sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado?

          Acabei de ler o livro escrito por Bruno Garschagen "Pare de acreditar no Governo, por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado" lançado a poucos anos pela editora Record. É uma leitura rápida, talvez possível de ser feita durante uma viagem nas intermináveis esperas em aeroportos, mas fala de um tema de certa forma profundo e nunca abordado de forma tão direta. Nos livros que li e palestras que assisti, esse tema sempre foi um apêndice ou simples elemento de alguma tese, porém, nunca o centro direto da discussão. O que me motivou a ler o livro foi o contato recente que tive com o trabalho do escritor em seus podcasts no Mises Brasil e seus vídeos no Youtube onde se pode ver algumas palestras e entrevistas muito interessantes. Concordo com algumas ideias liberais, algumas delas se justificam no livro, outras eu sou completamente contra, essas não estão no livro, mas Bruno Garschagen se autointitula conservador, assim sendo, economicamente tende a seguir certos aspectos liberais. Um conservador é um cético por excelência, então é comum não acreditar em governos e salvadores da pátria. Entretanto, o Brasil sofreu uma lavagem cerebral que expeliu pelo ralo da latrina mental muitos aspectos do pensamento conservador muito importantes para o debate público. Contudo, mesmo com uma longa história de dependência estatal, nunca se dependeu tanto do governo.
          Pelo que conheço de Bruno Garschagen, esperava bem mais dessa obra, intelectualmente falando, pois o texto me pareceu brando e de certa forma caricato em alguns momentos. Mesmo assim, acho que ela, a obra, tem sua importância no mercado, já que se tornou um best seller, devidamente comprovada pela ausência deste tipo de trabalho num passado recente. Este livro vem somar á uma leva crescente de escritores que fogem em estilo da literatura das últimas décadas. O que me causou certo descontentamento, ou sentimento de que poderia dar mais sobre o assunto, esteja na proposta da obra ser leve e para uma leitura também divertida, além de tratar de um tema muito sério. Talvez uma introdução agradável ao tema.  O autor tentou alicerçar a narrativa em cima da trajetória dos governantes e pontuou algumas falhas e demonstrações que justificam o título do livro, isso me deixou um pouco desconfortável, pois não atacou os efeitos de algumas ações, expondo as consequências de tais medidas intervencionistas com o passar do tempo, o que tornaria o livro mais sério e controverso. Também pude perceber certo tom acadêmico e apressado, como se fosse a versão editada de alguma outra coisa. Pode-se afirmar que esse sentimento deriva das citações biográficas com aspectos selecionados, entretanto eu achei que vai além disso. O não aprofundamento pode ter dado a leveza do livro, mas tirou sua profundidade, não dando ao leitor aquelas pedradas prontas para serem usadas.
          Bruno Garschagen é uma pessoa bem humorada, polida e demonstra uma bagagem intelectual aceitável, embora muito acima do que se observa atualmente, isso refletiu em sua obra, pode vir daí minhas ressalvas descritas no parágrafo anterior. Sendo um acadêmico, com ideias liberais, postura leve e sorriso fácil, a contundência de seus objetivos com a obra tenham sido abrandados. Notei equívocos de períodos históricos, de interpretação filosófica e ideológica em alguns pontos, mas não vale aqui citar. Em contrapartida, mesmo com as possíveis falhas, o livro trás uma narrativa com base em documentos e colocações honestas. Por esse motivo, pode ser parte relevante de uma pesquisa para quem deseja se aprofundar no tema. Talvez Bruno tenha tido receio em usar linguagens mais técnicas, o que dificultaria a leitura para grande maioria dos brasileiros. Falo com certa aspereza porque este tema é objeto de um livro que ainda quero escrever, porém, ainda sou jovem e imaturo para dar um formato definitivo para um produto tão necessário e mais do que tardio.
          Já falei diversas vezes sobre os serviços públicos e a atuação dos governos. É claro que dar cinco meses de trabalho em tributos e receber como retorno serviços como os oferecidos pelo SUS, ver escolas em greve, professores militantes e sem conteúdo, ruas e avenidas esburacadas, mais de sessenta mil homicídios por ano, grandes empresas sendo motores de ação de políticos em troca de crescimento instantâneo e benefícios, tudo isso é revoltante. Porém, ao invés de ir contra o governo definitivamente, a população em geral vai contra determinados políticos e assimilam o discurso de outros, com a ideia completamente descabida que o problema é o gestor e não o tipo de gestão. Isso causa a dependência do estado nas áreas fundamentais da sociedade como saúde, segurança, infraestrutura e educação. É tão notório onde está o problema que as pessoas preferem ignorar para não assinarem o diploma de idiotas. Assim sendo, é mais confortável terceirizar a solução dos problemas comuns nas mãos de bandidos e incompetentes do que tomar as rédeas da própria vida. Quando vejo "artistas" acusarem o Ministro da Cultura de ceder as vontades de religiosos quando o mesmo apenas incluí no texto da Lei Rouanet o que reza a constituição como ocorreu essa semana, é uma demonstração de que mesmo artistas consagrados e ricos temem o afastamento da intermediação do governo em seu favor. depois do ocorrido no MAM em São Paulo e no Santander Cultural em Porto Alegre, escrevi a respeito aqui e aqui e especificamente sobre a Lei Rouanet aqui, é de se admirar que tal lei não fosse revogada para investigação. Mesmo assim há muita coragem em se manifestar em favor dela e ir contra a vontade da população, que são os verdadeiros clientes destes artistas.
          Esperar que políticos resolvam os problemas da população utilizando o poder do Estado é algo historicamente idiota. Os políticos são a referência para eles próprios, ou melhor, base de comparação, portanto, questionar atuações de determinados governantes é algo inócuo, pois só são confrontados com atuações de outros políticos. Isso deixa o debate e o nível de exigência muito rasteiro. Quem governa normalmente se descola da realidade e perde a referência de quanto R$ 1.000.000,00 de Reais vale. Mas políticos vem e vão, sempre pelo mesmo motivo, utilizar o poder da máquina estatal em benefício próprio ou de sua pequena coletividade de abutres gananciosos. Imagine você comandar o que as crianças aprendem, quanto uma mercadoria vai custar, o que pode e o que não pode, o que vai ser notícia, que empresa ganhará um contrato milionário, quantos policiais terá nas ruas, o que as forças armadas vão fazer, quem pode e quem não pode ter benefícios, ou seja, poder ilimitado. tanto que nessa mesma semana, o deputado Áureo do Solidariedade-RJ escreveu uma emenda na lei sobre a reforma política que dava poderes á qualquer político ou partido, que se sentisse ofendido ou em desacordo com alguma postagem, notícia ou comentário na internet, para solicitar ao provedor a retirada em até 24 horas do conteúdo sem autorização judicial, o que fere diretamente o artigo 220 da Constituição. O próprio deputado desconversou e pediu publicamente para que o presidente vetasse, mesmo assim o veto pode ser cassado pela câmara. Imagine em ano eleitoral não poder criticar um candidato nas redes sociais? Um absurdo que só é possível graças ao poder nas mãos destes safados.
          Por mais que se ressalte programas como bolsa família, o custo disso é muito alto para o impacto que tem na vida das pessoas. Digo isso porque a pessoa que inventou isso se tornou um dos homens mais poderosos e influentes da América, seus filhos ficaram milionários, as empresas que ajudou cresceram exponencialmente, mas a população assistida segue vivendo de esmolas concedidas como benefícios públicos. Esse tipo de coisa seduz e o estado usa todo o seu poder para garantir, que mesmo que um político seja execrado, este poder sempre fique na mão da classe política. Isso faz com que as pessoas não pensem em outras formas de ação, ficando eternamente esperando que o poder político resolva seus problemas mais urgentes. O triste é que essas pessoas não entendem que isso nunca vai acontecer da forma que elas imaginam. Sempre haverá um interesse escuso por trás das ações dessas pessoas nas quais depositam sua confiança. Nem todos que entram na política tem mal caráter, mas o poder corrompe. Assim como o medo atômico, tal poder não poderia existir, mas existe e é usado sem decoro. Sinceramente, o Brasil tem que deixar de ser o país dos coitadinhos e dar um basta nessa palhaçada. Chega de choradeira! Que as pessoas tenham vergonha de apoiar e defender corruptos em troca de esmolas e se empenhem em prosperar honestamente com as próprias pernas.  

Postar um comentário