segunda-feira, 6 de março de 2017

Greve de municipários


          Hoje a tarde, 06 de março de 2017, tive que ir até a escola dos meus filhos por conta de uma convocação dos professores. Eles comunicaram que entrariam em greve por tempo indeterminado devido a um pacote da prefeitura supostamente para conter gastos. Nesse conjunto de propostas estariam reduções e alterações em alguns direitos dos municipários. Em contra partida, alegam que o salário do prefeito é equivalente ao do Presidente da República, em torno de R$ 27.000,00 e os demais membros do executivo e legislativo, vice-prefeito, vereadores e os cargos de confiança, também recebem seus vencimentos proporcionalmente ao do prefeito. Isso fez com que a categoria, que abrange professores, entre outros, entrassem em greve. Isso é algo bem comum, pois nossa legislação permite isso, mas é justo com as crianças, por exemplo? Não seria mais apropriado entrar com uma representação junto ao Ministério Público contra o pacote da prefeitura antes de iniciar o ano letivo? Será que ninguém teve a ideia de fazer isso, ao invés de decidir cruzar os braços em protesto em cima da hora de começar as aulas. Por mais que eu entenda que as reivindicações são coerentes, por que a primeira alternativa é sempre a greve? Isso já é um vício dos servidores públicos e só trazem prejuízos a população.
          Todas as pessoas que resolvem prestar concurso para ingressar em serviços públicos, sabem que podem passar por este tipo de situação, mas é comodo optar por um emprego que dê certa estabilidade, pois é preciso que o governo quebre para que sejam demitidos sem justa causa. Isso faz com que possam fazer greves sem maiores consequências para suas carreiras profissionais. Por outro lado, estão se negando a prestar um serviço que já foi pago pelos cidadãos. Essas mesmas pessoas que trabalham para prefeituras, governos do estado e federal são as primeiras a lutarem contra privatizações em apoio a sindicatos e políticos de esquerda. Se por um lado contestam seus patrões, por outro deixam a população, que paga impostos, que conta com o governo para ter acesso a saúde, educação e segurança, sem opção alguma. Além de entregarem um serviço péssimo, pois a saúde e a educação no país estão entre as piores do mundo. No caso de Cachoeirinha, que é o município onde eu resido, tenho um posto de saúde a poucos metros da minha casa, mas desde novembro de 2016 minha esposa não consegue marcar consultas médicas para ela nem para as crianças. E isso começa a encher o saco. Se as escolas não dão aulas, se os postos de saúde não funcionam, a prefeitura serve para quê?
          A pessoa que trabalha diariamente para dar condições dignas para a família acaba por ter negligenciado o direito a educação e a saúde, mesmo pagando uma das maiores cargas tributárias do planeta. Como eu falei para um dos professores hoje na tal assembléia, isso é um tiro no próprio pé dos servidores públicos, pois mais e mais pessoas vão optar por alternativas. No caso da educação elas inexistem, mas podem acabar surgindo. Mesmo que ainda não seja possível o ensino doméstico aos filhos, essa é a unica alternativa caso um pai se preocupe realmente com a educação deles, pois o ensino público é péssimo. Se um pai não interagir diretamente na educação de seu filho, ele se tornará um analfabeto funcional, sem a mínima disciplina e sem conhecer as operações básicas de matemática, sem saber ler e escrever corretamente, além de ser indiferente a qualquer cargo ou instituição acima dele. Pode ser que apenas eu esteja preocupado com isso, mas enquanto escrevo este texto, tento encontrar uma saída para não ficar a mercê deste joguinho político ridículo que ocorre a cada mudança de gestão.
          Eu tenho uma boa relação com as pessoas que compõem o corpo docente da escola de meus filhos. Trato com respeito e com a atenção que cada um deles merece pela posição que ocupam, mas fico muito desapontado por ser vítima desta situação, tendo comprado o material escolar, estruturar minha agenda em cima dos compromissos das crianças e me deparar com essa realidade. Por mais que eu saiba o quanto é complicado, para os professores principalmente, saber que são meros cumpridores de um cronograma fraco e sem muitas condições de fazê-lo, como já falei antes, eles são os maiores fracassados profissionalmente do nosso país. As estatísticas mostram que boa parte das crianças que assistem suas aulas, em breve estarão cometendo algum delito, subempregados, ou mesmo mortos vitimas da violência. Há muito pouca chance de um dos alunos se tornarem grandes profissionais, pois certamente sairão da escola com a mínima capacitação. Falo isso da escola dos meus filhos especificamente, mas imagino que em outros lugares seja assim. Como um professor me falou hoje: _"A gente vai ser gado, trabalhar ganhando micharia, se aposentar, morrer e é só isso?" _Ele se mostrou incomodado com a situação. Porém reforcei que ele sabia disso quando prestou concurso pública, mas e quem quer uma melhor formação para seus filhos tem opção? Claro que não. Sei que é um absurdo pensar que um professor tenha por motivação maior o prazer de lecionar, porém é nisso que eu aposto quando mando meus filhos para a escola. Que haja um professor que possa inspirá-los, já que eu esbarro nas minhas limitações neste aspecto.
          Na década de 1990, as melhores escolas de Cachoeirinha eram as particulares. Eram poucas e caras, é verdade, mas eram as que os alunos tinham o ensino de maior qualidade. Hoje não temos essa opção devido a grande carga tributária para quem quer investir em algum empreendimento deste tipo. Abrir uma escola de ensino qualificado requer muita força de vontade e recursos financeiros, pois nem mesmo a sociedade está acostumada com esse tipo de iniciativa. Simplesmente pagamos os impostos que nos são empurrados e não podemos escolher onde matricular nossos filhos e nem o ensino que queremos para eles. Quando os servidores públicos param, ficamos desassistidos. É inacreditável que ainda exitam pessoas que defendam tanto esse inchaço estatal que está sufocando a todos e caindo de podre. Já virou tradição ser marionete do governo. Mesmo que não exista um serviço público de qualidade sequer, nenhum. Enquanto eu trabalho diariamente para dar aos meus filhos alimentação, abrigo e alguma base de respeito e virtude, as instituições que impõem regras sobre tudo e que tem o monopólio em certos lugares, simplesmente cruzam os braços. Sou apenas um, mas estou pensando em uma alternativa.

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