domingo, 29 de janeiro de 2017

Homossexuais


          Este tema tem sido constantemente visitado por diversas pessoas nos últimos anos e, como escrevi minhas impressões sobre o aborto, vou dar minha opinião a respeito. Pude conviver com homossexuais em alguns empregos, principalmente em tele marketing, em cursos profissionalizantes e na escola. Também tenho amigos homossexuais nos meus ciclos mais próximos. Por este motivo, não vou escrever algo politicamente correto, como se faz o tempo todo para tratar de temas polêmicos, porque não faço este tipo, prefiro dizer diretamente o que penso. Acompanho certas opiniões de diversas tendências e posso afirmar que, o que vou escrever aqui, é fruto de horas de reflexão e foi confrontado de diversas maneiras, e com pessoas de opiniões totalmente contrárias a minha, até eu chegar a essas conclusões que apresento neste texto. Tenho a amostragem de meu convívio social e profissional, mas tenho também a perspectiva de quem teve um longo período frequentando uma igreja evangélica, já que minha família, em sua maioria, é identificada com o cristianismo. Portanto, muito do que se vê nos jornais, nos discursos políticos e nos comentários por aí a fora, não batem muito com a realidade do dia-a-dia, ao menos, onde eu moro e das pessoas que me relaciono.
          Primeiramente, quero falar do que eu penso sobre os homossexuais em geral. Sinceramente, eles não me incomodam de forma alguma. Somente quando algum mais exaltado tenta me impor algo ou age de forma espalhafatosa em algum lugar inapropriado, como em um ônibus lotado, por exemplo. Tenho um exemplo disso, onde um jovem, vestindo roupas normais e sem maiores adornos que o caracterizariam como sendo gay, agia de forma extravagante e gritava com as colegas de curso, incomodando quem estava voltando do trabalho num ônibus lotado nos final de tarde. Muitos dos passageiros se irritavam com aquilo e eu podia ouvir comentários bem agressivos. Contudo, não era a opção sexual que incomodava, já que aparentemente este jovem era hétero, foi o comportamento inadequado com suas afetações que causou perturbação. Por outro lado, tenho duas amigas, que conheço a bastante tempo, que moram juntas e são bem discretas quanto ao seu relacionamento. Entretanto elas, ao invés de ostentar sua relação, preferem ser mais cuidadosas porque sabem como há um preconceito em relação a isso. Portanto, eu simpatizo, ou não, com uma pessoa sem levar em consideração a condição de homossexual. Parece politicamente correto, conforme a tendência atual, mas não é, sou indiferente quanto a sexualidade das pessoas. Costumo avaliá-las por suas virtudes e defeitos, pois outros fatores não me dizem respeito.
          Por outro lado, tanto nas escolas, como nas atividades profissionais, noto que a maioria das pessoas, em circuito fechado é claro, tem aversão ao homossexualismo e comentam com bastante firmeza suas opiniões. Entre homens, ser gay é motivo de chacota, desonra, inferioridade. Embora saiba que alguns já tiveram experiências homossexuais, no geral há um discurso agressivo contra os gays. Há uma necessidade de afirmação masculina que muitas vezes se mostra exagerada e desnecessária. Alguns mais moderados, em se tratando de homens, que não tem problemas com mulheres se relacionarem, mas criticam duramente a relação entre homens. Já outros desprezam com total ojeriza qualquer relação homossexual, não interessando qualquer variação. Estes são os que ficam em silêncio, levam sua repulsa com maior discrição. Preferem fazer apologias á violência em casa ou nos seus ciclos de amizades. Também existe pessoas que tratam isso da mesma forma que eu, de forma leve e sem preconceito, mas são mais raras de encontrar. Heterossexuais isentos aos homossexuais são o tipo mais raro, ao menos foi o que observei ao longo dos meus quase quarenta anos de vida. Podem fazer piadas, rir em grupo com certos comentários maldosos, mas que no fundo vê os gays como seres humanos comuns, livres de defeitos e pechas vexatórias.
          Sobre as uniões homo afetivas, tenho algumas restrições, não na relação em si, mas em alguns itens protestados pelos movimentos. Na verdade uma só, o casamento religioso. A união oficializada em um cartório entre dois homens ou duas mulheres, acho justa e necessária em caráter social. Há de se garantir, perante a lei, os direitos civis e jurídicos destes cidadãos, aceitando sua união como contrato nupcial idêntico as uniões mais convencionais entre homens e mulheres. Da mesma forma, o direito de adotar ou ter filhos, desde que não se invente coisas como colocar progenitor A ou B e progenitora A ou B, no registro da criança. Ou a criança tem duas mães, sendo uma delas com leve vantagem caso seja quem gerou a criança, ou dois pais com direitos iguais, caso nenhum seja o paí responsável pela herança genética. Entretanto, uma cerimônia religiosa para unir homossexuais eu já não concordo. Não sei quanto a outras religiões, mas o cristianismo, baseado nos mandamentos da bíblia, somente considera o casamento entre homem e mulher. Há trechos bíblicos em que as relações homo afetivas são criticados e condenados, portanto, são as regras da instituição igreja para com a celebração do casamento. Neste aspecto, não estamos falando de um direito publico e extensível a todos, falamos de uma instituição específica com suas regras e dogmas. Esse tipo de cuidado é importante, pois entraremos em debates de "cura gay" e outras coisas que não são importantes para a sociedade em geral.
          Quanto a movimentos, que alguns chamam de gayzismo, eu não vejo com bons olhos. Juntar pessoas, que tem em comum o fato de serem gays, lésbicas, transsexuais e tuti quanti, para exigirem leis específicas por conta de constrangimentos, abusos, violência ou discriminação, me parece ilegítimo. Falo isso porque os considero pessoas comuns, portanto, se forem discriminadas, agredidas, ou sofrerem com qualquer tipo de ato criminoso, a lei tem que ser a mesma. O fato de ser homossexual, não dá o direito da pessoa ter legislação própria. Se lutam contra a discriminação e o preconceito, que existem em grande escala, não podem exigir que tenham um tratamento diferenciado, e sim, que tenham um tratamento igual aos não homossexuais. Ao invés de lutar contra discriminação característica, acabam por incitar ainda mais o preconceito chamando para si mais atenção do que o ideal, ainda são usados como massa de manobra por movimentos políticos que adoram pregar a defesa das minorias, mas que na verdade, querem apenas representatividade política para chegar ao poder. Ainda acredito que, a melhor forma de lidar contra o preconceito, é manifestar-se pontualmente quando agredido e tomar as atitudes que garantam a prisão do agressor. Assim como o politicamente correto faz parecer que não há publicamente uma rejeição tão forte, nos ciclos fechados existem até grupos de extermínio de homossexuais se organizando.
          Encerro afirmando que muitos homossexuais contribuíram grandemente para a humanidade, tanto na arte, como nas ciências, no desenvolvimento humano ao longo da nossa existência, não por serem gays, mas por serem pessoas de nível diferenciado, que se destacaram no que faziam. Independentemente de ser homossexual, o que vale são as virtudes e defeitos na definição dos valores das pessoas. Erguer bandeiras que certamente provocam reações hostis, não ajudarão na busca do respeito e do reconhecimento da sociedade. Saber cativar quem está próximo como familiares, amigos, colegas de escola ou trabalho, conquistar objetivos profissionais e pessoais, respeitar as opções contrárias e usufruir da liberdade de forma responsável, são as maiores demonstrações de força e respeitabilidade que qualquer ser humano, homossexual ou não, pode almejar conquistar. Para os preconceituosos, resta tentar enfrentar os impulsos e ser mais tolerante. Todos devem ter respeito pela individualidade dos outros para que possam exigir o mesmo. Atitudes preconceituosas, assim como movimentos coletivos de classes específicas, só servem para criar atrito e mais desunião da sociedade.

sábado, 28 de janeiro de 2017

O mínimo que você precisa saber pra não ser um idiota


          Este livro organizado pelo jornalista e blogueiro da Veja, Felipe de Moura Brasil, e lançado pela editora Record, é uma coletânea de diversos artigos escritos pelo filósofo e jornalista Olavo de Carvalho ao longo dos anos. Este tipo de literatura vem ganhando notoriedade no Brasil, pois o livro lançado em 2013 vendeu mais de 100.000 cópias, assim como outros autores alternativos e que pautam suas ideias contrariando as teorias esquerdistas. É uma iniciativa ousada, tanto para a editora, que normalmente trabalha com escritores de ideologia esquerdista, como para o jornalista responsável pela organização dos textos, notas de organização e autor da ideia. Digo isso, pois é notório o receio em publicar algo ideologicamente contrário aos interesses dos governantes brasileiros, que pregam teses populistas para chegar ao poder e se utilizam de grandes empresários e operações fraudulentas para se manter no poder. Escritores como o notório Nelson Rodrigues tem suas obras raramente distribuídas e formam perdendo espaço ao longo dos últimos vinte anos. Olavo de Carvalho está vivendo a mais de dez anos nos Estados Unidos por conta da dificuldade de continuar escrevendo para os veículos brasileiros, devido a interferência do governo sobre as redações de jornais. O que é normal, em se tratando do governo petista, que prefere ir apagando aos poucos as teorias contrárias as suas e varrer para baixo do tapete toda a imundice que produzem. Lobão teve diversos shows cancelados, foi perseguido e hostilizado por ser abertamente contra Lula e o PT. A mesma coisa aconteceu com a atriz Regina Duarte, que agora só faz pequenas participações na televisão depois de ter se posicionado contra o governo também. Dentro deste contexto, mesmo havendo um mercado sedento por literatura liberal ou conservadora, as editoras e a mídia em geral tem receio de lançar esse tipo de trabalho, preferem perder dinheiro, sequer publicam maiores informações sobre obras deste tipo. Entretanto, a Record está na vanguarda lançando obras de Rodrigo Constantino, Flavio Morgenstern, Reinaldo Azevedo, Lobão e Olavo de Carvalho, ainda por cima tem traduzido para o português diversas obras de autores estrangeiros.
          O livro em si, contém em torno de 500 páginas, com textos de diversas épocas, como já foi falado anteriormente, já que Olavo escreveu para os grandes veículos de jornalismo do Brasil, organizados por temas de forma gradual, dos mais leves até os mais polêmicos. Os assuntos variam desde juventude, aprendizado, politica, religião, partidos políticos, revoluções e por ai vai. Pelo conteúdo já dá pra se ter uma ideia de porque Olavo saiu da Folha, do Globo, Zero Hora e que tais. Ele denuncia com a petulância de quem tem a informação privilegiada, a coragem de divulgá-la e comentá-la com o tom adequado. Seu alvo favorito é o socialismo/comunismo e seus revolucionários e seguidores, atacando de forma dura e quase ofensiva as intenções implícitas dos esquerdistas, não só no Brasil, mas no mundo todo. Desde a denuncia sobre a atuação do Foro de São Paulo, desde o inicio dos anos 1990, até os escândalos envolvendo o governo Obama, que a mídia se emprenha em esconder ou desconversar, quando não ignora totalmente. Olavo era atual a dez ou quinze anos atrás, e seus prognósticos vieram a se confirmar. Mesmo tendo uma rispidez quase neurótica ao tratar de alguns assuntos, não dá pra desprezar o conteúdo de suas teses e o embasamento teórico de sua escrita. Usando linguagem simples para desenvolver teorias complexas, apenas um analfabeto ou um completo idiota não conseguirá entender exatamente o que cada texto quer dizer.
          O Olavo de Carvalho em si, aparenta ser bem humorado e esperto em suas teses e discursos. Está a mais de quarenta anos exercendo atividades intelectuais, que o faz pulsar nos textos anti-socialista, pois demonstra conhecimento histórico e profundo sobre as causas que defende e as que ataca. Mas, mesmo sendo ferrenho oponente as teorias de esquerda, que simplesmente dominaram o Brasil e parte do mundo no século XX, existem outros assuntos abordados pelo escritor como, educação, comportamento e o próprio comportamento público em si. Claro, que um profissional com este estilo e acidez, haveria de se manter no underground pelo governo petista, pois se suas teses ganhassem o grande público antes, a realidade seria outra hoje em dia. Em tempos que a mídia, em sua maioria, nada investiga, prefere inventar noticias, replicar o que é divulgado por dois ou três veículos mais importantes e colocar panos quentes nos assuntos mais polêmicos, um jornalista como Olavo é uma ilha a ser explorada por quem realmente questiona as "verdades" apresentadas cotidianamente nos noticiários. Tardiamente, muitas pessoas tem encontrado sua obra e tendo uma visão menos torta do contexto político e social atual. Mesmo com mensalões e petrolões, precisou uma operação como a "lava jato" para despertar a atenção das pessoas para os crimes praticados no Brasil. Isso fez com que o filósofo ganhasse seguidores que começam a mostrar sua cara. O cenário politico brasileiro fez com que despertasse uma voz que a muito não era ouvida pelo público em geral. 
          Acho normal que o pessoal de esquerda odeie escritores como Olavo de Carvalho. Afinal, desde a ditadura militar a esquerda tem e hegemonia cultural. Nas faculdades, nos cursos de humanas, só se fala em Karl Marx, New Left, Escola de Frankfurt, Revolução Fabiana e Antonio Gramsci e Olavo conhece a fundo essas teorias e ainda pode dissecá-las aos mínimos fragmentos, ainda dar inúmeros exemplos práticos do que ele está dizendo. Se a esquerda abrir a guarda e não conseguir segurar essa vertente que Olavo de Carvalho representa, em poucos anos a forma como o brasileiro vê sua história e seus políticos será modificada radicalmente, pois não há sequer um escritor esquerdista que possa refutar, não só as teses, mas a verdade dos fatos como Olavo tem feito. Seria covardia e uma humilhação intelectual, pôr algum destes políticos do PT, Psol, PSTU, REDE e que tais, frente a frente com uma pessoa como Olavo, ou mesmo um de seus alunos de filosofia. Por isso o titulo deste livro em particular é "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", para que mude o enfoque da análise das noticias e, principalmente, dos discursos que estamos acostumados a ver por ai, que tentam mudar a história e tirar qualquer verdade dos fatos. Não apenas li os textos presentes no livro, como fui atrás de mais informações em diversas fontes diferentes, além das citadas por Felipe de Moura Brasil em suas notas, e constatei que as pessoas, fatos e efeitos estavam fielmente descritos na maioria dos casos citados pelo escritor. Tracei paralelos com o que saiu na mídia e que estava escrito nos livros dos autores citados, e pude ver que nada daquilo é fantasia. Mesmo os veículos mais tradicionais, chegaram a divulgar notas sobre temais mais complexos, mas acabaram maquiando os fatos ou dando uma abordagem vazia, mas as notícias estão lá.
          Esse livro é extenso e polêmico, mas contém uma matéria prima rica para aqueles que gostam confrontar suas ideias com teorias opostas. Para aqueles que acreditam que o Lula é o pai dos pobres, Cuba é um paraíso e a URSS era um sonho, vão detestar o conteúdo apresentado aqui, pois bate de frente com tudo que acreditam, jogando fatos e teses na cara sem o menor pudor. Entretanto, como falei acima, não há hoje sequer um escritor de esquerda que apresente alguma qualidade para rechaçar as teorias propostas pelo filósofo, o que seria muito interessante para o debate se tornar mais rico e interessante. O que noto nos discursos de defensores da esquerda é o mesmo teor do século passado, sem nenhuma atualização ou fato novo. O texto permanece igual e até eu já decorei por ter ouvido tantas vezes.
          Para encerrar, quero deixar registrado aqui que, por mais que uma pessoa tenha determinada convicção sobre algum assunto, é sempre bom confrontar seus argumentos de forma séria. Quando se fala de história, politica e ideologia, isso é ainda mais importante, porque somos os agentes da história e precisamos encarar isso com a responsabilidade o tema merece. Como citei acima, Olavo de Carvalho conhece muito os obras e as ideias dos principais autores de esquerda, além de buscar, e ter exito, as informações mais intimas e fundamentais sobre os acontecimentos e fatos. Portanto, não adianta tentar argumentar sobre o Capital, as técnicas de preenchimento de espaço de Gramsci, o uso da mídia como falsa opositora, e ao mesmo tempo, multiplicadora das teorias do governo, artigos encomendados de jornalistas oportunistas, ameaças de retalhação, teorias de perseguição e calunia, nada disso cola mais e a população está acordando para esse fato. Se tem um bando de sindicalistas que se presta a ouvir os discursos de Lula e todo aquele blá blá blá, ao mesmo tempo há o pessoal que está de saco cheio de ouvir a mesma ladainha e está buscando alternativas, as eleições de 2016 mostraram isso. Chega de dizer que o PSDB é de direita, que todo mundo é fascista por não querer mais ser enganado pelo discurso velho e fedorento que está ai a quase um século. Se as teorias são tão boas assim, porque não deram certo em lugar algum? Por que boicotar quem discorda ao invés de convencê-los? Falta argumento para um debate sério? Faltam fatos para comprovar as teses amplamente difundidas? Façam-me o favor de estudar um pouco e tirar o Brasil das ultimas colocações em qualidade de ensino do mundo.
      

sábado, 21 de janeiro de 2017

Aberrações ideológicas


          Uma coisa que gostaria de entender, é de onde as pessoas tiram seus conceitos mais relevantes e profundos. Quando moleque, e ainda começando a entender o mundo, via a polícia e o governo como vilões, assim como todo roqueiro daquela época. Eles representavam a antítese da liberdade, reprimindo e intimidando jovens a noite e coisas do tipo. Era normal tomar os clássicos paredões e uns tapas de brigadianos. Na década de 1980, o governo militar, que já estava caduco e não se justificava mais como regime de exceção, caiu de vez e o Brasil se sentia livre. Nessa época o PT nascia e criava músculos, assim como outros partidos que se livravam de vez do jugo militar. Os punks da época falavam em anarquia e coisas do tipo, entretanto, sempre que haviam shows de bandas punk havia briga entre grupos rivais, principalmente em São Paulo. Eram empolgante as letras de bandas como Cólera, Olho Seco, Ratos de Porão e Garotos Podres, todos pregando a liberdade e criticando de maneira ferrenha o governo opressor e corrupto. Nada mais justo, diga-se de passagem, pois no Brasil o governo sempre foi corrupto e se manteve com o dinheiro dos mais pobres. Isso é importante ressaltar, os empresários e ricos em geram, sempre beneficiaram individualmente os políticos ou grupos, os governos em si nada produzem, portanto, se mantém unica e exclusivamente do dinheiro dos pobres. Mas ai, esses mesmos movimentos começaram a se reunir em comícios do PT. Estranho isso. O PT é um dos filhos do PCB e tinha na sua linha de frente José Genuíno, José Dirceu, Dilma Roussef, entre outros ex-guerrilheiros. Será que a ideia de usar a repressão ditatorial bateu tão forte assim nos punks e rockeiros de plantão? Pode ter sido, mas ainda era difícil de entender movimentos anti governo apoiando as ideias de um partido político.
          É fácil entender que pessoas como Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso e Gilberto Gil simpatizassem com os princípios do PT, afinal, o próprio PCB era bem quisto por intelectuais e artistas, mas jovens metaleiros ou punks se sujeitarem a isso, já era em si algo bizarro? Mas até então aquelas figuras com discursos afiados eram representantes do povo, em teoria, e apresentavam uma opção supostamente honesta. Esse era o grande símbolo que tocou o povo, um líder que se originava da fome e a pobreza do nordeste e que começara a trabalhar em metalúrgica como torneiro mecânico. Não haveria como esse líder não tocar os trabalhadores explorados e os milhares de desempregados. Esses grupos já ocupavam espaço nos jornais, nas escolas e tudo o mais, no melhor estilo gramsciano de agir. Então eu via artistas da MPB pós Bossa Nova alinhados ideologicamente com Ratos de Porão e Garotos Podres. Gilberto Gil ainda ganhou um grande cargo como ministro, o que justificaria os primeiros, mas o segundo grupo? Qual o motivo? Ainda hoje não entendo. Não há nexo em punks e headbangers apoiando ideologicamente revoluções socialistas ou comunistas, pois elas nunca pregaram liberdade de tipo algum, e sim um Estado crescendo ao ponto de engolir tudo e se apropriar da vida de todos os cidadão, veja a China e a Coreia do Norte. Tudo tão distorcido quanto podem ser as coisas no Brasil. Se a música era pobre e as condições para adquirir instrumentos e equipamentos eram precárias, isso não pode ser atribuído ao governo, sendo ele da ditadura militar ou não, e sim a incapacidade do brasileiro de produzir qualidades mínimas que pudessem suprir essas necessidades. Não podemos esquecer que as grandes marcas surgiram de iniciativas individuais de pessoas em momentos de crise. Será que aquelas pessoas de camisetas pretas, cabelos compridos ou moicanos esperavam que, havendo uma revolução socialista, eles teriam mais shows, equipamentos melhores, a música se transformando em um pacto de unificação entre as pessoas? Bastava olhar para Cuba pra saber que lá Punk, Rock, Heavy Metal não são tolerados, muito menos na antiga URSS, ou no Camboja, no Vietnã, na China ou na Coréia do Norte. O maior exemplo é o do neto de Che Guevara, Canek Guevara, que teve que sair de Cuba por conta do movimento repressor a qualquer tipo de manifestação deste tipo. Isso pode ser lido no livro "33 Revoluções e cinco contos", escrito por ele.
          Mas, voltando ao Brasil. O PT chegou ao poder em 2003, após 8 anos de um governo não muito diferente ideologicamente do PSDB. Como Lula e Fernando Henrique sempre falaram, eles nunca foram inimigos ideológicos, apenas adversários políticos, lutavam por cargos, não por diferentes sistemas de governo. O PT já estava consolidado como partido, já tinha grande apoio de outros países através do Foro de São Paulo, que se manteve no anonimato no Brasil, e o que se mostrou foi algo previsível, para muitos entendidos no assunto não para mim, evidentemente. O PT já tinha a CUT, MST, UNE, todos os sindicatos, a mídia popular e mais a mídia identificada com o partido, atores consagrados, jornalistas influentes, músicos e jovens estudantes. E todos estes movimentos organizados, mais os empresários investindo pesado, sim, os famigerados empresários tão criticados pelo PT e aliados, foram quem garantiu a eleição e a governabilidade de Lula. Desde 2005, apareceram evidências de corrupção como a morte do prefeito Celso Daniel, o mensalão, envio de dinheiro para Cuba, Venezuela, Angola, etc. Nada disso mudou a percepção das pessoas sobre a verdeira motivação do partido e sua forma de agir. José Genuíno foi pra cadeia, Palocci, todos homens fortes do PT, mesmo assim, ainda pairava certo ar de inocência e honestidade em torno da estrela. Mesmo a participação das FARC no Foro de São Paulo, a amizade de Raul Reyes com Lula, os contatos com o MIR chileno, puderam manchar a imagem do PT perante a sociedade.
          No governo Dilma tudo piorou. Esperava-se o maior investimento de recursos externos para o Brasil por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas do Rio. Empreiteiras recebendo recursos fartos e repassando o dinheiro para os políticos, de todos os partidos aliás. Uma festa que terminou em uma crise econômica nunca vista no país por conta do Petrolão. A maior estatal do país sendo erguida ao patamar de potência da América Latina, para ser usada como principal ferramenta de lavagem de dinheiro para políticos e empreiteiros. A Operação Lava Jato indicia e prende muitos deles, outros por manobras rasteiras, continuam soltos. O país se divide entre nós e eles, coxinhas e petralhas, e mostra o quanto o povo brasileiro é burro. Acham que a queda de Dilma, os esquemas de corrupção, que levaram políticos pra cadeia, mas que prenderam mega empresários também, é plano do PSDB e do PMDB pra acabar com o PT. Essa é a antiga tática da dualidade escolhendo um aliado como sendo o adversário, do mimimi reclamando que há perseguição de fascistas contra os representantes do povo. Meus amigos prestem atenção, Romero Jucá foi líder de governo de FHC, importante no governo de Lula, atuou ativamente no governo Dilma e era pra ser forte no governo de Temer, mas as acusações de corrupção não deixaram, mas ele continua presente e ativo no governo. Geddel Vieira Lima, também tem livre acesso junto ao PSDB, PT, PMDB, entre outros, sendo muito querido por todos partidos. Renan Calheiros do PMDB era grande aliado de Dilma, e está ai com seus doze processos nas costas, aí só o Lula e os petistas são inocentes vitimas de conspiração? Aqueles que atraíram José Alencar, homem forte do empresariado, para sua chapa buscando ter o apoio dos empresários, que chamou seu maior adversário político de campanha, Ciro Gomes, para ocupar um ministério quando o PT assumiu o governo. Que sentaram ao lado de Sarney, aquele tão atacado anteriormente, para ter o apoio do PMDB em troca de financiamentos de campanha e aliança política? É difícil acreditar que tudo isso aconteça a luz do dia e não represente nada.
          Temos partidos como PC do B tentando mostrar a todos que os comunistas e socialista são os bonzinhos e defensores da liberdade, quando a história mostra que Stalin e Mao Tse Tung foram os maiores genocidas da história. Onde está a coerência? Defensores da liberdade cantando em verso e prosa louvores a militares assassinos confessos e criticando a ditadura militar no Brasil? Jovens com camisetas do Kiss, Black Sabbath, Iron Maiden, Metallica, Sex Pistols, Ramones, Slipknot, Korn, todas bandas americanas ou inglesas, apoiando Cuba, Venezuela, Bolívia xingando a plenos pulmões os países capitalistas que produzem grande parte das coisas que eles amam? Onde esse pessoal estudou? Será que Paulo Freire conseguiu realmente transformar o cérebro de estudantes, com seu método de ensino, em gelatina pura e sem sabor. As pessoas não conseguem ter um pensamento real e crítico? Querem liberdade, mas apoiam ditaduras comunistas, criticam a corrupção e defendem o governo mais corrupto da história, lutavam contra o governo e agora apoiam um estado inflado e corrupto. Onde está a coerência? Imagine que pessoas admiram sistemas de governo como o da Coréia do Norte e a total manipulação do governo sobre os governados e criticam a Coréia do Sul, que exporta cientistas e tecnologia para o mundo. Preferem a China, que abriu o mercado para o capitalismo estrangeiro, coisa execrável para os revolucionários, para vender a mão de obra de seus trabalhadores, a mais barata e desvalorizada do mundo, para não morrerem de fome, do que o Japão e sua afirmada liderança tecnológica e estrutural. Só para falar de países de um mesmo continente e culturas parecidas.
          A gente pára e lembra de grandes shows do Iron Maiden, Metallica, Sepultura, Pantera, Deep Purple, Led Zeppelin, Queen e outros tantos nomes do Rock e Metal mundial, e pensa que se o mundo fosse socialista ou comunista nada disso existiria. Ai olha numa ocupação de escola ou faculdade, jovens pregando as teorias de Marx, Gramnsci, Rousseau e que não fazem ideia de que existam coisas como von Mises, Roger Scruton, entre outros tantos pensadores que ofereceram opções inteligentes e tangíveis para a sociedade e as pessoas, defendendo regimes e teorias que não deram certo em lugar algum no mundo, a não ser nas cabeças deles por conta de uma doutrinação sistemática e eficiente. Assim como o nazismo, em muitos países é crime pregar o comunismo, pois Hitler não é mais sanguinário que um Moa Tse Tung, um Stalin ou um Pol-Pot da vida, com a diferença que ele matava especificamente judeus, não alemães ou arianos como ele. Já os outros, mataram milhões de compatriotas que apresentavam alguma resistência aos planos de seus líderes. Sei que haverão belas desculpas e justificativas prontas, e que eu já conheço todas, para rechaçar essas teses, que julgo serem baseadas em fatos históricos não em livros de teoria, e dificilmente alguém vai parar e refletir a respeito disso tudo. Isso não me surpreendente, pois acho impossível que metade ou mais dos brasileiros hoje em dia, tenha qualquer capacidade de raciocínio lógico, principalmente os mais jovens e os que ainda são estudantes. De um país que defende um ex-presidente, que além de ser semi analfabeto, ainda é um dos maiores corruptos deste país, não pode se esperar grandes coisas de seu povo.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Existe esquerda ou direita no Brasil?

          Em termos de política no Brasil, nunca o momento foi tão propício para se fomentar debates. Entretanto, o que se vê neste sentido, não são exatamente debates, são competições de bravatas. O Brasil teve um longo período monárquico e depois, por interesses comerciais e militares, algumas forças destas áreas se uniram para derrubar a monarquia. Assim nasceu nossa república. De lá pra cá o que se deu foi uma sucessão de fatos, em sua maioria, inconsequentes e de interesse das minorias que se alternavam no poder. No início do século XX o Brasil, como todo o mundo, começou a interagir mais com o que acontecia no mundo. As idéias de Karl Marx ganharam enormes proporções e se enraizaram no meio intelectual brasileiro. O assunto é bem amplo e uma simples postagem neste blog seria uma tentativa estúpida de informar sobre história, portanto, vamos focar nestes conceitos de direita e esquerda em termos políticos.
          Os maiores exemplos de ideários de esquerda, e suas principais razões de existirem, são o socialismo e o comunismo. Os maiores expoentes são a URSS da segunda metade do século XX, a China de Mao Tse Tung e a Coréia do Norte, entre outros como Vietnã, Camboja, Guatemala e Cuba. Claro que nem todos estes países tem um mesmo método de proceder politicamente. No Brasil, o maior expoente do comunismo sempre foi o PCB e seus personagens. Como soava sedutora a ideia socialista e comunista para os intelectuais brasileiros, o PCB conseguiu ganhar bastante notoriedade. Líderes como Luis Carlos Prestes e Carlos Marighela foram os principais agentes dessa empreitada que visava chegar ao poder. O primeiro era mais identificado com Lanin e Stalin, tendo trabalhado para o governo soviético na metade do século passado. O segundo sempre mostrou maior admiração pelo Vietnã, como mostra seu documentário.
          Estando muitas vezes na ilegalidade, o PCB nunca parou de interagir com classes importantes da sociedade e se manter ativo. Nesse meio tempo, Cuba aliava-se ao plano soviético para derrubar Fulgêncio Batista, aliado dos americanos. Assume o poder Fidel Castro, após muitas empreitadas de sua guerrilha. A partir de então, os movimentos comunistas e socialistas ganham enormes proporções na América Latina. Como o Brasil é metade do continente em termos de território, seria muito importante para esse movimento que este país se rendesse ao comunismo. Prestes e Marighela, entre outros revolucionários tinham grande apoio externo de países como Uruguay, Argentina, Bolívia, Colômbia, entre outros. Como João Goulart se mostrava simpático ao movimento comunista e tinha desagradado alguns grupos da sociedade, em 1964 ele foi deposto, e estes movimentos populares, tendo os militares em sua dianteira, concedeu o poder a Castelo Branco. Iniciava a Ditadura Militar como regime de exceção.
          Para muitos, a Ditadura Militar teria sido obra apenas de conspiração militar com os americanos por conta da guerra fria. Entretanto, isso serve apenas para criar um contexto heroico para os revolucionários. Se analisarmos a história do Brasil, Luis Carlos Prestes tentara chegar ao poder dessa forma, ao menos duas vezes, tomando quartéis e liderando movimentos armados. Marighela e seus companheiros lideraram ataques armados explodindo carros, assaltando trens, sequestrando um embaixador e principalmente, a formação da guerrilha do Araguaia, sem contar o sequestro de um avião. Se a força militar ditatorial dedicava-se a perseguir guerrilheiros no mato, a esquerda organizada tomava o controle intelectual nas escolas, nas universidades e entre os jornalistas. Houve mortes em ambos os lados, pois tínhamos um exército bem equipado e treinados contra guerrilheiros compostos por alguns militares, camponeses outros civis. Felizmente não houve o genocídio que ocorreu na China e na URSS. 
          O movimento revolucionário não foi extinto durante a ditadura e cresceu muito no seu lado politico e social. Se as guerrilhas não obtiveram exito, os movimentos sindicais, estudantis e outros ganharam força e representatividade. Com a queda da ditadura o Brasil gozou por alguns anos um período de miséria, mas de certa liberdade. Nasce PT e PSDB, entre outros partidos novos. Parte do PCB vira PPS e outra dissidência vira o PC do B. Estes partidos de enorme representatividade para a década de 1980 e 1990 principalmente. Na primeira eleição direta, Fernando Collor foi eleito. Com dois anos de governo e inúmeras ações impopulares, foi impedido de continuar a exercer a presidência e o vice Itamar Franco assumiu. Fernando Henrique Cardoso, identificado com as idéias socialistas e com habilidades politicas relevantes conseguiu dar um norte para a economia do Brasil. Candidatou-se a presidência e ganhou duas vezes. A social democracia assumia o poder, silenciosa e gentil.
          Muito representativo e influente, Lula, cercado de antigos guerrilheiros, artistas, jornalistas e principalmente, movimentos sindicais, chega ao poder por voto popular. Representava a honestidade e a simplicidade do brasileiro comum. Então o PSDB passou a ser considerado de direita para os menos inteligentes, ou desinformados. Assim o PT e o PSDB se revezaram no poder nos estados, municípios, tendo como eterno aliado o volátil PMDB. Os partidos menores funcionando apenas como coadjuvantes, e pleiteando cargos nas gestões dos maiores, ajudaram a formar o panorama politico dos últimos vinte anos. Ou seja, o Brasil é um país de esquerda desde que saiu da ditadura, tendo um breve hiato entre 1986 e 1991.
            E a direita neste processo? Não existe. Basta ver os candidatos a presidência em 2014. Ainda um movimento de cristãos entre os partidos que são mais identificados com o lado mais conservador, outros com as forças armadas, mas nada relevante. Atualmente algumas inciativas liberais e conservadoras tem aparecido, mas nada que vá ameaçar a esquerda dominante em um curto prazo. A literatura disponível nas escolas e faculdades é totalmente identificada com a esquerda. Mesmo quem não é socialista ou coisa assim, já leu Marx, Rousseau, Engels, Gramsci, entre outros. Roger Scruton, van Moses, Kirk, etc são ignorados completamente. A esquerda domina todas as áreas e o empresariado tem financiado a manutenção desta situação. Eventualmente vende-se estatais para desafogar a economia estatal, mas sempre haverá a ideia de que a segurança está no Governo
          Para encerrar, existe esquerda e direita no Brasil? Não. O Brasil é um país totalmente de esquerda. Porém, não chegou ao poder de forma revolucionária de Marx e Engels, seguiu a risca os mandamentos de Gramsci, lutando sempre um duas frentes, enriquecendo os partidos, inflando o estado, extorquindo a iniciativa privada, cobrando imposto sobre imposto e tendo o controle da saúde, educação, sindicatos, correios e até da mente das pessoas. O resultado é uma educação péssima, criminalidade, corrupção, saúde miserável e seguidas crises econômicas. Sempre que há uma supremacia de um pensamento, haverá um desequilíbrio social e politico, pois não há opções apenas remediações.
          

sábado, 7 de janeiro de 2017

Sobre o aborto


          Honestamente, não condeno pessoas que defendem o aborto e nem mulheres que já interromperam uma gravidez por motivos particulares. Porém, o tema é bem polêmico pelo simples fato de quererem que vire uma lei permissiva, e ainda se construa uma estrutura em torno deste tema, onde envolve médicos, associações e campanhas publicitárias. Uma coisa é você não se incomodar quando outra pessoa defende ou pratica o aborto, outra é ser a favor da legalização. Por mais que eu não concorde e jamais incentive uma pessoa a fazer isso, casos específicos não me dizem respeito, não vou deixar de falar com uma pessoa que eu goste por ela defender o aborto. não tenho o direito e nem a vontade de julgar as atitudes de alguém, pois elas são responsáveis por seus atos e responderão por eles. Isso se resume a um simples fato, a pessoa pensa o que quiser e faz o que quiser, até o ponto onde só ela pode ser prejudicada, não interferindo na liberdade das demais, para mim se resume a isso, livre arbítrio. Mas, quando coisas como o aborto chegam a virar lei, ai a coisa compromete todo um sistema social e moral, vai além da liberdade individual onde a pessoa deve calcular o risco e sofrer com as consequências. A ideia é, ao menos, refletir sobre isso e nunca deixar uma opinião ou situação pessoal tomar proporções públicas. Acredito que haja um limite entre o público e o individual e esse limite precisa ficar claro a todos. Existem coisas comuns e outras coisas de cunho individual, há uma divisão de responsabilidades aqui. Não se pode impor ao senso comum um pensamento individual, isso interfere, ofende e desrespeita as outras pessoas.
          Porque eu sou contra a legalização do aborto. Eu considero que, a partir do momento que o óvulo é fecundado, já há vida, e essa deve ser preservada. Claro que tem aqueles que vão dizer: _ "Então a punheta deve ser criminalizada!"_Isso não só é um exagero, como é idiotice. Para o idiota só resta a imersão autoimposta na sua idiotice. Quando é o caso, não há necessidade de argumentação, pois seria inútil perder tempo discutindo com um simples idiota. Mas para quem exagera, reitero que a partir do momento em que, daqueles espermatozoides todos, um deles fecunda o óvulo, já há uma nova vida. Não tem como provar cientificamente em qual momento da gestação esse feto passa a ser um indivíduo vivo e que deve ser defendido. Essa será uma discussão eterna e que nunca se alcançará uma posição definitiva, pois sempre haverá dualidade de pensamento. Legalmente, a vida de um absoluto inocente tem que prevalecer sobre a vontade da mãe e do pai, sempre. 
          Há quem defenda que o feto é parte da mãe, como um órgão ou algo assim. Ela tem o direito de querer ou não este órgão. Por este raciocínio, ela poderia tirar o feto, pois não há interesse na posse daquilo. Daí entra a questão do pai também. Pode ser que ele não queira interromper a gravidez. Já que é uma posse da mulher, ela deve, ao menos, reconhecer que não engravidou sozinha, que o pai é co-responsável. Mesmo assim, há de se ter uma legislação diferente que envolva as crianças e os adolescentes. Se matar uma criança na fase de gestação não pode ser criminalizada, vamos evoluir na ideia, por que não brigarmos pelo direito de poder matar filhos que já estejam em outras etapas? Afinal, na China o Estado matava bebês para controlar os índices de natalidade. Em outras culturas também se tem relatos semelhantes, de antropofagia inclusive. Legalizar o aborto não seria um primeiro passo nessa direção? As coisas não são apenas o que se vê na superfície, há sempre a necessidade de aprofundar e expandir o assunto, é neste ponto que as decisões se tornam perigosas. Se analisarmos os depoimentos de todos os assassinos, para eles nunca houve um crime por motivo torpe, houve sempre uma motivação justa para ele, por mais absurda que possa parecer para as demais pessoas.
          Reconheço que existem casos específicos em que um médico sugere a interrupção de uma gravidez de risco ou coisas do tipo, mas isso cabe em outra discussão, existem muitos fatores envolvidos. Já vi o idiota do Ciro Gomes, que volta e meia se candidata a presidente ou outros cargos políticos, explicar que uma mulher pobre pode, em sendo legalizado o aborto, procurar um hospital e passar pelo procedimento custeado pelo SUS, ao invés de utilizar uma agulha de croché. Ora, num país que as pessoas morrem nos corredores de hospitais sem atendimento ou esperando por um exame, mulheres de baixa renda vão ser atendidas com segurança para fazer um aborto? O que esperar de um economista que afirma que não há risco da inflação voltar e, mesmo assim, convivemos com esse fato diariamente, mesmo que o Governo não admita? Ou seja, todas as explicações em favor da simples legalização do aborto me soam rasas e inúteis. Não por eu simplesmente bloquear meus sentidos para o debate, mas sim por nunca ter encontrado razões justas para tal coisa acontecer, não importando de onde venham as argumentações.
          Mais particularmente, eu sempre temi a paternidade pela provável incapacidade de me separar de um filho. O problema era ficar sempre inseguro em relação ao relacionamento que gerou aquela criança. Afinal, relações entre homem e mulher se desgastam ou simplesmente terminam por vontade comum do casal ou por uma das partes, ainda mais nos dias de hoje. Não me imaginaria mantendo um casamento por conta de um filho, ou visitando-o periodicamente em troca de uma pensão alimentícia. Também sempre me soou absurda a possibilidade de criar uma criança sem a mãe por perto. Entretanto, acabei me tornando pai há alguns anos e, até então, nunca havia vivido uma experiência que mudasse tanto a minha vida como a paternidade o fez. Acho que todo o esforço dos pais em dar uma estrutura básica para um filho é o mínimo que se pode fazer. Mas este é apenas o meu pensamento, de acordo com a minha educação e meus princípios básicos. Não posso impor isso a outras pessoas, apenas torcer para que mais pessoas pensem da mesma forma. 
          Acredito que ao invés de legalizar o aborto, se crie uma forma artificial de gestação supra uterina, mas que não se autorize uma mãe a matar seu filho em nenhum momento da gestação. Não podemos sequer achar que um fruto de um estupro, por exemplo, seja garantia que a criança que vai nascer não possa ser uma pessoa extremamente importante na vida da mãe ou até da sociedade. Que crime ela cometeu? Já ouvi e li depoimentos em que a mãe justificava o aborto por não poder conseguir olhar para a criança sem lembrar do estupro. Contudo, isso é um problema da mãe, matando o filho ou não, pois é dificílimo lidar com fatos repugnantes como este. Acho que é pior conviver com a memória do estupro e do assassinato do filho ao mesmo tempo. Mas há aquele que diz: _" Mas se o aborto for legal, não haverá assassinato e nem crime, portanto, não haverá culpa!"_Mais uma argumentação idiota, que só pode vir da mente doente de alguém. O primeiro e mais importante direito, que é comum a todos, é o direito a vida. Ou seja, mais do que a liberdade ou qualquer outro direito, a vida é o bem mais valioso.
          Não se pode cobrar de um solteirão, que vive sozinho e tem total liberdade para fazer o que quiser, se posicionar favorável ao aborto. Há quantos casos de homens, até casados, que acabam por gerar filhos em relações ocasionais e que abominam a ideia da paternidade, por isso são favoráveis ao aborto em prol da sua liberdade. Será que estes mesmos indivíduos não atropelam e matam pessoas no transito e fogem sem prestar socorro ás vítimas, motivados por este mesmo sentimento? É de se pensar a respeito. Ou temos a mãe que, por já ter muitos filhos ou por sofrer com uma determinada gravidez, não cogite a hipótese de ter mais filhos e escolha abortar. Em ambos os casos o problema não é dos adultos? Qual a culpa da criança? A motivação por trás de um abortista, na minha opinião, é sempre idiota ou moral e intelectualmente problemática, nunca sadia, sóbria e isenta. Portanto, o aborto não pode ser legalizado.
          Há relatos de pessoas que disseram ter abortado num impulso motivado por algo momentâneo e que acabaram se arrependendo depois. Muitas famílias lamentam a perda de filhos ou a infertilidade. Outras acham que, por algum motivo, devem matar os seus, mesmo que nos seus primeiros instantes de vida. Por mais que reúna depoimentos, leia e escute diversas teorias, não consigo apoiar a legalização do aborto. Pois, se for liberado a todos e não analisados caso a caso, sob mera autorização previamente concedida, haverá uma grande inversão de valores. É um daqueles assuntos que podem soar para muitos como sendo, não somente legal, mas obrigatório, de certa forma. Se levarmos em conta que, a maioria dos homens, e mulheres também, usam preservativos para evitar a gravidez e não a transmissão de doenças, olha o problema que estamos criando. Há um risco iminente até para a saúde pública.
          Sem ser radical e ponderando caso a caso, ainda acho que criminalizar médicos, mães, pais, avós, e qualquer tipo de colaboração num aborto, ainda é a maneira mais efetiva de, não só educarmos as pessoas sobre esse assunto, mas impedir que se evolua em outras direções que já citei aqui, causando uma imoralidade e um desprezo ainda maiores pela vida, que só poderiam nos arrastar para a barbárie. Antes de se liberar essa prática, que para mim e para muitos, é absurda, convém investir em prevenção, educação e amparo sobre a gravidez indesejada e doenças advindas das relações sexuais. Mesmo em casos como estupro, que é inevitável para as vítimas muitas vezes, cada caso deve ser tratado com o cuidado e a dedicação que cada vida merece. A maioria de nós só está aqui porque alguém, na maioria das vezes é assim, fez concessões á nosso favor e cabe a nós decidir, se vale a pena ou não, fazer concessões em favor da vida.