segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Legalização das drogas


          A pouco tempo atrás, escrevi sobre alguns temas polêmicos como aborto, homossexualismo, xenofobia e racismo. Até mesmo na penúltima postagem, falei que defendo a pena de morte para alguns casos específicos, você pode conferir aqui. Porém, mesmo falando indiretamente sobre o assunto, não tinha manifestado clara e expressamente, minha opinião sobre a legalização das drogas. Acho importante as pessoas refletirem muito a respeito do que deve ser lei e o que é uma questão de preferência pessoal. Isso não quer dizer que se deva defender publicamente uma coisa e fazer outra as escondidas, como a maioria faz, vamos ser honestos. Vejo que temos que considerar o contexto em que estamos inseridos para tomarmos partido de algo. Pregamos liberdade de expressão, mas somos os primeiros a censurar as atitudes de terceiros que nos contrariam. Mas o caso é, uma coisa é uma lei comum a todos, outra coisa é o pensamento individual. O que pode ser inofensivo para uma pessoa, pode ser extremamente nocivo para outra. Parece antagônico, mas há uma linha sensível entre uma coisa e outra, basta ter um pequeno senso de coletividade para saber distinguir o que estou falando aqui. No caso do aborto, eu expliquei porque não poderia ser legalizada tal prática, basta ler todo o texto e refletir. Porém, jamais condenaria um caso específico de uma pessoa próxima que tenha praticado. Nunca recomendaria a fazer ou apoiar o aborto, mas jamais a condenaria por isso, mesmo deixando claro que considero um erro grave.
          No caso das drogas, penso da mesma forma que nos demais temas que citei no parágrafo acima. O tráfico de drogas gera violência, corrupção e dependência dos usuários. Um traficante não vende só um tipo de droga de forma inocente, ele acaba se tornando parte de todo um contexto onde, tradicionalmente, as coisas funcionam de determinada forma. Tive relação próxima com traficantes e membros de facções, pois vivi a maior parte da minha vida em periferias pobres e sujeitas a esse tipo de atividade. Alguns amigos de infância acabaram por se envolver com isso e as consequências foram desastrosas. Não vou apoiar ou ser cúmplice de quem se corrompe pela criminalidade, mas também não vou ignorar alguém que conheço a muito tempo, por ele ter ido contra meus princípios, nesse caso, o tráfico de drogas. Cada pessoa que fuma um baseado, crack, haxixe, cheira cocaína, injeta ou ingere qualquer substancia ilegal, está sendo conivente com o tráfico, pois o cultivo e a produção dessas substancias não é legalizado no Brasil, portanto, é fruto do tráfico e de todo o modus operandi de quem controla essas práticas. Vi muitas pessoas serem presas, tornarem-se dependentes e até morrerem por conta das drogas, por isso não posso ser a favor da legalização com a realidade que vivemos hoje.
          Muitas pessoas vão alegar: "Mas, e as bebidas alcoólicas e os cigarros?" Para essas eu exponho coisas bem básicas como: é proibido dirigir após ingerir bebida alcoólica, as empresas possivelmente punirão ou até demitirão funcionários que se apresentarem para o trabalho após consumir álcool, ou seja, há um limite para o consumo de álcool. Já existem leis que restringem o fumo em determinados lugares, embora eu não me oponha a isso, mas não me incomoda dividir um ambiente com um fumante, desde que não seja um elevador, por exemplo. Mas também temos a seguinte contatação , mesmo bebidas e cigarros que entrem ilegalmente no mercado, essa prática também constitui crime de tráfico, ou contrabando, para ser bem preciso, o que é basicamente a mesma coisa. A diferença é que as bebidas e cigarros podem ser vendidas legalmente com algumas restrições, por terem origem constatada, controle de qualidade, gerarem empregos, etc. Já as drogas, não dispõem dessas características. Poderiam dispor de certa forma? Até posso considerar que sim, mas no país da forma como está, é apenas dar mais incentivos a criminalidade. Se ilegalmente muitos traficantes enriqueceram e se tornaram poderosos, imagine se essa atividade se torna-se legal. Não podemos firmar conceitos pensando em um mundo perfeito, temos que considerar sempre a realidade que vivenciamos no cotidiano.
          Temos clubes de maconha no Uruguay e em Amsterdã há certa flexibilização para o uso dessa erva. Entretanto, o tráfico, mesmo nesses lugares, se caracteriza como crime. Não sei até que ponto isso pode ser bom ou ruim, por estar fora dessa realidade, mas crack, êxtase, cocaína, entre outros, me parecem impossível conseguir ajustar uma sociedade que possa absorver isso sem maiores danos como remédios controlados, bebidas e cigarros. Ainda sofremos com os acidentes de trânsito, onde a bebida é tida como agravante, fora situações de violência familiar, alcoolismo, etc. O horizonte de fatalidades é muito maior do que podemos tolerar no momento, já que não conseguimos lidar com coisas urgentes como a violência, a ineficiência dos serviços de saúde e educação. Quando vejo políticos, celebridades, entre outras figuras públicas, fazerem ou defenderem campanhas contra o fumo, o álcool e suas consequências, apoiando abertamente a liberação de drogas e o desarmamento, o que normalmente acontece, fico pensando, que mundo essas pessoas querem construir? A única resposta que me vem a cabeça é que não querem construir mundo algum, apenas fazer média com determinados grupos. Um exemplo claro disso, é um presidente convocar um plebiscito buscando o apoio popular para proibir o comércio de armas e ao mesmo tempo defender que as FARC colombianas se tornem um partido politico legitimo. Para quem não sabe, esse grupo tem como principal fonte de renda o tráfico de drogas e de armas. Esse tipo de incoerência milimetricamente calculada é que me faz discordar veementemente de certos grupos.
          Voltando ao assunto principal, há de se reconhecer que entre pessoas de baixa renda, entre muitos artistas e jovens estudantes, o consumo de maconha é comum. Já a cocaína, ainda é vista como glamourosa para um amplo público como políticos, artistas, empresários, e também os mais pobres, em determinados casos, utilizam a cocaína como estimulante. O crack, praticamente virou uma epidemia em algumas regiões, como a cracolândia em São Paulo. Temos outras tantas drogas que vem e vão eventualmente, mas que causam seus danos e tem um mesmo fim, financiar o tráfico. Mesmo quem reúne alguns amigos para beber e fumar uns baseados, sabe que está, de alguma forma, inserido neste contexto, portanto, é muito comum muitas pessoas defenderem a liberação das drogas, talvez para se librar dessa culpa, o que não é ruim, pois para muitos é apenas alterar a consciência em determinado ponto e depois seguir suas vidas. Há de se separar o traficante, que forma uma milicia armada para cometer diversos crimes, do individuo que trabalha, tem sua família, respeita as leis de modo geral, mas que de vez em quando comete alguma contravenção, como fumar um baseado. Estes não merecem o mesmo castigo, mas infelizmente, acabam sendo dependentes de quem financia a violência e faz o que for preciso para manter o seu negócio o mais lucrativo possível. O ser humano é suscetível a cometer pequenos delitos, porém, isso não pode servir de justificativa para que se permita certas revoluções jurídicas, como a legalização das drogas ou alguma específica. As leis, embora sujeitas a erros, servem para limitar as ações de um individuo para que a coletividade não seja exposta a danos. Se as drogas forem legalizadas, muitos foragidos e procurados pela polícia terão suas situações regularizadas, pois se abrirá um precedente para que não sejam criminalizados.
          Se começarmos a ceder frente a bons argumentos que extrapolam certos limites, seremos vitimas da nossa própria liberdade. É o mesmo que dormir com as janelas abertas, portas destrancadas e outras coisas, alegando que areja a casa, facilita a quem chega tarde da noite e etc. Contudo, acabaremos por facilitar a vida de quem pretende nos roubar. Pior ainda, isso servirá de convite para que alguém invada nossas casas e nos ponha em risco. Em um país onde as pessoas andam com seguranças armados, vivem em condomínios fechados por conta da insegurança, muitas vezes sequer saem de casa por medo da violência, defender a liberação das drogas, me soa, no minimo, incoerente com a realidade. Estranhamente, há um movimento fortemente empenhado em objetivos de caráter bem duvidosos. Isso provoca outro debate, mas não irei iniciá-lo aqui. Só vou citar que, as pessoas que defendem legalização do aborto e das drogas, desarmamento, lutam em prol de apenados, entre outras coisas, são as mesmas que apoiam as FARC, a desmilitarização da policia e são contra operações que investigam a corrupção. Antes de tomar partido de alguém com esse tipo de discurso citado acima, pense se essa pessoa só não está arrecadando aliados para conquistar o poder a qualquer custo. Na última semana vieram a público fotos da filha da Maria do Rosário do PT, em situação bem degradante. É humano desejar que tais fotos sejam montagem para atacar a deputada. Pois se forem reais, com o histórico de proximidade de traficantes e pedófilos á família dela, não é de se estranhar que Maria do Rosário seja tão empenhada em defender criminosos, pois convive com eles em sua própria casa.
          Para encerrar esse assunto, acho que não podemos, como país, liberar de maneira indiscriminada nenhum tipo de droga. Que muitas pessoas não veem problemas em fumar um baseado de vez em quando e que defendam a legalização, é compreensível. Mas a maconha, assim como a bebida e os cigarros, servem de porta de entrada para drogas muito mais pesadas á muitas pessoas. Temos a Bolívia como grande fornecedor de drogas, assim como a Colômbia, entre outros, muito próximos de nós. Internamente há ruídos de conspiração para facilitar a entrada de drogas e armas por nossas fronteiras, movimentos de legalização para facilitar a consolidação da força do tráfico em solo nacional e as condições dos presídios, que servem de quartéis generais para facções criminosas. Como falei antes, há grande emprenho de alguns grupos políticos em garantir benefícios a criminosos, minimizar o poder policial, se aproximar de organizações criminosas e até o judiciário está colaborando ativamente nessa direção, pois autoriza indenização a apenados por más condições carcerárias, libera criminosos como o ex-goleiro Bruno, o cantor Belo, dá asilo a terroristas como Cesare Battisti, entre outras articulações suspeitas. Onde essas pessoas estão com a cabeça? São doentes, imprudentes ou simplesmente, criminosos? 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

O legado nacional


          Sempre fui contra a proliferação de empresas de fora do país como McDonalds, industrias automobilísticas, brinquedos, fabricantes de TVs, e outros aparelhos eletrônicos, enfim, marcas estrangeiras explorando a mão de obra brasileira e/ou simplesmente vendendo seus produtos para o mercado interno ao preço que lhes convêm e mantendo as pessoas em empregos mal-remunerados. Aqui não cito o tal "imperialismo" americano como único vilão, se é que se pode falar assim, há muitas coisas vindas de Taiwan, China e Coréia, onde a mão de obra é mais barata, o que torna as mercadorias mais acessíveis, mas limita a capacidade de produção genuinamente brasileira. Mesmo com os altos impostos praticados aqui no Brasil, os governos sempre fizeram "acordos" comerciais para possibilitar a entrada destes produtos e assim exportar muitas coisas para outros mercados, em detrimento até as necessidades internas. Eu entendo essa estratégia comercial, pois exportações atraem dinheiro de fora, o que é bem vindo economicamente falando. Entretanto, essas empresas e marcas, por mais fortes e reconhecidas praticamente no mundo todo pelo seu know how, sufocam as iniciativas de empresas nacionais e acabam por impedir a evolução tecnológica do brasileiro. Acho muito engraçado quando vejo ativistas empenhados em causas tão nobres como o direito dos trabalhadores, melhores escolas, reforma agrária, etc, mas ignoram totalmente o crescimento tecnológico e industrial do Brasil, na visão deles o trabalhador brasileiro é autossustentável, não precisa de um emprego ou produzir algo para sobreviver. São aquelas visões românticas, descoladas da realidade, de quem recebe do governo para não trabalhar, criar movimentos populares, apenas para benefício próprio.
          Se pensarmos na quantidade de veículos nas ruas e pensarmos que eles são fabricados totalmente com matérias primas nacionais, fica a seguinte questão: "Por que, ao invés de se trazer montadoras de fora com a facilidade tributária sempre oferecida, não se investe em uma empresa brasileira, que não só fabricaria os carros, mas também facilitaria a manutenção de 100 % dos itens?" Já não oferecemos vantagens suficientes para Ford, Peugeot, Fiat, etc, para explorarem nosso mercado? Não há sequer um brasileiro que possa empreender nessa atividade? Será que realmente somos inferiores a alemães, italianos, japoneses e americanos? Não seria mais fácil e justificável investir em uma empresa brasileira que empregasse brasileiros e vendesse para brasileiros? A resposta é "não"! Infelizmente, para nós. Uma nacionalização da fabricação de veículos, com investimentos em tecnologia, aperfeiçoamento de mão de obra e tudo o que for necessário para isso, demanda esforço, planejamento, convicção, disciplina, visão ampla e coragem para investir, boa parte dessas características o brasileiro em geral não possui. Muitos que tiveram este tipo de iniciativa acabaram por vender suas empresas, em estágios quase que embrionários, para não precisarem trabalhar mais e viver de renda. O brasileiro, em sua maioria, busca o ócio. Por esse motivo há tantas fraudes na previdência, gritaria quando se fala em qualquer alteração na CLT, comoção nacional por bolsa família, entre outros.
          O caso da fabricação de automóveis é apenas um exemplo. Poderíamos expandir mais nossa visão para outras áreas com facilidade. Claro que eu não estou analisando de forma exclusivamente econômica, embora essa analise não seja negativa, até considero o contrário, minha analise está mais direcionada a construção de uma nação em si, e todo o seu potencial a ser explorado. A criação de precedentes que gerem frutos, mesmo que não aqueles ideais se comparado a marcas estrangeiras, mas com a marca do brasileiro, que estimulasse nossa iniciativa criativa e construtiva. Claro que muitas empresas nacionais tem destaque no mercado, mas vislumbro algo maior, algo de excelência, onde a própria educação fosse direcionada para esse objetivo. Vemos propagandas na televisão, na internet e no rádio sobre exportação de frutas, legumes, carnes, leite, grãos e etc, enquanto isso safras inteiras são perdidas por não chegarem aos consumidores, excesso de ofertas, queda de preços. Porém, em muitos lugares, pessoas ainda passam fome. Qualquer um que já estudou um pouco de economia sabe que as atividades estão interligadas economicamente, portanto, é um horizonte que se abre ao planejarmos nossa economia com base no mercado interno e com avanço tecnológico.
          Como eu tenho minha origem profissional em fábricas de fundo de quintal, passei pela iniciativa privada e trabalhei em multinacionais, conheço por dentro algumas coisas relativas as empresas estatais, pude construir, com o auxilio de palestras e muita leitura técnica, esse pensamento mais nacionalista, mas prioritariamente, mais localista. Se compararmos os perfis regionais de nosso país continental, constataremos que há um gigante heterogêneo a ser interpretado e reorganizado. É estúpido e canalha quem prega que, como sendo uma unica federação, todos os estados devem ser iguais e funcionarem da mesma forma. Isso é um absurdo. As características regionais precisam ser respeitadas, e isso só é possível com a descentralização de diversos assuntos, principalmente o econômico. É preciso compreender que temos um potencial enorme a ser explorado em quase todas as áreas, mas é necessário um estudo mais profundo do perfil de cada localidade. Entretanto, isso é impossível com a alta carga tributária e a atual divisão dos percentuais, sendo que 69,83% é da União, os Estados ficam com 25,59% e os municípios ficam com apenas 4,58% do total dos impostos. Há formas bem mais objetivas de se analisar isso e construir um cenário mais detalhado, mas pelos percentuais, já se tem uma base de como as coisas funcionam. É exatamente pela distancia e a necessidade do repasse da União para baixo, que se dão inúmeras fraudes dos mais variados tipos. Se houver um planejamento local, de acordo com a arrecadação do município, com uma parcela maior para este, também o repasse de certas responsabilidades, creio que haverá uma facilitação no diálogo entre os governos e a iniciativa privada, onde os impostos pagos por determinada empresa, de preferência nacional, ficariam para a manutenção do entorno da mesma.
          Para ilustrar algo bem comum e que pode soar absurdo, mas que a maioria das pessoas não se dá conta, ou não dá a devida atenção, é a forma como as empresas no Brasil agem, principalmente as concessões e as empresas públicas. Empresas de comunicação, energia, entre outras atividades, ao invés de desenvolver tecnologias próprias para determinadas atividades, acabam por contratar mão de obra estrangeira, fazer concessões a multinacionais ou simplesmente entregar as riquezas brasileiras para exploração estrangeira. Cada equipamento que entra em uma ampliação de uma usina hidroelétrica, numa subestação de transmissão ou distribuição de energia elétrica, por exemplo, é projetado lá fora, muitas vezes fabricados também e normalmente são instalados por mão de obra estrangeira. A própria Petrobras, com o advento do pré-sal, entre outras atividades, acaba por terceirizar ou ceder por completo a exploração de parte de seu nicho. Há uma dependência ampla, e que aumenta a cada dia, do know how estrangeiro e isso só trás facilidade para quem lida com esse assunto, mas nenhum benefício real para o brasileiro. O Brasil deveria ser o único responsável por explorar as riquezas e as possibilidades dentro do território nacional, mas é muito mais comodo entregar para as empresas estrangeiras. Fica outra pergunta: "Por que existem tantas universidades e escolas técnicas se todo o know how produtivo vem de fora?" Alias, quem busca ser realmente qualificado em algum setor, normalmente vai esse conhecimento fora do Brasil. Mesmo que muitas premiações possam ser discutidas, até fraudulentas, não vemos brasileiros recebendo prêmios ou citações por inovação ou serviços prestados, se eles figurarem em alguma cerimônia dessas, é por ser exótico ou por ter se preparado fora do país. 
          Aí eu olho para o mapa e vejo o tamanho de países como Japão, Coreia do Sul, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, entre outros, começo a pensar no que estes países já contribuíram em diversas áreas, tanto cultural como tecnológica, e tento entender por que o Brasil não pode, ao menos, evoluir mais um pouco? Eventualmente emergem do nada casos de escolas premiadas, pessoas se destacando em algumas áreas, mas se compararmos até a nossos esportes, veremos que há muito pouco a ser mostrado. Temos um pouquinho de África, um pouquinho de Europa e um pouquinho de Ásia em nosso DNA, mas essa prularidade não tem convergido em grandes avanços. Podemos assistir comerciais com maravilhas tecnológicas a pouco tempo por conta da Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas o que sobrou foram obras inacabadas, estruturas abandonadas e um grande déficit econômico. O aclamado "legado da Copa" é uma grande crise econômica e um monte de "elefantes brancos" sugando milhões de Reais que não servem pra nada. Acostumamos a debochar de pessoas como D. João VI, que trouxe uma biblioteca inteira de conhecimento de Portugal, José Bonifácio que deixou um legado que simplesmente gerou um país inteiro, tivemos dois imperadores que são tão denegridos, mas que tinham mais cultura do que toda a classe intelectual brasileira do século XX junta. Pra quem teve a oportunidade de ler alguns dos discursos dos senadores do império, ou até do início da república, e compara com o que temos no nosso legislativo hoje é de dar vergonha. Como o Brasil é vasto em território e populoso, podemos encontrar casos de excelência em algumas áreas, no mais é uma mediocridade que se reflete na arte, na ideologia, na arquitetura, na economia e está em estágio avançado de degradação também de caráter. 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Pena de morte, presídios e greve da PM


          Após recentes conversas com amigos e colegas de trabalho, assistindo noticias como a que o Supremo Tribunal Federal aprovo por unanimidade indenização a presos por más condições de encarceramento, greve da Polícia do Espirito Santo, assassinatos nos presídios e os saques á lojas durante a greve da PM, pude sentir a indignação de pessoas simples como a maioria dos trabalhadores. Mas não é só no meu emprego ou no meu ciclo de amizades que percebo isso. Quando paramos para assistir a algum noticiário, independente do veículo de comunicação, sempre haverá, ao menos uma noticia falando sobre homicídio. Claro que nem sempre apenas os homicídios revoltam a população, os assaltos a ônibus, furtos de celulares nas ruas, coisas assim, tem tirado totalmente a paciência, e principalmente, a tranquilidade das pessoas. Essa semana mesmo uma mãe foi assassinada por volta das 19:00 em Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre, município onde resido. Isso repercutiu mais por ela ser rainha de bateria de uma escola de samba faltando uma semana para o carnaval. Independentemente da ideologia política, da condição financeira do indivíduo, do sexo e da região do país onde esteja, esse problema tem atingido a todos, principalmente a população mais pobre, cito trabalhadores da industria, comércio, professores, vendedores ambulantes, ou seja, pessoas que não tem condições financeiras para andar com seguranças armados, carros blindados e coisas do tipo. A violência cotidiana tem tirado aquele que é o direito fundamental do ser humano, o direito a vida, sem contar o da liberdade de ir e vir, e por aí vai.
          Voltemos um pouco no tempo, mas ainda em 2017. Chacinas nos presídios trouxeram á público o que todo mundo já sabia, são as facções criminosas que controlam os presídios. Ousei expor a teoria de que, a forma mais efetiva de manter uma facção dessas controlando segmentos criminosos de forma mais efetiva, é manter alguns de seus principais membros presos. Parece absurdo, mas eles contam com a proteção da instituição na qual cumprem pena, portanto, ficam blindados contra o ataque da polícia e de facções rivais, trazendo para junto deles outros membros importantes de seu grupo e até recrutando novos membros. Eles extorquem famílias de outros presos para garantir a segurança deles, chantageiam famílias de membros de outras facções para conseguir colaboração e por aí vai. Agora, se já não bastasse a Comissão dos Direitos Humanos, órgão que só existe para defender criminosos cumprindo pena, o STF decide abrir jurisprudência para indenizar presos por cumprirem pena em condições degradantes, ou desumanas. Isso é uma forma do Governo dar mais um recado direto para a sociedade, além do Legislativo abrandar penas com suas leis estapafúrdias, o Executivo demonstrar impotência frente aos últimos acontecimentos, agora é o Judiciário que demonstra grande tendência de apoio a criminalidade, atuando de forma irresponsável.
          Durante a greve da PM no Espirito Santo, pôde-se perceber que não é uma pequena parte da população, que frente a oportunidade de furtar lojas e afins, o fez sem nenhum escrúpulo. Havia mais pessoas furtando eletrodomésticos, do que protegendo seu patrimônio e suas famílias. Ainda há uma parcela da população que acredita que sem a Policia Militar haverá segurança. Só para citar um exemplo de como pensam alguns, Gregório Duvivier, famoso no Youtube por conta do Porta dos Fundos, mas também colunista de jornal e escritor, aparece alegre e triunfante em vídeo gritando: "Não acabou, tem que acabar, abaixo a Polícia Militar!". Ele é apenas um a fazer este tipo de propaganda, mas tem atores, políticos e até empresários comuns que incentivam esse tipo de manifestação. Porém, embora as pessoas tenham dificuldade de relacionar teorias e fatos na construção de um conceito, o que se viu a pouco em Vitória/ES é um bom exemplo do pode acontecer se a moda pegar. Claro que a Policia Militar já cometeu diversos crimes contra a sociedade e cidadãos comuns, mas sem ela ficou comprovado que, não só os criminosos terão o poder efetivo sobre a sociedade, pois já possuem grande poder paralelo, mas a população em si não terá mais motivos para respeitar as leis, afinal, grande parte das pessoas, principalmente os jovens, admitem não cometerem crimes por causa da possibilidade de ser preso. Será que o senhor Duvivier não pretende largar seus afazeres habituais para se tornar um criminoso e só não o faz por temer a ação da polícia e uma provável prisão? Para aqueles que acham que estou cometendo algum excesso, eu faço a seguinte pergunta: _O que levaria uma pessoa a defender a extinção de uma instituição, que tem por fim defender a sociedade, que não seja com objetivo de cometer crimes? _É de se pensar não é mesmo? Imagine para um criminoso assistir na televisão, ler nos jornais, assistir na internet, pessoas apregoando o fim da polícia militar. Deve ser muito empolgante. não é mesmo?
          Voltando aos presídios, como já admitido por muitos apenados, são uma fábrica de criminosos, uma escola para aqueles que, por algum motivo, se deixam levar pela criminalidade. Se um jovem entra numa instituição, que objetiva puni-lo por um delito e recuperá-lo para o convívio social, acaba se tornando um criminosos ainda mais gabaritado e perigoso. Quando vai cumprir sua pena, acaba por conhecer muitos membros de facções e aprende como, onde e porque agir. Sendo assim, se padroniza num nível elevado a criminalidade. Enquanto isso, vemos figuras como Maria do Rosário e muitos outros, intervirem quando se propõe usar contêineres para triagem de criminosos, lutam por direitos variados para apenados, interferem diretamente junto a justiça em favor de criminosos, pois a meses atrás não se prendeu agentes dos direitos humanos e advogados trabalhando para facções criminosas? Voltamos a pergunta anterior feita a pessoas como Gregório Duvivier, mas com outro sentido: _Quem trabalha a favor de criminosos, mesmo que alegue lutar pela justiça, pelo cumprimento da lei, não é um criminoso também? _ Fica o questionamento. A justiça é mais efetiva defendendo criminosos do que punindo. O que acontece normalmente é o seguinte: Um bandido, que está cumprindo pena, com tornozeleira eletrônica muitas vezes, ou que simplesmente saí da cadeia sem muitas dificuldades, aborda uma família na rua ou em sua residência, mata alguns ou todos, rouba, e quando é preso, volta para o local onde estava antes de cometer estes crimes, com o fruto de sua ação, mais mortes nas costas e a policia sabe que está fazendo retrabalho de forma inútil, pois há relatos de delinquentes que foram presos mais de vinte vezes. Quem é reincidente sabe que terá a lei a seu lado, alimentando-o, dando abrigo e protegendo-o contra a própria ira da sociedade. É assim que vão recuperar essas pessoas das garras do crime, ou essa realidade serve para incentivar mais ainda a criminalidade?
          O mesmo seguimento que prega o fim da PM também apoia o desarmamento civil. As alegações são até relevantes de certo ponto de vista. Mas, quantas pessoas morrem por acidentes com arma de fogo? Agora responda: _Quantas pessoas morrem assassinadas? _Mais uma questão: _Quantas mortes seriam evitadas se a população civil estivesse armada e preparada para reagir? _Escrevi a respeito aqui , para mais informações sobre o que penso a respeito do desarmamento. No texto eu acabo concordando com aqueles que argumentam que, o estatuto do desarmamento de FHC e a forma como o governo Lula legislou após referendo contra o comércio de armas, contribuíram para o aumento da criminalidade. Claro que, a defasagem quantitativa e qualitativa das policias, a ação politica e legislativa em favor dos criminosos, o enfraquecimento das instituições e a certeza da impunidade, também compõem esse pacote que forma esse cenário caótico. Embora isso não seja segredo para mais ninguém, eu acredito, as ações dos três poderes e de alguns formadores de opinião, como falei anteriormente, demonstram que a situação tende a se agravar. Já convivemos com o dinheiro público indo para o ralo e sem nenhum beneficio para quem paga os impostos, agora nosso dinheiro vai para indenizar criminosos? É isso mesmo? 
          Agora vou falar diretamente para a juíza Carmem Lúcia e aos demais membros do STF, que aprovaram por unanimidade que um apenado seja indenizado por condições desumana: _As famílias de pessoas que são assassinadas diariamente não tem o direito de entrar na justiça para reparação dos danos causados pela incapacidade do Estado em garantir a segurança da população? Por que criminosos tem mais diretos que o cidadão comum? Até quando veremos inocentes serem mortos diariamente? Por que não temos pena de morte para alguns crimes? Isso não resolveria, de certa forma, parte da situação das superlotações dos presídios? Imagine que uma comissão sentará e avaliará as provas de uma reincidência de latrocínio. Em um mês essa comissão, criada só para isso, emitirá a sentença. Havendo condenação, o criminoso será preso em separado, enquanto a família será informada sobre a decisão e ainda pagará pela bala utilizada na execução e todos os outros custos do procedimento. Parece desumano? Fale isso para os familiares que perderam entes queridos por conta das ações deste criminoso. É mais valiosos para a sociedade uma possível vitima deste bandido continuar viva do que apostar na recuperação de um criminoso. Tem que haver a afirmação de que, aquele que se prestar a cometer um homicídio por motivo torpe, por roubo qualificado, ou reincidência, estará assinando sua sentença de morte. Não se diminui a criminalidade se amontoando criminosos em algum lugar, enquanto a população convive com o medo e a insegurança. Portanto, sou a favor da pena de morte em determinados casos. Não só pela eliminação do criminoso, mas também pelo exemplo que isso pode significar para familiares e outras pessoas.
          Então, para finalizar essa postagem, convido a todos aqueles que perderam seus familiares a refletir a respeito. Aqueles que acham que a policia é o grande mal da sociedade, que pedem a desmilitarização, peço que repensem seus reais motivos, pois em uma semana se viu o que aconteceu em Vitória/ES por conta da greve da PM. Para aqueles que são contra o armamento civil, não é uma imposição a compra de arma e sim, o direito de quem quer portar uma arma de fazê-lo sem tantos obstáculos. Pense que diariamente há dezenas de pessoas morrendo por conta da criminalidade e o Estado, na figura da integridade de seus três poderes, só facilita que isso fique ainda pior, pois essa é a mais pura verdade, a criminalidade e as vitimas só aumentam. Que provas mais a sociedade precisa para aceitar que a situação é insustentável. Se continuar como está, chegará um momento em que só existirão criminosos nas ruas, pois eles estão provando que tem o verdadeiro poder sobre os cidadãos.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Como ser um Conservador


          Este livro foi escrito pelo inglês Roger Scruton, hoje Cavaleiro da Grande Cruz do Império Britânico, e é um importante relato de como um conservador vê o mundo atualmente. É interessante, para quem não conhece a obra de Scruton, que o livro inicia com uma mini auto-biografia e conta os fatos que o levaram a combater os movimentos de esquerda e os resultados da queda do socialismo na Europa. A partir de então, ele passa a analisar as frágeis democracias que nasceram após a queda da União Soviética e do muro de Berlim. A partir dessa breve narrativa, o livro é divido por capítulos abordando assuntos como capitalismo, liberalismo, internacionalismo, socialismo, entre outros, onde a visão do conservador é exposta de forma clara e objetiva. Isso propõe um debate bem producente para aqueles que buscam uma evolução do pensamento social. Claro que o termo "conservador" é visto como pejorativo e não interessará àqueles que se julgam os defensores da liberdade social e da democracia, como temos aos montes no Brasil. Mas para quem já está cansado do mesmo discurso politico dos últimos trinta anos, as obras de Roger Scruton são opções muito interessantes e informativas, que podem levar o individuo por outra vertente de pensamento, abrindo mais o horizonte ideológico. Por sorte, a Editora Record tem traduzido e publicado este tipo de literatura, como falei em postagens anteriores, e aos poucos está se formando um acervo bem eclético para a literatura conservadora e liberal em língua portuguesa.
          O que surpreende um desavisado, é o fato do livro não trazer muitas informações históricas ou técnicas ao debate, de forma erudita e exibicionista. Há citações de diversas obras, autores e fatos, mas aparecem como meras ilustrações para a obra, o que prevalece é a opinião direta do autor a partir das suas observações e experiências. Cita-las aqui pode deixar as coisas um pouco menos atraentes, mas elas passam a ideia honesta a qual o livro se propõe. A tradução de Bruno Garschagen pode ter contribuído para isso, porém, acredito que está bem fiel a ideia inicial do autor, pois ao assistir vídeos (aqui um deles) e ler entrevistas do próprio, ele se mostra bem direto e convicto em suas afirmações. Como conservador, as ideias propostas vão de encontro a liberdade individual do cidadão, a preservação da propriedade privada, a obediência ás leis e as tradições locais, a luta pela manutenção da família tradicional, o mérito como principio para o sucesso e o reconhecimento, a cultura adquirida e as instituições democráticas e sociais. Um duro ataque a tirania do fascismo e a dissimulação do socialismo que trouxeram grandes males á Europa do século XX.
          O fato de se assumir como um conservador, trouxe a Roger Scruton muitos problemas, mesmo num país como a Inglaterra. Mas seus posicionamentos vão além de politica. Ele defende a religião, a família e um Estado mais justo e imparcial. Isso não é novidade para os brasileiros, pois, passados os vinte anos de Ditadura Militar, ser conservador ou liberal no Brasil tornou-se quase que uma declaração de culpa pelo racismo, fascismo, machismo e imperialismo. Aquelas pessoas com ideias mais conservadoras passaram a se calar, os que continuaram a carregar a bandeira conservadora foram expulsos da mídia e calados pela opressão silenciosa do estabilishment. Cito aqui o jornalista e filósofo Olavo de Carvalho como principal exemplo. Sua cruzada contra o PT, Foro de São Paulo e assemelhados, jogaram-no em um esquecimento quase que definitivo. Porém, como aconteceu na Europa com a queda da URSS no inicio da década de 1990, a hegemonia esquerdista iniciada no governo de Fernando Henrique Cardoso e aperfeiçoada nos governos Lula e Dilma, começou a se rachar abrindo brechas que os liberais e conservadores tentam aproveitar de alguma forma.
          Fica a dica deste bom livro. Como falei a respeito de "Filosofia para corajosos" de Luiz Felipe Pondé, este livro não rompe paradigmas filosóficos ou marca uma guinada na história da humanidade, é um livro simples, de fácil leitura, mas que dá muitas dicas de pesquisa e aborda temas práticos com uma visão diferente da habitual, ou da que o brasileiro está acostumado. Para aqueles que não acreditam que, todo o caos vivido no Brasil com os escândalos de corrupção vindo a tona e atingindo políticos de todos os partidos, greves de setores fundamentais para a sociedade e a total destruição econômica de alguns estados, é mera coincidência, eis algumas teses que podem indicar onde estão as falhas e por que chegamos no ponto que chegamos. Não confio nos grupos e nas pessoas que tem se posicionado contra os governos e as ideologias que os norteiam, mas como estou podendo ver com mais clareza algumas coisas que até então pareciam muito obscuras, talvez outras pessoas se beneficiem desse conteúdo. Essa virada cultural me parece ser fogo de palha e durará pouco tempo, mas pode somar em alguma coisa para o futuro do Brasil deixando algumas sementes. Aqui você pode assistir a entrevista que o tradutor, Bruno Garschagen, fez com o autor do livro, Roger Scruton, falando exatamente sobre o conceito do livro.

Delírios Liberais


          Os movimentos liberais no Brasil tem chamado a atenção dos últimos anos, principalmente por causa do MBL (Movimento Brasil Livre), dando uma opção a mais para aqueles que se interessam por política e economia. A esquerda, por não admitir nenhuma manifestação contrária aos seus ideais,  já saiu "investigando" o movimento e fazendo suas acusações pelos jornaizinhos e blogueiros comprados que já são bem conhecidos. Segundo eles, a Koch estaria financiando o movimento, assim como outras empresas "imperialistas", segundo eles. Acho que isso tem ajudado o MBL de certa forma, pois boa parte do Brasil já sabe como funcionaram os financiamentos de campanha do PT, como o partido conseguiu "comprar" o apoio do PMDB, entre outros casos que vieram a tona recentemente. Mesmo os esquerdistas mais radicais como Luciana Genro do PSOL, que recebeu financiamento da Gerdau para concorrer a prefeitura de Porto Alegre em 2016, também aprenderam bem como as coisas funcionam, ou seja, foi contra um dos termos do estatuto do partido para beneficiar-se politicamente. O caso é que alguns candidatos do MBL acabaram se elegendo nas eleições municipais de 2016, ao contrário do PT e dos candidatos apoiados por ele, que perderam 374 prefeituras. Em 2012 tinham 630 e em 2016 passou para 256 o número de prefeitos identificados com o PT, e os resultados das urnas é sintomático. Então, não adiantou nada a campanha contra o MBL, pois o movimento é muito menor que a CUT, MST, MTST, UNE, entre outros financiados pelos partidos de esquerda, mesmo assim conseguiu se fazer presente na politica no momento em que os escândalos envolvendo a Odebrech e tantos políticos vem a tona, há um impedimento de mandato de uma presidente e a quebra de alguns estados por conta da corrupção.
          Acho impossível quebrar a hegemonia cultural da esquerda no Brasil. Mesmo em baixa, o PT ainda trabalha em prol de seus objetivos, com a mesma dedicação e no mesmo ritmo de sempre. Na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, o presidente eleito foi Edegar Pretto, que se caracteriza principalmente por ser filho do também político Adão Pretto, e por ter recentemente feito campanha para homenagear Evo Morales com a Medalha do Mérito Farroupilha. São aquelas coisas que o PT faz para colher lá na frente, como o ex-Governador Olívio Dutra se reunindo com membros das FARC em 2001.  Por outro lado, acho que a eleição de Dória em São Paulo e Nelson Marchezan, apoiado pelo MBL para a prefeitura de Porto Alegre, são fenômenos passageiros e pouco influenciarão no contexto político, pois assumem seus cargos em um momento muito difícil para qualquer político. O povo rapidamente esquecerá tudo que aconteceu nos últimos anos e voltará a acreditar no discurso dessas mesmas pessoas, que agora são investigadas por cometer crimes com dinheiro público e algumas estão até presas, ou de seus aliados também corruptos. Já há uma sólida estrutura que se sustenta por si só em torno deles e precisaria de muitos anos para ela cair. José Genuíno, preso e condenado por conta do Mensalão, conseguiu emprego no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista após sair da prisão. Para eles, essas pessoas são heróis e mesmo condenados por crimes de corrupção e tudo o mais, seguem influenciando e participando, mesmo que indiretamente, da vida política do Brasil e ajudando a arquitetar as estratégias do seu plano de poder em constante movimento. Contra essa força política e ideológica, que começou lá na década de 1930, ou até antes, e que teve Luis Carlos Prestes, Carlos Marighela, Paulo Freire, Brizola, Lula, entre outros, carregando a tocha e se reinventando de tempos em tempos, não há como competir politicamente. Eles transformam guerrilheiros em heróis, líderes tiranos em amigos do peito, ditadores em companheiros, narcotraficantes em injustiçados, terroristas em guerreiros da liberdade, dominam as escolas, as universidades, os jornais e a televisão, são financiados por grandes empreiteiras, Andrade Gutierrez, OAS, Odebrecht, ou seja, são muito fortes e ocupam espaços importantíssimos e diversas áreas estrategicamente fundamentais. Movimentos como MBL ou mesmo o dos evangélicos, que são mais conservadores, são meras brisas que logo cessam. Esses movimentos nem chegam a se organizar e já implodem por inabilidade política ou por pura vaidade mesmo.
          Com a titubeada momentânea dessa ideia de poder estatal totalitário, abriu espaço para ideias mais liberais e conservadoras. O MBL é o reflexo disso, mas não representa exatamente o que algumas pessoas tem divulgado nas redes sociais. Elas acabaram entrando no que eu chamo de "tática do espelho inverso", ou seja, se o Estado é corrupto e incompetente, como realmente o é, vamos defender a criação de uma polícia privada, justiça privada, exército privado e coisas assim. Calma! Nem tanto ao céu e nem tanto ao inferno. Alguns conceitos liberais são interessantes, mas não podemos esquecer que a esquerda usa diversos destes conceitos na construção de seus discursos para agregar minorias no apoio dos seus interesses. Se por um lado o Estado não produz nada, por outro, ele representa a consolidação de um país como nação. Cabe ao Estado algumas funções fundamentais. Podemos ter uma educação privada, ou seja, livre de ideologias excludentes, onde as pessoas possam confiar que seus filhos terão um aprendizado amplo e eficiente. Na saúde, já temos planos de saúde privados, pois o SUS é um pavor, mas podemos ter hospitais mais bem equipados, médicos melhores e mais valorizados, sem essa carga tributária tão grande e maiores opções de modelos de planos e acordos, sem que haja uma intervenção tão drástica do poder estatal. No transporte a mesma coisa, maior concorrência, diversidade de veículos e tipos de transporte, melhores estradas, maior mobilidade urbana, mais segurança para o transporte de cargas e de pessoas. Os Correios, por exemplo, tem o monopólio no setor que atua e os serviços são ruins em sua maioria, ainda é alvo de corrupção, de lavagem de dinheiro e de acolher muitas pessoas indicadas politicamente para atender interesses específicos. A Petrobras, grande empresa brasileira, destroçada pela ganância dos políticos, poderia ter concorrência e esta ser privada, sem a necessidade de empresas estrangeiras explorando algumas atividades importantíssimas para a economia e o progresso do Brasil. Estes governos que pregam tanto o crescimento econômico e tecnológico, jamais investiu no empreendedorismo nacional, ou dedicou-se ao aperfeiçoamento técnico nos setores que o Brasil é carente de expertise e mão de obra.
          O principal discurso de quem defende um Estado grande, é que os empresários são figuras nefastas que se alimentam da exploração dos trabalhadores. Entretanto, é o empresariado que garante os empregos e paga grande parte dos impostos que sustentam o Estado. Sem as empresas privadas não haverá nenhum tipo Estado, pois de onde virá o dinheiro para pagar os funcionários públicos e manter a máquina funcionando? Na verdade os governos preferem ceder concessões à empresas estrangeiras através de acordos econômicos, ou seja, sede espaço para investimentos estrangeiros e acaba exportando nossas riquezas. Por isso, um país economicamente liberal tem a possibilidade de progredir mais facilmente, pois não depende da burocracia estatal e não terá uma carga tributária tão alta para pagar visando sustentar um Estado gigante. Nesse ponto, as ideias liberais oferecem uma alternativa interessante, pois tem como base países que progrediram muito nas últimas décadas. Outra luta liberal que merece atenção é contra sindicatos e, principalmente, as agências reguladoras como ANEEL e ANATEL. Esses órgãos do governo nada produzem, apenas ditam regras e cobram multas. O cidadão que é prejudicado pela interrupção de um serviço ou coisa do tipo, não recebe um centavo sequer, pois o dinheiro das multas vai para as agências, e ainda paga a diferença meses depois para compensar as multas impostas às empresas. Mesmo havendo empresas privadas, fica impossível ter liberdade de mercado no modelo que temos, o Estado continua no controle através de agências e entidades que controlam as empresas e as atividades exercidas por elas. Há quem defenda esse tipo de regulação por interesses particulares ou ignorância mesmo, mas para essas funções já existe a lei, não precisa de um órgão específico sugando dinheiro, basta a população, a imprensa, entre outros, fiscalizar e denunciar abusos. O próprio mercado ditará as regras, pois quem prestar um mal serviço ou abusar dos preços, será engolido pela concorrência.
          Contra o liberalismo paira o sentimento de oposição extrema contra as bases de esquerda. Quando isso acontece, perdesse a clareza nos planos e toda a ação passa a ser pautada pela contrariedade ao opositor. Nesse momento algumas pessoas começam a achar que uma simples negociação comercial pode evitar guerras e manter a soberania de um país. Isso eu já discordo totalmente. Como vimos nos últimos dias, com a ausência da policia nas ruas de Vitória no Espirito Santo, lojas foram saqueadas, mais de uma centena de pessoas foram assassinadas, muitas famílias estão trancadas em casa com medo de sair as ruas e tudo virou um caos. Imagine se simplesmente não existisse a justiça e nem as forças policiais no país todo. A greve da polícia mostra muitas coisas bem importantes, como o descaso do Estado, em favor da tese dos liberais, e a fragilidade da sociedade perante a própria incapacidade de se defender. Se é fundamental a liberdade de mercado para o crescimento da economia e a melhora gradativa das condições de vida da população, um Estado enxuto e eficiente em algumas áreas é a base que sustenta uma nação. Como não temos nem uma coisa nem outra, o Brasil caminha para o caos absoluto sem nenhuma força contrária agindo para corrigir isso. Até para a liberdade deve haver um limite sadio, pois sem ele, tudo vira um completo caos.   

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Xenofobia e racismo


          Imagine que você está em uma guerra. Sabe que inevitavelmente precisará matar para não morrer, porque os governos adversários decidiram isso. Você vê um soldado inimigo a sua frente, armado e com o mesmo objetivo que você tem. Você atira e mata aquela pessoa, um estranho, alguém que você nunca viu antes. Essa pessoa é filho, marido, pai de alguém e você acaba de golpear sua família de forma cruel. Mas tem uma justificativa, é uma guerra. Você pode voltar para sua terra como herói. Coisas assim escreveram grande parte da nossa história. Mas, se analisarmos qualquer guerra, veremos que são apenas homens e máquinas, matando outros homens, destruindo cidades e famílias. Isso é patético. Mas, os motivos para que as guerras aconteçam as vezes se justificam. Mesmo assim, a existência delas, independentemente da motivação, é algo absurdo e assustador. Quando uma guerra é contra outra nação por causa de poder, religião ou política, isso é prejudicial para todos, não importa quem vença. Mas quando é por diferenças raciais nunca haverá um vencedor. Muitas vezes essas guerras nem são entre nações e sim entre conterrâneos de raças diferentes, como acontece muito na Africa, na guerra civil dos EUA, nas revoluções na Russia e na China,  para citar exemplos.
          Acredito que uma nação tem que ter sua soberania, ter um rigoroso controle de fronteiras e sempre priorizar o bem estar de seu povo. Isso não quer dizer que sou a favor da xenofobia. Entretanto, se dez mil imigrantes entrarem num país e um deles for um terrorista e matar dez pessoas, o prejuízo é muito grande para a nação. Isso tem acontecido na Europa e em outros lugares do mundo. A imigração ilegal faz com os chamados coiotes, pessoas que fazem travessias de gente entre fronteiras, ganhem muito dinheiro de pessoas desesperadas e poe em risco suas vidas. Não tem como não ficar comovido com a situação de certos povos, onde a miséria e a destruição afugentaram seus cidadãos. Entretanto, temos que sempre pensar no preço que pagaremos ao receber estrangeiros. No Brasil, temos pessoas vindo da Venezuela, Nigéria, Haiti, entre outros. Nesses casos, são pessoas fugindo da miséria e da guerra. Mas, os venezuelanos cruzam as fronteiras procurando produtos essenciais para higiene e alimentação e nosso governo manda dinheiro para o governo de lá. Vemos propagandas de que os sistema de governo lá é o correto, que Inglaterra e Estados Unidos que estão errados. O resultado disso tudo é o nosso país mandar dinheiro para outros por motivos obscuros, enquanto deixa pra nós uma crise sem precedentes.
          Não tenho nada contra os indivíduos que vem para nosso país em busca de vida nova. Não gosto de ver essas pessoas nas mesmas condições que muitos brasileiros, que passam as mesmas necessidades sem deixar sua pátria. No Haiti, em alguns outros países da América Central e da África, com certeza há muita miséria, mas no Brasil também há pessoas precisando de atenção pelos mesmos motivos. Se na Venezuela há crise politica e econômica, no Brasil também isso também é uma realidade. Portanto, que o Brasil proteja suas fronteiras contra a entrada de drogas e armas pesadas de outros países. Precisamos resolver nossos problemas antes de acolher estrangeiros e mandar dinheiro para outros países. Por eu querer um país forte e soberano, me incomoda ver tantos imigrantes chegarem ao Brasil, afinal, diferente de outros países, o Brasil não tem nada a oferecer a não ser abrigo e comida mesmo, por enquanto, nem emprego há mais. Muita gente vai para outros países em busca de qualificação profissional, qualidade de vida, oportunidades de emprego. Infelizmente, quem chega ao Brasil, não tem acesso a nada disso. Precisamos ajeitar a casa para nossos cidadãos antes de receber hóspedes. Se os imigrantes fizeram muito pela construção do país, é hora dos brasileiros fazerem por si, para depois sim, poder prestar socorro a quem precisa.
          Um problema muito maior que o caso dos imigrantes supracitados, é o racismo interno. Brancos que odeiam negros, negros que odeiam brancos, mas todos filhos da mesma terra. Brasileiros com antepassados distintos, mas vivendo na mesma realidade. O negro tem sua história, sua cultura e sua importância, mas a cor de sua pele não o faz melhor e nem pior do que ninguém. Assim como escrevi na potagem sobre os homossexuais, dividir brancos e negros com politicas de quotas, propagandas e manifestações não vai reparar a dor dos escravos e os prejuízos sociais sofridos. Há de se considerar o cidadão pelo seu nome, seu caráter, sua importância, mas nunca pela sua cor. Dennis Glover, ao ser perguntado sobre a melhor solução para combater o racismo, respondeu que era parar de falar sobre isso. Infelizmente, conheço pessoas que não gostam de negros. Por outro lado, já sofri ataques de negros por eu ser branco. Uma coisa não justifica a outra. Não odeio negros, muito pelo contrário, minha esposa é filha de um negro, assim como não quero que me odeiem, pois tive vários colegas negros na escola e no trabalho. Saber respeitar e conviver com essas diferenças é uma demonstração de civilidade e bom caráter.
          Tenho meus motivos para não gostar que pessoas venham de fora e acabem sofrendo o que muitos brasileiros já sofrem. Também não concordo com quotas para negros em aspecto nenhum. Todos tem que ser tratados da mesma forma. Se o menino negro não tem acesso a oportunidades melhores por ser pobre, por isso precisa de quotas para entrar na faculdade, por exemplo, como fica a situação de quem também é pobre, mas não pode ter o beneficio de quotas por que é branco? Há de se ter a consciência de que a cor da pele é apenas uma característica do individuo, não um fator que o qualifique ou desqualifique. O Brasil sempre foi identificado por sua diversidade, e não é o preconceito idiota que irá falar mais alto. Todos precisam trabalhar para que tenham as mesmas oportunidades e alcancem o sucesso por méritos, não por acomodações políticas. Atitudes como quotas e demais ações anti-racismo, são apenas paliativos políticos, só resolveremos o problema quando nos livrarmos dos preconceitos, assim seremos dignos de pertencer a uma sociedade de verdade.

Estado incompetente e corrupto


          Há uma grande questão, que pra mim parece clara e objetiva, mas que as pessoas em geral tendem a se manifestar contra o meu ponto de vista a respeito. Falo das atribuições do Estado e o desempenho de suas atividades junto a sociedade. Cito segurança, educação, saúde, infraestrutura e intervenção econômica. Muitas pessoas acham que estas questões devem ser responsabilidade do Estado. Nisso eu concordo até certo ponto, pois o país que tem a maior carga tributária do mundo, deveria responder por todos estes serviços. Entretanto, os governos, em todos os níveis, se desqualificam para essas tarefas por dois motivos: incompetência e corrupção. Mas isso não é capaz de fazer as pessoas repensarem seus conceitos sobre a atuação do Estado. Elas admitem que os políticos são corruptos e incompetentes, mas esperam que o Estado resolva seus problemas mais urgentes como segurança e saúde. Vi recentemente pessoas admitirem que já se habituaram a corrupção e já não dão mais bola para isso. Esquecem eles que os milhões desviados dos cofres públicos, que são noticiados todos os dias como sendo fruto de corrupção, saem destes impostos pagos ao Governo para se ter educação, saúde, segurança e infraestrutura. Não é a toa que o Rio de Janeiro esteja quebrado depois da gestão corrupta de Sérgio Cabral, o país esteja com sérios problemas por conta da corrupção do Governo Federal envolvendo PT, PMDB, entre outros. Vemos empresários como Marcelo Odebrecht e Ike Batista na cadeia, políticos sendo denunciados e presos, a lava jato está ai para mostrar isso diariamente, pois o povo não aprendeu com o mensalão, mesmo tendo esse tipo de noticia praticamente todos os dias, parece que também não vai aprender com a lava jato.
          Que todo esse mar de lama não é mais segredo, todo brasileiro já sabe, embora muitos ainda defendam criminosos por cumplicidade partidária, burrice ou os dois. Nesse meio tempo, a palavra "privatização" tem sido demonizada. Claro que o Estado pode pagar salários absurdos para políticos e alguns servidores públicos, ele nada produz, mas arrecada muito dinheiro de impostos e atividades corruptas. Com isso, há uma quantidade imensa de pessoas que defendem a completa estatização. Os próprios políticos que pregam isso, utilizam-se do setor privado quando precisam de assistência médica, seus filhos e netos estudam em escolas particulares, todos andam com seguranças armados, vivem em condomínios de luxo com segurança particular, não utilizam transporte público e etc. Dessa forma é fácil defender a estatização de tudo, pois nunca dependerão do serviço que eles mesmos prestam. Enquanto isso, basta ver as condições dos hospitais, das escolas, da polícia e as estradas sob a gestão estatal, tudo caindo aos pedaços com raríssimas exceções. Os serviços fundamentais como comunicação, água e energia, mesmo sendo privados, dependem de constante submissão á agências regulatórias, que nada produzem a não ser multas e intervenções autoindulgentes. Para se ter uma ideia, se o consumidor reclama para uma agência a respeito de um serviço mal executado ou a interrupção do mesmo, a multa é paga para a agência e não ao consumidor.
          Temos ONGs, sindicatos, as já citadas agências, movimentos sociais e partidos políticos todos financiados pelo dinheiro público, mas eles nada produzem, apenas drenam recursos. Com este panorama, é impossível acreditar que haverá um montante condizente com as necessidades, sendo investido nos serviços mais básicos. Então, se pensarmos que, o mercado que vende comida, a loja que vende roupas e calçados, a revendedora de veículos, a empresa de telefonia, as empresas de aviação, entre tantos outros, são empresas privadas, que se quebrarem, outra assume os negócios sem maiores prejuízos a população, por que não se valorizar o empreendedorismo, a livre iniciativa, as gestões mais livres também na saúde, na educação em maior escala, na segurança, na infraestrutura e em outros campos que o poder público se mostra extremamente deficiente? Muitos tem medo da iniciativa privada, pois podem produzir "ricos que exploram os pobres", mas a politica e o grande poder dado aos políticos não faz o mesmo? Ou estes políticos que foram pegos fazendo transações milionárias com dinheiro público não fazem pior? Há uma cisma no Brasil quanto ao mérito, como disse Tom Jobim: _Fazer sucesso no Brasil é um insulto. _Ninguém pode adquirir bens de forma honesta sem ser tachado de explorador e corrupto. Mas se admite um politico e seus familiares, enriquecerem com a corrupção e o tráfego de influências. Acho que não preciso mais citar exemplos aqui.
        O brasileiro que tem um pouquinho a mais de condições costuma pagar duas vezes por tudo. Vejamos:
          _O brasileiro paga um percentual de seus impostos para o SUS e a Previdência. Mas também paga por plano de saúde, consultas médicas, exames laboratoriais , entre outros serviços, além de planos de previdência privada;
          _O brasileiro que possui veículo próprio paga IPVA, mas também paga pedágios entre outros tributos para financiar estradas;
          _O brasileiro paga escola e faculdade particular, mas parte dos impostos são dedicados a educação e projetos profissionalizantes;
          São apenas três exemplos. Normalmente, cada serviço citado, as empresas que os prestam também pagam impostos, gerando uma tributação anual referente a quatro ou cinco meses. O próprio contribuinte paga mais ou menos isso também. Por isso vemos tanta corrupção, há muito dinheiro circulando na mão dos políticos que saem do bolso dos trabalhadores e empresários. O que agrava mais ainda o problema é que a parceria publico/privada existente no Brasil, serve para lavar dinheiro. O Estado contrata empresas para executar determinadas atividades, cobra propina, a empresa já inclui isso no preço total da obra ou serviço, acrescenta seu lucro e acaba por formar cartéis com outras empresas grandes do mesmo ramo. Isso gera uma concorrência desigual, fazendo com que haja certa hegemonia econômica de certas empresas e políticos. Quando há um desequilíbrio nesse mercado, as despesas são repassadas ao contribuinte. Pra se ter uma ideia, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas do Rio 2016, mostraram como é possível fazer este tipo de negociata, mexer com muito dinheiro, enriquecer um monte de gente e quebrar um país.
          O certo nisso tudo é que, enquanto os políticos acharem, ou melhor, tiverem o total apoio das pessoas, vão aprimorar mais ainda suas táticas, farão promessas ainda mais grandiosas, roubarão ainda mais e esse dinheiro sairá dos bolso dos trabalhadores. Acontecerá como vimos na Venezuela recentemente, na Argentina á alguns anos, em países da África, Oriente médio e América Central, onde há uma concentração de dinheiro e riqueza na mão do Estado e o povo fica na total miséria. O brasileiro sabe bem o que é isso, pois quando falta dinheiro para estes países, nossos políticos dão dinheiro para estes governos, direta ou indiretamente, em troca de favores ou apenas para lavar dinheiro de corrupção mesmo. E o povo, que banca e elege essa gente nem fica sabendo, pois a imprensa também dá seu jeito para maquiar e esconder os fatos. Assim, grandes empreiteiras brasileiras atuam em países estrangeiros e devolvem o dinheiro para os políticos daqui por conta de lobbies. Temos que conviver com um Estado que interfere em outros países e sequer cuida de suas fronteiras, tal a quantidade de drogas, armas e contrabando que entram no Brasil anualmente.
          O certo de tudo isso é que, como as coisas estão não dá pra ficar. Mas como resolver isso? A unica alternativa é diminuir o poder do Estado e apostar em uma gestão mais local e independente, onde se trate cada assunto de forma mais individualizada em termos de municípios e possibilidades de investimentos. Claro que os servidores públicos e de estatais vão chiar, imagina se professores ficarem em greve por meses e não receberem seus vencimentos? Ou então um médico do SUS ter que cumprir sua carga horária de trabalho? Ou melhor, um assistente de qualquer coisa irrelevante, não ganhar seu salário de R$ 10,000,00 Reais mensalmente? Isso soa absurdo, porém, eles esquecem que são vitimas da violência, das péssimas condições de estradas e da alienação cultural. O resultado é que temos muitas matérias primas, mão de obra para trabalha-las, mas falta o know how em diversas áreas. O Brasil não tem empresas nacionais em diversos seguimentos, ficando a mercê da exploração internacional, e isso também é muito ruim. Estamos num país que não investe em tecnologia. Somos um imenso mercado consumidor, produtor de alimentos e coisas do tipo, mas não exportamos cientistas, engenheiros, e nada disso. Estamos espremidos entre um Estado corrupto e ineficaz e a exploração estrangeira, onde as empresas brasileiras são usadas para lavar dinheiro ou são extorquidas sem a possibilidade de expansão. 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Filosofia para corajosos


          Luiz Felipe Pondé é um filosofo, escritor, professor e ensaísta pernambucano. Formado na USP, também estudou em Paris e Tel Aviv, começando seus estudos na medicina, mas migrando para a área do pensamento posteriormente. É professor da USP, escreve artigos para revistas, faz diversas palestras e participa de trabalhos filosóficos com outros nomes do pensamento nacional. Não gosto de Karnal e Cortella, parceiros em algumas obras e as vezes oponentes em alguns debates filosóficos. O primeiro tem um conteúdo raso e meio cínico, foi o que me pareceu em seus comentários e artigos que tive a oportunidade de conferir. Sempre conduzindo os assuntos em uma linha correta demais e um tanto quanto enfadonha. Demonstra conhecimento dos assuntos e de bibliografias, mas peca nas interpretações vagas e meramente didáticas. O segundo é um pouco mais ideologista, entretanto, mostra-se um cínico em diversos assuntos, quando tenta ilustrar suas teses usando textos de figuras desprezíveis, agindo como se fossem homens célebres e honrados. Isso é péssimo para quem se apresenta como sendo um homem ligado a religião e defensor da moral e da ética. Não sei o quanto isso pode pesar para o currículo de cada um, mas Cortella foi secretário municipal de educação em São Paulo por um tempo, ajudou na ascensão do PT na década de 1990 e é muito alinhado com as ideias do partido. Fica complicado um profissional e pensador da educação ser defensor do método de ensino criado por Paulo Freire, o qual é citado diversas vezes nos textos e discursos de Cortella.
          Citei Karnal e Cortella neste preambulo, porque a imagem deles é muito associada atualmente com a de Pondé, escritor do livro que comento aqui. Entretanto, o que me fez comprar o livro "Filosofia para corajosos", foi exatamente as diferenças observadas entre os três filósofos. Pode-se conferir um pouco do trabalho dos três filósofos juntos aqui. Achei as ideias de Pondé bem mais claras e objetivas. Seus textos são simples, apresentam o mesmo grau de conhecimento bibliográfico, mas sem a necessidade de floreios linguísticos ou teses rebuscadas. Este livro não é longo, dá pra ler em uma semana tranquilamente, dedicando uma hora de leitura diária. Tirando artigos e vídeos de palestras, sem citar o canal oficial no Youtube, este livro é a única obra completa de Pondé que eu li até o momento, já que conheci seu trabalho a pouco tempo. Não me impressionei muito, mas gostei da leitura porque são ideias bem atuais e as teorias são simples de serem observadas no cotidiano. O título tem este ar desafiador, mas o conteúdo mostra a real condição do ser humano atualmente, onde as pessoas querem ser mais independentes, preferem ter cachorros do que filhos, se preparam para se encher de diplomas e trabalhar o tempo todo em empregos que detestam ao invés de tentar equilibrar isso com qualidade de vide, essas coisas bem características do século XXI.
          O livro parece uma coletâneas de tudo que Pondé tem apresentado nos jornais, no Youtube, nas palestras e nas entrevistas, mas certamente será mais significativo culturalmente por se tratar de algo pura e simplesmente contemporâneo, tanto na escrita simples, como nos temas característicos. Um exemplo é a citação aos evangélicos e sua contribuição para a continuidade da sociedade atual, pois, segundo Pondé, eles congregam, tem casamentos heterossexuais, mantém uma tradição familiar, tem filhos, são empreendedores e mantém certo padrão ético e moral. Já as pessoas mais descoladas preferem sexo sem compromisso, preferem ter cães do que filhos, como falei anteriormente, prezam mais seus diplomas do que os próprio corpos, vivem conectadas o tempo todo, mas moram em pequenos apartamentos em grandes centros urbanos e assim por diante. Isso é um reflexo claro da sociedade atual. Há um senso de engajamento com causas sociais, mas desde que seja a fome na África, um atentado terrorista na Europa, nada que eles possam interferir diretamente. Há todo um linguajar politicamente correto em público, um enorme preconceito e grandes frustrações no mundo privado. Na parte sexual, Pondé brinca com a atual preocupação com a higiene, tanto que lançou um livro chamado "Guia do politicamente incorreto no sexo", abordando as "frescuras" de hoje em dia. 
        O lado politico também é abordado, já que Pondé se diz conservador na vida pessoal e liberal na parte econômica, portanto, tem uma visão bem interessante sobre o engajamento politico da juventude, a doutrinação da esquerda no ambiente acadêmico, as distorções feitas pela mídia e pelos políticos de acordo com certos interesses, tudo bem simples e direto. Isso faz com que eu ponha outras obras do autor na minha lista de futuras leituras, embora a prioridade não seja tão alta. Aos poucos, este tipo de leitura mais livre e direta tem ocupado um espaço interessante, e por incrível que pareça, não é um lançamento da Record como os livros que citei em outras postagens, é da Editora Planeta do Brasil. Eu indicaria este livro as pessoas comuns, que gostam de ler livros de filosofia sem precisar mergulhar na bibliografia clássica, que exige um maior empenho e certa organização cronológica para o estudo. Vale a pena, pois ler é uma atividade fundamental para o estimulo intelectual.
          Aqui Pondé debate com Marcos Nobre ideias socialistas em diversas áreas da sociedade. Para o pessoal mais interessado em confrontar teorias polarizadas entre esquerda e direita, esse vídeo pode ser interessante. Claro que, se visto com radicalismo ideológico, todo o debate é mera perda de tempo, então não dá nem pra indicar nada nesse contexto. Contudo, acredito que existam pessoas mais interessadas em realmente se aprofundar em uma analise mais séria e objetiva do que ficar sacudindo bandeiras e cuspindo clichês. Neste vídeo estão dois representantes contemporâneos de ideologias bem distintas entre si. Suas obras estão publicadas e suas teorias amplamente divulgadas. Creio que, mesmo sendo um ideologista de esquerda, ficar regurgitando Marx, Engels e Hegel, seja um quanto que retrógrado, pois o mundo mudou muito desde a Europa do século XIX, onde essas teorias ganharam forças e foram desenvolvidas. Boa leitura a todos.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Desarmamento

          Fernando Henrique Cardoso, durante seu governo em 1997, criou o estatuto do desarmamento. Segundo muitas pesquisas, as armas de fogo causavam acidentes fatais e eram usadas por pessoas em discussões bobas, vindo a causar graves transtornos sociais. Muitos defenderam essa tese, artistas, intelectuais, pessoas normais, igreja, ou seja, gerou um amplo debate. Porém, muitos se opuseram a isso. Alegavam que, com toda a violência nas grandes cidades, isso ainda na década de 1990, o cidadão comum precisaria ter uma arma para se defender. Portanto, volta e meia este assunto volta para as manchetes de jornais e está constantemente sendo debatido, tanto nas ruas como nos ambientes políticos. O caso foi tão polêmico, que no governo Lula, em 2005, se realizou um referendo para consultar a população sobre o fim ou não do comércio de armas no Brasil. O resultado foi que 63% da população votou a favor do comércio de armas, indo contra a vontade do governo. Contrariado, o governo não pode proibir completamente o comércio de armas, mas impôs duras condições para que o cidadão comum pudesse adquiri-las. Essa foi a forma encontrada para fazer valer a vontade dos interessados, mesmo com a derrota no plebiscito
          Há uma explicação louca para que, tanto Lula quanto FHC, quisessem privar o cidadão comum de ter armas. Essa explicação passa longe de preocupação com acidentes ou mortes por motivos bobos. Há um trecho de "O Príncipe" de Maquiavel, que ele aconselha desarmar o povo para dominá-lo. Acredito que essa seja a principal motivação para não querer que os cidadãos tenham armas. Num país onde a propriedade privada é desrespeitada por lei, é normal que o governo prefira que o cidadão não tenha poder de fogo para reagir a qualquer investida contra seu patrimônio, seja por bandidos, ou mesmo pelo próprio Estado. Estranho que um partido como o PT, que tem guerrilheiros em suas frentes, seja a favor do desarmamento e ao mesmo tempo apoie as FARC e o MIR. O resultado desses procedimentos são fronteiras abertas para entrada de armas e drogas, facções criminosas controlando presídios e vários assassinatos todos os dias no Brasil. Ou seja, além de não garantir a segurança das pessoas, ainda dificultam que elas se protejam por conta própria. Basta verificar o aumento acelerado da criminalidade após as investidas do governo contra o comércio da armas.
          Não só sou a favor que um cidadão, sem antecedentes criminais, com um treinamento mínimo, possa ter sua arma em casa e pagando um preço justo por todo o processo. Só assim, quando algum bandido tentar entrar em sua casa ou levar seu carro, ele terá a chance de reagir á altura, pois agora os marginais levam grande vantagem. Do jeito que as coisas estão, bandidos invadem as casas das pessoas com a certeza de que não serão recebidos a bala, matam famílias inteiras e roubam tudo sem muita dificuldade. Segundo as estatísticas oficiais, apenas 8% dos assassinados são desvendados pela polícia. Destes 8%, a maioria é reincidente e ainda vai para um presídio onde facções criminosas  estão no comando. Basta olhar a situação atual e constatar que, como dizia na campanha do referendo, se aprovarem o estatuto do desarmamento, só os bandidos terão armas. E é o que está acontecendo, os bandidos estão mais bem armados que a própria polícia. Se os defensores do desarmamento civil estavam certos, por que os índices de criminalidade só aumentaram? Por que aqueles que faziam campanha á favor do desarmamento andam com seguranças armados?
          Não sou apenas a favor de que o cidadão possa ter sua arma, como também acho que, em alguns casos, deveria haver pena de morte. Quando vejo membros dos Direitos Humanos reclamando das condições dos presos e das ações truculentas dos policiais, soa como deboche para a população. Até indenização para as famílias de presos essas pessoas acham que é justo pagar. Esse conjunto de fatores contribuíram para a situação chegar onde chegou. Há registros de um mesmo delinquente ser preso 24 vezes. Isso gera uma sensação de impunidade que incentiva ainda mais as ações criminosas. Alegar que o governo não está envolvido diretamente com isso, é ser idiota a níveis extremos. Todas as ações politicas direcionadas ao combate a criminalidade, não só são inúteis, como, num aspecto mais amplo, só favorecem os criminosos. Nos EUA, quando bandidos veem uma bandeira do país em alguma residência que eles queiram invadir, já sabem que provavelmente serão recebidos a bala, pois os nacionalistas americanos tem essa cultura. Mesmo com muita gente querendo desarmar a população americana, eles ainda cultivam esse hábito de andarem armados. Aqui no Brasil, grupos invadem propriedades privadas ou públicas, ditam as regras de como as coisas funcionarão, e em muitos casos só saem com a posse de outra propriedade garantida. No Brasil, há quem diga que cortar o fornecimento de água, energia elétrica e internet de um estabelecimento invadido, é prática de tortura característica de exércitos tiranos. Bando de hipócritas populistas que só querem se fazer de vítimas para permitirem o caos urbano e a impunidade.
          Pode parecer radical e vai contra o "politicamente correto" tudo isso que disse aqui, entretanto, vemos a cada dia nos noticiários, não importa o veículo de comunicação, que as coisas estão piorando a cada final de semana. Enquanto políticos debatem teorias mirabolantes, mas que no fundo não servem pra nada, trabalhadores, crianças, idosos, são mortos ou vitimas de crimes violentos a qualquer hora do dia e em qualquer lugar. A cada seis horas no Rio Grande do Sul, uma mulher é estuprada, segundo o levantamento feito pela delegacia da mulher. Não só a criminalidade tomou conta da situação, como tende a piorar ainda mais estes índices. Enquanto isso, jornalistas estão preocupados com a superlotação de presos nas delegacias. foram sugeridos contêineres para prender criminosos provisoriamente, mas os Direitos Humanos foram contra essa ação de barbárie. Chamaram de tratamento desumano. Ora, para essa gente, o correto é que todos os criminosos fiquem soltos, que os presídios se tornem centros de convenções de facções criminosas, só assim a criminalidade terá um tratamento mais humano. Eu quero ter o direito de poder estourar a cabeça de um meliante que tentar fazer mal a minha família, mas o cidadão de bem tem que seguir as leis impostas por estes imbecis, que além de incompetentes na gestão pública ainda são tão corruptos quanto qualquer outro tipo de bandido.