sábado, 11 de fevereiro de 2017

Delírios Liberais


          Os movimentos liberais no Brasil tem chamado a atenção dos últimos anos, principalmente por causa do MBL (Movimento Brasil Livre), dando uma opção a mais para aqueles que se interessam por política e economia. A esquerda, por não admitir nenhuma manifestação contrária aos seus ideais,  já saiu "investigando" o movimento e fazendo suas acusações pelos jornaizinhos e blogueiros comprados que já são bem conhecidos. Segundo eles, a Koch estaria financiando o movimento, assim como outras empresas "imperialistas", segundo eles. Acho que isso tem ajudado o MBL de certa forma, pois boa parte do Brasil já sabe como funcionaram os financiamentos de campanha do PT, como o partido conseguiu "comprar" o apoio do PMDB, entre outros casos que vieram a tona recentemente. Mesmo os esquerdistas mais radicais como Luciana Genro do PSOL, que recebeu financiamento da Gerdau para concorrer a prefeitura de Porto Alegre em 2016, também aprenderam bem como as coisas funcionam, ou seja, foi contra um dos termos do estatuto do partido para beneficiar-se politicamente. O caso é que alguns candidatos do MBL acabaram se elegendo nas eleições municipais de 2016, ao contrário do PT e dos candidatos apoiados por ele, que perderam 374 prefeituras. Em 2012 tinham 630 e em 2016 passou para 256 o número de prefeitos identificados com o PT, e os resultados das urnas é sintomático. Então, não adiantou nada a campanha contra o MBL, pois o movimento é muito menor que a CUT, MST, MTST, UNE, entre outros financiados pelos partidos de esquerda, mesmo assim conseguiu se fazer presente na politica no momento em que os escândalos envolvendo a Odebrech e tantos políticos vem a tona, há um impedimento de mandato de uma presidente e a quebra de alguns estados por conta da corrupção.
          Acho impossível quebrar a hegemonia cultural da esquerda no Brasil. Mesmo em baixa, o PT ainda trabalha em prol de seus objetivos, com a mesma dedicação e no mesmo ritmo de sempre. Na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, o presidente eleito foi Edegar Pretto, que se caracteriza principalmente por ser filho do também político Adão Pretto, e por ter recentemente feito campanha para homenagear Evo Morales com a Medalha do Mérito Farroupilha. São aquelas coisas que o PT faz para colher lá na frente, como o ex-Governador Olívio Dutra se reunindo com membros das FARC em 2001.  Por outro lado, acho que a eleição de Dória em São Paulo e Nelson Marchezan, apoiado pelo MBL para a prefeitura de Porto Alegre, são fenômenos passageiros e pouco influenciarão no contexto político, pois assumem seus cargos em um momento muito difícil para qualquer político. O povo rapidamente esquecerá tudo que aconteceu nos últimos anos e voltará a acreditar no discurso dessas mesmas pessoas, que agora são investigadas por cometer crimes com dinheiro público e algumas estão até presas, ou de seus aliados também corruptos. Já há uma sólida estrutura que se sustenta por si só em torno deles e precisaria de muitos anos para ela cair. José Genuíno, preso e condenado por conta do Mensalão, conseguiu emprego no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista após sair da prisão. Para eles, essas pessoas são heróis e mesmo condenados por crimes de corrupção e tudo o mais, seguem influenciando e participando, mesmo que indiretamente, da vida política do Brasil e ajudando a arquitetar as estratégias do seu plano de poder em constante movimento. Contra essa força política e ideológica, que começou lá na década de 1930, ou até antes, e que teve Luis Carlos Prestes, Carlos Marighela, Paulo Freire, Brizola, Lula, entre outros, carregando a tocha e se reinventando de tempos em tempos, não há como competir politicamente. Eles transformam guerrilheiros em heróis, líderes tiranos em amigos do peito, ditadores em companheiros, narcotraficantes em injustiçados, terroristas em guerreiros da liberdade, dominam as escolas, as universidades, os jornais e a televisão, são financiados por grandes empreiteiras, Andrade Gutierrez, OAS, Odebrecht, ou seja, são muito fortes e ocupam espaços importantíssimos e diversas áreas estrategicamente fundamentais. Movimentos como MBL ou mesmo o dos evangélicos, que são mais conservadores, são meras brisas que logo cessam. Esses movimentos nem chegam a se organizar e já implodem por inabilidade política ou por pura vaidade mesmo.
          Com a titubeada momentânea dessa ideia de poder estatal totalitário, abriu espaço para ideias mais liberais e conservadoras. O MBL é o reflexo disso, mas não representa exatamente o que algumas pessoas tem divulgado nas redes sociais. Elas acabaram entrando no que eu chamo de "tática do espelho inverso", ou seja, se o Estado é corrupto e incompetente, como realmente o é, vamos defender a criação de uma polícia privada, justiça privada, exército privado e coisas assim. Calma! Nem tanto ao céu e nem tanto ao inferno. Alguns conceitos liberais são interessantes, mas não podemos esquecer que a esquerda usa diversos destes conceitos na construção de seus discursos para agregar minorias no apoio dos seus interesses. Se por um lado o Estado não produz nada, por outro, ele representa a consolidação de um país como nação. Cabe ao Estado algumas funções fundamentais. Podemos ter uma educação privada, ou seja, livre de ideologias excludentes, onde as pessoas possam confiar que seus filhos terão um aprendizado amplo e eficiente. Na saúde, já temos planos de saúde privados, pois o SUS é um pavor, mas podemos ter hospitais mais bem equipados, médicos melhores e mais valorizados, sem essa carga tributária tão grande e maiores opções de modelos de planos e acordos, sem que haja uma intervenção tão drástica do poder estatal. No transporte a mesma coisa, maior concorrência, diversidade de veículos e tipos de transporte, melhores estradas, maior mobilidade urbana, mais segurança para o transporte de cargas e de pessoas. Os Correios, por exemplo, tem o monopólio no setor que atua e os serviços são ruins em sua maioria, ainda é alvo de corrupção, de lavagem de dinheiro e de acolher muitas pessoas indicadas politicamente para atender interesses específicos. A Petrobras, grande empresa brasileira, destroçada pela ganância dos políticos, poderia ter concorrência e esta ser privada, sem a necessidade de empresas estrangeiras explorando algumas atividades importantíssimas para a economia e o progresso do Brasil. Estes governos que pregam tanto o crescimento econômico e tecnológico, jamais investiu no empreendedorismo nacional, ou dedicou-se ao aperfeiçoamento técnico nos setores que o Brasil é carente de expertise e mão de obra.
          O principal discurso de quem defende um Estado grande, é que os empresários são figuras nefastas que se alimentam da exploração dos trabalhadores. Entretanto, é o empresariado que garante os empregos e paga grande parte dos impostos que sustentam o Estado. Sem as empresas privadas não haverá nenhum tipo Estado, pois de onde virá o dinheiro para pagar os funcionários públicos e manter a máquina funcionando? Na verdade os governos preferem ceder concessões à empresas estrangeiras através de acordos econômicos, ou seja, sede espaço para investimentos estrangeiros e acaba exportando nossas riquezas. Por isso, um país economicamente liberal tem a possibilidade de progredir mais facilmente, pois não depende da burocracia estatal e não terá uma carga tributária tão alta para pagar visando sustentar um Estado gigante. Nesse ponto, as ideias liberais oferecem uma alternativa interessante, pois tem como base países que progrediram muito nas últimas décadas. Outra luta liberal que merece atenção é contra sindicatos e, principalmente, as agências reguladoras como ANEEL e ANATEL. Esses órgãos do governo nada produzem, apenas ditam regras e cobram multas. O cidadão que é prejudicado pela interrupção de um serviço ou coisa do tipo, não recebe um centavo sequer, pois o dinheiro das multas vai para as agências, e ainda paga a diferença meses depois para compensar as multas impostas às empresas. Mesmo havendo empresas privadas, fica impossível ter liberdade de mercado no modelo que temos, o Estado continua no controle através de agências e entidades que controlam as empresas e as atividades exercidas por elas. Há quem defenda esse tipo de regulação por interesses particulares ou ignorância mesmo, mas para essas funções já existe a lei, não precisa de um órgão específico sugando dinheiro, basta a população, a imprensa, entre outros, fiscalizar e denunciar abusos. O próprio mercado ditará as regras, pois quem prestar um mal serviço ou abusar dos preços, será engolido pela concorrência.
          Contra o liberalismo paira o sentimento de oposição extrema contra as bases de esquerda. Quando isso acontece, perdesse a clareza nos planos e toda a ação passa a ser pautada pela contrariedade ao opositor. Nesse momento algumas pessoas começam a achar que uma simples negociação comercial pode evitar guerras e manter a soberania de um país. Isso eu já discordo totalmente. Como vimos nos últimos dias, com a ausência da policia nas ruas de Vitória no Espirito Santo, lojas foram saqueadas, mais de uma centena de pessoas foram assassinadas, muitas famílias estão trancadas em casa com medo de sair as ruas e tudo virou um caos. Imagine se simplesmente não existisse a justiça e nem as forças policiais no país todo. A greve da polícia mostra muitas coisas bem importantes, como o descaso do Estado, em favor da tese dos liberais, e a fragilidade da sociedade perante a própria incapacidade de se defender. Se é fundamental a liberdade de mercado para o crescimento da economia e a melhora gradativa das condições de vida da população, um Estado enxuto e eficiente em algumas áreas é a base que sustenta uma nação. Como não temos nem uma coisa nem outra, o Brasil caminha para o caos absoluto sem nenhuma força contrária agindo para corrigir isso. Até para a liberdade deve haver um limite sadio, pois sem ele, tudo vira um completo caos.   

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