sábado, 27 de maio de 2017

Não faz sentido ser metaleiro e conservador?

          Em uma postagem no Facebook havia uma foto de uma jornalista da rede Globo e atrás uma menina segurando um cartaz. Esta imagem é um meme da internet e neste cartaz as pessoas colocam frases contestando algo. Nesta postagem em especial havia a frase "ser metaleiro e conservador não faz sentido". Pois bem, cheguei a comentar algo na postagem e recebi alguns comentários bem agressivos, mas faz parte do jogo democrático. Também faz parte admitir que as pessoas são extremamente alienadas e facilmente enganadas por qualquer ideal fictício. Num país onde nem quem está cursando algum curso superior se presta a ler um livro, os estudantes preferem adquirir conhecimento através de documentários, filmes, resumos e polígrafos, é perfeitamente aceitável admitir o baixo nível intelectual e a incapacidade de se analisar algo com profundidade. O que esperar do cidadão comum, de um mero fã de Heavy Metal ou outro estilo musical qualquer? Sem entrar no mérito de cada pessoa que comentou na postagem que mencionei, isso é irrelevante neste momento, pois só usei este exemplo para ilustrar um pensamento que tenho algum tempo, e que normalmente encontra resistência e opiniões contrárias. Então resolvi escrever sobre isso aqui neste espaço para oferecer minha argumentação ao debate. Imagino que a maioria discordará do meu ponto de vista, mas o objetivo é deixar claro porque eu penso o que penso e como cheguei a tais conclusões. É óbvio que as discussões de Facebook ou qualquer outra rede social são irrelevantes, afinal, temos muitos valentes atrás de teclados, mas que na vida real vivem num apartamento com o papai e a mamãe, sem uma profissão definida, tomando Nescal, vestindo calça de abrigo e camisa de banda, escrevendo bravatas em seus espaços e sendo educados pelo Wikipédia e os vídeos do Youtube. Esses são realmente irrelevantes em suas opiniões. Mas para aqueles que tem bandas, estúdios, são responsáveis por uma família, que tem a música como paixão e querem um mundo melhor, tento aqui contribuir com minha visão de sociedade. Longe de mim querer ser o dono da verdade, pois não tenho essa ambição, porém me sinto responsável por alguns aspectos da sociedade e busco contribuir com algo.
          Pois bem, vamos as explicações. Já tem algum tempo que existe na mídia e em algumas pautas de movimentos intelectuais o discurso de que o conservadorismo está em ascensão no Brasil. Isso pode se observar nas eleições municipais em alguns locais, embora possa ser uma constatação equivocada. Inclusive ocorreu um seminário com "filósofos" da USP onde o debate foi pautado em cima deste assunto. Como em sua maioria, "pensadores" ligados a universidades e que tais são tão desconectados da realidade quanto possível, muitas teorias fantasiosas surgiram. Contudo deixaremos essas teorias para mais além, pois o conservadorismo é algo que acabou se tornando um espantalho para certos movimentos e citar as argumentações destes senhores é irrelevante. O espantalho que falo é um ser idealizado para ilustrar determinado conjunto de adjetivos, sendo uma representação de uma pessoa ou grupo de pessoas. É o boneco vudu dos dos ditos intelectuais. Postarei algo a respeito desse conceito num futuro próximo. No caso específico, o conservador seria alguém que apoia a intervenção militar, é ligado ao cristianismo, racista, homofóbico e coisas do tipo. Exatamente aquelas características usadas para xingar qualquer um que discorde de ideias pré-concebidas pelos grupos que mantem a hegemonia cultural no Brasil. Acredito que estes "intelectuais brilhantes" possam até ter lido algum livro ou artigo conservador como quem limpa vomito ou um punhado de bosta, com cara de nojo, tampando o nariz e tentando se livrar daquilo o mais rápido possível. Mas tenho certeza de que não sabem do que se trata e nem querem saber. Eles preferem ficar fantasiando as coisas com suas teorias mirabolantes, pois estes não tem nenhum compromisso com a realidade. Vivem com salários acima da média, sem ter que comprovar desempenho ou resultado algum, repetindo teorias desgastadas e esperando a aposentadoria chegar. Nesse meio tempo fazem jovens, que poderiam se tornar pessoas brilhantes e ótimos profissionais em diversas áreas, em meros zumbis cheios de ideias artificiais e manipuladas.
          Escrevi sobre o conservadorismo aqui a pouco tempo, mas não dá pra resumir os fundamentos deste pensamento em um pequeno texto. Roger Scruton é um inglês que escreve com propriedade a respeito, falei de um livro dele aqui, embora sua visão seja muito diferente da de um brasileiro por meras divergências culturais, porém dá pra se ter ideia do que o assunto se trata lendo sua obra. Um conservador não está ligado a rótulos específicos, ou uma receita estática como partidos e movimentos gostam e costumam propagar. Pessoas são diferentes umas das outras, portanto, tentar tratar a todos exatamente da mesma forma é um erro terrível e um desrespeito. O conservadorismo é da mesma forma, varia de local para local, família para família e entre culturas diferentes. Achar que um conservador defende um ato político como o regime militar é, no mínimo, ser retardado ou irresponsável. Até falar da religião cristã como base conservadora eu considero um erro grave. Essa tática é mais uma propaganda para agregar católicos e evangélicos para algum movimento político, afinal, o Brasil foi construído tendo como base escravos africanos, indígenas de várias tribos, portugueses ligados a maçonaria e os próprios europeus católicos. Para cada exemplo citado, ser conservador é manter um estreito vínculo com suas respectivas culturas. Mesmo vivendo em uma mesma sociedade, como falei, conservadorismo é algo particular e normalmente se limita a pequenos grupos comuns, não é um movimento de massa. Preservar estas bases é muito importante para o desenvolvimento de cada indivíduo. Por isso é tão importante a comunidade negra lutar para defender seus costumes, mas claro, respeitando os costumes de outras etnias e credos, da mesma forma católicos, evangélicos, espíritas, indígenas e o que for, devem respeito uns para com os outros. Escrevi sobre racismo e xenofobia aqui. A separação entre manutenção de uma cultura e a tentativa de impo-la a terceiros é muito perigoso, o exemplo claro é a segunda guerra mundial.
          O conservadorismo visto pelo prisma da política social tende a ser favorável a alguns aspectos discordantes de pensamentos mais identificados com a esquerda. Por isso alguns grupos criaram o espantalho, pois defendem o direito de um cidadão portar uma arma para defender a si, sua família e a sociedade, escrevi a respeito aqui, assim como indígenas usavam arco e flechas para caçar, se defender e simbolizar suas raízes. São contra o aborto por defender as bases familiares e o direito irrestrito à vida, também falei a respeito aqui. Economicamente os conservadores em geral são a favor de um livre mercado, mas que seja baseado nos aspectos regionais, não a abertura total para exploração européia, americana ou asiática. Nós gaúchos temos traços muito conservadores ao nos prender às tradições gaudérias. A semana farroupilha é um exemplo disso, escrevi a respeito aqui, o que prova que ser conservador é algo bem específico de cada povo ou região. Só o gaúcho mantem isso hoje em dia no Brasil, mesmo assim de forma mais branda, pois tem assumido muitos aspectos políticos controversos. Tradição é a base do conservadorismo e resume bem o conceito. O conservador é um defensor de uma determinada tradição. Todo aquele que defende alguma tradição legítima é um conservador. É irônico que o povo brasileiro mais ligado ao tradicionalismo, seja aquele mais sujeito a se entregar a ideologias revolucionárias. Mesmo se mantendo no Rio Grande do Sul para essa análise, temos muitos imigrantes que mantem suas tradições, como os alemães. E nada mais saudável que a interação entre as culturas nas festas tradicionais como October Fest e afins. Vamos condenar os descendentes de alemães e italianos por nos proporcionar suas receitas culinárias e a vinicultura? Claro que não. E por que então atacar o conservadorismo em nome de ideologias partidárias? Um exemplo clássico é um fã do Burzum criticar conceitos conservadores, sendo que Varg Vikernes em suas aparições na internet e entrevistas para a mídia sempre pregou o conservadorismo nórdico ligado a cultura viking, entre outros exemplos. Este é um verdeiro conservador, mesmo que não se concorde com ele. Usei exemplos distantes e distintos, mas que exemplificam o conservadorismo como algo forte, mas relativo.
          E onde entra o Heavy Metal nessa história? Escrevi aqui que artistas deveriam ficar à margem da politica partidária e ideológica sob pena de poluírem sua arte e gerarem aberrações ideológicas como exemplifiquei aqui. Entretanto no Brasil muitos artistas ligados a música, cinema, televisão e o teatro recebem dinheiro de grandes empresas através de leis de incentivo a cultura, também falei sobre a Lei Rouanet aqui, entre outras colaborações ligadas a festivais e propagandas. Com esse cenário montado é normal vermos muitos atores, músicos e que tais, participarem de campanhas politico/partidárias, pois estão defendendo suas pequenas fortunas e o nicho que os mantém expostos. Para se ter uma ideia, um grande exemplo que temos aqui, muitos artistas e jornalistas que defendiam o comunismo, e que tal movimento resultou no golpe militar de 1964, não fugiram para países socialistas como Cuba, URSS, ou mesmo os vizinhos da América do Sul, foram para França, Itália, Estados Unidos, entre outros, todos de primeiro mundo para se deliciarem com as delícias do capitalismo. Essas pessoas construíram fortunas e tem grande influência cultural, graças a sua identificação com as classes mais humildes. Porém não pertencem financeiramente a esses grupos e só os defendem para manter suas popularidades em alta. É irônico artistas criticarem o capitalismo, os liberais, os conservadores e discursarem sobre igualdade do alto de suas mansões, desfilando em carros de luxo com motoristas particulares, viajando o mundo e o Brasil em jatinhos particulares, ostentando luxo e riqueza. Escrevi sobre um livro de Rodrigo Constantino, cujo o nome é "Esquerda Caviar, que é o adjetivo dado a esses ricos que se promovem em cima dos mais pobres, o texto está aqui.
          Para finalizar, uso algumas expressões que usei em tal postagem mencionada no inicio do texto. Como achar que ser metaleiro e conservador não faz sentido se bandas como Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Judas Priest, entre tantas outras, nasceram no berço do conservadorismo, ou o Iron Maiden tem vergonha de tribular a bandeira da Inglaterra pelo mundo? Mesmo que critiquem o governo e a sociedade onde vivem, membros de bandas como o Metallica, Megadeth, entre outras, tem orgulho de serem americanas e de seus founding fathers. Aí eu questiono aos metaleiros revolucionários brasileiros, defensores do PT, PSOL e afins, quais as grandes bandas surgidas na Venezuela, Cuba, Guatemala, URSS, China, Coréia do Norte e outros países socialistas e comunistas? Será que eles tem a liberdade de lançar álbuns com letras falando dos males sociais, demônios, violência, magia, drogas, dragões, entre outros temas comuns ao Heavy Metal em geral? Vocês realmente defendem conceitos ideológicos que querem transformar o Brasil em uma enorme Pátria Grande como é o objetivo dos membros do fórum de São Paulo? Mesmo com certas restrições sobre temas polêmicos, todas as bandas de Metal conseguiram fazer seus trabalhos e entregar ao público. Aí eu pergunto; "Faz sentido ser metaleiro e comunista/socialista? Eu acho que não, e os exemplos no mundo ao longo dos anos apoiam minha tese. Não preciso ser um letrado formado em uma instituição federal para chegar a certas conclusões, sou apenas um trabalhador, pai de família, apaixonado por Heavy Metal e sempre criticarei governos e ideologias oportunistas, não preciso seguir uma cartilha para isso. Chega a ser constrangedor alguns músicos famosos, que representam e ajudam a vender equipamentos e instrumentos de empresas multinacionais, que recebem delas tudo de graça, levantarem bravatas contra o globalismo, capitalismo, defenderem e promoverem ONGs e movimentos financiados por meta capitalistas como George Soros, Fundação Ford, Rockfellers e afins, e ainda assim se dizerem defensores dos pobres e oprimidos. Ora, calem a boca, foquem em suas músicas, entreguem bons álbuns e shows, e vão tomar no cu seus hipócritas.
              
          
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