sábado, 29 de abril de 2017

Greve Geral


          Nesta sexta, 28 de abril de 2017, foi convocada uma greve geral pela CUT e sindicatos ligados a ela, como se não bastasse a greve dos municipários aqui onde resido. Na pauta estavam a reforma da previdência e trabalhista. Ou seja, através dos veículos de imprensa, rede sociais e panfletagem, membros ligados à sindicatos, convocaram os trabalhadores para que não trabalhassem neste dia em protesto contra as tais reformas propostas pelo governo federal. Já nas primeiras horas da manhã nas redes sociais já circulavam imagens de ônibus queimados, mensagens de ameaça para quem fosse trabalhar, algumas pessoas denunciando que foram coagidas pelos próprios colegas para não saírem de casa, pois teriam seu patrimônio depredado, sofreriam agressões físicas e coisas do tipo. Aí é preciso uma pequena reflexão, se buscam o apoio popular, precisam ameaçar as pessoas, atear fogo em ônibus, ameaçar os responsáveis pelas empresas de transporte para que não disponibilizem meios para que os trabalhadores, estudantes, doentes com consulta marcada, possam se locomover pelas grandes cidades? Isso prova, de certa forma, que todas as ditas ações populares convocadas por essa gente é baseada em coações ou patrocinada financeiramente mesmo, não tendo o amplo apoio popular que as greves já representaram no país em tempos idos, quando a maioria das convocações eram feitas no corpo a corpo e tinham grande adesão. Claro que nessas condições apresentadas inevitavelmente algumas cidades iriam parar, mas querem alegar que é a grande adesão da população? Isso é forçar e muito a barra. Troquemos a palavra adesão por coação.
          Quando se pega as imagens feitas em algumas cidades nessa sexta-feira, percebe-se o quanto certos movimentos querem transformar o Brasil em uma nova Venezuela. Se mostrar apenas as imagens, sem legenda, fica difícil em um primeiro momento distinguir do que se trata. Só temos certeza quando vemos as bandeiras, camisas e bonés da CUT, PSTU, PSOL e tutti quanti. Isso não é novidade para quem conhece a ideologia de sindicalistas e movimentos ligados a esquerda da América Latina. Utilizam a fragilidade intelectual, e até social, de muitas pessoas para disfarçar certos interesses que vão muito além das causas populares. O principal deles talvez, o fim da contribuição sindical compulsória. Aquele diazinho de trabalho que é descontado anualmente de todos os trabalhadores para financiar os sindicatos. Outro motivo é a iminência de Sérgio Moro decretar a prisão de Lula, mas isso fica mais no imaginário dos extremistas de ambos os lados. É comum nos depararmos com pessoas de posição firme e repetindo o discurso que lhes foi transmitido, sem muitas vezes fazer ideia do que realmente estão representando. Essa sempre foi uma constante, desde a abertura democrática em 1985, com o fim do governo militar, as pessoas mais humildes sendo usadas progressivamente como fantoches por quem enriquece sem o menor pudor, muito menos trabalho, as custas de quem precisa de representação. A tática marxista de utilizar as dificuldades na relação entre trabalhadores e donos de empresa ainda é eficiente, mesmo que fique bem claro que quem financia os políticos são os grandes empresários. Os mais humildes são usados como massa de manobra e tem seu dinheiro extorquido sem que recebam as devidas contrapartidas, ou seja, investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura.
          Eu sou contra os sindicatos, mas admito que alguns são atuantes proporcionam benefícios as classes que representam, pois sempre teremos pessoas sérias e vagabundos aproveitadores em todos os setores da sociedade. O próprio conceito de greve é legítimo e muitas vezes necessário para que não se perpetue absurdos históricos. Porém, acredito ainda que uma representação judicial seja muito mais eficiente que movimentos políticos orquestrados por interesseiros. Entretanto, também não podemos esquecer que a ideia de criar sindicatos como temos hoje, é originária do fascismo italiano de Mussolini, que vendo a necessidade de plantar interlocutores entre o governo e a classe operária, utilizou-se de tal expediente para obter o apoio dessas classes e tranquilizar os empresários. Esse foi o contra veneno utilizado, pois já na primeira metade do século XX, os trabalhadores eram o alvo principal de revolucionários que queriam pressionar algum governo. Se pegarmos o discurso oficial de todo sindicalista, teremos a pregação clássica do empresário capitalista mal e o trabalhador oprimido. O próprio uso das palavras é deturpado em nome da causa, como escravidão, entre outras. Também não faltam as mentiras usadas como argumento, já que se tem a certeza de que as pessoas envolvidas não se interessam em se informar. Tudo teatro, afinal, se não houverem empregadores, não haverá trabalhadores, não havendo trabalhadores, não haverá imposto sindical, não havendo imposto sindical só quem realmente estiver empenhado em representar uma determinada classe vai querer assumir tal responsabilidade. Pois é exatamente isso que acontecerá, este ultimo item, a lei prevê o fim da contribuição compulsória dos trabalhadores para os sindicatos. Isso é perfeito, pois quem quiser manter um sindicato deverá trabalhar de verdade, não ficar conspirando e articulando manifestações o dia inteiro de acordo com os interesses de quem manda neles.
          Voltando as greves, elas tem mais um efeito estético de pressão do que uma ação representativa reivindicando algum beneficio comum e legítimo. Se houvesse real interesse em representar os cidadãos, haveria uma ação representativa na justiça, campanhas informativas citando o texto das leis em debate e como funciona todo o processo, ações desse tipo, e por fim uma greve embasada e com adesão espontânea. Na falta de representatividade politica dentro das instituições como câmaras e senado, busca-se criar efeitos visuais, com o grande apoio da mídia, é claro, para se utilizar disso como argumentações do tipo: "É o povo nas ruas!" sendo que, na verdade, nem 10% da população, mesmo coagidas, adere à essas causas. A tática é convencer os sindicatos dos trabalhadores de empresas de transporte para interromperem seus serviços, ocupar pontos estratégicos, para dificultar e até impedir totalmente que os trabalhadores cheguem aos seus postos de trabalho. Sem ônibus, trens e metrôs, fica quase impossível que grande parte dos trabalhadores cheguem até seus empregos, principalmente nas grandes cidades. O direito de ir e vir, a liberdade de exercer sua profissão e a utilização da representatividade como agente de pressão sobre o trabalhador, são crimes praticados contra a sociedade, mas que passam batido, sem punição. Fica evidente que quem diz lutar pelos direitos do trabalhador, não se constrange em infringir a lei e violar outros direitos em beneficio institucional ou partidário. Aliás, infringir a lei não é problema no Brasil, onde criminosos ocupam cargos públicos, até eletivos, e guerrilheiros se tornam heróis.
          Tivemos que lidar com a presença constante  da corrupção no Brasil desde que eu me conheço por gente, porém, desde 2005, quando veio a público o mensalão, até agora, quase metade de 2017, mais fica clara a necessidade que a população tem de ser enganada. Isso chega a ser patológico. Defendem pessoas que, além de sobreviverem com o financiamento dos mais pobres, tem salários surreais, poderes quase que ilimitados e ainda são patrocinados por grandes empresas para suas campanhas politicas em troca de favores futuros. Ou seja, na base de toda essa movimentação articulada com o discurso de defender o trabalhador, estão os políticos patrocinados por mega empresários. Ou paira alguma dúvida de que tudo não passa de teatro politico em favor de petistas e agregados? É muito difícil explicar porque pessoas saem as ruas para defender quem recebe milhões em falcatruas, usando da representatividade que tem graças ao consentimento dos mais pobres. Como um país pretende acabar com a corrupção se pessoas humildes saem as ruas para defender quem usa a posição que ocupa para roubar o dinheiro que poderia ser usado para diversas melhorias para todos? Como um país pode avançar em algum sentido se quem realmente precisa de assistência do governo se contenta com o SUS, o atual ensino nas escolas, as condições das estradas, o atendimento nos órgãos públicos? Como alguém pode alegar defender o povo impedindo as pessoas de trabalhar, depredando o patrimônio público, invadindo escolas e etc? Até quando as pessoas vão aceitar este completo controle que diversos  setores exercem sobre o cotidiano na população?
          Pois bem, mais uma vez tivemos uma queda de braço entre políticos que querem apenas se dar bem e se livrar de acusações que pesam sobre eles nos diversos processos que correm no ministério público e na polícia federal contra aqueles que, também investigados pelos mesmos crimes, tentam barrar de todas as formas o andamento dos processos do governo tapa-buraco. Traduzindo, há uma queda de braço entre o PMDB, que se aliou ao PSDB para seguir o mandato após o impeachment de Dilma Roussef e aqueles que apoiavam o governo petista. Todos sabem que a CUT, MTST, MST, UNE, entre outros, são braços do PT, e a estratégia utilizada para reverter a situação politica criada pelos escândalos de corrupção e a incompetência na gestão pública perante o eleitorado brasileiro(falei disso aqui e aqui). As eleições municipais de 2016 mostraram a grande queda da popularidade do PT e de muitos dos seus aliados, onde tinham mais de 600 prefeituras e acabaram ficando com menos de 300. Outra demonstração de impopularidade de Lula, foi quando o mesmo tentou angariar R$ 500.000,00 Reais em uma campanha pela internet, mas mal passou de R$ 270.00,00 (falei disso aqui). A constância de diferentes investidas utilizando esse tipo de expediente como a invasão de escolas (falei disso aqui), ocupações de vias públicas (aqui falei disso), etc. tem esgotado essas táticas. Portanto, só se pode supor que queiram ganhar tempo e desviar a atenção para a derrocada da hegemonia petista dos últimos anos. Há quem diga, dentro do próprio partido dos trabalhadores, que é melhor Lula ser preso e sustentarem o discurso de perseguição, do que manter um processo para uma candidatura de 2018 e acabar perdendo nas urnas, isso seria um golpe definitivo em cima do partido. O fato é que isso não vai parar e o desenrolar de tudo isso depende de diversos fatores, em paralelo, o Brasil vai se tornando uma nova Venezuela, o que mantém os princípios esquerdistas de PT, PCdo B, PDT, PPS e afins, no controle prático da situação. Confira o vídeo complementar no meu canal do Youtube abaixo:


sexta-feira, 21 de abril de 2017

Conservadorismo segundo um brasileiro

          Entre tantos debates políticos, onde entram expressões como esquerda X direita, socialismo, comunismo, liberalismo e conservadorismo, o que realmente se consolida são grupos distintos reunidos para debater ideias que eles concordam e falar mal da ideologia dos outros grupos. Quando uma pessoa se identifica com uma ideologia, logo se vê obrigada a se defender de diversas pechas que acabam caindo sobre ela por uma atitude viciosa, fruto do comportamento que falei acima, pura reação ao posicionamento contrário e não questionamentos sobre as posições pessoais de tal indivíduo. Isso é normal e corriqueiro nos dias de hoje, pois os assuntos relativos a política são basicamente piadas prontas, basta acompanhar o início de uma conversa para se ter a completa noção do que virá em seguida. O debate está acirrado em alguns aspectos, na verdade não há debate e sim, troca de acusações, pois há uma ideia equivocada de uma direita ligada a ditadura militar, sendo esta a única referência de quem não aceita qualquer posicionamento, que não seja claramente identificado com a esquerda ideológica, que impera no Brasil. Por outro lado, as pessoas têm se identificado como liberais e conservadores, mais para afastar de si toda a carga negativa, que os recentes escândalos de corrupção tem provocado e a crise politica e econômica, que o país enfrenta por conta da hegemonia ideológica da esquerda nacional. Sobre as crises éticas, morais e educacionais não há grande preocupação, pois não afetam diretamente o bolso das pessoas e nem refletem uma ameaça de longo prazo. A mesma coisa em relação a crise da segurança, só se torna realmente um incomodo quando acontece perto da gente, quando um ente querido ou alguém próximo é vitimado de alguma forma. De resto, a violência é mais relevante para ilustrar matérias de tele jornais ou capas de revista, alimentando um debate inócuo e ilustrando teses rasas. Mas entendo que essa briga, que se mostra totalmente irracional, não traz benefícios claros para ninguém, apenas para aqueles que se servem do banquete principal, que é a ocupação de cargos políticos e a apropriação de dinheiro e bens materiais frutos de corrupção, favorecendo àqueles que tem a opinião como meio de sobrevivência. Ficam dois lados se articulando, se caluniando, trocando ofensas e nada se resolve, nada se tira dessas discussões que seja aproveitável na direção de soluções viáveis para problemas práticos. Para o cidadão comum, e todos nós o somos em nossas necessidades do cotidiano, o importante é ter uma forma digna de se manter perspectivas favoráveis de subsistência, afinal, ninguém consegue desfrutar de uma vida digna num ambiente corrupto e nocivo como está nosso país. Temos uma situação em que beira os 70.000 homicídios por ano, o péssimo rendimento escolar, desemprego e os altos níveis de corrupção que agem diretamente sobre estes aspectos tão fundamentais para o bem estar coletivo. Isso interfere diretamente no sistema de saúde, nas condições de habitação, na convivência entre as pessoas e no desprestígio do brasileiro, tanto internamente como internacionalmente.
          Eu me identifiquei como um conservador, quando abandonei os discursos prontos e comecei a ver o mundo de dentro da minha casa para fora e não o contrário. Definindo bases que realmente fossem importantes para que as pessoas que dependem de mim tivessem uma vida mais digna. Claro que ter contato com conceitos de intelectuais de onde há realmente o conservadorismo ajudou a organizar as ideias e agregar argumentos nessa direção, mas ser conservador vai de encontro ao conceito de vida adotado e não a uma ideologia política propriamente dita. Há uma tendência bem forte em se atacar um espantalho conservador inventado por socialistas/comunistas e endossado por radicais de direita, que existem apenas para antagonismo para com esquerdistas, ecoando apenas as mesmas bravatas oriundas do outro lado num reacionarismo vazio. Como fui criado de acordo com a doutrina cristã, sigo estes conceitos ao lidar com minha esposa e educar meus filhos, pois acredito que eles representam uma continuidade de um legado que garantiu que eu estivesse aqui hoje. Não pertencemos a nenhuma espécie de igreja e nem frequentamos cultos ou missas, mas cultivamos pequenos hábitos, fazemos nossas refeições juntos e conversamos sobre nossos assuntos durante estes momentos. Só se come quando todos estão servidos e sentados a mesa. Não há diferenciação de cardápio, salvo em raros casos de enfermidade, todos comem a mesma coisa é preparada para a ocasião. Respeito minha esposa e ambos exigimos respeito como chefes de família por parte das crianças. Quando há uma discussão entre os filhos, todos são chamados para esclarecer as divergências. Dividimos a responsabilidade sobre a manutenção do lar como sendo nosso refúgio e fortaleza. Temos leis próprias que servem para garantir o direito de cada um e a preservação do coletivo. Só são bem vindas em nossa casa, pessoas aceitas por todos e que respeitem a todos. Entendo que o homem que abre as portas de sua casa a qualquer um, indiscriminadamente, não é gentil e hospitaleiro, não passa de um irresponsável, pois coloca seu patrimônio e a vida de seus familiares em risco. Aquele que sabe definir limites ao receber desconhecidos ao portão, não é um mal educado preconceituoso, mas um zeloso defensor daquilo que possui e representa. Sobre minha responsabilidade pesam os atos de meus filhos e eu os assumo enquanto são imaturos e incapazes de distinguir de forma clara o certo e o errado, mas os puno no rigor que o delito exige para que não se repita e eles aprendam com os próprios erros. Cabe a mim manter a solidez do lar levando para casa, com o fruto do meu trabalho, o necessário para garantir nosso sustento e agir com retidão frente à família para dar o bom exemplo, tentando administrar nossos recursos de forma racional e que não tragam prejuízos para todos. Não sou um aventureiro que se utiliza do poder de endividamento para financiar superficialidades ou luxos que não condizem com nosso padrão sustentável de vida.
          Recebi uma herança que não era financeira, mas material e intelectual, portanto me sinto na obrigação de respeitá-la, aprimorá-la e passa-la adiante, para os meu filhos e quem vier a pertencer a minha família ou ciclo íntimo de amigos. Cresci em meio a árvores frutíferas e a proteção de uma família amorosa e humilde, quando uma propriedade era um investimento de uma vida e era bem maior fisicamente do que um cantinho apertado entre uma dezena de casas ou um apartamento em um prédio. Onde conviver com animais domésticos e a terra era algo rotineiro. Recebi como herança a retidão de caráter e a noção do meu correto lugar no mundo, mesmo não tendo agido dessa forma em muitas situação ao longo da minha vida. Sofri quando meus tios venderam a propriedade em que cresci e deterioraram o patrimônio de uma vida, construído pelo meu avô com seu trabalho humilde e mal remunerado. Isso foi fruto da ganância individual, da evocação de direitos sem o devido cumprimento dos deveres. Não se tratou de receberem um montante financeiro que fizesse diferença, foi única e exclusivamente por mesquinharia baixa e irracional. Os herdeiros de meu avô, em sua maioria, desconsideraram o valor agregado durante meio século para trocar por um montante de dinheiro que se diluiria em poucos meses. Vi neste episódio o que representa as lembranças de refeições em família, o valor agregado de uma mesa, de uma parede, de um porta-retratos e de um passado, num contexto comum à todos. Objetos são apenas objetos quando deslocados do ambiente que lhes atribui valor, por isso é difícil de por preço na estima pessoal ou familiar. Temos que respeitar o que existiu antes de nós e nos foi passado quando nascemos e não considerar um fardo ou um peso a ser carregado quando as situações mudam, como fazemos com os nossos idosos ao colocarmos eles em asilos e nos apropriarmos de seu patrimônio. Sei como é a sensação de adquirir uma propriedade e construir um lar com as próprias mãos de acordo com os recursos disponíveis e o quanto dói ter que se desfazer dele por motivos alheios a vontade. Sei como é ser pai e assumir a responsabilidade de instruir uma criança conforme certos padrões de conduta, para que ela possa gozar da liberdade no futuro, mas sem esquecer de suas obrigações e limitações. Estes padrões me foram passados, límpidos, justos, honestos e por isso, muito valiosos. Estes são valores a serem preservados e a base do conservadorismo, receber algo e agregar valor a ele. Quando temos essa noção, passamos a enxergar o mundo de outra forma, não com a ingenuidade dos que possuem boa fé, mas com a justiça de quem representa algo maior que a si mesmo. Triste daqueles que não tiveram bons pais que os acolhessem, mesmo que estes não fossem biológicos, pois perderam atributos muito importantes que só poderão conhecer na teoria caso não construam seu próprio patrimônio familiar. Maldito o pai e a mãe, que por egoísmo, viram as costas para os filhos quando estes estão indefesos, que julgam a paternidade como um fardo, pois ela é apenas a vida se renovando através dos indivíduos. Infelizes são os casais que não cultivam o respeito, o amor e a boa convivência dentro do lar, mesmo que a tolerância, o perdão e a resignação sejam as únicas ferramentas eficazes em alguns casos. Maldito o filho que vira as costas para pais amorosos e age guiado pelo desgosto que causa a eles. A rebeldia é uma fase da imaturidade, mas quando se torna permanente é um sintoma de ingratidão, um dos maiores defeitos do ser humano.
          Ninguém merece respeito por simplesmente estar ocupando um posto ou ostentar um cargo. Lidar com hierarquias é um dos problemas mais delicados no cotidiano, pois muitas vezes estamos fadados a conviver com ineptos e rancorosos em hierarquias superiores. Um homem tem que honrar o uniforme que enverga e proceder com correção onde está lotado. Ninguém pode ser respeitado sem ter merecido tal mérito, mas ainda há um respeito à símbolos e cargos. Quem sabe agir com o devido respeito, mesmo ao lidar com um crápula, é um exemplo de pessoa que merece ser respeitada. O mérito deve ser o fator decisivo em todos os quesitos e buscar o mérito é a única justificativa que pode conferir ao individuo algum reconhecimento. Mesmo assim, convivemos com regras e leis, que mesmo não sendo justas ou racionais, representam a convivência do coletivo, por isso devem ser observadas. Não é digno quem rouba, mente e trai, não importa o quanto queira relativizar a moral ou a ética, o caráter não é sensível a criticas relativistas, mas sim ao correto crivo da dignidade. Ao homem não é lícito agir contra qualquer lei, mas também não pode agir de má fé amparado por alguma delas. O homem que vê na lei injustiça deve lutar para corrigi-la, o que se apoia na lei para objetivos mesquinhos deve ser punido por uma lei superior. Um corrupto deve ser tratado com desprezo pelo homem de bem, mesmo sendo ele um nobre ou ente querido, assim como uma pessoa de bem deve ser tratada com o devido respeito, mesmo que seja um humilde ser vivente. Quem se alia a corruptos e malfeitores deve ser da mesma forma julgado, mesmo que prove sua honestidade, o vínculo o torna um suspeito em potencial. Aos primeiros é merecido o castigo, a destituição e o exílio da sociedade. Para o segundo deve haver, no mínimo, um voto de confiança, mas não sem antes pesar sobre ele o olhar da desconfiança. Ao avaliar outro ser humano, o justo despe-se de preconceitos, mas arma-se com essa desconfiança e a educação que o permita avaliar tal estranho de forma justa. Assim se comporta um conservador ao lidar com as situações do cotidiano. Os limites podem variar, assim como a cultura de cada um, afinal somos cristãos, espiritas, exotéricos ou simplesmente ateus. Somos brancos, pretos, mulatos, índios, loiros, ruivos, cafuzos, caboclos e amarelos. Somos latinos, hispânicos, europeus, orientais, norte americanos ou imigrantes de qualquer lugar, mas acima de tudo, somos gente e merecemos o reconhecimento por nossos méritos. Quem ostenta suas origens sem desrespeitar o chão em que pisa e os costumes locais, é digno de livre convivência e merecedor de hospitalidade.
          Guardados leves desvios de caráter, vícios, burrice, idiotice, letargia e trapalhadas grosseiras, nossa culpa é perdoável, mas nosso dolo não é algo a ser digno de pleito por perdão. A vida em qualquer estágio é sempre o maior bem e deve ser protegida a qualquer custo, o que torna muitas ideias e debates plenamente descartáveis. Assim como as particularidades das pessoas e dos lugares que devem ser analisadas criteriosamente e respeitadas. Não se pode ofender uma religião, uma cultura, um costume ou uma opção para fazer valer alguma motivação pessoal, mesmo que atenda ao interesse de um grupo que compartilhe dessa motivação. Saber definir limites e agir conforme princípios justos é a única opção viável para qualquer indivíduo que deseje uma existência justa e busca trilhar um caminho correto. Há um alto grau de cafonice em ser conservador e respirar a nostalgia característica as motivações de um indivíduo dessa linhagem comportamental, mas nem tudo que soa moderno e inovador é justo ou totalmente lícito antes de uma análise criteriosa. Assim sendo, muitos conservadores caem na emboscada de se tornarem teimosos e irredutíveis aos fatos e a novas ideias, o que caracteriza os broncos e os totalitários, não os homens de valores definidos. Porém, os valores que norteiam as bases do conservadorismo são sólidos e racionais, pois são revistos e aprimorados por cada um que os recebe. Este dinamismo diferencia o individuo dos exemplos supracitados. Assim se dá a renovação de um jeito de ser, de uma tradição variável em seus moldes definitivos, mas rígida e inalterável em sua essência. Como toda filosofia de vida, o conservadorismo deve ser debatido, exposto a todo o tipo de análise e criticas, para só assim justificar-se ou ser rechaçado por completo.
          O conservadorismo confronta-se com o liberalismo em alguns pontos específicos, como a legalização do aborto para uns e o livre comércio indistintamente. Um liberal defende a liberdade da mulher em querer ou não gerar aquela vida, outros liberais até questionam a liberdade daquela nova vida ao defender o direito ao nascimento. Em um debate de quem tem a liberdade de fazer o quê, o conservador rechaça totalmente a interrupção de uma vida e ignora o debate de liberdades por uma lei maior. É um dos casos em que as discussões são inúteis por atentarem contra um princípio essencial, o respeito á vida. O próprio acordo de São José na Costa Rica, e respaldado pela sociedade brasileira, prega exatamente este princípio. Um liberal vê o indivíduo como um ser sem vínculo e totalmente alheio a limites de território, costumes e até legislação, só presa pela totalidade da livre iniciativa. O conservador presa pela liberdade econômica, mas zela por um patrimônio cultural e preserva suas raízes. Dada as liberdades individuais, o cidadão ainda é parte de uma comunidade ou contexto pelo qual deve responder e defender para poder manter. O liberal prega um Estado quase que inexistente e tudo privatizado de acordo com as leis de mercado, eximindo-se por possíveis danos sociais separados da condição empreendedora. O conservador zela por instituições sérias, justas e sustentáveis que o represente e que mantenha o senso civil e nacionalista, atendendo os interesses e garantindo os direitos de cada cidadão. Portanto, a segurança, a saúde, a legislação e o vínculo colaborativo entre as instituições representativas e o indivíduo devem co-existir de forma racional. A liberdade de mercado é vista com diferenciação sistêmica entre estes e aqueles. Para o conservador há a necessidade de um crescimento da indústria nacional e a evolução tecnológica, dando know how ao sistema produtivo que o possibilite libertar-se da influência direta estrangeira. Já os liberais pregam a plena abertura de mercado sem o mesmo compromisso com o legado deixado pela exploração estrangeira. O liberal acredita única e exclusivamente no ganho individual e pouco considera fatores mais ligados ao caráter e a cultura coletiva. Esse pensamento faz com que ele não cultive restrições ao uso de drogas, pois o conjunto social não lhe atrai a atenção, ele o vê como um imenso mercado potencial. O conservador já vê nessa prática um fator sério de risco ao indivíduo, pois a degeneração social é prejudicial a ele próprio. Como não há um sistema produtivo de drogas que esteja legalizado, o mercado é monopólio do crime organizado. Legalizar essa prática estará autorizando as atividades de grupos estruturados que se utilizam dos mais condenáveis recursos em seus empreendimentos, mas soa a parte dos liberais como intromissão do Estado ao livre agir do cidadão. Nisso liberais e esquerdistas costumam agir da mesma forma, colocando realidades pontuais em destaque enquanto negligenciam as consequências. Se apegam ao mundo teórico, o organizam e depois tentam trazê-lo para a realidade sem medir os riscos deste empreendimento. Nessa tarefa eles têm que argumentar e relativar várias coisas para que seu mundinho utópico não caia em contradição, pois quem confronta certas teorias com a realidade, acaba percebendo que não passam de ufanismos, deslocados do senso prático. 
          O conservadorismo se manifesta avesso ao socialismo/comunismo por estes basearem suas ações em interesses de grupos específicos e lançarem mão de narrativas fantasiosas para poder embasar suas teorias. Cria-se entidades que ignoram os valores individuais em favor do coletivo, mas que no fundo, atendem aos interesses de uns poucos escolhidos. O mérito acaba sendo um elemento de distorção e não uma meta a ser atendida, pois para que os objetivos dos verdadeiros interessados sejam atingidos, tem de haver o consentimento daqueles que serão a base do processo. Historicamente foram utilizadas táticas de sugestão quase que hipnóticas em busca de tal aprovação popular. Por mais boas intenções que o senso coletivista pode ter em algum momento, sempre barra na sua superficialidade, na aposta em um sentimento imaginário que tentam inserir artificialmente. Enquanto o conservadorismo vê na união uma forma de manter certo resguardo individual, os socialistas ou comunistas veem no coletivo um fim em si e não um meio para se alcançar um objetivo. No conceito destes, a família é mera referência e pouco importa para o coletivo, enquanto que para um conservador sua família é o bem mais valioso. O socialismo/comunismo dá direitos ilimitados aos indivíduos enquanto agem em nome da revolução, mas o conservador sabe que há limites que não podem ser ultrapassados. Os comunistas/socialistas relativizam tudo conforme seus interesses, já o conservador tem bases sólidas e age de acordo com elas. Sem uma manobra de retórica, recheada de conceitos distorcidos, narrativas mentirosas e apelos a entidades fictícias, nenhum movimento convence indivíduos de que um guerrilheiro é um herói, de que um invasor é uma pessoa de bem reivindicando seus direitos. As estratégias para minar as bases do conservadorismo, único fator de resistência a dominação total, agem para diluir a família, os conceitos de posse, da auto defesa, da ascensão meritosa, da vivência plena e real. Tudo que possa ajudar a pessoa a se manter imune a tais revoluções, é um alvo a ser atacado como a religião, a cultura e o real senso de liberdade. Em substituição a isso eles oferecem gratuidades, liberdade sexual como o aborto, proteção do Estado, movimentos sindicais e sociais. Só não explicam ao cidadão que com isso haverá um progressivo aumento de impostos, queda na qualidade de serviços de saúde, educação, habitação e segurança, parceria com criminosos, fragmentação da sociedade em grupos raivosos, entre outros efeitos colaterais que ilustram a história. Para isso a verdade deve ser maquiada aos poucos até se tornar uma narrativa mentirosa e sem importância, só assim as ideias coletivistas sobrevivem se renovando.
          Enquanto estes seguimentos ideológicos lutam entre si, muitas vezes obrigando as pessoas a utilizarem os recursos mais baixos em prol da sobrevivência deles, quem argumenta que toda ideologia é burra acaba se cobrindo de razão. Nada pode atrofiar mais a intelectualidade do que debater com pessoas que compartilham dos mesmos pensamentos, e muitos destes movimentos querem exatamente isso, vender uma ideologia com uma série de receitas de bolo que não podem ser contrariadas com o risco de contrariar os grupos. As pessoas preferem ter um milhão de exemplos que apoiem seus argumentos, mesmo que sejam exemplos mentirosos, do que confrontar seu ponto de vista com pessoas que pensam diferente. Colocar em prática algum projeto realmente efetivo contra algum mal, passa longe da atividade política e intelectual da atualidade. Quando se aprimorou a retórica para facilitar a comunicação e se aprofundar o debate, criou-se muitas técnicas de persuasão, neurolinguística e desinformação para o convencimento massivo, mesmo que não haja embasamento racional. Tudo que se observa no debate político e nas propagandas comerciais, não passa de joguinhos de convencimento que buscam números, sejam votos ou consumidores para sustentarem tais empreendedores. A simples argumentação concisa que apresente um sólida síntese sobre qualquer assunto é a última opção num debate, pois obriga uma análise racional e uma abordagem direta aos fatos, o que acaba deixando o locutor exposto a vulnerabilidade de suas teses. É mais fácil sair no tapa e gritar palavrões do que se ater a um discurso rico e que traga benefícios para ambos os lados. É mais fácil encontrar racionalidade assistindo uma luta de box ou MMA do que presenciar um debate político ou o discurso de um vendedor, por exemplo. Para facilitar ainda mais a absorção de discursos vazios, cheios de floreios e promessas lúdicas, mas que na verdade não passam de meras estratégias de dominação, essas pessoas se fecham em grupos para idiotizarem umas as outras e se protegerem do contraditório. Idiotizou-se a população através de leis coercitivas, aparelhamento do Estado, isolamentos das vozes dissonantes, reescrita da história e contra partidas irrelevantes e temporárias. Tal empreitada deu tão certo que somente agora reaparecem alguns defensores de ideais conservadores, tímidos e confusos em meio a um mar de corrupção e campanhas de desinformação que abrangem todos os seguimentos da sociedade. O fruto mais visível é a fiel devoção ao politicamente correto, que é o guia da imbecilização geral e sistêmica do ser humano.
          Para dar fim a mais um texto longo e tedioso, deixo o fator mais importante de todo este escrito. Quero alertar os conservadores brasileiros que, por mais que figuras como Ronald Reagan e Margareth Tatcher tenham sido símbolos do conservadorismo em seus países em seus respectivos tempos, por elevarem a autoestima destes grupos em favor dos interesses nacionais que representavam, eles nada tem a ver com os brasileiros de hoje. Assim como é importante estudar o material escrito por escritores de lugares onde o conservadorismo é forte e presente para se ter uma ideia dos princípios que se baseiam (falo de um exemplo aqui), é muito mais importante entender como o Brasil foi formado, como sua história verdadeira apresenta os fatos. Sequer podemos atribuir ao cristianismo como única base religiosa, pois somos o resultado do somatório de negros vindos da África, indígenas anteriores à chegada dos europeus, imigrantes de todas as partes do mundo, ou seja, um amontoado de diversos aspectos culturais e religiosos que constituem a base de nossa civilização. Para se conservar de forma justa este legado tão complexo e rico, temos que tentar entender nossas raízes e toda a matéria prima que constituí nossa nacionalidade. Se abraçarmos as mesmas ideias e utilizarmos os mesmos métodos que caracterizam o conservadorismo lá fora, não seremos conservadores, e sim, outra coisa como comunistas e socialistas que buscam implantar aqui ideias importadas e tem obtido sucesso. Conservar as bases que constituem uma nação como a nossa, comum á todas pessoas, do Oiapoque ao Chui, é muito mais complexo do que simplesmente defender bandeiras de oposição ao esquerdismos. Não quero vestir um terno ajustado por outra pessoa, quero envergar algo que me represente, mesmo que seja medíocre ou cafona, mas verdadeiro. Me interessa conhecer D. Pedro I, José Bonifácio, José de Anchieta, D. João VI, entre outros tantos, e falo disso aqui por exemplo, do que ficar me apropriando de discursos britânicos ou norte-americanos para ser um simples antagonista aos comunas. Vídeo complementar no meu canal do Youtube:

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A baleia azul

          Eis que um fenômeno preocupante na internet tem me chamado a atenção, não só a mim, mas a muitos pais, o tal jogo da Baleia Azul. Li apenas alguns relatos na internet e as matérias que saíram na imprensa. Não vou culpar a internet por adolescentes se envolverem em jogos auto destrutivos e nem teorizar a respeito da idiotice dessas jovens, como muitos estão fazendo. Li comentários de que essas meninas acabariam por se dar mal de qualquer jeito, pois são os tipos que ficam mandando nudes via redes sociais em troca de recarga de celular e outros presentes. Ora, para aqueles que pensam dessa forma, só posso dizer uma coisa: "Vocês são parte disso!" Acredito que nunca foi tão difícil para os pais lidarem com os filhos como hoje em dia. Há sempre a preocupação em ter dinheiro para a alimentação, saúde, bem estar e demais necessidades dos filhos, como em todas as épocas, aliás. Como se não bastasse, o governo se coloca entre pais e filhos com leis estapafúrdias. A obrigatoriedade de matricular uma criança em uma instituição é um exemplo, o governo até paga os mais pobres para isso, mas presta um serviço miserável, como todo o serviço público, sem contar greves e abusos de profissionais mal preparados e falta de fiscalização. Fora isso há a tal "lei da palmada", que só se aplica a pessoas de bem, pois pais irresponsáveis ignoram leis e abusam dos filhos sem se preocupar com elas. Como se não bastasse, há a tal doutrinação que todos negam, mas que levou milhares de adolescentes a ocupar escolas para protestar sobre algo que sequer entendiam. Se pessoas ligadas ao governo não tem escrúpulos na hora de utilizar jovens como massa de manobra, imagine se irão zelar pela integridade dos mesmos como sugere tais leis.
          Admito que fico batendo em algumas teclas, o que pode ser cansativo para quem lê meus textos, mas é mais cansativo ainda ver que as mesmas coisas se repetem constantemente. Os pais são responsáveis pelos filhos e não o governo, por mais que "entendidos" discordem. Pais podem errar, ser bandidos, mal preparados, o que for, mas muitos são boas pessoas e amam seus filhos. Por outro lado, o governo é sempre incompetente em tudo. Querem que entregamos nossos filhos a um órgão que erra sempre, para evitar que eventualmente possamos ser maus pais. Pais não fazem greve, pais não tem uma casa com trinta filhos para cuidar, pais conhecem seus filhos muito mais que eles mesmos, ser pai é um dom e uma tarefa grandiosa e não um fardo. Estão tirando das pessoas o desejo de serem pais, estão tirando a capacidade dos indivíduos de fazer isso. O resultado é esse tipo de isolamento que os adolescentes são expostos, que se não é totalmente responsabilidade dessas pessoas que acreditam que um governo pode assumir a tarefa de cuidar de pessoas, é sim grande parte do problema. Afastam os filhos dos pais, criam barreiras entre eles, mesmo com todas as provas esfregadas na cara de todos diariamente, parece impossível que haja tal compreensão. Já é muito difícil se manter atento aos sentimentos dos filhos e suas atitudes sendo um pai presente e zeloso, imagine o quanto isso é potencializado com a atual conjuntura imposta pela legislação e o ambiente social.
          Mas as redes sociais nos mostram coisas mais tristes. Infelizmente muitas pessoas, jovens mais precisamente, estão muito eufóricas com a ideia de uma morte bem brutal. Isso é praticamente inevitável, pois existe grande atração dos jovens por situações bizarras e sentimentos mórbidos, ao menos para parte deles. Não condeno isso, pois o sucesso de filmes de terror, cultura gótica, atração por serial killers, demônios e todo este ambiente macabro pode ser muito excitante, mas quando se detêm na arte exclusivamente. Quando estes dois mundos se confundem as coisas fogem do controle. É necessário destruir este mundo lúdico do cinema, da música, da literatura? É claro que não. Mas é primordial que os pais, amigos e quem mais se importe, se envolvam com esses jovens e fiquem o mais próximos possível, isso ajudará muito a superar certas fases importantes que precisam ser encaradas para o desenvolvimento do ser humano. Jovens são idiotas em sua maioria e imaturos na sua totalidade, isso é natural e aceitável. A própria ideia de não destrutividade ou a sedução pela ideia de morte é algo real e necessita de atenção. Todos fomos jovens e idiotas um dia, e boa parte se tornou velhos e idiotas, mas isso não é o caso. É preciso atentar para os jovens idiotas se tornem adultos mais sábios e competentes que a nossa geração de incultos e fantoches acabou se tornando.
          Para finalizar essa postagem, peço que tratem os jovens com mais atenção e carinho, pois apenas acusá-los, criticá-los e simplesmente considerá-los como sendo idiotas inúteis é a atitude mais covarde que se pode ter. Não posso responder por todos os pais, apenas tentar fazer o que for possível para que meus filhos não caiam em nenhuma dessas armadilhas. Que não passem pela vida totalmente imunes e sem cicatrizes, mas que suas experiências transforme-os em seres humanos muito melhores do que eu em todos os aspectos. Que sigam seus caminhos com a liberdade que precisam e com a sabedoria que adquirirem, pois muito pouco tenho a contribuir neste sentido. Não é uma questão de fé, é um trabalho que só poderá comprovar sua validade quando chegar a hora. Não sou idiota ao ponto de ficar idealizando uma utopia, pois tenho plena consciência do mundo em que eu vivo e será a partir dele que o futuro se moldará. Entretanto, não encaro o futuro com o pessimismo dos covardes que se submetem ao caos com preguiça de lutar. Escrevo neste espaço, trabalho minha música, me dedico em meu emprego, busco debater com meus amigos, abraço a tarefa de ser pai e marido com total comprometimento, se isso não bastar, apenas lamento, contudo, tenho tido algumas boas noites de sono e me saio vitorioso em algumas batalhas diárias. Só saberei se alcançarei algum sucesso quando estiver no fim e fazer um balanço. Hoje só posso começar do zero todos os dias com a dedicação sempre renovada. Se as batalhas diárias vencidas não representam nada no dia seguinte, as derrotas também não. Aos jovens, vitimas potenciais de jogos como da "baleia azul", digo que há um futuro incerto que vos aguarda, mas pode ser muito interessante e reservar surpresas que valem a pena. Porém, para poder usufruir dessas coisas é preciso estar vivo e de preferência inteiro. Sou fã de Heavy Metal, músico, adoro filmes de terror e histórias de ocultismo. Também sofri muitas tentações na juventude que pareciam ser o único caminho a seguir. Mas a vida me reservou uma esposa maravilhosa, uma filha linda e enteados queridos. Guardo com carinho as lembranças de inúmeros shows que fui e que vou eventualmente. Li livros maravilhosos e que me mostraram todo um mundo que seria incapaz de conhecer com a experiência de uma vida. Isso tudo não me livrou da depressão, de momentos de solidão e tristeza, do fracasso, da queda na auto estima, afinal, a vida é difícil mesmo. Contudo, vivi coisas que jamais achei que fosse possível e que superaram as minhas expectativas mais otimistas. Não sou apenas um exemplo, se olharem ao redor poderão ver muitas pessoas que envelheceram também, passaram por momentos de dúvida e até de desespero, mas conseguiram seguir em frente e acumular belas histórias sendo apenas pessoas comuns. Segue vídeo complementar no meu canal do Youtube:


sexta-feira, 14 de abril de 2017

A semana de páscoa dos brasileiros - presente da Lava Jato


          Vivemos um momento histórico no Brasil. Depois de aproximadamente setenta anos tentando tomar o poder à força, movimentos de esquerda chegaram ao poder no Brasil pela via democrática, o voto. Quase trinta anos após a redemocratização do país, após vinte anos de ditadura militar, podemos ver o resultado de todo este movimento político e revolucionário. O país tem a oportunidade de passar a limpo sua história e rever suas convicções políticas olhando para todo os contexto histórico sem as mentiras e a ficção costumeira. Na semana em que Emílio Odebrecht depõe a justiça sobre o papel de sua empresa na politica de nossa pátria, só idiotas e mal intencionados poderão negar o que fica a cada dia mais claro até para as pessoas mais humildes, o Brasil foi saqueado por uma mega organização de vigaristas aproveitadores. Como a história nos mostra, os governos de esquerda só sobrevivem por algum tempo a base de corrupção, de dinheiro roubado e acobertado por narrativas mentirosas. Foi assim na URSS, Cuba, Venezuela, Coréia do Norte, e por aí vai. Basta observarmos que a cada regime destes que cais, logo aparecem grandes milionários oriundos destes lugares. Mentiras, distorções, desconstrução da história, acusações vazias aos opositores, compra de apoio político com dinheiro sujo, ou seja, tudo que está vindo á público desde 2005 com o Mensalão e agora fica exposto com suas entranhas à mostra para todos verem. Já faz um tempo que voltei a manifestar minhas opiniões políticas, pois não fazia sentido ficar brigando com queridos amigos por conta de algo que eu não poderia resolver sozinho. Falo deste fenômeno que considero uma aberração, mas que tenho como exemplo acontecendo com amigos queridos, neste texto aqui no blog. Mas pude ter o discernimento de fazer o raciocínio contrário e entender minimamente como as coisas funcionam na teoria.
          Como havia lido Marx, Gramsci e Rousseau na época de estudante, estudei algumas teses de Lênin e Stalin através de alguns escritores e jornalistas da época, pude cruzar algumas informações que me deram a base para assimilar o discurso de quem defende a ideologia de esquerda. Passei a usar a narrativa exposta pela militância para acompanhar o raciocínio por trás de todo aquele discurso. É preciso também prestar atenção no que os políticos defendem, as leis que eles aprovam ou desaprovam. Isso vai além da ideologia, no fundo a intenção sempre será a mesma, alcançar o poder de controlar o dinheiro, as pessoas e o que mais for possível controlar. Falo especificamente disso no meu canal do Youtube, neste vídeo. Essa sempre foi a grande ambição de todos os conquistadores da história da humanidade, por que mudaria hoje em dia? Para ajudar pobres e miseráveis, como muitos acreditam? Claro que não. Uma população, que em sua maioria, sequer consegue conviver em família vai se importar com o bem-estar de estranhos? Precisa ser muito ingênuo para acreditar nisso. O fato é que os depoimentos que constam nas investigações da Lava Jato, e que foram revelados ao público, demonstram o quanto o Brasil é capaz de comprar uma mentira e defender com unhas e dentes quem manipula a população. Ao longo deste texto, tentarei ilustrar com fatos o que começa a se tornar a opinião da população em geral, viajando rapidamente no tempo e resumindo um pouco de nossa história.
          Se voltarmos no tempo, lá pela década de 1920, já tínhamos movimentos que tentavam tomar quartéis e estabelecer uma revolução armada para tomar o poder no Brasil. Os movimentos revolucionários tenentistas, onde oficiais de baixa patente causaram revoltas em quartéis no Rio Grande do Sul, São Paulo e no nordeste brasileiro. Após a queda do império brasileiro e a entrada do pensamento revolucionário europeu em nosso país, viu-se que era possível, através de conspirações e luta armada, tomar o poder usando guerrilhas e agregando colaboradores em meio aos camponeses e trabalhadores mais humildes, como era comum e até chegou a obter sucesso em alguns países ao longo do século XX. Em 1930 já havia um forte e organizado movimento comunista no Brasil, com a Aliança Liberal e a criação do Partido Comunista (PCB), onde destacou-se, entre muitos outros, Luis Carlos Prestes. Como na "República Velha" havia o controle oligárquico ativo na política brasileira, e por consequência na economia, o inimigo estava posto e bem identificado. Como é de praxe, se buscou o apoio dos camponeses que trabalhavam nas grandes fazendas e eram explorados pelas famílias oligárquicas. Convido o leitor á estudar mais a fundo este período da nossa história para saber mais detalhes. O certo é que na república velha, os movimentos comunistas, embora esmagados pelos governos, acabaram por ganhar grande destaque e tinham a simpatia dos formadores de opinião como jornalistas, professores e intelectuais da época. O certo é que a revolução de 1930 foi marcada pela deposição de Washington Luís, a revogação da Constituição de 1891 e a dissolução do congresso. Começava a Era Vargas, onde o gaúcho Getúlio Vargas governou o país por quinze anos. Seu governo foi aos moldes do fascista italiano Benito Mussolini, que tinha origens ideológicas socialistas, mas que tomou um caminho mais autoritário no governo italiano na época da segunda Guerra Mundial. Foi neste período que Gramsci foi preso e escreveu os 33 cadernos do cárcere. Talvez isso tenha remetido ao revolucionário italiano, a semelhança com o tipo de governo totalitário no Brasil.
          É preciso ter em mente que Getúlio Vargas já tinha as bases bem sólidas do que era um governo totalitário para pôr em prática tal tendência, como citei anteriormente. Assim criou-se a Consolidação das leis Trabalhista (CLT), no modelo que temos hoje. A criação dos sindicatos foi grande influência direta do fascismo italiano, pois Mussolini acreditava que ter representantes dos trabalhadores a sua disposição facilitaria a absorção de suas ideias pelas classes proletárias. Cabe um parentese aqui: Todo esquerdista costuma chamar um opositor de "fascista", ao mesmo tempo usa a defesa da CLT como base de discursos para a população e os sindicatos como liderança das militâncias. Percebe-se também traços do fascismo em regimes como o cubano, tão defendido pelos movimentos de esquerda no Brasil. É aquela expressão histórica de Lênin: Chame-os do que você é e acuse-os do que você faz. O fato é que o "getulismo" foi uma oposição forte aos movimentos revolucionários propostos pelos comunistas, embora flertasse com os modelos comunistas e socialistas, já que nessa época o Estado brasileiro começou a inchar e absorver intelectuais e movimentos esquerdistas. Com a redemocratização, os comunistas puderam se expandir ainda mais e já contavam com a integralidade do pensamento nacional. Se por um lado o Brasil conseguia atingir um crescimento econômico, principalmente com Getúlio Vargas e depois com Juscelino Kubitschek, a influência da Segunda Guerra e as revoluções soviética e chinesa, principalmente, deram um estofo poderoso para o crescimento socialista no mundo. No final da década de 1950, Fidel Castro tomaria à força o poder em Cuba, dando início a um processo progressivo de afirmação socialista no nosso continente. Acho importante aqui estudar a "Revolução Cubana", a trajetória de Lênin e Stalin na criação da União da Repúblicas Socialistas Soviéticas, a "Revolução da China" por Mao Tse Tung e as guerras do Camboja e da Coréia.
          No período democrático, o Estado brasileiro cresceu bastante, mas as oligarquias ainda comandavam setores importantíssimo da economia, a industrialização era aperfeiçoada e a criação de Brasilia, projetada por Oscar Niemeyer, já dava traços comunistas ao Brasil. A pressão sobre o governo de Jânio Quadros, que dizia lutar contra a corrupção, que já era muito efetiva naquela época, fez com que o mesmo renunciasse. Entre períodos de legalidade e ilegalidade, o PCB se articulava e tinha uma nova liderança, Carlos Marighela, que era muito simpático ao regime vietnamita, e um ativo militante da causa comunista. Países como Bolívia e Argentina tinham movimentos revolucionários muito fortes. Che Guevara percorria os países da América Latina promovendo a organização armada de melícias revolucionárias em diversos países. Chegou a receber homenagens do governo brasileiro e aproximou-se de políticos como Leonel Brizola, entre outros. A América Latina estava dividida. Surgia o M.I.R chileno e a ditadura repressiva de Augusto Pinochet. As FARC colombianas tomavam o controle do tráfico de drogas e formavam uma poderosa organização armada. Essa pressão externa teve grandes reflexos no Brasil. Criou-s uma grande resistência antiamericana, porém os Estados Unidos eram parceiros comerciais antigos do nosso país. Isso se deu por causa da chamada Guerra Fria que nunca passou de propaganda, pois nunca houve uma disputa armada entre os Estados Unidos e a URSS. Os rumos do país estavam incertos devido as crises provocadas pelo governo João Goulart. Pressões populares, de empresários e de políticos da oposição fizeram com que o presidente e muitos políticos identificados com as forças revolucionárias fugissem do Brasil e buscassem asilo politico em outros países.
          Em abril de 1964 o congresso dá como vazio o posto de presidente e os militares sobem ao poder. Inicia-se assim a Ditadura Militar no Brasil. A ideia era estabelecer a ordem, governar por seis meses e promover novas eleições. Isso não ocorreu, talvez por ciumes ou receio de quem pudesse vir a vencer as eleições alguém como Carlos Lacerda. Durante o regime militar prevaleceu o pensamento tecnocrata e a politica foi deixada em segundo plano. Oportunamente os comunistas, mesmo que em determinados momentos ficassem na ilegalidade e fossem perseguidos, reviram seus conceitos, pois no momento em que o socialismo/comunismo estava em alta no mundo e principalmente na América Latina, no Brasil os movimentos de esquerda eram perseguidos e muitos ativistas presos. Houve terrorismo no Brasil e conflitos entre os próprios membros da esquerda, opositores ao governo militar. Em 1968, o Ato Institucional numero 5 (AI5), promoveu forte repressão aos revolucionários. Mortes e tortura passaram a ocorrer com maior frequência. Teria sido nessa época, durante a prisão de políticos e militantes, que no convívio com presos comuns, germinaria as sementes de grupos como o Comando Vermelho. A coincidência de como Carlos Marighela ensinava táticas de guerrilha em seu "Manual do Guerrilheiro Urbano" e as atividades dos narcotraficantes nas décadas seguintes, ao tomarem favelas e comunidades mais pobres, indicam que houve sim uma relação muito próxima entre criminosos comuns e os presos políticos. Isso foi registrado em livro por Carlos Amorim, falando sobre o período em que o presidio da Ilha Grande fora o cenário para essa convivência. O próprio Carlos Marighela chega a citar este período em suas biografias e relatos pessoais.
          Foi durante a ditadura militar que a produção intelectual ideológica de esquerda foi mais produtiva. Possivelmente neste período as ideias de Antonio Gramsci já estivessem em plena execução, pois os movimentos de esquerda precisaram rever seus passos e suas estratégias, pois, quanto  mais investiam na tomada do poder pela força armada, mais fortaleciam o poder da opressão militar. Nesse período começam a aparecer as figuras que se tornariam importantíssimas no cenário politico nas décadas seguintes. José Dirceu, Genuíno, Rui Falcão, Dilma Roussef, entre outros militantes, que até então eram guerrilheiros e perseguidos políticos, começaram a reescrever a história brasileira criando uma narrativa onde eles seriam os heróis e não os guerrilheiros que tentavam implantar a "ditadura do proletariado". Isso foi fácil, até certo ponto, pois contavam com a plena colaboração de quem registrava a história como jornalistas, escritores, artistas e professores. Conforme o regime militar ia perdendo força e popularidade, mais a influência dos persistentes revolucionários, agora mais discretos e meticulosos, crescia e ganhava apoio popular. Aos poucos o Brasil foi se redemocratizando e a liberdade para se falar de tudo e para todos foi aumentando. Nesse ínterim a ideologia esquerdista já estava renovada, as guerrilhas começaram a ficar no passado, houve anistia a presos políticos, uma retomada no diálogo entre as classes e um novo momento estava nascendo. Entretanto, o Brasil começava a degringolar economicamente. Aqueles que colaboraram para manter certo controle econômico durante o governo militar foram excluídos e silenciados, sobre eles foi posta a pecha de traidores da pátria e golpistas. Assim, muitos intelectuais foram tendo seu espaço minguando e até sendo extintos na imprensa, nas atividades econômicas, empresariais, culturais e intelectuais. Construía-se assim a hegemonia esquerdista de pensamento. Sem uma direita representativa, sobre a qual caiam as maiores acusações de tudo que era mal, sobrava para a esquerda o total controle institucional e cultural brasileiro.
          Na metade da década de 1980 já tinham cessado os poderes militares e o Brasil estava entregue, teoricamente, ao poder popular. Nesse período três partidos se consolidaram. O PMDB representando o estamento burocrático, presente na ditadura militar e com grande controle da máquina pública e domínio de todo o funcionamento do estado. Nele se destacavam políticos como José Sarney, Ulisses Guimarães, entre outros. O PT, nascido do movimento religioso adepto da teologia da libertação, dos movimentos sindicais, dos estudantes e antigos membros do Partido Comunista. Se destacaram no Partido dos Trabalhadores figuras como José Inácio Lula da Silva, Eduardo Suplicy, Olívio Dutra, entre outros. E o PSDB, representando a classe intelectual, certos seguimentos de empresários, jornalistas e escritores. No partido se destacaram Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, José Serra, entre outros. Essa trinca governaria o país nas décadas seguintes. Outros partidos de esquerda mais radicais foram surgindo, outros mais moderados, apareceram versões alternativas, mas se consolidou o pensamento de esquerda que ia do socialismo democrático ao comunismo, mas de forma amena e muito mais palatável para a população comum. Nesse tom originou-se a constituição de 1988, já no governo José Sarney, que substituiu o eleito Tancredo Neves que falecera antes de tomar posse. Esse momento politico foi marcado pelo desemprego e o crescimento assombroso da inflação. As consequências só não foram mais graves porque o povo estava anestesiado por causa da sensação de liberdade total pós-ditadura.
          Por mais estranho que possa parecer, nas eleições de 1989, Fernando Collor de Melo venceria a disputa para presidente, superando candidatos muito representativos como Ulisses Guimarães, Leonel Brizola, Lula e Paulo Maluf. Até então havia um sentimento de que aquela era a fase mais corrupta da politica brasileira até então. Nesse discurso é que Collor pode superar seus adversários que eram vistos com receio pela população por conta do fracasso do governo Sarney. Como o então presidente eleito mostrou-se arrogante e autoritário, foi fácil para seus adversários políticos isolá-lo e derrubá-lo com o apoio popular, isso sem contar o seu total fracasso na administração do país. Fernando Collor renunciou assim que o processo de impeachment foi votado na câmara. Os movimentos de rua apareceram como força popular através dos "Caras Pintadas". Itamar Franco assumiu a presidência com o compromisso de recuperar a economia e trazer de volta os empregos para os brasileiros. Ao seu lado estava Fernando Henrique Cardoso, habilidoso social democrata, que com a ajuda de seus aliados conseguiu estabilizar a economia, reduzir a inflação e fortalecer uma nova moeda, o Real. Muitos políticos como Lula e Brizola foram contra ao rumos políticos do pais. Alegavam que FHC estava implantando uma politica econômica neo-liberal e a favor dos Estados Unidos. Isso não chegou a afetar sua popularidade junto aos investidores e economistas atuantes na época, muito pelo contrário, o Plano Real foi incensado por quase todos. Os políticos mais de esquerda passaram a promover inúmeras campanhas contra personagens que se destacavam no cenário politico através de CPIs. Entretanto, estava se estabelecendo uma nova disputa politica onde os partidos não disputavam ideologicamente e simplesmente disputavam a ocupação de cargos.
          Fernando Henrique vence as eleições de 1994 e 1998. Seu governo foi estável, sua politica econômica permaneceu correta e possibilitou um crescimento interessante para o país. Foram criadas ONGs para exercer certas atividades específicas, privatizou-se algumas estatais, alguns programas sociais começaram a aparecer para combater a fome e a miséria, planos de moradias populares, incentivo ao primeiro emprego, mini reformas no ensino, e assim por diante. Sua popularidade começou a cair quando não conseguiu contornar o desemprego em seu segundo mandato. Como um social democrata fabiano, Fernando Henrique foi implantando suas ideias esquerdistas lentamente, com o apoio do PMDB, sempre presente na política desde a queda do regime militar. PT, PSDB e PMDB se garantiam no controle de prefeituras, governos de estados e em cargos importantes do governo federal, ativamente ocupando cargos eletivos ou fazendo parte de coligações governantes. Nesse meio tempo a URSS caíra na Europa e lentamente o socialismo no "velho mundo" ia perdendo força, mesmo com suas renovações ideológicas com a escola de Frankfurt, o esquerdismo fabiano e o nascimento da New Left nos Estados Unidos. Na América Latina, Fidel Castro ganhava muita notoriedade, tendo o respeito de Fernando Henrique no Brasil e Bill Clinton nos Estados Unidos. Mesmo com a queda do regime soviético, Cuba ganhava a parceria econômica de Bolívia e Venezuela, mantendo assim a forte influência politica na América Latina. Fundamental para isso foi a criação do Foro de São Paulo, entidade criada por Lula e Fidel Castro, que contava com lideranças políticas oficias como partidos e facções como as FARC e o MIR. Os encontros anuais promovidos por eles visava articular os diversos movimentos de esquerda com o apoio mutuo para a chegada ao poder em todos os países da América Latina.
          Como Lula havia sido derrotado três vezes em eleições presidenciais com seu áspero discurso de esquerda, foi contratado o publicitário Duda Mendonça, que havia trabalhado para eleger Paulo Maluf e Celso Pitta em São Paulo, para poder polir o discurso de Lula e melhorar sua imagem perante o público. Como todos os adversários políticos estavam enfraquecidos por diversos ataques, através de CPIs e campanhas difamatórias, não havendo mais o rótulo aberto de esquerdista, pois para isso deveria existir uma direita efetiva, Lula se apresentava como um sujeito dado a gentil colaboração, paz e diálogo entre as diversas classes sociais. Ao lado de Lula estava o empresário José Alencar do PL como vice-presidente. Mesmo com as duras criticas de José Serra do PSDB e Ciro Gomes do PPS, Lula venceu o tucano no segundo turno das eleições e se tornou presidente do Brasil. Houve comoção na posse, os pobres se sentiam representados, pois um metalúrgico havia chegado ao poder. Como o próprio Lula dizia que tinha chegado ao cargo mais importante do país sem diploma algum, isso mexia com o brio dos mais humildes. O PT já era bem aceito, principalmente nas prefeituras de grandes capitais e contava com o apoio integral da CUT, UNE, igreja católica, veículos de comunicação e grandes empresários. Aquela imagem de revolucionário havia ficado para trás e a promessa de prosperidade, toda a narrativa consolidada da posse do monopólio das virtudes, foi de encontro com a ideologia das ruas. Os movimentos populares se aliaram ao governo e passaram a agir pontualmente em alguns setores e casos específicos, como agentes de pressão. Aqueles que lutavam nas guerrilhas, agora eram políticos importantes e ocupavam posições estratégicas dentro do governo. O presidente recém eleito se aproximara de José Sarney e Ciro Gomes constituindo importantes alianças politicas. O apoio do empresariado garantia estabilidade econômica e isso gerava empregos e boas perspectivas. Assim como no Brasil, Argentina, Uruguay, Bolívia, Venezuela, entre outros, tinham governos identificados com a esquerda que foram aparecendo gradualmente. A hegemonia ideológica conquistara o Brasil e começava a tomar toda a América Latina.
          Algumas pessoas influentes começaram a se questionar como que aquela figura polêmica conseguiria governar frente a um congresso e um Senado tão heterogêneo. Uma coisa era vencer uma eleição, outra era garantir a governabilidade do país. A resposta já veio entre 2005 e 2006 com a descoberta do Mensalão, onde políticos de vários partidos recebiam propina para votar a favor do governo. Empresas públicas foram usadas e muitos nomes do PT foram denunciados, e até condenados, por corrupção. O Partido dos Trabalhadores já sofria com o assassinato do prefeito Celso Daniel em 2002, onde todos os evolvidos diretamente no caso foram assassinados. Isso foi abafado na época e possibilitou que a campanha do petista a presidência não fosse prejudicada. Porém, no mensalão, homens fortes como José Genuíno, ex-presidente do partido e José Dirceu, ministro chefe da casa civil do governo Lula, foram condenados durante o processo. Delúbio Soares e Marcos Valério, ao serem presos também, junto com outros políticos, empresários e doleiros, revelaram parte do funcionamento do esquema corrupto. Parte do esquema foi abafado e algumas pessoas mais foram presas e condenadas. Isso não foi o suficiente para manchar a imagem de Lula frente a população. Um estratégia toda particular foi criada para tirar a atenção do caso. Para os envolvidos não haveria problema algum roubar para beneficiar o partido, mas era preciso desviar o foco da opinião popular. Como haviam diversos partidos envolvidos, foi mais fácil conseguir o apoio para barrar as investigações num ponto onde ainda era possível contornar a situação. Se por um lado apareciam diversos casos de corrução envolvendo os membros do PT e de outros partidos, por outro o aceleramento econômico com politicas públicas de incentivo e a possibilidade do Brasil sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, fez com que os brasileiros desconsiderassem o ocorrido e seguissem acreditando no plano de governo. Para os empreiteiros e outros empresários não havia motivo para reclamações, pois o governo Lula possibilitou que grandes oligarquias empresariais pudessem acumular ainda mais seus lucros, muitas delas trabalhando para o governo, outras sendo beneficiadas com politicas que eram direcionadas para elas vencerem licitações em concorrências desleais.
          Com a fragmentação do PT, alguns de seus principais representantes presos ou respondendo a processos, Lula apresenta Dilma Roussef como candidata a presidência nas eleições de 2010. Isso foi a garantia de que todos os compromissos do partido fossem cumpridos. Com o apoio maciço do PMDB, tendo como candidato á vice-presidente Michel Temer, o Partido dos Trabalhadores ampliava suas bases de apoio e poderia continuar seu plano de governo. Promessas foram feitas e os acordos para a realização dos dois principais eventos esportivos do mundo foram assinados. O governo tinha influência sobre as principais empresas do Brasil, controlava a imprensa tanto ideologicamente como economicamente, tinha uma oposição amena e facilmente desmoralizada perante o público em geral. As politicas internacionais viravam de direção para acordos com países como Angola, Venezuela, Cuba, entre outros menos viáveis. A falta de habilidade em lidar com as pessoas e com as situações adversas foi enfraquecendo o governo Dilma. As acusações de corrupção cresciam e muita gente já se mostrava desconfiada. Para marcar negativamente o enfraquecimento do governo petista, as obras para a Copa do Mundo e as imposições feitas para a realização da mesma começaram a gerar incertezas. Mesmo com o discurso do tal "Legado da Copa" muita gente humilde começava a padecer em filas de hospitais, com a violência crescente, os escândalos de corrupção sendo revelados e julgados e as sucessivas crises econômicas em alguns setores da sociedade. Em 2013, inicialmente motivadas pelo protesto de estudantes contra o aumento da passagem de ônibus, muitas pessoas começaram a ir para as ruas em protesto contra a corrupção e o governo. Neste período grupos foram criados e algumas pessoas começaram a levantar a voz contra o PT e seu governo.
          Mesmo com todos os problemas estruturais e políticos, a Copa do Mundo fez amenizar os ânimos, pois as atenções do mundo estavam direcionadas para o Brasil. Muitas obras não foram acabadas, principalmente as que beneficiariam a população em geral. Porém, os estádios estavam de pé e prontos para receber os jogadores das seleções do mundo todo. Nesse meio tempo membros da FIFA, principal órgão do futebol mundial, apresentava escândalos de corrupção com a compra de votos para apoiar candidaturas para sediar os eventos. Algumas empresas ganharam notoriedade durante 2014, por estarem envolvidas nos principais contratos de construção da estrutura em torno do evento. A proximidade dos empreiteiros e dos políticos dava indícios de que tudo não passava de uma grande conspiração para enriquecimento ilícito e roubo do dinheiro público. Após a Copa, as atenções foram direcionadas para as eleições . Muito do que estava acontecendo no âmbito politico veio à tona, mas os petistas e seus aliados conseguiram contornar a situação, afinal, era uma competição entre velhos conhecidos, pois a maioria eram ex-petistas concorrendo contra Dilma, como Marina Silva e Luciana Genro. A primeira era candidata a vice na chapa liderada por Eduardo Campos que havia falecido em um suspeito incidente aéreo. Muitos acreditam que o então candidato havia sido assassinado. Na oposição estava Aécio Neves do PSDB, o nome mais forte do pleito. Entretanto, muitas suspeitas pairavam sobre a principal figura dos tucanos, dividindo internamente seu próprio partido. Lula chegou a ir a imprensa e falar que achava uma maravilha ter apenas candidatos de esquerda concorrendo a presidência. No final das contas, mesmo com todo o contexto posto, Dilma Roussef se reelege, num pleito que até hoje gera suspeitas de fraude, afinal, a empresa contratada para realizar as eleições através das urnas eletrônicas era a venezuelana Smartmatic e a impossibilidade de realizar uma perícia para verificar fraudes, ou uma recontagem de votos, era impossível..
          No meio do caminho, uma operação da polícia federal com uma investigação sobre fraudes envolvendo postos de gasolina, caíram na jurisdição do juiz Sérgio Moro. A operação chamada de Lava Jato acabou por cruzar informações com as CPIs que investigavam indícios de corrupção na Petrobras. Rapidamente chegaram ao senador petista Delcídio do Amaral. A partir daí muitas pessoas ligadas ao governo passaram a ser investigadas. Entrou gente ligada a vários partidos até atingir o ex-presidente Lula. Com a gravidade do conteúdos das delações de alguns envolvidos que foram sendo presos, várias fases da operação começaram a avançar. Dilma tentou blindar Lula nomeando-o ministro, mas gravações vazadas pelo juiz Sérgio Moro vieram a público e o STF interveio anulando a posse. As pessoas foram para as ruas para protestar contra o governo e pedindo o impeachment da presidente. A militância petista e os movimentos sociais se articularam para se opor a essas manifestações. Houve uma polarização politica que tomou as ruas e as conversas de muitos brasileiros. Movimentos opositores ao governo começaram a ganhar corpo, abriu-se investigações internas sobre as contas da presidência e constatou-se fraude fiscal. Todo o discurso que reelegeu Dilma foi caindo em contradição por seus atos. O PMDB passou a acenar com uma possível saída do governo, através de uma carta vazada pelo vice-presidente Michel Temer, reclamando de seu posto apenas decorativo no poder. Muitos pedidos de impeachment foram abertos, mas apenas um foi aceito por Eduardo Cunha, então presidente da Câmara de Deputados, réu em processos de corrupção e respondendo por eles. Homologado o pedido de afastamento da então presidente, o processo seguiu para ser votado na Câmara e depois no Senado. Michel Temer assumiu a presidência em caráter temporário e depois em definitivo após o STF julgar o impeachment da presidente. Nessa sentença a mesma foi afastada, mas não perdeu os direitos políticos, o que contraria o texto constitucional. Uma manobra executada por aqueles que ocupavam cargos importantes por indicações de petistas.
          Iniciou-se uma forte campanha contra Michel Temer. De um lado os que se sentiam traídos e alegaram que o mesmo realizara um golpe. Do outro, aqueles que viam no pmdbista um aliado do governo que apenas tinha perdido um membro. Nessas condições ficou muito difícil restabelecer a ordem no país, pois nunca personalidades da esquerda, mais diretamente do PT, atacaram com tanta raiva seus adversários políticos. Os movimentos de rua se intensificaram, houve ocupações de escolas, extremismo de ideias e o Brasil posto em cheque. Contudo, a operação Lava Jato avançou e mais nomes de políticos envolvidos em corrupção foram revelados. A cúpula do governo estava seriamente comprometida. Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Ike Batista, entre muitos outros foram presos. Estados como o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul apresentaram gravíssimos problemas econômicos. A prisão de Marcelo Odebrecht e as delações premiadas começaram a revelar como todo o processo, que levou o PT ao poder e acabou por envolver membros de todos os partidos, foi executado. Ainda há uma militância fiel,e que jamais abandonará o PT, que insiste em apoiar o meliantes, pois para eles tudo não passa de conspiração. Para estes tudo não passa de um golpe para tirar gente honesta do poder e que lutava pelo pobres. Para aqueles políticos que estão no fio da navalha, só resta conspirar para tentar aprovar leis que possam salva-los da cadeia. Um pouco antes da delação dos membros ligados a Odebrecht ser homologada, morre o relator do processo Teori Zavascki, num acidente aéreo muito suspeito. Mesmo assim a operação segue com apoio popular, mas correndo sérios riscos de acabar antes de apurar todos os fatos e condenar os envolvidos. O fato é que toda a classe política está sob suspeita e não há um partido sequer que possa transmitir confiança a população.
          Nessa semana de páscoa de 2017 ,o dono da empresa Odebrecht, Emílio Odebrecht, em seu depoimento a justiça divulgado na internet, revela que conhecia Lula desde os anos em que este era sindicalista e relata como funcionou todo o esquema de corrupção envolvendo financiamento de campanhas e trocas de favores que envolviam bilhões de reais, entre sua empresa e os políticos. Não é surpresa que Lula tenha se aproximado de diversos empresários poderosos e seja uma espécie de fantoche de alguns deles. Se por um lado havia a ideologia ligada ao PCB, partido que seu irmão Frei Chico era filiado, o mesmo admite que o irmão entrou na politica por influência dele, por outro havia o interesse das oligarquias que sempre estiveram por trás da politica brasileira, que voltou a ganhar força no governo petista e se aproveitando de eventos como a Copa do Mundo, as Olimpíadas e a influência de Lula no exterior para expandir ainda mais sua riqueza e seu poder. O próprio Emílio Odebrecht assume que a carta á população, que ajudou a eleger Lula em 2002, teve a participação direta da empresa. Voltando aquela ideia de pensar como o adversário, lembro de uma observação que um amigo esquerdista fez a pouco tempo: Isso é tudo obra das oligarquias que mandam no país. Ele utilizou essa frase quando fiz um comentário em uma postagem dele no Facebook, que falava sobre a ascensão de Guilherme Boulos e a possibilidade dele seguir o mesmo caminho de Lula. O que foi revelado essa semana acaba por comprovar que este meu amigo estava certo, há oligarquias poderosas que controlam tudo, ele só esqueceu de mencionar que a ferramenta de controle é exatamente o que ele defende, os políticos de esquerda que chegaram ao poder. Também não sejamos ingênuos, assim como os grandes milionários como George Soros injetam milhões em ativistas de esquerda, seria normal que no país mais corrupto do mundo, uma grande empresa utilizasse a influência do governo para aumentar sua fortuna. Se o que o patriarca da Odebrecht contou em depoimento é a mais pura verdade, é difícil afirmar, mas que todos os indícios apontam para a veracidade de todo essa história macabra, isso é verdade, só não vê quem não quer.
          A torcida para que as pessoas se deem conta de que há uma necessidade vital de se rever conceitos sobre os políticos que elegem, que todos são farinha do mesmo saco e que o sistema político está falido, é muito grande e faço o possível para alertá-los de alguma forma. Como costumo afirmar para muita gente, e até sou alvo de deboche por conta disso, eu não voto em candidato algum. Nenhum deles me representa. Não confio em ninguém que mente descaradamente para garantir sua entrada no governo ou se manter nele. Gostaria muito de usar este espaço como fazia antigamente, escrever sobre meus sentimentos, sobre música e cultura, mas é impossível ficar a margem de tudo isso tendo filhos e uma família para sustentar. O Brasil precisa mudar radicalmente de ideologia e de sistema politico. As pessoas que estão a anos na politica estão comprometidas com tudo isso. Vamos acabar deixando com que tudo fique por isso mesmo, reelegendo gente como Lula ou Dilma, votando em Aécio Neves, mantendo gente como Renan Calheiros, Rodrigo Maia, entre outros tantos, a frente das instituições que deveriam zelar por nosso bem estar? Não mesmo! Talvez não haja volta e não consigamos recuperar tudo que perdemos, mas temos que, ao menos, limpar o Brasil destes malditos causadores de todo o mal que insisto em expor em todos os textos que escrevo neste espaço. O futuro do Brasil se definirá nos próximos dois anos e espero que não sobre nenhum destes bandidos em condições de concorrer as eleições de 2018. Precisamos ver esse malfeitores todos na cadeia para que sirvam de exemplo para as próximas gerações. Este é o texto mais longo que já escrevi aqui e espero que tenha servido para que ao menos uma pessoa reflita a respeito