terça-feira, 10 de outubro de 2017

Reações às reações #GloboLixo

          Quem observou a matéria em destaque do Fantástico na Rede Globo no último domingo, 08/10, deve ter percebido que há uma tentativa muito forte de tratar os últimos acontecimentos, mais precisamente os eventos que já saturei a conta de falar aqui e aqui, Le Betty e Queermuseu, onde a manifestação popular contra o nível do que foi apresentado nas exposições teve proporções muito grandes, como sendo um caso absurdo de censura a arte. Claro que muitos acham que foi algo orquestrado por algum movimento oportunista de direita, já que muitas personalidades se manifestaram, eu coloquei algumas pessoas falando aqui no blog, mas não foi por conta de movimentos ou grupos políticos específicos que a população reagiu, foi um caso de combustão espontânea mesmo. O fato é que censura em si é uma coisa muito mais branda do que realmente as pessoas reagindo como aconteceu. Quando se censura algo, não se pune alguém criminalmente, apenas se impede que essa pessoa ou grupo faça determinada coisa por determinado tempo ou altere parte do conteúdo de uma matéria de jornal, por exemplo. Nos casos em questão, as pessoas denunciaram que foram cometidos crimes. Dois certamente: Expor menor a nudez, o que fere o estatuto da criança e do adolescente e injuria religiosa, ou difamação ao culto, não recordo o termo certo. O resto é mal gosto entre outras coisas que já falei aqui.
          Mas no caso não houve censura. O que houve foi um boicote e uma manifestação questionando o contexto impróprio e até criminal do conteúdo tido como artístico e ao público que foi exposto. Até onde eu sei, a população não tem o poder de censurar nada, o que fica evidente é que se a mesma se manifesta de forma contrária as vontades de certos grupos, é acusada de censura, radicalismo, até de massa de manobra por parte de terceiros. O mais interessante é que nos programas que contestaram, principalmente a apresentação no MAM, colocaram tarjas sobre as partes intimas do coreógrafo. Por que será? Será porque é crime expor ao público infantil a nudez? Como algo pode valer de uma forma e não valer de outra já que se trata exatamente do mesmo assunto? Assim como muitas das obras criticadas na exposição do Santander não puderam ser reproduzidas em tv aberta. Claro que a simples indicação de faixa etária resolveria na maioria dos casos, mas a intenção era expor as crianças. Talvez um teste para medir a tolerância das pessoas quanto a determinados temas e a flexibilização da lei, já que vemos tantos malabarismos jurídicos em prol de criminosos diariamente.
          No caso da Dona Regina, que contestou docemente a posição dos atores globais e foi fulminada com olhares de nojo por eles, como pode ser visto ao lado, ficou bem clara a opinião majoritária do público em geral com as reações nas redes sociais. Houve até alegações que uma das crianças que estavam interagindo com um homem nu estava com a mãe. Se for este o caso, quando alguns pais desmiolados colocam suas filhas adolescentes ou crianças para se prostituirem também não há problemas, afinal os pais consentiram? Quanta hipocrisia! Isso ocorreu no famigerado "Encontro com Fátima Bernardes", por esse motivo o fantástico fez uma matéria para criticar a critica popular e tentar controlar a situação, desviando o foco para outras opiniões e situações, como se a máxima de que uma mentira sendo repetida diversas vezes se torna verdade pudesse se materializar no imaginário popular neste caso. Esse é o verdadeiro motivo pelo qual tenho me prendido nesse assunto e insistido em falar neste espaço, para que não caia no esquecimento e nem seja revertido na opinião das pessoas como estão querendo fazer. As pessoas não podem parar de cobrar providências. O resultado foi uma avaliação do Ministro da Cultura e a revisão de certos pontos da Lei Rouanet, inserindo parte da Constituição ao texto da lei, além de uma consulta popular feita junto a população pelo site do Senado, questionando se a população apoia a revogação da Lei Rouanet.
          Pudemos ver a reação da reação, por assim dizer. Caetano Veloso, Fernanda Montenegro, entre outros "artistas", se revoltaram alegando lutar contra a censura, mas na verdade a gritaria é contra a Lei Rouanet estar em evidência. Isso porque, desde que Gilberto Gil assumiu o Ministério da Cultura no governo Lula, os recursos oriundos desta lei passaram a se intensificar para os artistas do Fora do Eixo, da produtora da mulher de Caetano, Paula Lavigne, entre artistas consagrados como Chico Buarque e por aí afora. Sendo assim, houve um controle ainda mais restrito da tal "máfia do dendê" sobre os investimentos e o direcionamento cultural no Brasil. Mostrei no final de 2016 artistas apoiando uma campanha do Lula para arrecadar dinheiro para financiar iniciativas de marketing contra a Lava jato, assista o vídeo ao lado. O próprio ator José de Abreu, após negar veementemente que nunca utilizou Lei Rouanet, teve sua prestação de contas rejeitadas esta semana. Segundo consta, haveria fraude nas notas apresentadas pela equipe do ator ao fazer a prestação de contas de um espetáculo financiado pela lei Rouanet. Fraude de recibos envolvendo um petista? Onde vi isso recentemente? O ator ha pouco mais de um ano cuspiu no rosto de um casal por diferenças partidárias. Orgulhoso, postou nas redes sociais, "cuspi na cara dos coxinhas". Também xingou um jornalista da Veja, quando o mesmo noticiou que José de Abreu teria usado de recursos da bendita lei para uma peça. "Jamais usei Lei Rouanet, seu merda!", twittou o ator.
          Em se tratando de atores da globo, temos o Fábio Assunção se filiando ao PT e fazendo vídeos contestando coisas e defendendo bandidos, após ser detido em Pernambuco por desacato a autoridade, ofendendo policiais completamente bêbado há pouco tempo atrás. Posso citar o cantor Agnaldo Timóteo, vereador envolvido com jogo do bicho, se declarando soldado do Lula e tudo o mais, para ilustrar o que há por trás da classe artística, grana e poder. Ao se aliar a determinado grupo político e ajudá-lo a se consolidar no poder, grupos de artistas começam a tirar proveito dos recursos financeiros e do poder de empresas de mídia, sindicatos, ONGs e onde mais puderem atuar. Lembram do Tony Ramos fazendo os comerciais da Friboi? Parece que fugi do assunto do Fantástico e das exposições? Nada disso, tudo faz parte do mesmo plano e o mesmo grupo de pessoas está por trás. Não notaram as dimensões que o nome de Luciano Huck tem ganho no cenário politico atualmente? Isso são apenas as peças se movimentando pra tudo ficar como está. Pois estes grupos não conseguiram tirar doa ar da própria Rede Globo os programas infantis com desenhos animados porque proibiram os comerciais de brinquedos? No lugar colocaram programas que basicamente anunciam Perdigão, Sadia, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Correios, Petrobrás e afins. O nome disso é controle, então, qualquer pessoa que reaja a isso está praticando atos de censura, de desrespeito a arte e baboseiras desse tipo.
          Encerro dizendo que, mesmo a Veja que é taxada como sendo de direita, fez uma capa muito interessante falando de Jair Bolsonaro e a possível ameaça que ele representa. Particularmente não tenho grande admiração por Jair Bolsonaro e sei que sua imagem está mais ligada a caricaturas feitas tanto pelos que o defendem como por aqueles  que o atacam. Claro que com os últimos acontecimentos o nome do deputado se fortalece, afinal, ele não é sitado em investigações de corrupção, é atacado por figuras mais nefastas que ele, defende coisas como a possibilidade de um cidadão comum portar armas, de fortalecimento da polícia e do exército, se identifica com os religiosos e com quem quer a volta dos militares ao poder. O caso que a capa da revista Veja, mesmo que seu conteúdo possa dissolver essa impressão, o que duvido, por si só já demonstra uma tentativa de mudar o foco e criar um novo monstro. São as reações á reações e isso é notório e até cômico. Vejo determinado grupo atordoado e parindo bizarrices por conta da sua própria insegurança, como não encontra uma oposição sólida, apenas tem suas entranhas expostas de forma grotesca ao público em geral, a palhaçada toda cria proporções nojentas como o jornal inglês sugeriu esta semana.  
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