sexta-feira, 19 de maio de 2017

Morre a voz do Soundgarden, Audioslave e Temple of the Dog

          Na última quarta-feira, 17 de maio de 2017, morria Chris Cornell, vocalista do Soundgarden. Seu corpo foi encontrado jogado no chão de um banheiro de hotel após um show da banda no Fox Theater em Detroit. Segundo laudos preliminares da perícia feita no corpo, Chris teve morte por sufocamento. Ele tomava um remédio chamado Ativan, pois era um ex-viciado em permanente recuperação, tal medicação poderia causar transtornos psíquicos como paranoia. Segundo sua esposa, que havia falado com ele algum tempo antes do ocorrido, o músico teria confessado que havia tomado uma ou duas doses a mais do medicamento. Segundo Vicky Cornell, o marido estava com a fala arrastada e ela ainda declara que se ele cometeu suicídio foi por acidente. O vocalista do Soundgarden era dedicado a família e jamais tomaria a iniciativa de se suicidar, pois amava a família e não daria essa tristeza aos filhos, três em idades entre 11 e 16 anos, é o que afirma a viúva. Fontes ligadas ao músico afirmam que o mesmo se tratava de um workholic, dedicando constantemente seu tempo a música, se mantendo em permanente atividade com suas bandas ou em sua carreira solo. Entretanto, Chris Cornell teve sérios problemas com drogas entre os 13 e 14 anos devido uma infância problemática em sua convívio familiar.
          Ninguém está apto para falar dos sentimentos de outras pessoas, por isso, é um tiro no escuro teorizar sobre os motivos de um talentoso artista cometer suicídio com a carreira num momento tão interessante. Estava de volta ao Soundgarden, banda que o consagrou no início dos anos 1990, com o lançamento de Badmotorfinger, no auge das atividades das grandes gravadoras e início do movimento grunge. De todos os cantores daquela época, talvez Cornell tenha sido o mais destacado por ter uma voz peculiar e cantar de forma criativa e original. Mesmo com Badmotorfinger alcançando dois milhões de cópias vendidas, foi seu álbum seguinte, Superunknow que trouxe a consagração com Grammys e outras premiações. Passado o tempo do Grunge, Chris Cornell se reinventara cantando no Audioslave, banda forma por três quartos do Rage Against the Machine. Após três álbuns de relativo sucesso comercial, ele volta com o Soundgarden e mergulha em sua carreira solo. Segundo seus colegas de banda e amigos, Chris estava num momento muito interessante de sua carreira e fazia planos, tanto profissionais, como uma volta com o Audioslave, como familiar, de acordo com os relatos de sua esposa.
          Já escrevi sobre depressão e sobre fenômenos como do jogo da baleia azul, portanto, tenho certa intimidade com esse lado sombrio da vida, não por apenas escrever a respeito, mas por experimentar na pele tais circunstancias. Sempre é uma surpresa para familiares e amigos quando alguém comete suicídio, como se supõe que aconteceu com Chris Cornell, pois as primeiras pessoas que tentamos enganar quando estamos em crises de depressão ou atraídos por sentimentos obscuros, são as pessoas mais próximas. Para estes tentamos dar o nosso melhor, aparentar força e equilíbrio, mas dentro de nós algo se mantém em constante compasso de espera podendo detonar a qualquer instante. Quando estamos sozinhos e temos que encarar nossas demônios, um simples pensamento ou o incentivo químico pode ativar este processo autodestrutivo. No caso deste talentoso artista, que gravou mais de 15 álbuns entre bandas e sua carreira solo em mais de trinta anos de carreira, sua arte apontava para sentimentos angustiantes. Suas letras normalmente carregavam o peso de sua agonia, que ao ser externada em forma de arte garantia sobrevida a uma alma condenada a deixar o corpo que a mantem presa neste mundo.
          Felizmente a obra de Chris Cornell ficou bem registrada e terá seu espaço no mundo musical com relativo destaque, mesmo assim é duro falar disso, pois conforme o tempo passa e as pessoas vão morrendo, mais se percebe a vida se diluindo e nossa época ficando para trás. Acredito que este pensamento vai de encontro ao que falei acima sobre os atos de quem agoniza tendo que conviver com sentimentos conturbados. Isso não é mera coincidência, afinal, já passei por isso e tenho que suportar tais emoções dentro de mim e continuar lúcido e saudável para tocar minha vida e não desamparar aqueles que dependem de mim. 52 anos não é uma idade onde pese tanto os problemas da juventude, como alguns comentaram sobre Cornell como sendo a razão de seu suicídio, e sim a fase onde se contabiliza tudo que se ganhou e se perdeu, no caso específico, só teria o que somar, mas quem entende os sentimentos alheios? A vida pode ser muito cruel com as pessoas, mesmo que externamente elas não demonstrem. Como já li e ouvi algumas vezes, a vida nem sempre vale a pena. Descanse em paz Chris Cornell.
           
Postar um comentário