sábado, 29 de abril de 2017

Greve Geral


          Nesta sexta, 28 de abril de 2017, foi convocada uma greve geral pela CUT e sindicatos ligados a ela, como se não bastasse a greve dos municipários aqui onde resido. Na pauta estavam a reforma da previdência e trabalhista. Ou seja, através dos veículos de imprensa, rede sociais e panfletagem, membros ligados à sindicatos, convocaram os trabalhadores para que não trabalhassem neste dia em protesto contra as tais reformas propostas pelo governo federal. Já nas primeiras horas da manhã nas redes sociais já circulavam imagens de ônibus queimados, mensagens de ameaça para quem fosse trabalhar, algumas pessoas denunciando que foram coagidas pelos próprios colegas para não saírem de casa, pois teriam seu patrimônio depredado, sofreriam agressões físicas e coisas do tipo. Aí é preciso uma pequena reflexão, se buscam o apoio popular, precisam ameaçar as pessoas, atear fogo em ônibus, ameaçar os responsáveis pelas empresas de transporte para que não disponibilizem meios para que os trabalhadores, estudantes, doentes com consulta marcada, possam se locomover pelas grandes cidades? Isso prova, de certa forma, que todas as ditas ações populares convocadas por essa gente é baseada em coações ou patrocinada financeiramente mesmo, não tendo o amplo apoio popular que as greves já representaram no país em tempos idos, quando a maioria das convocações eram feitas no corpo a corpo e tinham grande adesão. Claro que nessas condições apresentadas inevitavelmente algumas cidades iriam parar, mas querem alegar que é a grande adesão da população? Isso é forçar e muito a barra. Troquemos a palavra adesão por coação.
          Quando se pega as imagens feitas em algumas cidades nessa sexta-feira, percebe-se o quanto certos movimentos querem transformar o Brasil em uma nova Venezuela. Se mostrar apenas as imagens, sem legenda, fica difícil em um primeiro momento distinguir do que se trata. Só temos certeza quando vemos as bandeiras, camisas e bonés da CUT, PSTU, PSOL e tutti quanti. Isso não é novidade para quem conhece a ideologia de sindicalistas e movimentos ligados a esquerda da América Latina. Utilizam a fragilidade intelectual, e até social, de muitas pessoas para disfarçar certos interesses que vão muito além das causas populares. O principal deles talvez, o fim da contribuição sindical compulsória. Aquele diazinho de trabalho que é descontado anualmente de todos os trabalhadores para financiar os sindicatos. Outro motivo é a iminência de Sérgio Moro decretar a prisão de Lula, mas isso fica mais no imaginário dos extremistas de ambos os lados. É comum nos depararmos com pessoas de posição firme e repetindo o discurso que lhes foi transmitido, sem muitas vezes fazer ideia do que realmente estão representando. Essa sempre foi uma constante, desde a abertura democrática em 1985, com o fim do governo militar, as pessoas mais humildes sendo usadas progressivamente como fantoches por quem enriquece sem o menor pudor, muito menos trabalho, as custas de quem precisa de representação. A tática marxista de utilizar as dificuldades na relação entre trabalhadores e donos de empresa ainda é eficiente, mesmo que fique bem claro que quem financia os políticos são os grandes empresários. Os mais humildes são usados como massa de manobra e tem seu dinheiro extorquido sem que recebam as devidas contrapartidas, ou seja, investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura.
          Eu sou contra os sindicatos, mas admito que alguns são atuantes proporcionam benefícios as classes que representam, pois sempre teremos pessoas sérias e vagabundos aproveitadores em todos os setores da sociedade. O próprio conceito de greve é legítimo e muitas vezes necessário para que não se perpetue absurdos históricos. Porém, acredito ainda que uma representação judicial seja muito mais eficiente que movimentos políticos orquestrados por interesseiros. Entretanto, também não podemos esquecer que a ideia de criar sindicatos como temos hoje, é originária do fascismo italiano de Mussolini, que vendo a necessidade de plantar interlocutores entre o governo e a classe operária, utilizou-se de tal expediente para obter o apoio dessas classes e tranquilizar os empresários. Esse foi o contra veneno utilizado, pois já na primeira metade do século XX, os trabalhadores eram o alvo principal de revolucionários que queriam pressionar algum governo. Se pegarmos o discurso oficial de todo sindicalista, teremos a pregação clássica do empresário capitalista mal e o trabalhador oprimido. O próprio uso das palavras é deturpado em nome da causa, como escravidão, entre outras. Também não faltam as mentiras usadas como argumento, já que se tem a certeza de que as pessoas envolvidas não se interessam em se informar. Tudo teatro, afinal, se não houverem empregadores, não haverá trabalhadores, não havendo trabalhadores, não haverá imposto sindical, não havendo imposto sindical só quem realmente estiver empenhado em representar uma determinada classe vai querer assumir tal responsabilidade. Pois é exatamente isso que acontecerá, este ultimo item, a lei prevê o fim da contribuição compulsória dos trabalhadores para os sindicatos. Isso é perfeito, pois quem quiser manter um sindicato deverá trabalhar de verdade, não ficar conspirando e articulando manifestações o dia inteiro de acordo com os interesses de quem manda neles.
          Voltando as greves, elas tem mais um efeito estético de pressão do que uma ação representativa reivindicando algum beneficio comum e legítimo. Se houvesse real interesse em representar os cidadãos, haveria uma ação representativa na justiça, campanhas informativas citando o texto das leis em debate e como funciona todo o processo, ações desse tipo, e por fim uma greve embasada e com adesão espontânea. Na falta de representatividade politica dentro das instituições como câmaras e senado, busca-se criar efeitos visuais, com o grande apoio da mídia, é claro, para se utilizar disso como argumentações do tipo: "É o povo nas ruas!" sendo que, na verdade, nem 10% da população, mesmo coagidas, adere à essas causas. A tática é convencer os sindicatos dos trabalhadores de empresas de transporte para interromperem seus serviços, ocupar pontos estratégicos, para dificultar e até impedir totalmente que os trabalhadores cheguem aos seus postos de trabalho. Sem ônibus, trens e metrôs, fica quase impossível que grande parte dos trabalhadores cheguem até seus empregos, principalmente nas grandes cidades. O direito de ir e vir, a liberdade de exercer sua profissão e a utilização da representatividade como agente de pressão sobre o trabalhador, são crimes praticados contra a sociedade, mas que passam batido, sem punição. Fica evidente que quem diz lutar pelos direitos do trabalhador, não se constrange em infringir a lei e violar outros direitos em beneficio institucional ou partidário. Aliás, infringir a lei não é problema no Brasil, onde criminosos ocupam cargos públicos, até eletivos, e guerrilheiros se tornam heróis.
          Tivemos que lidar com a presença constante  da corrupção no Brasil desde que eu me conheço por gente, porém, desde 2005, quando veio a público o mensalão, até agora, quase metade de 2017, mais fica clara a necessidade que a população tem de ser enganada. Isso chega a ser patológico. Defendem pessoas que, além de sobreviverem com o financiamento dos mais pobres, tem salários surreais, poderes quase que ilimitados e ainda são patrocinados por grandes empresas para suas campanhas politicas em troca de favores futuros. Ou seja, na base de toda essa movimentação articulada com o discurso de defender o trabalhador, estão os políticos patrocinados por mega empresários. Ou paira alguma dúvida de que tudo não passa de teatro politico em favor de petistas e agregados? É muito difícil explicar porque pessoas saem as ruas para defender quem recebe milhões em falcatruas, usando da representatividade que tem graças ao consentimento dos mais pobres. Como um país pretende acabar com a corrupção se pessoas humildes saem as ruas para defender quem usa a posição que ocupa para roubar o dinheiro que poderia ser usado para diversas melhorias para todos? Como um país pode avançar em algum sentido se quem realmente precisa de assistência do governo se contenta com o SUS, o atual ensino nas escolas, as condições das estradas, o atendimento nos órgãos públicos? Como alguém pode alegar defender o povo impedindo as pessoas de trabalhar, depredando o patrimônio público, invadindo escolas e etc? Até quando as pessoas vão aceitar este completo controle que diversos  setores exercem sobre o cotidiano na população?
          Pois bem, mais uma vez tivemos uma queda de braço entre políticos que querem apenas se dar bem e se livrar de acusações que pesam sobre eles nos diversos processos que correm no ministério público e na polícia federal contra aqueles que, também investigados pelos mesmos crimes, tentam barrar de todas as formas o andamento dos processos do governo tapa-buraco. Traduzindo, há uma queda de braço entre o PMDB, que se aliou ao PSDB para seguir o mandato após o impeachment de Dilma Roussef e aqueles que apoiavam o governo petista. Todos sabem que a CUT, MTST, MST, UNE, entre outros, são braços do PT, e a estratégia utilizada para reverter a situação politica criada pelos escândalos de corrupção e a incompetência na gestão pública perante o eleitorado brasileiro(falei disso aqui e aqui). As eleições municipais de 2016 mostraram a grande queda da popularidade do PT e de muitos dos seus aliados, onde tinham mais de 600 prefeituras e acabaram ficando com menos de 300. Outra demonstração de impopularidade de Lula, foi quando o mesmo tentou angariar R$ 500.000,00 Reais em uma campanha pela internet, mas mal passou de R$ 270.00,00 (falei disso aqui). A constância de diferentes investidas utilizando esse tipo de expediente como a invasão de escolas (falei disso aqui), ocupações de vias públicas (aqui falei disso), etc. tem esgotado essas táticas. Portanto, só se pode supor que queiram ganhar tempo e desviar a atenção para a derrocada da hegemonia petista dos últimos anos. Há quem diga, dentro do próprio partido dos trabalhadores, que é melhor Lula ser preso e sustentarem o discurso de perseguição, do que manter um processo para uma candidatura de 2018 e acabar perdendo nas urnas, isso seria um golpe definitivo em cima do partido. O fato é que isso não vai parar e o desenrolar de tudo isso depende de diversos fatores, em paralelo, o Brasil vai se tornando uma nova Venezuela, o que mantém os princípios esquerdistas de PT, PCdo B, PDT, PPS e afins, no controle prático da situação. Confira o vídeo complementar no meu canal do Youtube abaixo:


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