito o trabalho de Benjamin Constant, se dedicava a trabalhos manuais e insalubres, era avesso ao luxo, embora apreciasse belas artes. Um homem com belas virtudes e defeitos escandalosos, mas que foi a figura que manteve o Brasil unido, sem se desmanchar em pequenos países hostis entre si como ocorrera na América espanhola. Seus méritos foram soterrados pelas campanhas republicanas e depois foi motivo de zombaria por aqueles que contaram a história principalmente nos últimos trinta anos. Quem acuso D. Pedro de déspota, oportunista, mulherengo e belicoso, normalmente considera guerrilheiros e terroristas como sendo heróis do povo. Quem o chama de tosco e inculto, faz companha e tem um semi analfabeto como grande líder nacional. Quem despreza a figura de D. Pedro é ignorante ou mal caráter, pois não se pode exigir nobreza de um imperador tendo como referência a mais rasteira classe política e intelectual.
          Tenho dedicado parte de meu tempo pra estudar o período imperial brasileiro e ter acesso as informações que me foram sonegadas pelos professores e pelo estamento cultural brasileiro. Não é difícil ter contato com pessoas de grande importância para o Brasil e que foram substituídas por símbolos positivistas e muitas vezes autoritários de nossa república tão problemática. Posso citar Joaquim Nabuco, José Bonifácio e seus dois irmãos, André Pinto Rebouças, o próprio D. Pedro II, a princesa Isabel, Bernardo Pereira de Vasconcelos, Evaristo Ferreira da Veiga, Diogo Antônio Feijó, Machado de Assis, José do Patrocínio, Barão de Mauá, entre outros tantos, que tem seus nomes conhecidos, mas seus feitos, pensamentos e suas personalidades permanecem estranhos a maioria dos brasileiros. Como é popular dizer, um povo que desconhece suas origens não pode saber para onde vai. Talvez seja esse o principal problema do brasileiro, usar do coitadismo para justificar tudo e receber benefícios. Perguntando a opinião de um produtor musical inglês o porquê dos brasileiros serem tão diferentes dos ingleses em termos culturais, desfazendo de suas origens e sempre buscar criar símbolos artificiais para idolatrar, recebi como resposta: "Pode ser porque na Inglaterra somos todos súditos e os brasileiros se dividem em minorias." Faz algum sentido para mim.     

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

#GloboLixo, mais uma vez

          Vamos ser honestos aqui. A Rede Globo tem se utilizado de seu poderio de audiência para por em prática uma agenda globalista, com perdão da redundância, onde a destruição da família é o foco principal. Não é novidade que a Rede Globo sempre foi utilizada para ludibriar a população, mas agora o caso é mais grave e com um lado bem definido. Parece exagero, mas de forma sequencial eles tem deixado bem claro qual o seu posicionamento frente algumas polêmicas recentes. Começou com o caso do Queermuseu no Santander Cultural em Porto Alegre(leia aqui), depois foi a performance do Museu de arte Moderna de São Paulo(leia aqui), com a performance do ator nu. Sobre estes eventos, atores globais foram chamados para participar e debater no programa Encontro, assim como Caetano Veloso se manifestou em rede nacional, acusando haver movimentos que trabalham contra a liberdade de expressão e promovendo a censura. Ora, para Caetano Veloso liberdade de expressão é fazer sexo com meninas de 13 anos, fumar maconha e controlar a atividade cultural do Brasil, além de se apresentar em ocupações do MTST, como fez em São Bernardo do Campo. Os atores que se manifestaram, nem se fala, são sempre os mesmos que apoiam invasão de propriedade pública ou privada, defendem bandidos e seguem fielmente a cartilha que lhes passaram(leiam aqui).
          A pouco tempo foi ao ar uma minissérie chamada "o dias eram assim", onde mais uma vez tratam o período da ditadura militar como uma época sangrenta e que a população era maltratada pelo exército. Claro que uma intervenção militar é uma mancha na história de um país, pois ela sempre nasce de um caos politico e social, como em 1964. Contudo, para o cidadão comum, isso não era a pior coisa do mundo, mas para Marighela, Franklin Martins, Dilma Roussef, José Genuíno, entre tantos envolvidos nas guerrilhas ou fazendo propaganda comunista, era difícil mesmo viver de forma tranquila. Muitos jornalistas e guerrilheiros foram presos, torturados e até mortos, mas também participaram de roubos a banco, sequestros, atentados diversos, entre outras coisas, como fazer contrabando de armas através de nossas fronteiras. Ou seja, era uma guerra entre o governo militar e as milicias comunistas, portanto não podia se esperar flores e carinhos. É normal e aceitável fazer uma série retratando essa visão, porém, não afirmando que essa é a verdade absoluta e encobrindo crimes. Faz parte do processo de transformar guerrilheiros e heróis da liberdade como virou praxe em um país que dá asilo para terroristas. Como falei outras vezes, as FARC visitaram o Brasil oficialmente em algumas oportunidades. 
          Seguindo nossa narrativa paranoica e completamente absurda para alguns, tivemos a pouco tempo, no Fantástico, a exibição de uma matéria onde se reforça a ideia de que o gênero é uma construção social. Para ilustrar, mostraram um casal que orgulhosamente expunha os filhos a atividades andrógenas em suas brincadeiras. Isso até não é muito questionável, se o discurso não fosse absurdamente baseado em teorias bizarras. Pais dando a liberdade para que crianças de três e quatro anos decidam sobre suas sexualidades. O próprio Alexandre Garcia, jornalista da empresa, em seu comentário em uma rádio rádio citou um estudo feito por um conceituado especialista que alerta sobre o mal que é trazer o tema ás crianças. Uma coisa é não ter preconceito em relação aos homossexuais, outra coisa é trazer para o universo infantil coisas que são difíceis e complexas de lidar até para adultos intruidos. Na cabeça deste pessoal, hormônios, menstruação, gravidez, amamentação, estre outras tantas peculiaridades que diferenciam um homem de uma mulher, é uma construção social, uma imposição de um status quo.
          Agora, de forma mais incisiva se aprofundarmos a questão, falam de forma velada na submissão da mulher nas relações com seu marido, trazendo casos de vitimas de estupro e abusos domésticos para pôr em cheque a relação matrimonial. Usaram cenas de novela para, de forma mais direta, abordar o tema como se a mulher fosse obrigada a transar com o marido contra sua vontade. No mundo em que eu vivo, tanto mulheres como homens desfrutam dos mesmos prazeres do sexo em suas relações conjugais. Querer padronizar isso, dando a entender que a relação heterossexual é algo forçado, e em outro momento tendo a relação homossexual como única forma espontânea e prazerosa já é coisa de doente ou mal caráter. Assisti a um vídeo onde um grupo convidava o então deputado Clodovil, homossexual assumido, a participar de uma passeata LGBT. O mesmo agradeceu o convite, mas disse que não participaria de tal evento porque se sentia orgulhoso de nascer de uma relação heterossexual e se orgulhar pelas coisas que conseguiu, não por simplesmente ser gay. E essa deveria ser a verdade de todos, afinal, a sexualidade é uma coisa particular não uma construção coletiva para atender interesses escusos. Uma pessoa deve se destacar pelo seu talento, não por peculiaridades pessoais e íntimas. Lutar contra o preconceito é uma coisa justa e louvável, querer impor agendas sexistas já é outra coisa bem diferente. Se não há espaço para a intolerância por um lado, pelo outro também não pode haver.
          Também temos que levar em conta que marcas como Omo e Avon fizeram campanhas direcionadas para as crianças com temática relativa a identidade de gênero. Essas marcas receberam diversas críticas, tendo até que tirar os comerciais do ar e da internet tal a quantidade de criticas e xingamentos que receberam. É difícil entender o porquê dessa obsessão por pautar essa temática sabendo que terão uma repercussão negativa junto as pessoas. Será que é apenas para causar polêmica? Não sei se para os anunciantes isso é um bom negócio e talvez os mesmos estejam se questionando. Não gostaria de ter o nome da minha empresa envolvido em polêmicas tão específicas, haja visto que grande parte da população brasileira ainda é conservadora e cristã. Pode ser uma reação desesperada ou mesmo extrema de quem está perdendo o poder sobre as massas, precisando estar envolvido em polêmicas para ter notoriedade. Como foi a atitude de um grupo de supostos alunos da UFPE, que partiram para o embate físico contra outro grupo que aguardava para assistir o filme "Jardim das Aflições". Esse mesmo filme já sofrera boicote no festival Cine PE, por apresentar um conteúdo em desalinho com a agenda majoritária dos artistas e diretores.
          Fico imaginando se a internet e a interação proposta pela mídia, além, é claro, das diversas pessoas que tem seus blogs independentes, não fez com que as pessoas se engajassem mais, principalmente os jovens, que não gostam de assistir novelas, telejornais, etc, e buscam as informações em diversas fontes alternativas ou mesmo em grupos fechados. Isso tem provocado um intenso debate e as pessoas perderam o medo de agir dentro do politicamente correto, indo contra muitas coisas que as incomoda, mas que antes engoliam a seco. Pode ser que esta seja a última cartada desses grupos que formam o estamento burocrático e os seus colaboradores, graças á estarmos as vésperas de um ano eleitoral onde muita coisa virá a público nos debates e que muitos dependem de foro privilegiado. O próprio movimento de políticos tentando barrar a Lava jato, leis contra abuso de autoridade, prisão somente depois de julgamento em terceira instância, reforma eleitoral, essas coisas todas, podem representar o desespero em um país que teme a mudança. Se imaginarmos que essa galera já é vaiada nas ruas, muitos chamam eles pelo que são, tem repúdio as práticas criminosas, aos poucos até na cultura já estão sendo ameaçados, pois hoje temos livros de conservadores e liberais sendo amplamente distribuídos, artistas indo contra a maré e se posicionando contra muitas coisas que lhes são impostas, isso surpreende realmente, ainda mais quando um ministro do STF é xingado num estádio de futebol.
          Se pensarmos que antes das manifestações de 2013, que na verdade iniciaram em um patético movimento por passagem de ônibus grátis, fomentaram os debates de 2014, vieram as eleições, Dilma se reelege, depois as diversas manobras para maquiar o Petrolão, saíram condenações do Mensalão, o povo nas ruas pedindo a cabeça da presidente e o então processo de Impeachment, abriu-se um período de mudanças e a perda da hegemonia de um pensamento que já estava sacramentado no Brasil. Até que ponto isso é positivo ou não, já é outra história, o fato é que essas pessoas estão sendo questionadas e não estando mais conseguindo enrolar a população como antes. Um novo Brasil parece nascer das cinzas deste monstrengo que se formou lá da década de 1930 e que lentamente foi ocupando espaços até chegar ao poder aliando-se com as forças já consolidadas. Agora ele está prestes a cair. Q que virá? Ninguém sabe. A única certeza é que as coisas estão mudando e os próximos 30 anos dirão o que vai sair disso.

domingo, 29 de outubro de 2017

PLC 28/2017 - Contra Uber/Cabify

          O Brasil é um país de idiotas mesmo, tenho que admitir essa realidade. Não estou falando de toda a população, mas de grande parte dela, possivelmente a maioria. Pois quando aparece algo novo, como os aplicativos de mobilidade urbana, as pessoas, antes mesmo de usar, já procuram defeitos e começam a especular para onde vai o dinheiro, alegar que os motoristas se tornam escravos de uma empresa internacional e etc. O comportamento mais interessante é observado quando os taxistas saem as ruas para protestar contra estes aplicativos, ao invés de lutarem contra o excesso de regulação que sua atividade é vítima, eles cobram que o governo faça a mesma extorsão contra sua "concorrência". Ou seja, as pessoas não lutam por melhores condições para si e suas classes, mas querem é que os outros sejam prejudicados, ao menos neste caso isso fica evidente. O absurdo chega a tal ponto que uma pessoa baixou o aplicativo, chamou o serviço, quando o motorista deixou o cliente no local solicitado, este foi agredido e teve seu carro depredado por supostos taxistas. Este episódio ocorreu logo após o Uber começar a operar em Porto Alegre na metade de 2016. De lá pra cá, basta fazer uma busca por "motorista de Uber agredido" em qualquer site de pesquisa da internet para ter centenas de notícias a este respeito. Isso é uma bela demonstração de cidadania e democracia, se não estou de acordo com algo, vou lá e agrido indiscriminadamente. Ente tipo de pensamento é estendido a diversas outras áreas, mas não vale a pena citar aqui.
          Em favor dos taxistas, posso dizer que muitos deles estão nas mãos de uma máfia que envolve sindicatos, órgãos do governo, políticos, entre outros. Há o sistema de venda de placas, que é um monopólio das prefeituras e entidades públicas que tratam dos registros dos serviços de táxi. Assim sendo, muitos taxistas já saem de casa devendo R$ 150,00 á R$ 200,00 Reais pois não são donos das placas tendo que dirigir como empregados de outras pessoas que compram tais licenças. Isso é um absurdo e uma exploração legitimada por nossa legislação. As narrativas de taxistas que tem de pagar propina para trabalhar em um determinado ponto são abundantes, assim como reclamações diversas que acabam sendo abafadas pela representação da classe. Os sindicatos, como em qualquer categoria, dependem da exploração de seus filiados, portanto, muitas vezes fomentam violência, pregam o caos e acabam trabalhando de acordo com o órgão regulador, ou seja, o poder público, que é o grande explorador de todas as atividades do cidadão e legisla para poder garantir o controle dos serviços e lucra com isso. É o caso da lei que será pautada no Senado na terça-feira, 31/11/2017, chamada PLC 28/2017. Esta limita a quantidade de motoristas por região, sugere a venda de placas, prevê impostos e condições específicas para os serviços funcionarem. Imagine o quanto os custos disso será repassado diretamente para o consumidor final. Existe uma consulta pública no site do Senado a esse respeito. Acesse esse link para dar sua opinião. Vale citar aqui que sempre voto nessas consulta após ler o conteúdo do que está sendo proposto. 
          O Senador Roberto Requião PMDB/PR, fez uma enquete em seu perfil nas redes sociais onde, além de induzir o cidadão a votar contra os aplicativos com um texto bem indulgente, buscava medir a febre da população em relação ao assunto envolvendo o uso dos aplicativos. Mais de 80% dos que votaram apoiaram o uso dos aplicativos como estão sendo utilizados. O mesmo Senador, propôs em vídeo que se estatizasse o uso dos aplicativos de mobilidade urbana. Imagine o Estado, incompetente e corrupto como é, controlando estes serviços. Podemos comparar com os outros serviços públicos como o SUS. A realidade é que, não tendo o controle total sobre tais serviços, já que não consegue tirar dinheiro diretamente da fonte, como no caso dos taxistas através de uma série de burocracia e tramoias, os políticos querem impedir que a população tenha acesso a estes serviços da forma como eles são, ou qualquer outro que represente certa liberdade de ação e permita a relação direta entre o prestador de serviços e o cliente sem a mediação do governo. Quando vemos Roberto Requião ir contra a vontade de seus eleitores, constatamos que isso é a regra não a exceção, afinal, quem em sã consciência vota em alguém para roubar?
          Essas ideias não podem ser novidade vindo de quem vem, afinal, Roberto Requião é da mesma quadrilha que tem Geddel Vieira Lima, Eliseu Padilha, Michel Temer, Romero Jucá, Renan Calheiros, José Sarney, Moreira Franco, entre tantos outros, que representam o retrocesso, a corrupção, a manipulação, o estamento burocrático, as oligarquias políticas e personificam o principal agente de atraso do Brasil. Não preciso ir além, pois cairei na mesma ladainha de toda postagem política que faço. Porém, cito aqui o prefeito de São Paulo, João Dória, ao qual elogiei por algumas ações como o "corujão da saúde" e o combate a cracolândia, mas que agora quer cobrar imposto sobre o uso de Netflix e outros serviços de Streaming. Este marqueteiro de merda, que hora se diz liberal, outras horas se diz um social democrata, hora acusa Aécio Neves, outra hora o defende, quer ser presidente com base na diminuição do Estado, no caso privatizando estatais, depois fala em cobrar impostos de serviços mais modernos, o mesmo que defende Michel Temer e ataca Lula, tinha certa aceitação da população em geral, mas em menos de um ano como prefeito da maior cidade do Brasil demonstra que vai para onde o vento sopra. Assim sendo, é só mais uma faceta do velho PSDB, oposição ao PT, mas que apenas se alterna no poder, tendo sempre como base o PMDB, que sempre foi o elo de ligação entre os dois.
          Voltando ao assunto dos serviços por aplicativo, muita gente acaba por ter uma ideia errada do uso dos mesmos, pois ao invés de usar o aplicativo da forma como foi projetado, acabam por ligar diretamente para os motoristas que fazem este serviço, assim sendo, acabam pagando mais caro por tal exclusividade. Isso ocorre com pessoas de mais idade ou mesmo que não são muito afeitas a tecnologia, portanto, acabam achando que não existem muitas diferenças entre táxi e Uber. Mesmo assim, é muito interessante o serviço, principalmente para quem tem dificuldades de estacionar seus carros em áreas centrais das grandes cidades, estando a mercê de multas, assaltos e serviços de estacionamento que cobram muito mais caro do que deveriam. Quanto aos motoristas, eles são responsáveis por pagar seus impostos para rodar, manter seus veículos em ordem e ainda são sujeitos as regras de transito como qualquer outra pessoa, ou seja, também pagam seus impostos, ou alguém acha que os carros deles funcionam sem combustível? O mais interessante é que são avaliados constantemente pelos usuários e tem a opção de ter esse trabalho como segunda atividade para obter renda extra. Assim sendo, quem quer legislar sobre os serviços, além do que já existe, prejudica o usuário, o trabalhador e a modernização dos serviços de mobilidade urbana como um todo.
          Quando falo que o brasileiro é idiota, me baseio principalmente nas opções que fazem em diversas áreas. Por exemplo: Apoiam greves de professores, mesmo que isso prejudique diretamente seus filhos, sendo que o ensino é pífio. Votam em deputados ignorando seus passado e sem ter a mínima ideia de que aquele candidato está levando consigo diversas aberrações, por conta das coligações. Mesmo assim, se consideram importantes participando do processo democrático regido por um conjunto de regras que faz com que três quartos das câmaras sejam eleitas indiretamente. A prova da não representatividade política dos eleitos está no exemplo acima em que os próprios seguidores do senador citado são contra a pauta que ele defende, mesmo assim ele se mantém firme em suas convicções, afinal, ele é um velho retrógrado, como a maioria dos políticos, e não vai ir contra sua natureza de déspota para agradar um bando de idiotas que o elegeram. Mesmo que eu não acredite na idiotice da totalidade da população, esta agem como tais acreditando em políticos, artistas, jornalistas, professores, sindicalistas, ativistas, especialistas e etc, mesmo quando são diretamente prejudicados. Ora bolas, por que uma pessoa que não é usuária de serviços como o Uber vai ser contra a existência deles? Afinal, é normal que quem use Uber/Cabify também seja usuário de táxis, ônibus, entre outros serviços de transporte. Parece que estão sendo obrigados a gostar de algo só porque ele existe. Parece a tese da cerveja: "Quando a pessoa está muito afim de simplesmente beber uma cerveja e se depara com um leque de opções. Se o atendente simplesmente coloca-se uma arca qualquer a pessoa beberia sem questionar, mas como tem que decidir acaba se incomodado, e mesmo que escolha a melhor opção ficará desconfiado se tomou a melhor decisão ou não". Este é o exemplo de que as pessoas se sentem importunadas em ter que decidir, preferem que alguém faça isso por eles.
          Para finalizar esta postagem, se esta PLC 28/2017 for aprovada, ou mesmo a proposta de Dória de tributar serviços de Streaming for aceita, será uma prova de que a vontade popular não serve para nada. Que o mandato emprestado para os vagabundos, corruptos, hipócritas que envergam seus ternos para preencher os cargos públicos, não merecem o crédito e o prestígio que lhes foi dado, embora ganhem altos salários para roubarem, principalmente dos mais pobres. Pode ser que mereçamos esses representantes que temos, afinal, muitas pessoas votaram neles, pois os mais corruptos e responsáveis diretos pelo atraso que o Brasil apresenta, se reelegem constantemente por ampla maioria de votos. Depois não adianta se ajoelhar pedindo a Deus para que a Lava jato puna os bandidos, pois de forma lenta, minimamente justa e parcial, eles estão apenas corrigindo os erros dos eleitores que permitiram com que seus crimes fossem cometidos. Ainda assim, muitos saem as ruas para ir contra tal operação alegando perseguição política de seus "bandidos de estimação". Não é atoa que artistas e personalidades critiquem a policia federal, a justiça e queiram o fim da polícia militar, assim como a liberação das drogas, do aborto, da pedofilia, o fim da propriedade privada, o desarmamento civil, entre outras tantas bandeiras que estão sempre defendendo.  
  

domingo, 22 de outubro de 2017

Artistas apoiando o MTST e outras coisas

          O Brasil é fértil em populismo desde que a república foi instaurada de forma grosseira e interesseira. Por ser um país com grande desequilíbrio econômico, sempre houve migração de zonas mais pobres para lugares onde se poderia ter mais oportunidades de emprego e condições dignas de subsistência. Ao invés de proporcionar melhores condições de desenvolvimento nas regiões mais pobres, usou-se este problema social para alcançar ascensão politica, principalmente. Isso é típico do nordeste do Brasil, onde Collor, Sarney, Renan Calheiros, Lula, Ciro Gomes, entre muitos outros, posam de messias dos pobres para acumular riquezas e poder. Mas isso não é exclusividade do nordeste, de formas diferentes, todas as regiões do Brasil sofrem deste mesmo mal social chamado oportunismo político, ou seja, populismo. Pessoas que são extremamente ricas, como os citados acima e assemelhados, vão até os mais pobres vender um discurso de igualdade, ódio aos ricos, culpando-os pela pobreza alheia e se colocando como grande agente da mudança. Normalmente os empresários são demonizados, mas quem manipula os empresários são exatamente aqueles que os criticam publicamente, fazendo com que muitos deles esmaguem seus concorrentes com benefícios do governo. O poder político controla toda a riqueza do país, pois basta uma canetada de um destes "representantes do povo" para que um rico empresário, que não cumpra algum acordo escuso, vá parar na cadeia. A Lava jato está aí pra mostrar como tudo é feito. Grandes empresas financiando campanhas eleitorais milionárias para os "defensores do povo", em troca de obras para Copa do Mundo, Olimpíadas, portos em Cuba, estradas na Bolívia, eleições na Venezuela, entre outras coisas.
          O vídeo ao lado mostra uma campanha feita com a participação de artistas, entre outras personalidades, em favor de uma invasão do MTST em São Bernardo do Campo, onde 6.000 famílias estão acampadas em um terreno que estaria abandonado a 40 anos. Como é irônico ver artistas como Letícia Sabatella, Camila Pitanga, Caetano Veloso, entre outros, todos ricos e que odeiam caminhar no meio do povo, que andam com seguranças armados ao saírem as ruas, apoiando os coitadinhos que não tem moradia. Aliás, Caetano Veloso e a tal "máfia do dendê" já controla a cultura do país, pois desde que seu parceirão Gilberto Gil assumiu o Ministério da Cultura, a Lei Rouanet tem sido usada para financiar artistas consagrados ou aberrações como as exposições que tanto repercutiram a pouco tempo, então é natural que ele intervenha em outras áreas também. Não surpreende que a tática adotada seja esta, pois tais artistas tem grande aceitação, principalmente entre as classes mais baixas que assiste novelas e programas de variedades das grandes emissoras do país. Nestes programas é onde são oferecidos os produtos dos grandes empresários que financiam o governo, os artistas manifestam suas opiniões e onde a grande máquina funciona.
          Quem vive há 40 anos em comunidades pobres, como é o meu caso, sabe exatamente como tudo funciona o processo de acupação. Vou contar como a coisa funciona na minha região de forma genérica. Algum membro de movimento social ou um político qualquer entra em contato com líderes de comunidades pobres, normalmente que já habitam em invasões, e indicam um terreno ou uma área qualquer, podendo ser privada, área verde ou particular, para ser invadido e se montar uma pequena comunidade derivada de outra semelhante. Essas pessoas vão e se acampam no local estrategicamente escolhido. Ao fazer isso começam a vender terrenos para outras pessoas, trocam por carros, motos ou casas em outro local. A ideia é, mesmo que sejam despejados, a prefeitura tenha que realocá-los em outro lugar. Costumeiramente, um traficante ou grupo de foragidos da polícia acabam por fazer a segurança do local e começam a traficar dentro desta comunidade que se forma. O caso vai parar na justiça para que haja a reintegração de posse, e isso demora, pois muitas vezes até os juízes responsáveis pelo caso acabam entrando no esquema para ganhar dinheiro. O que, ao olhos dos incautos, parece apenas um monte de famílias pobres sem teto, na verdade é um grande comércio informal que beneficia o tráfico, políticos emergentes e ambiciosos e populistas oportunistas. Enquanto quem realmente precisa de uma moradia é usado como massa de manobra e escudo humano quando algo dá errado. Mas o papel principal dessas pessoas é dar sustentação para essas atividades. O que sai na mídia é apenas a parte triste e comovente da situação, sendo que tudo não passa de uma tática criminosa de conseguir vantagens políticas.
          Quanto aos artistas apoiarem essas causas, é fácil entender seus motivos. Artistas gostam de popularidade, influência, dinheiro e drogas. Muitos deles querem tudo isso como Fábio Assunção, Vagner Moura, Agnaldo Timóteo, Marcelo Antony, entre tantos outros, basta ver o que eles defendem. Eles usam da sua influência junto ao cidadão para vender sua imagem a serviço de suas ambições pessoais. O posicionamento á favor da "liberdade de expressão", manifestada frente a repercussão das exposições já citadas, (leia aqui, aqui, e aqui) servem apenas para que as famílias fiquem expostas a pedofilia e práticas mais subversivas. Junte-se à isso a constante luta em favor da liberação do aborto e das drogas, fazendo com que adolescentes usem o sexo para conseguir drogas e traficantes usem estes adolescentes, e até crianças mesmo, para vender mais drogas oferecendo sexo fácil. Assim, artistas podem ter suas drogas e suas orgias com menores garantidas, os traficantes terão sua clientela e seu poder garantidos, os políticos terão seus fantoches e poderão controlar o empresariado e a sociedade como um todo. Estes últimos são os maiores beneficiados com tudo isso, pois são o elemento de convergência entre todos estes interesses e o agente que realmente faz tudo funcionar. Outra coisa que contribui pra isso é educação cada dia mais deficiente e obrigatória, monopólio quase absoluto do governo.
          É interessante como as pessoas não veem o que realmente acontece embaixo de seus narizes. Não percebem como uma coisa como o Queermuseu em Porto Alegre, Le Betty no MAM em São Paulo, o líder do MST ameaçar o juiz Sérgio Moro e fazer um vídeo em apoio a ditadura de Maduro na Venezuela, artistas apoiarem uma campanha publicitária de Lula no final de 2016 e depois apoiarem uma ocupação do MTST em São Bernardo do Campo, Paula Lavigne fazendo campanha pra legalização da maconha, conforme o vídeo ao lado mostra, são todos movimentos orquestrados e cuidadosamente planejados. Esse mesma senhora, em entrevista para a revista Playboy, admitiu que teve suas primeiras experiências sexuais com seu marido aos 13 anos de idade, ele já com 40 anos. Foi além, confessou que sua primeira vez teria ocorrido numa festa em comemoração aos 40 anos do cantor e compositor. Claro que, para uma população que é incapaz de ler um bilhete e saber do que se trata, é difícil fazer a relação entre essas coisas, podendo até considerar teoria da conspiração, mas é fácil fazer a ligação de todos estes "agentes da liberdade" atuando em benefício próprio. São figuras patéticas, covardes e medíocres lutando por suas subsistências, sem escrúpulos ou vergonha de mentir, mudar de discurso e se entregar a qualquer prática, sendo criminosa ou não, para obter o que querem. A lei e a ordem são meras abstrações, como massa de modelar, que toma a forma que o manipulador quiser dar.
          Voltando a tal ocupação do MTST, é interessante observar que o PT dominou por muito tempo o ABC paulista e não acabou com a falta de moradia, embora isso seja quase irrelevante, pois estes assuntos nunca foram levados a sério mesmo. Após perderem as prefeituras dessas cidades em 2016, começaram a surgir tais ocorrências sempre pendendo para o lado destes articuladores. Alias, o ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, não foi assassinado por conta de corrupção da prefeitura? Depois, coincidentemente, as seis pessoas que estariam diretamente envolvidas no caso foram encontradas mortas de maneira suspeita. Seria uma tentativa de retomada do controle da região, já que Palocci está preso e confessando seus crimes, ele não era de lá também? Não foi lá que Lula criou sua popularidade? Tudo isso é de se analisar com calma, pois fatos são fatos, narrativas são narrativas, existe sempre uma verdade de fundo que é maquiada ou mesmo escondida pelos envolvidos. Tenho feito diversas exposições de ideias aqui e já fui advertido e até ameaçado por conta disso, mas não ligo. Como artista eu sei que terei minhas portas fechadas para sempre, mas nem por isso vou fazer vistas grossas para as práticas perniciosas de meus "colegas". Por sorte não dependo de minha arte para sustentar minha família. O cenário criado por estes crápulas permite que uma pessoa, mesmo que limitada, possa se manter num mundo onde impera a covardia, o analfabetismo funcional, os motivos banais e as personalidades descartáveis.   

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Reações às reações #GloboLixo

          Quem observou a matéria em destaque do Fantástico na Rede Globo no último domingo, 08/10, deve ter percebido que há uma tentativa muito forte de tratar os últimos acontecimentos, mais precisamente os eventos que já saturei a conta de falar aqui e aqui, Le Betty e Queermuseu, onde a manifestação popular contra o nível do que foi apresentado nas exposições teve proporções muito grandes, como sendo um caso absurdo de censura a arte. Claro que muitos acham que foi algo orquestrado por algum movimento oportunista de direita, já que muitas personalidades se manifestaram, eu coloquei algumas pessoas falando aqui no blog, mas não foi por conta de movimentos ou grupos políticos específicos que a população reagiu, foi um caso de combustão espontânea mesmo. O fato é que censura em si é uma coisa muito mais branda do que realmente as pessoas reagindo como aconteceu. Quando se censura algo, não se pune alguém criminalmente, apenas se impede que essa pessoa ou grupo faça determinada coisa por determinado tempo ou altere parte do conteúdo de uma matéria de jornal, por exemplo. Nos casos em questão, as pessoas denunciaram que foram cometidos crimes. Dois certamente: Expor menor a nudez, o que fere o estatuto da criança e do adolescente e injuria religiosa, ou difamação ao culto, não recordo o termo certo. O resto é mal gosto entre outras coisas que já falei aqui.
          Mas no caso não houve censura. O que houve foi um boicote e uma manifestação questionando o contexto impróprio e até criminal do conteúdo tido como artístico e ao público que foi exposto. Até onde eu sei, a população não tem o poder de censurar nada, o que fica evidente é que se a mesma se manifesta de forma contrária as vontades de certos grupos, é acusada de censura, radicalismo, até de massa de manobra por parte de terceiros. O mais interessante é que nos programas que contestaram, principalmente a apresentação no MAM, colocaram tarjas sobre as partes intimas do coreógrafo. Por que será? Será porque é crime expor ao público infantil a nudez? Como algo pode valer de uma forma e não valer de outra já que se trata exatamente do mesmo assunto? Assim como muitas das obras criticadas na exposição do Santander não puderam ser reproduzidas em tv aberta. Claro que a simples indicação de faixa etária resolveria na maioria dos casos, mas a intenção era expor as crianças. Talvez um teste para medir a tolerância das pessoas quanto a determinados temas e a flexibilização da lei, já que vemos tantos malabarismos jurídicos em prol de criminosos diariamente.
          No caso da Dona Regina, que contestou docemente a posição dos atores globais e foi fulminada com olhares de nojo por eles, como pode ser visto ao lado, ficou bem clara a opinião majoritária do público em geral com as reações nas redes sociais. Houve até alegações que uma das crianças que estavam interagindo com um homem nu estava com a mãe. Se for este o caso, quando alguns pais desmiolados colocam suas filhas adolescentes ou crianças para se prostituirem também não há problemas, afinal os pais consentiram? Quanta hipocrisia! Isso ocorreu no famigerado "Encontro com Fátima Bernardes", por esse motivo o fantástico fez uma matéria para criticar a critica popular e tentar controlar a situação, desviando o foco para outras opiniões e situações, como se a máxima de que uma mentira sendo repetida diversas vezes se torna verdade pudesse se materializar no imaginário popular neste caso. Esse é o verdadeiro motivo pelo qual tenho me prendido nesse assunto e insistido em falar neste espaço, para que não caia no esquecimento e nem seja revertido na opinião das pessoas como estão querendo fazer. As pessoas não podem parar de cobrar providências. O resultado foi uma avaliação do Ministro da Cultura e a revisão de certos pontos da Lei Rouanet, inserindo parte da Constituição ao texto da lei, além de uma consulta popular feita junto a população pelo site do Senado, questionando se a população apoia a revogação da Lei Rouanet.
          Pudemos ver a reação da reação, por assim dizer. Caetano Veloso, Fernanda Montenegro, entre outros "artistas", se revoltaram alegando lutar contra a censura, mas na verdade a gritaria é contra a Lei Rouanet estar em evidência. Isso porque, desde que Gilberto Gil assumiu o Ministério da Cultura no governo Lula, os recursos oriundos desta lei passaram a se intensificar para os artistas do Fora do Eixo, da produtora da mulher de Caetano, Paula Lavigne, entre artistas consagrados como Chico Buarque e por aí afora. Sendo assim, houve um controle ainda mais restrito da tal "máfia do dendê" sobre os investimentos e o direcionamento cultural no Brasil. Mostrei no final de 2016 artistas apoiando uma campanha do Lula para arrecadar dinheiro para financiar iniciativas de marketing contra a Lava jato, assista o vídeo ao lado. O próprio ator José de Abreu, após negar veementemente que nunca utilizou Lei Rouanet, teve sua prestação de contas rejeitadas esta semana. Segundo consta, haveria fraude nas notas apresentadas pela equipe do ator ao fazer a prestação de contas de um espetáculo financiado pela lei Rouanet. Fraude de recibos envolvendo um petista? Onde vi isso recentemente? O ator ha pouco mais de um ano cuspiu no rosto de um casal por diferenças partidárias. Orgulhoso, postou nas redes sociais, "cuspi na cara dos coxinhas". Também xingou um jornalista da Veja, quando o mesmo noticiou que José de Abreu teria usado de recursos da bendita lei para uma peça. "Jamais usei Lei Rouanet, seu merda!", twittou o ator.
          Em se tratando de atores da globo, temos o Fábio Assunção se filiando ao PT e fazendo vídeos contestando coisas e defendendo bandidos, após ser detido em Pernambuco por desacato a autoridade, ofendendo policiais completamente bêbado há pouco tempo atrás. Posso citar o cantor Agnaldo Timóteo, vereador envolvido com jogo do bicho, se declarando soldado do Lula e tudo o mais, para ilustrar o que há por trás da classe artística, grana e poder. Ao se aliar a determinado grupo político e ajudá-lo a se consolidar no poder, grupos de artistas começam a tirar proveito dos recursos financeiros e do poder de empresas de mídia, sindicatos, ONGs e onde mais puderem atuar. Lembram do Tony Ramos fazendo os comerciais da Friboi? Parece que fugi do assunto do Fantástico e das exposições? Nada disso, tudo faz parte do mesmo plano e o mesmo grupo de pessoas está por trás. Não notaram as dimensões que o nome de Luciano Huck tem ganho no cenário politico atualmente? Isso são apenas as peças se movimentando pra tudo ficar como está. Pois estes grupos não conseguiram tirar doa ar da própria Rede Globo os programas infantis com desenhos animados porque proibiram os comerciais de brinquedos? No lugar colocaram programas que basicamente anunciam Perdigão, Sadia, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Correios, Petrobrás e afins. O nome disso é controle, então, qualquer pessoa que reaja a isso está praticando atos de censura, de desrespeito a arte e baboseiras desse tipo.
          Encerro dizendo que, mesmo a Veja que é taxada como sendo de direita, fez uma capa muito interessante falando de Jair Bolsonaro e a possível ameaça que ele representa. Particularmente não tenho grande admiração por Jair Bolsonaro e sei que sua imagem está mais ligada a caricaturas feitas tanto pelos que o defendem como por aqueles  que o atacam. Claro que com os últimos acontecimentos o nome do deputado se fortalece, afinal, ele não é sitado em investigações de corrupção, é atacado por figuras mais nefastas que ele, defende coisas como a possibilidade de um cidadão comum portar armas, de fortalecimento da polícia e do exército, se identifica com os religiosos e com quem quer a volta dos militares ao poder. O caso que a capa da revista Veja, mesmo que seu conteúdo possa dissolver essa impressão, o que duvido, por si só já demonstra uma tentativa de mudar o foco e criar um novo monstro. São as reações á reações e isso é notório e até cômico. Vejo determinado grupo atordoado e parindo bizarrices por conta da sua própria insegurança, como não encontra uma oposição sólida, apenas tem suas entranhas expostas de forma grotesca ao público em geral, a palhaçada toda cria proporções nojentas como o jornal inglês sugeriu esta semana.  

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado?

          Acabei de ler o livro escrito por Bruno Garschagen "Pare de acreditar no Governo, por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado" lançado a poucos anos pela editora Record. É uma leitura rápida, talvez possível de ser feita durante uma viagem nas intermináveis esperas em aeroportos, mas fala de um tema de certa forma profundo e nunca abordado de forma tão direta. Nos livros que li e palestras que assisti, esse tema sempre foi um apêndice ou simples elemento de alguma tese, porém, nunca o centro direto da discussão. O que me motivou a ler o livro foi o contato recente que tive com o trabalho do escritor em seus podcasts no Mises Brasil e seus vídeos no Youtube onde se pode ver algumas palestras e entrevistas muito interessantes. Concordo com algumas ideias liberais, algumas delas se justificam no livro, outras eu sou completamente contra, essas não estão no livro, mas Bruno Garschagen se autointitula conservador, assim sendo, economicamente tende a seguir certos aspectos liberais. Um conservador é um cético por excelência, então é comum não acreditar em governos e salvadores da pátria. Entretanto, o Brasil sofreu uma lavagem cerebral que expeliu pelo ralo da latrina mental muitos aspectos do pensamento conservador muito importantes para o debate público. Contudo, mesmo com uma longa história de dependência estatal, nunca se dependeu tanto do governo.
          Pelo que conheço de Bruno Garschagen, esperava bem mais dessa obra, intelectualmente falando, pois o texto me pareceu brando e de certa forma caricato em alguns momentos. Mesmo assim, acho que ela, a obra, tem sua importância no mercado, já que se tornou um best seller, devidamente comprovada pela ausência deste tipo de trabalho num passado recente. Este livro vem somar á uma leva crescente de escritores que fogem em estilo da literatura das últimas décadas. O que me causou certo descontentamento, ou sentimento de que poderia dar mais sobre o assunto, esteja na proposta da obra ser leve e para uma leitura também divertida, além de tratar de um tema muito sério. Talvez uma introdução agradável ao tema.  O autor tentou alicerçar a narrativa em cima da trajetória dos governantes e pontuou algumas falhas e demonstrações que justificam o título do livro, isso me deixou um pouco desconfortável, pois não atacou os efeitos de algumas ações, expondo as consequências de tais medidas intervencionistas com o passar do tempo, o que tornaria o livro mais sério e controverso. Também pude perceber certo tom acadêmico e apressado, como se fosse a versão editada de alguma outra coisa. Pode-se afirmar que esse sentimento deriva das citações biográficas com aspectos selecionados, entretanto eu achei que vai além disso. O não aprofundamento pode ter dado a leveza do livro, mas tirou sua profundidade, não dando ao leitor aquelas pedradas prontas para serem usadas.
          Bruno Garschagen é uma pessoa bem humorada, polida e demonstra uma bagagem intelectual aceitável, embora muito acima do que se observa atualmente, isso refletiu em sua obra, pode vir daí minhas ressalvas descritas no parágrafo anterior. Sendo um acadêmico, com ideias liberais, postura leve e sorriso fácil, a contundência de seus objetivos com a obra tenham sido abrandados. Notei equívocos de períodos históricos, de interpretação filosófica e ideológica em alguns pontos, mas não vale aqui citar. Em contrapartida, mesmo com as possíveis falhas, o livro trás uma narrativa com base em documentos e colocações honestas. Por esse motivo, pode ser parte relevante de uma pesquisa para quem deseja se aprofundar no tema. Talvez Bruno tenha tido receio em usar linguagens mais técnicas, o que dificultaria a leitura para grande maioria dos brasileiros. Falo com certa aspereza porque este tema é objeto de um livro que ainda quero escrever, porém, ainda sou jovem e imaturo para dar um formato definitivo para um produto tão necessário e mais do que tardio.
          Já falei diversas vezes sobre os serviços públicos e a atuação dos governos. É claro que dar cinco meses de trabalho em tributos e receber como retorno serviços como os oferecidos pelo SUS, ver escolas em greve, professores militantes e sem conteúdo, ruas e avenidas esburacadas, mais de sessenta mil homicídios por ano, grandes empresas sendo motores de ação de políticos em troca de crescimento instantâneo e benefícios, tudo isso é revoltante. Porém, ao invés de ir contra o governo definitivamente, a população em geral vai contra determinados políticos e assimilam o discurso de outros, com a ideia completamente descabida que o problema é o gestor e não o tipo de gestão. Isso causa a dependência do estado nas áreas fundamentais da sociedade como saúde, segurança, infraestrutura e educação. É tão notório onde está o problema que as pessoas preferem ignorar para não assinarem o diploma de idiotas. Assim sendo, é mais confortável terceirizar a solução dos problemas comuns nas mãos de bandidos e incompetentes do que tomar as rédeas da própria vida. Quando vejo "artistas" acusarem o Ministro da Cultura de ceder as vontades de religiosos quando o mesmo apenas incluí no texto da Lei Rouanet o que reza a constituição como ocorreu essa semana, é uma demonstração de que mesmo artistas consagrados e ricos temem o afastamento da intermediação do governo em seu favor. depois do ocorrido no MAM em São Paulo e no Santander Cultural em Porto Alegre, escrevi a respeito aqui e aqui e especificamente sobre a Lei Rouanet aqui, é de se admirar que tal lei não fosse revogada para investigação. Mesmo assim há muita coragem em se manifestar em favor dela e ir contra a vontade da população, que são os verdadeiros clientes destes artistas.
          Esperar que políticos resolvam os problemas da população utilizando o poder do Estado é algo historicamente idiota. Os políticos são a referência para eles próprios, ou melhor, base de comparação, portanto, questionar atuações de determinados governantes é algo inócuo, pois só são confrontados com atuações de outros políticos. Isso deixa o debate e o nível de exigência muito rasteiro. Quem governa normalmente se descola da realidade e perde a referência de quanto R$ 1.000.000,00 de Reais vale. Mas políticos vem e vão, sempre pelo mesmo motivo, utilizar o poder da máquina estatal em benefício próprio ou de sua pequena coletividade de abutres gananciosos. Imagine você comandar o que as crianças aprendem, quanto uma mercadoria vai custar, o que pode e o que não pode, o que vai ser notícia, que empresa ganhará um contrato milionário, quantos policiais terá nas ruas, o que as forças armadas vão fazer, quem pode e quem não pode ter benefícios, ou seja, poder ilimitado. tanto que nessa mesma semana, o deputado Áureo do Solidariedade-RJ escreveu uma emenda na lei sobre a reforma política que dava poderes á qualquer político ou partido, que se sentisse ofendido ou em desacordo com alguma postagem, notícia ou comentário na internet, para solicitar ao provedor a retirada em até 24 horas do conteúdo sem autorização judicial, o que fere diretamente o artigo 220 da Constituição. O próprio deputado desconversou e pediu publicamente para que o presidente vetasse, mesmo assim o veto pode ser cassado pela câmara. Imagine em ano eleitoral não poder criticar um candidato nas redes sociais? Um absurdo que só é possível graças ao poder nas mãos destes safados.
          Por mais que se ressalte programas como bolsa família, o custo disso é muito alto para o impacto que tem na vida das pessoas. Digo isso porque a pessoa que inventou isso se tornou um dos homens mais poderosos e influentes da América, seus filhos ficaram milionários, as empresas que ajudou cresceram exponencialmente, mas a população assistida segue vivendo de esmolas concedidas como benefícios públicos. Esse tipo de coisa seduz e o estado usa todo o seu poder para garantir, que mesmo que um político seja execrado, este poder sempre fique na mão da classe política. Isso faz com que as pessoas não pensem em outras formas de ação, ficando eternamente esperando que o poder político resolva seus problemas mais urgentes. O triste é que essas pessoas não entendem que isso nunca vai acontecer da forma que elas imaginam. Sempre haverá um interesse escuso por trás das ações dessas pessoas nas quais depositam sua confiança. Nem todos que entram na política tem mal caráter, mas o poder corrompe. Assim como o medo atômico, tal poder não poderia existir, mas existe e é usado sem decoro. Sinceramente, o Brasil tem que deixar de ser o país dos coitadinhos e dar um basta nessa palhaçada. Chega de choradeira! Que as pessoas tenham vergonha de apoiar e defender corruptos em troca de esmolas e se empenhem em prosperar honestamente com as próprias pernas.