sábado, 27 de maio de 2017

Não faz sentido ser metaleiro e conservador?

          Em uma postagem no Facebook havia uma foto de uma jornalista da rede Globo e atrás uma menina segurando um cartaz. Esta imagem é um meme da internet e neste cartaz as pessoas colocam frases contestando algo. Nesta postagem em especial havia a frase "ser metaleiro e conservador não faz sentido". Pois bem, cheguei a comentar algo na postagem e recebi alguns comentários bem agressivos, mas faz parte do jogo democrático. Também faz parte admitir que as pessoas são extremamente alienadas e facilmente enganadas por qualquer ideal fictício. Num país onde nem quem está cursando algum curso superior se presta a ler um livro, os estudantes preferem adquirir conhecimento através de documentários, filmes, resumos e polígrafos, é perfeitamente aceitável admitir o baixo nível intelectual e a incapacidade de se analisar algo com profundidade. O que esperar do cidadão comum, de um mero fã de Heavy Metal ou outro estilo musical qualquer? Sem entrar no mérito de cada pessoa que comentou na postagem que mencionei, isso é irrelevante neste momento, pois só usei este exemplo para ilustrar um pensamento que tenho algum tempo, e que normalmente encontra resistência e opiniões contrárias. Então resolvi escrever sobre isso aqui neste espaço para oferecer minha argumentação ao debate. Imagino que a maioria discordará do meu ponto de vista, mas o objetivo é deixar claro porque eu penso o que penso e como cheguei a tais conclusões. É óbvio que as discussões de Facebook ou qualquer outra rede social são irrelevantes, afinal, temos muitos valentes atrás de teclados, mas que na vida real vivem num apartamento com o papai e a mamãe, sem uma profissão definida, tomando Nescal, vestindo calça de abrigo e camisa de banda, escrevendo bravatas em seus espaços e sendo educados pelo Wikipédia e os vídeos do Youtube. Esses são realmente irrelevantes em suas opiniões. Mas para aqueles que tem bandas, estúdios, são responsáveis por uma família, que tem a música como paixão e querem um mundo melhor, tento aqui contribuir com minha visão de sociedade. Longe de mim querer ser o dono da verdade, pois não tenho essa ambição, porém me sinto responsável por alguns aspectos da sociedade e busco contribuir com algo.
          Pois bem, vamos as explicações. Já tem algum tempo que existe na mídia e em algumas pautas de movimentos intelectuais o discurso de que o conservadorismo está em ascensão no Brasil. Isso pode se observar nas eleições municipais em alguns locais, embora possa ser uma constatação equivocada. Inclusive ocorreu um seminário com "filósofos" da USP onde o debate foi pautado em cima deste assunto. Como em sua maioria, "pensadores" ligados a universidades e que tais são tão desconectados da realidade quanto possível, muitas teorias fantasiosas surgiram. Contudo deixaremos essas teorias para mais além, pois o conservadorismo é algo que acabou se tornando um espantalho para certos movimentos e citar as argumentações destes senhores é irrelevante. O espantalho que falo é um ser idealizado para ilustrar determinado conjunto de adjetivos, sendo uma representação de uma pessoa ou grupo de pessoas. É o boneco vudu dos dos ditos intelectuais. Postarei algo a respeito desse conceito num futuro próximo. No caso específico, o conservador seria alguém que apoia a intervenção militar, é ligado ao cristianismo, racista, homofóbico e coisas do tipo. Exatamente aquelas características usadas para xingar qualquer um que discorde de ideias pré-concebidas pelos grupos que mantem a hegemonia cultural no Brasil. Acredito que estes "intelectuais brilhantes" possam até ter lido algum livro ou artigo conservador como quem limpa vomito ou um punhado de bosta, com cara de nojo, tampando o nariz e tentando se livrar daquilo o mais rápido possível. Mas tenho certeza de que não sabem do que se trata e nem querem saber. Eles preferem ficar fantasiando as coisas com suas teorias mirabolantes, pois estes não tem nenhum compromisso com a realidade. Vivem com salários acima da média, sem ter que comprovar desempenho ou resultado algum, repetindo teorias desgastadas e esperando a aposentadoria chegar. Nesse meio tempo fazem jovens, que poderiam se tornar pessoas brilhantes e ótimos profissionais em diversas áreas, em meros zumbis cheios de ideias artificiais e manipuladas.
          Escrevi sobre o conservadorismo aqui a pouco tempo, mas não dá pra resumir os fundamentos deste pensamento em um pequeno texto. Roger Scruton é um inglês que escreve com propriedade a respeito, falei de um livro dele aqui, embora sua visão seja muito diferente da de um brasileiro por meras divergências culturais, porém dá pra se ter ideia do que o assunto se trata lendo sua obra. Um conservador não está ligado a rótulos específicos, ou uma receita estática como partidos e movimentos gostam e costumam propagar. Pessoas são diferentes umas das outras, portanto, tentar tratar a todos exatamente da mesma forma é um erro terrível e um desrespeito. O conservadorismo é da mesma forma, varia de local para local, família para família e entre culturas diferentes. Achar que um conservador defende um ato político como o regime militar é, no mínimo, ser retardado ou irresponsável. Até falar da religião cristã como base conservadora eu considero um erro grave. Essa tática é mais uma propaganda para agregar católicos e evangélicos para algum movimento político, afinal, o Brasil foi construído tendo como base escravos africanos, indígenas de várias tribos, portugueses ligados a maçonaria e os próprios europeus católicos. Para cada exemplo citado, ser conservador é manter um estreito vínculo com suas respectivas culturas. Mesmo vivendo em uma mesma sociedade, como falei, conservadorismo é algo particular e normalmente se limita a pequenos grupos comuns, não é um movimento de massa. Preservar estas bases é muito importante para o desenvolvimento de cada indivíduo. Por isso é tão importante a comunidade negra lutar para defender seus costumes, mas claro, respeitando os costumes de outras etnias e credos, da mesma forma católicos, evangélicos, espíritas, indígenas e o que for, devem respeito uns para com os outros. Escrevi sobre racismo e xenofobia aqui. A separação entre manutenção de uma cultura e a tentativa de impo-la a terceiros é muito perigoso, o exemplo claro é a segunda guerra mundial.
          O conservadorismo visto pelo prisma da política social tende a ser favorável a alguns aspectos discordantes de pensamentos mais identificados com a esquerda. Por isso alguns grupos criaram o espantalho, pois defendem o direito de um cidadão portar uma arma para defender a si, sua família e a sociedade, escrevi a respeito aqui, assim como indígenas usavam arco e flechas para caçar, se defender e simbolizar suas raízes. São contra o aborto por defender as bases familiares e o direito irrestrito à vida, também falei a respeito aqui. Economicamente os conservadores em geral são a favor de um livre mercado, mas que seja baseado nos aspectos regionais, não a abertura total para exploração européia, americana ou asiática. Nós gaúchos temos traços muito conservadores ao nos prender às tradições gaudérias. A semana farroupilha é um exemplo disso, escrevi a respeito aqui, o que prova que ser conservador é algo bem específico de cada povo ou região. Só o gaúcho mantem isso hoje em dia no Brasil, mesmo assim de forma mais branda, pois tem assumido muitos aspectos políticos controversos. Tradição é a base do conservadorismo e resume bem o conceito. O conservador é um defensor de uma determinada tradição. Todo aquele que defende alguma tradição legítima é um conservador. É irônico que o povo brasileiro mais ligado ao tradicionalismo, seja aquele mais sujeito a se entregar a ideologias revolucionárias. Mesmo se mantendo no Rio Grande do Sul para essa análise, temos muitos imigrantes que mantem suas tradições, como os alemães. E nada mais saudável que a interação entre as culturas nas festas tradicionais como October Fest e afins. Vamos condenar os descendentes de alemães e italianos por nos proporcionar suas receitas culinárias e a vinicultura? Claro que não. E por que então atacar o conservadorismo em nome de ideologias partidárias? Um exemplo clássico é um fã do Burzum criticar conceitos conservadores, sendo que Varg Vikernes em suas aparições na internet e entrevistas para a mídia sempre pregou o conservadorismo nórdico ligado a cultura viking, entre outros exemplos. Este é um verdeiro conservador, mesmo que não se concorde com ele. Usei exemplos distantes e distintos, mas que exemplificam o conservadorismo como algo forte, mas relativo.
          E onde entra o Heavy Metal nessa história? Escrevi aqui que artistas deveriam ficar à margem da politica partidária e ideológica sob pena de poluírem sua arte e gerarem aberrações ideológicas como exemplifiquei aqui. Entretanto no Brasil muitos artistas ligados a música, cinema, televisão e o teatro recebem dinheiro de grandes empresas através de leis de incentivo a cultura, também falei sobre a Lei Rouanet aqui, entre outras colaborações ligadas a festivais e propagandas. Com esse cenário montado é normal vermos muitos atores, músicos e que tais, participarem de campanhas politico/partidárias, pois estão defendendo suas pequenas fortunas e o nicho que os mantém expostos. Para se ter uma ideia, um grande exemplo que temos aqui, muitos artistas e jornalistas que defendiam o comunismo, e que tal movimento resultou no golpe militar de 1964, não fugiram para países socialistas como Cuba, URSS, ou mesmo os vizinhos da América do Sul, foram para França, Itália, Estados Unidos, entre outros, todos de primeiro mundo para se deliciarem com as delícias do capitalismo. Essas pessoas construíram fortunas e tem grande influência cultural, graças a sua identificação com as classes mais humildes. Porém não pertencem financeiramente a esses grupos e só os defendem para manter suas popularidades em alta. É irônico artistas criticarem o capitalismo, os liberais, os conservadores e discursarem sobre igualdade do alto de suas mansões, desfilando em carros de luxo com motoristas particulares, viajando o mundo e o Brasil em jatinhos particulares, ostentando luxo e riqueza. Escrevi sobre um livro de Rodrigo Constantino, cujo o nome é "Esquerda Caviar, que é o adjetivo dado a esses ricos que se promovem em cima dos mais pobres, o texto está aqui.
          Para finalizar, uso algumas expressões que usei em tal postagem mencionada no inicio do texto. Como achar que ser metaleiro e conservador não faz sentido se bandas como Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Judas Priest, entre tantas outras, nasceram no berço do conservadorismo, ou o Iron Maiden tem vergonha de tribular a bandeira da Inglaterra pelo mundo? Mesmo que critiquem o governo e a sociedade onde vivem, membros de bandas como o Metallica, Megadeth, entre outras, tem orgulho de serem americanas e de seus founding fathers. Aí eu questiono aos metaleiros revolucionários brasileiros, defensores do PT, PSOL e afins, quais as grandes bandas surgidas na Venezuela, Cuba, Guatemala, URSS, China, Coréia do Norte e outros países socialistas e comunistas? Será que eles tem a liberdade de lançar álbuns com letras falando dos males sociais, demônios, violência, magia, drogas, dragões, entre outros temas comuns ao Heavy Metal em geral? Vocês realmente defendem conceitos ideológicos que querem transformar o Brasil em uma enorme Pátria Grande como é o objetivo dos membros do fórum de São Paulo? Mesmo com certas restrições sobre temas polêmicos, todas as bandas de Metal conseguiram fazer seus trabalhos e entregar ao público. Aí eu pergunto; "Faz sentido ser metaleiro e comunista/socialista? Eu acho que não, e os exemplos no mundo ao longo dos anos apoiam minha tese. Não preciso ser um letrado formado em uma instituição federal para chegar a certas conclusões, sou apenas um trabalhador, pai de família, apaixonado por Heavy Metal e sempre criticarei governos e ideologias oportunistas, não preciso seguir uma cartilha para isso. Chega a ser constrangedor alguns músicos famosos, que representam e ajudam a vender equipamentos e instrumentos de empresas multinacionais, que recebem delas tudo de graça, levantarem bravatas contra o globalismo, capitalismo, defenderem e promoverem ONGs e movimentos financiados por meta capitalistas como George Soros, Fundação Ford, Rockfellers e afins, e ainda assim se dizerem defensores dos pobres e oprimidos. Ora, calem a boca, foquem em suas músicas, entreguem bons álbuns e shows, e vão tomar no cu seus hipócritas.
              
          

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Morre a voz do Soundgarden, Audioslave e Temple of the Dog

          Na última quarta-feira, 17 de maio de 2017, morria Chris Cornell, vocalista do Soundgarden. Seu corpo foi encontrado jogado no chão de um banheiro de hotel após um show da banda no Fox Theater em Detroit. Segundo laudos preliminares da perícia feita no corpo, Chris teve morte por sufocamento. Ele tomava um remédio chamado Ativan, pois era um ex-viciado em permanente recuperação, tal medicação poderia causar transtornos psíquicos como paranoia. Segundo sua esposa, que havia falado com ele algum tempo antes do ocorrido, o músico teria confessado que havia tomado uma ou duas doses a mais do medicamento. Segundo Vicky Cornell, o marido estava com a fala arrastada e ela ainda declara que se ele cometeu suicídio foi por acidente. O vocalista do Soundgarden era dedicado a família e jamais tomaria a iniciativa de se suicidar, pois amava a família e não daria essa tristeza aos filhos, três em idades entre 11 e 16 anos, é o que afirma a viúva. Fontes ligadas ao músico afirmam que o mesmo se tratava de um workholic, dedicando constantemente seu tempo a música, se mantendo em permanente atividade com suas bandas ou em sua carreira solo. Entretanto, Chris Cornell teve sérios problemas com drogas entre os 13 e 14 anos devido uma infância problemática em sua convívio familiar.
          Ninguém está apto para falar dos sentimentos de outras pessoas, por isso, é um tiro no escuro teorizar sobre os motivos de um talentoso artista cometer suicídio com a carreira num momento tão interessante. Estava de volta ao Soundgarden, banda que o consagrou no início dos anos 1990, com o lançamento de Badmotorfinger, no auge das atividades das grandes gravadoras e início do movimento grunge. De todos os cantores daquela época, talvez Cornell tenha sido o mais destacado por ter uma voz peculiar e cantar de forma criativa e original. Mesmo com Badmotorfinger alcançando dois milhões de cópias vendidas, foi seu álbum seguinte, Superunknow que trouxe a consagração com Grammys e outras premiações. Passado o tempo do Grunge, Chris Cornell se reinventara cantando no Audioslave, banda forma por três quartos do Rage Against the Machine. Após três álbuns de relativo sucesso comercial, ele volta com o Soundgarden e mergulha em sua carreira solo. Segundo seus colegas de banda e amigos, Chris estava num momento muito interessante de sua carreira e fazia planos, tanto profissionais, como uma volta com o Audioslave, como familiar, de acordo com os relatos de sua esposa.
          Já escrevi sobre depressão e sobre fenômenos como do jogo da baleia azul, portanto, tenho certa intimidade com esse lado sombrio da vida, não por apenas escrever a respeito, mas por experimentar na pele tais circunstancias. Sempre é uma surpresa para familiares e amigos quando alguém comete suicídio, como se supõe que aconteceu com Chris Cornell, pois as primeiras pessoas que tentamos enganar quando estamos em crises de depressão ou atraídos por sentimentos obscuros, são as pessoas mais próximas. Para estes tentamos dar o nosso melhor, aparentar força e equilíbrio, mas dentro de nós algo se mantém em constante compasso de espera podendo detonar a qualquer instante. Quando estamos sozinhos e temos que encarar nossas demônios, um simples pensamento ou o incentivo químico pode ativar este processo autodestrutivo. No caso deste talentoso artista, que gravou mais de 15 álbuns entre bandas e sua carreira solo em mais de trinta anos de carreira, sua arte apontava para sentimentos angustiantes. Suas letras normalmente carregavam o peso de sua agonia, que ao ser externada em forma de arte garantia sobrevida a uma alma condenada a deixar o corpo que a mantem presa neste mundo.
          Felizmente a obra de Chris Cornell ficou bem registrada e terá seu espaço no mundo musical com relativo destaque, mesmo assim é duro falar disso, pois conforme o tempo passa e as pessoas vão morrendo, mais se percebe a vida se diluindo e nossa época ficando para trás. Acredito que este pensamento vai de encontro ao que falei acima sobre os atos de quem agoniza tendo que conviver com sentimentos conturbados. Isso não é mera coincidência, afinal, já passei por isso e tenho que suportar tais emoções dentro de mim e continuar lúcido e saudável para tocar minha vida e não desamparar aqueles que dependem de mim. 52 anos não é uma idade onde pese tanto os problemas da juventude, como alguns comentaram sobre Cornell como sendo a razão de seu suicídio, e sim a fase onde se contabiliza tudo que se ganhou e se perdeu, no caso específico, só teria o que somar, mas quem entende os sentimentos alheios? A vida pode ser muito cruel com as pessoas, mesmo que externamente elas não demonstrem. Como já li e ouvi algumas vezes, a vida nem sempre vale a pena. Descanse em paz Chris Cornell.
           

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Terroristas, artistas e políticos trabalhando para destruir o Brasil

          Maio tem sido um mês bem bacana para mim neste blog, pois fui ao show do Ghost e Rob Zombie, falei das biografias de Ozzy, Bruce Dickinson e Tony Iommi, ainda escrevi sobre a despedida do Deep Purple, uma banda que ficará imortalizada na história do Rock. Música, principalmente Heavy Metal, são minha paixão desde a adolescência, por isso é com grande prazer que escrevo sobre as bandas que gosto como em Megadeth, á síntese, Pantera, Metallica, o início, Iron Maiden, o início, Black Sabbath, o início, também fiz uma série de postagens citando cinco álbuns que marcaram minha vida em cada estilo de Rock/Metal como Heavy Tradicional , Thrash Metal, Death Metal, Punk Rock, Black Metal, Hard Rock e álbuns que considero injustiçados. Tudo isso para registrar e compartilhar minhas opiniões e lembranças sobre essa grande paixão. Cheguei a fazer algumas entrevistas com pessoas ligadas a música, que se destacaram por algum motivo e gentilmente doaram um pouco de seu tempo para conversar comigo, seja por Skype, Hang Out no Google Talk ou por e-mail, cito a El Diablo, banda de Charqueadas/RS cuja formação contava com grandes amigos, Régis Tadeu, que trabalha no Programa Raul Gil, é blogueiro do Yahoo, já escreveu, dirigiu e colaborou em revistas como Cover Guitarra, Cover Baixo, Cover Batera, Mosh e por aí vai, Felipe Lisciel, que é produtor musical, constrói seus próprios equipamentos, toca em uma banda de Rock, que também ficou famoso com seus vídeos no Youtube e cursos de produção musical On Line, Rodrigo Itaboray, que também é produtor, músico e foi bastante ativo no Youtube com seus vídeos falando de produção musical, equipamentos e promovendo workshops on line sobre seu trabalho, Paula Wehbe, que canta em uma banda de Metal no Líbano, lugar bem exótico para se ter uma cena voltada para o Metal, Warren Huart, que é um músico inglês, que trabalha nos EUA e já produziu James Blunt, Aerosmith, Alice in Chains, entre muitos outros, e que criou uma academia virtual de produção musical chamada Produce Like a Pro, Daniel Piquê, guitarrista e produtor musical brasileiro que desde jovem trabalha com música fora do país, Shana Campos, que é modelo, mas trabalhou como DJ, tem uma loja de artigos femininos e participou de um Meet & Greet com Lars Ulrich e Robert Trujillo, podendo assistir a um show do Metallica de cima do palco, Paulo Anhaia, que é produtor musical e trabalhou com Charlie Brown Jr., Sérgio Reis, entre muitos outros, tocou em bandas de Metal e também tem uma carreira On Line bem ativa, Também falei de shows que pude comparecer, do mercado musical, equipamentos de produção musical, aprendizado de música, leis de incentivo a cultura, e por ai vai. Ao lado dessa postagem tem a relação de textos organizada por ordem decrescente de postagem.
          Entretanto, mesmo querendo dedicar-me exclusivamente aos assuntos relacionados a música, tenho um emprego convencional, esposa, filhos e como cidadão comum, sofro na pele as mazelas políticas e toda essa merda que está acontecendo no nosso país. Portanto, tive que me posicionar a respeito, pois não sou uma pessoa alienada e que compra a ideologia do grupo ao qual eu pertenço. Falei nessa postagem sobre esse assunto, porque não consigo compreender como músicos, principalmente, junto com professores e jornalistas, podem ter apoiado por tanto tempo certas aberrações ideológicas. É triste ver artistas que pregavam a liberdade contra um sistema opressor, defenderem com unhas e dentes políticos nefastos que aos poucos foram destruindo o país. Como aqueles que defendem a cultura, o conhecimento e a liberdade podem trabalhar para transformar um país como um Brasil em uma nova Venezuela, Cuba e que tais? Só pra se ter uma ideia de quem esses artistas, jornalistas e professores defendem, nossa ex-presidente pertencia a um grupo terrorista chamado VAR-Palmares, e também a outros, tendo participado diretamente, ou indiretamente, do atentado a bomba que matou um jovem soldado de 18 anos que estava de serviço num quartel, chamado Mário kosel Filho. Esse foi apenas um dos crimes que estes grupos terroristas praticaram nas décadas de 1960 e 70. E o que a classe artística fez a respeito? Ajudou a criar uma narrativa mentirosa para esconder este passado monstruoso dessas pessoas e assim colocá-los no poder por via eleitoral e chamando-os de heróis do povo. A tal Comissão da Verdade, foi criada para terminar de esconder as provas e registros relacionados a esses criminosos. A tentativa foi santificar estes bandidos e demonizar seus adversários.
          Para debochar daqueles que confiaram na então "presidenta", a mesma voltou a usar pseudônimos dos tempos de terrorista ao utilizar "iolanda2606" como nome de usuário para uma conta de e-mail onde trocava informações com Monica Moura, mulher do marqueteiro João Santana e que participavam das negociatas de propinas. Dilma Roussef transmitia informações de seu ministro da justiça, José Eduardo Cardozo, sobre os passos das investigações da polícia federal, inclusive informando o casal sobre a prisão deles. O que demonstra ainda mais o caráter perverso dessa pessoa em especial, é o fato dela usar o tal nome de usuário, que nada mais era do que "iolanda", nome da esposa do presidente Costa e Silva em 1968 e 2606, ou seja, 26 de junho, data do atentado que matou o jovem soldado e que foi um marco provocativo dos terroristas para com o governo militar. Isso é apenas um dos exemplos que temos aos borbotões sobre essa gente. Então, como defender pessoas desse tipo sem ter interesses escusos ou total demência? Qual o cidadão de bem, e que esteja em sua sã consciência, apoiaria um conjunto de párias como esse? Esses grupos até hoje, mesmo se tornando ricos e poderosos, ainda usam táticas de terrorismo e vandalismo, basta ver a forma como conduzem seu belo gado para invasões de escolas, ocupações de vias públicas, tentativas de intimidar a população incendiando ônibus, pneus e gritando palavras de ordem. Claro que entre esses movimentos existem pessoas inocentes, que realmente acreditam que estão fazendo a coisa certa, talvez por ingenuidade ou pura ignorância, entretanto, entre eles estão pessoas ligadas ao crime organizado, bandidos condenados, entre outros. A prova é que, quando a policia militar fez greve em Vitória/ES, parte da população foi para as ruas saquear lojas, matar inocentes e invadir propriedades públicas e privadas. Isso mostra claramente o país que essa gente deseja construir para os brasileiros. Se levou a tolerância em relação a corrupção e a criminalidade em geral ao nível de total permissividade.
          Um exemplo de como as coisas funcionam nos bastidores ficou bem claro recentemente no Festival Cine PE, onde sete cineastas retiraram seus filmes do festival devido a inclusão de dois filmes específicos, "Real - O plano por trás da história" de Rodrigo Bittencourt e "Jardim das Aflições" de Josias Teófilo. Ou seja, filmes de direcionamento ideológico identificados com a direita conservadora. Os seguintes filmes deixaram de ser exibidos "Abissal" de Arthur Leite, "O silêncio da noite é que tem sido testemunha de minhas amarguras" de Petrônio Lorena, "A menina só", "Baunilha", "Iluminadas", "Não me prometa nada" e "Vênus-Filó, a fadinha lésbica". Segundo seus autores, eles não querem seus trabalhos sendo expostos ao lado de filmes com cunho direitista e extremista. Esses profissionais chegaram a escrever uma carta aberta sobre o motivo de seu protesto. Claro que essas produções contam com incentivos do governo, enquanto "Jardim das Aflições" foi todo produzido com financiamento coletivo. Segundo Josias Teófilo, desde que teve a ideia de produzir o documentário sobre Olavo de Carvalho, seus colegas já o ameaçaram com represálias e ostracismo, pois quem não seguisse a ideologia coletiva, estaria automaticamente excluído do cenário. Isso é normal, pois para se produzir algo no Brasil, em se tratando de cultura, ou se faz com financiamento próprio ou coletivo, leis de incentivo a cultura e participações em festivais são exclusividade de quem está alinhado com os objetivos deste grupo que citei no parágrafo acima. Isso já aconteceu com Lobão, Wilson Simonal, até com o brilhante Nelson Rodrigues, é parte do contexto e faz com que quem se oponha as ideias vigentes seja alvo de todo tipo de represálias, ataques e difamação. Tivemos atores participando de peças teatrais, festivais de cinema mundo a fora, pregando que o impeachment de Dilma era um golpe de estado da direita extremista, como fez Wagner Moura. José de Abreu, doando dinheiro para pagar a fiança de Dirceu, que é rico, diga-se de passagem, mostra a que ponto chega a distorção racional dessa militância. Atores populares de novelas da rede Globo participando da campanha fracassada para arrecadar dinheiro para Lula no final do ano passado, falei a respeito no vídeo no final da publicação, mostra claramente o emprenho em manter o estamento politico, pois são a fonte de renda dessa gente. Já escrevi sobre artistas tomarem partido de governos aqui
          A esquerda representada por grupos como COLINA, VAR, a guerrilha do Araguaia, etc. durante a ditadura militar, apoiada historicamente por uma cultura comunista que a precedeu, comprando jornalistas, artistas, cineastas, professores, sindicatos e afins, montou uma poderosa estrutura que vai desde a atividade terrorista propriamente dita, com guerrilheiros espalhados pelo país e América Latina, assaltos a banco, passando pela formação de opinião em jornais e debates televisivos ou radiofônicos, pelas escolas e universidades, entrando na música, no teatro, cinema e literatura, até chegar no corpo politico propriamente dito, onde estes controlam empresas de grande capital financeiro e que tem sua expansão no mercado facilitada graças a "ajuda" do governo. O que chegou a vir a público desde o Mensalão até agora, demonstra como este esquema de poder e desinformação tem sido eficiente. Com medo de perder este controle, esquerdistas ligados a arte tentam barrar a divulgação de um simples documentário sobre um velho que escreveu alguns livros, é colunista de alguns jornais e que estava a quase vinte anos esquecido. É isso que o filme "Jardim das aflições" representa, um pequeno desvio da estratégia que deve ser corrigido. O interessante é que quanto mais atitudes como a dos cineastas no festival Cine PE forem aparecendo, mais essas obras se popularizarão. Carlos Andreazza, diretor chefe da Editora Record, também sofreu críticas e ameaças por publicar livros direcionados ao conservadorismo e ao liberalismo, o resultado foi percebido no sucesso de vendas destas publicações.
          Por mais que eu ame a música e a arte, reconheço o talento de muitos cineastas, atores e músicos que tem suas obras vinculas ao pensamento esquerdista e ao longo do tempo, demonstraram grande talento e criatividade. Por ser maioria esmagadora, os jornalistas e escritores esquerdistas publicaram obras muito interessantes e contribuíram consideravelmente para muitos avanços em diversos aspectos sociais e intelectuais, Entretanto, a hegemonia é um problema tão grande quanto a megalomania, causa acomodação e artificialidade. Contando com uma idiotização completa da sociedade para conseguir eleger um metalúrgico bufão, pinguço e falastrão, que conseguiu eleger até um poste, segundo palavras do próprio, essa ideologia parou de produzir frutos, e como uma planta espinhosa, sufocou tudo que pudesse surgir para contra balancear as coisas. O nível intelectual do brasileiro foi caindo progressivamente para poder assimilar tudo isso e ainda achar bom. Os jornalistas, patéticos e totalmente fora da realidade, que são pagos por estes grupos, tentam desesperadamente emplacar uma narrativa mentirosa para seguir enganado a população. O problema é que o dinheiro está acabando. Lula tentou fazer de seu depoimento em Curitiba um evento politico, achando que levaria cinquenta mil pessoas as ruas movidas a mortadela e dinheiro público, não conseguiu levar dez mil, assim como no financiamento coletivo que falei anteriormente e que ilustro no vídeo abaixo, onde buscava arrecadar quinhentos mil reais e mal passou da metade disso. Ou seja, a fonte está secando de vez, daqui a pouco ficarão apenas os ossos desse período patético de nossa história e alguns zumbis vagando por ai com pregações alucinadas.
          Para concluir essa publicação, deixo aqui a minha total indiferença aos fatos relatados agora a pouco envolvendo a JBS Friboi e Michel Temer, pois não passam dos ossos que falei acima. Michel Temer é o símbolo, a encarnação perfeita de um sistema que está ruindo. Esse Congresso, o Senado e parte do Judiciário, nada representam além de entidades apodrecidas, exalando seu fedor e deixando rastros de suas carcaças putrefatas pelo caminho. Não é em vão que muita gente pede uma absurda intervenção militar, é o contra movimento, o espasmo de um país que está caminhando para o abismo, uma reação instintiva do corpo frente a doença terminal. É uma pena que, com um momento tão rico para a arte, como sempre períodos catastróficos o são, os artistas estejam preocupados em defender seus bolsos sustentados pelo dinheiro público, e deixem tudo que está acontecendo ir para o ralo. Poderíamos estar produzindo diversos livros a respeito do Mensalão, dos processos da lava jato, da queda deste governo bizarro, da censura velada, da imbecilização dos brasileiros, do roubo generalizado de tudo que havia de positivo no Brasil. Para nosso azar, apenas algumas vozes isoladas tentam fazer algo representativo, e mesmo assim, muitos tentam calar essas vozes de todas as formas possíveis. O que poderia ser motivo de vergonha para alguém como eu, não tendo a atenção para minha música e nem para minhas ideias ao longo dos anos, serve como alívio, pois poderia estar incluído neste saco de merda que virou a classe artística do Brasil. É mais honrado ser um simples trabalhador que tem na arte um passatempo, do que trabalhar da forma e com os objetivos desses crápulas covardes e cínicos.
 
           

sábado, 13 de maio de 2017

Deep Purple - A despedida

          Foi anunciado a algum tempo que o Deep Purple se despediria com o lançamento do álbum Infinite e uma longa turnê. Escrevi sobre a despedida do Black Sabbath, outro gigante inglês, e agora é hora de falar de um rival da época, digamos assim. Essas duas bandas, mais o Led Zeppelin, formaram um trio de ferro que sustenta, basicamente, tudo que veio depois em se tratando de Heavy Metal e Hard Rock. Se por um lado o Black Sabbath tinha um lado mais sombrio, o Deep Purple sempre foi mais focado em uma fusão entre Rock e música erudita. Tanto é notório este direcionamento, que a banda chegou a gravar com uma orquestra em alguns momentos, inclusive no início de carreira, lá em 1969. Todo este aparato jogava a banda para um estilo mais progressivo. Claro que no início, quando Richie Blackmore e Jon Lord formaram a banda, este conceito ainda não estava muito claro. O primeiro álbum da banda, ainda com Rod Evans nos vocais e Nick Simper no baixo e os três lançamentos posteriores, mostravam o Deep Purple como sendo um grupo ousado e com objetivos claros e grandiosos, mas ainda abaixo do que seus fundadores desejavam. Em 1968 a banda gravou dois álbuns, The Book of Taliesyn e Shades of Deep Purple. No ano seguinte foram mais dois lançamentos, Deep Purple e o álbum com a orquestra, Deep Purple & The Royal Philharmonic Orchestra, Malcoim Arnold - Concert for Group and orchestra.
          Em 1970, segundo Jon Lord, eles demitiram o baixista e o vocalista por estarem abaixo do que eles precisavam musicalmente. Chamaram Ian Gillan e Roger Glover. Com Ian Paice desde o inicio comandando as baquetas, se consolidaram como um dos maiores grupos de Rock de todos os tempos. O lançamento de Deep Purple in Rock foi o marco inicial dessa ascenção. Musicas como Speed King e Child in Time se tornaram clássicos definitivos. No ano seguinte veio Fireball, ótimo álbum, mas ainda claudicante perto do que aconteceria mais adiante. Nesse momento a banda se notabiliza por suas performances ao vivo, lembrando muito o Yes em seus tempos áureos, com longas improvisações e liberdade para experimentos. Fora isso, a banda mantém a caracteristica de seus registros ao vivo, pois algumas versões ficavam melhores no palco do que no estúdio. Em 1971 a banda lança Machine Head, sua obra prima, onde a maioria das músicas viraram clássicos. Smoke On the Water, Highway Star, Lazy e Space Truckin' são presença certa em quase todos os shows da banda. Logo na sequência a banda grava Made in Japan, ao vivo e um clássico também. Daí vieram até participações com Ike e Tina Turner, tal a dimensão que a banda alcançou.
          Porém, ao lançar o apenas correto Who Do We Think We Are em 1973, problemas dentro da banda já chegavam a atingir limites absurdos. Alguns egos inflados e falta de diálogo na tentativa de se chegar a um acordo fizeram com que Ian Gillan saísse em carreira solo e Roger Glover também deixasse a banda. Entretanto, o que poderia significar uma queda da banda e uma decadência de qualidade, foi desmentido em Burn. Com David Coverdale nos vocais, dividindo essa função com o baixista Glenn Hughes, saia mais uma obra prima definitiva. Isso duraria pouco, mesmo com o lançamento de Made in Europe, Richie Blackmore abandonou a banda por não gostar do direcionamento funk que os dois novos integrantes deram a banda no mediano Stormbringer. Tommy Bolin foi chamado para compor o grupo no lugar de Richie Blackmore, mas acabou tendo uma morte trágica que abalou o grupo. Até o início dos anos 1980 a banda sobreviveu com coletâneas, registros ao vivo, mas algo tinha se quebrado. David Coverdale não perdeu tempo e formou o Whitesnake, no mesmo estilo do Deep Purple em termos de estrutura, mas com um direcionamento mais bluseiro. Ian Paice, Jon Lord e Roger Glover chegaram a tocar na banda.
          Somente um 1984, com a volta de Ian Gillan, Roger Glover e Richie Blackmore, que a banda voltou a fazer algo relevante. Perfect Strangers foi uma retomada com certa dignidade ao que a banda tinha feito até metade dos anos 1970. Contudo, novos problemas entre Richie Blackmore e Ian Gillan fizeram com o vocalista saísse da banda. O marco deste momento está registrado no àlbum Slaves And Masters, com Joe Lynn Turner nos vocais. Após o fracasso do disco, Richie Blackmore sai da banda definitivamente. Em um momento posterior, Ian Gillan, Roger Glover, Ian Paice e Jon Lord chamam Steve Morse do Dixie Drags para assumir as guitarras. A banda seguiu gravando álbuns e fazendo turnês. No início da década de 2000 Jon Lord saiu da banda e deu lugar a Don Airey nos teclados. Jon morreu na metade de 2012 para a tristeza dos fãs, ex-colegas de banda e músicos de rock em geral. Uma perda irreparável, mas ele já havia deixado a banda quando ocorreu.
          Nessa longa tragetória o Deep Purple teve mais momentos dificeis do que uma estabilidade no topo como merecera. Porém, Ian Gillan chegou a ter uma carreira de sucesso fora da banda, chegando a gravar Born Again do Black Sabbath e vários álbuns solo. Jon Lord, Roger Glover e Ian Paice chegaram a gravar discos com seu ex vocalista, David Coverdale e seu Whitesnake, como falei anteriormente. Glenn Hughes formou diversas bandas, tendo cantado no Black Sabbath, tocou baixo e cantou no Trapezze, teve uma carreira solo produtiva e ainda está em atividade com o Black Country Communion. Richie Blackmore formou o Rainbow ainda nos anos 1970, onde contou com nomes de peso como Ronnie James Dio nos vocais e o baterista Cozy Powell. Depois dedicou-se ao seu Blackmore's Night com sua esposa para tocar musica folk. Este último, por mais que seja legítimo tocar o que lhe dá prazer, talvez tenha desistido de grandes bandas por ter que contar com grandes músicos para concretizar suas ideias, mas não conseguir dividir o estrelato com outras estrelas. É uma pena, pois Richie Blackmore é uma das lendas da guitarra e influência certa de muitos guitarristas.
          Agora o Deep Purple se despede como sendo uma das bandas essenciais do Rock e tendo influenciado milhares de bandas e músicos ao longo de todos estes anos. Confesso que, sendo um guitarrista, minha principal referência, ou busca, era misturar os riffs de Tony Iommi e os solos de Richie Blackmore. Isso seria a mistura perfeita para um guitarrista clássico de Metal. Essa fórmula também está presente na cabeça de gente como Yngwie Malmsteen, entre muitos outros guitarristas famosos. Cheguei a ver o Deep Purple no início dos anos 2000 e foi uma apresentação ótima. Claro que Steve Morse e Don Airey nunca conseguiriam substituir Richie Blackmore e Jon Lord, mesmo sendo ótimos instrumentistas, os outros dois são lendas, mesmo assim a banda mostrou ao vivo, durante todos estes anos, que poderia entregar um show recheado de clássicos, ótimas performances individuais e improvisos virtuosos. Claro que a voz de Ian Gillan já está comprometida e o baterista Ian Paice passou por sérios problemas de saúde recentemente, pois o tempo passa para todos nós. Contudo o Deep Purple mostrou sua importância e se despede de forma digna. Lançou recentemente o álbum Infinite. É um bom trabalho, digno, mas claro que não conta com toda a magia de antigamente. Existem bons momentos, tanto dos teclados de Don, como das guitarras de Morse, contudo fica aquém do grande Deep Purple, mas soa melhor que alguns outros de sua extensa discografia. Obrigado pela influência e pelos grandes clássicos que escreveram!
  

Ghost e Rob Zombie em Porto Alegre

          Assistí diversos shows interessantes na minha vida desde o primeiro que fui, Raimundos, Sepultura e Ramones na Acid Chaos Tour de 1994, passando por Rammstein, Kiss e Metallica em 1998, Hammerfall, Dio, Yngwie Malmsteen, Angra e Dr. Sin no início dos anos 2000. Nesse período também assisti aos shows do Whitesnake com Judas Priest, depois Deep Purple e Ozzy no Gigantinho, no mesmo local, o festival Live N' Louder com 69 Eyes, Rage, Destruction, Shaaman, Nightwish e Scorpions. Vi o Helloween com o Gammaray, já no Pepsi On Stage, Megadeth, Slash, Winger e Mr. Big. Estive no festival Monsters of Rock na versão reduzida de Porto Alegre na última turnê do Motorhead antes do falecimento do ícone do Rock Lemmy Kilmister, falei a respeito aqui e aqui. Mais shows pequenos tipo do Richie Kotzen no Beco. Deixei de lado alguns, pois simplesmente fui citando os eventos aleatoriamente para ilustrar essa postagem e situar o leitor sobre algumas oportunidades que tive de presenciar momentos interessantes da carreira de certas bandas, como ver uma única música na apresentação do Motorhead em um de seus últimos shows. Assisti ao show do Black Sabbath em sua derradeira turnê, o Guns n' Roses em sua versão alternativa e burocrática antes da volta de Duff e Slash para a banda. O Rival Sons abriu para o Black Sabbath, assim como Sebastian Bach abriu para o Guns. Isso foi legal, pois pude ter uma referência de como essas bandas novas estão se apresentando, falei disso aqui. É comum o pensamento saudosista dos roqueiros que impede que muitos deem atenção para as novas bandas, mas elas que mantém a chama acesa e todos os grupos clássicos já foram iniciantes e foram vistos com desconfiança. A própria banda do Slash com Myles Kennedy era uma novidade na época.
          Bem, esse preambulo serve para falar de um show inusitado que reúne Ghost e Rob Zombie, duas referências mais modernas do Rock/Metal. Rob Zombie é veterano, começou nos anos 1980 com o descartável, na minha opinião, White Zombie. Entretanto, sua carreira solo é interessante e conta com dois álbuns muito bons, os primeiros Hellbilly Deluxe e The Sinister Urge. Já Educated Horses tende a ser mais pop, mas ainda tem boas composições, assim como os dois seguintes. Entre eles há duas coletâneas e meia dúzia de álbuns ao vivo. Seu estilo meio industrial com Nu Metal não me agrada muito, mas o Rock Horror sempre é legal ao vivo. Nessa mesma linha segue o Ghost. Muitos ficaram decepcionados com a sonoridade da banda, pois esperavam algo mais Black Metal talvez, por conta do visual do Papa Emeritus III e seus Nameless Ghouls. São três álbuns, alguns singles e EPs que mostram uma sonoridade mais voltada para o Classic Rock dos anos 1970, na linha do Blue Oyster Cult, com teclados sinistros, guitarras distorcidas e vocais melódicos. Tudo isso embalado em uma roupagem que apresenta uma caveira de um reverendo das trevas e cinco misteriosos músicos mascarados e vestidos de forma idêntica. Eu achei a ideia sensacional e as composições muito boas. Me passou a imagem de uma ressurreição do Rock dos anos 1970, tipo Alice Cooper e Arthur Brown, vindo direto do inferno. Faltava apenas comprovar em um local de médio porte e com muitas referências que já tenho de shows anteriores, se essas duas bandas são realmente consistentes ou são apenas produtos de uma superprodução estética e de estúdio.
          O Ghost começou o show com a famosa trilha do filme Eyes Wide Shut, Masked Ball, onde o plano de fundo é uma espécie de missa negra com todos os participantes mascarados e depois se segue uma orgia. Bem apropriado para a proposta da banda, já que conta com seus integrantes mascarados simulando uma celebração. Porém, quando o show da noite de 10 de maio de 2017, no Pepsi On Stage em Porto Alegre, já se notava a ausência do baixista, no caso a baixista, segundo o Papa Emeritus III, ele estaria acompanhado por apenas quatro dos cinco Nameless Ghouls devido a um problema em particular que fez o músico tocar fora do palco. Isso foi um problema, pois além do som não estar legal, há certos trechos tem linhas de baixo bem evidentes e não ver o musico ali foi um pouco perturbador, para mim pelo menos. Tirando isso, a banda é competente, com seu exótico líder solicitando aplausos para os solos dos guitarristas e do tecladista. As músicas executadas foram basicamente as de trabalho de seus três álbuns, o que fez o pessoal cantar junto em algumas partes mais pegajosas. A primeira após a introdução foi Square Hammer, do terceiro álbum da banda, From The Pinnacle To The Pit. Ritual, Absolution, Mummy Dust, Cerice, Year Zero, Secular Haze, entre outras, estiveram presentes. O personagem Papa Eméritus na sua terceira encarnação, agora sem a imagem de bispo católico infernal, lançando mão de um visual mais no estilo King Diamond, visivelmente é o centro de tudo que acontece tanto musicalmente quanto visualmente. Certos trejeitos lembraram muito Rob Halford do Judas Priest, mas sem todo o potencial vocálico, é claro. O Ghost, embora com problemas inegáveis envolvendo a debandada de seus antigos Nameless Ghouls, conseguiu entregar um bom show, embora curto. Eles não são estrelas do tamanho que muito gente pode imaginar, ainda é uma banda iniciante e carece de rodagem e passar pelo teste do tempo. As mudanças de formação não contribuíram para isso, embora os músicos sejam muito competentes e empolgados. O Ghost é um Rock Horror ao estilo King Diamond, Alice Cooper, Arthur Brown, etc, com uma espécie de encarnação genérica de Rock anos 1970 vindo direto do inferno, como falei anteriormente, e suas apresentação, a julgar por esta de 10 de maio de 2017, segue nesse sentido.
          Já Rob Zombie é "o cara" no palco! Gostando do estilo industrial e direto de seu Rock Horror ou não, tem de se admitir que o cara sabe o que faz. Tem uma banda muito competente, esbanja energia, dançando e agitando o tempo todo. Essa vibe se amplia ao seu excelente guitarrista John 5 e seu baixista Piggy D. O baterista Ginger Fish é preciso e tem a mão pesada como Mike Bordin do Faith No More. O som é muito pesado e num ritmo frenético, só prejudicado por alguns problemas técnicos no som e na iluminação. Em determinado momento Rob joga o microfone longe com pedestal e tudo. Ele abriu seu show com Dead City Radio and the Ghosts of Supertown. Rolaram musicas do novo álbum The Electric Warlock Acid Witch Satanic Orgy Celebration Dispender de 2016, como a divertida Well, Everybody's Fucking in a U.F.O, com Rob Zombie jogando dois ETs infláveis para a galera se divertir. Músicas como Dracula, Demonoid Phenomenon, House of 1000 Corpses, Superbeast, Living Dead Girl, fora dois clássicos do White Zombie, More Human Than Human e Thunder Kiss '65 e um trecho de School's Out de Alice Cooper. Se no Ghost falta certa rodagem, pra Rob Zombie sobra. Assistindo seu show eu tive aquela sensação de que aquilo que estava exposto no palco é o tamanho exato daquela determinada banda, embora a quantidade de pessoas presentes tenha decepcionado um pouco, mas jusificável pela grande quantidade de shows em Porto Alegre em maio. É difícil de entender como que Marilyn Manson tenha causado maior aceitação do público que Rob Zombie em termos gerais, já que o segundo tem uma identidade muito mais coesa e é um verdadeiro fã de Heavy Metal. Quem curte um show com guitarras pesadas, quatro seres bizarros tocando músicas de terror com extrema competência e carisma, não deve perder uma apresentação deste cara. Em especial do guitarrista John 5, que com suas guitarras exóticas, ora lançando lasers, ora brilhando no escuro, foi o responsável por todos os efeitos eletrônicos dos álbuns e acrescentando muito peso ao som.
          Em termos gerais, o show foi bom, mas não foi o melhor que prestigiei no Pepsi por motivos que vão além da competência das bandas. Mas se a expectativa era conhecer o que são Ghost e Rob Zombie ao vivo, o primeiro deixou um pouco a desejar, já o segundo entregou o que vendeu na medida exata. O bom é ter na bagagem demonstrações do que o Metal/Rock dos anos 2000 pode oferecer, mesmo que Rob Zombie seja um sobrevivente da década de 1980, sua música é bem atual. Já o Ghost é o fruto deste século e estourado nessa década, portanto, mesmo que, como o Rival Sons, seja um remake do Rock do passado, essas bandas é que carregarão a tocha por um tempo, já que o Black Sabbath, o Deep Purple, entre outros já anunciaram aposentadoria ou ficaram pelo caminho. Ao ver jovens de vinte e poucos anos nos shows em grande quantidade, percebo que o Rock/Metal, está tão vivo quanto estava nos seus melhores momentos, mesmo não estando na mídia tradicional.

Bruce Dickinson - Os altos vôos com o Iron Maiden. E o vôo solo de um dos maiores músicos do Heavy Metal

          Eu adoro Iron Maiden e essa foi uma das primeiras bandas que realmente ouvi com atenção. Ao longo de sua discografia é possível entender muito do que aconteceu no Heavy Metal mundial desde 1980, pois o Maiden conseguiu, algumas vezes de forma polêmica, inserir aspectos externos ao seu estilo original para evoluir como banda e se atualizar. Um dos grandes alicerces da banda, sem duvida alguma, é seu carismático vocalista Bruce Dickinson. Mesmo que a banda já tivesse uma base de fãs antes da entrada dele, foi após Bruce assumir a voz do Iron Maiden que a banda realmente estourou mundialmente e se tornou a referência que é hoje. Contudo, essa biografia escrita por Joe Shooman, peca em sua construção ou planejamento, ao menos foi o que senti ao lê-la calmamente, ouvindo os álbuns da banda e da carreira solo de Bruce. Mais parece uma grande matéria de revista de Rock do que uma história de um homem em particular. Em muitos momentos, Joe mergulha no ponto de vista meramente de fã e esquece de relatar o homem por trás da história. Isso é muito cansativo em alguns momentos. O escritor optou por fazer uma narrativa épica do que se ater em fatos humanos e corriqueiros e apenas interpretá-los para construir a narrativa. Confesso que achei um tipo de publicação chapa branca, mesmo sabendo que Bruce, assim como seus companheiros de Iron Maiden, mostre-se uma pessoa correta e avessa a polêmicas. Contudo, mesmo com o olhar maravilhado do narrador, a história contada tem muitos indícios de ser verdadeira e bate com a imagem concreta de Bruce Dickinson que tem se mantido ao longo dos anos.

          Hiperativo e ousado, suas qualidades vocais já apareciam de forma virtuosa no Samson, banda em que gravou um bom álbum na fase inicial, o que levou-o a cantar no Iron Maiden. Mas o sr. Dickinson não era um mero paraquedista caindo no cenário do Rock. O mesmo tentara muitas experiências antes do Samson. Sua inspiração era Arthur Brown, por esse motivo, já tentava misturar aspectos teatrais as apresentações de suas bandas. Isso fez com que a banda passasse de uma imagem mais tradicional das outras bandas do NWOBHM, para algo mais teatral e grandioso. Mesmo adorando os álbuns com Paul Di'Anno, The Number of the Beast é um salto imenso em qualidade, tanto nas composições como na interpretação vocal. Um cantor com pulmão de ferro e alcance potente. Uma voz única e bem trabalhada. Assim é o frontman da maior banda de Heavy Metal do mundo. As nuances das gravações dos álbuns e uma compilação imensa de depoimentos de pessoas que estavam inseridas no contexto dos episódios mais relevantes de sua carreira, estão documentadas aqui, mesmo que o tipo de narrativa não tenha me agradado tanto. Talvez essa impessoalidade não incomode os fãs, e não chegou a estragar a obra, mas deixou uma sensação de artificialidade no livro. Isso se justifica até certo ponto, afinal, Bruce Bruce, como era chamado no início de carreira, é um herói para muitos de seus fãs.

          Talvez Bruce Dickinson não seja apenas aquele personagem cativante fora dos palcos. Talvez ele seja apenas um homem bem educado e de grande sucesso em tudo que faz. Não só foi responsável por alçar sua banda ao topo do mundo, como teve uma carreira solo significativa, ainda fez parte de um time de esgrimistas ingleses, escreveu livros de comédia britânica e se tornou piloto de aeronaves. A importância de uma das vozes mais representativas do Heavy Metal, é notória mesmo em um livro de qualidade discutível como este. Portanto, enquanto não aparece uma autobiografia mais profunda e reveladora, vale a pena conhecer este livro, pois se trata de uma narrativa documental importante. Uma pessoa que têm diversas atividades tão diferentes quanto as citadas acima, induz a pensar que realmente se trata de um sujeito sério, focado, profissional, empreendedor e responsável por tudo aquilo que construiu. Muitos nomes do Rock se mostraram gênios em suas carreiras, mas pessoas totalmente perturbadas e sujeitas a todas as armadilhas dessa vida de excessos e muito descolada da realidade da grande maioria das pessoas. Já li relatos de bandas posteriores ao Iron Maiden, que ao invés de mergulhar na fama e aproveitar de forma desregrada tudo que ela oferece, preferiram o profissionalismo e a integridade dos britânicos da Donzela de Ferro.
          Minha opinião sobre Iron Maiden e Bruce Dickinson é um tanto peculiar, pois gosto muito dos álbuns Chemical Weeding e Acident of Birth da carreira solo de Bruce e não sou tão fã de Somewhere in Time e Piece of Mind, clássicos incontestáveis do Iron Maiden. Não que eu desconsidere estes dois álbuns, acho eles brilhantes, apenas ouço menos eles do que outros menos populares entre os fãs. Tenho um carinho especial por No Prayer for the Dying, primeiro álbum que eu tive da banda, e gosto do Virtual XI, já com Blaze Bailey, coisas meio contraditórias para muitos fãs da banda. Também desprezo quase por completo os álbuns Tatoo Milionare e Balls to Picasso, pois sempre comparei a voz do Iron com a carreira de Ronnie James
Dio, que deu ao mundo álbuns clássicos como Holy Diver e The Last in Line, já no inicio de sua carreira solo. Mas entendo que a intenção era se divertir tocando Rock n' Roll e se afastar da pressão do Iron Maiden, mesmo que isso fosse impossível para ele.
           Para encerrar este breve texto, que pode ter certo tom de ranso, afirmo que Bruce Dickinson está longe de ser aquele rock star espalhafatoso fora dos palcos e o Iron Maiden é uma banda focada exclusivamente na música e em sua imagem. Portanto, não sobre muito espaço para folclore de bastidores. Se para muitas bandas a tragetória reúne e muitos percalsos e incertezas, para o Iron Maiden e seus integrantes, mesmo que isso tenha ocorrido em igual numero, não chegou a ser relevante dentro da história da banda, pois desde que lançaram Iron Maiden no início da década de 1980, as mudanças que ocorreram na banda tiveram a repercusão proporcional á cada época e não atrapalharam a periodissidade nos lançamentos de álbuns e nem a frequência das turnês. Muito dessa tragetória está devidamente documentada neste livro. Claro que, aqueles que são fãs de longa data do Iron Maiden, já tem acesso as informações mais relevantes contidas aqui. Entretanto, é bom saborear a história brilhante de um dos maiores ícones da história da música mundial. Bruce Dickinson é um homem que atingiu todos os seus objetivos, muitos deles o fez com excelência, então tudo que se possa produzir, narrando essa história de sucesso, é bem vindo, e por si só, interessante.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Iron Man

          Como guitarrista de Heavy Metal, mesmo que fracassado e despido de qualquer talento, tenho uma visão de fã para com os aspectos técnicos do estilo. A partir daí, considero os riffs de guitarra como sendo o primeiro requisito na hora de avaliar uma banda. Se uma banda conta com bons riffs de guitarra, já tem entre 40 e 50% da qualidade necessária para me agradar. Muitas pessoas podem filosofar a respeito de muitas coisas em relação a isso, inclusive especificamente sobre guitarra, mas pra mim, ter um bom riff é muito mais importante do que velocidade nos solos ou variedade de timbres. Então, é impossível não apreciar o senhor Toni Iommi, líder e principal compositor do Black Sabbath. Se sua importância para o cenário do Heavy Metal mundial já é enorme simplesmente por ele ser a alma dos pais do Heavy Metal, imagine o quanto isso se potencializa ao ser a principal influência para os guitarristas do estilo que vieram depois dele. Ele não só é o principal responsável pelo som característico da banda que inventou um estilo e quebrou paradigmas, como foi o elemento quase que solitário para que a banda não se diluísse por completo em alguns momentos.
          Quando se volta no tempo e se contempla uma Europa pós guerra, é comum pensarmos em baixos salários, escassez de empregos e incertezas(falei disso quando escrevi sobre a biografia do Ozzy). Tony Iommi passou por isso, mas logo cedo já despertou para música. Formou bandas e mal tinha saído da adolescência e já iria iniciar uma carreira exclusiva como músico. Entretanto, ao trabalhar no seu último dia em uma fábrica, teve parte de dois dedos da mão direita amputadas em uma prensa. Isso foi aterrador, mas forjou um homem mais forte e obstinado. Não desistiu de tocar e para isso improvisou próteses caseiras para aliviar a dor em seus dedos. ao contato com as cordas. Esse recuo estratégico fez com que Tony formasse o Black Sabbath e começasse do zero, ainda com outro nome e tocando versões de clássicos de blues. O sucesso já veio no primeiro álbum e o reconhecimento foi aumentando com as turnês e a cada disco lançado pela banda.
          Essa auto biografia do grande fundador do Heavy Metal, só não é mais épica por não abordar a carreira do homem até sua última turnê com o Black Sabbath, ainda lançariam mais um álbum e fariam duas turnês após o lançamento deste livro. Cada nuance que se ouve nos registros de estúdio é dissecada por quem esteve 100 % envolvido com tudo que a banda fez. Tony Iommi é o verdadeiro mentor de tudo que foi lançado sob o nome Black Sabbath, para o bem ou para o mal. Jamais abriu mão do nome da banda e nunca desistiu de manter sua criação na estrada. Difícil separar a vida particular do trabalho, já que Tony Iommi sempre foi obcecado pela música que fazia. Com isso, sua auto biografia gira em torno do cenário Heavy Metal o tempo todo. Conta em detalhes as ocorrências cercando as mudanças de formação, dramas particulares, momentos de incertezas, o alto consumo de cocaína, a relação com Ozzy, Dio, Cozy Powel, empresários e gravadores. Somada a biografia de Ozzy, temos um apanhado rico em informações sobre o Black Sabbath e como a banda passou do auge do sucesso, a decadência e o retorno triunfal.
           Grande obra histórica, uma leitura leve e divertida que remete o nome Black Sabbath, e a vida de seus integrantes, a um patamar diferente de todas as lendas que se popularizaram em torno da banda ao longo dos anos. Assim como a autobiografia de Ozzy, "Iron Man" é parte da história da música e a que tudo indica, tem muito de verdade e honestidade na narrativa. Em nenhum momento seu protagonista é descrito como um ser extraterrestre, mas como um trabalhador talentoso e dedicado que colheu os bons e os maus frutos de sua empreitada, conseguindo se manter vivo frente a todas as adversidades de uma vida de excessos com álcool e drogas. Muitos ficaram pelo caminho, mas Tony Iommi e o Black Sabbath conseguiram ter êxito até o final da carreira. Seus riffs vencerão o tempo e atravessarão muitas décadas ainda. Todo apreciador de Heavy Metal deve se curvar a este homem, pois ele merece.

Eu sou Ozzy

          Ler a biografia de uma pessoa famosa é uma tarefa que pode ser prazerosa ou totalmente descartável. No caso de alguns ídolos do Rock e Heavy Metal, essa tarefa pode ser ainda mais complexa, por vários motivos. Sempre achei pouco produtivo ler biografias, sempre interessei-me mais por literatura épica, filosófica ou cientifica. Histórias sobre meu ídolos da juventude eram coisa para revistas especializadas. Em um livro haverá sempre aquele aspecto artístico e manipulável. A veracidade dos fatos que sustentam a narrativa pode ser irrelevante, dependendo da intenção do autor e do biografado. O objetivo de uma biografia pode ser muito discutido, pois alguns escrevem a biografia de terceiros para assassinar a reputação, desmascarar um falso líder, prestar homenagens de forma desproporcional, etc. Claro que o mais relevante, ao menos para mim, é a música, pois sem ela o artista, no caso o músico, é irrelevante, mas  neste caso específico. Rock Stars, em sua maioria, são idiotas e sem muito a somar fora da arte que exercem. Seria o caso de Ozzy, se ele não fosse tão carismático e seu personagem não tenha extrapolado as fronteiras musicais, muito graças a sua esposa e empresária Sharon, mesmo assim, Ozzy Osbourne tem uma luz própria que transcende tais conjecturas.
          Aqui ficamos numa encruzilhada em nossa análise. Se Ozzy é apenas um idiota, teríamos muitos e muitos iguais a ele por ai. É nesse ponto que um potencial idiota sem futuro supera todas as probabilidades e se torna uma lenda. Ozzy não é rico e famoso por ser talentoso e prodigioso naquilo que faz, mas sim por ser único. Por mais que se estude e se esforce, o dom de ser único é uma dádiva, não um prêmio por esforço. Embora muita gente ligada a programação neurolinguística, a teses astrais e técnicas de aprimoramento pessoal e profissional, tentem definir critérios e fórmulas mirabolantes para tirar dinheiro de terceiros oferecendo algo "especial", Ozzy é um caso a parte, assim como muitos outros, dono de um dom natural para ser ele mesmo e nada além. Ler a biografia de Ozzy foi uma busca por conhecer os bastidores de histórias hilárias e outras muito bizarras, de quem percorreu uma grande jornada e ainda está de pé. Ozzy merece ter grande parte de seus álbuns, principalmente com o Black Sabbath, nas coleções de amantes de Rock e Metal de todas as gerações. Contudo, entender parte do processo que resultou nestes álbuns e formou a lenda que hoje se arrasta por palcos do mundo todo e ainda leva milhares de pessoas ao delírio, se torna algo indicado para aqueles que gostam de histórias inspiradoras.
          Um jovem disléxico que cresceu em uma cidade inglesa devastada após duas guerras mundiais, onde o sustento da casa só era possível graças ao trabalho do pai e da mãe em turnos opostos, revezando entre suas profissões mal remuneradas e a educação dos filhos. Um indivíduo que fracassou miseravelmente ao tentar entrar para o crime. Que viu na música a única opção para quem tentara ser afinador de buzinas e abatedor de gado em um frigorífico. Este Ozzy que saiu para sua primeira turnê descalço, com apenas uma calça, uma camiseta e com uma torneira pendurada no pescoço por não ter uma cruz para usar como adereço. Ozzy começou sua carreira de forma lenta e claudicante, mas atingiu o topo da história ao lançar seu primeiro álbum com o Black Sabbath em 13 de fevereiro de 1970. Daí em diante foram mais de meia dúzia com o Black Sabbath, mais uma dúzia solo. Recebeu prêmios, ganhou até uma série televisiva, resgatou sua antiga banda nos anos 2000 e deixou para trás muitas polêmicas e histórias inacreditáveis.
          Recomendo a biografia "Eu sou Ozzy", não só para os fãs de sua música, mas também para aqueles que ainda não entenderam que ele não é uma entidade demoníaca que todos pintaram ao longo de mais de meio século de carreira. Foi um pai e um marido problemático. Foi um amigo confuso e um ser humano sujeito a erros, excessos e tragédias, mas é o maior nome do Rock para muitos e um dos maiores para todos. A leitura é interessante, sendo que a história é narrada em primeira pessoa e foca mais nos bastidores de sua vida privada e não só nas histórias de turnês e gravações de álbuns. Muito além de uma obra para santificar ou demonizar uma lenda, apenas a narrativa aparentemente honesta de um personagem carismático e de um artista de sucesso incontestável. Li o livro ouvindo os discos e tudo fez muito sentido ao cruzar informações extraídas de matérias de revistas ao longo dos anos. Se este livro apresenta um texto 100% verídico, nesse caso é irrelevante, pois está na medida correta do que Ozzy é como pessoa e como lenda.