terça-feira, 26 de setembro de 2017

A perigosa ascensão da "extrema direita"

          No último domingo houve eleições na Alemanha. Angela Merkel permanece como primeira ministra de uma das maiores economias do mundo. Contudo, o assunto mais comentado foi os 12,9% de votos que elegeram quase 90 parlamentares do partido "Alternativa para a Alemanha". Este fundado em 2013 tendo como bandeiras, entre outras coisas, um maior controle de fronteiras e imigração e contra o euro, moeda comum da comunidade européia. Mais do que depressa, veículos de comunicação do mundo todo repercutiram o resultado do pleito alemão como uma ameaça da "extrema direita". Isso é comum, afinal, moderados são apenas os partidos identificados como sendo de esquerda como ocorre na Coréia do Norte, Venezuela, Bolívia, China, Cuba, entre outros. As manchetes dos jornais mundo a fora chegam a ser caricatas, mesmo assim são levadas a sério por parte das populações de diversos países. É demais pedir que uma pessoa informada apenas por manchetes de jornais famosos leia as matérias completas, quanto mais achar que alguém vai procurar informações fidedignas e confrontar com a verdade. Em se tratando de politica, o normal é se socorrer com os gurus ideológicos do que ficar na total alienação, como se ambos não significassem a mesma coisa.
          Marine Le Pen na França há alguns meses, Donald Trump nos Estados Unidos e agora esse resultado na Alemanha, demonstram um elo em comum. Não a ascensão de uma direita raivosa ressurgindo como uma reencarnação do nazismo e fascismo, mas sim, um temor frente aos atentados mais recentes na Europa e o testes nucleares dos norte-coreanos na Ásia. É comum tudo ser tratado como uma grande onda de desinformação das pessoas e até desespero coletivo ao apelarem para alternativas com discursos mais ortodoxos, mas a violência é real e precisa ser temida. Não falo da pretensa extrema direita, me refiro ao discurso politicamente correto e cheio de mimimi que só tem piorado o mundo. Claro que a imprensa mundial, em sua maioria, relativiza a ação do "Estado Islâmico" e ataca com ferocidade qualquer iniciativa que represente alguma ameaça a hegemonia cultural e jornalistica de quem prega o citado politicamente correto. Vamos cuidar das árvores, assinar acordos milionários para purificar o ar, blá, blá, blá. Uma nova "Cortina de ferro", possibilitada graças ao crescimento econômico chinês e sua aproximação com a Russia não tem importância, afinal, o fato de Mao Tsé Tung e Stalin terem matado cinco vezes mais pessoas do que Hitler e Mussolini juntos são apenas números. Não é absurdo falar da volta do nazismo e do fascismo, mas é loucura citar o socialismo/comunismo que matou tantas pessoas menos de um século atrás. Já virou tradição moderna condenar "quem faz" não "o quê faz"
          Por mais que a história mostre diversas nuances especificas de cada sequência de fatos, a incapacidade de argumentação e a falta de vontade de se desenvolver um debate sério, fazem com que estes grupos se dediquem mais a criar narrativas para confundir as pessoas do que trazer a público alternativas viáveis para a resolução dos problemas de cada país. Nesse ínterim, na América do Sul, vendo que Nicolás Maduro não pode mais ser defendido por conta das consequências de seus atos, já se detecta um movimento para descrevê-lo como sendo de extrema direita e que mudou seu modo de agir. Qualquer relação entre Maduro, os irmãos Castro, Hitler, Stalin, Polpot, Kim Jong-un é mera coincidência, neste caso entram as nuances, que só existem e são dignas de análise quando convém. Essas pessoas não podem ser consideradas criminosas, só quando pudermos rotulá-los como sendo de direita, aí se tornam monstros. Os que citei são todos ditadores que usam ou usaram o Estado para aumentar seu poder e oprimir seu povo. Nenhum destes homens é inocente, pois são incontáveis os cadáveres que deixaram pelo caminho. O mais triste é saber que os mais defendidos vitimizaram seu próprio povo.
          Fazendo um Mea Culpa, quando falo em direita e esquerda, parece que estou nivelando e generalizando os termos para simplificar a análise. Porém, quando menciono estes termos, levo em conta as nuances de cada caso. Por exemplo: a Coréia do Norte tem um líder totalitário personificando o Estado que controla tudo, é um tipo de esquerda. Da mesma forma em Cuba, que é diferente da Venezuela e Bolívia, que não assumem um caráter totalitário, forjando uma democracia para simular um regime mais ameno. Em alguns lugares, como os Estados Unidos, a Direita são os conservadores e a esquerda os liberais, pois os segundos não se sentem a vontade para se auto denominar socialistas, resquícios da guerra fria que os limitam. O nacional socialismo de Hitler é visto como sendo de direita, mesmo que tenha se originado no trabalhismo alemão, o mesmo ocorrendo com o fascismo italiano. No Brasil, o trabalhismo de Getúlio Vargas e Brizola é visto como sendo de esquerda, embora o primeiro seja considerado de direita pela sua documentada afinidade com o Eixo na Segunda Guerra. São alguns exemplos para ilustrar essas pechas. É preciso descriminalizar e defender tiranos caso sejam identificados como sendo de igual linha ideológica. Já vi pessoas alegando temer Bolsonaro por conta da farda usada por Maduro, mas apoiar uma candidatura de Lula que abertamente apoia o ditador venezuelano. Esse tipo de inconsistência intelectual é comum em um país que tira as últimas colocações em educação no mundo. Um país em que o QI médio da população tem diminuído nos últimos cinquenta anos.
          Quando se assiste um ex-diretor de pornochanchada como Arnaldo Jabor, afirmar que a vitória de Trump nas eleições americanas significa o fim do mundo, se percebe a profundidade da análise política. Essa mentalidade fez com que os extremistas islâmicos, esses sim, extremistas, pululassem o ocidente com atentados terroristas numa guerra assimétrica. Não é a toa que muitos artistas e jornalistas americanos defendessem o islã e ainda se declarassem como seguidores da religião em um passado não muito distante. Em suma, essas celebridades "excêntricas" abriram as portas para que isso acontecesse. Porém, a barbárie, para esse grupo, é tentar impedir politicamente entrada no país pessoas originárias de nações que ameaçaram abertamente o mesmo. Demonstrar preocupação com a segurança das fronteiras é um crime hediondo. No Brasil, este descaso tem feito quase setenta mil homicídios por ano, mas não se pode criticar a criminalidade, pois temos jornalistas alertando chefes do tráfico sobre ações do exército nas favelas. Estes traficantes recebendo armas militares de fora do país financiadas pelo tráfico de drogas, que os governos insistem em ignorar, para lutar com Policiais armados com 38 e equipamentos defasados. Se estes últimos matam criminosos armados em uma ação, são demonizados e alvo de duras críticas da imprensa e dos defensores dos direitos humanos.
          Viram como existem diversas nuances que podem levar a viagens no tempo e passar por diversos países? Então, as coisas não se resumem a textos decorados e ideologias pré-definidas. São as nuances que guardam todo o verdeiro objetivo de cada ideologia. E para que os reais objetivos permaneçam camuflados, cria-se diversos artifícios para confundir e manipular os incautos ou idealistas. Na maioria das vezes, o mais fervorosos e revolucionários idealistas são os mais ingênuos e manipuláveis seres. Essas não são palavras minhas, mas prefiro não citar o autor, ele é um herói para muitos revolucionários e não quero confrontá-los com isso. O fato é que há uma grande reação passional sempre que a ideia hegemônica esquerdista é ferida por algum fato político. Confesso que é divertido ler e ouvir as argumentações catastróficas em torno destes fatos e toda evocação de tudo que é mais nefasto e maléfico no mundo. Contudo, fico muito desapontado em saber que a esquerda da escola de Frankfurt, do socialismo fabiano e de muitos pensadores que enriqueceram o debate, hoje não passe de debiloides cuspindo bravatas e tendo que compensar sua debilidade intelectual com reações físicas inseridos em movimentos caricatos e destrutivos. Debater com quem vê nas eleições alemãs uma ameaça de extrema direita é mera perda de tempo.
          Para encerrar, pouco soma os recentes fatos ditos como sendo uma perigosa ascensão da extrema direita, pois é normal a alternância do poder na América, as variações politicas em países democráticos e desenvolvidos da Europa e o cenário meramente definido da Ásia atualmente. O que é notório, são as reações histéricas de alguns setores. Ainda não sei se são frutos do medo característico dos covardes ou uma jogada pirotécnica para maquiar suas ações de praxe e direcionar o foco para uma ameaça teórica quase estéril em termos numéricos. Eu considero importantíssimo uma alternância de ideias no poder para que haja riqueza nos debates, por mais anti-democrático que isso soe aos intelectuais contemporâneos, principalmente no Brasil. Uma simples polarização ou esse pequeno espectro pendendo só para a esquerda dos últimos anos não leva ninguém a lugar algum e empobrece uma nação em todos os aspectos. Apenas os preguiçosos ficam satisfeitos com a hegemonia e a apatia. O resultado mais palpável é o nível intelectual do brasileiro após vinte anos de hegemonia das ideias esquerdistas. 
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