domingo, 9 de dezembro de 2018

Voltando com o blog em 2019


          Olá, pessoal! Na minha última postagem, há quase um ano atrás, eu me despedia deste espaço para me dedicar a outras atividades. Pois bem, como falei naquele texto, estou voltado a utilizar este blog que criei em 2011. Os motivos são simples: decepção com as outras mídias - especificamente o TopBuzz - que ofereciam possibilidades bem mais atraentes, porém, fazendo com que o tempo dedicado em pesquisas e escrevendo não valesse a pena, pois piadas e vídeos sensacionalistas rendem mais exposição e engajamento que biografias de bandas importantes ou notícias relevantes. Por mais que o objetivo não seja likes, compartilhamentos ou visualizações, postar conteúdo num espaço que não vai exibi-lo não tem nada de produtivo. Aqui, por mais que tivesse muitas oscilações, construí um público fiel e que contribui para meu desenvolvimento, e isso é o que realmente importa.
          Agora, após o turbulento período eleitoral, no qual me mantive a margem o máximo possível, mas mesmo assim interagindo, posso voltar a escrever neste espaço e continuar divulgando minhas ideias e expondo um pouco do que penso sobre música, filosofia, literatura, política e história, que são minhas paixões. Notei, neste tempo em que interagi com as pessoas, que a maioria delas é capaz de conversar tranquilamente sobre qualquer assunto, mesmo que possuam posicionamentos muito diferentes dos meus, pois a tal polarização é fomentada por uma minoria, mas que fatalmente se multiplica por todos os lados. Isso pra mim foi definitivo, afinal, evoluímos muito mais ao conversar com quem discorda de nossas ideias do que ficar debatendo nuances de pensamos iguais em grupos fechados.  Acredito que fazer isso, se fechar em grupos com pensamentos idênticos, acaba por limitar o pensamento e atrofiar o senso crítico. É óbvio que ninguém gosta de ser contrariado ou se ver colocado em uma posição de inferioridade intelectual, porém, muitas vezes precisamos ser totalmente humilhados para podermos refletir e repensar nossas opiniões. Não falo de difamação ou agressão, mas sim de voltarmos ao nosso ponto de humildade mais honesta. Sofrer uma derrota aterradora em um debate pode ser muito proveitoso para aqueles que sabem reconhecer sua derrota e rever seus argumentos.
          Desde 2015 eu estive escrevendo praticamente semanalmente neste espaço, só parei em 2018, mas tenho meus textos de 2011 até 2014 cuidadosamente guardados off line e pretendo posta-los novamente. Isso porque, desde que fiz o blog, mudei radicalmente de ideia sobre alguns assuntos, me aprofundei em outros, o que representa uma evolução de pensamento e até na própria forma de escrever, além de ter lido e relido diversos livros, participado de palestras, debates e vendo o rumo dos acontecimentos a minha volta. Portanto, é a forma mais honesta de interagir com o leitor, deixar exposto os equívocos, as contradições e as ideias que foram notícia, mas que com o tempo, a luz dos fatos, tiveram seu conteúdo confirmado ou refutado. Entretanto, mesmo respeitando aqueles anônimos que entram neste espaço para ler o que escrevo, a maior motivação em expor minhas ideias aqui é a busca por aprimoramento intelectual e textual, afinal, não tenho espaço em mídia alguma para me expressar. Escrever constantemente é um hábito que adquiri, mas a maioria destes textos não estão disponíveis em lugar algum da internet ou impressos, são construções estágios iniciais ou de revisão, que talvez não representem nada muito coeso e por isso fiquem de lado por um tempo.
          Volto a este espaço com o coração cheio de satisfação, como se retornasse as minhas origens, me sentindo motivado e querendo evoluir sempre. Não sei quanto tempo terei voz por aqui, pois a internet está sendo alvo de diversos ataques de pessoas que se incomodam com opiniões contrárias, que se valem de diplomas, cargos públicos e afins, para tentar permanecer falando sozinhos e tentando manter uma hegemonia de pensamento que é totalmente contrária aos valores ocidentais que norteiam nossa cultura. E são estes valores que me fazem gostar ainda mais de música, literatura, enfim, da nossa cultura em geral. Percebo que aquela nuvem negra que cobria o céu de nossa inteligência começa a se dissipar. Há um esforço enorme de pessoas engajadas em escrever um novo capítulo da história do nosso país e que têm alcançado êxito gradualmente. as mudanças são evidentes em toda a parte, mas não são imunes a retrocessos.
          Para finalizar, convido a todos para visitar minhas redes sociais, meu canal do Youtube e continuarem a interagir comigo neste espaço e nos demais, afinal, somos seres sociáveis que aprendem muito mais em grupo do que sozinhos, sendo que o mundo em que vivemos é o resultado do coletivo e não de apenas alguns indivíduos oportunistas que tentam se perpetuar no comando político, social, cultural e econômico, sufocando qualquer iniciativa que ameace este controle hegemônico. Segue os links para minhas redes sociais:
          Site: https://heavinna.negocio.site/
          TopBuzz: https://www.topbuzz.com/profile_v2
          Página: https://www.facebook.com/heavinna/
          Twitter: https://twitter.com/kakoramos
          Instagram: https://www.instagram.com/heavinnars/
          Pinterest: https://br.pinterest.com/pauloramoskako/
          GAB: https://gab.com/kakoramos
          Canal do Youtube: https://www.youtube.com/user/pauloramoskako/
          Desejo a todos um Natal prazeroso e um feliz 2019 cheio de realizações e de muitas vitórias nas batalhas cotidianas. Agradeço a todos que visitam este blog e que interagem comigo nas redes sociais, pois fico muito envaidecido de poder levar minhas ideias aos mais distantes lugares do Brasil e de diversas partes do mundo. Continuarei do ponto onde parei e espero ter a mesma receptividade que tive desde 2011. De minha parte tentarei fazer deste espaço o mais relevante possível, trazendo assuntos interessantes e buscando contribuir culturalmente. Um grande abraço a todos!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Desabafo de final de ano

          Para encerrar este que foi um bom ano para mim, embora todas as coisas que nós como brasileiros temos que conviver sempre, quero saudar á todos que estiveram comigo nessa caminhada desde 2011. Claro que o blog é mais antigo do que as datas das postagens mostram, pois zerei todo o conteúdo no início de 2015, mas mantive esse espaço por mais de seis anos e pretendo parar de escrever nele por tempo indeterminado. Para aqueles que me acompanham desde o início ou leem esporadicamente um texto ou outro que chama a atenção, convido a acompanhar meu trabalho no meu site, onde é possível se inscrever e receber material exclusivo além de poder conferir vídeos, comentar sobre qualquer coisa no fórum, ouvir minhas músicas, entre outras coisas. Se inscrevam também no meu canal do youtube para acompanhar os vídeos de aulas e bastidores das gravações, entre outros assuntos, podendo comentar e interagir diretamente comigo. Nas redes sociais como Facebook, Google Plus, Twitter e no novo espaço que estou utilizando, o TopBuzz. Muito do material contido aqui será transferido para lá, principalmente o que diz respeito a música e á cultura, porém, materiais sobre política e coisas relacionadas a ela, eu não pretendo mais escrever. Não quero emitir opiniões que gerem desconforto ou arrependimentos, pois a política brasileira é um nicho podre, quando entramos em contato com ela somos impregnados de toda sua sujeira. 
          Vou continuar defendendo minhas ideias nos locais onde devo, como na minha comunidade, na escola de meus filhos, no meu trabalho, entre meus amigos e etc, mas não vou sujar a cabeça de quem procura na arte uma fuga da rotina e se depara com texto lembrando dessa realidade. Minha função como músico é melhorar a vida das pessoas contando histórias de bandas, dando dicas de como tocar um instrumento, como gravo meus trabalhos, entrevistando personalidades do meio como fiz em alguns momentos, enfim, tentando ser o mais útil possível dentro da minha área. Creio que deixei claro meu posicionamento frente a toda realidade que estamos vivendo e até agora me mantive tranquilo em me posicionar de tal forma, mesmo que isso tenha me causado desentendimentos, boicotes, ataques e ofensas, afinal, minhas pesquisas e estudos de história e filosofia, que pretendo continuar até o fim de minha vida, me fizeram remar contra a maré tradicional. Normalmente o pessoal que gosta de Rock e derivados se identifica com ideias revolucionárias e movimentos esquerdistas, eu já sou o oposto disso, não vejo nada de interessante em regimes como o de Cuba, Venezuela, Bolívia, Coreia do Norte, na antiga URSS, China, Camboja, entre outros.
          Também quero deixar claro que, muitas das postagens que fiz sobre política e ideologia, foram com o fígado, foram reativas e até agressivas, isso não é o que me motiva a escrever. As que fiz com o coração foram sobre a música, essas me deram prazer e satisfação que nenhum dinheiro consegue pagar. Tudo na música me fascina, por isso quero dedicar meu tempo a ela e não às agruras do cotidiano. Que outros façam isso já que alcançam muito mais público e tem a credibilidade que precisam para se manter em seus espaços. Jornalismo é encantador, mas nossa mídia está corrompida por interesses que fogem do bom jornalismo e o compromisso com a qualidade das informações, portanto, me nego a ser mais uma fonte a ser rotulada sem ser lida e analisada. Vejo jornalistas que poderiam ter carreiras brilhantes, mergulhados em um mar de hipocrisia e escrevendo matérias compradas para defender algum oportunista. O resultado disso é a televisão de péssima qualidade e jornais e revistas produzindo lixo e desinformação. Me sinto mal ao ser colocado no mesmo pacote de pessoas que não me inspiram nenhum sentimento positivo, só por conta da polarização imbecil que reina no país e pelo pensamento pré-fabricado.
          Mesmo com as considerações explicitadas acima, não irei ficar em cima do muro em relação ao que penso. Minhas posições são claras e as defenderei sempre que preciso, mas buscarei evitar qualquer relato ou menção á políticos, partidos ou movimentos sociais para não sujar meus espaços com esse lixo, como fiz com esse aqui durante estes três anos, misturando arte com política e debates seculares. Não paro por arrependimento, medo, ou qualquer outro motivo que não seja nojo, saco cheio mesmo. Quero ser positivo e evoluir com minha arte, não ficar preso a esses melindres que não levam a nada. A partir de janeiro lançarei mensalmente músicas no meu site e quero dar toda a atenção a este trabalho, assim como continuar a colaborar com quem estiver interessado em minhas dicas e tutoriais a respeito de música. Eventualmente posso voltar a escrever neste espaço, mesmo que não seja essa a intenção, mas não garanto nada neste sentido.
          Pra finalizar, quero reforçar meus agradecimentos a quem tem me acompanhado neste tempo. Foram vocês que me mantiveram motivado para seguir com esse trabalho. Também sou grato por ter uma família maravilhosa que sempre me apoiou e confiou nas minhas ideias e projetos, me dando carinho, amor e tendo paciência. Este ano que se encerra é mais um capítulo superado que abre espaço para mais um episódio de desafios e suas peculiaridades, mas que seja tão bom pra mim como este foi ou ainda melhor. Desejo um ano novo de paz, saúde, prosperidade, esperança e muita música á todos que me acompanham e que ainda vão ter acesso a esse espaço. Unidos podemos vencer todas as tragédias do cotidiano e superar todos os percalços que teimam em sempre se apresentar para desafiar nossas habilidades e limites. Feliz 2018!

sábado, 23 de dezembro de 2017

A última instância para bandidos

          Os brasileiros podem tem certeza de uma coisa neste final de ano, os bandidos tem um defensor incansável e inescrupuloso no Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Antes do recesso de final de ano, que iniciou na quarta feira dia 20, o ministro foi o foco dos principais veículos de notícia por conta de suas decisões em favor de bandidos. Ele autorizou que a advogada Adriana Ancelmo, ex-primeira dama do Rio de Janeiro, estado que sofreu uma devassa em suas contas públicas principalmente por causa de seu marido, Sérgio Cabral, ficasse em prisão domiciliar, mesmo depois de ser comprovado seu envolvimento nas ações corruptas do governo carioca. Proibiu a condução coercitiva para que investigados não fossem mais obrigados a prestar depoimentos. Isso desautoriza a polícia a conduzir um suspeito intimado a depor por um juiz, caso este se recuse a acompanhar os agentes. Livrou três deputados e um senador de serem investigados por corrupção, são eles Arthur Lira (PP-AL), Eduardo da Fonte (PP-PE) e José Guimarães (PT-CE), além do senador Benedito de Lira (PP-AL). Também livrou o governador do Paraná, Beto Richa, de ser investigado por corrupção passiva e livrou o empresário Marco Antônio de Luca, acusado e preso por pagar propina ao ex-governador Sérgio Cabral. Mas isso é apenas a cereja de um bolo meticulosamente elaborado pelo ministro contra a vontade popular e contra a lei, em muitos casos.
          O magistrado nem sempre agiu sozinho, Dias Tóffoli tem se mostrado um escudeiro leal nos últimos meses. Originalmente Gilmar Mendes foi indicado pelo PSDB e Tófolli pelo PT, isso foi antagônico de certa forma, porém, a maré mudou e as alianças tomaram o mesmo rumo. Após uma enxurrada de inquéritos contra políticos do PP, principal partido a ser investigado e condenado pelo mensalão, atingir fortemente o PT também na Lava jato e avançar contra PMDB e PSDB, foi necessário certa "união de canalhas" para que se salvasse o maior número possível de bandidos,já que caíram figuras como o já citado Sérgio Cabral, o deputado Eduardo Cunha e por último Geddel Vieira Lima. A estratégia é tentar salvar o que resta dessa trinca podre formada por PMDB, PT e PSDB, que governa o Brasil desde o impeachment de Fernando Collor em 1992. Hoje, um terço da câmara federal, inclusive seu atual presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é investigada por corrupção, assim como parte do Senado onde Gleise Hoffman (PT-PR), Romero Jucá (PMDB-PE), Renan Calheiros (PMDB-AL), Aécio Neves (PSDB-MG), entre outros, encabeçam a lista de investigados que se defende facilmente por conta do foro privilegiado. Do poder executivo, nas três instâncias, sobram exemplos de corruptos condenados ou investigados. Claro que essa corrupção chegaria ao terceiro poder, o judiciário, e seu representante maior é Gilmar Mendes. O foro privilegiado permite que um político exercendo mandato só possa ser investigado com o aval do STF, por isso estes magistrados são tão importantes neste processo.
          A ação do STF ao impedir o prosseguimento das investigações da chapa Dilma/Temer, processo aberto pelo PSDB, ainda em 2014, partido de origem do ministro  sendo o protagonista aqui, por supostamente haver "excesso" de provas, já apontava em uma direção suspeita. Já haviam pedidos de impeachment do magistrado, mas nada que viesse a público com tanta força que não pudesse ser abafado com algumas manobras simples. Entretanto, o emprenho de Gilmar Mendes em salvar o senador Aécio Neves, após o vazamento de gravações com Joeslei Batista, num processo que também envolveria o atual presidente Michel Temer, e por soltar diversas vezes o empresário Jacob Barata Filho, por este ser seu compadre, Gilmar teria sido padrinho de casamento da filha do empresário investigado por corrupção e com três prisões decretadas, colocaram-no na atual posição de defensor máximo de bandidos. Até então, o ministro gozou de certa sossego quando estava a frente do TSE, onde era até celebrado por alguns grupos como o MBL, por exemplo, e fazia duros ataques aos petistas, foco das investigações da Lava jato na época. Essa exposição, muitas vezes acontecendo por iniciativa do próprio, acabou por deixá-lo a mercê dos olhares mais desconfiados, o que fez ele perder qualquer escrúpulo que poderia ter e simplesmente agir para seu "time".
          Gilmar Mendes a pouco sinalizou no sentido de abandonar o STF e se dedicar a vida de empresário. Já é público que o ministro tem uma carreira como empreendedor, pois sua relação com Jacob Barata, sua proximidade com Ike Batista e sua influência no meio politico e empresarial facilitam muito sua mudança de carreira em tempo integral. Aliás, quando começaram a aparecer os primeiros ruídos em relação ao magistrado, foi exatamente quando as investigações começaram a alcançar seus comparsas mais ilustres. Então, podemos supor que o ministro não está motivado somente pelo compromisso partidário ou ideológico, e sim, busca salvar a própria pele, agindo por dentro do sistema para tentar barrar o máximo as punições para seus "amigos". As duras críticas ás delações premiadas já apontam para uma auto defesa, pois, a melhor forma de se defender é facilitar a vida de quem possa prejudicá-lo estando preso. Esse raciocínio superficial, um pouco paranoico, mas em nenhum momento descabido, é motivo suficiente para iniciar uma investigação, não sendo possível nas instâncias jurídicas por não aparecerem provas concretas para isso, ao menos por parte da imprensa e da opinião pública, afinal, seria muito bom expor Gilmar Mendes a pressão popular e derrubar sua credibilidade junto aos poderes. A exposição midiática inflou o seu ego a ponto dele contestar a todos e encarar qualquer afronta ou discordância como se tivesse super poderes. Ao menos por quarenta dias suas ações não podem ser desfeitas, o que certamente terá graves consequências.
          Acho que já falei demais deste escroto, que sequer mereceria algum destaque neste espaço, mas como tem feito este trabalho digno de advogado de mafiosos de filmes, é bom marcar bem a carinha safada dele, para que, ao menos os leitores deste blog, fiquem de olhos abertos em relação as consequências dos atos deste bandido, que já foi julgado e condenado pela sociedade brasileira. Imagine o trabalho feito para que se chegasse aos nomes que apareceram, foram presos e condenados por destruir o Brasil e a facilidade que um ministro porco como Gilmar Mendes tem para libertar criminosos para que destruam provas, corrompam outros envolvidos e ainda garantam a impunidade no setor mais lucrativo do país, o poder público. Então, mesmo que nunca se tenha visto poderosos como Marcelo Odebrecht tendo que abrir o bico para não apodrecer na cadeia, Ike Batista passar bons dias enjaulado com toda sua empáfia, entre outros menores, mas tão nocivos quanto eles, os brasileiros, pelo menos os de bem, anseiam por algo muito maior para acalentar suas almas abatidas.

sábado, 16 de dezembro de 2017

O mundo árabe reage e o pouco que sei sobre eles

Líderes de países árabes divulgaram que reconhecem oficialmente Jerusalém como capital do estado Palestino. Isso foi claramente uma reação ao ato do presidente americano, Donald Trump, de reconhecer a mesma cidade como capital do estado de Israel. Escrevi sobre este assunto na postagem anterior, leiam aqui A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), entre eles estavam líderes da Turquia, Irã, Líbia, e até o "árabe" Maduro, ditador da Venezuela, compareceram ao evento, segundo consta nos noticiários, reuniu-se para debater o o caso e reagir contra o posicionamento americano em favor de Israel. O certo é que o Oriente Médio sempre foi um terreno propenso a crises diplomáticas e muitas disputas por território, sendo que este impasse vem desde 1948. Segundo tal instituição, Washington não é capacitado ou imparcial o suficiente para mediar conflitos na região, o que é justo, afinal, nada mais contraditório que um árabe aceitar qualquer intervenção do mundo ocidental nos assuntos que lhes dizem respeito. Acho impossível uma solução para este caso, pois, mesmo que Israel seja um estado forte e representativo para o ocidente, estar geograficamente onde está impossibilita qualquer chance de paz. Não importa o quanto os judeus cedam, os árabes sempre vão querer tudo. Para isso contam com todo o dinheiro que a abundância de petróleo na região pode prover, e é muito. Com esse dinheiro e tal poder político na região, constroem paraísos no meio do deserto, flertam com as delícias do Ocidente e são muito influentes quando o assunto é guerra, principalmente em se tratando de armas.
Mas, e o povo árabe? Por mais que não seja possível para um ocidental que não faz parte de nenhuma comunidade que siga os costumes islâmicos compreender os sentimentos e os costumes deste povo, por conta do idioma e da religião em si, busquei superar essas barreiras e conversar com pessoas de lá pelas redes sociais e falando a linguagem comum entre nós, a música. Sendo assim, conversei com turcos, libaneses, entre outros, principalmente sobre todo esse contexto cultural, o que causou certo constrangimento por parte deles de inicio, mas depois transcorreu com naturalidade. Dizer que todo o árabe é terrorista é generalizar e afirmar uma condição mentirosa, por isso tomei a iniciativa de manter relações com pessoas de lá. Entretanto, muitos países, segundo os próprios árabes, tem em suas lideranças e em grupos majoritários, o sentimento de que o ocidente é a personificação de todos os males e deve ser exterminado, literalmente. Mais que uma religião, muitos aspectos do islã são radicais e claramente sugerem que não árabes sejam doutrinados para servirem como classe inferior, ou mesmo, sejam mortos simplesmente caso se neguem a isso. Crianças com menos de 12 anos, meninos e meninas, muitas vezes são tiradas de suas famílias para serem treinadas para matar os infiéis. Algumas famílias mais influentes de determinadas regiões mandam seus filhos para estudar na Europa para que tenham a oportunidade escolher outro tipo de vida que desejam para eles. 
Falando em uma área que tenho certo conhecimento, que é a música, há grande interesse de jovens árabes que gostam de Rock em formar bandas, ouvir Metallica, Iron Maiden, Sepultura, etc, mas só podem fazer isso de forma discreta e muitas vezes até clandestinamente. Mulheres ficam espantadas com imagens onde há mulheres e homens bebendo, fumando, curtindo shows, juntos e de forma natural. Saber que há padrões de tratamento com as mulheres bem diferentes que os ocidentais em alguns países, não é uma novidade, porém, saber nuances disso de alguém que nasceu e vive toda vida lá é uma experiência muito diferente. Aprender inglês, ou outro idioma ocidental, para se comunicar com ocidentais, para muitos, é um luxo e até inadmissível em certos lugares. Ter a noção de que todos com quem falei admiram a nossa forma de lidar com as coisas, e até almejam viver dessa forma, chega a ser gratificante de certo modo. Não que haja regozijo em saber de certo descontentamento por parte deles em relação ao que nós ocidentais não aceitamos, mas a forma como muita gente defende com unhas e dentes o comportamento árabe, estando vivendo em países livres de terrorismo e ameaças de grupos radicais, faz parecer que somos monstros por defender um estilo de vida diferente.
Acredito que exista uma forma de equilíbrio onde seja possível as pessoas conseguirem certo nível aceitável de convivência. Impor um costume a outros povos é desumano em síntese, mas temos a liberdade de questionar já que muitas pessoas não optaram por seguir certos costumes, apenas os seguem com medo de punições. Esse assunto é complexo e tem diversas nuances, porém, penso ser saudável cada indivíduo ter certa consciência do que ter como valores universais, e que estes se coloquem como prioridade ao interpretar o mundo. Para isso é preciso refletir muito, ter empatia e pensar no coletivo não apenas na sua classe, credo, cor, etnia, profissão, nacionalidade, etc. Tenho consciência de todos os males que existem impregnados em nossa cultura ocidental, mas nem por isso vou querer abraçar outra que me parece ainda mais injusta e desigual. Prefiro lutar da forma que posso para tentar mudar o que acho estar errado ao meu redor. O problema é que certas culturas não vêem terrorismo, racismo, intolerância, etc, como sendo algo ruim, muito pelo contrário, tem seus princípios morais atrelados a esse tipo de coisa, e isso é assustador. Não vejo nada de racional em homens decapitando jornalistas ingleses, americanos, ou mesmo árabes que consideram traidores. Esses mesmos grupos, que fazem questão de assumir atentados, exibem orgulhosos exércitos de crianças sendo treinadas para matar outro seres humanos.
Encerro este texto mais uma vez chamando atenção para aqueles que se posicionam como defensores do que consideram sendo minorias como negros, índios, pobres, deficientes, homossexuais, sem teto, sem terra, feministas, entre outros tantos, mas defendem o islamismo, queimam a bandeira de Israel com ares de heroísmo, tem relações com líderes totalitários de todo o tipo, desconstroem a realidade para oferecer algo que não podem e não querem entregar e assim se apresentarem como sendo os bons. Peço que reflitam, principalmente aqui no Brasil, se é possível haver coerência entre as coisas que citei sem haver hipocrisia, má intenção, ou outras formas de dissimulação. Creio que muitas pessoas sequer saberiam responder de onde vem sua ideologia, se de um livro, de algum guru, de uma comunidade, ou sei lá de onde, mas muitas vezes fica claro estarem inconscientes de que não há coerência em seus discursos. Engraçado que normalmente estas ideias discrepantes fazem parte de um pacote fechado, rotulado com algum ...ismo que é vendido como sendo o monopólio das virtudes humanas. Aqueles que por ventura criticarem ou discordarem de algum ponto, são vistos como sendo os arautos de todos os males da humanidade enquanto que mata, rouba e destrói passa batido ou é alçado a condição de herói do povo. 

domingo, 10 de dezembro de 2017

Israel precisa ser varrido do mapa?

          Com a decisão do presidente americano Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital do estado de Israel e anunciando que vai transferir a embaixada americana para lá também, fez com que uma enxurrada de opiniões conflitantes tomasse a mídia mundial, fora as publicações sensacionalistas. Mas o que seria tão relevante para que um país tão pequeno como este inflame os ânimos de tantas nações ao redor do mundo? Hitler estaria certo em perseguir e matar judeus? Então, quem pensa da mesma forma que o líder nazista está correto? Ninguém fala abertamente o que pensa sobre isso, não é politicamente correto falar que odeia judeus após a segunda guerra. Entretanto, os movimentos da maioria dos países á favor dos palestinos vai nesse sentido de forma prática, mesmo que o discurso seja mais ameno e humanitário. Gal Gadot, atriz que interpretou a Mulher-Maravilha para o cinema em Hollywood ganhou muito destaque por simplesmente ser israelense, e como não poderia deixar de ser, teve que lidar com muitas perguntas sobre questões políticas e sociais de seu país de origem. O fato é que Israel é um pequeno país judeu e democrático rodeado por países árabes e muçulmanos e isso não é existência mais segura pra se desejar, posta a realidade geográfica.
          Desde que foi declarado um país independente em 1947, após a segunda guerra mundial, Israel foi atacado por diversos países árabes por conta de seu território não dar espaço para um estado palestino. A ONU e organizações internacionais como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, têm imposto sanções e ataques diplomáticos ao país com alegações das mais diversas. Porém, estas organizações não tem a imparcialidade que se espera delas, já que permitem ou fazem vistas grossas para testes nucleares no Irã e Coréia do Norte, não se manifestam de forma clara contra estados totalitários que oprimem sua própria população como nos países africanos e sul americanos. Não é difícil para uma pessoa sensata ventilar a possibilidade, por mais que entenda superficialmente de política e diplomacia internacional, que Israel não representa uma grande ameaça aos direitos humanos ou qualquer outro tipo de alegação tenha sido sustentada para atacá-lo. Um país com aproximadamente cinco milhões de pessoas, que tem seu PIB figurando próximo ao número 40, com maioria de judeus, único no mundo aliás, que é de vital importância para a cultura ocidental, pois é um grande sustentáculo da fé cristã que baseia nosso estilo de vida e norteia nossos valores mais nobres. Israel sequer pode disputar torneios de futebol em seu continente por retalhações, tendo que disputar as Eliminatórias para Copas do Mundo na Europa. Se nem esportivamente se tolera o país em sua região, imagine em áreas mais sérias.
           Se pensarmos que o estado judeu é a única democracia rodeado de países com lideres totalitários e considerados não livres da região. Que sua maioria judia aponta religiosamente para o oposto do islamismo árabe, já é motivo suficiente para ser odiado por seus vizinhos. Mas Israel não só se mantem de pé como prospera quanto nação. Os maioria dos vencedores de prêmios nobel são de origem israelita, seu exército e sua polícia estão entre os mais poderosos e eficientes do mundo. Seu desenvolvimento tecnológico em algumas áreas é muito representativo e serve de modelo para outros países. Um país onde tanto mulheres como homens prestam serviço militar, tem um sistema de educação entre os melhores do mundo, sua população é composta por brancos, pardos, negros e orientais, quebrando qualquer insinuação de racismo, onde os índices de criminalidade são baixíssimos, não há evasão escolar e nem miséria epidêmica como há em alguns países do mundo. Seria este ódio contra Israel apenas inveja? Na verdade eu acredito que não, pois seus antagonistas não se consideram diminuídos frente a ele, mas sim cultural e politicamente superiores. Em resumo, buscam se apropriar totalmente de seu território, não aceitando argumentações de nenhum tipo.
          Israel é um dos pilares do cristianismo e do mundo ocidental, como falei no início e ao longo do texto até aqui, por isso tem o apoio quase que incondicional dos Estado Unidos, a maior democracia do mundo, mesmo tendo este se posicionado de formas duvidosas sob alguns governos, e grande parte dos países europeus. Para os muçulmanos mais radicais, derrubar Israel é um golpe poderoso contra o mundo ocidental tão odiado por eles. Por isso os judeus são tão importantes na guerra contra o terrorismo, ferramenta habitual de grupos extremistas que se alojam nos arredores de Israel na maioria das vezes. É compreensível que muitos países que não sejam islâmicos ou muçulmanos propriamente ditos, se oponham a consolidação do estado de Israel e apoiem sanções, afinal, como concordar com civis portando armas e liberdade econômica, elementos que muitos pensadores e políticos tem ojeriza? É de se estranhar a grande mídia tradicional se portar de forma claudicante sobre as questões abordadas aqui, quando não são totalmente a favor das causas palestinas, mesmo entendendo a que interesses estas servem, pois acabam por atacar a si próprias no íntimo da sociedade que representam. Não esqueçamos que muitas celebridades americanas e ocidentais como Mike Tyson e Madonna se manifestaram a favor do islamismo e se diziam convertidos em certos períodos. tudo para que se aumentasse a simpatia frente ao mundo árabe no ocidente. Mesmo de forma artificial e temporária, esse tipo de iniciativa ecoa na sociedade e gera frutos.
          No vídeo ao lado há um trecho da PragerU, que está legendado em português, sobre algumas informações que não estão na mídia tradicional e que merecem ser checadas por aqueles que querem mais informações a respeito do assunto. Caso a causa palestina interesse aos leitores deste blog, e que seja defendida por esses, peço que contra argumentem e chequem as informações aqui, foi o que fiz em determinado momento da minha vida para tentar entender o mundo em que vivo, afinal, o tal sísifo do oriente, como foi chamado em minha época de escola, é algo muito presente nos circuitos escolares e universitários. Por mais que se tenha polarizado o debate político sobre os assuntos internacionais aqui no Brasil, é importante refletir sobre certos assuntos e ter uma visão mais ampla do que acontece no mundo. Não é á toa que muitos blogs e jornais estejam publicando textos falando de apocalipse e cumprimento de profecias, pois o sensacionalismo e as tentativas de chocar as pessoas com estratégias de marketing catastrófico são abundantes na internet atualmente. Essa prática é antiga para abafar o debate, mesmo que neste caso isso represente um impulso semelhante ao nazista, é mais fácil queimar uma bandeira de Israel para agradar correligionários do que ter uma visão mais ampla do que tudo isso significa.
          Peço que reflitam comigo. Que bases queremos para nossa sociedade? Uma realidade semelhante a de grande parte dos países da África ou do Oriente Médio, onde o extremismo religioso, o totalitarismo opressor, as constantes guerras entre raças e credos, os discursos de ódio para com outros países ou estilos de vida? Ou uma mundo onde há liberdade econômica, de expressão, de informação, onde o individuo seja respeitado quanto a seus costumes, posses e segurança, entre outros elementos básicos de uma sociedade aceitável? A grosso modo é isso que estamos debatendo aqui e tentando entender. É um conflito de ideias de mundo e não apenas de quem tem razão em uma disputa territorial. Por isso respondo a pergunta que dá título a essa postagem: Israel precisa ser varrido do mapa? Eu afirmo que não. Acho que todos os países ocidentais, ou que prezem a liberdade, que sejam realmente contra o terrorismo, ameaças atômicas e novas frentes mundialistas totalitárias, sigam o exemplo dos Estado Unidos independentemente de suas opiniões pessoas sobre o atual presidente americano. Isso é uma questão de sobrevivência da realidade que conhecemos e que buscamos melhorar. Por mais que tenhamos muitos problemas sérios para lidar, não temos bombas sobrevoando nossas cabeças e nem terroristas explodindo aviões ou caminhões em nossos lugares públicos, por enquanto.  

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Joaquim Nabuco - Minha formação

          É com grande empolgação que mergulho meus raros momentos dedicados a tão amada literatura a defraudar as nuances do Brasil do século XIX, mais precisamente ao período imperial. Um sinal muito ilustrativo está nas postagens que fiz falando a respeito aqui e aqui. Mas por que um homem prestes a desembarcar nos quarenta anos seria atraído por tal período da nossa história? Caso se interessem em saber a resposta, respondo de forma simples e direta: _Cansei de um Brasil que se orgulha de frases como: "Nunca antes na história deste país...", que concede a Paulo Freyre o título de "patrono da educação do Brasil", que legitima semianalfabetos com síndrome de divindade criadora como líderes máximos da nação, entre outras tantas razões que seguem neste sentido. Fui levado a acreditar que o meu amado país é uma pátria de corruptos e covardes, mesmo assistindo pessoas honestas acordarem cedo para cumprir com suas obrigações diárias com dignidade e sujeitas a todas as atrocidades do nosso cotidiano. Fui vitima da instrução deficiente e mal intencionada das nossas instituições de ensino, que fizeram com que eu acreditasse que nascera fadado ao fracasso por ser brasileiro. Este país que se envergonha dos discursos mentirosos e ufanistas de nossos políticos, mas que deposita todas as esperanças nestes mesmos. Fui intimado pela desconfiança que sempre tive, mas que se aguçara em uma direção com o avançar da idade a buscar uma história mais condizente com a nobreza que grande parte de meus compatriotas possui. Cavei através de uma camada grossa de merda e lixo que foi construída com o objetivo de esconder o nosso passado. Senti a necessidade de investigar o período do império que tão pouco sabia a respeito. Nunca fiz algo que me valesse tanto a pena e que o retorno tem acumulado valor inestimável. 
         Deparei-me com citações apaixonadas a respeito Joaquim Nabuco, personagem que mal sabia o nome e por alto tinha lido uma narração ou duas sem desinteressadamente. Estava ainda vasculhando as bases de nosso brasileirismo percorrendo as biografias de José Bonifácio e D. Pedro I, quando me vi instigado a conhecer mais sobre tal pernambucano que foi um dos expoentes da luta contra a escravidão no Brasil. Cismado estava eu com a paixão com que seus admiradores falavam dele, quebrei o protocolo estipulado para meus estudos e fui além. Tal fascínio me alarmou por não nutrir por figura alguma de nossa história tal sentimento. Mas como uma única narrativa jornalistica sobre José Bonifácio me fez sentir meu nacionalismo desabrochar numa brisa de esperança, pois sim, houve brasileiros valorosos e com virtudes reconhecidas no exterior que não foram simples jogadores de futebol. Menor não foi minha grata surpresa ao ler as mais de mil páginas compiladas por Otávio Tarquínio de Sousa, divididas em três tomos sobre D. Pedro I. Muito mais que um português oportunista, que com caganeira declarou a independência do Brasil. Desconstruir a imagem jocosa dos personagens da nossa história passou a ser pra mim, mais que uma necessidade intelectual, uma prazerosa obrigação cívica. O simples caminhar nessa direção me faz uma pessoa mais confiante e otimista, afinal, sinto-me fazendo parte da história e fazendo história, tendo num passado uma base virtuosa, mesmo que o Brasil pene por certas idiossincrasias e especificidades de sua existência.
          Quando li as primeiras páginas do livreto que mencionei acima, "minha formação", em plena época de celebração da "consciência negra", onde personalidades como a atriz Taís Araújo, muito bem sucedida em sua profissão, veio a público dizer que brancos trocavam de calçada para não cruzar com seu filho, ou a secretária Luislinda Valois que citou a escravidão ao pleitear receber vencimentos acima do teto estabelecido por lei para ocupar uma secretaria com status de ministério. Negros que poderiam usar de suas prosperas carreiras para elevar a moral de seus semelhantes, se prestando a fomentar picuinhas que jogam os negros mais de um século para trás, de volta as senzalas das casas grandes ou a marginalidade dos quilombos. Pois, ao refletir espontaneamente sobre o tema, fui de encontro ao pensamento de Joaquim Nabuco resumido em sua narrativa sobre sua formação. Acaso ou mero impulso circunstancial, me arrebatou dos primórdios do império para me soltar no seu período de agonia e extinção. Bem ali, situado entre a vitoriosa e tardia abolição e o golpe republicano, se dava o apogeu dessa importante figura de nossa história. A simples menção como sendo um dos facilitadores para a concessão da liberdade dos africanos maltratados por tal realidade desumana já basta para dignificar uma pessoa. Mas Joaquim Nabuco fui muito mais que um idealista, embora tudo que viesse a fazer seria menor do que sua luta. 
          Pelo simples fato de ter dedicado sua vida pela causa abolicionista, mesmo não sendo o único, já que era um movimento que tinha a simpatia de pessoas como José Bonifácio e a própria família imperial, tendo ecoado em diversos nichos como as forças armadas, o jornalismo, a igreja, entre outros, Joaquim Nabuco empenhou-se na liberdade daquele povo sofrido e que tanto amava lutando contra a economia da época e uma realidade que parecia imutável em termos de Brasil, mas que já caíra no restante mundo ocidental. Segundo o próprio, sua afeição pelos escravos vinha desde sua infância na casa de sua madrinha, vendo como ela lidava com seus serviçais e a admiração e o respeito que estes tinham por ela. Detalhe que ficou claro quando a gorda senhora de mobilidade quase nula veio ao óbito. Desconsolados os negros rezaram e choraram a morte de sua senhora, o que ficou vivo na memória do menino de apenas oito anos. Era notório o modo como alguns senhores tratavam seus escravos e sofrimento que lhes impunham, como se a simples ideia de um homem pertencer a outro como simples objeto já não fosse nefasta por si só. Tornando-se politico, já que era filho de um, passou a defender no parlamento suas ideias antiescravagistas e foi arrecadando admiradores e detratores. 
         Sua audiência com o Papa Leão XIII, para que o mesmo intercedesse em favor da causa, foi um dos momentos de maior notoriedade e satisfação pessoal. Contudo, nessa pequena narrativa que tive o prazer de dedicar-me a leitura, Joaquim Nabuco mostra a riqueza de seu caráter ao citar amigos e reconhecer neles méritos muito maiores que os seus. Também fala de personalidades que o influenciaram com doçura e sincera submissão hierárquica próprias de quem busca as virtudes de terceiros em detrimento a seus próprios méritos. Conservador e monarquista convicto, que viu no golpe republicano o início do fim de seu interesse pela política recheada de ideias liberais. Suas memórias de viagens e a forma como descrevia ingleses, franceses, americanos e seus compatriotas brasileiros é sensível e perspicaz. Também faz questão de ficar a sombra de seu pai, considerando a aceitação dos valores paternos que lhes foram repassados como sendo a sabedoria mais grandiosa e suas empreitadas altruístas por outros caminhos, meros lampejos de rebeldia juvenil. É difícil aceitar a mediocridade de políticos, acadêmicos, juristas, jornalistas e outros mais de agora, tendo como referência homens como Joaquim Nabuco. Recomendo a todos abrir o coração e buscar conhece-lo.  
         
 

sábado, 11 de novembro de 2017

Os últimos 30 anos de Metal

          Tendo em vista o show da banda Green Day em Porto Alegre nessa semana, tomei a iniciativa de escrever esse texto para propor uma reflexão sobre o cenário do Heavy Metal e do Rock de um modo geral nos últimos 30 anos, período que acompanhei em sua totalidade com os limites que me são particulares. Porém deixo claro que não é uma profunda análise do cenário proposto, apenas as impressões iniciais de quem acompanhou parte dessa história com a passionalidade característica de um admirador. Claro que nessa época a grande maioria das coisas eram novidade para mim. Era um adolescente imaturo e com a revolta natural contra o status quo. Esse tipo de revolta juvenil nos torna muito vulneráveis a qualquer tipo de bobagem, pois temos o instinto natural de tentar nos afastar do que é rotina, herança e por outro lado, há a necessidade de ser aceito em um grupo para não se sentir rejeitado e até por proteção. Foi nesse momento que me afastei dos amigos da minha rua, fui morar com minha mãe, enchi as paredes de Posters de bandas como Pantera, Sepultura, Metallica, etc. Passei a comprar revistas que tinham na época como a Top Rock. Eventualmente ia para casa de um amigo para beber e assistir a programação da MTV que acabara de entrar no Brasil. Estamos falando de 1992/93, muito antes da internet. Para ouvirmos musica precisávamos ficar atentos a programação da rádios, gravar álbuns de amigos em fitas cassete ou ir a shows de bandas iniciantes. Nesse ambiente se consolidou um pouco do meu gosto musical e da minha perspectiva de mundo.
          Tivemos na primeira metade dos anos 1990 o canto dos cisnes do rock de arena quando Metallica e Guns n' Roses fizeram a fatídica turnê conjunta. Foi como se a bolha estourasse. Era o fim da polaridade que punha em lados opostos o Hard Rock com suas vertentes (Glam, Hair Metal, AOR, etc.) e o Thrash Metal e suas derivações (Death Metal, Black Metal, Doom Metal, etc.). De 1981, com o apogeu da New Wave of the British Heavy Metal e sua influência para o cenário, tivemos de um lado bandas como Motley Crue de um lado e Metallica do outro, para pegar apenas um exemplo de cada extremo. Quando há esse estouro mencionado acima, em paralelo surgia o Grunge impulsionado por Nirvana, Alice in Chains, Pearl Jam, Soundgarden, etc. Isso colocaria o Rock nas paradas de sucesso, mas saturou todos os cenários possíveis. Era normal ver bandas como as citadas acima nos noticiários do cotidiano, as rádios rodavam determinadas musicas de algumas bandas até encher o saco. Cada lançamento de Guns n' Roses, Metallica, Nirvana, ou qualquer novo nome que aparecia na cena, era uma excessiva exploração o que deixava o contexto decepcionante de certa forma. O lado bom disso tudo é que muita gente buscava os clássicos e grupos menos conhecidos para continuar ouvindo Rock, mas sem prestar muita atenção no mainstream. Para a segunda metade da década, nomes que pareciam acendentes acabaram por decair. Já tínhamos o suicídio de Kurt Cobain, certo desgaste das bandas citadas e o sepultamento do Hard Rock de arena. Isso em decorrência da saturação que acara de citar. As gravadoras investiam muito dinheiro em promoção, mas também abusavam do material que tinham nas mãos, sugando até não poder obter mais nada.
          Nesse período de final dos anos 1990, o mercado musical mudava com o gradual crescimento da música digital e o encolhimento do saturado mercado ditado por gravadoras e a MTV. Bandas como Iron Maiden e Judas Priest perdiam seus vocalistas e mudavam radicalmente de sonoridade, o Metallica tentava reproduzir a sonoridade em voga com álbuns como Load e Reload, o Sepultura soltara um embrião para o Nu Metal, Roots, mas se separara, o Pantera, grande força dos anos 1990, também se deteriorava após o sucesso de Far Beyound Driven, o Anthrax apresentava problemas com John Bush no lugar de Joe Belladonna, ou seja, tudo estava mudando, tudo mesmo. O pior é que, mesmo com tantos indícios, a maioria das pessoas não acreditava nisso. Muitos, por mero cinismo ou arrogância, pregavam que o Rock estava morrendo sem ter argumentos reais para isso. De qualquer forma, a saída de Bruce Dickinson do Iron Maiden, que já optara por simplificar seu som nos álbuns No Prayer for the Dying e Fear of the Dark, para gravar um disco mais alternativo, Skunkworks e o ingresso de Rob Halford no Fight, banda também alternativa, provaram o quanto o cenários estava confuso. Havia um interesse evidente em optar por se adequar ao som vindo de Seatle ou buscar um caminho mais sujo e underground. Muitas bandas grandes interromperam suas atividades neste período, por não conseguir optar por um cenário ou por outro.
          O mais triste neste cenário foi a ascensão de bandas de Nu Metal como Korn, Slipknot, Limp Biskit, Linkin Park, mas tendo como oposição mais comercial o Green Day e similares que pariram o estilo Emo. Mais do que depressa as MTVs da vida e rádios se agarram nessas novidades como sendo tábua de salvação do mainstream. Se por um lado bandas com afinações baixas, vocais guturais, flertando com Hip Hop, Industrial e Death Metal, não seria a alternativa viável para a sobrevivência do Heavy Metal, pois agradavam á alguns jovens mais radicais, mas não empolgavam os fãs mais ortodoxos, o que era o meu caso, por outro lado ver pseudo punks deprimidos falando de suas frustrações era um fim melancólico para tudo aquilo que o Rock e o Metal representavam. Então, surgia assim o período mais bizarro e improdutivo do Rock, os anos 2000. Que teve o reformulado Helloween ressurgindo, bandas como Hammerfall, Nightwish, Kamelot, entre outras tantas, fazendo um Metal Sinfônico colhendo elementos que surgiram na segunda metade dos anos 1990 e caindo no mesmo pecado do Rock Progressivo dos anos 1970, tentaram ser sofisticados demais e encheram o saco. O Rock fragmentou-se e St Anger do Metallica era o sintoma mais claro. As próprias bandas de Nu Metal, mesmo jovens, davam sinais de declínio por conta de abusos diversos.  
          Mas, por mais que o movimento Emo tenha ganhado corpo e sugado algumas coisas do Grunge, foi só uma fase, logo rarificou e foi esmagado pelo surgimento do Metal. Isso só foi possível porque, mesmo polêmico e sem o charme de outrora, bandas de Power Metal, Nu Metal, entre outros, que sobreviveram nos porões, seguraram o público para uma volta de Rob Halford e Bruce Dickinson as suas bandas, o Metallica e o Megadeth voltando as suas origens sonoras após experiências desafortunadas, grandes bandas voltando a ativa, mesmo que para turnês e álbuns específicos, dando ao público nova motivação, renovando cenários e possibilitando a ascensão de novas bandas. Adolescentes maquiados, talvez para esconder um pouco as suas inseguranças e demonstrar com o visual o que não tinham capacidade de manifestar com palavras, remetiam ao glam dos anos 1980, mas de um forma caricata. A mediocridade sonora das bandas que inspiravam os Emos fez com que essa fase fosse rapidamente colocada no submundo após breve notoriedade. O que fez ressurgir toda a força de bandas clássicas e fazendo aparecer muitas bandas novas que estavam na obscuridade.
           Posso dizer que, por conta de muitos fatores, o Rock e o Metal já se adequaram as mudanças do cenário musical e continuam vivos e mais fortes. A quantidade de shows pelo mundo é imensa, bandas clássicas, embora muitas encerrando as atividades, dão mostras de como são poderosas e relevantes mesmo sem a mídia tradicional ou grandes gravadoras á apoiá-las. Mais uma vez podemos pegar o Metallica como referência deste ressurgimento, pois a ideia de Big Four com Metallica, Megadeth, Anthrax e Slayer tocando juntos em um festival, remete aos tempo áureos do Rock de Arena. Parece que o pior já passou e as coisas estão de volta aos seus lugares. Feliz de quem pode ver Metallica lançando um álbum como Hardwire...To Self Destruct, Megadeth com Dystopia, Black Sabbath e seu 13, Iron Maiden em Book of Souls, entre outras tantas coisas interessantes que tivemos nos últimos anos. Posso citar bandas como Black Country Communion, Alter Bridge, Rival Sons, entre outras, que trazer frescor ao cenário, sem contar o grande esforço dos dinossauros em tentar prover uma despedida digna de seu passado.
          Pra finalizar, deixo aqui esse pequeno resumo sobre como eu vi o cenário musical nesses últimos 30 anos. Sem entrar em detalhes, usando de uns poucos exemplos ilustrativos e traçando um esboço do que seria uma linha de raciocínio. Busco apenas incentivar o pessoal que lê os textos deste espaço a buscar motivações extras para conhecer novas bandas, revisitar alguns trabalhos, talvez até tentar conhecer álbuns que foram ignorados quando lançados, prestar mais atenção no que está acontecendo atualmente e, principalmente, ajudar a manter o Rock e o Metal vivos para que possamos ter muitos momentos de prazer ouvindo música, descobrindo grupos, indo a shows e tocando em bandas. Uma coisa é certa, pois pude comprovar isso ao revisitar muitos trabalhos e ler material antigo de revistas como Top Rock, Guitar Player, Cover Guitarra e Baixo, que o Rock e o Metal são fontes de vanguarda, inspiração, de qualidade, de ousadia e de aprendizado. Tantas bandas, tantos nomes que surgem, somem, reaparecem, morrem, nascem e continuam a nos alegrar e entristecer de forma cíclica. Estudar a história das bandas, se transportar através do tempo ao ler biografias, rever clipes, tudo isso possibilitado pela internet e a multiplicação de informações em diversos formatos, é o que me fez trabalhar com música com a mesma empolgação que tinha no início dos anos 1990. Espero que possam sentir o mesmo. 

sábado, 4 de novembro de 2017

#juntospelalele - Fazer o bem é viável?

          Quando falamos de caridade logo nos vem a mente as ONGs e artistas famosos engajados em causas tão nobres como acabar com a fome no mundo, salvar o planeta do aquecimento global, salvar os oceanos, o ar, os animais, a amazônia e tantas iniciativas tão lucrativas e bem sucedidas, mas apenas para os que as divulgam e participam de suas ações. Aprendi da forma mais cruel a desconfiar dessa bondade toda, apenas conhecendo algumas delas de perto. A maioria das ONGs serve apenas para lavar dinheiro e patrocinar as mais nefastas práticas, infelizmente. Não é por acaso que quanto mais um artista rico se dedica a "caridade" mais ele enriquece, assim como as empresas ou agentes diversos que o apoia. Mas na realidade, se formos analisar com o ceticismo que a prudência exige, veremos que muitas dessas causas são inerentes a ação humana como o aquecimento global, a preservação dos oceanos e a pureza do ar. Mesmo que muitos ecologistas arrogantes venham com seus gráficos e propagandas caóticas, a ação humana é irrelevante frente a elementos tão poderosos da natureza. Quanto a acabar com a fome no mundo, o Brasil produz alimentos para alimentar 1 Bilhão de pessoas, mesmo assim, existem muitos brasileiros que não tem o suficiente para se alimentar, isso que a população brasileira tem por volta de 207 Milhões de pessoas, menos de 1/4 da sua capacidade produtiva de alimentos. É hipócrita quem arrecada dinheiro para combater a fome e entrega aos cuidados de uma ONG famosa. Essa prática só tem como resultado o aumento de famintos nos locais que alegam ajudar, pois a maioria nem fica sabendo deste dinheiro.
          Mas, Paulo, você é contra a caridade? Você que está lendo este texto pode estar se perguntando e a resposta é: Absolutamente não. Por isso eu estou escrevendo esse texto. Por mais que o enunciado feito pelo primeiro parágrafo possa dar uma visão contrária, eu vejo a ação individual em prol do coletivo como uma das maiores virtudes do ser humano. Posso até contestar expressões como: "Fazer o bem sem olhar a quem." Pois me aparece muito relativo esse proceder aleatório e genérico, porque vejo que uma ação deve ter certa responsabilidade quanto ao resultado dela. Por mais que eu desconfie das ações do "famosos caridosos" como falei no primeiro parágrafo, muitos deles podem ser bem intencionados, mas pecam por simplesmente despejar dinheiro em prol de uma causa sem dar atenção aos resultados dessa ação. Arrecadar milhões de dólares e entregar na mão de um tirano na África não resolve os problemas dos mais carentes. Não é lógico se preocupar com o mundo sendo que ao seu lado uma pessoa precisa de muito menos, mas com muito mais urgência. Na verdade a caridade nasce quando resolvemos assuntos relativos a segurança, alimentação, educação e saúde de nossa própria família, e tendo condições ampliamos essa ação de alguma forma, sendo em pequenas ações coletivas na nossa comunidade como manter espaços públicos limpos, cobrar as autoridades em relação aos serviços prestados, entre muitas outras coisas. A única forma disso realmente prosperar é transformando a ação individual em benefício do coletivo de forma espiral, aumentando de tamanho com a mesma consistência que partiu do indivíduo. Portanto, se engajar em causas humanas específicas pode ter um resultado muito mais eficiente do que tentar salvar o mundo. Como diz o ditado, as pessoas amam a humanidade mas detestam seu vizinho.
          Me dispus a escrever este texto por conta de um evento específico. Estava vendo um vídeo de forma descompromissada de um youtuber conhecido, o guitarrista Nando Moura, em que ele falava de outro guitarrista, o Kiko Loureiro hoje no Megadeth. Entre elogios merecidos a seu antigo professor, como pode ser visto ao lado, Nando apelou para o lado humano do guitarrista, que é um brasileiro muito bem sucedido no que faz, e linkou com uma campanha para arrecadar dinheiro para a família de uma menina chamada Letícia, que está com leucemia. Ele deixou o link da página da menina no facebook assim como as opções de conta corrente para doações. Essa é uma atitude muito nobre, afinal, ele tem mais de 1 Milhão de seguidores e seus videos tem centenas de milhares de visualizações normalmente. Tomei a iniciativa de doar algum dinheiro para aliviar um pouco as condições financeiras da família da menina, mas também decidi postar na minha página uma chamada para as pessoas contribuírem também. Comecei a fazer o anúncio e iria pagar um dinheiro para impulsioná-lo para que mais pessoas pudessem ver. Nesse meio tempo o telefone toca. Era da empresa Oi comunicando que minha fatura teria um desconto de mais de R$ 20,00 Reais por conta de problemas da internet. Os problemas aconteceram mesmo, pois diversas vezes fiquei sem o serviço e inúmeras vezes recebi técnicos para tentar solucionar o problema. Isso atrapalhou minhas postagens das aulas de guitarra no Youtube que estou disponibilizando, principalmente. Mas voltando ao caso, desliguei o telefone e terminei de impulsionar a postagem que fiz para tentar ajudar a menina de acordo com minhas condições.
          Os mais frios podem alegar que a Oi iria ligar de qualquer forma, mesmo que não tivesse a iniciativa de usar dos meus recursos para ajudar a menina, porém, prefiro acreditar que cada vez que tomamos uma iniciativa efetiva de ajudar alguém, de alguma forma seremos recompensados. Nessa caridade eu acredito, fazendo algo específico, direcionado para ajudar em algo real e tangível. Não quero aqui fazer uso disso para uma promoção pessoal, poderia fazer como faço sempre, discretamente contribuir para uma causa, entretanto, quero incentivar outras pessoas a fazer o mesmo. Seja nas pequenas ações anônimas do dia a dia, ou mesmo em casos específicos, sejam caridosos, principalmente com quem está bem próximo de você. As vezes seus filhos, irmãos, companheiros, pais ou amigos, precisam apenas de um pouco de atenção, de um abraço, de uma palavra amiga, o que for. Somente saberemos disso se dedicarmos um pouco de nosso tempo para simplesmente sermos humanos. A caridade é uma prática que precisa se tornar um hábito. Somente se tornando um hábito poderá realmente fazer a diferença e atrair coisas boas. De forma mais fria e prática, quando resolvemos ou contribuímos para a solução de um problema ao nosso redor, naturalmente nossa vida se torna mais agradável. Aqui no sul, muitas famílias perderam suas casas ou grande parte de seus bens por conta das enchentes e vendavais. Não se pode controlar a natureza, mas se pode ajudar cada uma dessas pessoas de forma especifica. Isso fará com que todas sejam beneficiadas, desde quem perdeu tudo, as pessoas que ajudam, seus familiares e até as empresas que se prontificarem em contribuir com algum recurso.
          Deixo aqui os dados para quem quiser contribuir para ajudar a menina que motivou essa postagem e desde já agradeço a atenção de todos. Espero que este texto sirva para causar uma reflexão sobre o assunto e motivar as pessoas a ficarem atentas com as causas com as quais se engajam e a prestar mais atenção ao que acontece a sua volta. Para finalizar, acredito fortemente que fazer o bem é viável sim, gerando mais coisas boas, tanto para quem precisa de ajuda, mas principalmente para quem ajuda.
          Link para a página da Letícia onde há maiores informações:
 https://www.facebook.com/lelezinhavitoria09/
          Conta: Banco Itaú 341
          Agência: 3176
          Conta corrente: 49065-8
          Luiz Claudio Gonçalves (Pai de Letícia)                   CPF: 820.868.696-49

         

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

D. Pedro I

          Devo a educação pública o conceito que sempre tive sobre D. Pedro I. Um professor de história, que depois viria a ser vereador em minha cidade, indicou a compra de um livro para o estudo da história do país. Segundo ele, aquele livro era uma fonte muito confiável sobre nossa história. Não recordo o titulo do livro nem o nome do autor, mas lembro bem das convicções que formei por conta dessa obra. O fato é que era um livro mentiroso da primeira á última página, como a maioria dos livros de história da segunda metade do século XX em diante. Pintam o Brasil como sendo um paraíso violado pelos portugueses e demonizam diversas figuras importantes da nossa história com a intenção de  destruir a autoestima do brasileiro e criar um novo salvador da pátria de tempos em tempos. Mesmo que nossas ruas levem o nome de diversos homens e mulheres do nosso passado, colocaram uma venda em nossos olhos para que não pudéssemos sequer argumentar sobre o que vemos a nossa volta. Tentam nos convencer que um país deste tamanho foi criado por um bando de idiotas. Uma destas figuras importantíssimas para a construção do Brasil nasceu em 1798, no Palácio Real de Queluz em Portugal e chamava-se Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim, ou simplesmente D. Pedro I. Filho do português D. João VI e da espanhola Carlota Joaquina. 
          Em 1807, Pedro com nove anos de idade, atravessou o oceano para chegar no Brasil. Isso foi motivado pela invasão das tropas napoleônicas em boa parte da Europa. O então regente D. João VI, que assumira o poder após sua mãe, Dona Maria, ser abatida por sérios problemas mentais e se tornar incapaz de gerir o reino português, viu como alternativa mais segura para a coroa portuguesa levar a sede do governo para além-mar, longe do alcance de Napoleão, contando com a expertise ibérica em navegações e a ajuda da marinha inglesa. A família real ficou por 14 anos no Brasil, o que fez com que se unificasse o país de certa forma e se desse um aspecto politico e econômico mais definido para essa terra. Enquanto isso, mesmo tendo professores para servi-lo, D. Pedro teve uma educação deficiente e crescera com valores questionáveis, pois seus país viviam em lugares diferentes e não suportavam um ao outro. Pedro tornou-se adolescente em meio aos escravos e pessoas mais humildes, sendo livre para entregar-se as tarefas mais manuais e relações mais carnais com mulheres negras, índias e jovens portuguesas. Essas características faziam de Pedro uma figura muito distante de um monarca tradicional. O próprio pai era desleixado, não vivia rodeado de luxo e tinha como grande característica pessoal procrastinar em tudo, principalmente em seus atos como regente. Não tendo muito tato para lidar com todas as formalidades de uma família real tradicional, D. João VI viu no Brasil um ambiente de tranquilidade e sossego, mesmo que a nova terra ainda estivesse sob um complexo sistema de construção. Foi o regente português quem criou a estrutura inicial sobre a qual D. Pedro I constituiria seu império.
          Em 1817, D. Pedro causou-se com uma princesa austríaca, Maria Leopoldina. Os relatos de seus procuradores narravam inteligência, preparo, cultura e belos olhos, mas ao receber a princesa, D. Pedro deparou-se com uma mulher de poucos atrativos físicos. Isso pode ter mexido um pouco com as fantasias do jovem príncipe, pois era rodeado de diversas mulheres, possivelmente mais belas que aquela que escolheram para ser sua esposa. Mesmo assim, aos poucos a austríaca foi se tornando íntima do príncipe e compartilhando com ele momentos importantes de nossa história. Ela gostava de música e teatro, assim como o príncipe, sendo uma incentivadora de seus poemas e composições musicais. Tiveram sete filhos, pois mesmo que D. Pedro se envolvesse em romances proibidos, principalmente com a paulista Domitila de Castro, sempre foi bom pai e marido dedicado. Alguns relatos de agressões por parte do português para com sua esposa nunca foram comprovados, já que era comum levantarem diversas histórias a seu respeito, muitas delas caluniosas. Mesmo sem ter muita instrução formal, Pedro teve na sua esposa uma mulher preparada para ser rainha, sendo conhecedora de regras de etiqueta e como lidar com a criadagem. Com certeza isso colaborou para a formação do regente do Brasil e depois imperador.
          Com a Revolução do Porto em 1821, D. João VI foi coagido a voltar a Portugal, tendo que deixar na regência do Brasil seu filho Pedro. O rei deixou um esboço de uma estrutura criando o Banco do Brasil, organizando o comércio do Rio de Janeiro e formulando leis que norteariam os processos jurídicos e sociais. Não demorou para que o príncipe fosse instigado a tomar partido na causa da independência que já pululava os debates e as mentes dos portugueses nascidos no Brasil. Apoiado por sua esposa e pelos políticos cariocas, D. Pedro decidiu ficar no Brasil quando de sua intimação para retornar ao seu pais de origem. Então 09 de janeiro de 1822 ficou conhecido como "o dia do fico". Como regente e defensor perpétuo do Brasil, teve diversos problemas para manter a estabilidade politica e social. Ingressou na maçonaria e teve como grande amigo e companheiro o paulista José Bonifácio. Juntos tentaram manter o governo unido, dar um rumo para as questões separatistas e organizar a sociedade. Então, após alguns despachos de sua esposa oriundos do Rio de Janeiro, D. Pedro, que se encontrava em viagem, declarou a independência do Brasil e assinou a oficialização. O Brasil passava a ser um império e o jovem português seu monarca em 07 de setembro de 1822.
          Ao contrário do pai, o jovem imperador não tinha muita paciência para lidar com as questões do império. Por volta de 1823, não tolerando a demora dos deputados em dar ao Brasil uma constituição aos moldes que o imperador desejava, dissolveu a assembléia constituinte e outorgou ele próprio uma constituição. Essa atitude autoritária, entre outras, fizeram com que muitos políticos o detestassem, principalmente os portugueses. Talvez por influência de alguns membros da maçonaria e também da Marquesa de Santos, D. Pedro entrou em atrito com José Bonifácio e não tardou para que o Andrada fosse exilado após ter renunciado o ministério que ocupava e voltar ao cargo. A relação de D. Pedro com José Bonifácio era muito estreita, sendo que o Andrada construíra, de certa forma, a imagem do imperador a ser levada aqueles que ainda não o conheciam fora do Rio de Janeiro. Uma das sugestões fora que o imperador viajasse aos principais cidades para ser conhecido pelo povo. Nesse ínterim, José Bonifácio e D. Leopoldina tomavam conta das ações imperiais. 
          D. Pedro tentou montar ministérios para proceder com seus ímpetos liberais, mas sempre acabava por sofrer com sua impaciência e pessoalmente lidava com os mais diversos assuntos, passando por cima de pessoas que escolhera para ocupar os cargos do governo. Era homem ativo, dormia pouco, muito dado ao concubinato, causou escândalos, cultivou inimigos, sofreu com a morte do pai, o desaparecimento da mãe, a morte de sua esposa, mesmo assim, regeu Portugal dando-lhe uma constituição em épocas de crise política e abdicou do trono português em nome de sua filha Maria da Glória em 1826, para ficar no Brasil. Mesmo assim, em 1831 abdicou por pressões políticas para seguir a risca a constituição. Havia Casado com D. Amélia, após dois anos de viuvez. Seu casamento fez com que abandonasse de vez a Marquesa de santos, assim como seus eventuais casos extra conjugais. Isso não foi o suficiente para que seus detratores o poupassem, já que D. Pedro, além de ser regente, depois imperador, escrevia em jornais com pseudônimos para responder que o criticava e atacar seus desafetos. Fora, inclusive, em dado momento, acusado de tentativa de assassinato de um de seus antagonistas, sendo o próprio alvo de atentados de homicídio mal-sucedidos, tal a tensão politica que estava no país. 
          Abdicando em nome de seu filho D. Pedro II, D. Pedro, agora Duque de Bragança, tratara de resolver suas finanças vendendo propriedades e estruturando as condições de seus filhos que ficariam no Brasil. Antes disso, reaproximou-se de José Bonifácio deixando-o como tutor de seus filhos por um tempo. Abandonou o longo relacionamento com Domitila, com quem teve dois filhos,  por conta de seu casamento com D. Amélia, como havia mencionado anteriormente, tratando de garantir que não ficassem de fora de seus cuidados, proporcionando-lhes educação e títulos. Sua saúde era instável, mesmo sendo um homem muito ativo e sempre a frente de todas as iniciativas. Mal chegara na Europa e já se pôs a frente de um plano para montar uma diligência que visava restituir a coroa lusa para sua filha, então usurpada por seu irmão Miguel. Passou um período entre França e Inglaterra até o nascimento de sua filha caçula e levantar o montante necessário para custear a investida contra o usurpador. Por volta de dois anos lutou contra o exército de seu irmão, muitas vezes se expondo na frente de batalha. Seu esforço valeu a pena. Conseguiu reconduzir sua filha ao trono e tomar o controle político de Portugal. Entretanto, em 1834 faleceu por diversas complicações de saúde em Queluz onde tinha nascido. Seu coração foi enviado ao Porto em reconhecimento aos tempos que foi general do exército constitucional.
          D. Pedro I foi um personagem controverso e a fama de mulherengo e instável se justificava. Contudo, muito longe de ser um tirano ou um ignorante, tinha virtudes que possibilitaram separar Brasil de Portugal para sempre. De forma deficiente e peculiar escrevia seus poemas, compunha suas musicas, escreveu duas constituições liberais e aceitáveis para época, apreciava muito o trabalho de Benjamin Constant, se dedicava a trabalhos manuais e insalubres, era avesso ao luxo, embora apreciasse belas artes. Um homem com belas virtudes e defeitos escandalosos, mas que foi a figura que manteve o Brasil unido, sem se desmanchar em pequenos países hostis entre si como ocorrera na América espanhola. Seus méritos foram soterrados pelas campanhas republicanas e depois foi motivo de zombaria por aqueles que contaram a história principalmente nos últimos trinta anos. Quem acuso D. Pedro de déspota, oportunista, mulherengo e belicoso, normalmente considera guerrilheiros e terroristas como sendo heróis do povo. Quem o chama de tosco e inculto, faz companha e tem um semi analfabeto como grande líder nacional. Quem despreza a figura de D. Pedro é ignorante ou mal caráter, pois não se pode exigir nobreza de um imperador tendo como referência a mais rasteira classe política e intelectual.
          Tenho dedicado parte de meu tempo pra estudar o período imperial brasileiro e ter acesso as informações que me foram sonegadas pelos professores e pelo estamento cultural brasileiro. Não é difícil ter contato com pessoas de grande importância para o Brasil e que foram substituídas por símbolos positivistas e muitas vezes autoritários de nossa república tão problemática. Posso citar Joaquim Nabuco, José Bonifácio e seus dois irmãos, André Pinto Rebouças, o próprio D. Pedro II, a princesa Isabel, Bernardo Pereira de Vasconcelos, Evaristo Ferreira da Veiga, Diogo Antônio Feijó, Machado de Assis, José do Patrocínio, Barão de Mauá, entre outros tantos, que tem seus nomes conhecidos, mas seus feitos, pensamentos e suas personalidades permanecem estranhos a maioria dos brasileiros. Como é popular dizer, um povo que desconhece suas origens não pode saber para onde vai. Talvez seja esse o principal problema do brasileiro, usar do coitadismo para justificar tudo e receber benefícios. Perguntando a opinião de um produtor musical inglês o porquê dos brasileiros serem tão diferentes dos ingleses em termos culturais, desfazendo de suas origens e sempre buscar criar símbolos artificiais para idolatrar, recebi como resposta: "Pode ser porque na Inglaterra somos todos súditos e os brasileiros se dividem em minorias." Faz algum sentido para mim.