quarta-feira, 2 de agosto de 2017

IK Multimedia - Amplitube

          Hoje quero falar de um assunto bem peculiar, mas interessante para os músicos e entusiastas do mundo digital. Em 2013, ao fazer um curso presencial de home estúdio, fui apresentado ao Amplitube e outras ferramentas de produção musical. Na época já conhecia os simuladores do Cubase e de outras DAWs, pois já fazia meus experimentos malucos no computador. Confesso que não cheguei a me empolgar com aquilo que me foi apresentado. Sou mais purista e sempre preferi os amplificadores reais, com um microfone colocado a frente do alto-falante e a gravação sendo feita em fitas analógicas. Mas passei a usar compressores e equalizadores dentro do computador, depois foi os reverbs e delays, quando percebi estava usando tudo digital. Os motivos para isso eram óbvios, não possuía equipamentos físicos que pudessem dar algum retorno melhor. Já estava familiarizado com os simuladores de teclado e não via essa qualidade toda, entretanto, não fui intransigente ao ponto de não avaliar com calma todo o contexto. Se pensar bem, muitos álbuns clássicos foram gravados com timbres horríveis e que se tornaram fundamentais para a qualidade do trabalho.
          No vídeo ao lado, Dave Kerzner, da IK Multimedia, é entrevistado no programa Pensado's Place, onde vão diversos profissionais de renome da produção musical. No vídeo Dave responde perguntas referentes aos produtos de sua empresa e explica qual é a função da mesma no mercado. A entrevista é bem interessante para quem se interessa pelo assunto e compreende inglês. Quando era assinante da revista Sound On Sound, que ainda sou, mas não recebo mais as revistas impressas, pois a mesma só existe em formato digital atualmente, então perdi o interesse, li várias entrevistas de pessoas ligadas ao desenvolvimento de plugins e usuários profissionais dos mesmos em que falavam da praticidade, da evolução dos instrumentos virtuais e como eles estavam se aproximando do resultado apresentado pelos equipamentos reais. Isso me soou desafiador, ao mesmo tempo que resolvia alguns problemas relacionados aos equipamentos que tinha e a acústica da sala. A Ik Multimedia apresenta um conjunto de soluções completas como interfaces, monitores de estúdio, caixas amplificadas, fones, teclados e instrumentos, além de uma vasta linha de plugins e aplicativos. A ideia apresentada de que tudo estava sendo feito para que o músico pudesse simplesmente desenvolver sua criatividade com praticidade e qualidade, foi muito convincente da forma em que foi apresentada por Kerzner e agradou os entrevistadores do programa, dois profissionais de reconhecida qualidade e longa experiência.  
          O que me fez parar para analisar toda a argumentação foi a série de profissionais pondo seu nome em plugins da Waves e empresas do tipo. Tudo bem, por dinheiro se faz tudo, até se prestar a promover uma porcaria. Entretanto, não eram apenas comerciais da Coca Cola, totalmente fantasiosos e falando de outras coisas e não do produto, mostravam em suas produções e ambientes de trabalho como tudo aquilo funciona. A concorrência entre empresas como Native Instruments, Waves, entre outras, fez com que se buscasse o aprimoramento de todas aquelas máquinas virtuais. Empresas como as de amplificadores digitais ganharam espaço no mercado, como é o caso dos populares Kemper. Se as marcas de renome como Marshall e Fender se entregaram a modelagem digital, embora não estejamos falando exatamente de plugins agora, é porque a realidade de mercado aponta para isso. Temos as baterias acústicas sendo remodeladas artificialmente e muitas vezes substituindo os instrumentos de verdade. Temos Groove Agent, EzDrummer, Superior Drummer e que tais, ganhando cada vez mais notoriedade. Essa é a evolução tecnológica ganhando espaço num mundo cheio de clichês e tabus. Como não se convencer ao ouvir um sample de uma das marcas que falei e comparar com o que se consegue gravado numa garagem? É dessas situações que falo aqui. Soluções práticas para problemas reais.
          Mas a evolução sempre buscou superar dificuldades, isso não chega a ser uma novidade. No caso da música, depois que o Pro Tools passou a dominar estúdios do mundo inteiro, por conta da facilidade de edição e manipulação do áudio, da economia com fitas analógicas e toda a grande estrutura necessária para gravar qualquer coisa, o jogo mudou definitivamente e quem não se convenceu dessa mudança teve inúmeras dificuldades de se manter com notoriedade. Hoje, os grandes estúdios existem e são caros como sempre foram, pois ainda há quem trabalhe unica e exclusivamente com eles, mas há uma nova geração que está acostumada com as facilidades do mundo moderno, onde tudo é feito rapidamente dentro do computador. A própria forma de ouvir música mudou radicalmente. Hoje só puristas escutam música em LPs e fitas Cassete, até o cd se tornou algo superado de certa forma. A música está digitalizada em seu formato final, por que não fazer música totalmente digital? Há resistência? Claro, sempre haverá. Mas para quem não tem um grande estúdio a disposição e mora em um apartamento, privar-se de fazer música não é uma opção aceitável. Para estes basta um notebook, uma pequena interface de áudio, um par de fones de ouvido e um instrumento para que tudo aconteça. Aí está o grande fascínio que a modernidade pode ter. Não é glamouroso, mas é prático e está ao alcance da maioria das pessoas.
          No meu caso, hoje não me importo mais em defender um ou outro ponto de vista. Claro que me mantenho informado sobre o que tem a disposição hoje e como os álbuns que eu amo foram feitos no passado. Contudo, acho que lutar contra a realidade é uma prática irracional na maioria das situações práticas do dia-a-dia. Por que se importar se um amplificador é um Mesa /Boogie verdadeiro ou um plugin se o som de guitarra for bom? Após cair na besteira de usar o Amplitube crackeado, comprei um pacote no site da Ik Multimedia do mesmo e um T-Racks, em uma promoção oferecida no mês de aniversário de Tom Jobim em 2015, se não me engano. A praticidade é incomparável e posso tocar sem incomodar ninguém. Entrando no site da empresa, você pode se cadastrar e baixar gratuitamente pacotes básicos, que já dão uma noção da praticidade dos produtos. Não sou patrocinado por marca alguma e não tenho porquê não ser honesto em meus comentários. Acho os produtos interessantes e recomendo que experimentem, afinal, muitos tem computador em casa, compram instrumentos e não tem onde liga-los para fazer um som. Então, a opção de ter um pacote com amplificadores, pedais, afinador, racks e tudo mais, compactado num software que pode gravar trilhas e acompanhamento não é interessante? Eu acredito que os tabus cairão por terra no dia que um profissional ganhe prêmios com um trabalho fantástico totalmente feito com essas ferramentas. Quando isso ocorrer, haverá uma quebra de paradigmas e os grandes estúdios e equipamentos reais passaram a ser considerados exóticos. As empresas mais famosas estão se preparando para isso, basta ver o que existe no mercado virtual com as marcas clássicas estampadas em suas interfaces.
           Para encerrar, acho que fica a dica bem clara aqui. Experimentar o que se tem a disposição, ou o que o orçamento alcança, é uma decisão sábia. Um dia, sintetizadores e baterias eletrônicas dominavam o mundo da música, fazendo com que os grandes nomes da época quebrassem a cabeça para interpretar o que estava acontecendo e conseguissem sobreviver as mudanças. Hoje isso não é diferente. Quem quer sobreviver, aparecer ou revolucionar o mercado de alguma forma, não pode ficar preso a clichês, deve experimentar tudo que tem a disposição com paixão e muita confiança. Se as coisas não mudarem completamente, mesmo assim haverá grande contribuição artística e tecnológica para a música. Ainda sou apaixonado por válvulas e fitas, mas tenho que reconhecer que os transistores e as DAWs mudaram o jogo de certa forma pra melhorar e o mesmo está acontecendo com o mundo digital. Já escrevi sobre isso em outras oportunidades aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Clicando dos links é possível ter uma noção muito abrangente do que estou falando e os textos podem ser usados como base para argumentações contrárias ou a favor. Confiram.
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