sábado, 9 de setembro de 2017

Joesley, Geddel e Palocci na semana da independência

          Se formos pesquisar nos livros de história, os sérios é claro, veremos que uma das preocupações dos nossos dois monarcas era em preservar a saúde financeira do país. Para cuidar das finanças eram escolhidas pessoas teoricamente capazes e tinham o acompanhamento de perto, tanto de D.Pedro I quanto de D.Pedro II. Por que cito nossos monarcas neste texto? Por conta da semana em que celebramos a independência do Brasil em relação ao reino português, pois o Brasil foi uma monarquia em seus primórdio como nação independente. Porém, faço um link com o noticiário político dessa semana para trazer ao leitor o nível de podridão e degradação moral em que estamos metidos. Atentemos para o fato de nossa história ser esquartejada e totalmente deturpada, onde homens honestos e notáveis de nosso passado caíram no esquecimento para dar lugar a "salvadores da pátria". Homens como nossos dois monarcas, falhos e limitados como qualquer ser humano, são alvo de deboche de professores incompetentes e mal intencionados, que defendem ditadores e "verdades" alternativas, multiplicando os ensinamentos de Paulo Freire, um dos pilares dessa narrativa deturpada e imbecilizante que temos hoje. Não é difícil encontrar nomes notáveis na nossa história, basta uma pesquisa séria para desvendar um Brasil cheio de virtudes e esquecido criminosamente para promover esse Brasil do futuro que nunca chega. Na postagem anterior, clique aqui pra ler, eu falava um pouco de alguns homens que trabalharam para que o Brasil se tornasse uma nação independente. Essa semana resume um pouco o que os "messias" e seus discípulos fizeram com o Brasil nos últimos anos.
           Vamos começar pelo fato mais comentado da semana, os 51 milhões encontrados em um apartamento de um suposto amigo de Geddel Vieira Lima. Este ser desprezível estava sob prisão domiciliar sem tornozeleira eletrônica após ser preso em junho pela Polícia Federal. Quando obteve o tal benefício após alguns dias preso, chorou e disse pensar em seu pai. Curiosamente, teria falado ao seu amigo, suposto dono do apartamento, que precisaria de um lugar para guardar pertences de seu falecido pai. Seu choro possivelmente era de alegria, afinal, estava fora da cadeia e tinha 51 milhões esperando por ele. Ao apurar a denúncia, a polícia verificou as impressões digitais de Geddel e de seu assistente e amigo Gustavo Ferraz. Ambos terão que explicar todo o contexto, enquanto a polícia faz o caminho inverso para saber a origem do dinheiro. Como todo criminosos, estes não costumam guardar dinheiro em bancos para não levantar suspeitas, muito menos comprar imóveis em seus nomes.
          Geddel Vieira Lima é um daqueles tradicionais políticos do PMDB, corruptos e sempre orbitando em volta do poder. Desde o escândalo do "Anões do orçamento", em 1993, o nome de Geddel aparece como envolvido. Também foi citado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) ao conseguir verbas para prevenção de catástrofes quando era Ministro da Integração Nacional no segundo mandato de Lula, cargo que ocupou de 2007 a 2010. Se afastou do governo em março de 2010 para disputar as eleições para governador da Bahia onde ficou em terceiro lugar. Não teve o apoio de Lula que tinha Jaques Wagner do PT como seu candidato. Mas com a eleição de Dilma Roussef em 2010, Geddel voltou ao governo como vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal. Este permaneceu no cargo de 2011 até 2013. Se candidatou ao Senado em 2014, mas perdeu para Otto Alencar. Para finalizar sua participação política, foi escolhido por Michel Temer para integrar o governo em 2016 como Ministro-Chefe da Secretaria de Governo. Em novembro de 2016 foi citado pelo então Ministro da Cultura Marcelo Calero, que alegou pressão de Geddel, Temer e outros membros do governo sobre uma questão imobiliária envolvendo uma decisão do IPHAN. Resumindo, Geddel Vieira Lima é um político corrupto, simbolo do Estamento Burocrático, estando envolvido em todos os governos para poder articular em favor da corrupção que sustenta este sistema.
          Antonio Palocci é um homem que teve grande ascensão política principalmente na região do ABC Paulista. Foi vereador, deputado, prefeito, mas nunca concluía um mandato, sempre se candidatou a outros cargos em meio a mandatos. Foi acusado de enriquecimento ilícito e sempre levou uma vida que não condizia com a situação financeira do país. Mesmo com parte da oposição vendo Palocci como uma figura suspeita por conta de suas posições como deputado, recebeu inúmeros prêmios por seu desempenho nos cargos públicos. Assumiu a frente da campanha de Lula a presidência em 2002 em substituição a Celso Daniel, assassinado meses antes. Fez parte do grupo de transição e se tornou Ministro da Fazenda. Há de se levar em consideração que o esquema de poder do PT e aliados foi posto em prática no ABC paulista, em um primeiro momento. A morte de Celso Daniel, prefeito de Santo André, pode ter sido o grande indício de que um esquema de poder muito poderoso estava em prática, porém, o caso foi distorcido e abafado rapidamente. Naquele momento poderia se ter evitado muitos problemas, contudo, não se deu a devida atenção para o caso. Há livros, matérias e documentação que buscam ilustrar o ocorrido e tentar apresentar um desfecho definitivo para o ocorrido, entretanto, com a morte de todos os envolvidos, aumentou-se o mistério sobre os reais motivos do assassinato e a certeza de alguns que envolveria o plano de poder do partido e suas operações.
          Palocci foi acusado ao Supremo Tribunal Federal pela PGR por quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, mas foi absolvido na ocasião. Mesmo com as denúncias, Palocci chegou a ser ventilado como candidato a presidência em lugar de Dilma Roussef. Estava sob os holofotes da oposição como do governo, sendo homem poderoso e influente na política nacional. Foi líder na transição do governo Lula para Dilma em 2011 e assumiu como Ministro Chefe da Casa Civil. Porém, em 2015 a Polícia Civil abriu inquérito para investiga-lo sobre o possível recebimento de 2 milhões para a campanha de Dilma. A delação de Delcídio do Amaral, o depoimento de Mônica Moura e outras pessoas investigadas e presas, colocaram o ex-ministro em situação delicada, vindo a ser preso em setembro de 2016.
          Pois Antônio Palocci decide entregar o jogo e seu depoimento foi de encontro ao que Emílio Odebrecht e outros interrogados já haviam falado. Clique aqui e veja o texto que escrevi na semana da Páscoa a respeito. Palocci não pode ser acusado e desacreditado pelos investigados como os ex-presidentes Lula e Dilma, pois foi um nome atuante e importantíssimo para seus governos. Por esse motivo, ambos alegam que o mesmo, estando preso e pressionado, trabalha para livrar a própria cara e estaria disposto a falar o que for imposto a ele em troca de benefícios. Acima se pode conferir o depoimento ao juiz Sérgio Moro na íntegra. Mesmo com inúmeras negativas de envolvidos, Palocci pode apresentar documentos e indicar caminhos muito férteis na direção de se descobrir mais e mais informações sobre as operações criminosas envolvendo os governos de que fez parte. Isso tudo é uma questão de tempo, infelizmente não se tem tanto tempo disponível para que o cidadão comum analise todos os depoimentos, compare, raciocine e chegue a uma conclusão, tendo que confiar em resumos de fontes alternativas, essas por sua vez tendem a ser manipuladas, mas já ficou claro de que todo o esquema revelado é imenso e verdadeiro.
          Para dar seguimento a este texto, temos o empresário Joesley batista mais uma vez nos noticiários, criminais, é claro. Dessa vez pondo sob suspeita o procurador Rodrigo Janot. Em final de mandato o mesmo tem que se desvencilhar de um rolo em que o próprio se meteu. Seu assessor e amigo, o ex-procurador Marcelo Miller, seria o nome por trás de facilidades em negociações da JBS, que envolveria ministros do Supremo e o ex-Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Muitos analistas sugerem que, a pedido de Janot, Joesley teria saído desesperado por provas que pudessem favorecê-lo. Assim, o mesmo entregou uma gravação entre ele e o presidente Temer, tendo se beneficiado do ato para cometer crime fiscal. Rodrigo Janot, ligado ao PT, teria motivado o empresário a comprometer peixes grandes e atualmente inimigos do PT como o próprio Temer e o Senador tucano Aécio Neves. Como toda a repercussão trouxe apenas favorecimento momentâneo, mas foram contornadas politicamente, Joesley teria investido em outros alvos. O fato é que, mesmo que haja muita manobra política, as provas existem e todos devem ser investigados, pois os envolvidos estão seriamente comprometidos com diversos esquemas fraudulentos. Janot pediu ao STF a prisão de Joesley, Saud e Miller e os próximos desdobramentos podem trazer mais surpresas.
          A semana foi recheada de informações e revelações, que pra muitos não são novidade, mas que puseram ainda mais gasolina na fogueira política do país. Que queimem todos estes corruptos independente de pertencerem aos partidos A ou B, empresários milionários ou idiotas úteis, que paguem por seus crimes, doa a quem doer. O caso é que tudo isso está muito longe de acabar e a operação Lava jato corre constantes e sérios riscos, porém, segue firme e elucidativa. A reação de certas pessoas pode ser vista e ilustrada pelas palavras do líder do MST, João Pedro Stédile, atacando Moro e chamando-o de merdinha e bundão. Isso se dá por conta da certeza de impunidade e do nível de poder que essa bandidagem chegou neste país. Esse vagabundo, assim como Marianna Dias da UNE, Guilherme Boulos do MTST e Vagner Freitas da CUT, escrevi sobre eles neste espaço muitas vezes e a cada dia me dão mais razão para considerar tudo uma coisa só, criminosos, psicopatas obcecados por dinheiro e poder, sem nenhum escrúpulo em enganar as pessoas para atingirem seus objetivos nefastos.
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