sábado, 25 de março de 2017

A Oi e os transtornos causados pelas prestadoras de serviço


          No Brasil é regra uma pessoa ter diversos problemas com as empresas que prestam serviços de telecomunicações. Desde a privatização da CRT, por exemplo, diversas empresas passaram a atuar nessa atividade como: Telefônica, Vivo, GVT, Claro, Net, Tim, Brasil Telecom e a própria Oi. Essa última contendo a maior estrutura física a disposição. A privatização deste serviço permitiu, por conta da competitividade no mercado, a evolução tecnológica e a queda nos custos dos serviços. Se pensarmos como eram as coisas uns vinte ou trinta anos atrás, uma pessoa para obter telefone precisava ser rica e ainda entrar numa lista de espera, sendo que não havia internet e outros serviços como a telefonia celular. Contudo, os serviços foram barateados, as opções aumentaram e o acesso à internet passou a chegar próximo aos 80% dos brasileiros e a telefonia celular beirando aos 90%, com muitos serviços quase de graça ou sendo muito flexíveis como as recargas pré-pagas. Se a privatização dos serviços de telefonia possibilitou a competitividade de mercado, criou-se ou se expandiu um recurso governamental que limitaria a ação das empresas, as famigeradas agências de regulação, cujo intuito era garantir o bom serviço ao cidadão pautado em uma legislação especifica. 
          Mas nem tudo são flores, pelo contrário, a relação empresas/clientes é péssima e isso é praticamente regra para todas as empresas de telecomunicações que atuam no Brasil. Péssimo sinal de celular, deixando a internet e os demais serviços com irritante oscilação, prejudicando a comunicação e dando dor de cabeça aos usuários. Por outro lado, as propagandas e a submissão de outros setores como lojas, empresas de serviço e as próprias pessoas, acabam por tornarem esses serviços fundamentais no cotidiano moderno. Whatsapp, Facebook, e-mails, contas on line, serviços exclusivos da internet, entre muitas outras coisas, dependem das tecnologias de telecomunicação, mais precisamente da internet. Essa dependência submete os clientes a transtornos de toda conta, geram punições rígidas das empresas que prestam o serviço e péssima qualidade do que é acordado. Portanto, é uma relação onde empresas e clientes são prejudicadas por diversos fatores. Quando um cidadão entra em contato com uma empresa como Vivo, Oi, GVT, e que tais, é jogado num primeiro momento em um mundo de sonhos e serviços perfeitos, feitos exclusivamente para ele por uma quantia irrisória a ser paga, ou seja, um custo benefício incomparável. Uma pessoa que precisa do serviço para manter-se alinhado com as necessidades da vida moderna fica inteiramente na mão desses prestadores de serviço, que são iguais em sua origem, pois seguem as mesmas regras, as mesmas metodologias e, portanto, tem os mesmos problemas. 
          A partir do momento que um cliente contrata os serviços, tudo vira um inferno. Como exemplo, vou contar minha recente experiência com a Oi, mas já tive problemas com a Claro e a Vivo também, não com todas as empresas porque muitas delas não estão disponíveis devido a  localidade que resido e as opções de serviços que oferecem na minha região. Onde vivo, em um primeiro momento não havia disponibilidade dos serviços da GVT, Net, entre outras, estando a Claro, com sua tecnologia 3G e depois 4G, sendo a mais acessível, pois a Vivo sequer tinha sinal na minha casa quando contratei há alguns anos. Um ano foi o suficiente para não querer mais a Claro como prestadora de serviços devido a inconstância do serviço. Migrei para um serviço de internet via rádio, mas que também não me atendeu de forma satisfatória. Depois de pouco tempo, contratei outra empresa via rádio, com essa permaneci por uns cinco anos, até que o aumento de velocidade se fez necessário e a empresa começou a apresentar dificuldades em oferecer o que foi contratado, acabei por rescindir o contrato e voltar a testar a Claro, agora com a tecnologia 4G. Tinha esperança de que o serviço e a qualidade dos equipamentos tinham melhorado. Ledo engano. A melhora foi irrisível e tive que cumprir um ano de contrato e desativei o serviço.
          Contratei a Oi, a pior experiência que já tive em todos os sentidos. Quando falei no parágrafo acima que desde a contratação do serviço a pessoa já começa a cair na realidade do que é ser cliente dessas empresas, era embasado na experiência que tenho e compartilho com o nobre leitor. Entrei em contato via internet e tirei as dúvidas sobre o melhor plano para mim. Buscava uma internet com no mínimo 5 MB de velocidade, mas para isso teria que contratar um plano básico de telefonia fixa. Quando aceitei a proposta, já tive que rever algumas coisas, pois os 5 Mb não estavam disponíveis na minha região, mas havia a possibilidade de aumentar a velocidade da conexão assim que disponível. Como não havia opção, aceitei os termos. Isso já foi inconveniente, mas nem perto do que viria a seguir. Agendei a instalação e eu foi responsável por montar a estrutura interna para utilizar o serviço, ou então contratar um profissional para isso, pois a Oi só liga um fio no DG e deixa pendurado no poste em frente a minha residência. Feita a instalação interna, entrei em contato com outra empresa para instalar a internet. O acordado é que não teria Wi-fi e teria a disposição apenas 1 Mb de velocidade de internet. O técnico foi até minha residência e questionou o porquê de não contratarmos 5 Mb de velocidade se muitos usuários do meu bairro tinham esse pacote. Foi-lhe explicado tudo que ocorrera e ele aconselhou entrar em contato com a Oi, cancelar o pedido de instalação, solicitar os 5 Mb que estão disponíveis. Segundo este técnico, eu teria caído numa estratégia de vender determinado plano para atingir alguma meta interna. Falei com a Oi e cancelei a instalação de 1 Mb e expliquei a situação. Houve discussões, mas meu pedido foi atendido, ficaram de instalar 5 Mb já que o técnico garantia a disponibilidade do serviço. Como a empresa que faz a instalação não é a Oi e sim uma terceirizada, ela encaminhou um técnico para instalar 1 Mb novamente, alegando que a Oi não disponibilizara 5 Mb. O nível de stress já aumentou consideravelmente, estávamos no terceiro dia e muitas ligações telefônicas. Mais discussões e transtornos, foi instalado o telefone fixo, 1 Mb de velocidade de conexão e Wi-fi, que inicialmente estaria indisponível devido ao tipo de plano contratado.
          O serviço foi interrompido algumas vezes, mas ainda funcionava relativamente em um nível aceitável. Passados alguns meses, a própria Oi ligou oferecendo um pacote um pouco mais caro, mas com TV, mais recursos de telefonia e os polêmicos 5 Mb de velocidade de conexão. Após mais de uma hora de negociação onde relatei todo o acontecido, todas as minhas necessidades, ventilei com todas as possibilidades em torno do serviço e foi-me garantido o cumprimento de todos os itens acordados, não que eu tenha acreditado nisso. Novamente, muito stress na hora da instalação e migração para o novo plano. Funcionando o serviço depois de muita discussão e indisponibilidades. Uma empresa instalou a TV, outra a internet e assim ficou. Passados três meses, o serviço foi interrompido por motivos contábeis. Isso veio a meu conhecimento quando liguei para reclamar da interrupção dos serviços. Teria ficado uma quantia residual  de dezembro e janeiro do plano anterior que não me foi informada via e-mail, conta física, ligação telefônica, na página da Oi ou SMS. Para aumentar o transtorno, uma taxa de instalação foi parcelada em 12 vezes e vinha na conta comum. Com a migração do plano, tudo ficou exclusivamente sob o controle da Oi e não me foi repassado. Não tendo ainda a capacidade de adivinhar as coisas, ficaram pendentes alguns valores. Repetindo, nada disso foi-me repassado nem por e-mail, nem por conta física, nem por SMS e também não constou em nenhum momento na minha página na Oi. Sendo que as parcelas da instalação só geraram custo, mas não se consolidaram, nem como boleto, nem como outro tipo de conta possível de ser paga.
          Após falar com quatro atendentes, sendo que um disse que não havia débito e repassou para outro que informou estar uma conta do plano anterior em aberto, passou para outro que informou que eram duas e, finalmente, passou para outro que mencionou as duas contas e mais as taxas de instalação. Nessa ligação telefônica de quase meia hora, foi acertado que liberariam meu acesso, mandariam todas as contas para o meu e-mail para pagamento e tudo apareceria na "Minha Oi". Passados 9 dias, do dia 13/03 até 21/03 e somente ter chegado a conta referente ao mês de março, com vencimento em abril, foi novamente bloqueado o telefone e a internet. Ficando das 07:17 da manhã de 22/03 até as 14:00 do mesmo dia, com uma pausa de 20 minutos para o almoço, não houve acordo e o serviço continuou indisponível, mesmo gerando diversos números de protocolo e tendo falado com diversos atendentes. Após falar com um certo supervisor de nome Antônio, ele disse que eu deveria proceder da seguinte forma, me dirigir até uma lotérica e informar o número de telefone para pagar o que está sendo cobrado sem sequer ter a conta com os serviços detalhados, oque é um direito meu, ou ir até uma Lan House, entrar no meu e-mail para verificar se enviaram os tais e-mails, o que não fizeram após a ligação do dia 13/03, pagar a impressão das contas e realizar a quitação das dívidas.
          Neguei-me em fazer o que o tal supervisor sugerira, pois o mesmo comportou-se de forma arrogante e se nivelou em importância com o dono da Oi. Busquei a opinião de pessoas que teriam maior conhecimento jurídico sobre o caso e se multiplicaram as possibilidades de recorrer juridicamente. Fui aconselhado a ir até uma lotérica e pagar o valor informado por eles em relação aos débitos atrelados ao meu número de telefone. Feito isso, faltaram algumas parcelas da taxa de instalação, mas essas não geraram conta passível de pagamento. Débitos pagos, dirigi-me ao Procon RS como primeira medida. O atendente ligou para um serviço de 0800 para se informar sobre o que constava pendente. Relatou-me que estavam cobrando outro serviço que eu não havia contratado. O atendente cancelou o serviço, alegou resolver todas as pendências e inconformidades no meu contrato e disse que todos os serviços já estavam disponíveis. Ao chegar em casa constatei que o telefone estava funcionando, mas a internet não. Passadas algumas horas, liguei para o tal 0800 e informei o ocorrido. Após algumas tentativas, o serviço foi reativado. Então solicitei ao atendente para disponibilizar as ligações feitas na data de contratação do primeiro plano, da data da migração para o plano atual, do dia que bloquearam os serviços pela primeira vez e do dia que fiquei mais de cinco horas tentando resolver o problema.
          Solicitei as ligações porque não tenho conhecimento do contrato que rege a contratação dos serviços entre eu e a empresa, pois o acordo é feito por telefone e a empresa fica com o total controle das informações, isso gera todos os tipos de constrangimentos para o contratante. No meu caso, estava com as contas do meu plano em dia e estava sendo cobrado por algo que eu não tinha o conhecimento, por isso ficaram contas pendentes. Agora, de poder das ligações, analisarei o conteúdos dos áudios e a partir deles entrarei com todas as ações possíveis, desde reclamação junto a ANATEL, contra a própria Oi pela forma obscura e manipuladora que agem, até contra as pessoas dos atendentes que agiram de forma irregular ao me deixar em espera até a ligação cair, dar informações erradas e agirem de forma displicente e até arrogante durante o atendimento. A ideia não é conseguir indenizações ou facilidades, mas fazer com que a empresa cumpra as regras que estão sujeitas e melhorem a relação com os clientes e os serviços. Normalmente as empresas que são acionadas na justiça já trabalham com a possibilidade de acordo, no meu caso quero o pleno cumprimento de todas as ações que minha relação com a empresa gerem, independentemente de tempo ou valores. Como eu sei que muitas pessoas sofrem com esse tipo de situação, farei a minha parte para pressioná-los a rever suas metodologias de trabalho.


segunda-feira, 20 de março de 2017

José Bonifácio - Um dos fundadores do Brasil

          Para muitos a independência do Brasil foi um erro, pois um império português tendo Portugal na Europa, Brasil na América e os países de língua portuguesa da África unificados e sob a mesma governança centralizada em Lisboa, seria uma potência incomparável no século XIX. Eu discordo disso, embora admita desqualificado para essa analise. O caso é que isso não aconteceu, houve rupturas que caracterizaram as tentativas de expansão do império lusitano. Com o retorno de D. João VI para Lisboa, deixando o Príncipe Regente D. Pedro I, ainda muito jovem, abriu a possibilidade de forma mais clara de uma independência, pois Portugal de mostrava problemático, principalmente no tocante aos interesses brasileiros. Grupos como a maçonaria, a igreja, os políticos e os comerciantes portugueses acirraram as discussões em torno dos assuntos políticos e comerciais do cenário da época. A família Andrada, nas figuras de José Bonifácio,  Martim Francisco e Antônio Carlos teve fundamental importância nesse processo político e histórico. Os três compartilhavam das mesmas ideias básicas e temperamentos espontâneos. Essa característica última foi decisiva em alguns acontecimentos na vida de José Bonifácio, o mais velho dos Andradas, mas também se refletiu na rotina dos demais irmãos. Porém, isso eu contarei em resumo mais adiante neste texto. Importante é ressaltar a importância de um mito fundador de um país, ou um conjunto deles, pois sem um passado estudado e explicado, fica difícil se ter uma identidade patriótica e um formatar um senso básico de civilidade. Essa ausência faz com que nosso cinema, por exemplo, promova pessoas como Olga Benário, que nem brasileira era, ou mesmo outros movimentos tentem nos empurrar goela a baixo guerrilheiros por heróis. Se na literatura, no cinema e no ensino histórico é passado aos brasileiros um conjunto de narrativas tendenciosas, é evidente que muito de nossa riqueza histórica seja omitida. O fato é que o Brasil tem "sim" seus fundadores, querendo ou não, e não são figuras descartáveis ou incultas, são pessoas com ideais, defeitos e virtudes, que ajudaram a construir uma nação em uma vasta terra onde se misturavam escravos negros, índios, portugueses e brasileiros natos. Portanto, mesmo que seja suspeito duvidar dos veículos oficiais e acreditar em um mero blogueiro, há uma quantidade enorme de informações a respeito de nossa história, tudo documentado á disposição de quem quiser estudá-la. 
          Com uma inveja sazonal dos "Founding  Fathers" americanos, busquei na literatura oficial as origens de nosso país para que pudesse encontrar ao menos um personagem digno de citação. Surpreso, deparei-me com uma história muito diferente da que me foi passado na época de escola. É impressionante como fazemos vistas grossas determinados símbolos, como nomes de ruas e monumentos, esquecendo que muitos representam pessoas, algumas delas, muito valorosas. Embora haja muitos questionamentos a respeito do acerto ou erro em se separar de Portugal, e da forma com que o processo se sucedeu, como já expus acima, todos os brasileiros tem esse vínculo patriarcal, pois sem os acontecimentos do início de 1800 não teríamos essa pátria tão judiada e pisoteada, mas ainda assim, acolhedora e "nossa". Nessa busca deparei-me com uma coleção de que seus textos datam de quase um século atrás, mas relançada pela Biblioteca do Senado em 2015, portanto, patrimônio público. A coleção chama-se "História dos Fundadores do Império do Brasil" escrita por Otávio Tarquínio de Sousa. O historiador busca narrar parte da vida e os feitos de pessoas intimamente ligadas com os fatos, e portanto, responsáveis pelo nascimento de uma identificação de uma nova nação. José Bonifácio é o personagem do primeiro volume, por esse motivo, foi o primeiro volume que dediquei-me a ler. Sua história me chamou a atenção por diversas razões. Brasileiro, paulista de Santos, com ideias claras e muito enérgico em defendê-las, dado ao desfrute das carícias femininas, homem de hábitos noturnos, viagens e que gostava de debater também com as pessoas simples, mas que estivessem dispostos á uma boa prosa. No livro citado, deixa registrado que o homem falava, além do português, espanhol, francês, inglês, alemão e possivelmente latim, tendo traduzido vários livros científicos e escrito obras literárias em foma de poemas e narrativas de viagens. José Bonifácio tinha uma visão clara do perfil do brasileiro e foi um dos grandes conselheiros e amigos de D. Pedro I, sendo ele responsável direto por convencer o príncipe a ficar no Brasil para fundação da nossa pátria. Se não faltaram detratores de sua imagem, sobrou-lhe paixão por suas atividades e descobertas em uma vida que, no final, se mostrou ingrata
          José Bonifácio de Andrada e Silva, nascido em Santos, uma pequena cidade e monótona litorânea no século XVIII, no dia 13 de junho de 1763, tornou-se ainda mais diminuída culturalmente perto dos anseios do jovem Andrada quando este entrara na idade adulta. Este buscou conhecimento do outro lado do oceano, indo estudar em Coimbra, Portugal, tendo apenas vinte anos de idade. este cruzou o oceano em uma perigosa e desgastante viagem em busca de instrução e carreira. Iniciou seus estudos jurídicos em 1783, inserindo em seu repertório matemática e filosofia um ano mais tarde, entre outras atividades cientificas que passou a buscar e desenvolver. Conforme avançava em seus estudos, também agregara experiência e diferentes graduações, se dedicando à viagens expedicionárias mineralógicas. Correu diversos países europeus, tendo contato com a alta cultura européia e a descoberta cientifica que tanto buscava. Isso fez do santista uma pessoa culta, dada a alguns maus hábitos, tendo ao menos uma filha ilegítima em suas viagens e deixando amantes saudosas. Sua busca pela boa conversa e a ambientação junto as pessoas que encontrava, complementavam sua formação de cidadão do mundo. Embora talentoso em suas investidas e dedicado em adquirir cultura, ainda era um cidadão graduado, mas sem um destaque para o Brasil. Sua partida ainda jovem, fez com que ficasse alijado dos acontecimentos de sua terra natal, embora se mantivesse sempre informado dos acontecimentos 
          Com as investidas de Napoleão contra Portugal e outros países em épocas de revolução na Europa, encontrava-se José Bonifácio como professor em Coimbra, intendente-geral das Minas e Metais do Reino, administrador das minas de carvão de pedra de Buarcos, administrador das fundições de ferro de Figueiró dos Vinhos e Avelar, diretor do Real Laboratório da Casa da Moeda de Lisboa, diretor da sementeira de pinhais, entre outras funções que lhe eram confiadas, mas impossíveis de serem exitosas em sua totalidade devido ao acúmulo das mesmas. Mesmo assim, José Bonifácio entrou para as forças armadas em um momento de descontentamento pessoal com o rumo que sua vida havia tomado. Lutou contra Napoleão no front de batalha, sendo ótimo espadachim e tendo matado uns quatro oponentes em duelos. Entendia a importância de um exército eficaz e valoroso, observando na luta aramada a garantia de vitória da virtude sobre a demagogia e a tirania. A relevância deste brasileiro passou a ser inegável historicamente, mas o cientista, politico e guerreiro, dava lugar ao homem namorador, que citava a beleza de algumas mulheres e até criticava as francesas as chamando de "fruto amargo", entre outros adjetivos. Criticando amigos portugueses que se davam ao desfrute, que o mesmo se dera na juventude, quando de seu exílio anos mais tarde. Essa vida movimentada de certa forma, mas extenuante e metódica, principalmente na atividade didática que exercia, fez José Bonifácio sentir saudades de sua terra, que muitas vezes citava em seus diários de viagem. Fora a saudade, as notícias vindas do além-mar não eram do agrado do já maduro Andrada. Queria voltar para Santos e inteirar-se da vida social e política do Brasil. Mesmo a vida no exército lhe trouxera uma realização relativa, lhe faltava a sua terra. Após sua partida aos vinte anos, voltou ao Brasil após 36 anos na Europa e trazendo na bagagem muito conhecimento e realizações. Contudo, não chegou rico e cheio de títulos, aportara para começar a reconstruir sua história.
          No Brasil tornou-se grão-duque da maçonaria e ingressou na vida política rapidamente. Aproximou-se do Príncipe D. Pedro I tornando-se grande amigo do mesmo. Não buscava fama nem títulos, embora fosse egocêntrico e tivesse a língua solta. Começou a cultivar inimigos e conspiradores contra si. De pronto estabeleceu metas que possibilitassem utilizar o conhecimento adquirido em mais de três décadas e meia em solo europeu. Começou a ser muito influente na politica, tornando-se parte do governo provisório de São Paulo e grande legislador e empreendedor. Participava de forma ativa e transformadora na sociedade, deixando claro suas ideias contra o trabalho escravo e fazendo experiências com trabalhadores assalariados. Contrariado com os decretos recolonizadores de Portugal, passou a mobilizar forças em prol da independência do Brasil de Portugal. As leis e os desmandos vindo da pátria mãe lusitana contrariavam os interesses de diversos movimentos no país, não só as ideias e conceitos maduros de um intransigente Bonifácio. Com a convocação do Príncipe para voltar para Lisboa, José Bonifácio escreveu uma carta mexendo com a moral e a brasilidade do jovem monarca, exigindo sua permanência no Brasil, transformando fato ao chamado dia do "fico", em 9 de janeiro de 1822. Via que, estando D. Pedro I no Brasil, seria um símbolo que poderia unificar o povo brasileiro em busca de uma emancipação. Em apenas um ano estando de volta a pátria natal, já trabalhava José Bonifácio em uma empreitada que buscava acalmar as revoltas no território nacional e alcançar a Independência do Brasil. Isso despertou olhos muito atentos sobre sua conduta e de contrariedade a suas ideias e atitudes.
          Junto à outros nomes da maçonaria, comerciantes, políticos e seus irmãos, José Bonifácio conseguiu sensibilizar grande parte dos brasileiros que uma separação de Portugal se fazia necessária, pois via que as novas leis impostas por D.João VI e seus ministros seriam péssimas para os seus conterrâneos. Mesmo sendo uma pátria dividida por conflitos, pobre culturalmente, pouco desenvolvida, tinha grande potencial humano e cientifico. Pode visitar alguns lugares do Brasil e constatar que havia um grande trabalho a ser feito, principalmente na mineralogia e na botânica. Por outro lado, o país que tanto amava estava carente de progressos há muito existentes no velho continente. Faltava á aquele povo luxos e modernidades fundamentais para consolidação civilizada e o Ministro estava disposto a fazer acontecer. No mesmo instante, brigava para que não houvessem fraudes e corrupção nas instituições existentes. Convenceu D. Pedro I a se apresentar para o povo e firmar-se como um líder a ser reconhecido, um símbolo de um novo reino. Em 7 de setembro de 1822, foi declarada a Independência do Brasil por D. Pedro I. Isso repercutiu junto ao povo e principalmente em Portugal. Era um pequeno passo perto do que viria a seguir no intuito de construir uma pátria consistente e unificada. José Bonifácio foi logo considerado demagogo e conspirador, pois defendia coisas como a liberdade gradual dos escravos negros que muito desagradava aos aristocratas. Dizia ele que deveriam ser tratados como iguais e não como objetos pertencentes a um senhor. Considerava os senhores de escravos homens propensos ao acomodamento e a preguiça. Era o Andrada ministro mais relevante do Novo Império e buscava montar uma Assembléia Constituinte para legislar as novas regras do país agora que a independência já era fato consumado..
          Entre os deputados, o jovem imperador e José Bonifácio picuinhavam muitas controvérsias e polêmicas num crescendo exponencial e perigoso para as partes. A nova pátria mal se emancipara e já estava fragmentada por interesses conflitantes. Isso fez com que o Andrada fosse demitido e readmitido como ministro, demonstrando a fragilidade do processo. Negou títulos e começou a não conseguir mais conter suas desavenças, passando a ser pressionado o imperador por seus pares. Começou a ser visto como autoritário pelos seus futuros algozes políticos. Conspiradores investiram na vulnerabilidade da concubina de D. Pedro I que fez com que este se voltasse contra José Bonifácio. Nos episódios que sucederam, não só foi manipulado pela amante, como o jovem monarca agrediu o ministro de certa forma ao dar-lhe o titulo de Marquesa de santos. A bagunça  histórica do Brasil já mostrava sua face tão conhecida nos dias atuais. O resultado disso foi nova demissão do ministro, atritos contra o imperador, dissolução da Assembléia Constituinte e a consolidação de grupos rivais aos Andradas no poder. José Bonifácio e seus seguidores foram acusados por crimes políticos, presos e banidos. Após quatro anos de sua chegada ao país, depois de 36 anos de uma vida de sucesso e reconhecimento na Europa, estava o primogênito dos Andradas sendo conduzido como criminoso ao exílio. A intenção era fazê-lo encarar as cortes portuguesas que afrontara ao propor a ruptura com a coroa lusitana, porém, conseguiu desgarrar-se deste fim por meio de intervencionistas amigos seus. Graças aos seus contatos influentes e a fidelidade de amigos, conseguiu manter a salvo sua biblioteca com diversos títulos, anotações e trabalhos, rumando para o interior da França e sofrendo sanções da coroa portuguesa. Foram seis anos de exílio, tornando-se o ermitão de Talence, pois se abrigara entre os franceses e lá ficou desgostoso, dedicado a alguns estudos, obras literárias, traduções, mantendo contato frequente com dois amigos mais próximos. Recebeu noticias de ex-amantes e amargou a pobreza e o desgosto devido ao seu exílio injusto.
          Seis anos depois, José Bonifácio voltou ao Brasil. Sua esposa adoecera e veio ao óbito durante a viagem. Isso deixou o coração do velho Andrada ainda mais amargurado. Buscava tranquilidade para seguir com seus estudos e aproveitar sua velhice. Contudo, foi escolhido por D. Pedro I para ser o tutor de seus filhos, ao reatar amizade com o imperador que o havia banido, notoriamente por influência de inimigos. Era duro para José Bonifácio encarar seu novo destino, já que planejara afastar-se das controvérsias. O imperador estava impopular e seu comportamento alimentava a cólera de republicanos, enquanto seus aliados de outrora afastavam-se ou calavam-se frente as adversidades. D. Pedro I voltou para Portugal, abdicando do trono brasileiro por conta da pressão popular. Incapaz de se manter a margem da vida política e aceitando, mesmo contrariado, a tutela dos príncipes, José Bonifácio voltou a ser atacado por seus antagonistas ao ponto de emitirem mandados judiciais e guarda armada para destituí-lo de seu compromisso junto aos príncipes. O Brasil estava dividido e sem rumo político certo. Novamente os Andradas foram banidos, mas dessa vez José Bonifácio ficou em uma residência em Paquetá a beira-mar, aguardando o julgamento de novos crimes que mais uma vez lhe imputaram. Já velho e sem muita energia, dedicou-se aos estudos num retiro filosófico até o dia de sua morte. Dividiu suas posses de seus setenta anos de vida com seus herdeiros, dando atenção especial a Narcisinha, sua filha adolescente, fruto de uma de suas aventuras amorosas.
          Sintetizar o personagem que foi José Bonifácio de Andrada e Silva em um curto texto é até um sacrilégio, mas essa menção se faz necessária em um mundo onde a maioria das pessoas ignoram sua existência. Há uma coleção com sete volumes, contando a história de cinco personagens fundamentais, já que três volumes são dedicados a D. Pedro I, a ser lida e relida quase que obrigatoriamente a todo brasileiro. Tanto pela importância dessa visita ao passado e a familiarização com os personagens da fundação de nossa pátria, como para o contato com uma língua portuguesa mais antiga, tão mais rica que a atual. Onde a citações em francês e espanhol, tão naturais para os escritores mais antigos, no caso de Otávio Tarquínio de Sousa, um mero historiador. Nada como mergulhar na história e deixar de lado, ao menos por um tempo, a cultura medíocre e a realidade criminosa de hoje. As ideologias partidárias e os movimentos políticos que tomam conta das discussões contemporâneas, não são nada mais que uma prova da degradação de um povo que já foi valoroso em sua história e tem seus personagens destacados e fascinantes. Embora sem esperança, tenho sido exitoso ao buscar, á margem dessa narrativa histérica, um Brasil que pode nos orgulhar e servir de base para nossas empreitadas culturais e humanas. Ter contato com a história de nossos fundadores dá esperança de um futuro mais próspero, justificando a luta que essa busca propõe. Fica a dica, para aqueles que buscam entender um pouco dos mitos em torno da nossa fundação. Ótima leitura! 
           
          

domingo, 19 de março de 2017

Chuck Berry e a imortalidade da arte


          Ontem, sábado 18 de março de 2017, faleceu a lenda do Rock de codinome Chuck Berry. Negro, pobre, com duas prisões no currículo e respeitado por gerações que o sucederam. Sua música transcende mais de quatro décadas, influenciando Beatles, Elvis Presley, Rolling Stones, ACDC, entre muitos outros. Desde o final da década de 1970 ele não gravava um álbum, mesmo assim seus clássicos como School Days, Johnny B. Goode, Roll Over Beethoven e You Can't Catch Me ficaram para a posteridade como alicerces de um estilo que gerou outros tantos, o Rock n' Roll. Suas letras falavam de carros velozes e luxuosos, mulheres e dinheiro, o oposto do que tinha como realidade na sua vida. O sucesso veio em meio a perturbações e desatinos comuns a todos nós. Mesmo com uma vida difícil no inicio e conturbada no seu auge, Chuck Berry, o homem, morreu aos 90 anos, talvez sem ter recebido o retorno financeiro merecido por sua importância, assim como outros tantos. Nascido no Missouri em 1926, teve como influência Muddy Waters e Nat King Cole. Trabalhou na fábrica na General Motors e só foi entrar na música definitivamente já nos anos 1950, fazendo sucesso em 1955. De lá pra cá seu trabalho é conhecido dos fãs.
          É notório o valor da música negra feita no sul dos Estados Unidos na primeira metade do século XX. Lendas do Blues e do country surgiram nessa época. Já fiz uma postagem falando das origens do Blues aqui e a importância do estilo aqui. É de fundamental importância nos dias atuais as pessoas tentarem se conectar a histórias de outras pessoas. Digo isso porque noto que as gerações que se sucedem após a minha, tendem a se desligar de suas origens, por consequência, tornarem-se pessoas sem legado, sem história, sem responsabilidade histórica. A família tem se tornado mais um estorvo do que motivo de orgulho para os jovens, principalmente. Acostumados a conectarem-se com pessoas do mundo todo via internet, mas incapazes de estreitar laços com as pessoas a sua volta. Quando leio as histórias de B.B. King, Lemmy, Davis Bowie, Elvis Presley, entre outros tantos escuto seus trabalhos, noto como as pessoas, as vezes frágeis emocionalmente, problemáticas e até dignas de pena em determinado ponto, transcendem a vida com sua arte. Parece que uma força maior os escolhe para transmitir algo que os imortalizará. Deslocados dessa graça, estamos todos em estado catatônico, hipnotizados pelas telas de nossos Smartfones, com um mundo de informações em nossas mãos e nos tornando mais idiotas a cada dia.
          Por mais simples e diretas que fossem as letras e as músicas de pessoas como Chuck Berry, há verdade, existe mais do que é gravado em um disco ou apresentado nos shows. É a história de pessoas reais, contadas de forma artística e que conectam pessoas desrespeitando o tempo e o espaço. Em tempos onde grande parte das pessoas estão apenas preocupadas em garantir recursos para garantir o financiamento de seu ócio, ver um homem de 90 anos planejar gravar um novo álbum e projetar sua aposentadoria, tendo estado nos palcos durante mais de seis décadas, deixa espaço para uma reflexão a respeito de nós mesmos. Será que todas essas pessoas que morreram e deixaram seu legado não seriam exemplos melhores a serem seguidos do que estes que temos hoje à frente de movimentos reivindicatórios? Não são os indivíduos os protagonistas dessa imortalidade artística e não os grupos, as minorias? Escritores, músicos, arquitetos, entre outros apaixonados pelas atividades dificilmente param de fazê-las antes de sua morte, deixam um legado para as gerações seguintes e servem de influência para quem quiser segui-los.
          Com a morte de Chuck Berry, mais uma obra está completa, com seu início e agora com seu fim. O corpo esfria, apodrece e vira pó, mas o que foi feito permanece e tende a ganhar força com a morte de seu protagonista. Para os artistas a morte é apenas uma condição momentânea que os iguala aos demais mortais. Viver para produzir é um talento para poucos, a maioria produz pensando no momento que não precisarão mais fazer nada, adiam seus sonhos para uma aposentadoria ou para um acumulo de dinheiro de forma fácil e fraudulenta. Por sorte, a grande maioria dessas pessoas morrem no anonimato e nada significam depois de mortas. Ser culto e sábio é saber ouvir os mortos, para os fãs de música, essa tarefa se torna prazerosa e gratificante. É mais sábio aquele que consegue ver beleza nas coisas simples, que prega sua verdade, seja como música ou de forma escrita, assim, quando sua luz se apaga muitos param para lamentar sua ausência e refletir sobre sua breve passagem no mundo dos vivos. Enquanto escrevo este texto, estou ouvindo os primeiros álbuns de Chuck Berry e tomando uma aula de como um artista de verdade deve lidar com seu ofício. Imagino o quanto era difícil gravar um álbum e fazer shows para sobreviver de música nos anos 1950 e 1960. Hoje, muitos de nós tem estúdio em casa com todas as ferramentas para trabalhar e ficam procrastinando e inventando desculpas. Falo especificamente de mim e dos músicos que conheço, onde há uma preocupação com detalhes e frescuras diversas, quando o verdade artística se afoga num pântano de futilidade e insegurança.
          Para encerrar essa postagem, fico feliz em poder falar de música neste espaço depois de um tempo falando de outras coisas. Há de se pensar muito bem nas coisas que acontecem a nossa volta e refletir sobre elas, afinal, é a história acontecendo e está passando batido, longe da percepção dos artistas, que parecem corrompidos por ideologias e benfeitorias governamentais. Jornalistas, escritores, músicos e as pessoas em geral estão adormecidas e coniventes com tudo que acontece no mundo. Haverá um tempo em que as pessoas buscarão informações sobre o nosso tempo e só encontrarão opiniões furadas, lamentações e discursos vazios, pois é assim que estamos registrando nossa história, com uma pseudointelectualidade de frases prontas, ideologias retrógradas e descoladas da realidade, sendo incapazes de resolver nossos problemas de verdade, estamos debatendo sobre teorias hipotéticas enquanto a realidade dos fatos deixa mais de 60.000 brasileiros mortos por ano, a corrupção age em todas áreas possíveis e imagináveis de nossa sociedade, drenando todos os recursos gerados por nosso trabalho. Mesmo assim, defendemos com unhas e dentes nossas ideologias coletivistas enquanto sumimos como indivíduos. Por sorte, Chuck Berry não precisou perder tempo disputando cotas para negros no Rock e no Blues, pois muitos deles acabariam sendo ignorados para dar espaço para um branco sem talento.

quinta-feira, 9 de março de 2017

A renovação da esquerda e seu legado histórico


          Então alguém comenta no Facebook que Guilherme Boulos, líder do MTST, está traçando um caminho politico parecido com o de Lula e conclui que, só o tempo dirá se isso se concretizará ou não. Vindo de um provável militante de esquerda, essa afirmação é algo que vem de encontro ao que falo a algum tempo, que esses movimentos, mesmo perdendo muito prestígio político junto a população, haja visto as últimas eleições para as prefeituras no país, o trabalho segue seu ritmo constante e objetivo. Guilherme Boulos é só mais um nome que aparece para rejuvenescer a esquerda, pois seus lideres mais relevantes estão com mais de 70 anos. As pessoas que analisam política muitas vezes não consultam a história para embasar suas teses. Alimentam-se de eventos momentâneos para conjecturar o futuro do país, declarar determinado partido morto e projetar uma mudança no ideário nacional. São idiotas com mera especialização em alguma profissão, incapazes de fazer outra coisa a não ser seguir o protocolo sugerido em seus cursos universitários, quando não são apenas fantoches com uma missão específica. Pois o movimento de esquerda no Brasil data da década de 1930, talvez até antes disso. Luiz Carlos Prestes foi um dos nomes mais relevantes dos primórdios e o PCB a grande bandeira do comunismo brasileiro. A Intentona Comunista, a criação da Aliança Nacional Libertadora e o grande movimento comunista latino americano, muito influenciados pela Revolução Russa de 1917, começaram a marcar a história do país no século XX. O próprio Prestes exilou-se em países como Argentina e Bolívia em períodos em que o PCB foi declarado clandestino por conta de suas atividades e interesses como a tomada de quartéis militares e a aberta intenção de fazer uma revolução com base na luta aramada. Luiz Carlos Prestes trabalhou junto ao governo soviético por um tempo, quando conheceu e casou-se com Olga Benário, aquela do filme "Olga", e voltou mais tarde, com nomes falsos, os dois, para comandar a revolução comunista no Brasil. Claro que não era apenas a força militar que constituía a base do núcleo comunista, vários intelectuais brasileiros e jornalistas eram simpatizantes e até militantes ativos do Partido Comunista Brasileiro. Houve sempre essa necessidade de tomar o controle de duas ou mais frentes, mas os comunistas ainda achavam que a força era o principal meio. Em outros lugares como China, Camboja, Vietnã e Cuba, essa metodologia se mostrou exitosa nas décadas de 1930, 40,50 e até 1960.
          Ao se escancarar a intenção de instaurar um regime comunista de fato no Brasil, por conta de personalidades como Marighela, Brizola, João Goulart, entre outros, tanto políticos como intelectuais e jornalistas, os conflitos entre a esquerda e parte do governo, deram margem para o Golpe Militar de 1964. Muitos conflitos se deram durante o período ditatorial, entre revolucionários e o exército. A Guerrilha do Araguaia foi talvez o mais emblemático, porque mostrou exatamente como a esquerda tomara o poder em outros países da América Latina, através da luta de guerrilha. Entretanto, mesmo com ações esporádicas como sequestros de aviões, muitos com destino a Cuba, e de um cônsul americano, o apoio aos comunistas não se manisfestava junto a população em geral como era visto entre outras classes como os já citados jornalistas, músicos e artistas em geral. Isso se deu até a redemocratização e a assembléia constituinte da década de 1980. Após 20 anos de Ditadura Militar, o Brasil voltava a discutir oficialmente os rumos políticos do Brasil de forma mais democrática. O PCB se desmantela dando origem a partidos como PPS e PC do B. Entretanto, o seu herdeiro mais eficiente e próspero seria o PT de Lula. Ao redor dele juntaram-se intelectuais, artistas, jornalistas, sindicatos, universidades, entre outros pontos que já vinham sendo trabalhados pela esquerda. Ou seja, o PT não criou o aparelhamento do Estado através destes movimentos, apenas ou agregou em torno de si para solidificar sua existência e possibilitar sua ascensão.
          Em 1990, Lula cria, junto a Fidel Castro entre outras lideranças de esquerda da América Latina, o Foro de São Paulo. Isso foi negado veementemente varias vezes pelos membros do Partido dos Trabalhadores. Contudo, nomes como José Genuíno, José Dirceu, Antonio Palocci, Dilma Roussef, entre tantos outros, construíram em volta de si uma estrutura muito maior que um partido político, onde foram se juntando o MIR chileno e as FARC da Colômbia, além dos principais partidos de esquerda dos continentes da América do Sul e Central. Nesse meio tempo a esquerda agia conforme a estratégia do italiano Antonio Gramsci, descrita nos Cadernos do Cárcere, que, de forma simplificada, consistia em tomar o poder por conta de uma lenta revolução cultural através das escolas, universidades, da música, das artes plásticas, literatura e de movimentos menores e populares. A Escola de Frankfurt e a New Left foram versões mais leves dos movimentos de esquerda, assim como Gramsci, mas ainda objetivavam a tomada do poder e a manutenção dele. Isso ocorreu em 2003 com a vitória de Lula na disputa presidencial, mas já se manifestara em prefeituras e governos de estado, além do Senado, Câmaras Estaduais e Federais. Em menos de duas décadas o Foro de São Paulo já tinha presidentes no Brasil, Argentina, Uruguay, Venezuela, Cuba, Bolívia, entre outros.
          Como presidente eleito, Lula precisava seguir uma cartilha que agradasse aos interesses populares, mas também ao plano maior da esquerda. Já em seu primeiro mandato houve o escândalo do mensalão, que seria a forma encontrada para o apoio necessário visando aprovar as medidas necessárias para seguir com o plano principal. O PT já conta com a classe artística nomeando Gilberto Gil para o Ministério da Cultura, o que facilitaria a tomada cultural, assim como criar um ministério para seu principal critico no período eleitoral, Ciro Gomes. Aproximou-se de José Sarney para contar com o apoio do PMDB, além de ter como vice José Alencar, forte nome junto ao empresariado. A partir desse momento as redações dos grandes veículos de comunicação passaram a eliminar as vozes destoantes do discurso esquerdista, passando a fazer certa oposição controlada e manipulável ao governo. Surgiram os blogs pagos e sites de noticias pautados pela esquerda como Brasil 247, GGN, Carta Capital, entre outros. Os jovens foram assimilando o discurso de seus professores, se não todos esquerdistas, devotados a segurança do serviço estatal. Passou-se a perceber movimentos como MST, UNE, Sindicatos diversos a irem para as ruas sempre que chamados por seus líderes para protestar contra governos que não estivessem alinhados com o ideário esquerdista. Mesmo não sendo unanimidade, seria impossível tirar o PT do poder e o partido passou a ocupar ainda mais do prestígio nacional e internacional. 
          Algumas vozes que acusavam o governo petista de crimes eram silenciadas de diversas formas diferentes, seja por destruição de reputações e até assassinatos mesmo, como ocorrera com Celso Daniel entre outros que morreram misteriosamente com quedas de aviões, helicópteros e etc. Porém, mesmo com esse amplo controle da máquina, talvez por imperícia ou mesmo incompetência, algumas figuras importantes como José Genuíno, José Dirceu e Antonio Palocci acabaram sendo acusados, julgados e condenados, mesmo assim o plano seguiu até o governo Dilma. Com a operação Lava Jato, muitas empresas e políticos de outros partidos passaram a ser alvos de investigação e isso acabou se tornando muito maior do que o esperado. Estes nomes foram sendo indiciados e começaram a fazer "delações premiadas", fazendo com que a população se revoltasse contra o governo. Mesmo assim, só o impedimento da presidente Dilma em 2016 foi capaz de barrar de certa forma o plano de poder do partido. Contudo isso deixou muitas manchas e cicatrizes profundas em várias áreas, tanto politicas e econômicas, mas também social e cultural. Empresas como Petrobrás, Brasken, Andrade Gutierres, Odebrecht, as empresas de Eike Batista, entre outras, foram instrumentos primordiais para garantir que o PT se mantivesse no poder por 13 anos. Isso destrói a credibilidade de todos estes setores e a população em geral é tomada por um abatimento aterrador. Mesmo assim, alguns movimentos, meio desajeitados e sem muita representatividade, começaram a aparecer como vozes antagônicas. Ficar com a disputa apenas entre PSDB e PT como era o idealizado por estes partidos, passou a não ser tranquilamente possível. Algumas vozes radicais ventilam até o retorno da ditadura, não por concordar com isso realmente, mas por escárnio e até ojeriza ao poder ideológico que está estabelecido. 
          Os danos desse processo foram maiores do que crises politicas e econômicas. Culturalmente o Brasil perdeu muito tempo. A esquerda tentou de forma quase que total apagar a história e reescreve-la de acordo com seus interesses, onde terroristas se tornam heróis, medíocres escritores de pasquins se tornam intelectuais, conspirações internacionais agem ativamente no país, empresas são usadas para financiar campanhas politicas e troca de favores, traficantes como Fernandinho Beira-Mar confrontam deputados e ao mesmo tempo divulgam que negociavam armas e drogas com as FARC, aliadas do governo via Foro de São Paulo, grupos criminosos como PCC comandam os presídios, empreendimentos em Angola, Cuba, EUA, Bolívia, Venezuela, são financiados com recursos públicos para fazer lobby e lavar dinheiro. Tudo isso está documentado por diversos veículos de comunicação, na maioria das vezes disfarçados para tornarem-se palatáveis e bonzinhos. Com tudo isso a população brasileira ainda se encontra adormecida, esperando seu "messias" salvar o país e acha normal que tudo isso esteja acontecendo. Ainda há uma grande força nestes movimentos, embora tudo isso que faz parte da história contemporânea, o que sobrevive ao tempo não é a verdade e sim o plano maior. Como visto na China, na URSS, em Cuba, matar, roubar, mentir e seguir firme com o discurso é fato imperativo e irrevogável, o Brasil só segue o mesmo caminho, mas com as idiossincrasias nacionais.
          Quanto aos políticos e militantes presos, não são um problema para estes movimentos, pois como já disse várias vezes, mesmo neste texto, assim que saírem serão incensados como heróis como foi feito antes com as guerrilhas, pobres vitimas do sistema e de calúnias. Talvez muitos deles até ganhem indenizações como a "Bolsa Ditadura" criada pelo governo petista, daqui a algum tempo. O fato é que Guilherme Boulos, citado no início deste texto, é só um exemplo da renovação da esquerda. Os sindicatos, as universidades, as escolas, os jornalistas, os intelectuais, atores, músicos, escritores e afins, continuarão a ser de esquerda e manter o movimento forte, independente do que aconteça em qualquer segmento. Aceitar crimes, defender mentiras e promover lutas de classes, gêneros, raças e ideologias politicas sempre serão parte da mentalidade revolucionária da esquerda, assim como o seu objetivo de chegar ao poder e controlar a vida das pessoas em beneficio de minorias, assim como acusam o sistema capitalista de fazer. Quem é mais racional e preserva valores como a família, seu emprego, sua casa, sua empresa, sua cultura, tem que sobreviver em meio a tudo isso e seguir vivendo, pois a cada dia a incapacidade, os favores, as negociatas, a acomodação e tudo o mais, tomam conta da vida das pessoas e de suas ambições, em contra partida, o Brasil, além de não progredir, ainda regride de forma sensível. Pobre brasileiro, que aceita tudo isso e ainda cria animosidades entre amigos, colegas e familiares para defender figuras nefastas.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Greve de municipários


          Hoje a tarde, 06 de março de 2017, tive que ir até a escola dos meus filhos por conta de uma convocação dos professores. Eles comunicaram que entrariam em greve por tempo indeterminado devido a um pacote da prefeitura supostamente para conter gastos. Nesse conjunto de propostas estariam reduções e alterações em alguns direitos dos municipários. Em contra partida, alegam que o salário do prefeito é equivalente ao do Presidente da República, em torno de R$ 27.000,00 e os demais membros do executivo e legislativo, vice-prefeito, vereadores e os cargos de confiança, também recebem seus vencimentos proporcionalmente ao do prefeito. Isso fez com que a categoria, que abrange professores, entre outros, entrassem em greve. Isso é algo bem comum, pois nossa legislação permite isso, mas é justo com as crianças, por exemplo? Não seria mais apropriado entrar com uma representação junto ao Ministério Público contra o pacote da prefeitura antes de iniciar o ano letivo? Será que ninguém teve a ideia de fazer isso, ao invés de decidir cruzar os braços em protesto em cima da hora de começar as aulas. Por mais que eu entenda que as reivindicações são coerentes, por que a primeira alternativa é sempre a greve? Isso já é um vício dos servidores públicos e só trazem prejuízos a população.
          Todas as pessoas que resolvem prestar concurso para ingressar em serviços públicos, sabem que podem passar por este tipo de situação, mas é comodo optar por um emprego que dê certa estabilidade, pois é preciso que o governo quebre para que sejam demitidos sem justa causa. Isso faz com que possam fazer greves sem maiores consequências para suas carreiras profissionais. Por outro lado, estão se negando a prestar um serviço que já foi pago pelos cidadãos. Essas mesmas pessoas que trabalham para prefeituras, governos do estado e federal são as primeiras a lutarem contra privatizações em apoio a sindicatos e políticos de esquerda. Se por um lado contestam seus patrões, por outro deixam a população, que paga impostos, que conta com o governo para ter acesso a saúde, educação e segurança, sem opção alguma. Além de entregarem um serviço péssimo, pois a saúde e a educação no país estão entre as piores do mundo. No caso de Cachoeirinha, que é o município onde eu resido, tenho um posto de saúde a poucos metros da minha casa, mas desde novembro de 2016 minha esposa não consegue marcar consultas médicas para ela nem para as crianças. E isso começa a encher o saco. Se as escolas não dão aulas, se os postos de saúde não funcionam, a prefeitura serve para quê?
          A pessoa que trabalha diariamente para dar condições dignas para a família acaba por ter negligenciado o direito a educação e a saúde, mesmo pagando uma das maiores cargas tributárias do planeta. Como eu falei para um dos professores hoje na tal assembléia, isso é um tiro no próprio pé dos servidores públicos, pois mais e mais pessoas vão optar por alternativas. No caso da educação elas inexistem, mas podem acabar surgindo. Mesmo que ainda não seja possível o ensino doméstico aos filhos, essa é a unica alternativa caso um pai se preocupe realmente com a educação deles, pois o ensino público é péssimo. Se um pai não interagir diretamente na educação de seu filho, ele se tornará um analfabeto funcional, sem a mínima disciplina e sem conhecer as operações básicas de matemática, sem saber ler e escrever corretamente, além de ser indiferente a qualquer cargo ou instituição acima dele. Pode ser que apenas eu esteja preocupado com isso, mas enquanto escrevo este texto, tento encontrar uma saída para não ficar a mercê deste joguinho político ridículo que ocorre a cada mudança de gestão.
          Eu tenho uma boa relação com as pessoas que compõem o corpo docente da escola de meus filhos. Trato com respeito e com a atenção que cada um deles merece pela posição que ocupam, mas fico muito desapontado por ser vítima desta situação, tendo comprado o material escolar, estruturar minha agenda em cima dos compromissos das crianças e me deparar com essa realidade. Por mais que eu saiba o quanto é complicado, para os professores principalmente, saber que são meros cumpridores de um cronograma fraco e sem muitas condições de fazê-lo, como já falei antes, eles são os maiores fracassados profissionalmente do nosso país. As estatísticas mostram que boa parte das crianças que assistem suas aulas, em breve estarão cometendo algum delito, subempregados, ou mesmo mortos vitimas da violência. Há muito pouca chance de um dos alunos se tornarem grandes profissionais, pois certamente sairão da escola com a mínima capacitação. Falo isso da escola dos meus filhos especificamente, mas imagino que em outros lugares seja assim. Como um professor me falou hoje: _"A gente vai ser gado, trabalhar ganhando micharia, se aposentar, morrer e é só isso?" _Ele se mostrou incomodado com a situação. Porém reforcei que ele sabia disso quando prestou concurso pública, mas e quem quer uma melhor formação para seus filhos tem opção? Claro que não. Sei que é um absurdo pensar que um professor tenha por motivação maior o prazer de lecionar, porém é nisso que eu aposto quando mando meus filhos para a escola. Que haja um professor que possa inspirá-los, já que eu esbarro nas minhas limitações neste aspecto.
          Na década de 1990, as melhores escolas de Cachoeirinha eram as particulares. Eram poucas e caras, é verdade, mas eram as que os alunos tinham o ensino de maior qualidade. Hoje não temos essa opção devido a grande carga tributária para quem quer investir em algum empreendimento deste tipo. Abrir uma escola de ensino qualificado requer muita força de vontade e recursos financeiros, pois nem mesmo a sociedade está acostumada com esse tipo de iniciativa. Simplesmente pagamos os impostos que nos são empurrados e não podemos escolher onde matricular nossos filhos e nem o ensino que queremos para eles. Quando os servidores públicos param, ficamos desassistidos. É inacreditável que ainda exitam pessoas que defendam tanto esse inchaço estatal que está sufocando a todos e caindo de podre. Já virou tradição ser marionete do governo. Mesmo que não exista um serviço público de qualidade sequer, nenhum. Enquanto eu trabalho diariamente para dar aos meus filhos alimentação, abrigo e alguma base de respeito e virtude, as instituições que impõem regras sobre tudo e que tem o monopólio em certos lugares, simplesmente cruzam os braços. Sou apenas um, mas estou pensando em uma alternativa.

domingo, 5 de março de 2017

Esquerda Caviar


          Esquerda Caviar é um livro lançado pelo jornalista Rodrigo Constantino. Rodrigo foi colunista da Veja, Época, o Globo, entre outros. Atualmente vive nos Estados Unidos, pois após a reeleição da presidente Dilma, entre outros motivos, decidiu experimentar como é viver em outro país, com uma cultura diferente da brasileira. É um dos fundadores do Instituto Millenium e foi presidente do Instituto Liberal. Formado em economia pela PUC/RJ e possui MBA pela Ibmec, Constantino é um blogueiro e colunista liberal, que não só escreve sobre economia, mas também sobre política, sendo um crítico ferrenho do modelo esquerdista tão popular na América Latina. Suas ideias podem ser conferidas aqui, aqui e no seu canal no Youtube aqui. Em sua página no Facebook e em seu Twitter ele costuma interagir bastante com outras pessoas no intuito de debater suas ideias sobre os assuntos citados acima. Como liberal, é defensor do livre mercado e de um Estado reduzido, onde o indivíduo tenha seus direitos respeitados e realmente possa decidir como administrar sua vida, sem tanta interferência do governo. Mas identifiquei que Rodrigo Constantino é mais conservador em algumas ideias do que liberal, por isso é alvo de muitos ataques de veículos como Carta Capital, pautada pelo PT, e do Brasil 247, que faz propaganda pró PT com um disfarce de jornal da web. Por conta de sua posição política bem definida, muitos esquerdistas odeiam Rodrigo Constantino, o que ele recebe como elogio. Sua iniciativa em se opor e refutar muito do que é escrito e falado, tanto na internet como nos veículos oficiais, acaba por incomodar muitos jornalistas e políticos, mas deixa claro seu posicionamento em relação a eles.
          Ao falar do livro "Esquerda Caviar" em si, tenho elogios e críticas, porém o livro cumpre perfeitamente seu objetivo que é mostrar como muitos personagens, que se dizem de esquerda e defensores dos interesses dos pobres e das minorias injustiçadas, são canalhas mentirosos que gozam de todo o luxo do capitalismo que juram atacar. Isso é notório por si só, mas ver um montante significativo de narrativas com inúmeros exemplos, escancara de forma até obscena esse fenômeno tão comum entre algumas classes. Eu não concordo com muitas coisas que estão no livro. Há certas generalizações que me incomodam como as críticas á culturas muçulmanas, embora certas práticas sejam inaceitáveis. Também não gosto de comparar oriente e ocidente culturalmente, pois não tenho grande intimidade com certos hábitos, mas vou condenar o terrorismo e iniciativas radicais, pois não fazem mal só aos habitantes de certos países, isso tem se espalhado pelo mundo. Mas este é o estilo de Rodrigo Constantino escrever, agressivo, direto e cheio de exemplos bibliográficos para consulta, que chegam a sobrecarregar as pesquisas sobre os temas, mas demonstra que o autor pesquisou e estudou muito antes de escrever. Este é um dos critérios que costumo pesar na hora de formar um conceito sobre uma obra, a quantidade de referências para comprovar o que está se afirmando, não um simples relato pessoal e egoísta baseado em "achismos" infundados. Isso está presente de forma constante neste livro, inclusive há uma grande lista de referências bibliográficas no final da obra. Isso dá a possibilidade de se ampliar o estudo, caso o leitor se interesse em se aprofundar no assunto. Sinceramente, eu esperava uma narrativa mais bem-humorada, até é em alguns momentos, mas muito do texto é trágico e realmente não tem graça.
          O livro está organizado em três partes:   
          Parte 1 - As origens, Duplipensar e O viés da imprensa. Nesse início o autor fala das origens do pensamento esquerdista e dos movimentos que foram desencadeando governos e pensadores do socialismo e do comunismo. Quando fala de duplipensar, refere-se a forma sempre usada por esquerdistas em sua estratégia de chegar ao poder através de sua mensagem amplamente divulgada e suas iniciativas bélicas ou políticas. Aqui no Brasil podemos comparar ao governo do PT, onde a grande imprensa, como a rede Globo, fazia algumas reportagens atacando o governo, aparentemente. Por sua vez os membros do governo rebatiam alegando perseguição politica, mas na verdade era um jogo de aparências, pois algumas empresas que patrocinam a imprensa são as mesmos que recebem tratamento especial do governo. Aliás, a grande imprensa normalmente é aliada dos governos, de todos eles. Isso se comprovou no Natal de 2016, onde Lula fez uma campanha na internet para arrecadar dinheiro em prol de sua defesa, já que é réu em cinco processos da Lava Jato. Nessa campanha, vários artistas da rede Globo e de outros veículos aparecem pedindo um Brasil justo para todos e pra Lula, sugerindo que todo o mar de lama que emergiu com a exposição da corrupção, não passam de perseguição politica. Eu falei a respeito aqui no meu canal no Youtube. Os artistas Globais, assim como a maioria de seus jornalistas, se enquadram no conceito de esquerda caviar, pois são famosos nacionalmente, ricos, recebem muito dinheiro de grandes empresas para fazer comerciais e defendem um governo socialista. No trecho do viés da imprensa, Rodrigo Constantino fala dessa quase que obrigação dos jornalistas defenderem governos esquerdistas. Não é segredo que dominar a imprensa, desde a formação dos jornalistas, é uma tática amplamente executada pela esquerda no Brasil, desde 1930. Se eventualmente houverem jornalistas mais conservadores ou liberais na grande mídia, possivelmente são vozes destoantes do todo editorial dos veículos de comunicação.
          Parte 2 - A obsessão antiamericana, O ódio a Israel, O culto ao multiculturalismo, Os pacifistas, O mito Che Guevara, A ilha dos sonhos, Os melancias, Justiça social, Sem preconceitos, As minorias e Juventude utópica. Essa é a parte mais extensa do livro e conta com diversos capítulos, onde os assuntos estão direcionados por tópicos específicos. Esse é o coração do livro, onde o autor discorre suas teses com centenas de exemplos ilustrativos. Pululam casos bem emblemáticos sobre as teses esquerdistas e as contradições de seus representantes. A obsessão antiamericana é pontual, pois representa um marco muito relevante para o discurso esquerdista e revolucionário. Os esquerdistas costumam falar mal do imperialismo americano e denunciam embargos contra países prósperos como a Venezuela e Cuba. Acusam o Tio Sam de todos os males, mas adoram McDonalds, passar férias em Nova York, babar o ovo de veículos de imprensa americano, consumir seus filmes e tudo o mais que lhes convém. Neste montante de informações contidos nessa parte, há muita coisa que ofende a inteligência dos esquerdistas, que veem Cuba como o paraíso na terra, mas quando se auto exilaram na época da ditadura, por exemplo, Chico Buarque, entre outros perseguidos políticos, não foram para Cuba, foram para Itália, França e por aí vai. As bandeiras dos pacifistas que querem desarmar a população para que não haja como os cidadãos se defenderem, acusam motivos de alguns e defendem de forma ferrenha o de outros, de acordo com os interesses ideológicos. Os ativistas ambientais que formam ONGs para proporcionar-lhes vidas de ricos com o financiamento alheio, alegando preocupação com o clima, os animais e as florestas, afinal, nada mais "bonzinho" do que defender essas bandeiras. 
          Parte 3 - Os ícones. Nesta parte final do livro, Rodrigo fala daqueles famosos personagens que pregam justiça social, defesa das minorias, dos pobres, dos injustiçados, mas que são pessoas extremamente ricas, que quase nunca passaram por dificuldades financeiras, mas que se dizem grandes defensores das classes mais baixas, porém, vivem em mansões, com carros de luxo, jatos particulares, recebem caches milionários, como os atores de Hollywood, arrecadam muito dinheiro alheio para entregar a governos totalitários e ONGs de fachada. Esses são os clássicos representantes da esquerda caviar. Vale a pena a leitura desta parte em particular, pois está exposto aqui todo o jogo de cena destes milionários anti capitalistas. Para quem leva a sério as teses esquerdistas e ainda assim faz vistas grossas para a hipocrisia que move os ícones da esquerda caviar, aconselho que pense em uma forma de refutar o conteúdo deste livro, pois ele representa artilharia pesada contra as bases de seu discurso. Entretanto, deixo claro que não criticarei a obra de alguns destes personagens, pois há de se separar o trabalho do caráter ideológico da pessoa. Há sim muitos esquerdistas inteligentes e talentosos, porém, uma coisa é admirar a obra, outra é ter a pessoa como referência. Esse é o limite que separa a admiração de um trabalho do fanatismo. Normalmente atores e artistas em geral, vivem numa bolha onde a realidade é bem diferente do que a vida das maiorias das pessoas. Mesmo quando viajam para países pobres para fazer lobby, tem uma residencia enorme e luxuosa esperando por eles quando voltarem, enquanto países como Somália, Etiópia, Sudão, entre outros, expõem os seus cidadãos a miséria o tempo todo. Não adianta fazer propaganda do grande legado espiritual e cultural de um povo onde os cidadão morrem de fome e não contam com o mínimo para viver com dignidade. Chega a ser ofensivo ver um astro de Hollywood ou um músico podre de rico passeando cercados de seguranças e equipes de áudio e vídeos registrando suas bondades mundo a fora. Normalmente essas pessoas defendem ditaduras e lideres totalitários.
          Embora não concorde com muitas ideias liberais, já falei a respeito aqui, achei interessante este livro, pois dá mais subsídios contra todo esse teatro que domina o mundo politico e acaba se confundindo com o lado cultural, jornalistico e até cientifico de parte das elites internacionais. Pessoas como Rodrigo Constantino são vozes quase que isoladas, mas que causam um grande mal estar na imprensa e no meio político. Enquanto os esquerdistas bradam em alto e bom tom seus anseios e suas criticas, conservadores e liberais ficam acoados, achando que basta refutar teorias esquerdistas em pequenos espaços para justificar suas existências. Neste quesito os esquerdistas são muito mais corajosos, pois colocam movimentos nas ruas, fazem propaganda, financiam blogs e veículos de comunicação, investem em disseminar suas teorias dentro das faculdades e escolas, sindicatos e no meio cultural, enquanto seus adversários são vozes isoladas que pouco se esforçam para serem ouvidas. Somente agora com a editora Record em alta e investindo nessa diversidade ideológica é que livros com viés mais conservadores e liberais estão atingindo maior número de leitores, no mais, até as pessoas com maior capacidade intelectual estão atoladas no lodo da literatura esquerdista como Gramsci, Marx, Rousseau, Hegel, Engels, filósofos da escola de Frankfurt e da New Left, sem sequer conhecer seus oponentes como Burk, Tocqueville, Hayek, Mises, Kirk e por ai vai. Há sempre a tendência de se masturbar com a literatura com a qual se identificam ideologicamente e ignorar o outro lado. Por esse motivo a argumentação esquerdista soa tão velha e repetitiva para liberais e conservadores, entretanto, como é a voz mais alta e pungente, é a que normalmente é ouvida. Há de se ter a coragem de dizer que sucesso não é crime, meritocracia não é trapaça e que não é preciso se aliar a movimentos revolucionários e nem se filiar a um partido para ser do bem e ao mesmo tempo acumular riquezas com trabalho e talento. Os ricos são criticados por acumular riquezas e fundarem empresas de sucesso, principalmente se forem honestos, mas políticos e artistas que enriquecem com mentiras e corrupção, são incensados e amados. Para um esquerdista, um rico só é do bem se financiar campanhas eleitorais e fazer parte de esquemas de corrupção.  
          Para finalizar essa postagem, gostaria de dizer que este livro, Esquerda Caviar de Rodrigo Constantino, é um ataque direto, principalmente ao politicamente correto, não só o brasileiro, mas principalmente o internacional. Embora não concorde com algumas coisas, como falei anteriormente, considero uma obra bem significativa de oposição a todo um estabilismo intelectual e cultural. Mesmo para aqueles que odeiam o autor, mas que tenham a coragem de ler o livro para contrapor tudo que está escrito nele, é interessante pesar bem as argumentações expostas aqui e com grande quantidade de referências externas. A obra é provocativa e polêmica, pois Constantino bate de frente com ícones como John Lennon, Gandhi, Sting, Angelina Jolie, Ben Affleck, George Soros, Che Guevara, Fidel Castro, Michael Moore, Al Gore, família Clinton, Obama e os brasileiros Chico Buarque, Oscar Niemeyer, Luiz Fernando Veríssimo, Wagner Moura, Luciano Huck e outros. Em alguns momentos o livro se torna bem divertido, principalmente quando são expostas as contradições desse seleto grupo de socialistas e ativistas defensores dos pobres e injustiçados. Contudo a um lado trágico, que o real e cotidiano que as pessoas simples e trabalhadoras enfrentam todos os dias para que esse pessoal possa comer caviar e viajar o mundo com seus jatinhos e iates de luxo, ou desfrutar de paraísos particulares e debochar dos mais pobre se dizendo bonzinhos.

sábado, 4 de março de 2017

PSOL


          É entusiasmante ver um partido como o PSOL crescer a cada dia com seu discurso forte, pregando a honestidade, a representação dos oprimidos. Ele convoca negros, a comunidade LGBT e as mulheres para a luta contra um sistema corrupto e explorador, contra as autarquias que controlam tudo, contra o imperialismo que embarga países prósperos como Venezuela, Bolívia, entre outras potências socialistas na América Latina. Convoca os jovens, mexendo com seus brios e contando com o entusiasmo da juventude para entrar na política em busca deste sonho revolucionário. Este é um partido que se orgulha de ter as mãos limpas, algo raro, segundo eles, o que eu não discordo deste conceito. Com certeza o PSOL ainda não esteve envolvido em grandes casos de corrupção, que eu me lembre. Até porque não ocupou cargos importantes, principalmente no Poder Executivo. No site do partido você vê projetos e propostas claras que farão o Brasil marchar rumo ao futuro, com prosperidade, onde todos terão uma vida justa amparados pelo Estado. Este é um partido moderno até no nome, "partido do socialismo e liberdade". Eu estava saindo do ensino médio quando ele surgiu, tardiamente é verdade, com mais de vinte anos. A mim, um professor de sociologia se dirigiu com um discurso inflamado por conta de meu desempenho escolar: "É de pessoas como você que precisamos!" Ele via um músico jovem, curioso e impetuoso. Ofereceu-me a cartilha do partido para que eu pudesse me filiar. Uma página e meia onde a palavra lutar se destacava pela repetição. Mas meu professor, gente boa, estava vendo naquele texto um tratado revolucionário. O ano era 2004, se não me engano. Acho que ainda estavam colhendo assinaturas para a fundação do partido e seu registro. Li aquele texto e simplesmente me pareceu pobre. Era muito semelhante aos fanzines dos punks da década de 1990. O PSOL, ideologicamente, está posicionado entre o PCO , PSTU e PC do B, PPS e PT. Na verdade, ex-membros dos partidos citados eventualmente encontram abrigo junto a sigla. Se analisarmos bem, existem somente partidos com ideologias de centro para esquerda no Brasil, portanto é difícil até de diferenciar os discursos deles.
          Tudo que falei acima merece sérias ressalvas, pois usei essa linguagem irônica como provocação mesmo. Nos comerciais de televisão, os membros do PSOL realmente chamam negros, LGBTs, jovens e mulheres para a "luta" contra as injustiças do governo. Mas, essa é a velha tática aprendida com anos de militância dentro do PT, partido de origem dos fundadores do PSOL. Usa-se movimentos específicos, estruturando-os financeiramente, alinhando seus discursos para que façam muito barulho. Quando uma sigla chama para si as "minorias", normalmente cativa as pessoas que pertencem a estes movimentos com o discurso: _"Olha, a gente defende e representa vocês! Unam-se a nós para que possamos vencer esse estabilismo opressor!"_Isso é uma ferramenta fundamental para usar a discriminação sofrida pela cor, direcionamento sexual, frustrações das pessoas a favor dos interesses do partido. Acaba soando como, se um negro, gay, mulher, ou o que for, não estiver a favor do partido, então estão contra eles mesmos. É uma simples questão de semântica. Aprenderam com Paulo Freire, que pregava que as minorias deviam se unir para derrotar o opositor. Isso funciona parcialmente, o PT provou isso, mas quem for um pouco mais esperto levará outras coisas em consideração. Nenhum politico pode garantir que todos os movimentos sejam favorecidos de forma justa, pois o mundo é muitas vezes injusto mesmo. Esses partidos como o PSOL olham para um cidadão negro, homossexual, uma mulher, como um coitadinho precisando de ajuda. Inexplicavelmente muitas pessoas caem nesse discurso apenas por citação. Já ouvi de muitas pessoas esse tipo de justificativa. "Eles se importam com minha classe, pois falam diretamente para nós!" Mas não percebem que a ideia é juntar as frustrações e anseios das pessoas para garantir poder popular apenas para chegar ao poder.
          A juventude gosta de se rebelar, se sentir representada por algo que faça com que eles, os jovens, pareçam maiores, gostam de gritos de guerra e barulho, como uma tribo de guerreiros de tempos idos. Ser de esquerda sempre foi algo glamoroso, principalmente no Brasil, é ser do bem, representar os oprimidos, defender a natureza, lutar pela liberdade, etc. Pegar uma massa com essas características e acertar no discurso, é a receita para que se tenha um exército militante bem barulhento e inconsequente. Entretanto, essa mesma juventude pode usar seu ímpeto para tentar entender melhor quais são os verdadeiros objetivos de tanta preocupação com os jovens, afinal eles são grande parte da população. Por esse motivo se fixou a idade mínima para votar com dezesseis anos, mas não se reduz a maioridade penal. O voto do jovem é um voto muito útil. Eles estão nas escolas e nas universidades sedentos por "causar", ai encontram professores como aquele que tive, de sociologia, para preencher o espaço ideológico que ainda está em construção dentro da mente deles. É pensando nisso que há um movimento tão contundente para que as crianças sejam separadas o mais rápido possível de suas famílias e entregues aos cuidados do Estado. Estão investindo cada dia mais cedo no controle intelectual das crianças. Afinal, nenhuma classe será mais defensora de um Estado inflado, o que o PSOL prega, quanto os professores. Os sindicatos como CPERS, a UNE, entre outras entidades, são historicamente engajados em atender os interesses de partidos de esquerda. Professores fazem greves, quase que anualmente, por qualquer motivo, basta que um partido, que não seja aquele que eles defendem, assuma um cargo executivo. Entretanto, a classe que tem falhado mais miseravelmente em suas atividades é a dos professores. Crianças e adolescentes apresentam resultados vergonhosos em qualquer exame sério que seja aplicado. Na verdade, poucos são os professores emprenhados em realmente alimentar o intelecto dos alunos. Não falo por simples suposição. Frequentei os três anos de ensino médio com mais de vinte anos e pude constatar, no início dos anos 2000, o quanto o ensino público é fraco. Professores não cumprem sequer o cronograma sugerido pelo MEC. Em algumas matérias existem professores que apenas "quebram o galho", pois demonstram total desconhecimento dos assuntos que estão lecionando, ou simplesmente não há um para preencher determinada grade de uma matéria a ser dada. Porém, quando se trata de criticar governos, que não sejam do PT por exemplo, são aguerridos, se tiver a oportunidade de fazer uma greve então, se jogam de cabeça por qualquer revindicação. 
          Dai entro nas propostas e projetos que falei no primeiro parágrafo, com ironia, é claro. Na verdade, eles inexistem completamente. O que se encontra na página do PSOL na internet são apenas campanhas contra o governo e projetos que apenas "jogam para torcida", como se fala. Na época do Lula, era contra o Lula que protestavam, no mandato da Dilma era contra ela e agora no mandato tampão do Temer é "fora Temer". Simples assim. O PSOL é incapaz de elaborar uma proposta com inicio, meio e fim, que atenda realmente o interesse da coletividade, pois um governo, teoricamente, não trabalha para representar minorias, ele trabalha por um município, um estado, um país, onde todos os cidadãos, independentemente de credo, cor de pele, raça, sexo, idade ou formação ideológica ou sexual, obedeçam as mesmas leis e tenham exatamente os mesmos direitos, sem distinção, isso é a democracia que todos tanto dizem defender, mas teimam em desrespeitar. O que se tem são, em grande demanda, repetições daquele velho mantra de esquerda já gasto pelo PT, luta de classes e instigamento de minorias contra quem eles querem derrubar. Se analisarmos o discurso do PSOL contra a corrupção, politica neoliberal, imperialismo, opressão dos empresários e etc, veremos que é o mesmo do PT de vinte anos atrás, inclusive, algumas das pessoas são as mesmas, como já mencionei. Então, o PT chegou ao poder se aliando com empresários e com os famosos "políticos corruptos" para promover o maior festival de escândalos do mundo. O que se comprovou mais tarde foi a expansão de uma máquina corrupta e opressora, que usou o poder das instituições para financiar movimentos populares, sindicatos, artistas e políticos de oposição em prol de seus objetivos de se perpetuar no poder.
          Voltando ao meu professor, ele foi um simbolo para que eu me afastasse de vez dessa esquerda cínica. Perguntei a ele se iria concorrer a vereador pelo PSOL, ele me respondeu: _"Não! Meu partido preferiu investir em um traficante!"_Ou seja, se num município de pouco mais de 100.000 habitantes já funciona assim, imagine num estado ou na presidência da república? Quando verificamos que os black blocks tinham o apoio do PSOL, a forma como o partido tenta enaltecer essas figuras, Che Guevara, Fidel Castro, entre outros, ficamos pensando seriamente o que essas pessoas querem dizer quando falam que defendem os interesses de movimentos LGBT, já que gays, lésbicas e transexuais eram condenados a trabalhos forçados nas colonias penais de Cuba. Imagine se isso fosse verdade mesmo! Capaz! Esse tipo de afirmação só pode vir dessa direita opressora tentando envenenar a mente das pessoas. Como o deputado Jean Willys, que ganhou notoriedade no Brasil por conta do BBB, se vestiria com boina e farda do exército cubano? Sim. Acredite! Eles fazem isso. A ideia é chegar ao poder unindo com um discurso mentiroso as "minorias" que eles mesmo rotularam como bem entendem. Imagine o grau de canalhice em colocar o nome do partido de Socialismo e Liberdade? Há duas palavras que representem coisas tão antagônicas? Em que país socialista se teve liberdade? China? URSS? Cuba? Camboja? Vietnã? Venezuela? Claro que não. Todos esses países foram liderados por ditadores cercados de soldados e guerrilheiros que oprimiam, perseguiam, prendiam e matavam qualquer um que se opusesse ao governo deles. Basta ler livros e relatos de sobreviventes destes regimes, não o material publicitário patrocinado por estes governos. A história desmente qualquer discurso em prol do socialismo e do comunismo, basta fazer uma pesquisa séria buscando os fatos. Por esse motivo, uma das táticas bem comuns dos governos de esquerda é tentar modificar a história, transformando bandidos em heróis, idiotas em filósofos, essas coisas, para poder ilustrar suas narrativas, pois a verdade sempre os contradirá.
          Para colocar mais uma pulga atrás da orelha de quem tenha o mínimo de coerência, no estatuto do PSOL diz claramente que o partido está proibido de receber dinheiro de multinacionais para campanhas políticas. Nas eleições de 2016, quando Luciana Genro concorreu a prefeitura de Porto Alegre, ela recebeu dinheiro da Gerdau, que é uma multinacional, para sua campanha. Isso está declarado no TRE. O resultado foi um primeiro lugar nas primeiras pesquisas de intenção de votos. Um partido que rasga seu próprio estatuto dessa forma não pode ser sério. Se quiser levar na brincadeira, o nome de um dos principais políticos do partido, e marido de Luciana Genro, é Roberto Robaina, um belo nome para um político honesto. Simplificando, o PSOL é o novo PT e busca chegar ao poder daqui a uns vinte anos quem sabe, usando as mesmas táticas que possibilitaram o êxito do PT. Vai ficar acusando, enchendo o saco, gritando, mentido e assim vai ocupando espaços em pontos estratégicos, se inserindo nos fluxos de corrupção, até alcançar seu objetivo que é simplesmente o poder. O discurso de Lula era idêntico ao de Luciana Genro, candidata a tudo pelo partido. Em algum momento eles conseguirão um grande financiamento para campanha, tomarão sindicatos e grande parte dos movimentos populares, convencerão a imprensa a apoiá-los e alcançarão o que buscam. Basta os escândalos do PT esfriarem para que os sedentos por discursos revolucionários se abracem no PSOL como tábua de salvação. Em pleno século XXI as pessoas ainda esperam um messias que surgirá em meio a políticos sedentos por poder e sem nenhum compromisso com a verdade ou o bem estar da população. Se você realmente acredita em partidos como o PSOL, você tem ao menos uma certeza na vida, você é um completo IDIOTA.