sábado, 24 de junho de 2017

O "Fora Temer", "Mídia Golpista" e Diretas Já"

          Os corajosos defensores da democracia em nosso país mostram que estão em plena atividade para defender nossos interesses. Mais recentemente um destemido militante cercou o jornalista Alexandre Garcia em um aeroporto. Armado com uma câmera de celular, perseguiu o jornalista pelo saguão do aeroporto chamando-o de "golpista" e fazendo provocações como o vídeo mostra aqui ao lado. Como se pode ver nas imagens e diariamente em seus espaços na televisão, este jornalista é um homem muito perigoso, tanto fisicamente como anda sempre acompanhado de seguranças armados. Se confrontado sem a proteção de uma câmera registrando tudo, poderia agir de forma hostil e causar sérios danos a integridade deste corajoso democrata, que estava ali para bradar em nome da população. Assim como acontecera com sua colega de Rede Globo, Miriam Leitão, onde cerca de uma duzia de petistas, retornando da convenção do partido, ofenderam e provocaram-na em protesto contra a emissora que esta trabalha. Caco Barcelos foi outro jornalista a ser agredido e ofendido por estes nobres defensores da paz e da ordem quando o mesmo fazia uma matéria sobre a ocupação de escolas a algum tempo. Falei a respeito no vídeo ao abaixo.
          Essas atitudes são demonstrações de bravura em defesa da democracia. Essas pessoas defendem ideais igualitários com base no bem estar de todos e justiça social. Assim como atacar Michel Temer, "o golpista", que ninguém sabe como chegou ao poder, simplesmente estava lá para ocupar o lugar de uma presidente eleita pelo povo, é um dever moral de qualquer cidadão de bem. É justo que a população exija eleições diretas já, pois o Brasil precisa de um presidente eleito pelo povo, mesmo que a Constituição já disponibilize mecanismos para proceder em momentos de crise política, quando há a necessidade de depor um presidente. Afinal, como manter um líder do executivo, envolvido em tanta corrupção, que usou dinheiro de propina para se eleger. Um sujeito que ninguém votou, pois seu nome e partido ficaram escondidos o tempo todo. Ninguém que votou em Dilma imaginava que seu vice era do PMDB. Coitados dos eleitores do PT, tão inocentes e de boa vontade. Pessoas abertas ao debate e prontas a ouvir as opiniões contrárias. Porém, são agredidas ao expressar suas ideias por um coro uníssono de uma mídia e uma militância de direita.
          Os movimentos populares como MST, MTST, a UNE e a força sindical devem ir para as ruas em protesto para defender os interesses das classes que representam. Estes são compostos por pessoas corajosas e que não temem se expor pela democracia. Abrem mão de suas vidas para dedicar a integridade de seu tempo pela causa, sem ganhar nada em troca. Mesmo assim são injustiçados por quem só quer explorar os trabalhadores da cidade e do campo, quem não tem uma casa pra morar e pobres estudantes que só querem estudar e usar suas capacidades intelectuais em prol do Brasil. Eles enfrentam a polícia, a opinião da "mídia golpista", que vive para espalhar mentiras para enganar o povo e enriquecerem com dinheiro público. Todos devem ir para as ruas com suas bandeiras vermelhas nas mãos, gritar "fora Temer", hostilizar estes perigosos fascistas golpistas, para possibilitar que Lula possa concorrer a eleição, antes que essa conspiração chamada Lava Jato, na figura do golpista Sérgio Moro, prenda um homem de bem, a alma mais honesta deste Brasil, que é comparável a Jesus Cristo pelo sofrimento e injustiças contra ele.
          Claro que fui irônico até aqui. Pois só uma pessoa sem cérebro pode acreditar em todas as bobagens escritas acima. O pior é que muitos, acredito que por interesse, pregam exatamente este tipo de discurso. No vídeo ao lado falo novamente sobre a campanha de Lula para arrecadar dinheiro para sua defesa, ou seja, bancar a mídia paga pra criar uma narrativa a favor de seu discurso. Ali podemos ver atores da Rede Globo "golpista" convocando as pessoas para contribuírem com essa farsa. O mesmo pôde ser visto no show em favor das "Diretas Já", na praia de Copacabana, onde diversos artistas que são ligados diretamente a Rede Globo, e que usavam dinheiro público em muitos trabalhos, defendem o discurso de "Diretas já". Qualquer show com Caetano Veloso e Milton Nascimento, entre outros artistas de renome, de graça em um final de semana, teria levado um milhão de pessoas. Porém, não foi o que se viu. Talvez a população esteja mais indignada com a corrupção do governo Temer que o pessoal do PT, PSOL, e afins, mas sair ao lado deste pessoal pra protestar é vergonhoso para o cidadão de bem. Há uma forte campanha para inocentar Lula, Dilma, Aécio, Temer e muitos outros. Os ataques a operação Lava Jato são constantes, tanto na mídia como dentro dos três poderes. Há cortes de verba, transferência de peças importantes, vetos do STF, tanto que o ministro Fachin era uma militante do PT que havia agido intensamente em campanhas petistas. O próprio Gilmar Mendes, agora que tem que decidir em favor de políticos e empresários envolvidos nestes casos de corrupção, sempre vota em favor dos bandidos.
          Escrevi aqui sobre a queda de Dilma em 2016 e deixei claro que nada mudaria, pois foi o pessoal ligado a Temer e Renan Calheiros, que deu sustentação para o governo Dilma. Todos estão exatamente envolvidos nas mesmas tramoias. A primeira pessoa que Lula procurou quando assumiu a presidência em 2003 foi José Sarney, exatamente para ter apoio político. O Mensalão ajudou a comprar o apoio de partidos menores e a parceria com José Alencar possibilitou uma aproximação com grandes empresas. A Petrobras foi usada como laranja para lavar dinheiro de propina, e o BNDES foi o fiador para o grande fluxo de dinheiro sujo. A própria eleição do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 já deflagrou o maior esquema de corrupção da FIFA. Empresas como JBS, Camargo Correa, Odebrecht, OAS, entre outras, tiveram seu patrimônio expandido exponencialmente. Quem discursa em favor do PT, pois o partido era tido como um simbolo da moralidade, deve ter algum problema mental muito sério, ou é um cínico filho da puta. Como um partido  composto por guerrilheiros comunistas, religiosos farsantes, vagabundos que nunca trabalharam, estudantes que não passam de analfabetos funcionais, pode ser considerado honesto. Como um pessoal que vende emendas parlamentares para beneficiar empresas multimilionárias, pode ser ventilado como salvação do Brasil? Como podem acusar jornalistas e emissoras da televisão que enaltece um bando de revolucionários mercenários em séries e documentários, pode ser golpista? A Rede Globo, os artistas populares como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Chico César, Criolo, entre tantos outros, presenças garantidas nos programas da Globo e festivais patrocinados pelas empresas que os financiam, foram os responsáveis por criar a narrativa mentirosa que vivemos a mais de quarenta anos.
          Sobre a mídia, Lula, além de pautar sites e jornais como Carta Capital, GGN, Brasil 247, fora blogs menores financiados com dinheiro público, ainda tentou passar algumas leis que visavam controlar a imprensa e a internet, como o "marco civil da internet", proposto pelo governo petista. Além, é claro de todos saberem que os canais de televisão são concessões do governo e podem ser cassadas a qualquer momento. Então, quando vimos atores da Rede Globo chamando a empresa de "golpista" é de se desconfiar da lisura destes protestos, Assim como saber que o jornalista Franklin Martins esteve por trás do marketing de campanhas de Dilma e de outros petistas e esquerdistas. A própria Miriam Leitão sempre foi identificada com a esquerda, assim como 90% dos jornalistas. Então fica claro que, ou o pessoal que ataca individualmente jornalistas por eles pertencerem a determinado veículo, ou são mal informados, o que duvido, ou simplesmente querem aparecer, o que é fato. Provocar tumultos em aeroportos é tradição para esse pessoal, basta catar na internet uma infinidade de registros. Na época do Mensalão, uma empresa chamada MPI Digital, especialista e propaganda politica na internet, foi contratada para perseguir jornalistas e fomentar campanhas difamatórias para que não noticiassem sobre o Mensalão, recebendo dinheiro diretamente do gabinete do deputado João Paulo Cunha. No vídeo abaixo comento a respeito tendo como ilustração um vídeo da Jovem Pan.
          Ainda sobre o jornalismo, relembro o relato de Boris Casoy em entrevista, onde diz que, na época da censura imposta pela ditadura militar, havia uma pessoa que revisava as matérias e que eventualmente vetava uma noticia ou parte da mesma. Durante o governo petista, José Dirceu, Palocci e até o próprio Lula ligavam para as redações de jornais pedindo o afastamento de repórteres ou ameaçando diretamente os veículos devido a alguma notícia contrária publicada. Hugo Chaves, ídolo deste pessoal, fez isso na Venezuela e seu sucessor, Maduro, continua esse legado, claro, sem falar na Cuba de Fidel. Portanto, este pessoal já tem a mídia e os jornalistas engajados ideologicamente e ainda pressionam os veículos de comunicação para que atuem em favor deles. Que Lula é um vagabundo, semi analfabeto e mau caráter, não há dúvidas mais sobre isso, o difícil é entender como essas pessoas ainda tem coragem de defender tal discurso. Entendo que existe a opção por se aliar a essas quadrilhas tendo como motivação a sobrevivência. Conheço muitas pessoas que particularmente sabem que estão defendendo criminosos, mas temem por perderem seus empregos por não se acharem capazes de disputar uma vaga num mercado formal. Também não arriscam sair de seus planos de saúde e financiamentos de cursos superiores e ter que depender dos serviços públicos oferecidos por aqueles que eles apoiam. Da mesma forma os artistas, preferem ser meros fantoches, empregados do governo e se manterem na mídia, mesmo com trabalhos abaixo da crítica. Escrevi sobre isso aqui.
          Para finalizar, não apoio o Temer em hipótese alguma, pois ele foi o grande aliado do PT em todas as falcatruas que fizeram para roubar o Brasil e destruir tudo aquilo que o país poderia ter de bom. Promoveram um complexo plano de dominação que se alternava entre três partidos, PT, PMDB e PSDB, mas que contava com o financiamento de grandes empresas, movidas pelo lobby governista e por financiamentos do BNDES. Essa estratégia fez com que empresas crescessem e esmagassem as menores, tendo o monopólio velado em diversos setores. Porém, em momento algum estes grupos ligados ao PT combatem a corrupção, pois a primeira obrigação destes políticos é roubar para o partido, isso eles fazem muito bem. Tem o apoio da classe artística, controlam a mídia, os movimentos sociais, as escolas e universidades. Eles só pecam por não terem criatividade, pois repetem as narrativas de "golpe" e "diretas já", coisas usadas a muito tempo. A intelectualidade que apoia isso, não passa de um conjunto de escritores histéricos, que se encontram alguém disposto a debater, negam que exista aparelhamento do estado, depois debocham tentando menosprezar o oponente e depois bradam aos gritos adjetivos como "fascista, golpista, etc". Suas teses são tão vazias, que um adolescente minimamente alfabetizado, que tenha lido e interpretado dois ou três livros, refuta as mesmas sem dificuldade. Ou seja, todos estes elementos que elenquei aqui só demonstram a degradação do Brasil, querendo estes grupos aceitar ou não.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Nossos heróis


          Olho com desconfiança para uma pessoa como João Dória, atual prefeito de São Paulo, por considerá-lo marqueteiro e pertencer ao PSDB, um partido com origem e princípios parecidos com o PT e que reveza com o mesmo no poder, sempre contando com o apoio do PMDB . Entretanto, por mais que muitos especialistas e jornalistas critiquem a forma com que ele tem tratado a cracolândia, é de vital importância que se acabe com esse tipo de local degradante. O ex-prefeito Fernando Haddad do PT, lançou um programa de combate ao crack chamado "de braços abertos", que ao invés de acabar com a cracolândia que já existia, deu origem a mais cinco em outros locais da cidade. Mesmo vendido como um programa modelo, o resultado fala por si, aumento do uso e do tráfico. Estou longe de São Paulo para saber detalhes de tudo isso, mas conheço dependentes de crack e imagino como seria ter um ponto onde se consumisse e traficasse livremente. Quem fala contra a iniciativa de Dória, com certeza lucra com a situação, ou é financiado para defender a existência de tais locais. Desde a década de 1970 a politica e o tráfico de drogas tem estreita parceria. Imagine um negócio que movimenta milhões de Reais anualmente se não teria apoio de certos partidos e de sua militância? Pois não apareceu um movimento de apoio a cracolândia para hostilizar Dória e Alckimin? Quando costumamos ver movimentos deste tipo, mesmo? Se você pensou em "Fora Temer" e "Diretas Já" está coberto de razão. É fácil notar a semelhança nas palavras de ordem e na forma como agem.
          Mas o que me motivou a escrever este texto hoje, primeiramente, foi uma reportagem do Fantástico que foi ao ar no dia 11, que acabei assistindo de passagem. Eles relataram a morte de um ex-dependente de crack e heroína, que havia sido retirado das ruas de São Paulo. Carlos Eduardo Maranhão, era de uma família de classe média alta do Rio de Janeiro e havia estudado em uma escola carioca de referência. Os amigos o chamavam de Sarda e há muito tinham perdido contato com ele. Foi um vídeo na internet que possibilitou encontrá-lo e resgatá-lo das ruas. Levaram-no para uma clinica de reabilitação, onde ele estava se recuperando bem, até sofrer uma parada cardiorrespiratória no dia 7. Triste para a família e amigos, mas é apenas mais um caso entre milhares que passam anônimos sem serem divulgados. O que me causou repulsa, foi atores da rede Globo aparecerem declamando versos em homenagem ao falecido, como se o mesmo fosse um herói ou um exemplo. Ora, por mais que o lado humano fale mais alto nessas horas, uma pessoa de boa família, que estudou em uma boa escola e resolveu ficar morando nas ruas para entregar-se ao vício, não é exemplo, nem herói. Quantos Sardas frequentam essas cracolândias e quantos mais ainda irão frequentar se a sociedade não acabar com elas? Demonizar quem combate a criminalidade e santificar quem se entrega ao vício e a vida marginal é uma prática corriqueira de uns anos pra cá.
          Aproveitando essa postagem, vou comentar sobre o "coitadinho" do ladrão adolescente que foi pego ao tentar roubar a bicicleta de um deficiente físico. Dois homens o capturaram, torturaram e tatuaram "sou ladrão e vacilão" em sua testa. Isso causou comoção entre certos meios, os mesmos que apoiam a cracolândia, pois não passa de um adolescente de 17 anos. Saiu nas redes sociais, não sei se é verdade, mas teoricamente haviam levantado 15 mil reais para financiar a remoção da tatuagem. É impressionante como certos seguimentos da sociedade, normalmente os de maior relevância, adoram abraçar causas que envolvem bandidos. Na verdade são sempre os mesmos. Como o caso do tal Ximbinha, lembram, o estuprador? Pois bem, essas pessoas que mandam na sociedade e formam a opinião das massas. Ser ladrão pode, mas ter isso escrito na testa não? A vergonha não é roubar e sim ser taxado de ladrão? Sei como é difícil para uma família lidar com uma pessoa que envereda pelo mundo do crime. Começa assim, consumo de drogas, pequenas tarefas para o tráfico, pequenos furtos, e como há uma comoção em defesa do infrator, isso é um incentivo para que o mesmo se torne um bandido altamente perigoso. Infelizmente, vivemos em um país onde o crime compensa sim. Se você é um trabalhador, que pega ônibus ou trem lotado para ir e voltar para o trabalho, paga seus impostos, no máximo pode ser noticia engordando estatísticas de roubos, furtos e morte, como vítima.
          Usei estes dois exemplos recentes, mas poderia usar muitos outros, para alertar as pessoas de que é impossível grupos que defendem ladrões e traficantes, cuidarem da sociedade. Qualquer atividade que gere muito dinheiro, seja lícita ou não, vai ter o apoio de partidos políticos e gente ligada ao jornalismo ou sindicatos fortes. A matéria do Fantástico foi uma forma amena de atacar o prefeito de São Paulo, deixando subentendido que se tirar os viciados em crack das ruas e acabar com as cracolândias, acabarão torturando e matando estes dependentes, como se estes já não estivessem em estado de mortos-vivos. Quanto ao ladrão adolescente, quem toma uma atitude contra um bandido é que é punido, não o contrário. O exemplo vem de cima, quem é ladrão, assassino ou corrupto, sempre terá o respaldo de determinados grupos, e estes grupos, controlam a mídia, as escolas, universidades, sindicatos, o meio artístico e os jornalistas. Assim fica difícil vislumbrar um futuro com otimismo.   

sábado, 10 de junho de 2017

A evolução do Heavy Metal

          Lendo biografias, acompanhando matérias de revistas, e ultimamente acompanhando as bandas através da internet, pude montar certos conceitos, que se não são definitivos, ao menos me dão uma visão panorâmica do cenário metálico nos mais de 45 anos do estilo e sua construção evolutiva. Como sou apaixonado pela sonoridade que saltava dos velhos discos de vinil das décadas de 1970 e 80, acompanhei a transição para os cds na década de 1990, também fiquei receoso com o início dos anos 2000, com a popularidade dos arquivos MP3 e o compartilhamento irrestrito dos mesmos pela internet, por último encarando a segunda década do século XXI e suas idiossincrasias. Quando digo Heavy Metal neste texto, também quero citar bandas de outros gêneros como Hard Rock, Metal Melódico, Thrash Metal, Death Metal, Black Metal, e todos os sub estilos derivados destes que foram surgindo ao longo dos anos. Por isso, nesta postagem em especial, vou dar minha opinião a respeito do cenário específico que mais amo, falando das bandas que poderão ilustrar o que digo e dos fãs que mantiveram a chama acesa e jamais largaram as bandas, tendo em vista as mudanças constantes ao longo dos anos. Não quero aqui menosprezar ou comparar importâncias, vou citar os nomes  mais conhecidos e os fatos que ocorreram.
          Em 13 de fevereiro de 1970, uma sexta-feira, foi lançado o primeiro álbum de Heavy Metal, Black Sabbath do Black Sabbath. Se voltarmos aos bastidores da época, o Rock n' Roll e o Blues já estavam em alta. Rolling Stones, Jethro Tull, Beatles, entre outras bandas, já chamavam as luzes dos holofotes para a Inglaterra, assim, Led Zeppelin, Deep Purple e o próprio Black Sabbath se tornaram o alicerce para bandas como Judas Priest, Accept, Rainbow e que tais. Por outro lado, o Yes dava um impulso ao Rock Progressivo, no Canadá surgia o Rush, e por ai vai. Não vou aqui citar todas as bandas e sub estilos, cito estas para ilustrar o pensamento que tenho á respeito da época. O Rock/Metal estava ficando cada vez mais complexo e flertava com jazz e principalmente, com a música clássica. Isso não durou toda a década, pois já havia os primórdios como Hendrix, The Doors, Cream, entre tantos outros, que antes dos anos 1970 já consolidavam o cenário. O festival Woodstock apresentou grandes nomes do Rock do final de 1960. O Rock já era um estilo reconhecido e respeitado em boa parte do mundo. Entretanto, as coisas eram feitas mais na raça do que estruturada. Bandas ganhavam dinheiro com seus shows e lançamentos frequentes de seus discos.
          Em 1977 surgiu o Punk Rock, jogando um balde de água fria sobre os grandes nomes do Rock, que ousavam com seus álbuns conceituais e cada vez mais complexos. O novo estilo oferecia músicas mais simples e com letras mais condizentes com a realidade do mundo. Bandas como Black Sabbath e Yes mostraram em suas discografias os efeitos colaterais do surgimento do novo estilo. Porém, nesse cenário surgiu o antidoto contra o ostracismo e o grande salto de qualidade do Heavy Metal, a New Wave of the British Heavy Metal, com bandas como Sansom, Angel Witch, Tygers of Pan Tang, Def Leppard e principalmente, Iron Maiden. O Metal se mostrou mais focado em mostrar atitude, certo virtuosismo técnico e um grande leque de opções de sonoridades. As experiências das bandas precursoras e a cena montada por elas, ajudaram o novo estilo a dar bons frutos. O Metal se tornava uma epidemia que se renovava, cada vez mais selvagem e atraente.
          Fãs de NWOBHM acabaram por criar o Thrash Metal, seu principal nome, Metallica. Ao mesmo tempo surgiram Slayer, Anthrax, Megadeth, Testament, Armored Saint, Kreator, e por aí vai. Músicas rápidas e com riffs elaborados, bumbos dobrados e coletes jeans sobre jaquetas de couro, o Heavy Metal alcansava sua maturidade, cheio de testosterona e radical em alguns sentidos. Os anos 1980 foram bem interessantes, pois os grupos formados na década anterior, mesmo perdendo um pouco de sua superioridade, davam ao mundo álbuns muito bons. É o caso do Black Sabbath com seu Heaven and Hell, com Dio nos vocais, e ao mesmo tempo, Ozzy Osbourne lançava Blizzard of Ozz, um disco ótimo. No final da década de 80, crescia novamente o Rock de arenas com o Whitesnake se consolidando, o surgimento de bandas como Poison, Cinderella e principalmente, Guns N' Roses. Nos EUA, havia a rivalidade entre as bandas de Hair Metal, com laquê no cabelo, batom e maquiagem, contra os jovens magricelos, de cabelos longos, mais agressivos e desleixados. Thrash versus Hard Rock, um antagonismo que se desmanchou quando ambos os estilos se encontraram em baixa. Em determinado momento, bandas como Motley Crue e Metallica apresentavam a mesma sonoridade.
          O Thrash esfriava com o excesso de bandas e a saturação do estilo, mas o Death Metal mostrava sua cara com bandas como Morbid Angel, Deicide, Death, Cannibal Corpse, Carcass e Napalm Death, jogando o Metal para um outro nível de peso e velocidade. Se as bandas de Thrash amenizavam seu som e buscavam o mainstream, o Death Metal conquistava o coração daqueles órfãos de música extrema. Talvez o final dos anos 1980 e início dos anos 90 tenham sido o período mais emblemático do Heavy Metal, praticamente todas as principais bandas já tinham dado o seu melhor, sendo que Guns N' Roses e Metallica eram as maiores bandas do mundo, enchendo estádios e vendendo milhões de álbuns. Mas os anos 1990 mostravam certa crise de criatividade por algumas bandas e sub estilos. O Thrash e o Death Metal flertavam com o Punk, enquanto o Heavy Metal tradicional tentava se aproximar da sonoridade mais pesada e densa. Iron Maiden era um nome soberano e representava a sobrevivência do NWOBHM. Muitas bandas mais tradicionais pararam ou mudaram sua sonoridade tentando sobreviver no cenário.
          O fator Seattle foi definitivo para a terceira década de Heavy Metal. Se o aparecimento do Punk no final dos anos 1970, brecou de certa forma as bandas tradicionais do Rock e lançaram dúvidas sobre o futuro do estilo, Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chais e Soundgarden faziam um revival daquele sentimento. Ao invés de grandes espetáculos em estádios de futebol, virtuosismo técnico e tudo levado ao extremo, o Rock Alternativo esquentava bares intimistas e cheios de frustrações juvenis. Letras obscuras, ambientes desoladores, que remontavam o ambiente onde nascera o Black Sabbath. Para muitos, o cenário grunge poderia ser um hibrido entre os pais do Heavy Metal e o punk do final da década de 1970. Vários músicos daquele estilo confessaram sua aberta influência de Tony Iommi e o Blues, com pitadas de Punk Rock. Se na cabeça de muitas pessoas, o Rock voltava a ser cru, abandonando suas características mais óbvias como solos virtuosos de guitarra e baterias rápidas e pesadas, tudo voltaria rapidamente com a afirmação do Pantera e os embriões do Nu Metal. Mesmo num cenário desolador, ainda dava pra notar que em alguns lugares pequenas cenas borbulhavam. O Death Metal começou a ficar mais polido e evoluiu sua sonoridade ficando mais parecido com o Thrash Metal. Bandas como Death e Carcass chegaram a lembrar em muito o Heavy Tradicional. Entombed e Testament chegaram a apresentar a mesma sonoridade, houve uma fusão de estilos.
          O Metal se reciclou, se fundiu a outros estilos e entre si, Pantera, Sepultura e Faith No More apresentavam uma opção de sobrevivência para o estilo, assim como Living Colour e Red Hot Chilli Peppers, trouxeram muito do Funk e música negra para o Rock. Body Count e Suicidal Tendencies mostravam uma faceta mais ligada a periferia urbana, com skate e Rap se integrando a mistura. As gravadoras já não investiam tanto em bandas de Rock e Metal, o que fez muito gigante do cenário parar por um tempo, ou mesmo buscar novas formas de arte, pois as misturas eram as apostas de mercado. Enquanto bandas como Black Sabbath, Judas Priest, Deep Purple, entre outras, rechearam suas discografias com muitos álbuns, as novas bandas não conseguiam passar de quatro ou cinco lançamentos, isso prejudicava suas ascensões e decepcionava seus fãs. Muitos projetos paralelos e um cenário de confusão marcaram o final da década de 1990 e início dos anos 2000. A MTV que ajudara a trazer muitas bandas para a mídia e mostrar seus trabalhos, contribuiu para que as bandas de Heavy Metal fossem jogadas para um plano intermediário. As também também deixaram de lado estes estilos, dando maior exposição para a musica fácil e popularesca.
          Se o século XXI iniciou com bandas como Slipknot, Korn e Linkin Park ditando as tendências, com afinações baixas e flertando com música eletrônica, isso mostrava que as bandas de Metal Clássico eram coisa do passado. Pessoas cobertas de tatuagens e piercings apareciam nos festivais tradicionais em meio a jaquetas de couro e camisas de flanela. O que parecia ser uma mistura soturna e decadente, foi o surgimento da reciclagem e a idade da razão do Heavy Metal. Ver lado a lado Judas Priest, Motorhead, Ozzy, Rival Sons, Helloween, Ghost, Faith No More, Testament, Metallica, Iron Maiden, entre tantas outras, mostram que o Metal é atemporal e pode ir desde o Rock acústico com características locais até o mais moderno, agressivo e insano, agradando de forma até meio exótica, todo o público que frequenta os shows e acompanha as bandas.
          Os anos 2010 já voltavam a mostrar bandas de Metal lotando casas de shows, dinossauros do Rock voltando a ativa e lançando bons álbuns, a internet foi compreendida e usada a favor das bandas e agrega milhões de jovens para os shows. Mesmo com Black Sabbath, Deep Purple, entre outras, anunciando aposentadoria, muitas bandas surgiram e começam a se consolidar ou serem reconhecidas pelo público. Embora não seja algo muito comum, muitas bandas novas tem alcançado o reconhecimento de fãs mais ortodoxos de cada estilo. Vejo que as coisas se modificaram, se misturaram, houve revivals, idas e voltas de certas bandas, turnês comemorativas, parcerias inusitadas e muito mais. O Metal está onde sempre esteve, na obscuridade, mas chamando muito atenção. Quando o Heavy Metal chegou ao mainstream, foi a época mais pobre, entretanto, está no caminho que sempre trilhou. Ainda ouço os álbuns clássicos com a mesma paixão, mas prefiro sempre ficar atento as bandas novas que aparecem em revistas e sites. Há muita qualidade e criatividade no cenário metálico atual, basta um pouco de atenção e menos preconceito para perceber isso. Recentemente bandas como Metallica, Megadeth, Iron Maiden, Deep Purple, lançaram álbuns de inéditas, assim como Muse, Ghost, entre outros, se consolidam e ficam definitivamente suas presenças na história, gostando os ortodoxos ou não.